TEOLOGIA EM FOCO: novembro 2020

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

A NOVA ORDEM MUNDIAL E O COVID 19 - PRATE IV

 


É possível dizer que a epidemia de coronavírus é o desenvolvimento mais importante do século XXI. De fato, essa situação causa os comentários de que a epidemia de coronavírus trará uma transformação em escala global.

O mais notável é que a ordem mundial mudará. Muitos especialistas sugerem que uma nova ordem mundial surgirá, sugerindo que a atual ordem mundial enfrentará uma pressão de mudança.

Obviamente, não há dúvida de que entraremos em um novo processo em escala global. No entanto, não é possível dizer que a ordem mundial está enfrentando uma mudança radical após a epidemia de coronavírus e que isso é inevitável.

Quando olhamos para a política mundial dos últimos cinco séculos a partir da perspectiva das ordens mundiais, vemos que três elementos básicos vêm à tona: distribuição de poder, economia política e normas/regras internacionais.

Enquanto a distribuição do poder determina o curso básico da (grande) competição entre poderes, a economia política determina diretamente as regras do sistema e as normas internacionais determinam diretamente os processos de socialização internacional.

Por exemplo, em um sistema em que a distribuição de poder é compartilhada entre mais de três estados, a ordem mundial é multipolar, quando é compartilhada entre os dois poderes, é bipolar e, nos casos em que possui um único ator, é unipolar. Vê-se que a principal dinâmica que permite a transição da ordem mundial de um tipo de polaridade para outro é a guerra.

Enquanto cada guerra principal causa um novo equilíbrio na atual distribuição de poder, a ordem global é reconstruída em um novo paradigma após cada guerra.

O sistema econômico e as normas que formam o núcleo desse paradigma determinam as posições, papéis e modos de ação dos outros em escala global.

Como Estado, ou oponha-se ao sistema ou faça um esforço para ingressar no sistema com o objetivo de tirar proveito das recompensas do sistema.

Para que a ordem mundial pós-coronavírus seja substituída por uma nova, a epidemia de coronavírus deve provocar uma mudança na distribuição de poder atual, paralelamente a isso, os atores que controlam a estrutura e estrutura econômica devem realizar arranjos estruturais que causarão uma mudança nos mecanismos de trabalho do sistema e criarão novos regimes globais no eixo das novas normas.

Nos últimos anos, não houve uma quebra considerável na distribuição de poderes. Por exemplo, nenhum ator que pudesse ser posicionado na categoria de tamanho médio fez uma alteração nesses estatutos de poder, alcançando, assim, um alto estatuto de poder. Ou as potências com estatuto de grande potência não alcançaram a posição de superpotência aumentando as forças do material.

A vinda do Covid-19 surge como estopim de profundas mudanças globais, afetando a vida das pessoas de forma paulatina, mas profunda. Tudo está sendo feito de maneira gradativa para que ninguém sinta o impacto das mudanças. O mega procedimento está sendo formatado na China, candidata a ser o poder central, e disseminado para o resto do mundo. Lá, muitas pessoas não possuem mais individualidade, pois são monitoradas por câmeras inteligentes, sendo rastreadas 24 horas por dia, cujo monitoramento mostra, por aplicativo do governo, o local onde ela está, e até mesmo a temperatura do seu corpo para saberem se não está infectada. Em nome da pandemia, a liberdade de movimentos passa a ser controlada, e todos podem ser confinados a critério do governo, sendo que o direito de ir e vir passa a ser uma utopia, pois é preciso autorização para se movimentar, bem como os locais para onde poderá se dirigir. Para esse controle total, algumas pessoas já estão recebendo chips para serem monitoradas em tempo integral. Esses padrões estão sendo disseminados pelo mundo, e já os vemos acontecer por aqui, nas ações do governador de São Paulo, em paralelo com outros Estados, controlando os movimentos do povo, e submetendo-os às suas vontades. Como cidadãos do mundo, estamos aos poucos perdendo nossa liberdade sem nos darmos conta disso, sendo que as conquistas que havíamos alcançado estão nos sendo paulatinamente retiradas.

Vírus como o SARS, Corona, Ebola, e HIV, foram manipulados nos laboratórios chineses, como está bem documentado, mostrando que essas contaminações são artificiais, pois fazem parte de um grande plano para o domínio da população mundial, de modo que pareçam ações da natureza. É uma arma biológica.

A Nova Ordem Mundial não é uma utopia, pois já está alterando nossas vidas, e não somos valentes o suficiente para nos rebelarmos.

O futuro só é imprevisível para quem não quer ou consegue ver. É preciso acordar para a realidade da existência.

A Nova Ordem Mundial é um grupo de pessoas que busca implantar um governo mundial totalitário. Existem diversas versões para esta história, sendo que uma das mais aceitas é referente a um grupo poderoso da elite mundial, que viria a substituir os países soberanos nos próximos anos.


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Elaborado pelo Pastor Elias Ribas

Igreja Assembleia de Deus

Blumenau - SC

A TEOLOGIA DE ZOFAR: O JUSTO NÃO PASSA POR TRIBULAÇÃO?

 


LEITURA BÍBLICA

Jó 11.1-9 “Então, respondeu Zofar, o naamatita, e disse: 2 - Porventura, não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado? 3 - Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem que ninguém te envergonhe? 4 - Pois tu disseste: A minha doutrina é pura; limpo sou aos teus olhos. 5 - Mas, na verdade, prouvera Deus que ele falasse e abrisse os seus lábios contra ti, 6 - e te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniquidade. 7 - Porventura, alcançarás os caminhos de Deus ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso? 8 - Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? Mais profunda é ela do que o inferno; que poderás tu saber? 9 - Mais comprida é a sua medida do que a terra; e mais larga do que o mar. 10 - Se ele destruir, e encerrar, ou juntar, quem o impedirá?”

Jó 20.1-10 “Então, respondeu Zofar, o naamatita, e disse: 2 - Visto que os meus pensamentos me fazem responder, eu me apresso. 3 - Eu ouvi a repreensão, que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim. 4 - Porventura, não sabes tu que desde a antiguidade, desde que o homem foi posto sobre a terra, 5 - o júbilo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas, apenas de um momento? 6 - Ainda que a sua altura suba até ao céu, e a sua cabeça chegue até às nuvens, 7 - como o seu próprio esterco perecerá para sempre; e os que o viam dirão: Onde está? 8 - Como um sonho, voa, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite. 9 - O olho que o viu jamais o verá, nem olhará mais para ele o seu lugar. 10 - Os seus filhos procurarão agradar aos pobres, e as suas mãos restaurarão a sua fazenda.”

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos o discurso de Zofar, o último amigo de Jó a falar na série de debates (Jó 11; 20). Ele insistirá na tese de que o justo não passa por tribulação, à semelhança do que pensavam seus amigos Elifaz e Bildade. Todavia, Zofar é mais duro e impiedoso na acusação contra Jó. Ao contrário de seus amigos, ele faz dois discursos suficientes para derramar seu ressentimento contra o patriarca. Ele o acusa de se levantar contra sabedoria divina e aconselha Jó a voltar-se para Deus.

I. DEUS SE MOSTRA SÁBIO QUANDO AFLIGE O PECADOR

1. Deus grande e sábio. Zofar defende que o sofrimento de Jó fazia parte de um sábio julgamento divino, pois, para ele, Deus demonstra grande sabedoria em reprimir os maus. Por outro lado, os bons jamais passam por tribulação. Para Zofar, se alguém deve algo tem de pagar. Com dureza, o terceiro amigo de Jó não demonstra a mínima compaixão pelo sofrimento do patriarca de Uz ao acusá-lo de que se comporta como um animal irracional, um jumento que não tem entendimento (11.12) ao não perceber a sabedoria divina na condução das coisas. Para Zofar, Jó valeu-se na sua defesa de palavras exageradas (11.2), desrespeitosas (11.3), cheias de justiça própria (11.4) e ignorantes sobre as coisas de Deus (11.5,6).

2. Deus não é indiferente à ação do ímpio. O terceiro amigo de Jó acreditava que ele havia se autodeclarado “puro” e “sem culpa” (Jó 11.4; cf. 9.21; 10.7). Cria também que Deus não é indiferente à ação do ímpio como Jó parecia ter sugerido. Assim, para Zofar, se Deus debatesse com Jó, como era desejo deste, então não haveria dúvidas de que Ele ficaria contra o patriarca e não ao seu favor. Nesse embate, Deus revelaria a Jó os segredos de sua sabedoria e o homem de Uz veria que Ele estava sendo sábio em tratá-lo como merecia. Logo, Jó seria condenado.

3. Tolos se passando por sábios. Jó reage com ironia à “sabedoria” defendida anteriormente por seus amigos (“vós”, Jó 12.2) e agora por Zofar. Este, juntamente com seus amigos, havia se levantado como legítimo representante do verdadeiro saber. Zofar, pois, pretende representar o próprio Deus em seu discurso (Jó 13). Todavia, Jó está convencido de que isso não passava de charlatanismo: “Vós, porém, sois inventores de mentiras e vós todos, médicos que não valem nada” (Jó 13.4). Ele, portanto, está resoluto em deixar os amigos e ir à procura de Deus: “Mas eu falarei ao Todo-Poderoso; e quero defender-me perante Deus.” (Jó 13.3). O patriarca estava certo de que havia uma sabedoria do alto, que seus amigos desconheciam por completo, e, quando revelada, ficaria ao seu lado (cf. cap.28).

No lugar dos julgamentos dos homens, há uma sabedoria do alto que sonda os corações dos que são chamados pelo nome do Senhor, pois este não vê como os homens veem (1º Sm 16.7).

Deus é grande e sábio; os amigos de Jó tentam se passar como representantes dessa sabedoria.

II. A CONVERSÃO COMO RESPOSTA À AFLIÇÃO

1. Purificação moral. Nos versículos 13-20 do capítulo 11, Zofar conclui seu discurso sobre a situação de Jó. Ele não tem dúvidas de que o patriarca está em pecado e, por isso, a única forma de ele se restabelecer é por meio de uma purificação moral. Zofar, portanto, conclama Jó ao arrependimento e conversão. Ele enumera três passos para que isso aconteça: conduta correta (v. 13); oração (v. 13) e renúncia ao pecado (11.14). Então, segundo Zofar, se Jó cumprisse essas condições, reconhecendo que estava em pecado, Deus o restauraria de sua miséria. Entretanto, a ideia de arrependimento de Zofar é mais de natureza externa do que interna. O que está em vista é uma teologia do moralismo salvífico em vez da graça divina. Nesse aspecto, o arrependimento não passava de um mero ritual. Na teologia de Zofar a simples prática desses ritos trazia consigo o poder de conferir o favor divino. Na verdade, isso era o que se conhece hoje como legalismo religioso.

2. É possível negociar com Deus? Estudiosos destacam que Zofar tenta induzir Jó a negociar com Deus a fim de se ver livre de suas dificuldades. Era exatamente isso que Satanás desejava que Jó fizesse (Jó 1.9). O Diabo acusou Jó de ter uma fé interesseira, com base nas promessas de prosperidade em troca de sua obediência. Se Jó tivesse seguido o conselho de Zofar, teria feito exatamente o que o Inimigo queria.

3. A angústia de Jó. Diante das insistentes acusações dos amigos e do silêncio de Deus, Jó dá sinais de desânimo (cap.12-13). Ele manifesta de vez toda a sua condição humana. O justo sofre!

Se Jó seguisse o conselho de Zofar estaria assinando um termo de confissão. Assumindo algo que não havia feito. Ele sabia de sua integridade e, por isso, não se sujeita a esse capricho do amigo. Isso o lança num dilema angustiante. No capítulo 14, ele demonstra que sua esperança está desvanecendo, comparando-se a uma flor que é cortada, uma sombra que desaparece e um empregado que trabalha, mas que logo é dispensado. Qual o sentido da vida nessas circunstâncias? Haveria esperança? Jó parece estar desiludido. Até mesmo uma árvore quando tem seu tronco cortado volta a ter brotos novamente, mas isso não acontecia com o homem. Nesse aspecto, o homem se assemelhava mais a água que evapora ou que se infiltra na terra. Diante desse quadro, Jó se pergunta: “Morrendo o homem, porventura, tornará a viver?” (Jó 14.14). Era a pergunta de um homem crente e piedoso, porém, angustiado, que não tem medo de expressar sua verdadeira condição humana.

Zofar tenta uma espécie de purificação moral de Jó, conclamando-o ao arrependimento ritualístico.

4. “Exortação à humildade e ao arrependimento (11.13-20). Zofar foi insensível até aqui, a ponto de ser ríspido em seu tratamento com Jó. Mas ele não entregou os pontos em relação ao seu antigo amigo como se fosse um caso perdido. Ainda existe a oportunidade de Jó recuperar-se da sua terrível condição. Visto que ele está certo de que algum pecado cometido por Jó é a raiz da sua condição e que o sofrimento de Jó resulta desse pecado, a resposta é simples. Jó deveria estar aberto e humilhar-se em relação ao seu mau procedimento. Isso exige reparação, inclusive uma preparação apropriada do seu coração (13) para colocá-lo num relacionamento correto com Deus. Estende as tuas mãos para ele subentende súplica em oração para remover a iniquidade da sua vida e do seu lar (13-14). Quando isso for feito, Jó estará apto a levantar o seu rosto sem mácula (15). Sua vida será mais radiante e alegre do que antes. Todas as causas do medo serão removidas, e em seu lugar haverá segurança e esperança em sua vida (17-19). Zofar pede para ele olhar em volta. Muitos acariciarão o teu rosto (19) significa: ‘Muitos procurarão o seu favor’ (NVI)” [CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 50].

III. DEUS JULGA E CASTIGA OS PECADORES

1. O castigo dos maus. O capítulo 20 contém o segundo discurso de Zofar. Nele, Zofar lembra a Jó que a aparente prosperidade dos ímpios não passa de ilusão e dura apenas um instante. Na verdade, ele repete o que os seus outros amigos já há muito vinham dizendo (Jó 20.5). Os versículos 12 a 14 desse mesmo capítulo são usados por Zofar para comparar o deleite do ímpio à uma comida envenenada. Ela pode saciar, mas proporcionará uma digestão trágica (Jó 20.14). Dessa forma, tudo o que o ímpio adquiriu de forma desonesta e pecaminosa terá que devolver e restituir (Jó 20.18). Esse ímpio terá como adversário o próprio Deus, que o julgará e punirá (Jó 20.27-29).

2. Jó diante de um paradoxo. O capítulo 21 traz a resposta de Jó ao argumento de Zofar. Para o patriarca a tese de Zofar de que os ímpios são sempre punidos era contraditada pela experiência. Os ímpios poderiam sim ser punidos, mas isso nem sempre parecia acontecer, conforme descrito: “Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder?” (Jó 21.7). Jó havia constatado que os ímpios pareciam gozar de longevidade e prosperidade (Jó 21.8). Além de terem vida longa, eles passavam seus dias em total regalia e morriam em total felicidade, como podemos constatar neste versículo: “Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura” (Jó 21.13 - ARA).

3. A verdade vem à tona. A lei da retribuição não se aplica a todas as esferas da existência humana nem explica os caminhos soberanos do Altíssimo, pois Deus também “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt 5.45).

Zofar diz que todos os maus são punidos, mas Jó apresenta um paradoxo: a experiência mostra que muitos deles são bem sucedidos.

4. Jó um homem de fé. “Após sua grande declaração de fé em 19.25-27, Jó consegue alcançar um grau marcante de serenidade. Mesmo depois das conclusões mordazes do discurso de Zofar, ele não reage com o mesmo tipo de tensão emocional que caracterizam seus discursos anteriores. Neste capítulo ele começa a pensar mais claramente acerca das questões levantadas em vez de gastar suas energias em erupções emocionais que descrevem seu sofrimento e frustração. No ciclo de discursos, a preocupação de Jó era com o fato de sentir que Deus havia se tornado seu inimigo. Em seguida, ele foi esmagado ao perceber que seus amigos o desertaram, a ponto de se colocarem contra ele. Mas agora o discurso de Zofar faz com que Jó assuma uma posição positiva em relação aos argumentos dos seus amigos. Ele contradiz esses argumentos com evidência prática. Ele constata que prosperidade e retidão não andavam invariavelmente juntas. Também fica evidente pela observação da vida que a maldade nem sempre é castigada” [CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014 p.64].

CONCLUSÃO

Vimos como Jó continua sua defesa contra os argumentos de seus amigos, que insistem em acusá-lo de pecado. Ele está convencido de que é inocente e que não cometeu nada que justifique tamanho sofrimento. Os amigos de Jó, por desconhecerem as razões de seu sofrimento, o acusam de forma impiedosa; e patriarca, por desconhecer a ação de Deus nesse episódio, chega ao limite do desespero e desesperança. Todavia, como das outras vezes, mesmo angustiado e não sabendo como Deus permite tudo isso, Jó não diz palavras blasfematórias contra o seu Criador.

Comentarista: José Gonçalves. A Teologia de Zofar: O justo não passa por tribulação? Lições bíblicas 4º Trimestre de 2020 – CPAD Rio de Janeiro RJ.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

A TEOLOGIA DE BILDADE: SE HÁ SOFRIMENTO, HÁ PECADO OCULTO?

 


Jó 8.1-4 “Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse: 2 - Até quando falarás tais coisas, e as razões da tua boca serão qual vento impetuoso? 3 - Porventura, perverteria Deus o direito, e perverteria o Todo-Poderoso a justiça? 4 - Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão.

Jó 18.1 “Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse: 2 - Até quando usareis artifícios em vez de palavras? Considerai bem, e, então, falaremos. 3 - Por que somos tratados como animais, e como imundos aos vossos olhos? 4 - Ó tu, que despedaças a tua alma na tua ira, será a terra deixada por tua causa? Remover-se-ão as rochas do seu lugar?

Jó 25.1-5 “Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse: 2 - Com ele estão domínio e temor; ele faz paz nas suas alturas. 3 - Porventura, têm número os seus exércitos? E para quem não se levanta a sua luz? 4 - Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce da mulher? 5 - Olha, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos. 6 - E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho!

INTRODUÇÃO

Veremos neste estudo, estudaremos a teologia do segundo amigo de Jó, Bildade. Veremos que ela apresenta o caráter justo e reto de Deus em contraposição ao suposto pecado oculto de Jó. Estudaremos também a defesa de Bildade por uma moralidade rígida, fundamentada em meros preceitos religiosos, sem, contudo, guiar-se por princípios espirituais. E, finalmente, analisaremos a ideia de que, segundo Bildade, Deus é um ser muito distante e que, devido a sua onipotência e grandeza, está muito longe do mortal. Ele, portanto, é inacessível. Ao longo de cada argumento de Bildade, veremos a contraposição de Jó.

I. O PECADO EM CONTRASTE COM O CARÁTER JUSTO E SANTO DE DEUS

1. Deus é justo e reto. A teologia de Bildade (Jó 8.1-22) possui semelhanças com a de seu amigo, Elifaz. Para esse segundo amigo, as ações de Jó não poderiam ser justificadas, pois elas condenavam a Deus, revelando que Ele punia pessoas justas. Por outro lado, como Deus não era injusto, então, Jó deveria reconhecer o seu pecado, pois ele estava sendo terrivelmente afligido. Assim, a teologia de Bildade pode ser classificada em duas esferas: a dos maus e a dos bons. Por exemplo, Bildade assevera que os filhos de Jó foram mortos porque eram maus (8.4); por outro lado, como um homem que alegava ser justo e bom, Jó poderia desfrutar novamente do favor de Deus se reconhecesse o seu pecado (Jó 8.5).

2. Uma compreensão limitada da natureza de Deus. Bildade traz consigo uma compreensão incompleta e limitada da natureza de Deus, o que faz com que ele pense que o sofrimento de Jó seja a consequência de um pecado oculto. Assim, outra compreensão é evidente: Jó deve demonstrar que é realmente bom e que merece o favor de Deus. É uma teologia que destaca uma meritocracia humana no processo de justificação diante de Deus: “Mas, se tu de madrugada buscares a Deus e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia, se fores puro e reto, certamente, logo despertará por ti e restaurará a morada da tua justiça” (8.5,6). Logo, o enfoque de Bildade não é a graça que flui de Deus, mas o esforço humano que, por mérito próprio, pretende justificar o homem diante de Deus.

3. A imperfeição humana. Diante da defesa teológica feita por Bildade, Jó pergunta: “Como se justificaria o homem para com Deus?” (Jó 9.2). Ora, Deus é infinitamente sábio e justo. Jó está consciente de que nenhuma perfeição humana o habilitará a aproximar-se de Deus. Dessa forma a autopurificação não passava de presunção: “Ainda que me lave com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão, mesmo assim me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão” (Jó 9.30,31).

A linguagem é poética, mas ela afirma objetivamente a doutrina da santidade de Deus e a pecaminosidade humana. Deus é santo e Jó, um pecador. Entretanto, essa não era a questão para Jó. O grande questionamento dele poderia ser feito da seguinte forma: “É verdade que onde há sofrimento há pecado?” Seus amigos responderiam: sim; Jó, um retumbante não.

Deus já havia testemunhado acerca da integridade e da justiça de Jó. Isso deixa claro que nem sempre o sofrimento é fruto de uma imperfeição moral ou resultado de um pecado pessoal. Esse era o caso de Jó.

I. O PECADO VISTO COMO QUEBRA DA MORALIDADE TRADICIONAL

1. Moralismo por tradição. Bildade (Jó 18.1-21) também está comprometido na defesa da moralidade que ele acredita ser a correta. Para ele não havia nada errado quando fez a defesa da justiça divina, da mesma forma que acreditou estar correto quando defendera a moralidade dos seus dias. Todavia, não podemos falar de uma ética ou teologia moral de Bildade, mas simplesmente de um moralismo fundamentado na tradição (18.1-21).

2. A subversão da ordem moral. Na verdade, Bildade simplesmente repete o que já vem sendo defendido por gerações passadas, todavia, acrescentando alguns contornos aos seus pressupostos teológicos. Para ele as desgraças sofridas por Jó ocorreram por causa da quebra da moralidade estabelecida. Como o entendimento de Bildade era o de que o universo é controlado por leis morais inflexíveis, ao quebrá-las Jó sofreu as consequências da mesma forma que sofre quem quebra a lei da gravidade. Nesse aspecto, praticar a justiça é se ajustar à dinâmica dessas leis morais.

Bildade acreditava que de nada adiantava Jó achar que os maus prosperavam, pois isso era apenas ilusão. No seu entendimento, a prosperidade dos maus assemelhava-se as raízes de uma árvore que foram cortadas, cujos ramos, embora mantenham a aparência de verdor por algum tempo, todavia, necessariamente murcharão (18.12-16). Ao não reconhecer isso, Jó estaria tentando subverter a ordem moral aceita.

3. Contemplando a cruz. O capítulo 19 é dedicado à defesa de Jó. É inegável que Jó sabia que Deus atua em um universo moral e que tudo o que acontece está sob seu controle. O homem de Uz estava convicto de que não havia quebrado nenhuma lei moral, sendo, portanto, inocente e que o seu sofrimento não teria razão aparente. Mas diante das acusações dos amigos, ele está disposto a abandonar toda tentativa de se autojustificar (Jó 19. 21-24). Ele quer abandonar toda instância humana e apelar para um mediador (redentor) que defenderá sua causa. Ele não quer mais se defender; ao invés disso, apela para alguém totalmente justo, que vai ficar entre ele e Deus. É ai que ele contempla a cruz: “Eu sei que meu redentor vive” (v. 25). A palavra “redentor” traduz o hebraico goel e significa alguém que defendia um familiar quando este não podia fazer sua própria defesa.

Os primeiros líderes da Igreja entendiam que Jó predisse a ressurreição que será efetuada por Cristo no final dos tempos e da qual ele participará. O patriarca queria a intercessão desse justo, imparcial e eficiente mediador.

4. “Bildade disfere um segundo ataque contra Jó. No seu primeiro discurso (Jó 8), ele lhe tinha dado encorajamento para ter esperança de que tudo lhe sairia bem. Mas aqui não há uma palavra sequer sobre isto; ele ficou mais irritante, e está tão longe de ser convencido pelos argumentos de Jó que está ainda mais exasperado.

I. Ele reprova Jó de maneira contundente, como sendo arrogante e inflamado, e obstinado na sua opinião (vv. 1-4).

II. Ele detalha a doutrina que tinha apresentado antes, a respeito da miséria dos ímpios e a ruína que os acompanha (vv. 5-21). Aqui, ele parece, o tempo todo, se fixar nas queixas de Jó sobre a infeliz condição em que se encontrava, de que ele estava nas trevas, confuso, preso, aterrorizado, e apressando-se para deixar o mundo. ‘Esta’, diz Bildade, ‘é a condição de um homem ímpio; e, portanto, és um deles’. […] Aqui Bildade dispara suas flechas, e também suas palavras amargas, contra o pobre Jó, sem pensar que, embora ele (Bildade) fosse um homem sábio e bom, neste caso estava servindo os desígnios de Satanás, contribuindo para a aflição de Jó” [HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.92].

III. O PECADO EM CONTRASTE COM A MAJESTADE DE DEUS

1. A grandeza de Deus. O terceiro discurso de Bildade é feito para exaltar Deus e rebaixar Jó (Jó 25.1-6). Não há como negar que o longo debate entre Jó e seu amigo, esgotou o poder argumentativo de Bildade, o que fez com que ele repetisse várias vezes o que já havia dito. Na verdade, o seu último discurso não traz nada de novo.

No capítulo 25 ele destaca a onipotência divina. Deus é grande e poderoso (v.2). Por isso nada há de errado quando Bildade defende a majestade do Altíssimo. Todavia, como alguns autores destacam, Bildade acaba por criar um abismo que não existe entre a criatura e o Criador. O Deus defendido por ele não é o revelado na Bíblia. As ideias de Bildade se antecipam àquela defendida milênios depois pelo deísmo do final do século XVIII. Segundo os deístas, Deus criou o mundo, mas ausentou-se dele.

2. Onipotente, mas não ausente. Jó responde a Bildade com ironia: “Como ajudaste aquele que não tinha força e sustentaste o braço que não tinha vigor!” (Jó 26.2). Aqui, Jó não questiona a onipotência divina, mas a aplicação que Bildade faz desse conceito. O conceito de um Deus grandioso, que é soberano em suas ações, não deveria vir acompanhado também do conceito de um ser compassivo e amoroso? Deus não deve ser visto apenas em sua força, mas, sobretudo, por seu amor. Ele nunca exaltou seu poder e grandeza acima do seu amor. Ele não disciplina simplesmente porque é grande, forte e soberano, mas porque ama.

Diferentemente do conceito apresentado por Bildade, o Deus que a Bíblia apresenta é poderoso e glorioso, mas, principalmente, misericordioso e gracioso. Temos de cuidar para que no momento do sofrimento não manchemos a imagem de um Deus que não é só força, mas igualmente amor.

3. Deus é Exaltado e o Homem é Abatido (vv.1-6). “Bildade deve ser elogiado aqui, por dois motivos: 1. Por não mais falar sobre o assunto sobre o qual ele e Jó divergiam. Talvez ele começasse a pensar que Jó estava certo, e então era justo não dizer mais nada sobre isto, como alguém que disputava pela verdade, ficaria satisfeito em ceder a vitória; ou, se ainda se julgasse certo, ainda assim sabia quando já tinha dito o suficiente, e não discutiria incessantemente pela última palavra. Talvez, na verdade, uma razão pela qual ele e os demais deixaram diminuir este debate foi o fato de que percebiam que Jó e eles mesmos não divergiam tanto em opinião como pensavam: eles reconheceram que os ímpios podiam prosperar por algum tempo, e Jó reconheceu que eles seriam destruídos, no final; quão pequena, então, era a diferença! Se os contendores entendessem melhor, uns aos outros, talvez se encontrassem mais próximos uns dos outros, do que imaginavam.

Por falar tão bem sobre o assunto em que ele e Jó estavam de acordo. Se tivéssemos os nossos corações cheios de pensamentos respeitosos e reverentes sobre Deus e pensamentos humildades sobre nós mesmos, não seríamos tão propensos como somos a contender por questões de duvidosa controvérsia, que são assuntos intricados ou insignificantes” [HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.125].

CONCLUSÃO

Nesta lição vimos que o debate entre Bildade e Jó assume alguns contornos teológicos muito relevantes. Bildade faz três discursos teológicos e em cada um deles põe em destaque a sua crença. Ele não crê na inocência de Jó e, por isso, atribui o seu sofrimento à existência do pecado. Assim, ele orienta Jó a viver segundo os ditames da tradição e, como consequência, o empurra para um moralismo de natureza apenas religiosa. Por último, quando quer exaltar a grandeza de Deus a qualquer custo, acaba por criar um abismo intransponível entre o Criador e a criatura.

Comentarista: José Gonçalves. Lições bíblicas 4º Trimestre de 2020 – CPAD Rio de Janeiro RJ.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

A TEOLOGIA DE ELIFAZ: SÓ OS PECADORES SOFREM?

 


Jó 4.1-8 “Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: 2 - Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderia conter as palavras? 3 - Eis que ensinaste a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas. 4 - As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido. 5 - Mas agora, que se trata de ti, te enfadas; e tocando-te a ti, te perturbas. 6 - Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a integridade dos teus caminhos? 7 - Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? 8 - Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeiam mal, segam o mesmo.”

Jó 15.1-4 “Então respondeu Elifaz o temanita, e disse: 2 - Porventura proferirá o sábio à sabedoria? E encherá do vento oriental o seu ventre, 3 - Arguindo com palavras que de nada servem, e com razões, de que nada aproveita? 4 - E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus. 

Jó 22.1-5 “Então respondeu Elifaz, o temanita, dizendo: 2 - Porventura será o homem de algum proveito a Deus? Antes a si mesmo o prudente será proveitoso. 3 - Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou algum lucro em que tu faças perfeitos os teus caminhos? 4 - Ou te repreende, pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo?”

INTRODUÇÃO

Na lição, iremos estudar a teologia de Elifaz, o temanita; veremos também os debates teológicos travados entre Jó e seus amigos. Analisaremos os principais argumentos de Elifaz, que sustenta uma teologia errônea, afirmando que o justo não pode sofrer. Por fim, veremos segundo a Palavra de Deus os propósitos do sofrimento a qual o Justo pode ser submetido.

I. INFORMAÇÕES SOBRE ELIFAZ

1. Elifaz. É um nome que, em hebraico, traz um forte emblema: “Meu Deus é forte”. Infere-se daí tenham sido seus pais gente de reconhecida piedade. [...] Além de sua amizade com Jó, a única coisa que de Elifaz sabemos é a sua procedência. Era originário de Temã que, segundo se pode apurar, ficava no território que viria a ser ocupado pelos filhos de Edom. Alguns comentaristas são de opinião de que esse diminuto reino não passava de um território localizado no Norte da Arábia. O fato de haver Elifaz discursado em primeiro lugar revela sua avançada idade e posição social. Talvez fosse até o regente de Temã. Mostra-nos isto também que Jó era um homem bem relacionado. Entre os seus amigos, reis e príncipes [ANDRADE, 2006 p. 135].

II. OS DEBATES TEOLÓGICOS NO LIVRO DE JÓ

Os discursos dos três amigos de Jó contêm elementos de verdades, mas devem ser cuidadosamente interpretados no contexto. O problema dos amigos não se achava tanto no que sabiam, mas, sim, no que não sabiam: o sublime propósito de Deus ao permitir que Satanás esbofeteasse Jó (NVI, 2003, p. 815). Além disso, O Senhor repreende a Elifaz e aos seus dois amigos porque não falaram de Deus aquilo que era reto (Jó 42.7). Esta é razão pela qual devemos analisar os discursos dos amigos segundo o contexto geral das Escrituras Sagradas.

1. O livro de Jó é marcado pelos diálogos: dois deles entre Deus e Satanás (Jó 1.6; 2.13) e mais dois entre Deus e Jó (Jó 38.1; 42.6). E entre Jó e seus amigos (Jó 3.1; 31.40), além de quatro discursos de Eliú (Jó 32.1; 37.24). Esses diálogos, principalmente entre Jó e seus amigos, revelam a teologia que cada um deles sustentavam. 

2. A Teologia de Elifaz (Jó 4-5; 15; 22). Elifaz acreditava que o sofrimento indicava pecado. Elifaz declara que o Senhor não permite que aconteçam problemas ao inocente, querendo dizer que Jó deveria estar em pecado. “[...] Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo” (Jó 4.8). Com essas palavras Elifaz acusa Jó de pecado.

3. A Teologia de Bildade. Bildade entendia que se há sofrimento, há pecado oculto: “Acaso Deus torce a justiça? Será que o Todo-poderoso torce o que é direito? Quando os seus filhos pecaram contra ele, ele os castigou pelo mal que fizeram” (Jó 8.3-4). A argumentação de Bildade se resume da seguinte maneira: Deus não pode ser injusto, logo Jó e sua família estão sofrendo por causa do pecado. Então se houver um pedido por misericórdia o Senhor perdoaria a Jó (Jó 8.5,6). 2.4 A Teologia de Zofar. Zofar compreendia que o justo não passa por Tribulação: “[...] e te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; pelo que sabe que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniquidade” (Jó 11.6). O que está nas entrelinhas dessa afirmação de Zofar é a sua convicção de que o sofrimento de Jó viera, de fato, em razão de um pecado cometido [GONÇALVES, 2020, p. 139].

III. A TEOLOGIA DE ELIFAZ

A teologia de Elifaz como pode ser verificada nas suas palavras proferidas a Jó, é uma teologia baseada na causa e efeito, ou seja, recompensa para os justos e punição para os ímpios. É uma argumentação tão rígida que para Elifaz, o inocente não pode sofrer nenhum dano, somente os pecadores passam por dores e aflições. Notemos: 3.1 Os homens colhem aquilo que semeiam (Jó 4.7-11). Elifaz sustentou uma teologia de caráter retributiva; se Jó está sofrendo é devido algum mal que fez: “Lembra-te, agora: qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo” (Jó 4.7,8). Em linhas gerais, defendia Elifaz: se formos fiéis a Deus, e se lhe prestarmos a adoração que Ele nos requer, seremos abençoados de tal forma, que nenhuma desventura nos atingirá. [...] Em linguagem popular: um toma-lá-dá-cá. Ressaltava Elifaz contentar-se Deus com um relacionamento meramente comercial com o ser humano [ANDRADE, 2006 p. 137].

1. Arrependimento em troca de bênçãos (Jó 22.23,24). No terceiro discurso de Elifaz, ele deixa transparecer uma visão puramente simplista e mercantil do arrependimento: “[...] se te converteres ao Todo poderoso, serás edificado; afasta a iniquidade da tua tenda. Então, amontoarás ouro como pó e ouro de Ofir, como pedras dos ribeiros” (Jó 22.23,24). Elifaz está equivocado nesse aspecto; nem sempre o arrependimento sincero resulta em prosperidade material. Homens piedosos podem ser abandonados, perseguidos e maltratados por causa de sua fé, o melhor exemplo disso está na galeria dos heróis da fé (Hb 11.32-38).

2. Os pecadores sofrem nesta terra (Jó 15.17-35). Os amigos de Jó afirmavam, com razão, que o orgulho humano (Jó 15.27; 20.6), a ambição pelas riquezas (Jó 15.28-29; 20.21-21) e a exploração dos pobres (Jó 20.19; 24.21) são pecados que Deus castiga. Mas o seu erro consistia em pensar que esse castigo viria sempre aqui na terra e que seria na mesma medida das ofensas praticadas (Jó 29-35) (NTHL, 2012. p. 572). A Palavra de Deus assegura que o castigo dos ímpios não está limitado a essa existência terrena; se não houver arrependimento sincero diante Deus e abandono das práticas pecaminosas, resta para o homem o sofrimento terrível (Mt 13.42,50; Mc 9.47,48; 25.30) e também eterno (Dn 12.2; Mt 7.13; 25.46).

IV. VERDADES QUE PODEMOS EXTRAIR DO SOFRIMENTO

1. Há propósitos positivos do sofrimento. Se confiarmos em Deus, a dor e o sofrimento pode servir alguns propósitos positivos, incluindo:

(a) Conseguir a nossa atenção.

(b) Permitir que Deus demonstre seu poder (Jo 9.1-3).

(c) Pôr à prova nossa integridade (Jó 2.1-3).

(d) Produzir perseverança e caráter (Rm 5.3-5).

(e) Proporcionar disciplina (Hb 12.10,11).

(f) Eliminar o orgulho egoísta (2ª Co 12.7).

(g) Desenvolver maturidade (Tg 1.2-4).

(h) Edificar a fé (1ª Pd 1.3-7).

(i) Ajudar-nos a nos relacionar com Cristo e a sermos mais parecidos com Ele (Rm 8.28-29).

(j) Proporcionar oportunidade para servir e consolar outras pessoas (2ª Co 1.3-6).

(l) Modificar nossa perspectiva das coisas terrenas para as coisas eternas (2Co 4.17,18).

(m) Fazer com que os rebeldes se convertam a Deus (1ª Co 5.1-5) [STAMPS, 2018, p. 629].

2. No sofrimento adquirimos maturidade. As provações nos tornam maduros e completos (Tg 1.4). Diversos personagens da Bíblia tiveram seu caráter moldado pelas situações adversas que enfrentaram, a saber:

(a) Abrão amadureceu na fé através circunstâncias difíceis pelas quais foi submetido (Gn 12.1-3; 10-20; 22.1-18).

(b) As aflições que José enfrentou o prepararam e o conduziram para o que Deus prometeu (Gn 45.5-8).

(c) O deserto e a escassez de alimentos serviram para moldar a nação de Israel (Dt 8.1-3). Paulo tinha essa consciência, por isso asseverou: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28).

3. O sofrimento é passageiro. Todos os sofrimentos e dificuldades deste tempo presente - doenças, sofrimentos, dor, desapontamentos, injustiça, maus tratos, angústias, perseguição e dificuldades de todo tipo – devem ser consideradas insignificantes, quando em comparação com as bênçãos, os privilégios e a glória que será dada aos seguidores de Cristo na eternidade: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18). Diante dos privilégios que teremos no céu com o Senhor, o sofrimento do cristão é passageiros (Mt 5.12; 2ª Co 4.10; 2ª Co 4.17; Fp 3.20; 1ª Pd 4.13; 1ª Jo 3.1-2). Chegará um dia que Deus: “limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Ap 21.4).

CONCLUSÃO

Concluímos que, a Teologia de Elifaz se resume em um falso raciocínio, que o justo não pode sofrer; somente quem sofre são os pecadores. No entanto, a palavra de Deus declara: “...no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. O sofrimento faz parte da vida cristã (2 Tm 3.12), mas um dia Deus enxugará todas as lágrimas (Ap 21.4).

FONTE DE PESQUISA

1. ANDRADE, Claudionor Correia. O problema do Sofrimento do Justo e o seu propósito. CPAD, 2011.

2. Bíblia Sagrada. Almeida Corrigida Fiel. Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil. 2007.

3. Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012.

4. GONÇALVES, Josué. A Fragilidade Humana e a Soberania Divina: o sofrimento e a restauração de Jó. CPAD, 2020.

5. STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal para Juventude. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.