TEOLOGIA EM FOCO

terça-feira, 28 de novembro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NO CULTO


A importância do louvor a Deus no culto consiste essencialmente em três coisas fundamentais:
1º) QUEM LOUVA
2º) COMO LOUVA
3º) A QUEM LOUVA

Podemos afirmar com toda a convicção que o louvor requer das pessoas condições que as diferenciam das demais, pois conforme está escrito em 2º Cr 5.l2, “Todos os levitas que eram cantores, Asafe, Hemã, Jedutum, e seus filhos, vestidos de linho puro...” ou seja; se caracterizam através de sua santificação, uma vez que o linho puro significa o símbolo de veste perfeita, santidade e coração puro conforme Ap 19.8 que diz “O linho puro são os atos de justiça dos santos”.

Tiago nos escreve na sua carta dizendo: “Está alguém entre vós aflito? Ore. Está alguém contente? Cante Louvores” (Tg 5.13).

Existem hinos de adoração, ensino, inspiração, desafio, súplica e tantos outros; mas para cada finalidade deve ser usado o cântico adequado. Por isso a música pode e deve ser planejada, cabendo ao dirigente do culto a organização dos louvores.

1. Prelúdio. A entrada das pessoas no local do culto tem muita importância no processo da adoração. Os músicos devem usar (executar), músicas repousantes, tranquilas, como prelúdio, a fim de que todas as pessoas se tornem uma unidade espiritual, livre de preocupações, pressa ou excitações, preparadas para adorar ao Senhor. A música para o prelúdio deve ser calma, introspectiva e confortadora.

2. Canto congregacional. As pessoas que vêm cultuar a Deus devem cantar. O cântico faz parte da integração pessoal e a participação de todos é essencial. O ouvir a mensagem é uma parte definida do culto. Um hino é uma oportunidade para a congregação declarar sua experiência e se regozijar coletivamente na doutrina cristã.

Em algumas igrejas hoje existem muitas apresentações e pouco louvor congregacional. A igreja quase não participa da adoração, mas mera assistente dos apresentadores.

Por ocasião da reforma, Lutero restabeleceu o uso do canto congregacional, por compreender a importância da música no culto divino, com a participação dos fiéis nos louvores ao Senhor.

3. Interlúdio. Os hinos devem ser cuidadosamente selecionados, como a própria mensagem o é. O dirigente do culto deve ter em mente todas as sequências do culto, para que junto com o ministro do louvor, ambos sejam conscientes de seus deveres, consultando-se mutuamente.

4. Ofertório. O ofertório tem lugar antes da pregação, enquanto a congregação louva os ofertantes contribuem para manutenção da obra de Deus. O louvor serve para recolher a oferta e servir de preparatório para a pregação central do culto.

5. Apelo. A música tem seu valor também no apelo. O hino de apelo é tão parte do culto como é o próprio sermão. Cabe ao ministro de louvor executar um hino de acordo com a mensagem.

Raramente convém mudar os hinos durante o apelo. É bom começar com um hino e manter vívido o seu chamado e sua mensagem.

O louvor deve ser usada no momento certo, de maneira certa e de conformidade com a mensagem explanada.

6. Poslúdio. É uma música de encerramento executada geralmente pela orquestra ou grupo de louvor.
As pessoas raramente ouvem o poslúdio. Isso não significa que ele seja desnecessário; ele tem seu efeito próprio.

O poslúdio propicia aos membros da igreja a cumprimentar os demais membros, possibilitando, em fim um momento salutar de confraternização.


A música ou o hino utilizado no poslúdio deve ter efeito acolhedor, cordial e de harmonia entre os crentes e demais visitantes.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NA IGREJA


Como isso se traduz em ação prática para a Igreja hoje? Quais os princípios que existem nas Escrituras que podem nos direcionar para a música na Igreja? Música na casa de Deus é bem destacada no reinado do Rei Davi. Davi era um homem segundo o coração de Deus porque, antes de qualquer coisa, Davi sabia como cantar, bradar e dançar diante do Senhor.

“E Davi ordenou aos chefes dos levitas que designassem alguns dos seus irmãos como cantores, para tocarem com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, e levantassem a voz com alegria” (1º Cr 15.16).

O texto acima mostra-nos a importância e a antiguidade da música no culto a Deus. No reino de Davi o ministério da música era colocado em pé de igualdade com o sacerdócio.

Davi era um rei pastor que tinha a música em seu coração. Quando ainda bem jovem já tocava a sua harpa e afugentava os espíritos malignos da casa de Saul com as suas doces melodias. Ele se tornou mais tarde num grande compositor. Muitos dos nossos salmos foram compostos por ele.

Davi tinha cerca de 4 mil cantores e duzentos e oitenta e oito professores de música. Sua equipe estava dividida em 24 turnos, e o povo louvava ao Senhor perante a Arca do Concerto.

Há muitas coisas importantes que precisamos considerar quanto à música na igreja. Que tipo de instrumento devemos usar? E aqui as opiniões se divergem e é impossível agradar a todos. Embora tendo as minhas preferências, julgo que o problema não está nos instrumentos e sim nos instrumentistas. Estes, antes de afinarem seus instrumentos, devem afinar as suas vidas com Deus. Antes de serem instrumentistas, precisam ser verdadeiros adoradores. Aquele que tem a incumbência de conduzir o povo de Deus à adoração precisa estar cultuando a Deus em espírito e em verdade.

As letras e os ritmos dos nossos cânticos e hinos são importantes. Há cânticos que não dizem nada. Em alguns nem mesmo o nome de Deus aparece uma só vez; outros são repletos de erros doutrinários, abrindo caminho para a entrada de heresias no seio das igrejas; e há ainda aqueles que dão aos crentes um atestado de ignorância pela maneira como atropelam a língua portuguesa. Mas há, também, bons cânticos. Letra e música sérias. Alguns até chegam a entrar em nossos hinários e se perpetuam. Os que são bons ficam. Aqueles que não têm qualidade musical andam vagando, mudando de cara em cada lugar onde chegam, acabando, graças a Deus, por desaparecerem.


Precisamos cantar mais. Temos razões de sobra para cantar. Cantamos na vida e na morte. Mas devemos cantar de maneira consciente e coerente com a nossa fé. Músicas com letras que façam pensar; letras com músicas que façam sentir. Sem nunca perdermos de vista que o nosso Deus exige decência e ordem em tudo. Não há lugar para barulho ou desordem num culto verdadeiramente espiritual.

Pr. Elias Ribas

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

OS INSTRUMENTOS MUSICAIS NO LOUVOR



O propósito deste capítulo é examinar principalmente o uso e abuso dos instrumentos musicais na adoração das igrejas do Senhor. Este é um grande assunto e temos convicções pessoais fortes que ansiamos expressar, mas intencionalmente nos limitamos. Não espere que cheguemos nem mesmo à superfície. Algumas áreas de consideração – tais como orquestras da igreja, bandas de adoração, grupos instrumentais, sistemas de som, teclados eletrônicos e música com playback – serão completamente excluídas, salvo esta menção.

I.         OS INSTRUMENTOS MUSICAIS SÃO BÍBLICOS?

Como já vimos, há referências na Bíblia, inclusive vários exemplos, do uso de instrumentos musicais na adoração (2º Sm 6.5; 1º Cr 15.16, 16.4-6, 25.1 e 6; 2º Cr 29.25, 28; Ne 1.27; Sl 33.1-3, 68.24-25, 71.22, 150.1-6; Ap 14.1-3, etc.). Há quem argumente que sendo estes instrumentos incorporados como parte da adoração no templo, durante o período do Velho Testamento – e já que a adoração no templo foi abolida em Cristo – não existe a necessidade de instrumentos musicais nas igrejas hoje. Por outro lado, a crença mais comum é que os instrumentos de música (embora não requeridos) são permitidos. É esta segunda opinião que defendemos neste capítulo.

1. Os instrumentos, sem dúvida, foram usados na adoração no templo durante o Velho Testamento, mas também eram usados em outras ocasiões. Por exemplo, depois que Deus libertou a nação de Israel da escravidão egípcia e a fez atravessar o Mar Vermelho a salvo, o povo cantou ao Senhor o hino de Êxodo 15, sendo acompanhado evidentemente com tamboris  (v. 20). Não era esta uma forma de adoração pública? Mas não foi um ritual do templo; aconteceu anos antes do templo ser construído.

2. Em nenhum lugar as Escrituras ensinam que cada parte do culto do templo foi abolida pela obra de Cristo. A lei – com o sacrifício de animais e cerimônias de adoração – se cumpriu em Cristo. O véu do templo se rasgou ao meio quando Jesus morreu (Mt 27.51), indicando que um novo e vivo caminho se abrira à presença de Deus. O próprio templo foi destruído no ano 70 d. C. quando o exército romano conquistou Jerusalém. Mas muitas coisas associadas à adoração no templo são praticadas ainda hoje. Por exemplo: o templo era uma casa de oração (1º Rs 8.28-53; Is 56.7; Mt 21.13) e um lugar onde Deus ouve os votos e confissões de Seu nome (1º R 8.31-33). Os sacrifícios de comida e bebida não fazem parte mais da adoração nas igrejas do Novo Testamento, mas as orações, votos, confissão e ensino, com certeza, ainda continuam. Portanto, não podemos argumentar plenamente que a adoração completa, como feita no templo, foi abolida.

3. Um propósito para o uso de instrumentos musicais no templo era guiar os cantores no louvor (2º Cr 29.26-28). O louvor é algo que continua claramente nas igrejas do Novo Testamento.
Uma boa forma de louvar a Deus é através da música. A Bíblia diz em Sl 33.1-3 “Regozijai-vos no Senhor, vós justos, pois aos retos fica bem o louvor. Louvai ao Senhor com harpa, cantai-lhe louvores com saltério de dez cordas. Cantai-lhe um cântico novo; tocai bem e com júbilo”.

4. Às vezes, argumenta-se que as sinagogas judaicos no tempo de Jesus não usavam instrumentos musicais. A música tinha sido profanada nos tempos de Jesus e os rabinos haviam abolido nas reuniões e nas sinagogas judaicas.  Não quero criticar as sinagogas judaicas. O próprio Senhor Jesus assistia costumeiramente os cultos na sinagoga (Lc 4.16). Por outro lado, as Escrituras mantêm silêncio quanto à origem das sinagogas.

5. Outra observação é que a maioria das igrejas que se recusam a usar instrumentos musicais ainda permitem o uso de flauta, a fim de fazer a congregação começar na nota correta. Mas se uma igreja usa um instrumento para ajudar o povo a achar a primeira nota, por que não usa também para achar a segunda e a terceira? E se a nota principal do soprano é dada, por que não as notas do contralto, do tenor e do baixo? E se os instrumentos podem reger a melodia e harmonia, por que não podem também ajudar a congregação a manter o ritmo e o tempo certos?

6. Por que Deus permitiria instrumentos musicais no templo e os proibiria nas igrejas? É lógico que Deus tem todo o direto de fazer o que Lhe agrada – mas geralmente não daria uma ordem nem a retiraria sem designar uma razão. Há quem especule que Deus permitiu uma forma mais complicada de adoração no Velho Testamento, com instrumentos e rituais específicos, por causa da imaturidade do povo e dureza de coração, mas prescreveu os cânticos espirituais sem acompanhamento no Novo Testamento, porque esse tipo de música é mais “simples” e “puro”. Mas a Bíblia nunca disse isso! Ela nem sugere que cânticos sem acompanhamento sejam de algum modo mais simples ou mais puros do que os acompanhados com instrumentos, nem mesmo que uma simplicidade assim é exigida na adoração. Sem dúvida, as Escrituras nunca comparam o valor do cântico com acompanhamento com o do que não tem acompanhamento.

O argumento de rejeitar o uso de todos os instrumentos musicais nas igrejas – No meu entendimento – é de um silêncio que não pode ser provado.

II.      INSTRUMENTOS APROPRIADOS

Quanto aos instrumentos, a Bíblia não faz exceção de nenhum instrumento para o louvor a Deus. No salmo 150, encontramos uma relação de instrumentos utilizado no louvor a Deus: trombeta, saltério, harpa, adufe, flauta, alaúde, citara, címbalos, clarim, órgãos pífaro, tambor e tamborim.

Há questões legítimas sobre o tipo de instrumentos musicais apropriados e bíblicos. Aceitamos piano e órgão? E o que dizer de violão e banjo? E gaitas e flautas? Permitimos baterias e pandeiro? E trombetas e sinos? Não nos esqueçamos dos instrumentos caseiros? Qualquer tipo de instrumento é permitido?

Algumas pessoas procuram especificar determinados instrumentos para o louvor a Deus. Isso varia em função da região, povo, costume etc. Contudo, o importante não é o instrumento usado, mas sim quem toca, como toca e para quem toca.

Os instrumentos musicais indicados no tempo do Velho Testamento pertenciam a três grupos: cordas, sopro e percussão.

1. Os instrumentos de corda eram principalmente as harpas e os saltérios – mas qualquer uma das palavras pode representar uma variedade enorme de instrumentos. Por exemplo: as harpas variavam de tamanho e estilo. Algumas talvez fossem enormes, mas a maioria era pequena e bem leve. O Salmo 137.2 fala de pendurar as harpas nos salgueiros, indicando que elas não eram instrumentos grandes. Normalmente a harpa podia ser tocada enquanto era levada em procissões ou marchas (1º Sm 10.5; 1º Cr 13.7-7; Is 23.16). Certa Enciclopédia (The International Standard Bible Enclyclopedia) sugere que “instrumentos com arcos eram desconhecidos; as cordas eram tangidas com os dedos ou com um plectro”. Não com arco! Os saltérios também possuíam muitas variedades: gaita de foles, alaúdes e instrumentos parecidos com o violão. O Sl 33.2 parece indicar que alguns saltérios tinham dez cordas – provavelmente uns tinham mais e outros menos.

2. Os instrumentos de sopro incluíam flautas, cornetas (trombetas) e órgãos. Mais uma vez, parece haver muita incerteza quanto às descrições, mas os órgãos (mencionados pela primeira vez em Gênesis 4.21) eram, sem dúvida, instrumentos simples de junco, de algum modo semelhante aos oboés de hoje – e feitos de madeira, marfim ou osso. Devia haver uma variedade de formas e estilos. As cornetas (trombetas) eram feitas geralmente usando-se os chifres de carneiros e bodes, mas pelo menos em uma ocasião, usava-se a prata (Nm 10.1-10; Js 6.4-7; Jz 7.16-23). As gaitas eram variedades diferentes de flautas.

3. Os instrumentos de percussão eram principalmente os tambores, tamboris e címbalos. Certa Enciclopédia (The International Standard Bible Enclyclopedia) sugere que no Velho Testamento os tambores eram usados em muitas ocasiões festivas, mas nunca são mencionados em conexão aos cultos divinos. Os címbalos, embora usados às vezes na adoração, eram usados principalmente pelos chefes da música (regentes do coral) como meio de reger (1º Cr 15.19).

Então, como vamos responder à pergunta sobre que tipos de instrumentos são permissíveis? Os instrumentos designados por Davi para serem usados na adoração eram os saltérios, as harpas, os címbalos, as cornetas e trombetas (1º Cr 15.16, 24, 28). Deviam ser tocados pelos sacerdotes e levitas. No reinado de Ezequias estas regras foram reiteradas em 2º Crônicas 29.25: “E pôs os levitas na casa do Senhor com címbalos, com saltérios, e com harpas, conforme ao mandado de Davi e de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã; porque este mandado veio do Senhor, por mão de seus profetas”.

Pessoalmente, então, (cada homem seja persuadido por si próprio), achamos que a Bíblia deixou estas diretrizes:
3.1. São permitidos instrumentos musicais das três categorias: cordas, sopro e percussão, na adoração pública.
3.2. Os instrumentos musicais devem ser tocados por pessoas espirituais que dão evidência de terem sido separadas pelo Senhor.
3.3. Os instrumentos musicais devem ser tocados para a glória do Senhor como acompanhamento.

Pr. Elias Ribas