TEOLOGIA EM FOCO

quinta-feira, 6 de junho de 2013

JESUS NOSSO DESCANSO


O sábado em Jesus e na Nova Aliança não é relacionado ao legalismo. É relacionado com entrar no repouso e viver desfrutando da presença de Cristo, o Senhor do sábado. No contexto do sábado, Jesus que é o Senhor e Criador do sábado disse:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.28-29).

Os judeus estavam sobrecarregados pelo fardo dos fariseus, as exigências da lei e as tradições judaicas para serem salvos. O generoso convite de Jesus destina: “a todos os que estais cansado, aflitos e oprimido”.

Jesus é o Senhor do sábado, Ele, portanto, oferece o verdadeiro descanso e o verdadeiro repouso. Quem vem a Jesus e torna-se Seu servo e faz a sua vontade, Ele o alivia de suas insuportáveis aflições e lhe dará descanso, paz, e seu Espírito Santo como guia. Deste modo podemos suportar as provações e inquietações da vida, com o auxílio e a graça de Deus.

Jesus chamou a todos para virem diante d’Ele encontrar e terem verdadeira libertação do sábado e descanso Nele, o Senhor do Sábado.

Em Deus repousamos: “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso...” (Hb 4.3). Este repouso existe porque Deus repousa em nós através de Seu Filho Jesus Cristo. Viver no descanso do Senhor, é encontrar aceitação, paz, conforto e plenitude nos braços de amor do nosso amado Jesus, o Senhor e Criador do sábado. Este descanso é viver continuamente na presença do Senhor.

A plenitude do descanso em Cristo, é através do seu sangue, é o cessar do nosso esforço para realizar obras, ritos e dias que paguem o preço por nossos pecados. É depender do sangue de Jesus para cobrir a divida que o nosso pecado tem feito, e nos justificar diante de Deus. A Divida foi paga, fomos lavados, limpos, purificados e novamente aceitos diante de Deus (Efésios 2.8-9).

A obra para assegurar a nossa permanência diante de Deus foi terminada através da obediência de Cristo, e Sua obra na Cruz. Por causa disso, nós temos o verdadeiro descanso. Devemos descansar somente em sua obra, através da fé, confiar apenas nela como meio de justificação, redenção, salvação e aceitação.

I.       O DESCANSO SEGUNDO HEBREUS

“Ora, quais os que, tendo ouvido, se rebelaram? Não foram, de fato, todos os que saíram do Egito por intermédio de Moisés? E contra quem se indignou por quarenta anos? Não foi contra os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto? E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade (Hb 3.16-18).

Os judeus israelitas “não puderam entrar” no descanso de Jeová porque a “incredulidade” deles impediu de usufruir da Terra Prometida de Canaã. O pecado de rebelião e incredulidade impediu a entrada no descanso de Deus. A possibilidade de o crente do Novo Testamento não entrar no repouso prometido por Deus é ilustrada pelos israelitas que deixaram de entrar na Terra Prometida após Moisés conduzi-los para fora do Egito (Nm 14.29; Dt 1.26). O escritor salienta duas coisas:

A.       Os israelitas experimentaram o poder redentor de Deus (v.16), viram a obras poderosas de Deus (Hb 3.9), porém se tornaram desobedientes (v.18) porque não queriam crer nas promessas de Deus, nem acatar as suas advertências (v.19). Por isso, morreram no deserto (v.17) e deixaram de entrar na Terra Prometida.
B. As experiências iniciais que os israelitas tiveram com Deus não garantiram sua chegada em paz a Canaã. Ao deixarem de perseverar, desprezaram sua única fonte de segurança: a graça, misericórdia e a presença do Deus vivo (v.12).

II.       REPOUSO DA FÉ, HEBREUS 4


“A palavra descanso” neste trecho é aplicada a três coisas, a saber:
a)      Ao descanso do sábado, instituído na criação (vv. 3-4).
b)      Ao descanso da Terra Prometida (v.5).
c)      Ao descanso que Davi previu: o descanso do Evangelho, que se encontra somente em Cristo (vv.7-8).

Destes três descansos aprendemos:
a)   Que o sábado é figurado (Cl 2.16-17), um tipo de descanso do coração que se acha em Cristo.
b)   Que o descanso na terra era também típico, pois Josué tivesse dado o descanso final que Deus propusera, Davi não teria falado de outro descanso (v. 8):

“Portanto, resta um repouso para o povo de Deus”. Que repouso é este? O repouso da criação resultou de uma obra consumada. O repouso na obra de Cristo, este glorioso descanso de Deus, resultou de “Esta consumado” e n’Ele entraram aqueles que repousam das suas obras (Hb 4.10).

“Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós tenha falhado” (Hb 4.1).

Se os antigos israelitas fracassaram em entrar no descanso, todos devem tomar cuidado para que também não falhem na entrada da benção. A exortação “temamos”, enfaticamente adverte os leitores a não serem complacentes. A geração de israelitas, para as quais o descanso estava prometido, o perdeu. Devemos prestar atenção a fim de não cometermos o mesmo engano e perdermos o prêmio eterno.

“Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram” (Hb 4.2).
Deixar de perseverar na fé e na obediência a Jesus, resulta em deixar de alcançar o prometido repouso eterno no céu (cf. 11.16; 12.22-24). A expressão “parece que algum de vós” é falado à luz dessa possibilidade terrível e do juízo de Deus. A perseverança na fé exige que continuemos a nos aproximar de Deus, por meio de Cristo (o nosso descanso), com sinceridade resolução (v.16; 7.25).

“Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito: Assim, jurei na minha ira: Não entrarão no meu descanso. Embora, certamente, as obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo” (Hb 4.3).

Somente nós, que temos crido na mensagem salvadora de Cristo, entraremos no repouso espiritual de Deus. Isso é, Cristo carrega nossos fardos e nossos pecados, e nos dá o “repouso” do Seu perdão, da sua salvação e do Espírito Santo (Mt 11.28). Mesmo assim, nesta vida, o nosso repouso é apenas parcial, (Mq 2.10) porque somos peregrinos que caminhamos com dificuldade na penosa estrada deste mundo. Ao morrermos no Senhor, entraremos no Seu repouso perfeito no céu.

“Porque, em certo lugar, assim disse, no tocante ao sétimo dia: E descansou Deus, no sétimo dia, de todas as obras que fizera” (Hb 4.4).

No sentido etimológico a palavra “descansou Deus” que significa: cessou sua obra; parou; terminou a obra da Sua criação.

No Velho Testamento, o Senhor Jeová santificou o sétimo dia e deu como Aliança perpetua a Israel (Êx 20.8) e reservou este dia para que os israelitas cultuassem e adorasse ao Senhor Deus (Êx 16.27; 31.12-17). Porém a Igreja primitiva recebeu o descanso em Cristo e passou a cultuar o Senhor no primeiro dia da semana “O Dia Do Senhor” (Ap 1.10).

O sábado, que era sombra dos bens futuros em Cristo, foi abolido com a chegada do Novo Testamento (Hb 8.7-13; Os 2.11). Portanto, é Jesus quem nos propicia o verdadeiro repouso: “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus” (Hb 4.9). O repouso prometido por Deus não é somente o terrestre, mas também o celestial (vv. 7-8; cf 13.14). Para os crentes, resta ainda o repouso eterno no céu (Jo 14.1-3; cf. Hb 11.10, 16). Entrar nesse repouso final significa cessar o labor, dos sofrimentos e da perseguição, tão comuns em nossa vida nesta terra (Ap 14.13); significa participar do repouso do próprio Deus e experimentar eterna alegria, deleite, amor comunhão com Deus e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim (Ap 21.22).

“Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das suas” (v.10).

O autor aos hebreus definiu a entrada no descanso de Deus para o crente como “descanso de suas obras, exatamente como Deus fez”. Em certo sentido, receber salvação significa parar de se basear nas próprias obras e descansar no que Cristo fez (Ef 2.8-9). Também, em outro sentido, as obras realizadas no Senhor incorporam a plenitude e o cumprimento que provém somente da entrada no descanso em Deus. A perícope deste contexto não é a guarda do sábado ou e algum mandamento neste sentido, mas trata-se da plenitude do verdadeiro descanso em Cristo Jesus.


Pr. Elias Ribas