TEOLOGIA EM FOCO

sexta-feira, 29 de maio de 2020

O MISTÉRIO DA VOCAÇÃO DOS GENTIOS E O APOSTOLADO DE PAULO



LEITURA BÍBLICA
Efésios 3.1-13.
“Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios, 2 - Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; 3 - Como me foi este mistério manifestado pela revelação como acima, em pouco, vos escrevi, 4 - Pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, 5 - O qual noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas, 6 - A saber, que os gentios são coerdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; 7 - Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. 8 - A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo. 9 - E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que, desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou; 10 - Para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, 11 - Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus, nosso Senhor, 12 - No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele. 13 - Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória.”
Por meio das Sagradas Escrituras, temos o privilégio de termos acesso ao mistério que esteve oculto desde todos os séculos revelado aos profetas e aos apóstolos do Novo Testamento. Esse mistério se mostra em Jesus Cristo, a esperança da glória, edificando sua Igreja. É privilégio saber que Deus revelou isso aos simples, aos que se achegaram a Ele por meio da fé em Jesus. É uma dádiva ter acesso ao mistério pré-estabelecido por Deus na eternidade. Só Cristo pode proporcionar isso para a sua Igreja. Somente a Palavra de Deus desdobra em detalhes a profundidade e a grandiosidade desse santo mistério.

INTRODUÇÃO.
Nos dois primeiros caps. da Carta aos Efésios, a Bíblia revela a profundidade do pecado e, a sua libertação mediante a obra expiatória de Cristo, destacando a sua obra maravilhosa da formação de um novo povo, derrubando as diferenças entre judeus e gentios. A igreja formada dentre as nações, é o novo povo de Deus.
No cap. 3, o apostolo apresenta como despenseiro da graça de Deus na revelação do grande mistério que é a Igreja.

I. PAULO REVELA A SUA MISSÃO ESPECIAL

Em Ef 2. 22, Paulo declara dos crentes; “edificados para habitação de Deus”, por esta razão, Paulo foi levado a fazer uma segunda oração em favor dos destinatários dessa epístola, (3.14 -21). Antes, porém, ele se identificou de modo especial para que o crédito de sua mensagem não causasse dúvida entre os efésios. Paulo começa o capítulo dizendo: “por esta causa”. Para referir-se a tudo quanto havia escrito anteriormente.

1. Paulo, o “prisioneiro de Cristo” (v. 1). Na verdade, ao dizer-se prisioneiro, Paulo referia-se a dois lados dessa situação. Primeiro estava, de fato encarcerado numa prisão em Roma e, segundo essa prisão literal lhe dava oportunidade de servir a Cristo como seu “prisioneiro especial”. A expressão “prisioneiro de Cristo”, tinha o sentido de não poder fazer outra coisa, senão, pregar a Cristo Senhor e Salvador. Além disso, o fato de estar preso permitiu a Deus comunicar ao seu servo as poderosas verdades destinadas a ser a força e a inspiração de sua Igreja. Ele não lamenta a prisão, mas inverte a situação, e torna o seu cativeiro uma oportunidade para melhor servir ao Senhor.

2. Paulo, o mordomo da graça de Deus (vs. 2 e 3). Paulo assume o seu papel mais importante na missão que recebeu de Cristo que é o de ser mordomo da graça de Deus. É a tradução do termo original oikonomia que significa dispensação, administração dos bens de outrem, administrador de uma casa, mordomia no sentido bíblico. Paulo revela que seu ministério recebido da parte de Cristo era o de revela, dispensar, e mostrar o propósito da graça de Deus a todos os homens. Ele faz questão de afirmar que se tornou ministro do evangelho aos gentios, por isso era chamado “apóstolos dos gentios”, (2ª Tm 1.11; 2ª Co 10.1; Gl 5.2,3; Cl 1.23).

3. Paulo o possuidor da revelação da graça de Deus (vs. 3-5). Não era nenhuma presunção de Paulo frisar que o evangelho aos gentios lhe avia sido revelado especialmente para que fossem participantes dos privilégios do reino de Deus, tanto quanto aos judeus. A designação do seu ministério aos gentios foi revelada por profecia à um profeta chamado Ananias, quando o Senhor disse: “Vai porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel” (At 9.15). No v. 9, a palavra demonstrar e mistério, estão intimamente ligadas. Paulo foi o revelador sob a direção do Espírito Santo, do mistério de Cristo, (1ª Tm 3.16; 1ª Co 12.27; Ef 5.32).

4. Paulo o revelador das bênçãos universais de Deus (vs. 5 e 6). A razão pela qual Paulo enfatizava o direito às bênçãos de Deus em Cristo é porque muitos judeus Cristãos tentavam diminuir esses direitos dos gentios. Paulo não aceita as razões sem bases desses judeus e declara que todos, independentemente, de serem judeus ou gentios, tem os mesmos direito e privilegio ante a graça de Deus. Paulo testifica de modo enfático, que os gentios são “coerdeiros e coparticipantes do mesmo corpo de Cristo. Ao ingressarem no reino de Deus, mediante a obra de Cristo no Calvário os gentios participam igualmente de todas as bênçãos. Eles não são cidadão de segunda categoria. Eles são participantes das promessas e formam um só corpo. Espirituais com os judeus, resultando na Igreja, ( 1ª Co 12.13; Ef 2.13). Os gentios em Cristo foram feitos “povo de Deus, geração eleita, nação santa, povo adquirido juntamente com os judeus”.

II. PAULO MINISTRO DA REVELAÇÃO DIVINA

No primeiro ponto desta lição, estudamos que Paulo declarou a sua missão especial como agente de revelação do mistério da graça de Deus. Agora ele se identifica não apenas como receptor dessa revelação, mas como ministro do evangelho.

1. Paulo, ministro da revelação divina (v. 7). As palavras iniciais do v. 7, são uma continuação da declaração que Paulo havia feito no v. 6, ao afirmar que os gentios eram coerdeiro e coparticipante das bênçãos do evangelho. Desse modo Paulo considerava seu ministério um grande privilégio, porque fora feito ministro, não por qualquer mérito ou dignidade, mas “segundo a operação do seu poder”. Paulo, desde o início do seu ministério sofreu da parte dos judeus e dos gentios, mas superou as dificuldades e manteve-se como aquele que recebeu de Deus a missão de ministrar a graça de Deus aos gentios e, também aos gentios.

2. A revelação que Paulo menciona (v. 8). Diante da magnitude das revelações recebidas de Deus, Paulo se diz “o menor de todo os santos”. A grandeza e alcance dos mistérios de Cristo eram maiores do que ele podia compreender. Quando fala de “riquezas incompreensíveis de Cristo”, ele sabia quão insondáveis eram essas riquezas espirituais. Era algo que superava qualquer conhecimento humano. Tudo que refere-se à gloria de Cristo, sua divindade, sua glória moral, e sua glória meritória na cruz do Calvário tem um valor incalculável. “O privilégio de Paulo era pregar aos gentios a Cristo como Salvador e declará-los incluídos como participantes das bênçãos de Cristo, (At 9.15; 22.21; 26.17; Rm 11.13; 15.16-2; Gl 2.7 -9).

3. O mistério da salvação “estava oculto em Deus”. Em sua presciência, Ele estabeleceu o tempo da revelação do mistério da salvação através de Jesus Cristo. O v. 10, declara que “Agora” a Igreja se constituiu na proclamadora da revelação, o que indica que, ela sempre fez parte do plano divino. A Igreja não foi uma obra acidental de Deus; ela foi criada antes de todos os tempos e manifestada através de Jesus. Outrossim, essa revelação não ficava restrita aos homens, pois diz o v. 10, que também, os anjos (“principados e potestades”) teriam conhecimento dessa revelação através da Igreja. O v. 11, afirma que o mistério foi revelado “segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus”. Esse eterno propósito divino, antes de todos os tempos, já tinha Jesus Cristo como a razão de tudo. Tudo quanto foi criado por Deus teve a sua elaboração na eternidade.

4. Três palavras especiais; ousadia, acesso e confiança (v. 12). Essas três palavras tornam possível nossa comunhão mais profunda com Deus. Não há como entrarmos na presença de Deus senão com “santa ousadia”. O acesso, diz respeito a nossa entrada na presença, (Ef 2.18; Rm 5.2). E, a palavra “confiança” envolve a nossa fé em Deus.

CONCLUINDO.
Podemos dizer que, valorizemos mais o privilégio de sermos participantes, a Igreja do Senhor. Desfrutemos das riquezas divinas ao nosso alcance, mas não somente isso. Proclamemos ao mundo a salvação que há em Cristo Jesus, a qual nos alcançou.

O MISTÉRIO DA UNIDADE REVELADO



LEITURA BÍBLICA
Efésios 3.1-13.
“Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios, 2 - Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; 3 - Como me foi este mistério manifestado pela revelação como acima, em pouco, vos escrevi, 4 - Pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, 5 - O qual noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora, tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas, 6 - A saber, que os gentios são coerdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; 7 - Do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. 8 - A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo. 9 - E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que, desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou; 10 - Para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, 11 - Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus, nosso Senhor, 12 - No qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele. 13 - Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, que são a vossa glória.”
Por meio das Sagradas Escrituras, temos o privilégio de termos acesso ao mistério que esteve oculto desde todos os séculos revelado aos profetas e aos apóstolos do Novo Testamento. Esse mistério se mostra em Jesus Cristo, a esperança da glória, edificando sua Igreja. É privilégio saber que Deus revelou isso aos simples, aos que se achegaram a Ele por meio da fé em Jesus. É uma dádiva ter acesso ao mistério pré-estabelecido por Deus na eternidade. Só Cristo pode proporcionar isso para a sua Igreja. Somente a Palavra de Deus desdobra em detalhes a profundidade e a grandiosidade desse santo mistério.

INTRODUÇÃO.
Paulo e os demais apóstolos, bem como os profetas do Novo Testamento, receberam por meio de Cristo a revelação do mistério oculto (3.1-4). Nesta lição estudaremos o conceito bíblico para “mistério” (3.4,6), como esse mistério esteve oculto nas eras passadas, como o mistério foi revelado na Nova Aliança (3.5,10) e como ele foi pré-estabelecido por Deus na eternidade (3.11).

I. O MISTÉRIO OCULTO NO ANTIGO TESTAMENTO

Os gentios ignoravam as promessas, e os judeus pensavam serem os únicos beneficiários delas, porém, ambos desconheciam o “mistério” que esteve oculto.

1. O conceito bíblico de mistério. Do grego mysterion, a palavra mistério significa “segredo” ou “doutrina secreta”. Indica alguma verdade divina que esteve oculta e passou a ser conhecida (3.3). Não se refere a algo misterioso que somente alguns poucos iniciados possam compreender, como ensinavam alguns adeptos do falso misticismo (Cl 2.18). Pelo contrário, no cristianismo significa uma verdade que esteve encoberta e agora foi desvendada em benefício de todos (1ª Tm 2.4).

2. O desconhecimento do mistério. Para compreender em que sentido o mistério esteve oculto desde outras gerações, é preciso pôr em foco o advérbio “como” que aparece no texto com valor circunstancial: “noutros séculos não foi manifestado, como, agora” (3.5). A expressão “como” indica que no Antigo Testamento esse mistério não foi dado a conhecer tão claramente como agora o foi desvendado pelo Espírito. Isso não quer dizer que antes da Nova Aliança ninguém tomara conhecimento acerca da desse mistério, ou seja, a bênção de que os gentios também participariam.

3. O mistério e os profetas da Antiga Aliança. Os escritores do Antigo Testamento não apenas conheciam a respeito das bênçãos prometidas aos gentios; eles fizeram menção delas (Gn 12.3; 22.18; Is 11.10; 49.6; 54.1-3; 60.1-3; Ml 1.11). O que esses profetas não sabiam era como isso aconteceria, como Deus faria algo totalmente novo. Que as barreiras raciais e religiosas seriam rompidas por meio de Cristo, que judeus e gentios seriam um só povo integrante de um mesmo corpo - a Igreja: o mistério oculto (3.6,10).

“Embora a palavra ‘mistério’ não apareça no AT, o conceito de segredo no AT é o de conselhos que Deus revela ao seu povo. O NT usa o termo para se referir ao Evangelho, às vezes no seu sentido mais amplo, incluindo o plano de Deus de redenção, existente desde tempos eternos (Rm 16.25,26; 1ª Co 2.7; 4.1; Ef 1.9,10; 6.19; Cl 1.26,27; 4.3; 1ª Tm 3.9; Ap 10.7). É também aplicável a aspectos específicos do evangelho: a encarnação (Cl 2.2,9; 1ª Tm 3.16); a igreja como o Corpo de Cristo incluindo os judeus e os gentios (Ef 3.3-6,9; 5.32); as características do reino espiritual atual (Mt 13.11; Mc 4.11; Lc 8.10); a cegueira temporária de Israel (Rm 11.25) e a transformação do crente na volta de Cristo (1ª Co 15.51). O termo também é usado para se referir a qualquer verdade oculta que tenha que ser entendida de forma sobrenatural (1Co 13.2; 14.2), e ao mistério da influência do Anticristo ainda não revelado (2ª Ts 2.7)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ: CPAD, 2010, p.1292).

II. O MISTÉRIO REVELADO NO NOVO TESTAMENTO

O plano divino oculto quanto à Igreja de Cristo é a ênfase paulina acerca do “mistério revelado” aos apóstolos e aos profetas.

1. Revelado aos apóstolos e profetas. Ao fazer abertura do capítulo três de Efésios, Paulo destaca a sua condição de prisioneiro, o processo de sua vocação e como lhe foi “este mistério manifestado pela revelação” (3.1-3). Em passagens correlatas, Paulo deixa claro que não recebeu seu apostolado de homem algum (Gl 1.1), que a doutrina que ensinava não aprendeu com nenhum homem (Gl 1.11) e que ao ser enviado aos gentios não consultou homem algum (Gl 1.16). Significa dizer que a chamada, a doutrina e a comissão lhe foram divinamente confiadas “pela revelação de Jesus Cristo” (Gl 1.12).

O apóstolo assegura ainda que o mistério oculto foi revelado pelo Espírito de Deus a ele e aos demais apóstolos e profetas (At 11.4-17,27). Ele indica que o mistério divino não poderia ser desvendado por meio do raciocínio intelectual. Portanto, o apóstolo enfatiza que o mistério foi dado a conhecer por meio da “revelação divina” e não por sabedoria humana (1ª Co 2.4).

2. O mistério oculto revelado. Em termos gerais o “mistério revelado” é a Igreja. Essa revelação começa pela declaração de que o Pai idealizou tudo desde sempre (1.14; 3.11); e prossegue com a execução da Obra de Cristo (1.7; 2.15); e também com a criação de uma nova humanidade (2.1-10); como também a união de judeus e gentios como família de Deus e Corpo de Cristo (2.11-22; 3.6); e a comunicação dessas verdades aos santos apóstolos e profetas (3.3,5). Por fim, o anúncio dessas dádivas do mistério revelado recai sobre a responsabilidade da Igreja, para que “a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida” (3.10). Significa que a própria Igreja é a principal agência divina de divulgação desse “mistério” a fim de unir todos os homens em um só povo por meio de Cristo.

3. A magnitude do mistério. Outrora ninguém tinha ventilado a possibilidade da formação de um só povo, sem distinção de pessoas, etnia ou classe social; mas em Cristo e por Cristo, todos são um e participantes da mesma promessa (Gl 3.28; Ef 3.6; Cl 3.11). Até mesmo alguns líderes da primitiva igreja demoraram a entender esse mistério onde todos são aceitos em Cristo (At 11.4-17). Esse mistério, ora revelado, deve ser propagado aos homens conforme Deus planejara desde o princípio (3.7,8,10,11).

“O fato de Deus pretender que as bênçãos de Abraão e as promessas da salvação messiânica, através da teocracia judaica, incluíssem os gentios, não estavam anteriormente ocultas (v.5). Elas foram claramente reveladas nos livros do Antigo Testamento da Lei, dos Profetas e dos Escritos (por exemplo, em Gn 12.1-3; Dt 32.43; Sl 18.49; 117.1; Is 11.10). O que estava oculto nas antigas gerações e não havia sido previsto nem mesmo pelos profetas do Antigo Testamento era o seguinte: o plano de Deus para a redenção em Cristo (o Messias) envolvia a destruição da antiga linha de demarcação que separava judeus de gentios (2.14,15). O antigo pacto das promessas divinas, a teocracia nacional judaica, devia ser substituído por uma nova raça espiritual (os cristãos), e por uma nova comunidade internacional (a Igreja) nas quais, em Cristo, judeus e gentios seriam admitidos em bases iguais, sem nenhuma distinção” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Volume 2. RJ: CPAD, 2017, p.423).

III. O MISTÉRIO PRÉ-ESTABELECIDO POR DEUS

Deus não foi surpreendido com o pecado no Éden. Desde a eternidade o Senhor pré-estabeleceu um plano para ser executado na “plenitude dos tempos”.

1. As riquezas insondáveis de Cristo. O mistério agora revelado e anunciado é considerado pelo apóstolo como “riquezas insondáveis” (3.8). A expressão se refere às maravilhas e a providência divina que estão além do entendimento humano (1.7). Para o apóstolo Paulo, compartilhar com os povos essas boas novas era algo imensurável (3.18,19). A mensagem da qual ele fora incumbido consistia em ministrar a todos a perfeição e a preciosidade do mistério que estivera oculto (3.8,9); proclamar que essas dádivas foram projetadas desde a eternidade, sendo livremente concedidas aos homens por meio de Cristo (1.4; 2.16). Tudo abrange o beneplácito da vontade divina, que articulou o plano (1.11), o conteúdo desse plano (Ef 2.1-6) e a pessoa de Cristo que executou o plano pré-estabelecido por Deus (Ef 1.19-22).

2. O eterno propósito em Cristo. Como vimos anteriormente, o mistério “desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou” (3.9). O que significa que, desde o princípio dos tempos, o Criador manteve o mistério encoberto para ser revelado em tempo oportuno (1ª Pe 1.20). E indica que Deus sempre esteve no controle de sua criação “para que agora seja manifestada […] segundo o eterno propósito que fez em Cristo” (3.10,11). Assim, o “plano da salvação”, que abrange o “mistério da igreja”, e a “revelação desse mistério”, sempre estiveram de acordo com o desígnio divino para serem executados por intermédio de Cristo.

3. O plano divinamente pré-estabelecido. O plano divino não surgiu pelo advento do pecado de Adão. Deus não foi apanhado de surpresa. Ao contrário, Ele sempre esteve no controle e já tinha um plano de salvação pré-estabelecido desde a eternidade. Essa verdade nos ensina que por trás de todo o evento da história existe um propósito eterno em andamento. Deus é soberano e controla todas as eras, tempos e circunstâncias. Nesse eterno propósito, no tempo previamente determinado, o mistério da Igreja foi executado em Cristo “no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele” (3.12).

“Outro aspecto da doutrina de Deus que requer a nossa atenção é o das suas obras. Este aspecto pode ser dividido em: 1) seus decretos 2) sua providência e 3) conservação. Os decretos divinos são o seu plano eterno que, em virtude de suas características, faz parte de um só plano eterno que, em virtude de suas características, faz parte de um só plano, que é imutável e eterno (Ef 3.11; Tg 1.17). São independentes e não podem ser condicionados de nenhuma maneira (Sl 135.6). Têm a ver com as ações de Deus, e não com a sua natureza (Rm 3.26). Dentro desses decretos, há as ações praticadas por Deus, pelas quais tem Ele responsabilidade soberana; e também as ações das quais Ele, embora permita que aconteçam, não é responsável. Baseado nessa distinção, torna-se possível concluir que Deus nem é o autor do mal (embora seja o criador de todas criaturas subalternas), nem é a causa derradeira do pecado” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, 2018, p.153).

CONCLUSÃO.
O mistério da Igreja esteve oculto nas gerações passadas. No tempo estipulado, Deus revelou o seu eterno propósito aos apóstolos e aos profetas. Judeus e gentios estavam inseridos nesse mistério idealizado por Deus. Tal mistério agora revelado deve ser anunciado pela própria igreja conforme os desígnios divinamente pré-estabelecidos desde a eternidade.

BAPTISTA, Douglas. Lições Bíblicas do 2° trimestre de 2020. Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas. CPAD – RJ.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O SIGNIFICADO DO TERMO "DEUS"



I. O SIGNIFICADO DO TERMO DEUS


Cada idioma possui suas regras gramaticais e particularidades. E para que sejamos capazes de entender o sentido, significado e aplicação da palavra Elohim, precisamos conhecer algumas dessas regras.

1. Significados de ElohimDiferentemente do português o hebraico possui uma regra gramatical chamada “plural majestático”. Veja o que isso significa:

Elohim é plural, entretanto o plural em Hebraico Bíblico não apenas é usado para se referir a QUANTIDADE, mas é utilizado para passar a ideia de QUALIDADE.

Outro ponto que vale destacar, é que o Hebraico Bíblico não tem uma forma particular, e tão abrangente de formar o GRAU SUPERLATIVO, que “ocorre quando a qualidade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de seres. (Fonte: A Cruz Hebraica).

Noutras palavras, quando a palavra Elohim aparece em referência ao Soberano Senhor (Gn 1.26), ela está indicando exatamente o que está escrito em Deuteronômio 6.4: “Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus (Elohim – transliteração minha), é o único Senhor”.

Isto é, quando aplicada ao Pai de Jesus Cristo, a palavra está no sentido de Deus absoluto, indicando qualidade. “O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor”.

1.1. O uso e significado da palavra Deus conforme usada nas Escrituras Sagradas.
A. Elohim - Deuses. Elohim é uma palavra hebraica que normalmente significa “Deus”. No entanto, seu significado dependerá do contexto, especialmente por ser uma forma plural, que também pode indicar “deuses”, “anjos” ou “homens poderosos”. A palavra Elohim pode assumir diferentes significados dependendo do contexto em que é empregada no Antigo Testamento. Assim como Eloah, a origem exata da palavra Elohim é incerta. Seu sentido principal nas Escrituras significa o único e verdadeiro Deus de Israel (Gn 1.1; 3.5; Dt 4.35,39; Jr 10.10).

Além desse significado principal, essa mesma palavra também é utilizada para se referir as divindades das nações pagãs vizinhas de Israel. Nesse caso, seu significado deve ser entendido como sendo “deuses” ou “deusas”. Um exemplo desse tipo de uso da palavra Elohim, é quando ela é aplicada ao deus dos amonitas, Quemos (Jz 11.24) e a deusa dos sidônios, Astorote (1º Rs 11.5).

A palavra Elohim também pode ser aplicada para designar homens poderosos, por exemplo, “juízes” (Êx 21.6; 22.8). Em algumas passagens seu significado exato é bem difícil de ser determinado, como em Gênesis 6.1.

A palavra Deus no hebraico Elohim não é como muitos dizem. A palavra Elohim equivalente a palavra Deus ou deus, em português. E não se refere apenas ao Ser Supremo, ou seja, não é especifica mas assume um caráter de um substantivo comum na Bíblia.

A palavra Elohim em hebraico é o equivalente de Theós em grego. Tenha em mente que o V.T foi escrito em hebraico e o N.T foi escrito em grego).

B. EI (Deus). É um termo hebraico que tem estes sentidos: Altíssimo, Ser primeiro, Ser dominador, Ser forte, Ser poderoso. Este nome revela Deus como o Senhor forte e poderoso (Gn 14.18-22; S1 24.8). Geralmente este termo é usado em certas combinações como: El-Elyon, o Deus Altíssimo, vem de um verbo que significa subir, ser elevado. Este nome revela Deus como o Altíssimo; o Deus que é exaltado sobre tudo o que se chama deus ou deuses (Gn 14.18-20; Sl 18.13; Dn 4.17), El-Olam, o Deus Eterno (Gn 21.33).

2. O único Deus. Há muitas declarações nas Escrituras da posição de Deus como o único Criador. O homem pode manipular coisas e inventar e fabricar itens, mas Deus, e só Deus, criou o Universo do nada. “Só tu és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora” (Ne 9.6). “A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? - Diz o Santo. Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? ... Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento” (Is 40.25-26ª e 28).

A Bíblia nos ensina que só há um Deus, fora ele existe os falsos deuses que se dizem ser deuses mas que não são e não possuem o Poder, a Grandeza e a Majestade que o verdadeiro Deus possui, As características para uma pessoa ser considerada divina são: Onisciência (ter todo o conhecimento, do passado, presente e futuro), Onipresença (estar presente em todo lugar ao mesmo tempo) e Onipotência (possuir todo o poder) e ainda a Eternidade (nunca ter tido princípio nem terá fim. Portanto a minha bíblia não diz que existe vários tipos de Deuses, um fraco, um mediano e um forte, só existe um Deus e nada mais. Infinidade e perfeição absolutas são possíveis a um só. Dois seres semelhantes não podiam existir, pois um limitaria o outro.

Dt 4.35, 39 “A ti te foi mostrado para que soubesses que o Senhor é Deus; nenhum outro há senão ele. 39 - “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há.”

Dt 6.4 “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Out. referências: Dt 32.39; 2ª 7.22; Is 44.6-8, 24; Is 45.5-6, 14, 18, 21-22; 46.9; Os 13.14; Mc 10.18; Mc 12.32; Jo 17.3; Rm 3.30; Rm 16.27; 1ª Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.4.; 1ª Tm 1.17; 1ª Tm 2.5; Tg 2.19; Jd 1.25;).

3. Os Judeus acreditavam que existiam vários deuses legítimos. Os Judeus ou Israelitas foram o povo pactuado de Jeová (YHVH) e como tal reconheciam que o termo “Deus/ deus” não era uma palavra específica para designar o Deus Todo Poderoso. Por exemplo, Moises foi chamado de “Deus/deus” em Êxodo 7.1.

4. Quem chamou Moisés de “Elohim” (Deus)? Como podemos ver no texto, foi o próprio Jeová Deus que considerou Moisés um deus. Não foi do ponto de vista de Faraó ou outros, mas o próprio Deus Todo Poderoso o tornou “poderoso” em ações e palavras, o que fez dele “um deus”.

Devido a posição e poderes a ele delegados pelo Deus Todo Poderoso, Moisés foi considerado um “deus”. É bom relembrar que este detalhe de mencionarmos a palavra “Deus” com letras maiúsculas ou minúsculas é irrelevante para a nossa avaliação do ponto de vista filológico visto que em hebraico antigo e grego coine não se fazia diferenciação entre letras maiúsculas ou minúsculas. Portanto, se Moisés foi chamado de “deus” em hebraico em Êxodo 7.1, isso implicava que ele possuía poderes ao seu dispor que o colocava em posição elevada em relação a seus contemporâneos.

Êx 7.1 “Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus (Elohim: אֱלֹהִים) sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta.”

A Tradução New American Standard Bible verteu essa passagem da seguinte maneira: “Vede, eu te faço Deus para Faraó, e teu irmão Arão será teu profeta”.

Por receber poder Divino e autoridade de Yahweh, Moisés foi chamado de “deus” (hebraico: Elohim).”

Em harmonia com isso o Salmo 8.5 chama os anjos poderosos de “deuses” ao usar a palavra hebraica Elohim. (Obs. muitas versões usam a Palavra “Deus” ou “deuses”, no hebraico ocorre a palavra Elohim, se alguma versão optou por verter “anjos” ela está parafraseando igual fez a LXX citada por Paulo).

A palavra Elohim segundo a definição do respeitado Brown Driver Briggs Léxico Hebraico – Inglês podem ser usados para: 1. Aos homens; governantes, juízes, e autoridades eclesiástica como representantes divinos em lugares sagrados como por ex. Moises. 2. Deuses estranhos – ídolos. 3. Anjos. 4. E ao Eterno o Único Deus verdadeiro.

O Salmo 82.1 se refere a Juízes humanos e os chama de “deuses”. Lemos que: “Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses.” O Salmo 82.6 prossegue na mesma linha… “Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.”

Estes e outros inúmeros textos evidenciam que a palavra hebraica “Elohim” “Deus” ou “deuses” é aplicada pelos Judeus primitivos tanto em escritos da Bíblia Sagrada como também em escritos extra bíblicos como se referindo a homens ídolos e a anjos.

Ao lermos o Salmo 8.5 na LXX (Septuaginta, uma versão do V.T traduzida para o Grego), veremos que esta verteu a palavra hebraica Elohim (deuses) por angelos ou anjos.

“ἠλάττωσας αὐτὸν βραχύ τι παρ’ ἀγγέλους δόξῃ καὶ τιμῇ ἐστεφάνωσας αὐτόν”.
Poderá consultar a Concordância Exaustiva de Strong e ver por si mesmo que a palavra Elohim que aparece neste versículo é aplicada a magistrados, anjos, e outros além do Deus Todo Poderoso Jeová. De fato, o nome Yahweh identifica o ser Supremo e Aquele que é chamado de “O Único Deus Verdadeiro” em João 17.3. [Concordância Exaustiva de Strong - https://biblehub.com/hebrew/430.htm - Acesso dia 27/05/2020].

“O Único Deus Verdadeiro” em João 17.3. Na discussão do mestre Jesus com os fariseus registrada em João 8.39, Jesus ouviu os líderes religiosos dizerem: “Nosso pai é Abraão.” Poucos versículos depois (v. 41) os mesmos fariseus disseram:  “Não nascemos de fornicação; temos um só Pai, que é Deus.” Portanto eles disseram que tinham somente um pai. Isso excluía Abraão de ser chamado de “Pai” por estes? Não! De modo similar, Jesus chama Seu Pai de “O Único Deus Verdadeiro”, contudo isso não exclui outros de serem chamados de “deuses” sem que estes sejam deuses falsos.

Muitos teólogos e apologistas modernos negam a existência de outros chamados “deuses”. Ou dizem que tais “deuses” só podem ser “deuses falsos” uma vez que a Bíblia diz que existe apenas um “Único Deus Verdadeiro”. Contudo, os primitivos judeus usavam a palavra “Deus” (Hebraico: Elohim; Grego: Theós) para se referirem a tudo o que possui poder ou exerce poder sobre outros ou alguma criatura com poderes concedidos por Yahweh e, o Ser Supremo, identificado nas Escrituras pelo tetragrama (YHVH). Os Judeus não viam nisso uma contradição. As passagens que cito aqui neste artigo possuem declarações explícitas, onde certos deuses são considerados deuses legítimos devido ao poder concedido pelo Deus Todo Poderoso.

Jesus ao chamar Seu Pai de “o Único Deus verdadeiro” não estava excluindo que existem outros “deuses”. Temos que tomar cuidado e evitar formar teologia a partir de uma declaração que não seja globalmente bíblica. Ou seja, que não seja baseada em “Toda a Escritura”. Por exemplo, os fariseus disseram, numa discussão com Cristo, que “temos um só pai, Deus” (Jo 8.41). Pouco antes haviam falado que “Nosso pai é Abraão” (Jo 8.39). Significa que declarações exclusivas nem sempre são literalmente assim. Se considerarmos as palavras ao pé da letra chegaremos a conclusão de que Abraão era Deus e que Deus era Abraão, visto que os fariseus chamaram a ambos de “pai”. E pior ainda, disseram que não tinham nenhum outro pai a não ser Deus.

5. O único Deus, em oposição a todos os deuses falsos. Jo 17.3-5 “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.”

O que é dito aqui está em oposição aos ídolos, não ao próprio Jesus, que, em 1ª João 5.20, é chamado de “o verdadeiro Deus e a vida eterna”.

Conheçam a Ti. O conhecimento vivo e experimental de Deus conduz à vida eterna e é essencial para o desenvolvimento do caráter cristão (ver Jo 17.17). CBASD, vol. 5, p. 1170.

Glorificação é manifestação. Jesus nos diz que já nos deu a Glória que recebeu do Pai. Ele veio para revelar o Pai a nós e Ele o fez. O alvo de Deus era essa revelação, manifestação, glorificação.

V. 6 Teu nome. Isto é, o caráter. Jesus é a revelação pessoal do caráter do Pai. (Ver Jo 1.14, 18). CBASD, vol. 5, p. 1170.

V. 7 Eles reconhecem. Isto é, de acordo com o grego, “eles vieram a conhecer e estão atentos”. Os judeus O acusaram de ser blasfemo e impostor, por afirmar que Deus era Seu Pai, mas os discípulos foram convencidos de Sua verdadeira origem e identidade. CBASD, vol. 5, p.

6. A diferença entre o Verdadeiro Deus e falsos deuses. Já vimos que a palavra Elohim, pode ser usada ao Eterno e Criador, como a deuses que recebem o poder do Supremo Deus, mas também existem os falsos deuses criados pela mente humana para serem adorados como diz o apóstolo Paulo em sua carta:

1ª Co 8.5-6 “Porque, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele.”

Os gentios adoravam muitos deuses; o cristão adora um – o Deus vivo e verdadeiro; os judeus, os deístas, os muçulmanos, os budistas ETC., professam reconhecer um Deus, sem nenhum sacrifício expiatório e mediador; o verdadeiro cristão se aproxima dele através do grande mediador (Jesus Cristo), igual ao Pai, que por nós se encarnou e morreu para nos reconciliar com Deus.

A Bíblia às vezes se refere a deuses com “d” minúsculo, geralmente se trata de ídolos, as vezes demônios (que não são deuses e sim anjos caídos) por trás de imagens, satanás é chamado de deus desse século, certa religião aproveita essa passagem pra dizer que satanás é um deus, isso não quer dizer que ele tenha uma natureza dívida, afinal se contradiria com as passagens acima, deus desse século que dizer que ele tem domínio sobre as pessoas que praticam iniquidade e consequentemente o adoram com práticas pecaminosas, fora que se satanás fosse de fato um deus porque ele seria apenas o deus desse século? Porque não do outro? Agora vamos ver alguns versículos que explicam a questão dos deuses com “d” minúsculo que a bíblia menciona inclusive satanás.

Sl 115.2-9 “Porque dirão os gentios: Onde está o seu Deus? 3 Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou. 4 - Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens. 5 - Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não veem. 6 - Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram. 7 - Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta. 8 - A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam. 9 - Israel, confia em Jeová; ele é o seu auxílio e o seu escudo.

Is 37.19 “E lançaram no fogo os seus deuses; porque deuses não eram, senão obra de mãos de homens, madeira e pedra; por isso os destruíram.”

Is 42.8 “Eu sou Jeová; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura.

Is 42.17 “Tornarão atrás e confundir-se-ão de vergonha os que confiam em imagens de escultura, e dizem às imagens de fundição: Vós sois nossos deuses.”

Jr 16.20 “Porventura fará um homem deuses para si, que contudo não são deuses?”

CONCLUSÃO. A palavra hebraica Elohim, possui diversos significados na Bíblia. Pode ser usada para descrever divindades pagãs, anjos, pessoas ou cargos importantes e até mesmo o Senhor Deus, Soberano de toda a Terra.

Não devemos estranhar isso, pois é algo que está diretamente ligado as características e regras gramaticais hebraicas, que são diferentes do português.

Sobretudo, o que devemos guardar é o fato de que quando aplicada ao nosso Deus, o sentido da palavra é qualitativo. Significando que não há Deus como o nosso Deus.

FONTE DE PESQUISA

1. BÍBLIA SHEDD. Revista Atualizada, 1ª Edição: 1998, Ed. Vida Nova, São Paulo – SP.
2. Bíblia Septuaginta, uma versão do V.T traduzida para o Grego.
3. Concordância Exaustiva de Strong - https://biblehub.com/hebrew/430.htm - Acesso dia 27/05/2020.

4. E. Brown Driver Briggs Léxico Hebraico. Um léxico hebraico e inglês do Antigo Testamento com um apêndice contendo o aramaico bíblico. Escrito por Francis Brown , Samuel Rolles Driver e Charles Augustus Briggs, baseado no léxico hebraico de Wilhelm Gesenius , traduzido por Edward Robinson.       Primeira edição 1906; impressão de 1936; digitalizados em 2008. Editor Oxford, Clarendon Press.

Pr. Elias Ribas

segunda-feira, 25 de maio de 2020

CONHECENDO A CRISTO



“Assim que, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que também tenhamos conhecido a Cristo segundo a carne, contudo, já não o conhecemos desse modo. Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. (2ª Coríntios 5.16-17).

O versículo 17, fala sobre transformação, que é a essência do Evangelho, mas não aparece na Bíblia como um texto isolado; ele está intimamente ligado ao versículo 16, que fala sobre conhecer a Cristo. Acredito que os dois assuntos estão vinculados entre si. Toda transformação experimentada pelo crente vem em função do conhecimento que ele tem de Jesus Cristo. Há dois diferentes níveis de conhecimento mencionados pelo apóstolo Paulo no versículo 16:

1.         O conhecimento “segundo a carne”, que pertence à dimensão natural.
2.         O conhecimento “de um outro modo”, que por ser diferente do primeiro, e mencionado em outros lugares da Bíblia, denominamos como “conhecimento espiritual”, ou ainda de “revelação”.

Paulo declara que a forma correta de se conhecer a Cristo é esta segunda. E depois de ter feito esta afirmação é que ele fala sobre o ser nova criatura, porque isto é uma consequência de se conhecer a Cristo “de um outro modo”.

I. CONHECIMENTO SEM TRANSFORMAÇÃO

Há pessoas que conheceram a Jesus de perto, até mesmo de forma íntima, e nunca chegaram a provar o seu poder transformador. Um exemplo claro disto é Judas Iscariotes, que depois de passar anos andando com Cristo, ainda assim o traiu. E seu pecado não foi somente no momento da traição, senão poderíamos até concluir que ele falhou somente nesta hora; mas João declarou em seu evangelho que Judas era ladrão e roubava o que era lançado na bolsa (Jo 12.6); e esta informação demonstra que ele nunca foi transformado de fato.

Alguém pode chegar a conhecer muita coisa sobre Cristo sem nunca ter conhecido a Cristo! As igrejas evangélicas estão cheias de gente religiosa, que foi bem ensinada sobre como ser um “bom cristão”, mas que não manifestam transformação alguma em suas vidas! São sempre as mesmas, e não há evidências de mudança genuína. Isto se deve à falta de revelação que acompanha uma verdadeira experiência com Cristo.

Quando Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, falou acerca de algumas pessoas que estavam vivendo uma vida “não transformada”:

“Elas estão sempre aprendendo, e jamais conseguem chegar ao pleno conhecimento da verdade”. (2ª Timóteo 3.7).

II. OS IRMÃOS DE JESUS

Outro exemplo de conhecimento sem transformação (segundo a carne) pode ser visto nos irmãos de Jesus. Muitos de nós temos dificuldade de enxergar isto por causa da herança católica que recebemos de que Maria foi sempre virgem, mas este não é o ensino bíblico. A Palavra de Deus declara que José e Maria não se envolveram fisicamente enquanto Jesus não nasceu. Veja o que diz a Escritura Sagrada:

“E José, despertando do sonho, fez o como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher, e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de Jesus”. (Mateus 1.24-25).

Um outro texto bíblico menciona os nomes dos irmãos de Jesus:

“Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, e de José, e de Judas, e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele”. (Marcos 6.3).

A tradição católica afirma tratar-se de uma outra Maria, e que a palavra “irmão” neste texto não deveria ser entendida literalmente, mas o contexto do versículo é indiscutível: Jesus estava em Nazaré, sua cidade, no meio de conhecidos e familiares, portanto não há dúvida alguma de o reconheceram (com sua família) de fato.

Não temos os nomes de suas irmãs, mas quatro de seus irmãos são mencionados, o que nos faz saber que sua família era grande. E a Bíblia declara que seus irmãos não criam nele:

“Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui e vai para Judéia, para que também os seus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes essas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”. (João 7.3-5).

Em outras palavras, poderíamos dizer que os irmãos de Jesus lhe diziam algo assim: - “Você não é o bom? Não quer aparecer? Então vá fazer seus sinais onde a multidão está reunida!” Posso deduzir que havia muito sarcasmo e cinismo por trás desta afirmação dos irmãos do Senhor.

Um outro texto bíblico nos revela que houve uma ocasião em que os irmãos de Cristo quiseram até mesmo prendê-lo por achar que ele estava louco:

“E foram para casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão. E quando seus parentes ouviram isso, saíram para o prender, porque diziam: Está fora de si... Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando de fora, mandaram-no chamar”. (Mc 3.20-21 e 31).

Imagino que se houve pessoas que puderam conhecer bem a Cristo (segundo a carne), foram justamente seus irmãos. Mas só o conhecimento natural não foi suficiente para transforma-los. Em Nazaré muitos também o conheceram sem provar transformação.

III. REVELAÇÃO

O verdadeiro conhecimento de Jesus Cristo só se atinge por revelação, não é transmitido segundo a carne. O próprio Jesus afirmou que o apóstolo Pedro só chegou a conhece-lo devido à uma revelação:

“E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do Homem? E eles disseram: Uns, João batista; outros, Elias, e outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo disse-lhe: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus”. (Mateus 16.13-17).

O que Paulo não conseguiu entender com sua mente mudou quando Jesus apareceu a ele! Há muitos exemplos bíblicos e também à nossa volta que confirmam isto. Sem uma revelação acerca de Jesus alguém pode crescer dentro de uma igreja, receber toda uma formação religiosa e até saber tudo acerca de Jesus, e mesmo assim, nunca ser transformado.

IV. TRANSFORMAÇÃO POR UM “NOVO” CONHECIMENTO

Porém, quando esta pessoa consegue sair da dimensão de mero conhecimento intelectual e entrar numa dimensão de revelação, sua vida será drasticamente mudada. Penso que esta é uma das maiores necessidades da igreja de nossos dias.

Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.19) é um exemplo disto. Tanto ele como seus irmãos, não criam em Jesus. Até o momento da morte de Jesus eles sustentaram esta posição, pois não os vemos mencionados nos Evangelhos como estando por lá. E ainda reforça esta ideia o fato de que Maria estava sozinha, razão pela qual Jesus confiou o cuidado dela a João (Jo 19.26).

Só que algo aconteceu depois da morte e ressurreição de Jesus. Não temos um relato detalhado, só a menção do que houve. Mas sabemos que algo aconteceu, e que isto mudou para sempre a vida de Tiago:

“Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”. (1ª Coríntios 15.7).

E aquele Tiago cínico que provocava Jesus, que quis prendê-lo, que não cria nele, mudou completamente. Não mudou pelo conhecimento segundo a carne de toda uma vida fisicamente próximo de Jesus, mas quando provou uma revelação do Cristo ressurreto, tudo mudou! Acredito que esta revelação foi o marco desta mudança, pois ele já passou a ser mencionado entre os que estavam reunidos no Cenáculo (At 1.14) por ocasião do Pentecostes. E Tiago se tornou uma das colunas da Igreja em Jerusalém, mencionado antes mesmo de Pedro e João:

“E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que se me havia dado, deram-nos as destras, em comunhão comigo e Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios e eles, à circuncisão”. (Gálatas 2.9).

Por ocasião do Concílio de Jerusalém, vemos todos falando sobre o motivo da controvérsia da circuncisão ser aplicada ou não aos gentios. Pedro fala, até Paulo se levanta com Barnabé e também falam, mas é quando Tiago se levanta e fala que o assunto se dá por encerrado e concluído. Que diferença entre o irmão de Jesus visto nos Evangelhos e este grande líder que ele veio a ser!

Ele ganhou muito respeito e admiração não por ter sido irmão do Senhor, mas certamente pela vida que vivia em Deus. Pela linguagem adotada em sua epístola, percebemos que Tiago era um homem de liderança forte e que não poupava confrontos. O motivo pelo qual Pedro foi repreendido por Paulo em Antioquia foi mudar de comportamento quando chegaram alguns da parte de Tiago:

“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois, que chegaram, se foi se retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão”. (Gálatas 2.11-12).

Porque Pedro temeria os da parte de Tiago? Certamente pela sua liderança e influência que veio a ter entre os crentes de Jerusalém, Pedro preferia evitar confrontos com ele. Isto tudo indica o homem de Deus que Tiago passou a ser depois de ter recebido sua revelação do Cristo ressurreto.

V. TRANSFORMAÇÃO ESTAGNADA

Diferentemente do primeiro grupo mencionado, que nunca teve uma transformação, há muitos dentro das igrejas que tiveram uma experiência inicial de transformação. Contudo, de alguma forma, com o passar do tempo, estagnaram na fé e na experiência e não percebem mais diferença alguma em suas vidas. O que os impediu de continuarem provando a transformação?

Certamente não foi por não conhece-la, pois estas pessoas são justamente aquelas que se encontram insatisfeitas, desejosas de mudança, uma vez que já provaram-na um dia. E é preciso ressaltar que, sob circunstância alguma podemos admitir a ausência do processo de transformação, uma vez que “a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Ninguém é transformado instantaneamente. Algumas áreas de nossa vida podem ser impactadas e mudadas mais rapidamente, porém não será assim em todas as áreas. Se o processo de transformação estagnou, é porque a revelação de Cristo em nossa vida também estagnou.

Precisamos retomar a busca pelo conhecimento revelado em nossas vidas, pois somente assim avançaremos no processo de transformação. A palavra grega traduzida por revelação, do grego “appocalipse”, significa: “remover o véu”. Indica a remoção de um empecilho à visão que, em nosso caso, é a dificuldade de entender as coisas espirituais.

“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”. (1ª Coríntios 2.14).

Somente pela ação do Espírito Santo em nossas vidas podemos penetrar esta dimensão de entendimento. Foi o que aconteceu conosco quando nos convertemos ao Senhor Jesus:

“Mas o entendimento lhes ficou endurecido. Pois até o dia de hoje, à leitura do velho pacto, permanece o mesmo véu, não lhes sendo revelado que em Cristo é ele abolido; sim, até o dia de hoje, sempre que Moisés é lido, um véu está posto sobre o coração deles. Contudo, convertendo-se um deles ao Senhor, é-lhe tirado o véu”. (2ª Co 3.14-16).

Só que, com o passar do tempo, muitos de nós nos inclinamos a uma busca de entendimento meramente intelectual (segundo a carne), e isto nos rouba o processo de transformação, que não se dá só por aquisição de informação, mas pelo impacto do Espírito Santo em nosso íntimo. Não podemos parar. Não podemos estagnar na revelação de Cristo!

VI. CONHECIMENTO PROGRESSIVO

A Bíblia nos exorta em avançar no pleno conhecimento de Deus:

“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor...” (Oséias 6.3).

Conhecer a Deus é um ato progressivo e contínuo. Veja o que Paulo declarou depois de anos de comunhão e intimidade com Cristo:

“Sim, na verdade, tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, para que possa ganhar a Cristo... para conhecê-lo, e o poder da sua ressurreição e a participação dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte, para ver se de alguma forma consigo chegar à ressurreição dentre os mortos. Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas vou prosseguindo, para ver se poderei alcançar aquilo para o que fui alcançado por Cristo Jesus”. (Filipenses 3.8,10-12).

Se pararmos de avançar, não alcançaremos o propósito de Deus para nossa existência. Devemos crescer até a plenitude do conhecimento de Cristo:

“Para que os seus corações sejam animados, estando unidos em amor, e enriquecidos da plenitude do entendimento para o pleno conhecimento do mistério de Deus – Cristo, no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência”. (Colossenses 2.2-3).

Que o Pai Celeste nos ajude a prosseguir na revelação de seu Filho Jesus!


Pr. Luciano Subirá – Ministério Orvalho
Estudo extraído do site www.orvalho.com

sábado, 23 de maio de 2020

OS REIS MAGOS DO ORIENTE



Mateus 2.9-12 “E, tendo eles ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela, que tinham visto no oriente, ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. 10 - E, vendo eles a estrela, regoziram-se muito com grande alegria. 11 - E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. 12 - E, sendo por divina revelação avisados num sonho para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho.”

INTRODUÇÃO. É problemático explicar grandes eventos da fé que trazem acontecimentos espirituais, ilustrados por meio de palavras que descrevem aspectos físicos. Este é o caso que envolve os homens que ficaram conhecidos nos textos do Novo Testamento, como os (Reis Magos) Sábios do Oriente e a Estrela de Belém.

A narrativa bíblica não dá muitos detalhes sobre eles, apenas relata que eles foram visitar Jesus para adorá-lo e entregar presentes a ele. Com o tempo, a tradição cristã acabou adicionando uma série de informações sobre os reis magos as quais os historiadores não conhecem a procedência. A narrativa bíblica não dá muitos detalhes sobre eles, apenas relata que eles foram visitar Jesus para adorá-lo e entregar presentes a ele. Com o tempo, a tradição cristã acabou adicionando uma série de informações sobre os reis magos as quais os historiadores não conhecem a procedência.

I. ESTRELA DE BELÉM

1. Estrela de Belém uma estrela admirável. Não só admirável, mas ao contrário de outras estrelas, ela ia se movendo à medida em que os Magos/Sábios até o menino Jesus. Há duas linhas de pensamentos por muitos estudiosos e intérpretes da Bíblia. O primeiro segue o entendimento, no sentido de apontar este acontecimento como sendo um fenômeno natural, ou ainda, um misto de naturalidade (a Estrela de Belém seria realmente uma estrela física), com um certo nível de intervenção divina (que teria atuado para posicionar a Estrela física de Belém, no local onde pudesse ser avistada como sinal do nascimento do Messias Rei). O segundo sugere ser um grupo de anjos, talvez os mesmos que cantaram para os pastores.

É de grande importância examinar esta passagem, partindo de uma nova orientação para o entendimento desse grande milagre. Por isso, não poderia deixar de fazer um questionamento fundamental: Porque ninguém mais conseguiu ver a Estrela de Belém, com exceção dos Sábios Magos?

O texto de Mateus sugere que somente os Sábios do Oriente conseguiam ver a Estrela (nem os pastores que estavam no campo, nem José, nem Maria, nem os Sacerdotes, nenhum Judeu, e nem mesmo Herodes pode ver tal fenômeno nos céus de Belém.

É verdade que a astrologia era proibida para os Judeus como uma forma de prever o futuro, ou algum tipo de adivinhação. Entretanto, os Levitas e os Sacerdotes mantinham, sim, uma observação constante do céu, mais especificamente para notar o movimento e as fases da lua, pois o calendário Judaico é baseado nas fases lunares, que servia de base para as datas de seus principais festivais de observância da Lei.

Assim sendo, uma estrela da magnitude da que foi descrita no Evangelho de Mateus, estando localizada logo acima da cidade de Belém, despertaria a atenção das autoridades judaicas. E se essa “estrela” fosse visível a todos, não seria mais fácil para Herodes ter simplesmente seguido-a, e, portanto, encontrado menino?

O texto descreve a capacidade que aquela estrela possuía em particular, que era a de aparecer, desaparecer e reaparecer! E mais, ela se movia e direcionava os Sábios em suas jornadas! Isso é algo que certamente uma estrela comum não poderia realizar. É com certeza a descrição de um verdadeiro milagre!

Olhando para o contexto, neste capítulo do livro de Mateus, percebemos também mais uma sugestão, que nasce da ligação deste fenômeno com a direta citação da atividade angelical, envolvida no nascimento de Jesus. Sim, Mateus parece sugerir que aquela Estrela era algum tipo de manifestação angelical.

Um anjo foi enviado aos Magos do Oriente, na forma de uma estrela, para anunciar o nascimento do Messias, aquele que iria unir o Povo de Israel e salvar o Mundo.

Os anjos são comumente chamados de estrelas na Bíblia (Jó 38.7; Dn 8.10; Ap 1.16, 20; 2.1; 3.1; Ap 22.16; cf. 2.28; Ap 8.10, 11; 9.1, Is 14.12-13). Anjos foram usados para guiar e proteger o povo de Israel, quando estavam em seu caminho para a Terra Prometida (Êx 14.19; 23.20), e estão presentes por todo o Novo Testamento.

“Dale Allison, professor do Seminário Teológico de Exegese do Novo Testamento, em Pittsburgh, Pensilvânia, cita em seus estudos um texto do livro apócrifo Evangelho da Infância, que expande a narrativa de Mateus, que diz, “No mesmo momento, apareceu para eles um anjo na forma de uma estrela que antes os tinha guiado na sua viagem”. Allison conclui, “Isto, eu acredito, apenas revela o que estava implícito em Mateus, a saber, que aquela estrela era um anjo” (Allison 1993, 24).

Esta visão é muito consistente com a proeminência que a ação dos anjos toma lugar em toda narrativa do nascimento e da infância de Jesus:

- Anunciando a Maria sobre a concepção do Messias;
- Anunciando a José sobre a natureza virginal da concepção de Jesus;
- Avisando os Magos/Sábios para não retornar a Herodes;
- Avisando a José para fugir com sua família para o Egito;
- Anunciando que eles deveriam voltar para Israel.

Esta passagem sobre a Estrela de Belém está relacionada com a profecia contida no livro de Números 24.17. No episódio em que Balaão é contratado por Balaque, rei dos Moabitas, para amaldiçoar o povo de Israel. Porém desta tentativa frustrada surge uma das mais proeminentes poesias sobre a aparição do Messias, a Estrela de Jacó.

Como poderia uma estrela tão distante, indicar um lugar ou uma habitação? Mesmo que fosse a estrela mais próxima, o nosso sol, quando o sol está na vertical duma cidade, que casa ou que local é que indica? Como eles iriam se orientar por um astro até a casa do menino?

O versículo 2 em todas as traduções afirma: “Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo”, (ou prestar-lhe homenagem) (Mt 2.9).

Ainda segundo o mesmo versículo 9 “…. à estrela, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.”

Penso que isto nunca aconteceria com verdadeiros magos ou astrólogos, que nunca iriam viajar seguindo sempre em direção a uma estrela. Mesmo não sabendo que umas são as estrelas e outros os planetas, sabiam que alguns dos pontos luminosos que se vêm de noite movem-se em relação aos outros (planetas), enquanto a maior parte mantem a posição entre eles (estrelas), mas todos caminham dum ponto no horizonte (nascente ou este ou oriente) para o lado oposto do horizonte (poente ou oeste ou ocidente) segundo a antiga cosmovisão cosmogônica que considerava a terra como o centro do universo.

Não é possível, depois de dois milênios, chegar a uma conclusão, mas somente os que tem a mente de Cristo (1ª Co 2.16), pois os homens naturais não entendem as coisas espirituais: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.” (1ª Co 2.14).

O ser humano é racional, porém o nível de raciocínio psíquico humano não é suficiente para conhecer a Deus, nem as coisas referentes a Ele. Não por falta de pesquisa ou de intelecto, e sim pela falta do principal que é o Espírito Santo. Paulo, em 1ª Coríntios, não está contradizendo a sabedoria do mundo, pelo contrário, diz que a sabedoria de Deus é infinitamente superior à sabedoria secular. Por isso, o homem natural não é capaz de recebê-la, embora lhe seja oferecida, e seja “digna de toda aceitação” (1ª Tm 1.15). “Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.” (1ª Co 2.11).

II. QUEM ERAM OS MAGOS/SÁBIOS?

וְכַאֲשֶׁר נוֹלַד יֵשׁוּעַ בְּבֵית לֶחֶם יְהוּדָה, בִּימֵי הוֹרְדוֹס הַמֶּלֶךְ, בָּאוּ מְגוּשִׁים מִן הַמִּזְרָח לִירוּשָׁלַים (Mt 2.1).

“E, tendo nascido Jesus em Belém de Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém” (Mt 2.1).

1. Por que chamamos os magos de reis? A história dos reis magos é narrada na Bíblia, exclusivamente no Evangelho de Mateus, sendo encontrada no capítulo 2 e nos versículos de 1 a 12. A narrativa bíblica não fornece muitos detalhes sobre eles, nem sequer seus nomes são mencionados. O único registro da origem deles é a menção ao fato de serem do Oriente.

A história dos reis magos na Bíblia desenrola-se a partir do nascimento de Jesus, que aconteceu em Belém, e uma estrela no céu (conhecida, na tradição cristã, como estrela de Belém) acabou atraindo a atenção dos magos/sábios que foram guiados até o local onde encontrava-se o recém-nascido.

Segundo os historiadores foi o escritor e teólogo Orígenes, do século III, “quem disse pela primeira vez que foram três magos em virtude dos três presentes oferecidos ao Menino”.

Antes “antes do século VI, nenhum autor afirmava expressamente que eles eram reis, com exceção de Tertuliano, que sugeriu que eles eram ‘quase reis’”.

A maioria dos historiadores concordam que os Magos do Oriente seriam astrólogos profissionais. Eles teriam provavelmente vindo da Pérsia ou da Babilônia, que correspondem na atualidade aos países do Irã e Iraque, de forma respectiva.

A Babilônia, naquele tempo, possuía uma das melhores escolas astronômicas, na cidade de Sippar (indicada por uma seta no mapa acima) e que registrava eventos celestiais, como esse que estamos a discutir neste estudo. Na Pérsia, esses astrólogos teriam uma outra razão para observar o céu, pois a religião daquela região era o zoroastrismo.

2. Quem eram estes “magos do oriente”? E como eles tomaram conhecimento da expectativa Judaica para o surgimento do Messias de Israel? Eles, no mínimo, foram expostos fortemente às profecias do “Antigo Testamento” nas colônias Judaicas do Oriente. E onde ficaria essa “Terra do Oriente”?

“Então pôs-se Jacó a caminho e foi à terra do povo do oriente” (Gn 29.1).

Como podemos ler nos versos acima, Jacó, quando fugiu de Esaú, foi para a Mesopotâmia se refugiar nas terras de seu tio Labão. O Gênesis também chama a Mesopotâmia, a terra entre os rios Tigre e Eufrates, como “lado oriental” (Gn 2.14). A “terra do oriente” frequentemente representa a Babilônia nos textos Bíblicos, pois ficava na Mesopotâmia e foi um lugar inesquecível para os Hebreus, que foram exilados para aquela cidade, por Nabucodonosor.

E quando os Judeus voltaram do Exílio Babilônico, foi apenas um remanescente que voltou para Jerusalém. A maioria dos Judeus eram prósperos na Babilônia, e escolheram por lá ficar. A população Judaica da Babilônia no tempo de Jesus era estimada em aproximadamente 3 a 4 milhões de Judeus. O próprio Império Romano não possuía muito poder nas Terras do Oriente, o que dava mais liberdade para o estudo da Bíblia pelos Judeus.

Um dos grandes Rabinos de Israel, na época de Jesus, o Rabino Hillel, é dito que ele estudou toda a literatura Judaica (como o Talmude da Babilônia) naquela cidade, antes de viajar para as terras de Israel.

Vale citar também que as primeiras sinagogas, casas de estudo das Escrituras Sagradas, surgiram na Babilônia, durante o tempo em que os Judeus estiveram por lá exilados. Não havia livros como hoje conhecemos. Os livros na sua forma atual são invenção de Gutenberg, inventor da imprensa na idade média. Na época de Jesus e dos “magos do oriente” os “livros” na verdade eram rolos, pergaminhos feitos de couro de animal, pele de ovelhas e carneiros.

Não se andava com vários rolos “pelas ruas”. Eram pesados e desajeitados. E eram, como são hoje, de preço caríssimo. Tinham que contratar escribas profissionais para fazer as cópias dos textos Bíblicos. Tudo ficava muito bem guardado nas sinagogas dos Judeus, e sob o controle dos Rabinos.

Seria improvável que Babilônios pagãos, adoradores de diversas divindades, místicos, tivessem interesse nesses Rolos da Lei de Deus, e certamente não teriam acesso a eles para uma análise da profundidade que se exigiria para entender as profecias Messiânicas, da forma como esses supostos “magos” entenderam.

Para se compreender uma profecia ao nível que esses magos do oriente compreenderam, ao ponto de afirmarem que “viram a estrela do Rei dos Judeus”, se fazia a necessidade de um estudo completo da Lei Mosaica. E isso era algo que apenas os Rabinos faziam na época, como o Rabino Hillel, citado anteriormente.

3. O significado da palavra Mago. E se voltarmos ao texto, em seus manuscritos em Grego, Aramaico e Hebraico, vemos que a palavra “magos” em Mateus 2.1 é o termo Grego “μάγοι” – “magos” (Strong’s: 3097), que significa professores, astrônomos, cientistas, e claro, como havia muitos falsários entre estes homens sábios, a palavra com o tempo foi tomando um conceito pejorativo para “adivinhadores”. Mas na época de Jesus ainda se usava o termo para designar homens sábios, de saber notório.

Essa palavra Grega “magoi” também está relacionada com o termo Hebraico “Ravmag” que por sua vez vem da raiz “Rav” – Rabbi – em Português “Rabino”.  Os Rabinos são professores da Lei de Deus. Em Aramaico, a palavra usada em Mateus 2.1 é o termo מגוּשֵׁא “megushe” – “astrônomo”.

Segundo os historiadores o termo 'magos' (magoi) que aparece em Mt 2.1 se refere àqueles que eram denominados ‘sábios’ na antiguidade.

Os Rabinos da época, mantinham uma observação constante dos céus, principalmente da lua, pois as fases da lua é que determinavam o calendário Judaico, bem como os dias dos seus principais festivais. Esses “magos do oriente” não eram pagãos – sem conhecimento das escrituras e da Lei de Deus.

Todas as evidências nos levam a crer que eles eram provavelmente Judeus ou descendentes de Judeus, que viviam no oriente, na Babilônia, e que eram estudiosos das Escrituras Sagradas e receberam uma revelação da parte de Deus sobre o nascimento do Messias de Israel na cidade de Belém conforme escreveu o profeta Miqueias 5.2.

Os Magos/Sábios do Oriente tem um comportamento muito diferente do que se esperaria de pagãos místicos, adorares de divindades demoníacas. Não há evidências em toda a passagem de Mateus, que eles eram praticantes de adivinhações, mágicas ou feitiçarias. O comportamento deles se assemelha com o de justos Judeus, que como muitos que encontraram com Jesus, se ajoelharam diante Dele e o reconheceram como Senhor de suas vidas.

Vale ainda dizer que esses Sábios do Oriente não tiveram nenhum ganho material com suas longas jornadas para encontrar o Messias. Eles mais pareciam representantes ou testemunhas providenciadas por Deus, que vinham de uma grande parte do Povo de Israel, que ainda estava fora da Terra Prometida. De um povo que ainda estava desunido, separado, ainda vivendo no exílio Babilônico.

4. Como surgiu a palavra reis. “Segundo o Padre Miguel Fuentes, do Instituto do Verbo Encarnado (IVE), explica no site “El Teólogo”, que no Novo Testamento não fala sobre o número, nome e nem sobre a sua suposta realeza.

A partir do século VIII, continua Pe. Fuentes, os Reis Magos “receberam nomes, com algumas variações (os primeiros foram Bithisarea, Melchior e Gathaspa).

Os nomes atuais de Gaspar, Melchior e Baltazar, foi-lhes atribuído no século IX pelo historiador Agnello, em sua obra 'Pontificalis Ecclesiae Ravennatis'.

E na Idade Média, eles foram até mesmo venerados como santos”.

A cena dos magos adorando o Menino Jesus se tornou o tema favorito na arte dos baixos-relevos, miniaturas e vitrais”. [Fonte de pesquisa: https://www.acidigital.com/noticias/quem-eram-os-reis-magos-e-por-que-se-chamam-melchior-gaspar-e-baltazar-65789 - acesso dia 22/05/2020].

Os reis magos tornaram-se o tema central da religiosidade católica romana. As festividades natalinas encerram-se dia 25 de dezembro, mas, dia 6 de janeiro, “Dia de Reis”, uma celebração do catolicismo popular aos Santos Reis ou Reis Magos, data da lendária visita dos reis do Oriente ao Menino Jesus.

Os Santos Reis não foram canonizados, mas o povo os vê como santos. Há dúvidas se existiram, porém, seus supostos restos mortais estão, desde 1161, na igreja de Colônia, na Alemanha.

No Brasil, que herdou de Portugal o culto aos Santos Reis, as manifestações, sem a tutela do clero e legitimadas como espaços de inclusão social, vão de reisados (ternos ou folias de reis), congada, queima da lapinha ou de palhinhas, rezas e cavalhadas, dependendo da região. Todavia, os sábios do oriente nos ensinaram-nos adorar os Reis dos reis em verdade e espírito, porém a religiosidade inverteu esta verdade, ou seja, “...mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. (Rm 1.25).

III. HERODES E OS SÁBIOS


1. O rei Herodes, o grande. Quando passam por Jerusalém, vão falar o rei, este foi Herodes, o Grande, rei da Judeia de 39 a 4 a. C. Herodes, era o pai de Herodes Antipas, tetrarca da Galileia, de 4 a 39 a. C. (homem que mandou degolar João Batista).

Herodes, o Grande, feito rei da Judeia pelos romanos, era um edomeu talentoso e enérgico, aumentando grandemente o esplendor de Jerusalém e construindo o templo que servia como centro dos cultos no tempo de Cristo.

Mas, sendo edomeu representava, naturalmente, a carne na sua inimizade contra o Senhor, e foi um dos monstros mais licenciosos, cruéis e sem escrúpulo de toda a antiguidade.

Teve nove meninos em Belém, matou, num ataque de ciúme, a Mariane, sua mulher predileta e três de seus filhos. Depois de matar seu filho Antipater, morreu, comido de vermes (At 12.23), em maneira semelhante a seu neto Herodes Agripa.

Herodes, era simplesmente fissurado pelo poder. Pois isso a morte de seus filhos, não desejava de maneira nenhuma que eles se levantassem para tomar seu trono.

2. O encontro do rei Herodes com os Magos/Sábios. Quando os magos vieram até ele, e lhe perguntaram: “Onde está aquele que nascido rei dos Judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos a adorá-lo” (Mt 2.2).

Imagine o pensamento de Herodes ao escutar que tinha nascido um rei dos judeus, certamente como a Bíblia Sagrada afirma, ele perturbou-se com isso: “E o rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele.” (Mt 2.3).

Uma cidade, que era para nesse momento estar adorando o Messias, estava perturbada. Diante dessa perturbação tanto de Herodes como Jerusalém, o sinédrio é reunido.

2.1. O rei preocupado convocou os príncipes dos sacerdotes e os escribas. Esses eram os dois grupos principais no Grande Sinédrio de Jerusalém, o tribunal de líderes religiosos dos judeus. Os príncipes dos sacerdotes eram os saduceus, e os escribas eram na sua maioria fariseus. Escribas significa literalmente “escritores”. Esses homens tinham a responsabilidade de copiar as Sagradas Escrituras e ensiná-las ao povo.

“E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes, e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo.” (Mt 2.4).

A pergunta que Herodes tinha era: “...onde havia de nascer o Cristo?” (Mateus 2.4). Eles respondem: “...em Belém da Judeia”. (Mt 2.5-6).

2.2. A astúcia do rei Herodes. Diante dessa afirmação, o rei vai até os magos e pede para eles procurarem diligentemente (com cuidado) pelo menino, e, quando acharem, voltar e avisar ele para que também pudesse adorar o rei dos judeus (Mt 2.8).

Só que nós sabemos que, Herodes não queria de forma alguma adorar o menino. Pois ele tinha medo de uma pessoa conseguisse tomar o seu trono, na verdade, ele queria matar o menino Jesus (Mt 2.16-18).

Porém, os magos obedecem e continuam sua jornada, sendo guiados pela estrela até que se deparam com a casa que estava o Cristo (Mt 2.9-11).

3. Os magos encontram o menino Jesus. “E eles lhe disseram: Em Belém de Judeia; porque assim está escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo Israel.” (Mt 2.5-6).

Quando o rei Herodes perguntou aos escribas e sacerdotes onde Jesus nasceria, como eles souberam que seria em Belém? Onde Jesus nasceria? (Mq 5.2.)

Os magos, ou melhor, estes sábios Judeus estavam todos cientes da profecia do profeta Miqueias muito antes de Jesus ser revelado. No entanto, Miqueias havia falado estas palavras 700 anos antes do Seu nascimento.

A Bíblia relata que, logo que entram na casa aonde estava o menino Messias, prostram-se e adoram a criança (Mt 2.11).

Enquanto que Herodes e Jerusalém estavam perturbados com o nascimento do Mashiach, os magos pelo contrário, estavam jubilosos e adorando o Senhor (Mt 2.10-11).

Assim devemos ser nós, devemos se render ao Senhor com grande alegria e adoração. Enquanto o mundo lá fora jaz no maligno (1ª Jo 5.19), adoram e cultuam os reis magos (da tradição humana), nós devemos continuar íntegros na presença de Jesus.

Continue persistindo nos pés daquele que, pode realmente solucionar os problemas de nossas vidas. Não importa se o mundo inteiro cair ao seu redor, se as vezes parece que só você continua clamando por algo. Fique contente, pois o próprio Jesus é seu consolo por intermédio do Espírito Santo.

E eles quando adoraram ao menino Jesus, ofertam o que a Bíblia chama de dádivas (Uma dádiva representa aquilo que é dado, um presente ou uma oferta). Os presentes que o Cristo recebeu foi: Ouro, Incenso e Mirra.

Sabe nada na Bíblia é por acaso, e é justamente aqui que vou te explicar algumas coisas importantes, vamos falar sobre cada presente que Jesus recebeu e entender que eles simbolizavam algo muito maior.

IV. OS PRESENTES

“E, vendo eles a estrela, alegraram-se muito com grande júbilo. E, entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, lhe ofertaram dádivas: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2.10-12)

Os magos, em seu júbilo pelo menino, ofereceram a Ele três presentes simbólicos. Ouro para o Grande Rei, incenso para o Sumo Sacerdote e mirra para o Redentor.

Nesses presentes, o tríplice ofício de Cristo se torna claro: Ele governaria para sempre sobre o cosmo como Rei, oferecia o sacrifício final como Sumo Sacerdote e traria o povo ao arrependimento como profeta. Ele era o Mashiach prometido a nação de Israel.

1. Ouro. Os substantivos ouro no grego [xpucróç e chrusos] é usado acerca de: (a) “moeda” (Mt 10.9; Tg 5.3) “ornamentos” (Mt 23.16.17; Tg 5.3) e moeda e ornamentos: (Ap 18.12); em 1ª Co 3.12, alguns manuscritos têm chrusos em vez de chrusion. [Fonte: Dicionário Vine O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento.].

1.1. O ouro representava o Reinado do Messias. 1. Jesus filho de Davi; 2. Seu reino jamais terá fim; 3. Rei e Sacerdote.

O ouro entregue a Jesus tem a simbologia da realeza. É um presente que atribui à figura do menino o título de Rei dos Judeus.

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto.” (Is 9.6-7).

Os magos que vieram do Oriente têm muito a nos ensinar, comprovando que o nascimento de Jesus realmente foi especial. Aliás, um Deus Forte, Pai da Eternidade no meio do Seu povo (Jesus), realmente era algo além do comum, ou melhor, sobrenatural.

Ouro, é o presente ideal considerado pelos judeus e também antepassados, para dar-se a um Rei. Porque Jesus então, recebeu um ouro como presente? Era “apenas um menino em uma manjedoura”, não estava em um palácio e muito menos em um trono. Veja abaixo que o Mestre Jesus é rei eternamente como isso?

O livro de Daniel revela que Nabucodonosor teve um sonho, a respeito desse sonho, ele pediu que os “magos, astrólogos, encantadores, sábios e os caldeus declarassem o sonho e também a interpretação do mesmo. Contudo, nenhum deles conseguiu.

O rei Nabucodonosor ficou irado com isso, e disse que se ninguém revelasse iria matar a todos sábios da Babilônia incluindo Daniel e os seus três amigos (Dn 2). Então essa notícia chegou até Daniel, um dos sábios, e ele foi perguntar para Deus o sonho e a interpretação do mesmo.

Até que Deus revelou, e ele vai até o rei. Eu vou resumir e explicar aqui para vocês da melhor forma.

O sonho mostrava uma estátua, a cabeça dela era de ouro significando a Babilônia, o peito e os braços de prata representando o império Medo-Persas, o ventre e os quadris de bronze simbolizando o império da Grécia e por último as penas de ferro e os pés de ferro e barro.

Mas, toda essa estátua produzida foi derrubada por uma pedra, que se transformou em uma montanha e durou para sempre.

Agora você deve estar perguntando-se, o que isso está relacionado com o ouro que Jesus recebeu que significa reinado? A estátua foram os impérios que já existiram, porém, todos esses impérios passaram com o tempo, mas a pedra que derrubou todos eles e se transformou em uma montanha durou para sempre (a respeito de toda essa história de Daniel está escrito em Daniel capítulos 1 e 2).

1.2. Agora me responda: quem é a Pedra? Sim Jesus Cristo com Seu reinado que dura eternamente! Ou seja, ele é Rei eternamente. Você quer ver como Ele é Rei vitorioso?
Apocalipse 19.11-16 diz quando ele veio para destruiu a besta e o falso profeta, na sua veste e na sua coxa tem escrito este nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES.

Glória a Deus! Isso comprova que o ouro que ele recebeu, simbolizava que quem estava ali não era simplesmente um menino, mas sim, um Rei ao qual por mais que todos reinados passem, o seu jamais passará, pois ele é Rei eternamente. (2ª Co 8.9; Cl 1.15-19).

2. O incenso. Incenso, o símbolo do Sacerdócio de Cristo. Do hebraico לְבֹנָה זַכָּה - lebonah zakah, que quer dizer incenso puro ou limpo. Um elemento comum do ritual do AT, o incenso era uma oferta cara e um sinal que reconhecia essencialmente a deidade (cf. Ml 1.11) A palavra tem uma dupla aplicação: refere-se tanto à substância usada para queimar como ao odor aromático que é assim produzido. Duas palavras hebraicas são assim traduzidas: (1) levonah, “incenso puro”; e (2) qetoret, “fumaça cheirosa” (em nossa versão portuguesa, “incenso” (Is 1.13). No gr. thymiama “incenso puro”; “sacrifício e oferta” no AT. Entre os israelitas, somente aos sacerdotes era permitido oferecer incenso. Quando o Senhor deu a Moisés instruções relativas a Arão, essas incluíam regulamentos estritos concernente ao emprego do incenso no lugar santo (Lv 16.12s.). O incenso é igualmente usado nas Escrituras como símbolo da oração (Sl 141.2; Ap 8.3s.).

2.1. O incenso representa o Sacerdócio. O Sacerdote tinha a função de mediar, de trazer os elementos da expiação dos pecados perante o Eterno. Um dos principais elementos que eram usados para a expiação da culpa era o קטרת Ketoret, comumente traduzido como incenso, uma mistura de várias especiarias. Porém, com a vinda de Cristo, e Sua morte, a Palavra de Deus vai dizer em Mateus 27.51 que esse templo, o véu dele rasgou, ou seja, não existia conseguia existir mais.

Na Nova Aliança, não é necessário mais matar animais e fazer holocausto como os Sacerdotes de antigamente, pois, Cristo entregou-se na cruz do Calvário como o verdadeiro “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

Veja bem o que o Texto de Hebreus 8 versículos 1 e 2 dizem sobre esse Sumo Sacerdote: “Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.”

Os homens não tinham como ter acesso a Deus, de modo que Deus providenciou um mediador e sumo sacerdote, Jesus Cristo-homem, o Ungido (escolhido) do Senhor escolhido entre milhares, encarregado de anunciar aos homens que Deus providenciou um resgate.

Em tudo o Verbo eterno encarnado tornou-se semelhante aos homens, pois só assim poderia ser misericordioso para com os pecadores e fiel sumo sacerdote para administrar aos homens o conhecimento de Deus (Jo 8.28; Jo 12.49-50).

“Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Hb 2.17).

3. A mirra. Este é talvez o mais misterioso dos presentes. É uma resina produzida por uma pequena árvore scraggly que cresce em regiões semidesérticas do Norte de África e o Mar Vermelho. Mirra é uma palavra árabe que significa amargo, e é considerado um curador de feridas por causa de sua forte antisséptico e anti-inflamatórias. Mas seu uso mais notável para eles era a de um material de embalsamamento, usado em múmias egípcias. Como uma pomada embalsamamento isso significava que Ele nasceu para morrer para o mundo. Na verdade, Mirra era uma das especiarias sepultamento de Jesus (Jo 19.39).

A mirra simbolizava a Sua paixão e morte. Desde o Seu nascimento, Jesus já tinha uma missão a cumprir, que era levar sobre si os pecados da humanidade, receber o castigo em Seu corpo e morrer no lugar dos pecadores, para fazer a expiação, trazendo perdão a todos aqueles que creem no Seu nome.

“A multidão de camelos te cobrirá, os dromedários de Midiã e Efá; todos virão de Sabá; ouro e incenso trarão, e publicarão os louvores do Senhor.” (Is 60.6).

Jesus é nosso Rei Salvador que em sacrifício de morte, nos regatou do reino das trevas, para o Reino da vida eterna (Cl 1.3). Seu Reino é de justiça e paz (Jo 3.16). Ele ouve nossas orações, intercedendo junto a Deus Pai para que possamos alcançar bênçãos e milagres (1ª Tm 2.5). A renúncia é uma característica dos que seguem a Jesus, pode parecer difícil viver no mundo e não ser “contaminado” nem derrotado, mas assim como a mirra que era amarga, porém curativa é vida dos discípulos do Mestre que são curados e restaurados pela obediência e amor.

Os magos sabiam que Jesus era o profeta esperado por séculos. Jesus é o Messias Supremo que haveria de vir, cumprindo todas as profecias a seu respeito e anunciando um novo tempo da Graça de Deus.

CONCLUSÃO. Os Magos/Sábios do oriente nos ensinam a olhar para os dois livros de Deus, a Natureza e as Sagradas Escrituras, com a expectativa, buscando a perceber o que Deus se revela em cada um deles, descobrindo para onde ir nesta jornada rumo ao lugar onde o Senhor nos aguarda para O adorarmos e experimentarmos a alegria indescritível que Ele tem separada para cada um de nós. Que você se espelhe nesses sábios e procure, na revelação Divina, os caminhos para se tornar um adorador melhor, experimentado o júbilo da presença do Deus Encarnado, Jesus Cristo, o Mashiach de Israel. Entenda uma coisa, Jesus deve ser Rei, Sacerdote e Salvação em sua vida, pois, se isso não ocorrer, certamente a sua jornada aqui na terra será uma catástrofe em trevas e ruínas.

Devemos sempre compreender que carecemos absolutamente de Cristo. Se você observar cada texto bíblico, eles representam um Deus maravilhoso, conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade e príncipe da paz diante de uma humanidade caída, sabe quem é a humanidade caída? Eu e você. Até para respirarmos necessitamos do fôlego de vida que somente Ele nos dá.

Dependa de Deus, viva com Deus, pois tenho certeza que existe ainda grandes promessas a serem realizadas em sua vida.

FONTE DE PESQUISA

1.      ANDRADE CLAUDIONOR. Dicionário Teológico 8ª Edição, CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
2.      BOYER ORLANDO Comentário Bíblico - Espada Cortante (Mateus). - CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
3.      Comentário Bíblico Beacon - Mateus e Lucas - 1ª edição 2006. CPAD -. Rio de Janeiro, RJ.
4.      FERREIRA JOÃO DE ALMEIDA. Bíblia Shedd. Revista Atualizada, 1ª Edição: 1998, Ed. Vida Nova, São Paulo – SP.
5.      FERREIRA JOÃO DE ALMEIDA. Bíblia explicada - S.E.Mc Nair - 9ª Edição - CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
6.      RENATO ANTÔNIO GUSSO. Gramática Instrumental do Hebraico. 1ª Edição: 2005. Ed. Vida Nova.
7.     GOMES GEZIEL. Pequena Enciclopédia Temática da Bíblia. CPAD -. Rio de Janeiro, RJ.
8.      Os Reis Magos do Oriente – A Estrela de Belém e os Presentes – Ouro Incenso e Mirra. https://acruzhebraica.com.br/novo/mateus/os-reis-magos-do-oriente-estrela-de-belem-e-os-presentes-ouro-incenso-e-mirra/- Acesso 23/052020.
9.      Os magos do Oriente e seus presentes ao Menino Jesus. https://enfoquebiblico.com.br/os-magos-do-oriente/ - acesso dia 23/052020.
10. Strong James. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong. Data de Publicação: 2002. Editora: Sociedade Bíblica do Brasil
11.  Quem eram os Reis Magos e por que se chamam Melchior, Gaspar e Baltazar? https://www.acidigital.com/noticias/quem-eram-os-reis-magos-e-por-que-se-chamam-melchior-gaspar-e-baltazar-65789 - acesso dia 22/05/2020].
12.  W. E. Vine / Merril F. Unger / Willian White Jr. Dicionário Vine. O Significado Exegético e Expositivo das Palavras do Antigo e do Novo Testamento. CPAD -. Rio de Janeiro, RJ.

Estudo elaborado pelo:
Pr. Elias Ribas
Assembleia de Deus
Blumenau – SC.