TEOLOGIA EM FOCO: Agosto 2012

TEOLOGIA EM FOCO

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

OS FARISEUS SÃO PEDRAS DE TROPEÇO


“Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão” (Rm 14.13 - RA).

A primeira parte do versículo Paulo nos ensina a não julgar uns aos outros. [....] Embora devamos abster-nos de julgar uns aos outros em questões triviais, os crentes devem encorajar uns aos outros tendo em vista a semelhança a Cristo e a santidade quanto à fé, a doutrina e a moral (Hb 10.24). Trata-se de, com toda a sinceridade, avaliar (1ª Ts 5.21; 1ª Jo 4.1), corrigir e repreender uns aos outros em amor e humildade (Lc 17.3) e, quando necessário for, exercer a disciplina eclesiástica (cf. 1ª Co 5.12,13; 2ª Ts 3.6,14; 1ª Tm 5.20,21; 2ª Tm 2.24-26; 4.2). [LIRA Eliezer. P. 93-94].

[...] A palavra tropeço no original é Skandalon que é traduzida por “escândalo”, “tropeço”, “armadilha”, e “cilada”, e skandalizein é o verbo correspondente.

Quando nos voltamos ao NT descobrimos que a RA quase sempre traduz skandalon por “tropeço”, palavra esta que é melhor entendida quando vamos àquelas passagens com o sentido duplo de skandalon em nossas mentes; achamos que em certas passagens o outro significado oferece um quadro mais vivo.

A palavra skandalon não é de modo algum uma palavra do grego Koiné. Na realidade ela é sem dúvida do grego posterior [skandaléthron], que significa “a vareta com isca na armadilha”. O skandaléthron era o braço ou a vareta em que a isca era fixada. O animal para o qual a armadilha era armada era levado pela isca a tocar ou pisar na vareta; a vareta acionava uma mola, e assim o animal era conduzido à sua captura ou destruição.

 No grego clássico a palavra significa “armadilhas verbais” armadas para levar uma pessoa a ser derrotada num argumento. Portanto, fica claro que a qualidade original da palavra não era tanto “uma pedra de tropeço” para fazer alguém tropeçar, mas uma “atração” para levar alguém à destruição.

Na Septuaginta, portanto, a palavra skandalon tem duas idéias por trás dela. Significa ou uma “pedra de tropeço”, objeto colocado no caminho de um homem para fazê-lo tropeçar, ou “uma armadilha”, “uma isca”, “um engodo” para atraí-lo para fora do seu caminho e assim arruiná-lo.

 A palavra “pedra de tropeço” em Romanos 14.13, é mais apropriado e essencial. Paulo nos ensina a não colocarmos “tropeço” ou “escândalo” diante de nosso irmão. A palavra aqui traduzida “escândalo” é proskomma, que significa “barreira”, “impedimento”, “obstáculo que bloqueia a estrada”. É a palavra que seria útil para descrever uma árvore que foi cortada e colocada atravessando a estrada para bloqueá-la.


Jesus confronta os líderes religiosos de sua época dizendo:

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando!” (Mt 23.13).


Jesus está falando que os religiosos não entram no Reino dos Céus, nem deixam entrar quem quer entrar, ou seja, eles colocam barreiras que são as doutrina de homens (Mt 15.9), assim eles “atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los (Mt 24.4).


Paulo nos ensina que nunca devemos praticar ou permitir coisa alguma que seja um obstáculo no caminho para a bondade. Em Mateus 13.21 declara-se que o ouvinte superficial da palavra é “escandalizado” (skandalizein) pela perseguição. A perseguição é um tropeço que o impede de avançar pelo caminho cristão.

Os fariseus “se escandalizaram” com Jesus e Suas palavras (Mt 15.12). Jesus prediz que todos os Seus discípulos se “escandalizarão” com Ele (Mt 26.31). Os falsos mestres armam “ciladas” diante dos outros (Ap 2.14). Os fariseus acham a cruz de Cristo um “escândalo” (lª Co 1.23; Gl 5.11). Em todos estes casos, as palavras significam algo que impede o progresso de um homem, algo que o faz tropeçar, algo que lhe impede o caminho. Esse “algo” pode provir da atuação maliciosa dos outros, ou pode provir do preconceito e orgulho do próprio coração do homem [Barclay William Pg 182-183].

Jesus avisou com bastante franqueza:Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar. Aí do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!” (Mt 18.6-7).

Segundo o ensino de Jesus, quem arruinar espiritualmente uma criança, ou um crente sincero, incorrerá em maior ira de Cristo.

Pastores, padres, professores e principalmente os pais devem prestar atenção especial a esta palavra de Cristo. É responsabilidade dos pais e mestres instruírem as crianças nos caminhos de Deus.

Jesus diz que inevitável o homem trazer escândalo. Mas, também adverte com um “ai” de juízo para aquele que escandalizam a obra de Deus pelos seus maus atos. Seria melhor atar uma pedra de moinho no pescoço e se jogar no mar. Teriam uma condenação menos acentuada no inferno.

Pr. Elias Ribas
Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Blumenau - SC
 
FONTE DE PESQUISA
 
1.      LIRA Eliezer. Lição 13 - O amor é a essência da vida cristã. Lições Bíblicas Aluno - Jovens e Adultos - 1º Trimestre de 2006. Editora CPAD – Rio de Janeiro – RJ.
2.      BARCLAY William. Palavra Chave do Novo Testamento – Editora Vida Nova. 1988- São Paulo – SP.
3.        BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL, R.C. CPAD - Trad. João F. de Almeida, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
4.      BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, Revista e Corrigida, S.B. do Brasil.
5.      BÍBLIA PENTECOSTAL, Trad. João F. de Almeida, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
6.      BÍBLIA SHEDD, Trad. João F. de Almeida.



terça-feira, 28 de agosto de 2012

A HIPOCRISIA DOS FARISEUS



I.       O FERMENTO DOS FARISEUS
 “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12.1b).

A palavra fermento [do gr. zume] significa de corrupção intelectual e moral inveterada, vista em sua tendência de infectar os outros. Aqui o fermento é aplicado aquilo que, mesmo em pequena quantidade, pela sua influência, impregna totalmente algo; seja num bom sentido, como na parábola em Mt 13.33; ou num mau sentido, de influência perniciosa, “um pouco de fermento leveda toda a massa”.

Os usos simbólicos da palavra “fermento”, na Bíblia, são geralmente negativos. O fermento freqüentemente representou o mal e o erro. Podemos traçar no Velho Testamento o desenvolvimento destes significados da palavra “fermento”. O uso do fermento era proibido durante a Páscoa, a festa em que os israelitas comemoravam a libertação da nação judaica da servidão egípcia (Êx 12.15). De fato, os israelitas não tinham permissão para incluir fermento nos sacrifícios feitos a Deus. Em Levítico, Deus disse: “Nenhuma oferta de manjares, que fizerdes ao Senhor, se fará com fermento; porque de nenhum fermento, e de mel nenhum queimareis por oferta ao Senhor” (Lv 2.11).

“E Jesus disse-lhes: Adverti e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus 11 Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. 12 Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. (Mt 16.6,11-12).

Baseando-se nesta tradição de que o fermento representava alguma coisa má, impura e inaceitável por Deus, Jesus e Paulo se referiram às falsas doutrinas como fermento. Jesus advertiu contra o fermento o falso ensinamento dos fariseus e dos saduceus (Mt 16.12). Paulo disse que aqueles que tentavam persuadir os cristãos a voltarem à pratica da lei de Moisés espalhavam o fermento (Gl 5.4-9).

 O fermento também representava a influência corruptora da imoralidade. Paulo se referiu ao problema da imoralidade sexual entre os cristãos de corinto em termos duros e perguntou: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (1ª Co 5.6). Deixada sem correção, a ação do fermento da imoralidade pode se espalhar e corromper a congregação inteira.

Os fariseus eram formalistas, legalistas, ritualistas, nominalistas. Eles endeusavam as obras. Os fariseus eram, céticos, materialistas, humanistas. Não criam no miraculoso, no sobrenatural.

II.   O FERMENTO DA HIPOCRISIA


“Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam” (Mt 23.33).

O hipócrita é o homem que, no próprio nome da religião, quebra as leis de Deus. É o homem que diz que não pode ajudar seus pais porque tinha dedicado seus bens ao serviço de Deus (Mt 15.7; Mc 7.5); é o homem que se recusa a ajudar um enfermo no sábado, porque isto seria uma violação da lei do sábado, embora não deixe descuidar do bem-estar dos seus animais no sábado (Lc 13.15).

É o que pratica todos os gestos externos da religião enquanto no seu coração há orgulho e arrogância, amargura e ódio. É o tipo de homem que nunca deixa de ir para a igreja e que nunca deixa de condenar um pecador. O seu orgulho é do tipo que imita a humildade.

Os fariseus eram referência moral, ética e religiosa para o povo de Israel à época de Jesus. Aos olhos do povo os fariseus eram tidos por justos “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mateus 23.28).

Em nossos dias a palavra fariseu é utilizada de modo pejorativo, sinônimo de hipocrisia, mas à época de Cristo nomeava um grupo específico de seguidores do judaísmo.

O farisaísmo era uma das mais severas seitas do judaísmo e seus seguidores lideravam um movimento para trazer o povo a submeter-se à lei de Deus. Eles eram extremamente legalistas, formalistas e tradicionalistas (Mt 15.1-3).

O hupokrités é o homem que pela causa da religião afasta outras pessoas do caminho certo:

“Pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado” (1ª Tm 4.2-5).

Paulo se refere aos falsos mestres que estavam promovendo um estilo de vida rigoroso e acético (cf. Cl. 2.20 -23), proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos. Persuadem os outros a lhe darem ouvidos em vez de escutarem a Deus.

[....]. A proteção do crente contra tais enganos e ilusões consiste na lealdade total a Deus e à Sua Palavra. Por isso precisamos estar consciente de que homens de grandes dons e unção espirituais podem enganar-se e enganar os outros com sua mistura de verdade e falsidade [Comentário Bíblia Pentecostal. P. 1870 CPAD].

III. A HIPOCRISIA DE PEDRO

 Vejo que a hipocrisia é um doas maiores assassinos da graça divina; e isto está identificado na carta do apóstolo São Paulo aos Gálatas 2.11-14.

“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti -lhe face a face, porque se tornara repreensível. 12 Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar -se, temendo os da circuncisão. 13 E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. 14 Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”

Nesse consenso mais uma vez foi colocada em dúvida por ocasião da visita de Pedro a Antioquia (Gl 2.11-21). Mas também, naquela ocasião, Paulo não cedeu um só milímetro da verdade do evangelho e agora, mais ainda, não tem intenção de diante dos judaizantes.

Também Israel, citado na aliança de Abraão, estava condicionado a lei. Contudo, contra argumenta Paulo, assim o Evangelho torna-se um não evangelho (1.6-9), porque desaparece o escândalo da cruz de Cristo, ou seja, Cristo morreu em vão (2.21; 5.11). Assim o Evangelho deixa de ser a graça (1.6; 2.21; 5.4). Por quê? Quem vê a lei como parte integrante da aliança, de tal modo que a eleição da parte gratuita da parte de Deus encontra sua correspondência subseqüente no cumprimento humano da lei, concede à lei um lugar que, segundo Paulo, não lhe corresponde. Essa unidade entre aliança e lei como caminho de salvação para alcançar a vida concede às “obras da lei” uma importância que, conforme a visão do Apóstolo ela não pode ter. Quem assim procede quer ser “justificado pala lei” (2.21; 5.4); pretende apoiar-se em seus êxitos com a lei, e não está disposto a atribuir somente a Cristo a glória da redenção (Gl 6.13s). Não lhe basta “ser “justificado em Cristo” (2.17). Ele não confia unicamente na graça da cruz, mas atribui ao cumprimento da lei parte de sua redenção.

Porque Deus levantou Paulo como apóstolo? Porque o discípulo Pedro, aquele que havia aprendido com mestre Jesus, estava colocando em jogo a pregação do Evangelho.

“E chegando Pedro a Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível” (v. 11).

Porque Paulo repreendeu a Pedro? Ele nos conta: “Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios: mas, depois que chegaram se foi retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão” (v. 12).

Cefas (que quer dizer Pedro), que tinha experimentado a liberdade que há em Cristo depois da visão em At 10.10-35, começou a comer com os gentios em Antioquia. Quando vieram os judaizantes de Jerusalém, Pedro, hipocritamente deixou de seguir o princípio dado pelo próprio Deus. Será que podemos aceitar este apóstolo mais do que qualquer outro como infalível? Sendo que afirmam alguns que Pedro foi o primeiro papa e era infalível. Se Pedro era infalível, segundo o ensino de alguns, porque Paulo diz no verso 11 que “se tornara repreensível”.

Paulo resistiu na face um apóstolo que foi escolhido por Jesus. Qualquer líder espiritual que se torna culpado de erro e da hipocrisia deve ser confrontado e repreendido pelos colegas de ministério (cf. 1ª Tm 5.19-21). Isso, sem favoritismo; até mesmo uma pessoa de destaque como o apóstolo Pedro, que foi grandemente usado por Deus, necessitou de repreensão corretiva. As Escrituras indicam que Pedro reconheceu a sua falta e aceitou a repreensão de Paulo, de modo humilde e arrependido. Posteriormente, ele refere-se a Paulo “nosso amado irmão Paulo” (2ª Pe 3.15).

Dificilmente um falso líder aceitaria uma correção como Pedro aceitou. Uma repreensão de ministro para ministro não é uma ofensa dentro do presbitério! Errar é humano, falhar todos falham, mas devemos reconhecer o erro. Ou será que você iria ficar bravo e chutar o balde e ofender seu irmão? Mas Pedro, como um servo de Deus, arrependeu-se e aceitou a repreensão do amigo Paulo.
O Evangelho que Paulo pregava era algo novo tanto para os gentios como para os judeus. A indignação de Paulo não era preocupação com sua posição, ou seu status de apóstolo de Cristo. A preocupação como ele declara duas vezes em Gálatas 2, era a “Verdade do Evangelho”. Em outras palavras, estava em jogo não somente a salvação dos gálatas, mas também o futuro do próprio cristianismo. O que Paulo não queria era um Evangelho misturado.

Paulo viu através da duplicidade e expôs a hipocrisia em Pedro. Com efeito, ele repreendeu: Pedro você foi hipócrita diante dos judeus e depois diante dos gentios. Você está falando de liberdade, mas não vive essa liberdade. Sai de cima do muro Pedro, deixe de ser legalista, e viva a verdade do evangelho. Os outros judeus também dissimularam com ele, de maneira que até barnabé se deixou levar sua dissimulação.

“E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procedia corretamente segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, porque obrigas os gentios a viverem como judeus” (Gl 2.13-14).

Porque Paulo disse palavras tão fortes? Porque as pessoas costumam seguir os líderes. As ovelhas seguem os seus pastores, mesmo que eles estejam errados. Se você disser que é pecado comer sem lavar as mãos eles vão acreditar e obedecer. O líder é o espelho da igreja. Se você for um fariseu legalista os seus seguidores também irão ser, a menos que alguém lhe exponha a verdade.

Antes de começar a pensar que jamais cometerá o crime da hipocrisia, que você está acima dessa tentação, lembre-se do que Paulo expôs em sua carta aos Gálatas. Um líder espiritual tão forte e estável quanto Pedro caiu nela. E com muitos outros, “o próprio Barnabé”.

O legalismo é sutil, é insidioso. Descobri que ele representa especialmente uma tentação para aqueles cujo temperamento tende a agradar as pessoas, o que nos leva de volta à maravilhosa passagem em Gálatas 1.10 que nos liberta: “Porque persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.

O verdadeiro ministro é aquele que defende o Evangelho de Cristo, pois Deus não nos deu um espírito de temor, mas de fortaleza, por isso devemos batalhar pelo Evangelho. A Bíblia diz que Jesus veio purificar para si um povo zeloso e de boas obras.

Zeloso: que tem cuidado da doutrina – que segue o evangelho sem mistura (farisaísmo, dogmatismo, legalismo, filosofias etc.).

Boas obras: Que tem fruto do Espírito (Gl 5.22-23), evangelismo, assíduo no trabalho de Deus no tocante aos cuidados dos órfãos e viúvas. Estas boas obras nos diferenciam do mundo e não um fanatismo obscuro.

Precisamos urgentemente rever os ensinos da igreja primitiva: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2.42-47).

A igreja primitiva praticava a verdadeira doutrina, eram homens de oração, tinham comunhão uns com os outros, no partir do pão, no amor, no perdão, unidade, temor a Deus e a verdadeira adoração.

A igreja primitiva estava fundamentada na doutrina dos apóstolos. Eles não priorizavam os costume e culturas da época. Deus não está preocupado se nos saudamos com ósculo santo ou não, mas precisamos da oração e do estudo correto da Palavra de Deus que nos faz crescer em Cristo.

IV.  COMO DEUS VÊ A PRÁTICA DA HIPOCRISIA

A hipocrisia que se revela na justiça apenas externa e não interna. Jesus usou uma linguagem que deixa bem claro que a hipocrisia é abominável aos olhos de Deus, não importando a forma em que ela se manifeste.

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.27-28, 33).

O Novo Testamento menciona a palavra fermento como símbolo de crescimento mal, pois a maledicência dos fariseus está associada a grupos sectários e sofistas.

V. HIPOCRISIA QUE É FRUTO DE UMA MENTE CAUTERIZADA

“Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. (2ª Co 4.4).

O diabo o deus deste século, tem segado milhares e milhares de pessoas para que não resplandeça a luz do evangelho.

O apóstolo Paulo ainda diz:

“Pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, (1ª Tm 4.2).
Eles falam em nome de Cristo, mas pregam um evangelho anátema (Gl 1.8), cheio de mentira, engano e falsidade.

Os hipócritas serão condenados por Deus.  “... pela hipocrisia de homens que falam mentiras” (v.2). E quem é o pai da mentira? É o diabo (Jo 8.44). Portanto os mentirosos serão lançados no lago de fogo (Ap 21.8).

“E castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 24.51).
Aqui há uma advertência. De todos os pecados, a “hipocrisia” é aquela no qual é mais fácil cair; e entre todos os pecados, é o mais rigorosamente condenado.

O hipócrita é um lobo disfarçado de ovelha.
  
No evangelho segundo Mateus Jesus nos adverti dizendo: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15).

Lobos fantasiados de ovelhas: Os hipócritas aparentam uma coisa, mas na verdade é outra (At 20.29-30). Fingem ser cristãos, mas servem ao diabo; fingem-se de santos, mas são enganadores. Estão na igreja, mas não fazem parte da igreja de Cristo. Suas intenções são malignas.

A hipocrisia estabelece um perfil de autoridade rígido e ao mesmo tempo irresponsável. Está foi a síndrome dos fariseus que se traduziu num terrível perfeccionismo religioso onde a incoerência moral era compensada por todo um aparato externo de santidade e cerimonialista.


Pr. Elias Ribas
Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Blumenau - SC

FONTE DE PESQUISA

1.      ALMEIDA Ferreira. Bíblia Pentecostal. Revista e Corrigida. Edição 1995. Editora CAPD - Rio de Janeiro – RJ.
2.      BARCLAY WILLIAM. Palavra Chave do Novo Testamento, Editora. Vida Nova.
3.      GONDIM RICARDO. O fermento dos fariseus. http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&id=1844 – acesso dia 09/09/2009.
4.      ORTIZ JUAN CARLOS. O discípulo. 6ª edição, 1980, Editora Betânia. Venda Nova MG.
5.      RENOVATO ELINALDO. Lições bíblicas 2º trimestre 2007. Pg. 7.



sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A TRADIÇÃO DO APÓSTOLO PEDRO

“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, centurião da coorte chamada Italiana, piedoso e temente a Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus. Esse homem observou claramente durante uma visão, cerca da hora nona do dia, um anjo de Deus que se aproximou dele e lhe disse: Cornélio! Este, fixando nele os olhos e possuído de temor, perguntou: Que é, Senhor? E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus. Agora, envia mensageiros a Jope e manda chamar Simão, que tem por sobrenome Pedro.  Ele está hospedado com Simão, curtidor, cuja residência está situada à beira-mar. Logo que se retirou o anjo que lhe falava, chamou dois dos seus domésticos e um soldado piedoso dos que estavam a seu serviço e, havendo-lhes contado tudo, enviou-os a Jope. No dia seguinte, indo eles de caminho e estando já perto da cidade, subiu Pedro ao eirado, por volta da hora sexta, a fim de orar. Estando com fome, quis comer; mas, enquanto lhe preparavam a comida, sobreveio-lhe um êxtase; então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. Segunda vez, a voz lhe falou: Ao que Deus purificou não consideres comum. Sucedeu isto por três vezes, e, logo, aquele objeto foi recolhido ao céu” (At 10.1-16).

[...] O Dr. Scroggie apresenta neste capítulo duas revelações (1-16). Uma a Cornélio, outra a Pedro. Este capítulo é notável porque relata a abertura da porta do Evangelho aos gentios (15-16). Em Cornélio, um oficial do exército romano, descobrimos piedade, reverência, influencia, liberalidade, oração, receptividade e obediência.

Pedro estava em oração ao meio-dia quando recebeu a revelação:

“Então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, contendo toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. E ouviu-se uma voz que se dirigia a ele: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda (At 10.11-14).

É coisa difícil transformar idéias e costumes religiosos, e, apesar da visão milagrosa, Pedro mostra disposto a desobedecer à voz divina” [McNair. P. 395].

É interessante notar a força que tem uma tradição, mesmo na vida de um apóstolo como Pedro, quando foi enviado a casa de Cornélio. Pedro estava presente quando Jesus disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.19). Ele também ouviu Jesus ordenar-lhes claramente: “Sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8). Mas quando se lhe apresentou o momento para testemunhar para Cornélio, um centurião gentio da cidade de Cesaréia, a tradição de Pedro o impediu. Note o que Pedro respondeu: “De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa comum e imunda”.

O Senhor precisou repetir a visão de animais imundos suspensos por um lençol e dizer: “ao que Deus purificou não consideres comum”. E Pedro insistia em responder: “De modo nenhum, Senhor...” (At 10.14-15).

As tradições têm um poder misterioso. Às vezes, ela passa por cima até das Palavras do próprio Deus. É a tradição que nos faz dizer: “Não, Senhor!” Nós lemos a Bíblia acerca da unidade do corpo de Cristo, e afirmamos que a Bíblia é a nossa regra de fé e prática, a menos que entre em conflito com nossa tradição e idéias.

Foi difícil para Pedro um judeu tradicional entrar na casa de Cornélio. E mesmo chegando lá replicou dizendo: “Vós bem sabeis que é proibido a um judeu ajuntar-se ou mesmo aproximar-se a alguém de outra raça; mas Deus me demonstrou que a nenhum homem considerasse comum ou imundo” (At 10.28).

Podemos bem imaginar como Cornélio se sentiu. Ele convidara todos os seu parentes e amigos para irem à sua casa. “Vocês irão conhecer um verdadeiro homem de Deus” disse-lhes: Um anjo me disse para chamá-lo. Ele é um, santo homem, um varão perfeito, e ele nos ensinará muitas coisas a respeito de Deus”.

Tanto Cornélio como Pedro tiveram de aprender com o Senhor. Pedro não devia pensar ser Cornélio imundo pelo fato de ser gentio; Cornélio não devia adorar a Pedro por este ser um servo de Deus.

A seguir, o apóstolo menciona por que se deu ao trabalho de ir até ali, e depois diz: “Perguntou, pois, por que razão me mandaste chamar?” (v. 29).

Pedro sabe que está fazendo uma pergunta tola, mas não parece disposto a entregar-lhe a mensagem. Por quê? Simplesmente. A tradição do judaísmo.

A tríplice visão tinha a intenção de mostrar a Pedro que Deus não de faz acepção de pessoas (v. 34).

[...] O poder da tradição é terrível. Deus fica impedido de realizar muitas das coisas que deseja por causa das amarras que colocamos. E nós ficamos escandalizados todas as vezes que ele quer modificar um pouco.
Nossa mente é como uma pequena mesinha de cabeceira que comporta somente uma lâmpada e alguns livros. Se colocarmos um refrigerador ela quebra. É isto que acontece quando nossas mentes tradicionais recebem algum ensino daquilo a que estamos acostumados. Ficamos quebrados em pedacinhos.

O que precisamos fazer para reconhecer e realizar toda à vontade de Deus? Duas coisas, diz Romanos 12.1-2. Primeiro precisamos apresentar nosso corpo como sacrifício vivo e santo. Um sacrifício vivo e santo é melhor que um sacrifício morto, pois um sacrifício vivo tem um futuro. Deus pode fazer com ele o que desejar.

Em segundo lugar, temos que ser transformados pela renovação de nossa mente. Temos que estar preparados para crescer espiritualmente, ou seja, mudanças espirituais. Estar no centro da vontade de Deus significa estar continuamente pronto para sofrer mudanças. Às vezes dizemos: “Senhor mostra a Tua vontade!” Mas se Ele mostrar, nós não faremos nada. Somos como um trem de ferro que diga: “Por favor, dirija-me por estes trilhos”. Para quê? Os trilhos já estão ali.

Nós oramos assim: “Senhor ajuda-nos a fazer a tua vontade”, mas os trilhos já estão pregados no chão. Os trilhos são nossas tradições que precisão ser mudado. E, quando Deus quer nos colocar no caminho da verdade, dissemos como Pedro: “De modo nenhum Senhor já mais vou fazer isso ou aquilo”. Somos como as crianças num parque de diversões, guiando carrinhos. Elas giram o volante para um lado e para outro, mas a despeito disso, o carro segue sempre na mesma direção. É assim que somos nas igrejas e nos concílios denominacionais. Fazemos vários tipos de proposições (muita movimentação), mas tudo continua do mesmo jeito” [ORTIZ. P. 136-137].

Deus quer que cresçamos espiritualmente, mas precisamos aceitar e deixa Sua Palavra nos dirigir e não nossos conceitos e tradições que não nos levam a nada.

“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificado sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não pratica será comparado a um homem insensato que edificou sua casa sobre arreia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína” (Mt 7.24-26).

O homem que construiu sua casa sobre a Rocha que é Jesus (gr. logos a Palavra) está edificado sobre a Palavra e suas doutrinas (ensinos de Jesus), e vindo à tempestade ele permanece firme e não cai. Mas aquele que edificou a sua casa sobre a arreia, refere-se ao homem que está edificado sobre as tradições e doutrinas dos homens, (Mt 15.9; Cl 2.8, 22). É um homem inconstante sem edificação, sem base bíblica, não tem a liberdade em Cristo Jesus, precisa de cabresto. Muitos até dizem: eu amo a Jesus, mas entristecem o Senhor pelas suas tradições.

A tradição leva o crente ao fanatismo religioso e falsa santidade. O mundo jamais se portará para agradar Deus e à sua Palavra, pois ele está no maligno (1ª Jo 5.19). A doutrina bíblica não somente nos leva a Deus, mas também nos leva a viver para Ele e como andar diante da igreja e do mundo.

Hoje também encontramos tradições nas confissões e decisões dos concílios das igrejas, às quais devemos dispensar minuciosa atenção, tendo o cuidado de investigar com maior atenção e cuidado seu conteúdo bíblico-teológico, pois a nenhuma igreja lhe foi dado o direito de formular novas doutrinas ou tomar decisões contrárias aos ensinamentos das Sagradas Escrituras, pois a História da Igreja registra que líderes e concílios podem cometer erros grossos, alguns deles comprometendo a verdadeira fé cristã.

FONTE DE PESQUISA

1.       S.E. McNAIR. A Bíblia Explicada. 4ª Edição. Editora CPAD. Rio de Janeiro RJ.
2.       JUAN CARLOS ORTIZ, o discípulo, 6ª edição, 1980, Ed. Betânia. Venda Nova MG.



Pr. Elias Ribas
pr.eliasribas2013@gmail.com


sábado, 4 de agosto de 2012

OS FARISEUS NÃO TEM MISERICÓRDIA





“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque daí o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé” (Mt 23.23).

[....] A quem Jesus estava dirigindo Suas Palavras e qual o teor Destas Palavras? Sem dúvida compreendemos que Jesus se dirigia aos escribas e fariseus, e não a cristãos (como muitos afirmam); tanto, que Jesus não os tratou pelos seus próprios nomes, mas pelo título da sua religião! Esses homens, vivendo o judaísmo regido pela Lei, confiavam na sua própria justiça e capacidade, no que tange à guarda da Lei. Apresentavam-se à Jesus nas condições de perfeitos, ostentando hipocritamente grande santidade e confiança nas suas próprias obras de justiça; enquanto isso não aceitavam a autoridade divina de Jesus [Disponível http://www.odizimoeagraca.com/capitulo3.php - Extraído no dia 13/06/20012].

Os fariseus nos dias de Jesus eram autoridades eclesiásticas que tinham poder para julgar o povo segundo a lei mosaica, mas usavam um critério rústico, um zelo cego, pesado, sem amor e sem misericórdia. Jesus vendo esse critério os repreende dizendo:

“Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero e não holocausto; pois não vim chamar justo, e sim pecadores, ao arrependimento” (Mt 9.13). Já nos tempos antigos o Senhor Deus repreende os sacerdotes exigindo misericórdia: “Pois misericórdia quero, e não sacrifício, e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Oséias 6.6).

A Igreja é de Jesus e não do homem. O Espírito Santo constitui ministros para apascentar e ministrar corretamente a Palavra. Não temos o direito de dirigirmos conforme nossas tradições.

A fé sem o conhecimento pode resultar em fanatismo e heresias. O conhecimento sem fé é intelectualismo ou legalismo. Imaginemos que alguém tem fé, conhecimento, mas não tem amor. Tal pessoa pode ser perigosa, tornando-se um manipulador e até mesmo agressor.

Quando Tiago e João quiseram pedir fogo do céu para destruir os samaritanos, eles demonstraram que tinham conhecimento e muita fé, mas nenhum amor ao próximo, nenhuma bondade, nenhuma paciência, nenhuma misericórdia, nenhum domínio próprio. Felizmente, Jesus impediu aquela tragédia e, mais tarde, aqueles discípulos aprenderam a amar.

O apóstolo do amor nos ensina dizendo: “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem. Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros” (Rm 12.9-10). “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará” (1ª Co 13.4-8).

I.        SÃO LOBOS CRUÉIS QUE NÃO PERDOARÃO O REBANHO

O apóstolo Paulo, que defendeu o direito da igreja dos gentios de liberdade em relação ás tradições judaizantes, também foi ardoroso combatente contra os falsos ensinos e manifestações, quer carnais, quer sobrenaturais, que não estavam de acordo com a fé cristã.

A preocupação de Paulo em sua mensagem pastoral para os ministros de Éfeso era:

“Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, a qual ele comprou com seu próprio sangue. Eu sei, que depois de minha partida, entre vós penetrarão lobos devoradores que não perdoarão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20.28-30).

Paulo nos ensina dizendo que o rebanho é de Deus que deve ser apascentado por quem o Espírito Santo constitui bispos. Pois foi remida pelo sangue o de Jesus (v. 28); Mas que do seu meio da igreja se levantaria homens perversos.

Paulo diz para os líderes espirituais que devem olhar primeiramente para si mesmos e depois para o rebanho; que devem vigiar, e lembrar o exemplo apostólico; que a Palavra de Deus seria sua suficiência. Que deviam seguir o exemplo de trabalho que ele deixara; que lembrassem as palavras do Senhor Jesus (não menciona nos evangelhos) “Mas bem-abenturada coisa é...”.

Jesus deixa-nos o exemplo de Bom Pastor dizendo: “Eu sou o Bom Pastor; e o Bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Mas o mercenário, que não é pastor, de quem não são as ovelhas, se vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa. Ora o mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado das ovelhas” (Jo 10.11-13).

Jesus declara que Ele é o Bom Pastor prometido nas profecias. Esta metáfora de Jesus como Bom Pastor ilustra o cuidado terno e devotado que Ele tem pelo seu rebanho. É como se Ele disse: “Eu sou, para com todos aqueles que crêem em Mim. O que um bom pastor é para suas ovelhas; cuidadoso, vigilante, amoroso e misericordioso”.

Mas o mercenário, o falso pastor, não tem o cuidado devido e o verdadeiro amor palas ovelhas de Cristo. Na qualidade de mercenário é também um lobo. O lobo parece com a ovelha e até finge ser ovelha, mas é lobo devorador.

O mercenário é frio para suas ovelhas, não perdoa e não tem misericórdia. Seu coração está voltado para o materialismo, para suas idéias, tradições, se você não faz como ele quer, ele te coloca para fora, isto é, dispersa, refuga ou exclui do rol de membros, isto porque é o mercenário.

A palavra no original grego é apascentar, guardar, cuidar, pastorear e ensinar o rebanho, segundo a Palavra do Senhor e com amor e carinho.

Na parábola dos dois servos, em Mt 24.45-51, Jesus diz que o mal servo (o falso ministro), espancava os seus conservos. Isto prova a crueldade e a falta de amor fraterno, e mais, a falta de temor, pois a Igreja é do Senhor e não minha, mas Daquele que deu o seu sangue para seu resgate. No final desta parábola Jesus diz que virá o Senhor daquele servo num dia que o não espera, e separá-lo-á, e destruirá a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes. Jesus virá para separar os lobos das ovelhas, o joio do trigo, e lançará no lago de fogo, aonde o bicho nunca morre. Por esta razão o mestre Jesus nos advertiu dizendo: “Vede e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus” (Mt 16.6).

O maior exemplo de misericórdia e amor o mestre Jesus deixou-nos quando os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Embora a lei ordenasse que apedrejasse, Jesus diz: “Atire a primeira pedra àquele que nunca pecou” (João 8.3).

Os fariseus eram homens de uma falsa religiosidade. Entretanto, devemos saber que: O amor, a fé, e a misericórdia devem ser a suprema excelência do pastor.

Deus prefere ser compassivo em lugar do cumprimento meticuloso das leis. A misericórdia deve ser um dos atributos do líder. “Finalmente, sede todos de igual ânimo compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes. Não pagando mal por mal ou injúria por injúria...” (1ª Pe 3.8, 9).

Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-35), Jesus nos deixa outro exemplo de misericórdia e amor.

Durante cerca de 800 anos, os judeus não se davam com os samaritanos, porque em 722 aC, Salmanezer ou Sargão II, rei da Assíria, tomara Samaria e misturara seus habitantes com babilônicos e sírios, que trouxeram suas tradições e crenças religiosas contrária as dos judeus. E por esta razão os judeus nem sequer se cumprimentavam ou olhavam para um samaritano. Mas, o que me chama atenção que Jesus não contou está parábola para o povo que vinha para lhe ouvir, ou uma pessoa qualquer, mas a um mestre religioso, um “fariseu intérprete da lei” (v.25).

O homem assaltado não é qualificado. Ele é um anônimo. Podia ser um mero viajante, um peregrino, um desempregado, etc. Quem socorre o homem moribundo não foi o sacerdote fariseu conhecedor da lei, nem o levita distinto na casa de Deus, mas o samaritano, o inimigo dos judaizantes, o pecador, desprezado. Este desce de seu cavalo, cuida de suas feridas, coloca óleo e vinho nas suas feridas, põe na sua cavalgadura, leva até a hospedaria (que representa a Igreja), paga sua hospedagem e ainda diz: “cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu te indenizarei quando voltar” (v. 36).

Muitos se dizem religiosos, mas evitam se comprometer com os problemas dos outros. O nosso círculo de amor não deve ser limitado aos nossos familiares, colegas e amigos. Jesus procura mostrar aos fariseus que o nosso “próximo” é todo aquele que necessita de auxílio e podemos ajudar. A verdadeira fé é a prática do amor (Tg 1.27), e misericórdia.

O amor é uma necessidade de sobrevivência. É o principal e grandioso sentimento mutuo da humanidade, mas o mais difícil de ser compreendido e vivido pela maioria dos cristãos nos dias de hoje.

A essência do amor perde-se nas cobranças exageradas, incompreensões, desconfianças e preocupações do cotidiano. Muitos buscam a igreja para encontrar o verdadeiro amor, mas desvanecem por ver aqueles que só buscam os seus interesses pessoais.

As cobranças exageradas são atitudes mascaradas de amor que os líderes utilizam para justificar o excesso de zelo e preocupações com a igreja; ignorando que é preocupações próprias e imaturas, o que acabam por gerar um jugo sobre a igreja. (Mt 23.1-5).

Os “líderes” costumam dizer que são representantes de Deus na terra, para mantê-los sob seu controle e satisfazer seus próprios anseios.

O “ministro” sem misericórdia se torna um ditador, se assenta em um trono como se fosse um rei e sua palavra é a única fonte de verdade. Mas, o verdadeiro ministro se conhece pelos frutos do Espírito (Gl 5.21-22).

II.     O VERDADEIRO MINISTRO SE COMPADECE DOS PECADORES

O ministro deve ter simpatia, ou seja, capacidade para compartilhar as alegrias ou as tristezas das pessoas que lhe procuram e, ao mesmo tempo, ter capacidade para se colocar no lugar do outro. Só quem tem essas qualidades pode ser um intercessor.

Duas qualificações são necessárias para um verdadeiro ministro.
1.      O ministro deve ser compassivo, manso e paciente com aqueles que se desviam por ignorância, por pecado involuntário e por franqueza.
2.      Deve ser designado por Deus. Cristo cumpriu esses requisitos e nós ministros devemos ser seus imitadores.

O verdadeiro pastor é aquele que aprendeu com o mestre nos seus ensinos a buscar a ovelha perdida, curar a machucada, e cuidar das fortes. O ministério de um pastor é fazer aliança e não divisão e contenda.

Existem dois padrões de perfeição: o humano e o divino. Ou seja, enquanto tantas vezes somos implacáveis com as pessoas que falham conosco, Deus é paciente e longânimo; enquanto colocamos condições para amar, o amor de Deus é simplesmente incondicional. Deus nos ama por aquilo que somos e não por aquilo que fazemos.

Um dos maiores equívoco do fariseu, é que ele faz o que não tem que fazer e com isto acaba deixando de fazer o que realmente deveria, ou seja, na luta para ser aceito e amado ele deixa de amar. Cumpre todas as regras e se esquece do mandamento que resume toda a lei moral de Deus.

Este duplo erro é conseqüência de um forte bloqueio na sua compreensão acerca da graça divina. Precisamos cada vez mais entender a importância de recebermos o que Deus nos concede gratuitamente. É preciso quebrar esta mentalidade que nos foi introduzida pelas religiões onde temos que merecer o amor de Deus.

Não devemos confundir resultados com frutos. Um dos problemas dos fariseus é exigir resultados sem ter fruto do Espírito. Na verdade, espiritualmente falando, não adianta forçar resultados exteriores se o caráter não for trabalhado.

Pr. Elias Ribas
Igreja Assembléia de Deus
Blumenau - SC