TEOLOGIA EM FOCO

sábado, 20 de dezembro de 2014

A DOUTRINA DA RESSURREIÇÃO




A doutrina da ressurreição tem sua base essencialmente sobre o fato da ressurreição de Cristo. A palavra ressurreição implica em transformação do corpo que morreu e foi sepultado, ou de alguma outra forma ficou retido aqui na terra. Se o corpo ressurreto não fosse o mesmo, isto não seria ressurreição. Seria uma nova criação e o termo na Bíblia seria um absurdo. Os crentes ressuscitarão num corpo glorioso em vários sentidos (1ª Co 15), e os ímpios, num corpo ignominioso, em que sofrerão pela eternidade (Mt 10.28). Os não-salvos farão parte da segunda ressurreição, a qual abrange todos os ímpios mortos, e ocorrerá ao findar o Milênio.

                    I.             RESSURREIÇÃO DOS JUSTOS E A DOS INJUSTOS

A ressurreição dos salvos e a dos ímpios é claramente ensinada nas Escrituras. Ela é prova de que os que agora morrem não deixam de existir. Se os que morrem agora deixassem de existir, para que eles reaparecessem para serem julgados (como João os viu, em Apocalipse 20.11-15), teriam de ser recriados e não ressuscitados. Ressurreição só pode ser de alguém que morreu. Se o caso fosse recriação, esta neutralizaria toda a base de recompensa, porque aqueles que saíssem da sepultura seriam indivíduos diferentes daqueles que praticaram as obras neste mundo, em sua vida anterior.

Há na Bíblia, duas ressurreições: a dos justos e a dos injustos, havendo um intervalo de mil anos entre elas (Dn 12.2; Jo 5.28-29; Ap 20.5). A expressão bíblica “ressurreição dentre os mortos”, como em Lucas 20.35 e Filipenses 3.11, implica numa ressurreição em que somente os justos participarão, continuando sepultados os ímpios. Esta expressão é no original “ek ton nekron ressurreição dentre os mortos. Sempre que a Bíblia trata da ressurreição de Jesus ou dos salvos, emprega estas palavras. A expressão nunca é usada em se tratando de não-salvos.

“Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Ap 20.5-6).

Há uma idéia entre o povo de Deus que a ressurreição será em um só momento. Mas na realidade não será assim. Segundo a Bíblia, a ressurreição tem três fases distintas. A ordem é a seguinte: A primeira ressurreição é inaugurada por Jesus Cristo, que é as primícias dos que dormem (1ª Co 15.20; Cl 1.18). Seguindo a seqüência os que são de Cristo por ocasião da sua vinda (1ª Co 15.23), e sete anos depois os mártires da Grande Tribulação (Ap 6.9-11; 20.4). Portanto a primeira ressurreição abrange da ressurreição de Cristo até os mártires da Grande Tribulação.

                 II.             A RESSUREIÇÃO DOS JUSTOS


Como já mencionamos, há pelo menos três grupos distintos de ressuscitados integrantes da primeira ressurreição, como indica o termo original “tagma” em 1ª Coríntios 15.23.



1.      As primícias da primeira ressurreição.

O primeiro grupo é a continuação da primeira ressurreição, iniciada por Jesus, pois, em 1ª Co 15.20, 23, o termo “tagma”, no original, indica “ordem, fileira, grupo, turma”, como numa formatura militar ou escolar.

1ª Co 15.20, 23 “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem. Mas cada um por sua ordem! Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo, na sua vinda”.

Este grupo é formado por Cristo e os santos que ressuscitaram por ocasião de sua morte na cruz. Assim sendo Cristo é o princípio dentre os mortos: “E Ele é a cabeça do corpo da igreja: é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que tudo tenha a preeminência” (Cl 1.18).

Porém, na ressurreição de Cristo muitos dos santos ressurgiram com Ele: “E Jesus clamando outra vez com grande voz entregou o espírito. E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto abaixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras. E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiram foram ressuscitados. E saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa e apareceram a muitos” (Mt 27.50-52).

Só Mateus narra este acontecimento. Foi um pequeno grupo que ressuscitou com Cristo e representa um sinal da vida eterna para os fiéis. Só depois da ressurreição de Cristo foram vistos este santos.

Este grupo representa as primícias: “Guardarás a Festa da Sega, dos primeiros frutos do teu trabalho, que houveres semeado no campo, e a Festa da Colheita, à saída do ano, quando recolheres do campo o fruto do teu trabalho” (Êxodo 23.16).

A festa das Primícias em Levítico 23.10-12 tipifica isto, quando um molho das primícias era trazido para o sacerdote mover perante o Senhor. Molho implica um grupo, o que de fato aconteceu. Esta festa tipificava Jesus ressuscitando com um pequeno grupo.

Desse modo a ressurreição dos fiéis começou, pois com Cristo, as primícias da ressurreição (At 26.23), isto é, que Cristo devia padecer e sendo o primeiro da ressurreição dos mortos.
2            2. A colheita geral da ressurreição.
      Este grupo é formado pelos santos que ressuscitarão no momento do arrebatamento da Igreja (1ª Ts 4.16). São todos os mortos salvos desde o tempo de Adão.

Este grupo representa a colheita geral de cereais do Velho Testamento: “Sete semanas contarás; desde que a foice começar na seara, começarás a contar as sete semanas. Depois, celebrarás a festa das semanas ao Senhor, teu Deus” (Dt 16.9-10).

A festa das semanas era celebrada no fim da colheita de trigo, ou seja, da colheita geral, e que durava sete semanas. Mais tarde recebeu o nome grego de pentecostes, visto cair cinqüenta dias depois da Páscoa.


A colheita geral do Velho Testamento tipifica o arrebatamento da igreja quando Cristo voltar: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos” (Ap 20-6). Esta Bem-aventurança é aplicada a “ressurreição dos justos”. O bem-estar e a felicidade dos justos advêm deste acontecimento.
3.       Os rabiscos da colheita.
Levítico capítulo 23 é a história da Igreja escrita de antemão. Temos aí entre outras coisas a ressurreição prefigurada.

“Quando segardes a messe da vossa terra, não rebuscareis os cantos do vosso campo, nem colhereis as espigas caídas da vossa sega; para o pobre e para o estrangeiro as deixareis. Eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 23.22).

Este último grupo é formado pelos remanescentes de Israel que irão se converter pela pregação das duas testemunhas na grande tribulação, os quais ressuscitarão logo antes do milênio, isto é, onde Cristo reinará nesta terra por mil anos.

              III.         A RESSURREIÇÃO DOS INJUSTOS SÓ TERÁ LUGAR DEPOIS DO MILÊNIO


Os pecadores que morrem hoje estão em tormento no estado intermediário, mas ainda não estão no lugar definitivo do castigo final. Assim, a bondade de Deus faz adiar o dia do acerto final para depois do milênio. A segunda ressurreição acontecerá depois do Milênio e dela só farão parte os ímpios.

Em Apocalipse é ensinado que os não salvos serão ressuscitados, julgados e lançados no lago de fogo (Ap 20.12-13).

“Mas os outros mortos não reviveram...” (Ap 20.5). Os outros mortos (os homens que desde Adão morreram nos seus delitos e pecados) não reviveram. Jesus em João 5.28 e 29 falou destas duas ressurreições. Daniel também foi revelado acerca destes dois eventos (Dn 12.2). Portanto, fica provado que entre a primeira e a segunda ressurreição haverá um espaço de mil anos, e que somente depois da destruição total de Satanás, e para devida prestação de contas perante o Trono Branco, é que haverá a segunda ressurreição, quando todos os demais mortos comparecerão diante de Deus. Sobre este assunto abordaremos posteriormente.


Pr. Elias Ribas

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

VISÃO DO TRONO DA MAJESTADE DIVINA APOCALIPSE - 4

João fora banido para a Ilha de Pátmos, por ordem do imperador Domiciano, “por causa da Palavra de Deus e pelo Testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9). Na solidão da ilha, foi presenteado com um dos mais altos privilégios que um mortal pode obter. Deus deu a João revelações maravilhosas, que em seu bojo, constituem o clímax do Apocalipse.

Foi nesta Ilha que João teve a estupenda visão do Cristo glorificado (Ap 1.9-20).

“Depois destas coisas, olhei, e eis não somente uma porta aberta no céu, como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas” (Ap 4.1).

Jesus convida o apóstolo João a subir ao Seu Trono para revelar os acontecimentos vindouros. Através das revelações deste livro queremos agora fixar os acontecimentos que ocorrerão após o arrebatamento da Igreja fiel de Jesus Cristo.

João vê uma porta aberta no céu e recebe um convite para que entre por ela, entrando contemplou o Trono do Rei dos reis (comp. 1ª Rs 22.19-23; Jo 1.6; 2.1). Ali é o lugar onde os eventos decretados por Deus, antes de sua execução.

O quarto capítulo começa com “Depois destas coisas, olhei....” Para entendermos este “Depois”, é necessário analisar a revelação dos três primeiros capítulos onde o Senhor Jesus ordena o apóstolo João:

1. Escreve, pois, as coisas que viste (1.19). Onde João vê o Senhor Jesus glorificando e estava voltando (1.20). Esta visão foi tão majestosa que João caiu como morto a Seus pés.

2. Escreve... as que são (1.19). As cartas destinadas as sete igrejas (capítulos 2 e 3).

3. Escreve... as que hão de acontecer depois destas” (1.19c). Ele devia, portanto, escrever também o que aconteceria na terra após o arrebatamento da Igreja.

1.      João é arrebatado ao céu.

[...] João não somente vê, mas também ouve, “...como também a primeira voz que ouvi, como de trombeta ao falar comigo”, dizendo: “sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas”. É interessante que João reconhece a voz, que já havia ouvido uma vez na terra (Ap 1.10). Foi o apóstolo João que em seu evangelho transmitiu as palavras de Jesus: “as ovelhas ouvem a sua voz...., mas de modo nenhum seguirão o estranho” (Jo 10.3-4). Ao ouvir a voz do Seu Senhor como de trombeta, ele é arrebatado da terra em espírito. O seu arrebatamento é uma analogia ao futuro do arrebatamento da Igreja, que acontecerá “num momento... ao ressoar da última trombeta” (1ª Co 15.52), quando o Senhor aparecer com “sua palavra de ordem” (1ª Ts 4.16). Agora João é chamado ao céu com a trombeta de Deus, como ouvirá a Igreja, no arrebatamento. Há poder nesta voz para ressuscitar os mortos (Jo 5.28-29). Ele foi arrebatado ao céu como Enoque (Gn 5.24; Hb 11.5), a Igreja será arrebatada, invisível, silenciosa e milagrosamente, num abrir e fechar de olhos (1ª Co 15.52) [WIM MALGO. P. 106].

2.      A visão do Trono de Deus.

“Imediatamente, eu me achei em espírito, e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado” (v. 2).

A primeira coisa que João vê no céu é um Trono. João não pode descrever a pessoa de Deus, mas ele conta o que vê:

“E esse que se acha assentado é semelhante, no aspecto, a pedra de jaspe e de sardônio, e, ao redor do trono, há um arco-íris semelhante, no aspecto, a esmeralda” (v.4).

Abundância de luz que procede d’Ele, reflete o caráter de Deus, representa o Senhor na Sua glória e poder. O Salmo 104.2 descreve o Senhor assim: “coberto de luz como de um manto”. Com a abundância de luz, ou seja, com o esplendor de cores das pedras preciosas.

A pedra jaspe era resplandecente e representa o Senhor na Sua glória. A pedra de sardônia é igual ao rubi, uma pedra cor de sangue, que representa o Senhor na Sua obra redentora. “Duas pedras preciosas, iguais, havia no peitoral do sumo sacerdote” (Êx 28.17-26). “...ao redor do trono, há um arco semelhante, no aspecto, a esmeralda” (v.3b). A pedra esmeralda revela a Nova Aliança de Deus com o homem através de Seu sacrifício na cruz do Calvário.

3.      Vinte quatro Anciãos.


“Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro” (v. 4).

Os vinte quatro anciãos não são anjos, pois cantavam o cântico de redenção (Ap 5.8-10), estão coroados, já vencedores (1ª Co 9.25), assentados sobre tronos, mostrando um tempo depois da vinda de Jesus (2ª Tm 4.8). Os anciãos representam os remidos, que foram levados ao Tribunal de Cristo e coroados logo após o arrebatamento.

Os doze primeiros anciãos deste turno de vinte quatro, são “os doze patriarcas” de Israel, que estão ao lado de Cristo, representando todos os remidos da “dispensação da lei” focalizada no Antigo Testamento (cf. Nm 13.2-3; 17.1-6; Hb 8.5 e 9.23). Os outros doze, representam “os doze Apóstolos do Cordeiro”, pois em alguns casos eles são chamados de “anciãos (cf. 1ª Pe 5.1; 2ª Jô v.1 e 9; Jo v.1). Estão ao lado de Cristo representando todos os remidos da dispensação da graça no Novo Testamento (cf. Mt 19.29; Ap 21.12, 14) Estes tronos não estavam vazios, mas estavam assentados sobre eles vinte e quatro anciãos, com vestidos brancos que representam as justiças dos santos (Ap 21.12-14), e coroas de ouro em suas cabeças. “...em cujas cabeças estão coroas de ouro”. Está aqui já o início do cumprimento da promessa do Senhor em (Mt 19.28). O Senhor prometeu coroar a Sua Igreja “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida” (Ap 2.10). “Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e, diante do trono, ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus” (4.5). Atualmente, Deus está assentado sobre o trono da graça (Hb 4.16). Porém, neste tempo, Deus estará sobre o trono de Juízo. Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões, e diante do trono ardem sete tochas de fogo, que são os sete Espíritos de Deus, pois eles são citados no capítulo 1.4 e 3.1 de Apocalipse, e no capítulo 5.6 os encontramos mais uma vez. Eles também são encontrados no Antigo Testamento, nas sete lâmpadas da Menorá (Zc 4.2). Que procede do trono de Deus uma atividade grandiosa e ininterrupta. Assim João observa as sete lâmpadas diante do Trono, que são interpretadas como a plenitude do Espírito Santo.

“Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra” (Ap 5.6).

O Cordeiro é o mesmo Leão que aparece no verso 5. Ele é na qualidade de um “Cordeiro” na sua mansidão em tratar com Sua Noiva, mas como o Leão, no Seu poder irresistível para executar juízo contra os pecadores. João vê no trono de Deus o Cordeiro que havia sido morto, mas ao terceiro dia ressuscitou. João vê “...sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus”, que simboliza o Espírito Santo em toda Sua plenitude, pois ele convence, ouve, salva, julga, humilha, exalta e governa. O número sete não somente descreve a plenitude da terceira pessoa da divindade, mas é também um sinal da glória completa de Deus, pois sete é o número da plenitude divina.

“Os vinte e quatro anciãos prostrar-se-ão diante daquele que se encontra sentado no trono, adorarão o que vive pelos séculos dos séculos e depositarão as suas coroas diante do trono, proclamando. Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” (Ap 4.10).

Sinal de adoração e respeito supremo, a que se segue o lindo cântico de vitória, que mostra o verdadeiro culto no céu ao supremo Criador. Temos a adoração mais profunda da parte dos anciãos, que prostram diante do Trono, e lançam suas coroas, num gesto de submissão e respeito, ao que vive para sempre. É a oração inteligente dos remidos que compreendem a santidade e o amor do Senhor. E num gesto de magnífica adoração prostram-se cantando o lindo hino de louvor: “digno és, Senhor, de receber glórias, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”.

4.      O mar de vidro.
“Há diante do trono um como que mar de vidro, semelhante ao cristal...” (Ap 4.6).

O apóstolo João descreve o que vê “um mar de vidro”, ou seja, um grande espelho diante do trono do Eterno.

O mar representa povos e nações agitadas no tempo do fim. Porém, aqui o mar é tranqüilo e sem ondas. Ele não está agitado, mas sim imóvel diante do trono em contraste com a situação do mar dos povos sobre a terra: “Calai-vos perante mim, ó ilhas, e os povos renovem as suas forças; cheguem-se e, então, falem; cheguemo-nos e pleiteemos juntos” (Is 41.1).

O mar de vidro, lembra a pia de cobre feita por Moisés (Êx 30.18-21), e o mar de bronze do templo terrestre (1º Rs 7.23-26), que era para purificação. Aqui a purificação está consumada, não há mais necessidade de água. O mar que João vê representa a pureza, pois ali tudo é puro, calmo e de perfeita paz.
 5.      As criaturas viventes.

“... e também, no meio do trono e à volta do trono, quatro seres viventes cheios de olhos por diante e por detrás. O primeiro ser vivente é semelhante a leão, o segundo, semelhante a novilho, o terceiro tem o rosto como de homem, e o quarto ser vivente é semelhante à águia quando está voando. E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4.6-8).

Há várias interpretações, mesmo sem sentido de dogmatizar, referente aos quatro seres viventes. Aos olhos de João, eram criaturas estranhas, porque são desconhecidas dos homens, mas lindas.“Eram cheio de olhos”. Penetração intelectual, vigilância e prudência. Estas criaturas viventes não representam a Igreja nem uma classe especial de santos, mas são os seres sobrenaturais visto no Velho Testamento, que estão sempre em conexão com o Trono de Deus e a presença de Jeová. São os querubins de Ezequiel, capítulo 1 e 10 (cf. Sl 80.1; 99.1; Is 37.16).

Todo o simbolismo dessa passagem é inspirado no profeta do Antigo Testamento. Esses seres vivos são os 4 anjos responsáveis pelo governo do mundo (Ezequiel 1,20). Eles andam em todas as direções, numa perfeita visão, cada um tinha quatro rostos, como também quatro asas, a forma de seus rostos era como o de homem; à direita, os quatro tinham rosto de leão; à esquerda, rosto de boi; e também rosto de águia, todos os quatro. O aspecto dos seres viventes era como carvão em brasa, à semelhança de tochas; tinham quatro rodas em vez de pés, e o aspecto das rodas era brilhante como pedra de berilo e o espírito dos seres viventes estava nas rodas, e, sem cessar glorificam a Deus: Santo, santo, santo (Ez 1.6-21). Lembrando os serafins de Isaías capítulo 6.

João não soubera descrever o que viu, portanto, ele os chama de “quatro animais”, que são os querubins da visão descrita pelo profeta Ezequiel.

Se analisarmos profundamente este assunto veremos que o profeta Elias foi separado do profeta Elizeu, por estes seres (querubins), mas subiu num redemoinho: “Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho” (2º Rs 2.11).

Eliseu, foi o único a ver o profeta Elias ser arrebatado. Foi elevado ao céu com grande impulsão, portanto, ele também não soube descrever minuciosamente a cena que viu. Os carros de fogo são as rodas dos querubins, cor de brasas, os cavalos de fogo no nosso entendimento é o rosto dos querubins.

João ao ver os quatro seres no céu não descreu com suas minúcias, mas os chama de quatro animais ou quatro seres viventes, conforme o verso 6.

São representados com 4 formas. Cada uma delas tem o seu próprio significado. O leão é símbolo do que há de mais nobre na criação; o touro é símbolo de força; o homem significa sabedoria; a águia simboliza a agilidade.

[...] Na tradição cristã os quatro seres viventes estão no meio do trono, segundo o santo Tomás de Aquino que a doutrina do evangelho de Cristo em Ezequiel nos foi mostrada pelos quatro seres viventes. Ele atribui à aparência quadriforme do viventes um ensinamento simbólico sobre Cristo, que se tornou verdadeiro homem, foi imolado como um boi em sacrifício, ressuscitou com a própria força como um leão e subia ao céu como uma águia, onde se assentou a direita do Pai como Deus e homem. Também João chama Jesus no apocalipse de cordeiro de Deus e leão de Judá [Homiliae in Hiezchielem prophetam, 4].

Pr. Elias Ribas


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE APOCALIPSE


Para compreendermos melhor a Escatologia Bíblica (doutrina das últimas coisas), é necessário fazermos uma introdução apocalíptica, assim entenderemos melhor os acontecimentos a respeito do fim dos tempos.

O termo apocalipse do grego “apokalypsis”; no latim é “Revelatio”, que significa ação de tirar para fora, revelar o que está oculto. (De “Apo”, longe de, e “Kalyptõ”, ocultar).


A Bíblia é um livro cuja interpretação é considerada difícil. Muitos estudiosos a utilizam para edificação; outros, porém, para apresentar teses contraditórias. Esta confusão deve-se em grande parte, ao fato de não se levarem em conta os gêneros literários existentes no Livro Sagrado e também sabermos que ela foi revelada a seres humanos que embora iluminados pelo Espírito Santo, utilizavam os meios de expressão de sua época e de suas regiões. È necessário, portanto, para o interprete contemporâneo retroceder no tempo e procurar ambientar-se com as circunstancias nas quais os autores bíblicos receberam a revelação, ao comporem seus escritos.

O Apocalipse traz a “revelação de Jesus Cristos” para os últimos dias. Portanto Seu verdadeiro autor é o Filho de Deus. Ele é o testemunho apocalíptico. As palavras proféticas (1.3) deste livro (22.7, 18, 19) contêm o testemunho de Jesus, que o “pneuma” (espírito) da profecia (19.10).

Deus é o Senhor de todo espírito de profecia (22.6); sendo assim, Cristo é o possuidor dos sete espíritos de Deus (3.1). Diante deste testemunho do Apocalipse, podemos observar que o instrumento escolhido por Deus para receber a revelação foi o seu servo João, que obteve o testemunho através de anjos (1.1), quando estava na prisão na Ilha de Patmos (1.9).

O Apocalipse, por sua natureza histórico-profética, é dos mais fascinantes livros até hoje divulgados. O fato de tratar-se de uma “revelação de Jesus Cristo” indica que com todos os fatos e acontecimentos ali expostos estão na pessoa de Cristo, como motivo central do livro. Portanto, faz-se necessário o estudo sistemático a fim de conhecerem a linguagem simbólica e as predições de uma catástrofe que alcançará os pecadores, nestes últimos dias, ao mesmo tempo em que descobrirão no plano sobrenatural para os fiéis seguidores de Cristo.

Observemos ainda que cada grupo de sete é precedido por uma introdução. As perícopes do autor (ex. 8.3) devem ser consideradas pelo leitor com trechos intermediários. Notemos ainda que os grupos de sete são homogêneos; somente dois são interrompidos em seu desenvolvimento: precisamente a visão dos selos, num só caso (Ap 7.1-17) e a visão das trombetas duas vezes (8.13; 10.1-11).

O algarismo sete representa o número da perfeição, deparamos ainda com outros registros de sete, como: sete espíritos de Deus, isto é, sete lâmpadas que ardiam diante do trono, representando o Espírito Santo em Sua operação sétupla (4.5), sete cabeças da besta que o autor viu subir do mar e que representam os sete montes, os sete personagens e os sete reis (13.1; 17.9-10); e ainda as sete bem-aventuranças, a primeira das quais está no primeiro capítulo (1.3) e a última no capítulo (22.14). O simples registro do uso do número sete demonstra que Deus tem um plano para cada figura e para cada símbolo que aparece nas páginas do livro de Apocalipse.

Pr. Elias Ribas

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

AS SETENTA SEMANAS DE DANIEL

Enquanto a Igreja de Cristo estiver nos céus, participando do Tribunal de Cristo, de Suas mãos, recebendo os galardões a que fizeram jus aos trabalhos que realizaram em prol do Reino de Deus, estará a terra vivendo a Septuagésima Semana de Daniel que, profeticamente, terá a duração de sete anos.

Para se fazer um estudo completo da Escatologia, ou qualquer outro assunto que fale sobre o fim (Dn 8.17) é necessário estudar as setenta semanas de Daniel, pois esta é uma profecia indispensável à Escatologia.

I.  O QUE QUER DIZER AS SETENTA SEMANAS

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo...” (Dn 9.24).

Esta profecia de Daniel a respeito de Israel e da cidade santa (Jerusalém) é fundamental para os últimos tempos. Nesta profecia, cada dia da semana significa um ano, e assim, a palavra traduzida por “semanas” significa, aqui, uma unidade numérica de sete anos, conforme Levítico 25.8 uma semana tem sete anos. A contagem das “setenta semanas” compreendem, portanto, a um período de 490 anos: 70 x 7 = 490.

O termo original traduzido por “semana” em Daniel 9.27 é literalmente “setenário”, isto é, sete anos.

II.   QUANDO COMEÇARÁ AS SETENTA SEMANAS?

“Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as ruas e as tranqueiras se reedificarão, mas em tempos angustiosos” (Dn 9.25).

Deus revelou a Daniel que sessenta e duas e mais sete, que seriam sessenta e nove períodos de sete anos, somando portanto 483 anos, transcorreram entre a data da ordem para reconstruir Jerusalém e a vinda do Messias, o Ungido.

As três divisões das setenta semanas.

  1. 07 Semanas                  Dn 9.25                         49 anos
  2. 62 Semanas                  Daniel 9.25                   434 anos
  3. 01 Semana                    Daniel 9.26                   7 anos.

1.  A Primeira Divisão – Sete Semanas


De acordo com Dn 9.25, Jerusalém seria edificada e restaurada da destruição que o império Babilônico causou a santa cidade (Dn 1.1; 2ª Rs 24.1), esta ordem foi dada pelo Rei Ataxerxes (Ne 2.1-8) a Neemias aproximadamente no ano 445 a.C. Um minucioso exame no registro da história mostra que 445 a.C. foi a data deste decreto e nesta mesma data o início da contagem da primeira divisão, e terminou aproximadamente no ano 397 a.C., o que é relativo a 49 anos (7 semanas), onde a santa cidade estava totalmente reconstruída em tempos angustiosos sob a liderança de Neemias. Esta palavra cumpriu literalmente no período previsto (ref. Ed 1.1; Ed 4.11-24).

2.      A Segunda Divisão – Sessenta e Duas Semanas.

Têm-se calculado 483 anos após o decreto da reedificação do templo à vinda do “Ungido” (v. 25). A segunda divisão tem início aproximadamente no ano 397 a.C. e vai até os dias dos apóstolos de Cristo (Messias), neste período o Cristo iria nascer, morrer, e logo após Jerusalém seria invadida e destruída pelo Império Romano, neste caso, os 483 anos referentes as sessenta e nove semanas terminaram em 27 d.C. que foi aproximadamente o ano em que Jesus começou seu ministério na terra:

“E, depois das sessenta e duas semanas, será tirado o Messias e não será mais; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas assolações” (Dn 9.26).

Depois das “sete semanas” (v. 25) e mais “sessenta e duas semanas”, um total de sessenta e nove semanas (483), duas coisas aconteceram.

A. O Messias seria “tirado” (crucificado) (ref. Is 53.8). Jesus foi rejeitado pelos judeus, condenado e morte na cruz. O povo presente à condenação de Cristo clamou: “O sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos (Mt 27.25).

Israel era o povo especial de Deus, representante do Senhor no mundo, e fazia parte, como os ramos naturais, da boa Oliveira (Rm 11.24). Porém, os judeus rejeitaram Jesus (Jo 1.11). Por isso, foram quebrados da Oliveira, isto é, foram rejeitados pelo Criador (Jr 11.16; Rm 11.19-20), e no seu lugar, foi enxertado a Igreja (Rm 11.17-19). Iniciou-se então, a dispensação da graça, formada por aqueles que o Todo poderoso purificou para si, a fim de serem Seu povo especial, zeloso de boas obras (Tt 2.14). Nós (Igreja) somos agora: “...raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” (1ª Pe 2.9-10).

B. O povo do príncipe, que há de vir, destruiria Jerusalém e o templo. O “povo” refere-se ao exército romano, que destruiu Jerusalém em 70 d.C. O “príncipe” refere-se ao General Tito que comandou a dispersão dos judeus (Dn 9.25-26).

Note-se que a destruição de Jerusalém não ocorreu imediatamente após a crucificação de Cristo. Portanto, há um hiato de tempo entre o final das sessenta e nove semanas e o início da septuagésima semana. Os exegetas concluem que este período de tempo corresponde ao período da Igreja. Portanto, podemos notar que para septuagésima semana, falta uma, e sobre esta há grande expectativa. E esta última semana terá início logo após o arrebatamento da Igreja, que serão os sete terríveis anos da Grande Tribulação.

3.      A Terceira Divisão – Uma Semana Sete Anos.

A terceira divisão, a última das setenta semanas de Daniel é ainda futura, ainda não se cumpriu, devido o povo Judeu não estar na cidade santa (Dn 9.24). Como já foi visto na segunda divisão, os Romanos invadiram Jerusalém no ano 70 d.C e expulsaram os Judeus da cidade e os mesmos foram dispersos para muitas nações (Ez 36.19-20; Lc 21.24) e nesta data a profecia teve de ser interrompida na sua sexagésima nona semana, pois o povo judeu não se encontrava na cidade de Jerusalém, e para que esta profecia se cumpra é necessário que o povo do profeta Daniel esteja em Jerusalém. Mas, no dia 14/05/1948, os Judeus começaram a voltar para a santa cidade, neste mesmo dia cumpriu-se a profecia do profeta Isaías 66.8. Na verdade os Judeus já residem na cidade santa, porém ainda não tem o domínio total de Jerusalém, eles a dividem com os palestinos que querem ter domínio de toda Jerusalém e em troca darão a paz que os Judeus procuram. Todos os dias ouvimos falar de ataques e terrorismo no Oriente Médio, pois Satanás procura impedir que esta profecia se cumpra.

Para ter início a última semana é necessário Israel voltar e ser restabelecida como Nação. E foi nesta pergunta que os apóstolos fizeram a Cristo, “restauraras tu o reino a Israel neste tempo?” (At 1.16). Pois sabiam os apóstolos que logo após Cristo restaurar o reino de Israel o mesmo Cristo iria reinar no trono de Jerusalém e a paz estaria de vez com o povo israelita (Is 66.8-10).

Esta última semana não pode ter se cumprido em hipótese alguma, pois nesta última semana (sete anos) os Judeus irão fazer um acordo com o assolador (Anticristo), e este assolador irá ser destruído, porém isto ainda não aconteceu, Israel ainda não fez este acordo com ele (Is 28.15-18), muito menos o Anticristo manifestou-se, sendo assim podemos afirmar que esta última semana de Daniel ainda não cumpriu-se, pois a profecia permanece interrompida.

III.  PARA QUEM ESTÃO DETERMINADAS AS SETENTA SEMANAS

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo (Israel), e sobre a tua santa cidade...” (Dn 9.24).

Esta parte das Escrituras Sagradas afirma que este período de tempo irá cumprir-se sobre o povo Judeu (o teu povo) e sobre a cidade de Jerusalém (a tua cidade). Portanto esta profecia é destinada para Israel, sendo assim, lembramos ao leitor: “Não deve-se confundir Igreja com Israel”.

Na segunda Guerra Mundial, o alemão Hitler tentou exterminar o povo Judeu fazendo um holocausto de seres humanos, matando cerca de 6 milhões de judeus. Os demônios sabendo desta profecia procuraram acabar com os judeus, para que não se cumprisse a profecia do profeta Daniel, sobre a ultima semana, e o retorno de Israel. Mas, um milagre aconteceu e Deus deu vida ao povo Judeu que havia sido comparado com um vale de ossos secos (Ezequiel 37), e a nação judaica pode ter nova vida.

O assolador de Daniel 9.27 é o Anticristo, que fará um concerto com Israel por sete anos (uma semana), (Jo 5.43 e Is 28.15-18), e na metade da semana (três anos e meio) irá quebrar o concerto com os judeus.

IV.  CONDIÇÕES PARA A PROFECIA SE CUMPRIREM

Esta profecia de Daniel 9.24-27, está determinada as seguintes condições para seu fiel cumprimento:

Quando Deus rejeitou Israel, por ter desprezado o Messias, parou a contagem do tempo, uma vez que as 70 semanas estavam determinadas para os judeus. Resta, ainda, uma semana, a última. Os judeus necessitam estarem em Jerusalém (cidade Santa), e a Igreja já arrebatada.

V.   O QUE ACONTECERÁ QUANDO COMPLETAR AS SETENTA SEMANAS

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para extinguir a transgressão, e dar fim aos pecados e expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e ungir o santo dos santos” (Dn 9.24).

Neste versículo seis coisas específicas seriam realizadas em favor de Israel durante os 490 anos ou as setenta semanas.

1. A expiação da iniquidade efetuada pela morte de Jesus.
2. O fim dos pecados. Quando Israel voltar para Deus e viver em retidão (Rm 11.26).
3. A extinção da transgressão (quando Jesus vir em glória para reinar) (Ez 37.21-23).
4. Um governo de justiça eterna terá início (milênio – Ap 20.6).
5. As profecias terão seu pleno cumprimento e também seu término.
6. Jesus Cristo ungido Rei.

A última semana de Daniel terá a duração de sete anos, que será dividida em duas partes de três anos e meio (Dn 9.27; Ap 11.1-3; Ap 12.6-14; Ap 13.5).

A primeira metade da semana, cuja duração será de três anos e meio, será ocupada pelo governo do Anticristo. A segunda metade da semana, que terá a mesma duração da primeira, caracterizar-se-á pela Grande Tribulação. Por conseguinte, a Septuagésima Semana de Daniel terá, ao todo, a duração de sete anos (Dn 9.27). Logo: a volta triunfal de Cristo em glória, que fará acompanhar por Sua Igreja, ocorrerá sete anos após o arrebatamento.

Finda-se aqui as setenta semanas de Daniel. Israel reconciliar-se-á com Deus. Ter-se-á cumprido o tempo determinado por Deus, para a execução da transgressão, o fim do pecado, a expiação da iniquidade, para que venha a justiça eterna.

Com o fim das setenta semanas, a visão e a profecia estarão seladas (Dn 9.24). Jesus, então, instalará o Milênio. Israel, agora salvo, estará ao lado de Seu Messias, como a nação líder, tanto política como espiritualmente.

Pr. Elias Ribas

terça-feira, 18 de novembro de 2014

OS QUATRO ÚLTIMOS IMPÉRIOS MUNDIAIS - DANIEL CAPÍTULO 7

Continuando o capítulo 2, tem outra profecia dentro do mesmo assunto: as quatro últimas potências mundiais. No capítulo 2 estes impérios são representados por uma imagem dividida em 4 partes, que se esmiuçaram ao impacto de uma pedra cortada de um monte. No presente capítulo, estes mesmos impérios representam-se por um leão, um urso, um leopardo, e um animal anônimo terrível e espantoso. Por fim, vem o Filho do Homem, exercendo o juízo e estabelecendo o reino eterno do Altíssimo.

I.        OS TEMPOS DOS GENTIOS



Que são os tempos gentios. O texto de Lucas refere-se a um período especial no qual Jerusalém será pisada pelos gentios (Lc 21.24).

O tempo dos gentios teve seu inicio quando uma parte de Israel foi levado de sua terra para o cativeiro na Babilônia em 586 a.C. (2º Cr 36.1-21; Dn 1.1-2) e só terminará quando Cristo voltar para governar sobre todo o mundo, e assumir o trono de Davi (Lc 1.31-32).

II.     O CURSO DOS TEMPOS DOS GENTIOS

1.      O paralelo entre os capítulos 2 e 7 de Daniel.
Duas revelações paralelas no livro de Daniel nos dão a descrição completa deste período. No capítulo 2, por meio de Nabucodonosor, Deus revelou o lado político destes últimos impérios mundiais. A Daniel, neste capítulo, Deus revelou o lado moral e espiritual através de quatro bestas. A historia política havia sido mostrada a Nabucodonosor, mas a historia espiritual foi mostrada a Daniel. Notemos ainda o seguinte: No capitulo 2, as figuras representadas são tomadas da esfera inanimada, materiais como ouro, prata, bronze, ferro e barro. No capitulo 7, as figuras são representadas por seres animados, aqueles animais estranhos.

2.      O Mar agitado (Dn 7.2).
A palavra “mar” na linguagem escatológica sempre representa as nações gentílicas (Is 17.12,13). O mar agitado representa as nações inquietas (ref. Ap 17.15). A inquietação e perplexidade das nações é uma característica do fim dos tempos, isto pelas crises mundiais cada vez maiores. “Os ventos” podem ser os poderes do mal que incitam e afligem as nações. São poderes usados por Deus para agitar a humanidade. São específicos. Obedecem e cumprem fielmente sua missão, agitando geologicamente mares, rios e a terra com seus vulcões. Açoitam a terra varrendo os continentes, e também sopram brandamente sobre a terra, avisando-a de possíveis catástrofes.

Em seguida é revelado a Daniel quatro animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar (Dn 7.3), isto é saem do meio dos povos.

III.  O PODER DOS GENTIOS (Dn 7.3-8).

1.       O Leão com asas de águia (Dn 7.4).

Era como o leão e tinha asas de águia (Império Babilônico). O leão corresponde a cabeça de ouro da estátua do capítulo 2 (2.32, 37, 38), a Nabucodonosor, rei do Império Babilônico.

O leão é a cabeça de ouro, refere-se ao orgulho, a vaidade e a fineza da Babilônia; leão com duas asas como de águia, nos diz a respeito da força e rapidez nas suas conquistas, como revela a história do nosso mundo.

A. Breve história do Império Babilônico. O império Babilônico teve início no ano 612 a C.539 a.C.

A cidade era extravagante; luxuosa e pomposa além do que se possa imaginar; era sem rival na história do mundo. Isaías diz a respeito de Babilônia: “Babilônia, a jóia dos reinos, glória e orgulho dos caldeus” (Is 13.19). Jeremias diz que a Babilônia era a “glória de toda terra” (Jr 51.41).

Os antigos historiadores declaram que seu muro alcançava 96 km de extensão (24 km de cada lado da cidade), 90 m de altura e 25 de espessura. O muro tinha ainda 250 torres e 100 portões de cobre. Sob o rio Eufrates, que dividia Babilônia ao meio, passava um túnel. Os diversos muros da cidade e do palácio e fortalezas eram tão espessos e altos, que para qualquer tipo de guerra da Antiguidade, Babilônia era uma cidade simplesmente inconquistável.

B. O orgulho pessoal e político do rei. 
“A grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com o meu grandioso poder, e para glória da minha majestade” (Dn 4.30). O homem mais orgulhoso da época se vã gloria pelos seus feitos; ao profeta Isaías diz o Senhor Deus: “E a minha glória não a darei a outro” (Is 48.11b). Devemos ter o cuidado, pois, com o costume de receber a glória que pertence só a Deus.

C. As profecias referentes à Babilônia. Veremos a seguir algumas profecias bíblicas vaticinadas pelos profetas que se cumpriram em Babilônia.

Nunca mais seria habitada. “E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada nem reedificada de geração em geração: nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores ali farão os seus rebanhos. Mas as feras do deserto repousarão ali, e as suas casas se encherão de horríveis animais” (Is 13.19-21).

Jeremias 50.13 e 39 diz: “Por causa do furor do Senhor não será habitada, antes se tornará em total assolação: qualquer que passar por Babilônia se espantará; e assobiará vendo todas as suas pragas. 39 Por isso habitarão nela as feras do deserto, com os animais bravos das ilhas: também habitarão nela as avestruzes; e nunca mais será povoada, nem será habitada de geração em geração”. Jr 51.37 e 58 diz: “E Babilônia se tornará em montões, morada de dragões, espanto e assobio, nem um só habitante. 58 Assim diz o Senhor dos exércitos: Os largos muros da Babilônia totalmente serão derribados, e suas portas excelsas serão abrasadas pelo fogo”.

Aos olhos humanos era impossível a Babilônia ser conquistada, mas o que Deus falou por intermédio de Seus profetas cumpriu-se. Diz a história em confirmação com a Bíblia que o rio Eufrates que passava sob a Babilônia secou-se e os Medos e Persas a conquistaram.

“Cairá à seca sobre as suas águas, e secarão” (Jr 50.38). “Quem diz às profundezas: seca-te, e eu secarei os teus rios” (Is 44.27).

Jeremias profetizou 50 anos antes da queda do Império Babilônico e que seria dominado pelo rei da Média. “Alimpai as flechas, preparai perfeitamente os escudos: O Senhor despertou o espírito dos reis da Média: porque o seu intento contra Babilônia é para destruir” (Jr 51.11). Cinqüenta anos após Jeremias ter profetizado, o profeta Daniel relata no capítulo 5, a tomada da grande Babilônia.
No ano 538 a.C. o rei Belsazar, filho de Nabonido e neto de Nabucodonosor, rei da Babilônia, estava num grande banquete juntamente com mil convidados, onde bebia muito vinho e davam louvores aos seus deuses. A Bíblia diz que bebiam vinho nas taças de ouro trazidas do templo de Jerusalém quando Nabucodonosor trouxe Israel para o cativeiro Babilônico. 

Na noite da festa, Belsazar teve uma visão, viu uns dedos de mão de homem que escreviam na parede do palácio real, que dizia: Mene, Mene, Tequel, Ufarsim. Como Daniel já era conhecido pelos seus feitos no palácio, foi comunicado por intermédio da rainha, e então trouxeram o profeta Daniel para fazer a leitura da escrita. No mesmo instante que Daniel viu a escrita a interpretou dizendo: Mene: “Contou Deus o teu reino e o acabou”. Tequel: “Pesado foste na balança, e foste achado em falta”. Peres: “Dividido foi o teu reino, e deu aos medos e aos persas” (Dn 5.26-28). E mais uma vez o profeta Daniel, com a sabedoria divina, trouxe conhecida o enigma divino.

Os Persas formaram uma colisão para derrotar a Babilônia. A Média sob o comando de Dário e a Pérsia sob Ciro. Na mesma noite em que Belsazar teve a visão, os Medos e os Persas invadiram a Babilônia, mataram Belsazar e tomaram o Palácio. Assim terminou o magnífico império babilônico, (a cabeça de ouro da estátua de Dn 2.32, o leão com duas asas de Dn 7.4).

2.      O Urso destruidor (7.5).
“Continuei olhando, e eis aqui o segundo animal, semelhante a um urso, o qual levantou-se de um lado, tendo na boca 3 costelas entre seus dentes; e foi-lhe dito: levanta e come muita carne”.

O urso representa o segundo império mundial dos gentios, Medo-Persa. E corresponde ao peito e os braços da estátua (Dn 2.32-39). Este império teve início no ano de 539 a.C. 331 a.C.

No capítulo oito de Daniel, os Medo e Persa são representados por um carneiro com duas pontas: “Aquele carneiro que viste com duas pontas são os reis da Média e da Pérsia” (Dn 8.20).

Os dois braços da estátua, o urso e as duas pontas do carneiro correspondem as duas nações.

Em Dn 7.5 diz que “o urso levantou-se de um lado” e Dn 8.3 diz: “o carneiro tinha duas pontas e uma era mais alta do que a outra”. O lado que se levantou do urso e uma das pontas mais alta do carneiro é a Pérsia que passou a ter mais poder sobre a Média. Apesar de ser mais recente.

As três costelas na boca do urso aludem à conquista da Babilônia, Lídia e Egito pelo império. Média tornou-se proeminente. “O mais alto subiu por último”. Em 550 a.C. Ciro, o persa, rebelou-se contra os Medos, que até então detinham o poder e tornou-se cabeça dos dois reinos.

3.      O Leopardo altivo (7.6).
“Depois disto, eu continuei olhando, e eis aqui outro, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas: tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio”.

O leopardo representa o terceiro império: Império Grego, no período de 331a168 a.C., e corresponde ao ventre e as duas pernas de bronze da estátua no capítulo 2.

O leopardo tinha “quatro asas e quatro cabeças”. As quatro asas do leopardo, indicam mais rapidez nas conquistas do que Babilônia, pois era um exército relâmpago em suas conquistas na guerra. As quatro cabeças falam da divisão do Império Grego em 4 partes (quatro reinos). As quatro cabeças falam da quádrupla divisão do Império Grego após a morte de Alexandre.

O reino da Grécia em Dn 8.5-8 e 21 é representado por um bode peludo:

“E, estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha uma ponta notável entre os olhos; 6 Dirigiu-se ao carneiro que tinha as duas pontas, e correu contra ele com todo o império de sua força. 7 E o vi chegar perto do carneiro, irritar-se contra ele; e feriu o carneiro, e lhe quebrou as duas pontas, pois não havia força no carneiro para parar diante dele; e o lançou por terra, e o pisou a pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão. 8 E o bode se engrandeceu em grande maneira; mas estando na sua maior força, aquela grande ponta foi quebrada: e subiram no seu lugar quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu. 21 Mas o bode peludo é o rei da Grécia; e a ponta grande que tinha entre os olhos é o rei primeiro. 22 Por ter sido quebrada, levantando-se quatro em lugar dela, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a mesma força dela”.

O “chifre notável” do bode verso 5 e 21, é Alexandre, o Grande, um dos reis mais brilhantes dos tempos antigos: gênio militar e propagador da cultura grega. Em 12 anos de reinado Alexandre, o Grande, tinha o mundo a seus pés.

“Aquela grande ponta foi quebrada” (v. 8, 22) Com a morte de Alexandre o grande o império foi dividido entre seus quatro generais. Depois da morte de Alexandre, o império grego dividiu-se em 4 partes; sendo a Grécia, a Turquia, a Síria e o Egito.

Note que leopardo com quatro cabeças em Daniel 7.6, é representado por um bode peludo com quatro pontas em Daniel 8.8, 21, 22. As quatro pontas do bode e as quatro cabeças do leopardo indicam a divisão do império grego em 4 partes (4 reinos).

Com a divisão do Império Grego em quatro partes, acabou enfraquecendo o reino, e com isso, surgiu, então, o último império – o Império Romano.


4.      O animal terrível e espantoso.
“O quarto monstro que vi naquela visão era terrível, espantoso e muito forte. Tinha enormes dentes de ferro e com eles despedaçavam e devoravam as suas vítimas; o que sobrava ele esmagava com as patas. Esse monstro era diferente dos outros três e tinha dez chifres” (Dn 7.7).

O quarto animal espantosos e terrível, e com os dentes de ferro, representa o Império Romano, é um paralelo do sonho de Nabucodonossor de (Dn 2. 37-43), inclusive os dez dedos.

A.     A origem do Império Romano.
A cidade de Roma foi fundada em 753 a.C.. Seus domínios iam da Europa à Babilônia englobando o norte da África e o Oriente Médio.

O quarto animal que corresponde as duas pernas da estátua do capítulo 2. As duas pernas, corresponde as duas formas do Império, isto é, o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente. O primeiro caiu em 476 d.C. e o segundo, em 1453. O Império do Ocidente teve início no ano 168 a.C. e durou até o ano 476 d.C.

No capítulo dois, ele descreve aparência exterior deste império; ao passo que, no capitulo sete, revela sua índole e caráter.

1.       Sua aparência exterior: “E o quarto reino será forte como ferro; pois, como ferro esmiúça e quebra tudo, como ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará” (Dn 2.40).

2.       Seu caráter: 
“O quarto monstro que vi naquela visão era terrível, espantoso e muito forte. Tinha enormes dentes de ferro e com eles despedaçavam e devoravam as suas vítimas; o que sobrava ele esmagava com as patas. Este monstro era diferente dos outros três e tinha dez chifres.

O quarto animal seria um rei ou um reino, como os demais animais. Este animal tinha dentes de ferro. Seria o reino da força, da ferocidade, do esmagamento, como foi o Império Romano, diferente de todos os reinos.

B.     O Império Romano na Era Escatológica.
Desejamos advertir os nossos leitores dizendo que a era escatológica já chegou. E uma de suas maiores evidências é o ressurgimento do Império Romano através do Mercado Comum Europeu.

C.    Apesar das aparências, estarão divididos.
“E, como os artelhos eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte e por outra será frágil. Quanto ao que viste do ferro misturado com barro de lodo, misturar-se-ão com semente humana, mas não se ligarão um ao outro, assim como o ferro se não mistura com o barro” (Dn 2.42-43).

Houve um tempo na Europa em que os monarcas estavam sempre em guerra. Foram-se quase todos os reis, e veio a União Européia; a situação, porém nada foi alterada. Os Ingleses continuam a não aturar os franceses, que desconfiam dos alemães, que não se dão com os alemães, que não aturam os espanhóis. As rivalidades existem, entretanto estão unidos para governar o mundo através do Anticristo que aparecerá em breve.

D.    O objetivo do Novo Império Romano.
Terá o Novo Império Romano, por objetivo, sustenta o governo que Satanás, através da Besta e do Falso Profeta irão implantar no mundo logo após o arrebatamento da Igreja. De acordo com Apocalipse 13, o domínio do Anticristo abrangerá tanto a economia e a política como a religião. Todavia, este reino não subsistirá; Cristo fará dele um monturro.

E.     A formação do Novo Império Romano.
Tanto Daniel com João mostram o Novo Império Romano constituído a partir de dez unidades:

“O quarto animal será o quarto reino da terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços” (Dn 7.23).

Pensava-se de início, que seria formado por apenas dez nações. Hoje, porém, já são 25 os países que formam a União Européia. Amanhã poderá aumentar ou diminuir de acordo com os intercâmbios com os países.

Na verdade, não são dez países, e sim dez blocos ou dez regiões administradas pelo Anticristo, que abrangerão um território maior do que o Antigo Império Romano. Logo o Novo Império Romano ocupará não só a Europa, mas também o Norte da África e o Oriente Médio. Por conseguinte, cada região administrativa será composta por mais de um país.

Os dez chifres do versículo 7 correspondem a dez futuros reis, interpretação no verso 24 que diz: “E quanto às pontas, daquele mesmo reino se levantarão dez reis; depois deles se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros e abaterá a três reis”.

Os dez chifres, correspondem aos dez dedos dos pés da estátua do capítulo (2.41-42), e aos dez chifres da besta do Apocalipse 13.1; 17.12, que serão dez reinos ou dez reis que se levantarão no fim para entregar o mundo ao Anticristo.

F. O chifre pequeno. “Estando eu considerando as pontas, eis que entre elas subiu outra ponta pequena, diante da qual três das pontas primeiras foram arrancadas; e eis que nesta ponta havia olhos, como olhos de homem, e uma boca que falava grandiosamente” (Dn 7.8).

O chifre pequeno, que abateu (arrancou) fora três pontas que já havia no terrível animal, representa o futuro Anticristo que ao emergir entre os dez reinos, abaterá três reis.

No livro Apocalipse 17.8 o anjo diz para o apóstolo João: “A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo”.

O terrível animal que Daniel viu, o anjo o chama de besta; “e há de subir do abismo”. Esta expressão diz com respeito ao Império Romano, que ressurgirá no tempo do fim, comandado pelo Anticristo e o falso profeta, junto com as confederações mundiais (dez reinos). É claro que o Império Romano não será o mesmo, mas será terrível, espantoso e brutal como era. Portanto, os fatos proféticos do v. 8 são ainda futuro.

Hoje as confederações mundiais (Mercado Comum Europeu, Alca, Mercado Asiático Mercosul, etc.), já trabalham numa forma de globalização, moeda única, e de um governo único, ou seja, um governo mundial, ou um líder mundial. E este líder mundial é a ponta pequena que Daniel descreve (7.8), dizendo que nesst ponta havia olhos, como olhos de homem, e boca que falava grandiosamente, diz com respeito ao Anticristo.

G. “Falava Grandiosamente”: Será um ditador, inteligente e com poder para enganar o mundo e persuadir as nações com seus discursos inflamados e mentirosos no tempo do fim.

A Besta que subiu do mar (Ap 13), diz o apóstolo João que era semelhante ao leopardo, e os pés como de urso e a boca como de leão; esta besta é o Anticristo, e será o animal mais terrível e maldoso que já existiu na face da terra, maior que todos os impérios que já existiram, ou seja, a maldade de todos os animais estará incorporada neste império. Jamais o mundo teve alguém como este, subversivo e impostor. A crueldade da besta será tal que nem juntando Nero, Mussolini e Hitler, pode se explicar, tamanha a fúria da besta.

IV.  A QUEDA IMPÉRIO ROMANO NO FIM DOS TEMPOS

Como já vimos, a pedra bateu violentamente nos pés da estátua e esmiuçou-a. Isto ocorrerá em Armagedom, no tempo do domínio mundial das nações confederadas sob o governo do Anticristo (Ap 17.11-13; 19.11-21), quando o império do Anticristo será destruído na vinda de Jesus em glória.

Daniel continua descrever a ruína do Novo Império Romano, agora mostrado como aquele animal terrível: “Estive olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo, desfeito e entregue para ser queimado pelo fogo” (Dn 7.11). Por quem o animal foi morto? Pelo Filho de Deus! E, assim, recebe o Senhor Jesus o poder, a glória e a majestade.

Por mais poderosos que se mostrem os reinos deste mundo, não subsistirão ante a soberania divina. Roma dominou nações e reinos; pisou os mais aguerridos povos e humilhou os mais altivos soberanos. Mas nada poderá fazer contra o Senhor Jesus. Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. Nada tarda o dia em que o Império Romano, base do governo do Anticristo, haverá de prestar contas a Deus por todos os seus pecados e iniquidades. Ainda que renascidos não subsistirá.

Senhor Jesus, quem poderá subsistir ante teu poder? Que a honra, a força e a glória sejam-te tributadas para todo o sempre.

V.     A VINDA DE JESUS SEGUNDO DANIEL



“Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de Dias se assentou; sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente” (Dn 7.9).

Aqui temos uma previsão futura dos juízos do Apocalipse, culminando os juízos das nações na vinda do Filho do Homem (v.13; Mt 25.31-46; Ap 19.11ss). Deus não permitirá que estes opressivos reinos mundanos governem com injustiça para sempre. Ele estabeleceu um dia para julgamento.Quando este dia chegar, todos os governos do mundo e toda a opressão virá a um fim.

“Ancião de Dias” é outra maneira de reconhecer que Deus é o eterno, é aquele que Abraão reconhecia como “o juiz de toda terra” (Gn 18.25). A descrição de Deus neste versículo também revela a Sua santidade (“Sua veste era branca como a neve”), a Sua majestade (“os cabelos da cabeça, como a pura lã) e a Sua justiça como fogo ardente (o seu trono eram chamas de fogo”).

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele” (Dn 7.13).

Este ser majestoso apresenta-se diante de Deus Pai como uma pessoa separada e distinta dEle, a fim de receber um reino eterno que jamais será dado a outros.

A visão que Deus deu a Daniel era assustadora no começo, mas depois reconfortante como ele percebeu que ela significava. É ainda mais reconfortante para nós que temos visto a maioria das previsões desta visão perfeitamente cumprido. É confortante saber que Deus está no controle. Deus tem um plano, e seu plano continua a ser realizado, não importa como muitos tentam se opor. Jesus veio assim como os profetas anunciaram. Ele fez tudo que era necessário para pagar pelos nossos pecados. Ele viveu em nosso lugar, Ele morreu em nosso lugar, Ele ressuscitou dos mortos como as primícias de todos os que morreram, Ele subiu ao céu e quando o Pai lhe der o trono, Ele voltará sobre as nuvens do céu pôr fim a este mundo que está infectado com o pecado.

Confiar nele. Permanecei firmes na fé, mesmo quando possa parecer que Deus não está no controle. Confiança que, quando Jesus aparecer nas nuvens do céu, ele vai convidá-lo para viver no seu reino de paz para todo o sempre, tudo por causa do que ele fez por nós.


Pr. Elias Ribas