TEOLOGIA EM FOCO

segunda-feira, 17 de junho de 2019

A BATALHA DE GOGUE DE MAGOGUE- EZEQUIEL 38-39



Ezequiel 38–39 fala de uma grande batalha que ocorrerá em Israel nos “últimos dias” (Ez 38.8,16), e que envolverá um povo de “Magogue” liderado por um rei chamado Gogue. Ezequiel descreveu que essa guerra seria travada nos “montes de Israel” contra os filhos de Israel reunidos nessas terras. O Senhor também disse a Ezequiel que Ele salvaria milagrosamente Seu povo dos exércitos de Magogue, para que todas as nações soubessem “que eu Sou o Senhor” (Ez 38.23). Por causa dessas descrições, Ezequiel parece estar descrevendo a grande batalha que acontecerá antes da Segunda Vinda, ou seja, durante a grande tribulação.

I. QUEM É GOGUE E MAGOGUE

Historicamente falando, Magogue era um neto de Noé (Gn 10.2). Os descendentes de Magogue se estabeleceram no extremo norte de Israel, provavelmente na Europa e no norte da Ásia (Ezequiel 38.15). Magogue eventualmente se tornou o nome da terra onde os seus descendentes se estabeleceram. O povo de Magogue é descrito como guerreiros habilidosos (Ez 38.15; 39:3-9). Gogue é o nome de um futuro líder em Magogue que irá liderar um exército para atacar Israel. O Senhor prediz a condenação de Gogue: “Filho do homem, volve o rosto contra Gogue, da terra de Magogue…profetiza contra ele” (Ez 38.2).

Ezequiel 38 e 39 têm sido interpretados de várias formas ao longo dos séculos. A visão mais popular é a de ver a profecia como uma representação de uma batalha futura que inclui uma aliança de nações lideradas pela Rússia dos dias de hoje em um ataque contra Israel.

A coalizão invasora nesta guerra será composta de:
Magog, Rosh = Rússia e repúblicas da antiga União Soviética Persia = Irã Cush = Sudão, Etiópia e Eritreia Possivelmente Coloque = Líbia, Argélia e Tunisa Gomer, Meseque e Tubal = Turquia (e, possivelmente, Alemanha e Áustria), Beth-togarmah = Turquia, Arménia, Turquia pessoas que falam da Ásia Menor e Ásia Central.

II. GOGUE E MAGOGUE NO ANTIGO TESTAMENTO

Gogue e Magogue são citados em passagens do Antigo Testamento. No livro de Gênesis, Magogue é mencionado como um descendente de Jafé (Gn 10:2; 1º Cr 1.5). Já Gogue, é citado como um rubenita, filho de Semaías (1º Cr 5.4).

Apesar dessas referências iniciais, a passagem mais importante sobre Gogue e Magogue encontra-se no livro do Profeta Ezequiel (caps. 38 e 39). Gogue aparece como príncipe de Meseque e Tubal, e Magogue como sendo um povo, ou seja, a “Terra de Magogue”. Logo, a narrativa de Ezequiel apresenta Gogue da Terra de Magogue.

III. GOGUE E MAGOGUE NO APOCALIPSE

Como já dissemos, a expressão “Gogue e Magogue” aparece no livro do Apocalipse para descrever uma última batalha que precederá o Juízo Final (Ap 20.7-10).

O Apóstolo João relata que acabado o Milênio, Satanás será solto por um pouco de tempo, “e saíra para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. Seu número é como a areia do mar” (Ap 20.8).

João continua a narrativa dizendo que as nações, persuadidas por Satanás, cercarão “o acampamento dos santos, a cidade amada“, porém um fogo descerá do céu e as devorará, resultando ainda na condenação eterna de Satanás no “lago de fogo que arde como enxofre“. Depois disso, João começa a descrever em detalhes a cena do Juízo Final. Portanto há duas batalhas chamadas de Gogue e Magogue, a primeira antes da Segunda Vinda e a outra na Grande Tribulação. Elas são semelhantes no sentido que haverá grandes batalhas que destruirão completamente os inimigos de Deus e resultarão em mudanças importantes na Terra.

IV. DIFERENÇA NA BATALHA DE GOGUE E ARMAGEDOM

1. Na batalha de Gogue são mencionados aliados definidos, enquanto na do Armagedom todas as nações estão unidas (Jl 3.2. Sf 3.8. Zc 12.3. 14.4).
2. Gogue vem do Norte quando em Armagedom os exércitos vêm do mundo todo (Ez 38.6-15. 39.2).
3. Gogue vem para saquear enquanto em Armagedom as nações se unem para destruir o povo de Deus (Ez 38.11-12).
Gogue é o líder dos exércitos em sua invasão, mas em Armagedom é a besta quem a lidera (38.7. Ap 19.19).
4. Os exércitos de Gogue são colocados em ordem no campo aberto enquanto em Armagedom são vistos na cidade de Jerusalém (Ez 39.5. Zc 14.2-4).
5. O Senhor pede ajuda na execução de julgamento sobre Gogue enquanto em Armagedom Ele é retratado pisando sozinho o lagar (Ez 38.21. Is 63.3-6).

V. DESTRUIÇÃO DA NAÇÃO DO “NORTE” E SEUS SATÉLITES

Temos nessas profecias a descrição da invasão de Israel por uma nação do “Norte”, nos dias finais da era atual. Ver as expressões “no fim dos anos “, e “nos ‘últimos dias”, em Ez 38.8,16).

1. A intervenção divina.
O invasor e seus aliados serão totalmente derrotados e arruinados no próprio território de Israel, por intervenção divina direta. “Nos montes de Israel cairás, tu e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; a toda espécie de aves de rapina e aos animais do campo eu te darei, para que te devorem. Cairás em campo aberto, porque eu falei, diz o Senhor Deus.” (Ez 39.4,5).

Deus intervirá porque Israel é o Seu povo e Sua possessão. Em Ezequiel 38.16, Deus chama Israel de “o meu povo “, e “a minha terra “. Isto é altamente significativo e deveria servir de aviso a todos aqueles que se levantam contra Israel.

Esta nação, de que trata as profecias já mencionadas, deverá, na época da invasão em apreço, ser muito poderosa belicamente, sabendo que a nação de Israel, desde há muito é líder reconhecida em matéria de estratégia de ataque e defesa. Nesse tempo Israel deve estar muito mais consolidada e fortalecida como nação, do que atualmente, e certamente possuindo maior território do que o atual (conforme Ez 3 8.8). Alguns estudantes da Bíblia julgam ser Gogue e Magogue símbolos dos poderes do mal contra o povo de Deus nos últimos dias, mas nesses capítulos de Ezequiel (38 e 39) vemos tratar-se claramente de povos e nações reais. Também em Gênesis 10.2 onde temos o rol das nações troncos originaram os demais povos, e também em 1º Crônicas 1.5, vemos que se trata de povos reais e não simples símbolos do mal. Os fatos importantes nesses dois capítulos de Ezequiel é que Deus assegura que estará ao lado de Israel e intervirá sobrenaturalmente, abatendo esses inimigos do Seu povo: Gogue, o líder que intenta destruir Israel, juntamente com a coalizão de nações sob sua liderança. Duas vezes Deus afirma na citada profecia: “Eu sou contra ti, ó Gogue, príncipe e chefe de Meseque e Tubal.” (Ez 38.3; 39.1).

Os países atuais que situam-se ao norte geográfico de Israel são os que compõem a CEI (Comunidade dos Estados Independentes), a ex-União Soviética. Esse bloco de nações adotavam o comunismo ateu até recentemente como sistema político de governo, e ainda relutam nesse sentido. Metamorfoses políticas em grande escala vêm ocorrendo naquela parte do mundo, como é o caso da já citada CEI e também da UE (União Europeia), antes conhecida como MCE (Mercado Comum Europeu).

2. Gogue invadirá Israel
O estudo meticuloso das profecias mencionadas no início deste Texto, mostra que Gogue - a nação ou bloco de nações do norte da Terra, em relação à Israel, invadirá esse pais nos últimos dias. A Bíblia localiza Gogue ao norte de Israel (Ez 38.6,1 5; 39.2; Jl 2.20). Essa poderosa nação do Norte será ajudada nessa invasão por nações europeias, asiáticas e africanas. Veja a lista completa desses atacantes: Magogue, Meseque, Tubal (Ez 3 8.2,3). Persas, etíopes, Pute, Gômer, Togarma, e muitos povos (Ez 38.5,6). Líbios (Dn 11.43).

Pelo estudo dos capítulos 38 e 39 de Ezequiel, e 10 de Gênesis, vemos que muitos nomes geográficos estão hoje modificados devido a evolução das línguas e os problemas de tradução e transliteração. O estudo comparativo da etnologia antiga e moderna dessas regiões, facilitará a identificação das mesmas:

2.1. Gogue. Magogue. Meseque. Tubal (Ez 3 8.2,3). No versículo 2, a “Tradução Brasileira” emprega a expressão “príncipe de Rós“, sendo “Rôs” uma transliteração direta do hebraico, que muitos pensam significar “Rússia”, neste contexto da profecia de Ezequiel. As versões de Almeida “Atualizada” e “Corrigida”, empregam a expressão “príncipe e chefe “.

2.2. Gogue. O próprio texto bíblico explica que se trata do governante de Meseque e Tubal, da terra de Magogue.

2.3. Magogue. Meseque, Tubal. Regiões primitivas ocupadas pelos citas e tártaros, grandes remos do passado, correspondendo hoje à moderna CEI (Comunidade dos Estados Independentes). Josefo declara que Magogue ocupa a região das citas e tártaros (Josefo, Vol.1.6.1). Meseque converteu-se graficamente em Tubal é o moderno nome de Tobolsk, uma das principais cidades russas.

2.4. Gômer, Togarma (Ez 38.6). Gômer veio a Germânia e modernamente a Alemanha, corresponde a Armênia e Turquia.

2.5. Persas, etíopes. Pute (Ez 38.5). A Pérsia tem o moderno nome Ira. Ela adotou este nome em 1935. Em 1932 ela firmou um acordo com Moscou, que em caso de guerra as forças da Rússia terão permissão de cruzar seu território para atacar a Mesopotâmia. Segundo esta profecia de Ezequiel 38.5, o Irá tornar-se-á comunista ou pró-comunista. A Etiópia moderna é fácil localizar pelo seu outro nome: Abissínia. A Etiópia original ficava na bacia dos rios Tigre e Eufrates (Gn 2.14). Daí seus habitantes emigraram para a África e fundaram o extenso reino da Etiópia, do qual hoje a Abissínia é uma pequena fração. Etiópia é palavra grega; em hebraico é Cuxe ou Cush. Os etíopes originaram muitos povos africanos. Pute é a atual Líbia, vizinha do Egito. A Pute primitiva era uma região muito mais extensa. Esses dois últimos povos (líbios e etíopes) são também mencionados na profecia de Daniel 11.43, pertinente ao assunto em pauta.

VI. MOTIVOS DA INVASÃO DE ISRAEL POR GOGUE

1. As riquezas de Israel. Ez 38.11-12: “E dirás: Subirei contra a terra das aldeias não muradas; virei contra os que estão em repouso, que habitam seguros; todos eles habitam sem muro, e não têm ferrolhos nem portas; 12 A fim de tomar o despojo, e para arrebatar a presa, e tornar a tua mão contra as terras desertas que agora se acham habitadas, e contra o povo que se congregou dentre as nações, o qual adquiriu gado e bens, e habita no meio da terra.

Os motivos da invasão de Israel por Gogue serão principalmente dois: as riquezas de Israel, inclusive as do Mar Morto, e a posição estratégica que Israel ocupa. “Assim diz o Senhor Deus: Esta é Jerusalém; pu-la no meio das nações e terras que estão ao redor dela.” (Ez 5.5).

2. Gogue será derrotado no próprio pais de Israel. Ez 39.4,5: “Nos montes de Israel cairás, tu e todas as tuas tropas, e os povos que estão contigo; e às aves de rapina, de toda espécie, e aos animais do campo, te darei por comida. 5 Sobre a face do campo cairás, porque eu o falei, diz o Senhor DEUS. 6 E enviarei um fogo sobre Magogue e entre os que habitam seguros nas ilhas; e saberão que eu sou o SENHOR. 7 E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e os gentios saberão que eu sou o SENHOR, o Santo em Israel.

3. Será uma sobrenatural intervenção divina (Ez 38.1 9,20). Haverá também rebelião entre as próprias tropas atacantes (Ez 38.2 1). Tremendos flagelos sobrenaturais atingirão em cheio o inimigo (Ez 3 8.22). O morticínio será incalculável (Ez 39.1 2).

Muitos confundem esta guerra de Gogue e seus aliados contra Israel, com a Batalha de Armagedom, de que tratamos noutra Lição. Há muita diferença entre os dois conflitos. O ataque de Gogue contra Israel começará no início da 70ª “semana” de Daniel 9.27, isto é, no início da Grande Tribulação (ou um pouco antes). Já o Armagedom ocorrerá no final da “semana “. Na invasão de Israel por Gogue, apenas um grupo de nações participará; já no Armagedom participarão “todas as nações” (Ap 16.14; 19.19; Jl 3.2; Zc 12.3b; 14.2-4,9).

Na época da invasão de Israel por Gogue, o bloco de dez nações, na área do antigo Império Romano, já está formado, e o Anticristo em evidência, ocultando sua verdadeira identidade e propósito.

A queda total e irrecuperável de Gogue e seus aliados, originará um tremendo vazio e desequilíbrio na liderança do poder político e bélico mundial. O vazio deixado pela queda de Gogue deixará o caminho aberto para o surgimento imediato do Anticristo no cenário mundial, como líder e salvador da crítica situação mundial.

VII. CONVERSÃO EM MASSA DE JUDEUS
Ez 39.7: “E farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo Israel, e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e os gentios saberão que eu sou o SENHOR, o Santo em Israel.”

Como resultado da intervenção divina salvando miraculosamente Israel, os judeus e as nações da Terra reconhecerão que há um Deus que governa todas as coisas. Ez 39.21,22: “Manifestarei a minha glória entre as nações, e todas as nações verão o meu juízo, que eu tiver executado, e a minha mão, que sobre elas tiver descarregado. Desse dia em diante, os da casa de Israel saberão que eu sou o Senhor seu Deus.”

Isso resultará na conversão de muitos judeus e no derramamento do Espírito Santo.
Além disso, no versículo 29, Deus diz: “Não vou esconder meu rosto deles por mais tempo, porque eu derramei o meu Espírito sobre a casa de Israel”, que é uma descrição da restauração espiritual de Israel a Deus depois de o Anticristo é derrotado que é consistente com o que o resto da Escritura diz sobre esse tempo.

Pr. Elias Ribas
Dr. em Teologia

quinta-feira, 13 de junho de 2019

O SACERDÓCIO DE CRISTO E O LEVÍTICO



TEXTO ÁUREO
“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus.” (Hb 7.26).

Verdade Prática
Nosso grande e único Sacerdote é Jesus Cristo. Ele intercede eficazmente em nosso favor diante do Pai.

LEITURA BÍBLICA
Êxodo 28.1; Levítico 8.22; Hebreus 7.23-28; 1 Pedro 2.9

Êxodo 28.1: “Depois, tu farás chegar a ti teu irmão Arão e seus filhos com ele, do meio dos filhos de Israel, para me administrarem o ofício sacerdotal, a saber: Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.”

Levítico 8.22: “Depois, fez chegar o outro carneiro, o carneiro da consagração; e Arão e seus filhos puseram as mãos sobre a cabeça do carneiro.”

Hebreus 7.23-28: “E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer; 24 - mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. 25 - Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
26 - Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, 27 - que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.  28 - Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre.

1ª Pedro 2.9: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

INTRODUÇÃO.
- Nesta lição aprenderemos sobre o sacerdócio de Cristo e o sacerdócio Levítico; veremos a escolha de Deus para com a tribo de Levi para exercerem o serviço no santuário; por sua vez destacaremos aspectos importantes do sacerdócio de Cristo, e por fim, destacaremos as principais características de Jesus como nosso Sumo Sacerdote.

I. A ESCOLHA DOS SACERDOTES (Êx 28.1)
- Deus escolheu a linhagem sacerdotal levítica, e não Moisés. Essa escolha indicava a soberania do Senhor para designar obreiros para sua Obra. No ministério cristão, por meio do Espírito Santo, Deus é quem elege líderes para o ministério (At 13.2).

- Os filhos de Levi antes de serem santificados para o ministério levítico eram uma tribo comum; mas, foram separados pelo Senhor para exercer as funções no Tabernáculo (Nm 1.50,51,53; 18.2-4,6; 1º Cr 15.2).

1. Os sacerdotes precisavam pertencer à tribo de Levi.
- Por haverem sido resgatados da morte na noite da Páscoa, os primogênitos das famílias hebraicas pertenciam a Deus (Êx 13.1,2), mas os levitas, por seu zelo espiritual, foram escolhidos divinamente como substitutos dos filhos mais velhos de cada família (Êx 32.25-29; Nm 8.17-19; ver 3.5-13). Deus separou para isto os três filhos de Levi: Gérson (gersonitas), Coate (coatitas) e Merari (meraritas) (Nm 26.57). Durante os dias de Davi, com a reforma no culto promovida por aquele monarca de Israel e que era também grande músico, os levitas foram divididos em quatro classes:

A. Assistentes dos sacerdotes no trabalho do santuário.
B. Juízes e escribas.
C. Porteiros.
D. Músicos e cantores. Essas classes foram subdivididas em grupos, que serviam cada um por seu turno (1º Cr 24-25; Ed 6.18).

- O Altíssimo ordenou que Moisés contasse os filhos de Israel, excetuando a tribo de Levi, a fim de que os levitas se encarregassem dos ofícios do Tabernáculo (Nm 1.49,50; 3.6). Assim, o sacerdócio de Levi obteve uma posição proeminente entre as demais tribos de Israel (Nm 1.52,53).

2. Características especiais dos levitas.
- Aqui, destacaremos duas características especiais dos levitas:

(1) O chamamento específico para o serviço do Tabernáculo.
(2) A unidade, pois todos falavam a mesma língua, defendiam o mesmo comportamento e mantinham a mesma fé. Ambas as características apontam para a importância da unidade da Igreja. A igreja local é o Corpo de Cristo, portanto, o chamamento e a unidade são a sua marca (Jo 17.20,21).

2. Sacerdotes.
- A palavra sacerdote que no hebraico é “kohen”, e de acordo com Champlin (2004, p.13), esse termo em português, vem do latim: “sacer”, e que quer dizer: “sagrado, consagrado”, e se refere ao ministro divinamente designado na Antiga Aliança, cuja função principal era representar o homem diante de Deus (Êx 28.38; 30.8). Antes do êxodo, o chefe de cada família ou o primogênito, desempenhava o papel de sacerdote familiar; mas, os ritos do tabernáculo e a exigência de observá-los com exatidão tornaram necessária a instituição de um sacerdócio dedicado ao culto divino. Para esta importante função, Deus escolheu Arão e seus filhos (Êx 28.1). A vocação sacerdotal era hereditária, de modo que os sacerdotes podiam transmitir a seus filhos as leis detalhadas relacionadas com o culto e com as numerosas regras às quais os sacerdotes viviam sujeitos a fim de manterem a pureza legal que lhes permitisse aproximar-se de Deus (Nm 18.2,7,8).

4. Sumo sacerdote.
- O sumo sacerdote era o principal entre os sacerdotes (Lv 21.10; 2º Cr 19.11). Em hebraico ele é chamado de “kohen gadol”, que quer dizer: “grande sacerdote”. Somente ele entrava uma vez por ano no Lugar Santíssimo para expiar os pecados da nação israelita, no Dia da Expiação (Êx 30.10; Lv 16.34). Diferentemente dos demais levitas, cujo trabalho seria até os cinquenta anos (Nm 8.23-26), o sumo sacerdote nos tempos primitivos tinha cargo vitalício, embora nos tempos do NT mudanças parecem ter ocorrido, com interferências políticas e rodízio entre os sacerdotes (Jo 11.49-51; Lc 3.2). O sumo sacerdote distinguia-se dos outros membros da classe sacerdotal pelas roupas que usava, pelas funções que desempenhava e pelas exigências particulares impostas a ele (Êx 28.40). Só ele vestia a estola sacerdotal ou éfode, e só ele trazia o Urim e o Tumim no “peitoral do juízo”, pelo qual os judeus consultavam ao Senhor sobre questões difíceis (Êx 28.15-30). O primeiro sumo sacerdote escolhido por Deus em favor de Israel foi Arão (Hb 5.1-4). Ele era o filho mais velho do levita Anrão e de Joquebede (Êx 6.20; Nm 26.59), e irmão de Moisés e Miriã, sendo três anos mais velho que o Legislador (Êx 7.7). Sua esposa era chamada Eliseba (Êx 6.23). Com ela Arão teve quatro filhos, Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar (1º Cr 24.1).

4. A consagração sacerdotal tinha um só propósito.
- Os sacerdotes foram consagrados para servir no Tabernáculo. Separados pelo e para o Senhor, não podiam executar outra atividade que fugisse a esse propósito (Nm 1.50; 3.12). Logo, o método de Deus para os obreiros do Novo Testamento não é diferente: os obreiros do Senhor não se embaraçam “com negócio desta vida” (2ª Tm 2.4). Ratificando esse princípio, nosso Senhor declarou que o vocacionado para “arar a terra” não pode olhar para trás (Lc 9.62). É preciso olhar para frente e fazer a obra divina com perseverança e fé (Hb 10.38).

II. VESTIMENTA SACERDOTAL PARA O SERVIÇO

1. Simbologia da vestimenta sacerdotal.
- O capítulo 28 de Êxodo descreve a vestimenta sacerdotal para o serviço no Tabernáculo. A vestimenta tinha características especiais e cerimoniais, pois servia de “glória e ornamento” do ministério (Êx 28.2). A vestimenta era um símbolo da autoridade sacerdotal. Além de despertar a atenção do povo, marcava o caráter divino do serviço.

2. A túnica chamada “éfode” (Êx 28.4).
- Era uma espécie de avental sem manga que cobria a frente e as costas, unido por tiras em cada ombro e por um cinto (Êx 28.6-8). As tiras tinham engastes de ouro com pedras de ônix, em cada uma tinha a gravação dos nomes dos filhos de israel. Dos engastes de ouro dessas pedras pendia o peitoral. O éfode descia um pouco abaixo da cintura, por cima da túnica de linho até os pés do sacerdote. Por levar sobre os ombros os nomes dos filhos de Israel, o Sumo Sacerdote constituía-se no mediador do povo diante de Deus.

2.1. A estola. A vestimenta usada pelo sumo sacerdote era ornamentada. Pedras colocadas em fivelas nos dois ombros, nas quais os nomes das tribos estavam gravados, pareciam sua mais importante característica. Ao usá-la, o sumo sacerdote aceitava o papel de representante de todo o povo. O que ele fazia, fazia por eles e por Deus.

- Sacerdotes comuns vestiam simples estolas longas até as coxas, feitas de linho fino branco quando ministravam (Êx 39.27; 1º Sm 2.18; 2º Sm 6.14).

3. O “Urim e Tumim”.
- Provavelmente eram uma forma de lançar sortes. No Antigo Testamento, o povo de Deus pedia a orientação divina para tomar cada decisão importante (Nm 26.55,56). Para isso, recorria ao Urim e Tumim. No hebraico, a expressão significa “luzes e perfeições”. Eram pedras colocadas provavelmente sobre o peitoral do Sumo Sacerdote, representando a vontade de Deus; numa pedra, a resposta positiva, e na outra, a resposta negativa (Ed 2.63; Ne 7.65). O Sumo Sacerdote só tomava as pedras do Urim e Tumim em casos muito especiais (1 Sm 28.6). No Novo Testamento, é relatada uma prática semelhante ao Urim e o Tumim, na escolha do sucessor de Judas Iscariotes (At 1.26).

- O peitoral era um colete finamente modelado. Era preso à estola com correntes de ouro e decorado com quatro fileiras de joias, cada um representando uma tribo de Israel. Há um significado especial em vestir o nome das tribos de Israel sobre o coração do sumo sacerdote. Como representante de outros diante Deus, ele deveria preocupar-se profundamente com eles, até mesmo como o próprio Senhor. A adoração pode ser cerimonial. Mas pode tornar-se um mero ritual” (LAWRENCE, Richards O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.70).

III. O SACERDÓCIO DE CRISTO (Hb 7.23-28)

1. Sua origem. Arão foi feito sacerdote por Deus e não pelos homens: “E ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão” (Hb 5.4). Da mesma forma Cristo foi feito por Deus sacerdote:

Hb 5.5,6: “Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei; 6 como em outro lugar também diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”

Considerando que a Bíblia não menciona a genealogia de Melquisedeque (Hb 7.3), seu sacerdócio era singular em sua ordem, pois não dependia de sua genealogia, mas de sua nomeação direta por Deus (Gn 14.18). Da mesma forma, Jesus foi feito sumo sacerdote diretamente por Deus: “Chamado por Deus sumo sacerdote” (Hb 5.10; Hb 10.21).

2. Sua ordem. Na mente de um judeu, letrado nas ideias levíticas rígidas, era inconcebível que alguém servisse como sacerdote sem ser descendente de pais sacerdotes, sem genealogia. No entanto, Melquisedeque aparece nesta função: “sem genealogia” (Hb 7.3) ou “cuja genealogia não é contada” (Hb 7.6). É bom lembrar que foi o próprio Moisés que chamou Melquisedeque de “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18); e ele foi reconhecido como tal mesmo sem credenciais formais. Neste sentido, ele foi feito semelhante a Jesus, que também não tinha uma linhagem sacerdotal normal. Nosso Senhor procedeu de Judá e desta tribo nunca Moisés falou de sacerdócio (Hb 7.14). Por isso, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria (Hb 8.4). No entanto, o escritor aos Hebreus assevera que Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque e não segundo a de Arão: “...Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque” (Hb 7.14). Portanto, o sacerdócio de Cristo é de uma ordem melhor, pois é independente da Lei de Moisés (Hb 7.11,12); e, da tribo de Levi (Hb 7.13-15).

3. Sua Superioridade. O sacerdócio de Melquisedeque é superior ao de Arão por, pelo menos, dois motivos:

3.1. É anterior ao sacerdócio aarônico. O registro da aparição de Melquisedeque se dá em Gênesis 14.18-20 e a instituição do sacerdócio por Arão se deu em Êxodo 28.1, ou seja, por volta de 600 anos depois.

3.2. Foi feito sob juramento. Enquanto o sacerdócio de Arão foi realizado por indicação divina (Nm 17.1-10), a continuação do sacerdócio de Melquisedeque foi feita por indicação divina e sob juramento: “Jurou o SENHOR, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). É bom destacar que o juramento de Deus é feito em si mesmo, visto que ninguém lhe é superior (Hb 6.13). E, isto é o equivalente de dizer que Sua própria palavra bastava.

4. Sua durabilidade. O sacerdócio levítico era interrompido pela morte, o sacerdócio de Cristo, pelo contrário, é eterno porque ele vive para sempre “... tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque” (Sl 110.4). O escritor aos hebreus faz questão de aludir a isso: “E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque pela morte foram impedidos de permanecer, mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo” (Hb 7.23,24).

5. Sua perfeição. O sacerdócio levítico era imperfeito, por diversos motivos:
5.1. Os sacrifícios realizados, deviam ser repetidos não eram sacrifícios definitivos (Hb 10.11).

5.2. Não podiam purificar a consciência (Hb 10.1).

5.3. Era composto por homens imperfeitos, que necessitavam sacrificar por si mesmos, para depois sacrificarem pelo povo (Lv 4.3).

- Jesus, no entanto, ofereceu-se uma vez só (Hb 10.10); seu sacrifício purifica a consciência (Hb 9.14); e, Ele não precisou sacrificar por si mesmo, porque é sacerdote perfeito (Hb 7.28). Como sacerdote, Cristo possui as seguintes características: “… santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus; que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7.26,27).

IV. QUE TIPO DE SACERDOTE É CRISTO

1. Um sacerdote que tem acesso direto a Deus. O Sumo sacerdote só podia entrar no Lugar Santíssimo, onde estava a arca da aliança, que simbolizava a presença de Deus, apenas uma vez no ano (Êx 30.10; Lv 16.34; Hb 9.7). No entanto, Cristo, nosso “…grande sumo sacerdote… penetrou nos céus” (Hb 4.14).

- Ele entrou no santuário celeste, para interceder por nós: “Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus” (Hb 9.24).

2. Um sacerdote que se identifica com a natureza humana. Quando encarnou, Cristo, compartilhou da natureza humana de forma plena: corpo, alma e espírito (Mt 26.12; Jo 12.27; Mt 27.50). Especificamente no corpo, Ele também padeceu de todas as fragilidades humanas. A Bíblia mostra que ele sentiu fome (Lc 4.2); sede (Jo 4.7; 19.28); teve cansaço físico (Jo 4.6); chorou (Jo 11.35); sorriu (Lc 10.21) e, foi tentado em tudo, mas não pecou (Mt 4.1; Lc 22.28; 1ª Pd 2.22). Por isso, como sacerdote, Ele pode se compadecer das nossas fraquezas (Hb 4.15); e, pode socorrer os que são tentados “porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (Hb 2.18). Jesus, conhece o ser humano de forma plena (Jo 2.25; Ap 1.14; 2.23).

- Quando Jesus, morreu na cruz como oferta pelos nossos pecados, o véu do Templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23.45). Agora, ficou aberto o acesso a Deus (Hb 9.1-14; 10.19-22). Contrastando o acesso limitado a Deus que os israelitas tinham na Antiga Aliança, Cristo, ao dar sua vida por nós como sacrifício perfeito, abriu o caminho para a própria presença de Deus e para o trono da graça (Hb 4.16). Por isso, na Nova Aliança, os crentes podem com muita liberdade achegar-se a Deus (Ef 2.18, 3.12), chamando-o de Pai como Jesus nos ensinou e o Espírito Santo nos leva a fazer (Mt 6.9; Rm 8.15). Agora, também todo crente é constituído sacerdote para o serviço de Deus (Ap 1.6; 5.10; 20.6).

CONCLUSÃO.
- O Senhor nomeou Arão e seus descendentes para exercerem o sacerdócio, o que na verdade é uma figura do Eterno e perfeito sacerdócio de Cristo, o qual através do Seu sacrifício nos abriu o caminho de acesso a Deus tornando cada salvo um sacerdote.

- Quem recebe a Cristo como Salvador e Senhor, “nova criatura é; eis que tudo se fez novo” (2ª Co 5.17). Andemos em novidade de vida para a glória de Deus! Ele é o nosso perfeito Sumo Sacerdote.

FONTE DE PESQUISA

1. CABRAL Elienai Lições bíblica do 2º trimestre de 2019. CPAD.
2. CHAMPLIN, R. N. Dicionário de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.
3. HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
4. STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

AS SETE VERDADES DE NOSSA VOCAÇÃO




INTRODUÇÃO.
O que significa a palavra vocação.
Vocação é um termo derivado do verbo no latim “vocare” que significa “chamar”.
Vocação é um talento, uma aptidão natural, um pendor, uma capacidade específica para executar algo que vai lhe dar prazer.
Vocação religiosa é um chamado de Deus para a prática religiosa, é louvar e servir a Deus e ao próximo. Ter vocação religiosa é estar disponível para se separar das coisas que são do mundo e que não são do agrado de Deus.
A vocação religiosa pode ser seguida por homens como também por mulheres, que ao sentirem o chamado de Deus, deixam tudo e colocam-se inteiramente a serviço dos irmãos mais necessitados. Essas mulheres buscam as congregações que mais se identificam e se preparam para serem irmãs ou freiras.

I. É uma Vocação Santa
2ªTm 1.9: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes da fundação do mundo”.
1ª Pe 1.15: “Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento”.
Hb 12.14: “Segui a paz com todos e santificação, sem a qual ninguém verá a Deus”.
Mt 5.8: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus”.

II. É uma Vocação Celestial
Hb 3.1: “Por isso, irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus”.
Tg 1.17: “Toda boa dádiva e todo o dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

III. A Vocação Tem Uma Esperança
Ef 4.4: “Há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação”.
Sl 126.5-6: “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus molhos”.
Quem vive com fé e em obediência, mesmo em meio a dificuldades, há de ver resultados maravilhosos da sua obra.

IV. É Uma Vocação Sem Arrependimento
Rm 11.29: “Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento (irrevogáveis)”.

V. Sem Aparência Humana
1ª Co 1.26-29: “Irmãos, reparai, pois na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes. Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são”.
Dos filhos de Jessé Deus escolheu o mais moço e sem aparência, porque Deus olha para o coração e não para o exterior.

VI. É Uma Vocação Dignificada
Ef 4.1: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados”.
2ª Rs 4.9: “Ela disse a seu marido; Vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus”.

VII. A Nossa Vocação é uma Dádiva por Deus
Ef 4.11-12: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros pra pastores e mestres” 12 “Com vista ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”.
2ª Tm 1.11: “Para o qual eu fui designado pregador, apóstolo e mestre”.
Rm 12.5-8: “Assim também nós, conquanto muitos somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. Tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia seja segundo a proporção da fé; Se ministério dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina esmere-se no faze-lo; ou u que exorta faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia, com alegria”.

CONCLUSÃO. A vocação divina é diferente da vocação humana, pois não se trata de uma profissão, mas de um estado de vida. Deve ser uma doação, livre, consciente, madura, por amor a Deus e ao próximo.
A vocação de Deus é pessoal, intransferível e incontestável. Pessoal, pois Ele chama pessoas e não coisas; gente e não instituições. E ao chamar Deus lança no coração de Seus filhos uma profunda convicção de propósito – a busca por estar no lugar certo, na hora certa e fazendo o que Ele deseja de nós a cada dia.

Pr. Elias Ribas

quarta-feira, 12 de junho de 2019

AS ORAÇÕES DOS SANTOS NO ALTAR DE OURO



Levítico 16.12,13 “Tomará também o incensário cheio de brasas de fogo do altar, de diante do SENHOR, e os seus punhos cheios de incenso aromático moído e o meterá dentro do véu. 13 E porá o incenso sobre o fogo, perante o SENHOR, e a nuvem do incenso cobrirá o propiciatório, que está sobre o Testemunho, para que não morra.”

Apocalipse 5.6-10 “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra. 7 E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono. 8 E, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. 9 E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; 10 e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.”

INTRODUÇÃO.
- No Antigo Testamento, o incenso era a oferenda mais preciosa e excelente que se podia oferecer ao Senhor. Ali, no limiar do lugar Santíssimo, o sacerdote entrava, com temor e tremor, para adorar a Deus com um incenso preparado exclusivamente àquela ocasião. Hoje, o sacrifício mais sublime que devemos oferecer ao Senhor são as orações, súplicas e ação de graças. Por esse motivo, o Senhor Jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta, e, no segredo de nossos aposentos, oferecer clamores e ação de graças ao Pai Celeste (Mt 6.6-13).

- Para se oferecer o incenso ao Senhor, três coisas eram necessárias: o lugar, o altar e a cerimônia. Apenas o sumo sacerdote estava autorizado a conduzir esse ato de adoração.

I. O LUGAR SANTÍSSIMO

1. Visão panorâmica do tabernáculo de Moisés.
- Como sabemos, o tabernáculo de Moisés dispunha de três divisões: o pátio externo, onde ficavam o altar de bronze para os holocaustos e a pia de bronze para o lavatório; entrando no interior do tabernáculo propriamente, estava o primeiro ambiente, que era o Lugar Santo (ou átrio), onde ficavam três mobílias: à direta, a mesa dos pães da proposição, à esquerda o grande candelabro de ouro, e de frente, junto ao véu que separava o Lugar Santo do Lugar Santíssimo estava o altar de ouro para ofertas de incenso. Por trás desse grosso e pesado véu estava o Lugar Santíssimo, onde estava a arca da aliança feita de ouro, que trazia em seu interior as pedras dos mandamentos, a varão de Arão que floresceu e um pouco do maná que o povo comeu no deserto; ainda sobre esta arca da aliança (ou arca do testemunho/concerto) estava a chamada “tampa do propiciatório”, e sobre a tampa dois querubins esculpidos em ouro. Neste último ambiente, somente o sumo-sacerdote podia entrar uma vez ao ano, no Dia da Expiação; nos demais ambientes, os sacerdotes oficiavam culto e ofertas ao Senhor diariamente.

2. O altar do incenso.
- O altar do incenso no tabernáculo de Moisés era quadrado, de modo que seu cumprimento e largura mediam 1 côvado (45 cm), com 2 côvados de altura (90 cm). Assim como a mesa dos pães da proposição, o altar de incenso era feito de madeira de acácia e coberto de ouro puro; tinha também pontas em cada canto e duas argolas de ouro nas suas laterais para fins de transporte.

3. Relação entre o altar e o Lugar Santíssimo.
- Ainda que o altar do incenso ficasse localizado no Lugar Santo, tinha uma profunda relação com o significado espiritual do Lugar Santíssimo (ou Santo dos Santos), especialmente no Dia da Expiação se podia dizer que o altar do incenso pertencia a este último ambiente (Hb 9.2,3; Lv 16.12,13). É uma forma de dizer que as ervas queimadas que faziam subir uma fumaça com perfume agradável bem à frente do véu, eram como as orações do povo de Deus que deveriam subir como cheiro suave, isto é, agradável ao Senhor, que é santíssimo!

4. O incenso.
- O incenso era oferecido, juntamente com outras ofertas (Lv 2.1), sozinho sobre o altar do incenso (Êx 30.1-9) ou em um incensário (Lv 16.12; Nm 16.17). A preparação do incenso está descrita em Êx 30.34-38; e as ocasiões cerimoniais para queimar o incenso, em Êx 30.7,8, assim como o Dia da Expiação, em que o incenso era posto sobre o fogo (Lv 16.12,13).

Sobre o altar de ouro o sacerdote queimava incenso ao Senhor pela manhã e à tardinha, como símbolo da constante adoração do povo à Yavé (Êx 30.1-10; 40.5; 1º Re 6.22; Sl 141.2). De tal modo era sagrado aquele incenso, que não podia ser feito uma reprodução dele para uso comum (Êx 30.37,38) e, menos ainda, se podia usá-lo de modo profano no culto ao Senhor. Foi por intentar oferecer incenso com fogo estranho (provavelmente não proveniente do altar do holocausto) que Nadabe e Abiú, filhos do sumo-sacerdote Arão pereceram diante do Senhor (Lv 10.1,2).

II. JESUS, O SUMO SACERDOTE QUE INTERCEDE POR NÓS

1. O presente simbólico para o menino Jesus.
- O incenso está tão intimamente ligado à Cristo, numa perspectiva tipológica, que desde seu nascimento vemos a presença deste elemento junto dele, apontando para seu ofício sacerdotal. Entre os três presentes que os magos do Oriente levaram para o menino Jesus, encontrava-se o incenso, além do ouro (que fala de sua realeza e divindade) e da mirra (que falam de seu sacrifício vicário).

- O evangelista Mateus, único a registrar esse episódio, pois ele escreveu para os judeus, que estavam acostumados com a simbologia desses elementos no culto ao Senhor; assim escreve sobre as dádivas dos magos: “E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11). É inegável que temos na oferta do incenso, uma antecipação muito simbólica do ministério da intercessão que Cristo haveria de assumir em favor dos seus discípulos.

2. Jesus intercede pelos Seus.
“Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22.31,32).

- Estas palavras de Jesus provam para nós que o inimigo de nossas almas deseja sacudir-nos para cima e para baixo, a fim de separar-nos do trigo do Senhor e soprar-nos para longe, como palha levada pelo vento, mas ele sabe que não pode fazer isso sem expressa permissão divina. Embora Deus tem concedido ao inimigo permissão para nos tentar (até mesmo Jesus foi levado ao deserto pelo Espírito para ser tentado pelo diabo – Mt 4.1), não estamos sozinhos na batalha contra o mal: Cristo, fiel amigo, tem sido nosso parceiro forte nas lutas de cada dia. “Eu roguei por ti”, disse Jesus ao fraco crente Pedro.

- Jesus, como nosso sumo sacerdote e fiel intercessor tem oferecido ao Pai intercessões por cada um de nós! Embora a decisão final de cair ou permanecer de pé seja nossa, nenhum de nós está fadado ao fracasso, desde que não desprezemos o auxílio do amigo Jesus, e estejamos unidos a ele num mesmo propósito de amar e obedecer ao Pai. Dois mil anos atrás, naquela que veio a ficar conhecida como “a oração sacerdotal”, justamente por antecipar o ofício sacerdotal de Cristo, após a sua morte e ressurreição, o nosso Senhor já oferecia por nós, crentes brasileiros do século 21, intercessões ao Pai, quando ele disse: “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela tua palavra hão de crer em mim” (Jo 17.20).

- Neste sentido, é corretamente bíblica e mui bela a composição de Antônio Almeida, no hino 524 da nossa Harpa Cristã, quando diz em versos:
Através da tempestade
Em qualquer calamidade,
Me consola esta verdade:
Cristo pensa em mim.

- O apóstolo Paulo enfatiza o ministério de intercessão do nosso Senhor, quando diz: “Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós” (Rm 8.34). O autor a carta aos Hebreus afirma que Jesus “pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles“ (Hb 7.25). Não é maravilhoso contar com as preces de Jesus em nosso favor? Ainda que ninguém lembre nosso nome em suas orações, Cristo Jesus está pensando em nós!

- E as orações de Jesus têm muitas vantagens sobre as nossas próprias orações. Direi duas: a primeira é que ele intercede com perfeição, nunca fazendo queixas ao Pai ou pedidos inadequados à justiça e à santidade de Deus. Jesus é o perfeito Intercessor! E a segunda vantagem, nas palavras do próprio Jesus, é que “Eu bem sei que sempre me ouves” (Jo 11.42), isto é, o Pai sempre ouve ao Filho. Amado leitor, pode confiar nas orações de Jesus! Elas são santas e sempre atendidas pelo Pai.

“Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome…” (Jo 16.23).
- De tal modo Cristo as intercessões que os crentes fazem estão intimamente relacionadas, que o Senhor tantas vezes instruiu a que orássemos ao Pai em seu nome, isto é, em nome de Jesus. Como bem colocado por Rouw e Kiene, “é Cristo quem apresenta as nossas orações e nossas ações de graças a Deus. Elas seriam aceitáveis a Deus se viessem diretamente de nós? Não, Cristo as purifica e santifica”.

- De tal modo precisamos estar em sintonia com Cristo nas nossas preces, que o apóstolo Pedro diz: “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” (1ª Pe 2.5). Enfatizo: “por Jesus Cristo”, isto é, somente ofereceremos sacrifícios espirituais agradáveis a Deus se for através de Jesus Cristo, salvos pelo seu sangue, em comunhão com ele pela obediência à sua verdade e confiantes nos méritos dele unicamente, não nos nossos próprios méritos. Isso é orar em nome de Jesus.

III. AS ORAÇÕES DOS SANTOS

Gunnar Vingren, pioneiro fundador da Igreja Assembleia de Deus no Brasil, em seu trabalho de conclusão do curso de bacharelado em teologia, assim interpretou o significado espiritual do altar de incenso:

“O altar de incensos encontra analogia na oração, conforme lemos em Hebreus 4.12. Portanto, vamos com coragem chegar até o trono da graça, onde encontraremos misericórdia na hora certa. Aos incensos usados nas ofertas se contrapõe a oração e o louvor. A oração é, simbolicamente, um incenso que exala perfume e sobe do coração santificado até o trono da graça. A fumaça aromática que subia do altar, agradava a Deus, assim como agrada a Deus, o coração dos que aprenderam com o Espírito Santo. Assim como o incenso estranho não era aceito nos altares, a oração, vinda de um coração de pouca fé, não é aceita pelo Senhor. Somente a oração feita por um coração cristão cheio de fé agrada a Deus e é aceita por Ele como oferta”.
1. Deus ouve orações
- Foi enquanto oferecia incenso no Templo que o sacerdote Zacarias foi informado pelo anjo Gabriel de que teria um filho. É interessante notar o que o texto bíblico diz:

“E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, na ordem da sua turma, segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor para oferecer o incenso. E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso. E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso. E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele. Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João” (Lc 1.8-13).

- Observe que tanto o sacerdote Zacarias, como também o povo do lado de fora, estavam todos orando no momento da oferta do incenso (o que demonstra a íntima ligação entre o elemento do culto hebreu e a prática espiritual); mas atente especialmente para o fato de que o anjo Gabriel disse a Zacarias que a sua oração foi ouvida. Que oração teria sido essa, senão, conforme o contexto evidencia, a petição por um filho, já que sua esposa Isabel era estéril e estava em idade avançada. Certamente era uma oração que se repetia muitas vezes em casa e por muitos anos. Mas Deus ouviu a persistente oração de Zacarias!

2. Orar com fé.
- Deus ouve as nossas orações, se feitas com fé. Sem fé, como diria Gunnar Vingren, nossas orações não passam de “incenso estranho”. Tiago, irmão do Senhor, dizia: “Mas peça-a com fé, sem nenhuma vacilação, porque o homem que vacila assemelha-se à onda do mar, levantada pelo vento e agitada de um lado para o outro. Não pense, portanto, tal homem que alcançará alguma coisa do Senhor” (Tg 1.6.7).

- Ainda que a resposta demore vir, como para nosso irmão Daniel em Babilônia, podemos ter certeza de que Deus ouve nossas orações, desde o momento em que nos humilhamos diante de Deus (Dn 10.12).

3. Orar com persistência.
- Se quisermos ter vitória na vida, não podemos fracassar na oração! Como dizia o piedoso metodista Edward Bounds, “nenhuma formação intelectual pode tapar o buraco do fracasso na oração. Nenhum esforço intenso, nenhuma diligência, nenhum estudo, nenhum dom pode suprir o que falta por causa do fracasso em orar”.

- O próprio Jesus exorta-nos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). A parábola da viúva que batia à porta do juiz suplicando solução para a sua causa foi contada por Jesus aos seus discípulos “sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” (Lc 18.1). O apóstolo Paulo, que costumava falar de suas orações e também pedir orações em seu favor em suas cartas, exorta: “Orai sem cessar” (1º Ts 5.17) e ainda “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18).

4. Uma vida de oração.
- Diariamente, ao menos duas vezes por dia, o sacerdote oferecia incenso ao Senhor sobre o altar no lugar Santo. Quantas vezes por dia estamos fazendo subir a Deus o bom perfume de nossas orações? Aliás, já oramos hoje a sós com Deus, manifestando-lhe nossa gratidão por seu amor? Em tempos de crise como os que vivemos, temos levado todas as nossas necessidades a Deus em oração (Fp 4.6), ou estamos preferindo o atalho das murmurações e ansiedades que nada resolvem? (Mt 6.27). Deus responde, mas responde ao que clama! (Jr 33.3). Quanta ansiedade com o comer, o beber e o vestir! Quanto ativismo profissional sequestrando nossas devoções! Quanto entretenimento banal, privando-nos da comunhão com o Pai celeste! Deveríamos nos envergonhar de não termos uma vida de oração, como a de Lutero, reformador alemão, que orava pelo menos duas horas por dia, ou como o puritano ou wesleyanos que passavam madrugadas sob a luz de velas, suplicando a Deus um avivamento espiritual genuíno!

- Samuel Dickey Gordon, em seu clássico de 1904, Quiet Talks on Prayer, dizia com muita contundência:
“Os grandes da terra hoje são os que oram. Não me refiro aos que falam sobre a oração, nem aos que creem na oração, nem aos que sabem explicar os méritos da oração. Refiro-me às pessoas que separam tempo para orar e oram. Elas não têm tempo. O tempo deve ser subtraído de outra atividade qualquer. Essa atividade qualquer é importante e urgente, mas não quanto a oração”.

CONCLUSÃO.
- Ao final do estudo desta lição, que mais do que informar deve nos inspirar para uma vida de fé e oração, que possamos dizer como o salmista “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde” (Sl 141.2). A oração é uma verdadeira batalha (Cl 4.12), e precisamos persistir e sermos diligentes a fim de conquistar a vitória. Satanás quer nos encher de atividades e entretenimentos a fim de nos fazer cansar e desanimar da oração. Disciplinemos nossa mente e coração, para garantir que estaremos sempre junto de Jesus, no Getsêmani da oração, a fim de que não soframos a reprimenda: “nem uma hora pudeste velar comigo?” (Mt 26.40). “Com Jesus a minh’alma deseja estar, no jardim em constante oração, quando a noite chegar e o mal me cercar quero estar em constante oração” (Emílio Conde).

FONTE DE PESQUISA

1. ANDRADE Claudionor de. Lições Bíblica. Lição 13 do trimestre sobre “Adoração, Santidade e Serviço”. CPAD.
2. Jan Rouw e Paul Kiene. A casa de ouro, Depósito de Literatura Cristã.
3. Gunna Vingren. O tabernáculo e suas lições por Gunnar Vingren, CPAD.
4. Edward Bounds. Poder pela oração.Ed. Vida.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

O SISTEMA DE SACRIFÍCIOS



TEXTO ÁUREO
“Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus.” (Rm 3.25).

Verdade Prática
Jesus Cristo executou, na cruz, o sacrifício perfeito, obtendo, por meio de seu sangue, e de uma vez por todas, a redenção eterna para todos os que creem nEle.

LEITURA BÍBLICA
Levítico 1.1-3; 2.1-3; 3.1,2; 7.1,2; 1 João 2.1,2
Levítico 1.1-3: “E chamou o SENHOR a Moisés e falou com ele da tenda da congregação, dizendo: 2 - Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecereis as vossas ofertas de gado, de vacas e de ovelhas.
3 - Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem mancha; à porta da tenda da congregação a oferecerá, de sua própria vontade, perante o SENHOR.”

2.1-3: “E, quando alguma pessoa oferecer oferta de manjares ao SENHOR, a sua oferta será de flor de farinha; nela, deitará azeite e porá o incenso sobre ela 2 - E a trará aos filhos de Arão, os sacerdotes, um dos quais tomará dela um punhado da flor de farinha e do seu azeite com todo o seu incenso; e o sacerdote queimará este memorial sobre o altar; oferta queimada é, de cheiro suave ao SENHOR. 3 - E o que sobejar da oferta de manjares será de Arão e de seus filhos; coisa santíssima é, de ofertas queimadas ao SENHOR.

3.1,2: “E, se a sua oferta for sacrifício pacífico, se a oferecer de gado macho ou fêmea, a oferecerá sem mancha diante do SENHOR. 2 - E porá a sua mão sobre a cabeça da sua oferta e a degolará diante da porta da tenda da congregação; e os filhos de Arão, os sacerdotes, espargirão o sangue sobre o altar, em roda.”

7.1,2: “E esta é a lei da expiação da culpa; coisa santíssima é. 2 - No lugar onde degolam o holocausto, degolarão a oferta pela expiação da culpa, e o seu sangue se espargirá sobre o altar em redor.”

1ª João 2.1,2 “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. 2 - E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”

INTRODUÇÃO.
- Nesta lição, veremos como esse sistema foi praticado e desenvolvido até que chegasse ao supremo e suficiente sacrifício de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: a expiação do Calvário. Portanto os sacrifícios da lei tipificam o sacrifício único de Cristo e o culto a Deus.
- Antes de ser uma resolução de Moisés, o sistema de sacrifícios estabelecido em Israel foi ordenado por Deus. Os livros de Êxodo e Levítico apresentam, com precisão, as instruções sobre como eles deveriam ser apresentados a Deus dentro do Tabernáculo.

I. A NECESSIDADE DE SACRIFÍCIOS

1. Israel a nação eleita para adorar a Deus.
- No estudo sobre o tabernáculo, torna-se inevitável que façamos alguma incursão no sistema de sacrifícios, uma vez que, conforme já visto, a maior peça do tabernáculo era o altar de cobre ou altar de sacrifícios, e era por meio dos sacrifícios que o povo de Israel iniciava o seu relacionamento com o Senhor.

- Se o tabernáculo se apresentava como santuário e habitação de Deus no meio do povo (Êx 25.8), tal presença não era apenas para que o povo de Israel soubesse que o Senhor estava no meio deles, mas, antes, para que houvesse um relacionamento entre Deus e Israel.

- A proposta divina era de que Israel se tornasse o Seu povo e a propriedade peculiar dentre os povos, povo santo e reino sacerdotal (Êx 19.5,6). Isto implicava, naturalmente, que Deus Se fizesse rei de Israel, o que já estabelecia uma relação entre o Senhor e os israelitas e não só isto, que eles fossem sacerdotes do próprio Deus, a exigir, portanto, que eles tivessem um relacionamento com Deus e se fizessem mediadores entre Deus e as demais nações.

- Aproximadamente no ano de 2000 a.C., Deus escolheu para o Seu propósito um homem de Ur na Caldeia, chamado Abrão. O objetivo do Senhor com isso foi criar a partir de Abrão um povo para Si. Deus queria fazer história não apenas com Abrão, mas também com seus descendentes. Esse povo proveniente de Abraão teria a função de glorificar no mundo o único Deus verdadeiro (Is 43.21). Seria de certa forma o representante ou embaixador de Deus na terra, por meio do qual o restante do mundo enxergaria quem é Deus (Is 49.3).

- Este relacionamento com Deus já estava previsto desde o momento da chamada de Moisés. Se os israelitas clamavam ao Senhor por libertação no Egito, o Senhor tinha em mente que eles passassem a adorá-l’O, a servi-l’O no monte Sinai (Êx 3.12) e, como prova disso, faz questão de identificar-Se a Moisés como o Auto existente (“Eu sou o que sou”), pois o primeiro gesto de quem quer estabelecer um relacionamento é a identificação (Êx 3.13-15).

- No momento mesmo da libertação, Deus fez questão de instituir um culto, a Páscoa (Êx 12.25-27), instituindo um novo calendário (Êx 12.1,2), precisamente para marcar este “novo tempo”, o tempo em que Israel passaria a Se relacionar com o seu Deus, a adotar o Senhor como seu rei, que foi tornado pelo Senhor como Seu povo e ovelhas do Seu pasto (Sl 100.3).

- O homem foi criado para ter um relacionamento com Deus, o seu Criador, foi feito um ser relacional, advindo daí, aliás, a sua religiosidade, que tem se verificado como uma característica inerente à natureza humana. Tal religiosidade nada mais é que uma demonstração de que o homem precisa se ligar a Deus, tem em seu relacionamento com o Senhor a sua completude, a sua própria realização.

2. O pecado separou o homem com Deus.
- Tanto assim é que o Senhor, em toda viração do dia, vinha ao encontro de sua mais excelente criatura terrena no jardim do Éden (Gn 3.8), relacionamento que se deteriorou quando da entrada do pecado no mundo, quando se perdeu a comunhão que havia entre Deus e a humanidade.

3. A figura do sacrifício.
- É neste momento em que o pecado gerou a morte (Tg 1.15), ou seja, a separação entre Deus e o homem (Is 59.2), que surge a figura do sacrifício, do derramamento de sangue como um meio pelo qual se poderia restabelecer tal contato.

- O próprio Deus, ao anunciar a salvação do homem, no dia mesmo da queda, disse que a semente da mulher haveria de proporcionar o retorno da amizade entre o Criador e a Sua coroa da criação terrena, mas que tal restauração teria o custo do “ferimento do calcanhar”, expressão que já prenunciava a necessidade de sofrimento e de derramamento de sangue.

- Em seguida, a fim de poder fornecer vestes para o primeiro casal, Deus faz o primeiro sacrifício, pois, para fazer túnicas de peles, teve de matar um animal, derramando-lhe o sangue (Gn 3.21).

- Advém daí o ensinamento ao primeiro casal da necessidade de sacrifício para que se pudesse chegar à presença de Deus. Tal ensino foi acolhido pelo primeiro casal, que os transmitiu a seus filhos, tanto que vemos Caim e Abel oferecendo sacrifícios a Deus quando buscaram relacionar-se com o Senhor (Gn 4.3,4).

- Temos, então, logo no limiar da história da humanidade, este ensinamento divino, de que era necessário oferecer algo a Deus quando houvesse a intenção de se Lhe dirigir culto, de se voltar a Ele, já que havia um impedimento para um relacionamento perfeito diante da problemática do pecado, aguardando-se o dia em que “ferido o calcanhar”, pudesse ser restabelecida a amizade perdida entre Deus e o homem.

- A palavra “sacrifício” tem origem na palavra “sacer” que significa “sagrado”, ou seja, “santo”, “conexo com o divino”. O sacrifício, segundo o Dicionário Houaiss da Língua portuguesa, é a “oferenda ritual a uma divindade que se caracteriza pela imolação real ou simbólica de uma vítima ou pela entrega da coisa ofertada”. Por meio do “sacrifício”, algo se torna “sagrado”, algo é entregue a Deus.

- Na ideia do sacrifício, portanto, estava embutida a necessidade de se relacionar com Deus dentro de duas premissas básicas: a de que o relacionamento com Deus é assimétrico, ou seja, Deus é maior do que o homem e o homem precisa se chegar ao Senhor reconhecer a sua inferioridade, devendo, pois, agradar à divindade, adotar uma postura de reverência e subserviência. Por segundo, reconhecer que, por causa do pecado, há uma falta para com Deus e, por isso mesmo, é preciso assumir a sua culpa e reconhecer que há necessidade do pagamento de um preço pelo pecado cometido.

- Não é, portanto, coincidência que a história sagrada demonstre a existência de sacrifícios desde os primórdios da humanidade e que todos os homens de Deus tenham ofertado sacrifícios a Deus seja para reconhecer sua culpa diante do Senhor, seja para adorá-l’O, como vemos nos casos de Abel, Noé, Jó, Melquisedeque, Abraão, Isaque e Jacó.

- Se os patriarcas já ofereciam sacrifícios ao Senhor, não seria diferente com o povo de Israel e o tabernáculo, lugar da presença de Deus no meio dos filhos de Israel, teria necessariamente de ser um lugar de sacrifícios.

4. A Função dos Sacerdotes.
- Por isso, assim que se entrava no tabernáculo, pelo lado oriental, já se divisava, proeminente no pátio do tabernáculo, o altar de cobre, onde os israelitas, sem exceção, poderiam trazer seus sacrifícios para serem ofertados pelos sacerdotes. Aliás, “sacerdote” nada mais é, segundo o mesmo Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, do que “sacrificador, aquele que oferecia vítimas à divindade, entre os povos antigos”, etimologicamente “aquele que faz algo sagrado, que torna algo sagrado”.

- Daí porque os sacrifícios serem uma constante em todas as religiões existentes na humanidade, em todos os tempos, ainda que, circunstancialmente, o sacrifício não seja, em algumas delas, a oferta de um bem ou a matança de um animal, mas “renúncia voluntária ou privação voluntária por razões religiosas, morais ou práticas” ou “privação financeira em proveito de alguém”, que, como vemos no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, nada mais são que outros significados de “sacrifício”.

5. As normas de Deus para os sacrifícios.
- Ao mandar construir o tabernáculo, o Senhor, também, tratou de dar a Moisés todas as normas a respeito dos sacrifícios que deveriam ser celebrados neste local que era, também, um lugar de culto, pois era o lugar onde Deus fizesse para ali habitar Seu nome que deveriam ser trazidos todos os sacrifícios e ofertas (Dt.12:11,13,14).

- Encontramos, então, principalmente no livro de Levítico, que deve ter sido redigido por Moisés durante o tempo da construção do tabernáculo pelos artesãos, toda a sistemática dos sacrifícios, que, certamente, como parte importante da lei, são sombras da nossa vida espiritual em Cristo (Hb 10.1-4).

II. A OFERTA VOLUNTÁRIA - O HOLOCAUSTO (Lv 1.1-3)

- Para bem entendermos o sistema de sacrifícios estabelecido na lei, temos de observar que eram cinco os tipos de ofertas ou sacrifícios instituídos no culto levítico: holocausto ou oferta queimada, oferta de manjares, ofertas pacíficas ou sacrifícios pacíficos, ofertas pelo pecado e ofertas pelas transgressões.

1. O conceito de holocausto.
- A primeira era a “oferta queimada” ou “holocausto”. - A palavra “holocausto” é de origem grega (“olokautoma” – ολοκαυτωμα), cujo significado é “totalmente queimado”, utilizada na Septuaginta (a primeira versão do texto bíblico para o grego), que traduz a palavra hebraica “’olah” (עלה ,(cujo significado é “aquilo que sobe”, “oferta queimada”, querendo, com isto, indicar algo que, por ter sido totalmente queimado, sobe como fumaça.

No altar do holocausto a oferta era apresentada pelo sacerdote no altar, de onde um “cheiro suave” subia “às narinas de Deus”. Era um modo antropomórfico; isto é, uma figura tipicamente humana para referir-se a Deus. Portanto, o sacrifício de holocausto era uma oferta que seria totalmente queimada no altar, uma oferta integral, em que tudo seria consumido pelo fogo, tornando-se em “fumaça” que subiria à presença de Deus.

2. O primeiro sacrifício instituído por Deus.
- Antes, porém, dos sacrifícios estabelecidos para o local de culto, tivemos o estabelecimento do sacrifício da Páscoa, o primeiro sacrifício instituído por Deus ao povo de Israel (Êx 12.27), sendo que aqui a palavra “sacrifício” é a palavra hebraica “zebhah” (חַ בֶז), (propriamente) matança, a carne de um animal; (por implicação) um sacrifício a vítima ou o ato. (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Antigo Testamento, n. 2077, pg. 1611).

- Este sacrifício, que não era feito no tabernáculo, mas, sim, em família, foi o primeiro tipo de Cristo em matéria de sacrifício. O cordeiro ou cabrito posto sob observação por três dias e meio e, achado sem defeito, sacrificado e assado para ser consumido pela família seja, na primeira Páscoa, enquanto o sangue do animal posto na verga da porta impedia a morte dos primogênitos, seja nas demais páscoas, em comemoração a este livramento que pôs fim à escravidão no Egito, é tipo de Cristo.

- Cristo é a nossa Páscoa (1ª Co 5.7), o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29) e que nos livrou do pecado (Jo 8.34-36) e, por isso, também tivemos uma “passagem” da morte para a vida (Jo 5.24; 1ª Jo.3.14). Teve um ministério de três anos e meio, em que pôde ser visto como um homem sem pecado, inocente e, portanto, em condições de derramar o Seu sangue em prol da humanidade (Jo 8.46; Mt 27.23; Mc 15.14; Lc 23.22; Jo 19.4).

3. O que era a oferta de holocausto?
- A oferta de holocausto, quando fosse de gado, deveria ser de macho sem mancha, que deveria ser trazido à porta da tenda da congregação de forma voluntária e espontânea pelo ofertante, que punha sua mão sobre a cabeça do holocausto para que fosse aceito por ele, para sua expiação. Aí o animal era degolado perante o Senhor e os filhos de Arão, os sacerdotes ofereciam o sangue e o espargiam à roda sobre l altar de cobre. O holocausto, então, era esfolado e partido em pedaços. Os sacerdotes, então, punham fogo sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo, punham, também, em ordem os pedaços, a cabeça e o redenho sobre a lenha, mas a fressura e as suas pernas lavavam com água e tudo era queimado sobre o altar (Lv 1.3-9). Cada vítima era queimada no altar. Era um tipo de sacrifício que apontava para a vítima perfeita: o Cordeiro de Deus “que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29 cf. Is 52.13-15; Fp 2.5-8; Hb 12.2,3).

3.1. Por primeiro o holocausto de gado deveria ser feito com um animal macho sem mancha.
- Ora, isto nos fala claramente do Senhor Jesus, que foi o varão sem pecado que viveu sobre a face da Terra (At 17.31; Jo 8:46; Lc 23.4; Hb 4.15).

- Jesus Se humanizou e, como tal, tinha de ser sexuado, pois Deus criou o ser humano em tal condição (Gn 1.27) e o Senhor nasceu como varão, como homem do sexo masculino, motivo por que, na oferta de holocausto, o animal a ser sacrificado necessariamente deveria ser um macho.

- No entanto, Jesus, embora tenha Se humanizado, foi gerado por obra e graça do Espírito Santo (Lc 1.34,35), sendo, assim, o último Adão (1ª Co 15.45), o homem reto saído diretamente das mãos de Deus (Ec.7.29), daí porque ser o macho sem mancha a oferta do sacrifício de holocausto.

- Não é por outro motivo, aliás, que a Igreja, que é o corpo de Cristo (1ª Co 12.27), deve se apresentar a Deus imaculada, ou seja, sem mancha (Ef 5.27).

3.2. Por segundo, a oferta tinha de ser levada até a porta da tenda da congregação.
- A tenda da congregação era a parte coberta seja do tabernáculo, seja dos dois locais, onde ficavam os dois compartimentos – os lugares santo e santíssimo. A tenda da congregação também era chamada de “santuário”, porque era o lugar separado do local de adoração, o local onde o povo não tinha acesso.

- Na porta da tenda da congregação, ficava o altar de cobre, o altar de sacrifícios, peça que representa o juízo de Deus sobre o pecado do homem, daí o material ser coberto de cobre (ou bronze), que simboliza, precisamente, o juízo divino. Não há como se poder entrar no santuário se não se passa, antes, pelo altar de sacrifícios, se não há, previamente, derramamento de sangue, pois sem derramamento de sangue não há remissão (Hb 9.22). A entrega de uma vida, uma morte se fazia necessária para pôr fim à inimizade que existia entre Deus e a humanidade por causa do pecado, para que se voltasse a ter comunhão entre o Criador e a sua mais sublime criatura sobre a face da Terra. É preciso uma vida pura (e o sangue simboliza a vida – Gn.9:4) para resgatar a morte gerada pelo pecado (Rm.6:23).

- Já na revelação da promessa da salvação, feita pelo próprio Deus no Éden para o primeiro casal, o derramamento do sangue se mostrou uma necessidade. Deus, ao anunciar a promessa, disse que a semente da mulher, que promoveria o restabelecimento da amizade do homem com Deus, teria ferido o seu calcanhar (Gn.3:15), isto já mostrando que se derramaria sangue para que se restabelecesse a comunhão entre o Senhor e a humanidade.

3.3. A oferta tinha um caráter voluntário (Lv 1.3).
- O ofertante deveria levar o animal de livre e espontânea vontade, ou seja, a oferta teria de ser voluntária. Isto nos fala do caráter voluntário do sacrifício de Cristo. O Senhor Jesus entregou-Se, deu a Sua vida, veio para ser morto em nosso lugar, veio para morrer por nós (Jo 10.15-18;12.23-27).

- O objetivo do holocausto era que Deus aceitasse o ofertante. Essa aceitação dependia de a oferta apresentada pelo sacerdote ser aceita diante de Deus. Assim, o ofertante colocava a mão sobre a cabeça da vítima a ser sacrificada, transferindo, para si, os benefícios do sacrifício: a expiação dos pecados. O animal era imolado fora da tenda e, em seguida, conduzido ao altar dos holocaustos.

3.4. O ritual do ofertante.
- Por quarto, o ofertante, trazendo o animal até a porta da tenda da congregação, deveria pôr a sua mão sobre a cabeça do animal, para que fosse aceito por ele, para a sua expiação. Temos aqui a indicação clara do caráter vicário do sacrifício de Cristo, ou seja, o Senhor Jesus assumiria o lugar do pecador, morreria no lugar do pecador, para alcançar a sua redenção, a sua salvação.

- Jesus tomou o lugar do pecador, foi a oferta substitutiva do pecador e a isto que se chama “morte vicária”, pois “vicário” significa “substituto”, “no lugar de”. O macho sem mancha assumia o lugar do ofertante. Ao se pôr a mão sobre a cabeça do animal, o pecador estava a dizer que ele é que mereceria morrer, mas o animal morreria em seu lugar. Ele como que transferia os seus pecados para o animal, que, então, derramava seu sangue para cobrir o pecado cometido.

- O Senhor Jesus era o justo que tomou o lugar dos injustos, o santo que tomou o lugar dos pecadores e morreu em nosso lugar (Rm 5.6-8; 1ª Pe 3.18), pagando o preço da redenção dos nossos pecados, o preço incomparável, muito maior que ouro e prata (1ª Pe 1.18-20).

3.5. Por quinto, o animal era degolado e o sangue era totalmente derramado no altar.
- Jesus derramou todo o Seu sangue na cruz do Calvário, tanto que, quando ressuscitou, tinha carne e ossos, mas não tinha sangue, porque ele todo foi vertido por nós em Seu sacrifício (Lc 24.39).

3.6. Por sexto, o animal era esfolado e partido em pedaços.
- Isto poderá trazer algum espanto, já que, sabemos, que o corpo de Cristo não foi partido, foi mantido íntegro (Jo 19.33-36), como, aliás, estava profetizado (Sl 34.20). Como, então, a vítima do holocausto poderia representar Cristo?

- Neste ponto, devemos lembrar o que nos ensina o próprio Jesus Cristo, que disse que seria como o grão de trigo que, caindo na terra, morre e dá muito fruto (Jo .12.24-26). A oferta do holocausto de gado, assim que era morta, era esfolada e partida em pedaços, e isto significa precisamente o que fez o Senhor Jesus. Ao morrer, Cristo fez surgir a Igreja, esta multidão composta de pessoas de todas as tribos e nações (Ap 5.9,10).

3.7. Por sétimo, os sacerdotes punham fogo sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo.
- Isto nos fala a respeito de duas coisas basicamente. A primeira, é que a lenha, sendo madeira, representa a humanidade de Cristo. Cristo Se fez homem, humilhando-Se até a morte e morte de cruz, para nos salvar (Fp 2.7,8). Se não tivesse Se humanizado, o Senhor jamais poderia morrer e assumir nosso lugar. A encarnação de Cristo é uma demonstração de humildade e uma necessidade para que pudesse haver a salvação da humanidade.

- De igual maneira, nossa conformação à imagem de Cristo (Rm 8.29) é necessária para que atinjamos o estágio último do processo da salvação, que é a glorificação. Jesus tomou a forma de homem para nos salvar, nós somente seremos salvos se buscarmos ter a imagem de Cristo, se formos imagem e semelhança de Deus, que é a nova criatura gerada por Deus (Ef 4.24; 2ª Co 5.17; Gl 6.15; 1ª Pe 1.23).

- A outra coisa a que nos remete a lenha é a circunstância de que a morte de cruz representa uma maldição, pois maldito era aquele que morria no madeiro (Dt 21.23; Gl 3:13). Jesus Se tornou maldito por nós, assumiu a nossa maldição, tomou sobre si o castigo divino reservado aos pecadores (Is 53.5).

3.8. Por oitavo, as partes e os pedaços do animal eram ordenados sobre a lenha que estava no fogo em cima do altar.
- Isto nos mostra que o corpo de Cristo está fundado sobre o sacrifício do Calvário, ou seja, toda a base da Igreja se encontra na salvação operada por Jesus. Por isso, aliás, o apóstolo Paulo fazia questão de dizer que não se propunha saber senão Cristo e Este, crucificado (1ª Co 2.2). A Igreja deve pregar o Evangelho e o Evangelho é a palavra da cruz (1ª Co 1.18,23,24).

- Mas isto também nos mostra que há uma ordem na Igreja de Cristo, que não se pode agradar a Deus se tudo não for feito com ordem e decência, pois nosso Deus não é Deus de confusão (1ª Co 14.33). Se o altar não estiver em ordem, Deus não Se agrada do sacrifício, como podemos ver no exemplo do desafio entre Elias e os profetas de Baal e Asera (1º Rs 18 30).

- A Igreja é um povo adquirido pelo Senhor Jesus (1ª Pe 2.9), aquisição ocorrida precisamente quando do pagamento do preço de nossos pecados no sacrifício da cruz do Calvário (1ª Co 6.20; 7.23), e, como tal, foi organizado a partir da sua cabeça, que é o Senhor Jesus (Ef 1.22; 5.23), que constituiu ministros para ela (Ef 4.11). Destarte, a ordem constante do altar fala-nos desta ordem que deve ter a Igreja e como ela é fundamental para que tenhamos a manifestação da glória de Deus por meio do povo de Deus.

3.9. Por nono, a fressura e as pernas do animal eram lavados com água, pois era precisamente o que seria oferecido.
- Esta lavagem com água fala-nos da Palavra de Deus, pois é ela que nos limpa, como afirmou o Senhor Jesus (Jo 15.3), a “lavagem da água pela Palavra” (Ef 5.26), a lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo (Tt 3.5).

- Se não nascermos da água e do Espírito, jamais entraremos no reino de Deus (Jo 3.5), de modo que se faz necessário que sempre sejamos lavados pela Palavra e fortalecidos pelo Espírito Santo em nossa jornada para o céu, até porque, se assim não se fizer, jamais poderemos oferecer ao Senhor um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, o nosso culto racional (Rm 12.1), pois, antes de haver a queima do sacrifício e subir ele como cheiro suave ao Senhor (Lv 1.9), era necessária esta lavagem com água da fressura e das pernas do animal.

- Veja-se que o que era lavado era a fressura do animal, ou seja, as suas vísceras, o que nos fala a respeito do interior. Devemos iniciar a nossa santificação a partir do espírito e da alma, que são o homem interior. Este homem interior tem de ter prazer na lei do Senhor, bem como deve ser corroborado com poder pelo Espírito Santo (1ª Ts 5.23; Rm 7.22; Ef 3.16), devendo renovar-se de dia em dia (2ª Co 4.16), O homem interior precisa cada dia se renovar mais e mais mediante a lavagem da água, pela Palavra, e a regeneração e renovação do Espírito Santo.

- Para que o sacrifício se apresentasse como cheiro suave ao Senhor, antes a fressura e as pernas deveriam ser lavadas com água.

- A fressura, como já dissemos, representa o interior do homem, o que, às vezes, a Bíblia denomina de “coração”. O homem tem um coração mau, onde está a fonte de todos os pecados (Mt 15.19,20). Do coração procedem as saídas da vida (Pv 4.23), de modo que temos de purificar o nosso coração, purificação que se dá única e exclusivamente pela Palavra de Deus e pela atuação do Espírito Santo (At 15.8; 2ª Co 1.21,22; Gl 4.6; Tg 4.8).

- As pernas do animal falam-nos das nossas atitudes, porquanto, com as pernas, os animais ofertados se locomoviam, andavam e nós devemos andar segundo o espírito (Rm 8.1), andar em Espírito (Gl 5.16), em amor (Ef 5.2), como filhos da luz (Ef 5.8), em Cristo Jesus (Cl 2.6), com sabedoria (Cl 4.5), para agradar a Deus (1ª Ts 4.1), em temor (1ª Pe 1.17).

- Este proceder de forma agradável a Deus somente é possível se nos submetermos à “lavagem da água pela Palavra” e a “lavagem da regeneração e renovação do Espírito Santo”. Por isso, antes de subir como cheiro suave ao Senhor, a oferta do holocausto deveria ter a fressura e as pernas do animal devidamente lavadas com água.

3.10. Por décimo, o sacerdote tudo queimava sobre o altar.
- Tem-se aqui, propriamente, o “holocausto”, ou seja, a queima total. Todo o animal deveria ser consumido no altar, devia tornar-se em “nada”, em “fumaça que subia” à presença de Deus.

- Esta queima total simboliza a entrega total de Cristo para a nossa salvação. Cristo Se deu por nós, como já dissemos supra. A queima dos pedaços do animal, já esfolado e partido, significa a necessidade que cada salvo na pessoa de Jesus Cristo tem de se entregar totalmente ao Senhor, de viver única e exclusivamente para a glorificação do nome do Senhor.

- Quando celebramos a ceia do Senhor e tomamos o pão, que é partido para nosso consumo (1ª Co 11.23,24), estamos a relembrar esta mesma situação tipificada na oferta do holocausto, pois cada pedaço de pão é, também, consumido pelos que participam da ceia, pão que simboliza o corpo de Cristo, ou seja, a Sua Igreja (1ª Co 11.24), representando o amor fraternal que deve haver entre cada participante deste corpo, de cada membro em particular (1ª Co 12.27).

- O amor fraternal, absolutamente necessário para os salvos (Rm 12.10; 1ª Ts 4.9; Hb 13.1; 1ª Pe 1.22; 2ª Pe 1.7), revela esta imperiosa entrega que cada cristã deve ter, numa vida de total entrega ao Senhor, inclusive para fazer bem e servir aos demais, a exemplo do Senhor Jesus, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28; Mc 10.45).

- Por isso mesmo, o apóstolo Paulo afirmou estar se gastando e se deixando gastar pelos crentes de Corinto, ainda que, amando-os cada vez mais, fosse cada vez menos amado (2ª Co 12.15), fazendo isto de muito boa vontade, como deve agir todo servo de Cristo Jesus.

- O amor fraternal leva-nos a entregar nossas vidas pelos nossos irmãos, porque o primogênito dentre os irmãos (Rm 8.29) o fez por nós, pois é aí que se mostra o amor de Deus em nós, pois ninguém tem maior amor do que este, de dar a sua vida pelos seus amigos (Jo 15.13).

- Somente seremos verdadeiros discípulos de Cristo se nos amarmos uns aos outros (Jo 13.35), este é a verdadeira credencial de quem se diz integrante do corpo de Cristo e esta queima total dos pedaços do animal ofertado simboliza esta entrega, este amor fraternal, que nada mais é que seguir o exemplo do maior amor, o amor de Cristo por nós.

3.11. Por décimo primeiro, a fumaça subia como cheiro suave ao Senhor.
- Cumpridos todos os requisitos, este consumo total agradava a Deus, era-Lhe agradável, como, aliás, foi o sacrifício de gratidão efetuado por Noé após o dilúvio, sacrifício que atingiu o coração de Deus (Gn 8.20-22).

- Quando apresentamos a entrega total de nossas vidas ao Senhor, isto Lhe é agradável, quando passamos a nos amar uns aos outros, a servir e a não ser servidos, não resta dúvida de que agradamos a Deus e a nossa missão é aqui agradar ao Senhor, pois não poderemos nos qualificar como servos de Cristo se não o fizermos (Gl 1.10). O nosso culto racional somente será aceito pelo Senhor se nosso sacrifício for agradável e nesta agradabilidade se encontra o amor fraternal.

- O sacrifício de holocausto simboliza a submissão à vontade divina, aquela mesma disposição que o Senhor Jesus tinha, a ponto de dizer que fazer a vontade do Pai era a Sua própria comida (Jo. 4.34). Não podemos ter qualquer reserva em relação ao Senhor, devemos nos sujeitar a Ele plenamente, fazendo única e exclusivamente a Sua vontade, temos de nos renunciar a nós mesmos.

3.12. Por décimo segundo, verdade é que o sacrifício de holocausto tem uma diferença essencial com relação ao sacrifício de Cristo.
- É que o sacrifício de holocausto servia única e exclusivamente para aquela finalidade, para aquele pecado cometido, e, ademais, cobria o pecado (Sl 32.1), que não era retirado, pois o sangue de animais jamais poderia fazê-lo (Hb 9.11-14).

- O sacrifício de Cristo, único e perfeito, foi imediatamente aceito por Deus, tanto que o véu do templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23.45). Seu sacrifício subiu como cheiro suave ao Senhor e o pecado foi retirado, o que não se dava com os sacrifícios continuamente oferecidos durante o culto levítico (Hb 9.24-28).

4. O sacrifício de Cristo foi um “holocausto” agradável ao Pai.
- Dois textos bíblicos expressam essa verdade. Efésios 5.2 diz: “Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave”. E também Hebreus 9.13,14: “porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, os santificam, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”. Trata-se, pois, de uma imagem perfeita de como fomos reconciliados com o Pai mediante o sacrifício de seu amado Filho (2ª Co 5.19).

III. A OFERTA DE MANJARES (Lv 2.1-3)

1. O significado da oferta.
- Outro sacrifício previsto era a oferta de manjares ou oferta de alimentos, que é a palavra hebraica “qorbān” (ןָ בְ רָ ק), que significa: alguma coisa trazida perto do altar; uma oferta sacrifical: — oferta, oferecimento, fornecimento. Substantivo masculino que significa oferta, presente. Este é o termo mais geral, usado oitenta vezes no Antigo Testamento, para ofertas e dádivas de todos os tipos…” (Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Antigo Testamento, n. 7133, pg.1911).

- Essa oferta representava a gratidão do hebreu pela fecundidade da terra. Ele tirava os cereais comestíveis e oferecia-os ao Senhor como “um sacrifício de manjares”. Essa imagem nos fala de como devemos apresentar o fruto do nosso trabalho diante de Deus. Não podemos nos apresentar perante Ele de mãos vazias (Mt 25.14-30).

2. Como era a oferta de manjares?
Essa oferta também era chamada de “Festa das Primícias” (2.12-16). Ela compunha-se de grãos novos e macios colhidos na primeira colheita. Essa oferta também era feita de farinha fina misturada com azeite. Sabemos, pela Bíblia, que o azeite é um dos símbolos do Espírito Santo (Zc 4.2-6; Êx 30.31). Essa oferta faz-nos lembrar da importância de vivermos uma vida dependente do Espírito Santo. Que possamos, na força do Espírito, fazer as mesmas obras que o nosso Senhor fez (At 10.38).

3. Os elementos desta oferta.
3.1. Farinha. As ofertas de manjares deviam ser de flor de farinha e nela se devia deitar azeite e se pôr incenso sobre ela (Lv 2.1).

- Por primeiro, a oferta deveria ser de “flor de farinha”, ou seja, se deveria oferecer farinha e a farinha é a matéria-prima do pão, o principal alimento e que nos faz lembrar da Palavra de Deus, que é o pão espiritual (Mt 4.4; Lc 4.4), símbolo do próprio Cristo, que Se autodenominou pão da vida (Jo 6.35,48).

- Não há como mantermos um verdadeiro relacionamento com o Senhor se não nos alimentarmos da Sua Palavra, se não formos santificados pela Palavra (Jo 17.17). A Palavra de Deus é indispensável para a nossa sobrevivência espiritual, pois, assim como o alimento é absolutamente necessário para que sobrevivamos fisicamente, a Palavra de Deus é essencial para que prossigamos vivos, ou seja, em comunhão com o Senhor, até o momento de adentrarmos os portões eternos e, sem esta perseverança até o final não alcançaremos a salvação (Mt 24.13).

3.2. Esta farinha tinha de ser misturada com azeite.
- O azeite é símbolo do Espírito Santo. Quando estamos em comunhão com Deus, o Espírito Santo vem habitar em nós (Jo 14.17), um privilégio que os homens não tinham até a morte e ressurreição de Cristo (Jo 7.38,39; 20.22).

- No culto levítico, o azeite era deitado sobre a flor de farinha, a indicar que, até a morte e ressurreição de Cristo, o Espírito Santo viria sobre aqueles que fizessem uso da Palavra de Deus, profetas, sacerdotes e reis, por meio dos quais orientariam e dirigiriam o povo de Israel e todos quantos se chegassem a Deus.

- Após a retirada do pecado do mundo pelo Cordeiro de Deus, o acesso ao Senhor ficou livre e todos quantos crerem em Jesus receberão, em si mesmos, o Espírito Santo, que os dirigirá, guiará, ensinará e intercederá, estando conosco até o momento em que nos levará até Cristo no dia do arrebatamento da Igreja.

- A presença do azeite na oferta de manjares revela que não é possível um relacionamento entre Deus e os homens sem o Espírito Santo. É Ele quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), é Ele quem nos guia a ponto de nos tornar agradáveis ao Senhor (Rm 8.14).

- Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo diz que os salvos não só são filhos de Deus (e têm certeza desta filiação precisamente por causa do testemunho do Espírito Santo – Rm 8.15), como também, tornamse homens espirituais, tudo discernindo e de ninguém sendo discernido (1ª Co 2.11-16), podendo, então, compreender as “coisas de cima”, tendo acesso às revelações sobrenaturais da parte de Deus.

3.3. A oferta aponta para um alimento espiritual.
- A Palavra de Deus diz que o nosso Senhor é o “pão vivo que desceu do céu”, o trigo que foi moído para se tornar o nosso alimento espiritual (Jo 6.33-35). Logo, da mesma forma que Israel obedeceu à ordenança divina de apresentar a oferta de manjares diante de Deus, nós somos instados, por Cristo, a alimentar-nos dEle. O testemunho do Senhor é verdadeiro (Jo 5.30; 8.28).

- Recebendo a flor de farinha, o sacerdote pegava um punhado dela, deitava azeite sobre esta porção, acrescia incenso e o queimava integralmente sobre o altar, que subia, assim, como cheiro suave ao Senhor (Lv 2.2). O restante da oferta ficava com os sacerdotes, como sua porção, podendo, assim, tal farinha ser utilizada para alimentação dos sacerdotes, sendo coisa santíssima, a que somente os sacerdotes e seus familiares tinham acesso.

- A comunhão existente entre Deus e o Seu povo é algo peculiar, privativo daqueles que servem ao Senhor. Por isso, é absolutamente imprescindível que haja a comunhão entre os irmãos, peculiaridade que é evidenciada logo quando o historiador Lucas passa a falar da igreja.

- A Igreja é um povo que se caracteriza por perseverar na doutrina dos apóstolos, representada pela “flor de farinha”, pela comunhão, pelo partir do pão e pelas orações (At 2:42). O corpo de Cristo, aqueles que vivem em comunhão com o Senhor, não podem, assim, ter outra conduta senão seguir a Palavra de Deus (flor de farinha), estar em comunhão com Deus e com os irmãos (o azeite, que é o Espírito Santo que a todos dirige e põe todos em comunhão, pois junta a farinha), o partir do pão (a porção destinada à refeição) e as orações (o incenso).

3.4. Pães asmo.
- Além da oferta de flor de farinha, podiam, também, ser oferecidos bolos asmos de flor de farinha, ou seja, era possível trazer-se bolo cozido no forno, em vez de farinha crua. Aqui já se tem uma diferença com o sacrifício pelo pecado, que, necessariamente, devia ser cru e ser cozido no altar. A oferta de manjares permitia que o cozimento se fizesse pelo próprio ofertante.

- Isto é importante, porque nos mostra que a santidade é levada para casa, enquanto que o pecado somente poderia ser remido com o derramamento do sangue no altar. Não há como se alcançar a salvação a não ser através de Jesus Cristo que, para nos salvar, teve de entregar a Sua vida na cruz do Calvário, mas, uma vez perdoados, carregamos a santidade em todo o lugar, pois somos santos em toda a nossa maneira de viver (1ª Pe 1.15).

- O cozimento podia ser tanto no forno quanto na caçoula (ou seja, na panela) e os bolos deveriam ser asmos e amassados com azeite e untados com azeite. Percebamos todos que a primeira exigência é que não fosse posto fermento no bolo, que deveria ser asmo. O uso do fermento era terminantemente proibido (Lv 2.11).

- O fermento simboliza a corrupção, representa o pecado, pois, como sabemos, “…tecnicamente, a fermentação é assim: o ar contém uma quantidade enorme de microrganismos, nomeadamente esporos de fungos de levedura (Saccharomyces cerevisiae), que encontram nas massas de pão as condições adequadas para se alimentar do amido da farinha. Em consequência da ação desses microrganismos, o amido divide-se em anidrido carbônico (CO2) e álcool. As bolhas do gás carbônico não conseguem escapar através da superfície e fazem inchar (crescer) a massa, tornando-a fofa. Durante a cozedura, ácido carbônico e álcool saem da massa, mas a porosidade, sabor e aroma se mantêm.…” (SABORES do Sul. Entenda as diferenças entre fermento químico e biológico. Disponível em: https://revistasaboresdosul.com.br/entenda-asdiferencas-entre-fermento-quimico-e-biologico/ Acesso em 17 maio 2018).

- O fermento, portanto, é uma deterioração da massa do pão, é uma alteração da sua substância, é uma “distorção”, uma “corrupção”, uma “degeneração” e, por isso, simboliza o pecado, que gerou esta corrupção, esta degeneração do ser humano, que o transformou de imagem e semelhança de Deus em imagem e semelhança de um Adão decaído, um ser destituído da glória de Deus (Rm 3.23). Jesus, mesmo, chamou a doutrina dos fariseus, uma doutrina distorcida da Palavra de Deus, de fermento (Mt 16.6-12).

- Não se pode louvar e adorar a Deus com o pecado, com a prática da iniquidade, com a nossa natureza pecaminosa. O velho homem, o homem nascido em pecado, a nossa carne jamais podem ser instrumentos para louvarmos ou bendizermos o Senhor. Elemento carnal algum pode compor o nosso louvor e a nossa adoração a Deus.

- Lamentavelmente, nos dias hodiernos, não são poucos que querem agradar a Deus se utilizando de elementos que são verdadeiro “fermento velho”, do qual nós devemos nos alimpar (1ª Co 5.7), sendo vedado a nós fazer qualquer festa com aquilo que é proveniente do pecado (1ª Co 5.8).

- Devemos ser intolerantes com qualquer presença de fermento na adoração e no louvor ao Senhor, pois um pouco de fermento leveda toda a massa (Gl 5.9). Não há meio termo e, por isso, as normas do culto levítico eram bem claras, objetivas, curtas e grossas: “Nenhuma oferta de manjares, que oferecerdes ao Senhor, se fará com fermento” (Lv 2.11a).

- A única exceção de ofertas que poderia ter fermento era a oferta das primícias (Lv.2:12), a oferta de gratidão pelo fruto da terra, quando o uso do fermento era autorizado, exatamente porque se tratava de agradecer a Deus por tudo o que havia sido dado ao povo na colheita, o que incluía o pão, que tinha fermento, já que o pão sem fermento, o pão asmo, somente era de consumo obrigatório durante a festa dos pães asmos (Êx 23.19; 34.26; Lv 23.10-20). Todavia, tais ofertas não eram levadas sobre o altar.

- Os bolos ou coscorões asmos tinham de ser amassados com azeite e untados com azeite, a reforçar a necessidade de estarmos dirigidos e guiados pelo Espírito Santo para podermos efetivamente cultuar a Deus e ser-Lhe agradáveis.

- Tais bolos eram partidos em pedaços, devendo os sacerdotes deitar azeite sobre tais bolos, levando a oferta ao altar, queimando parte dos pedaços e o restante retendo para si, a fim de ser utilizado nas refeições dos sacerdotes e seus familiares.

3.5. Estas ofertas de manjares tinham, ainda, de ser salgadas com sal, o sal do concerto de Deus (Lv 2.13).
- O sal era um elemento indispensável na alimentação, não só no preparo dos alimentos, mas, também, na sua conservação, para impedir ou retardar a degeneração, a corrupção. Assim, ao mesmo tempo que se proibia fermento e mel, se mandava adicionar sal, sal que era considerado como o “sal do concerto de Deus”.

- Isto nos mostra que o nosso relacionamento com o Senhor é algo que deve ser preservado, mantido, que não pode sofrer degeneração, decaimento. A oferta pacífica fazia cada israelita lembrar que deveria se manter em comunhão com Deus, que não poderia permitir que o tempo tornasse prejudicado aquele relacionamento.

- O sal também nos remete à inviolabilidade e santidade do concerto com Deus, pois, como o sal era um elemento que conservava os alimentos, a utilização dele lembraria o caráter perpétuo da aliança de Deus com Israel e a própria eternidade divina que garantiria a manutenção do pacto para sempre (Nm 18.19; 2º Cr 13.5), pois a Palavra de Deus permanece para sempre (1º Pe 1.25).

- Esta importância era tanta que os doutores da lei sempre consideraram que o sal era essencial em todo e qualquer sacrifício, mesmo que não se tratasse de oferta de manjares, o que, aliás, tem base bíblica, já que, em Ezequiel, nos sacrifícios que ocorrerão no quarto templo, a presença do sal é salientada em sacrifícios que não as ofertas de manjares (Ez 43.24), sendo esta a prática já vigente no segundo templo, consoante nos dá conta Flávio Josefo, em Antiguidades Judaicas III, 10, 131.

- Jesus disse que Seus discípulos são “o sal da terra”, ou seja, somos a própria demonstração da inviolabilidade e da santidade do pacto que Deus estabeleceu com a humanidade através da aliança firmada no sangue de Cristo. Temos a missão de conservarmos os valores divinos em meio a uma geração corrompida e perversa; temos a tarefa de mostrar ao mundo a seriedade, a sinceridade e a verdade da Palavra de Deus e do perdão que Ele está a oferecer a todo ser humano mediante o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário.

- Nós, como ofertas vivas ao Senhor, temos de manter e preservar a santidade que adquirimos pelo perdão dos nossos pecados e pela nossa libertação do maligno. Somos postos separados do pecado (Sl 40 2), somos libertos por Cristo (Jo 8.36) e assumimos o compromisso de servir ao Senhor até o fim, morrendo para o mundo e vivendo única e exclusivamente para o Senhor (Rm 6.4-11; Gl 2.20).

- O sacrifício sem sal não era aceito, porque se tratava de um sacrifício que não salientava o compromisso que havia de Deus para com o ofertante e entre o ofertante e Deus. Precisamos, igualmente, ser comprometidos com o Senhor para que, efetivamente, tenhamos um relacionamento com Ele, para que seja aceita a nossa adoração.

- Quem é tão somente simpatizante do Evangelho, não se compromete com o Senhor, quando é exigida a tomada de uma atitude de renúncia e de sacrifício, imediatamente deixa de servir a Deus, passa a agir como agem todos os que não creem em Cristo, não podendo, assim, querer agradar a Deus, pois seu intuito é, sim, agradar aos homens e quem assim atua não pode ser considerado servo de Cristo Jesus (Gl 1.10).

- A importância do sal no sacrifício é salientada por Nosso Senhor e Salvador, que disse que nós deveríamos ter sal em nós mesmos e paz uns com os outros, a indicar a necessidade do compromisso que temos de ter com Deus e com os nossos irmãos (Mc 9.50).

4. O terceiro elemento era o incenso.
- O incenso simboliza as orações dos santos (Ap 5.8; 8.4). Não se pode falar em relacionamento com Deus, em comunhão com Deus, se não houver oração. Como já se disse, se a Palavra de Deus é o alimento sem o que não podemos sobreviver, a oração é o ar espiritual que respiramos, é o “oxigênio da alma”, de modo que, se não tivermos uma vida de oração, igualmente pereceremos, já que não é possível sobreviver sem a respiração.

- O apóstolo Paulo foi claro neste ponto, ao dizer, no primeiro escrito seu e do Novo Testamento, que foi a primeira epístola aos tessalonicenses, que devemos orar sem cessar (1ª Ts 5.17).

- Jesus deu-nos o exemplo da importância da oração em nossa vida espiritual, pois entrou no mundo orando (Hb 10.5-7), viveu orando (Mt 14.23; 26.36,42,44; Mc1.35;6:46; 14.35,39; Lc 3.21;5.16; 6.12; 9.18,28,29; 11.1; 22.41,44) e morreu orando (Lc 23.46), sendo que, hoje, incessantemente ora por nós à direita do Pai (Is 53.12; Hb 7.25).

- Para que a oração seja ouvida por Deus, é necessário que a pessoa esteja em comunhão com Ele (Is 59.2; Jo 931). A única oração ouvida por Deus da parte de quem está em pecado é, precisamente, a oração em que se confessa o pecado e se pede perdão pela sua prática crendo em Cristo Jesus.

- É importante observar que o azeite e o incenso eram manipulados pelos sacerdotes, pois se tratavam de produtos de uso exclusivo no culto, especialmente preparados para tanto, sendo coisas santas, ou seja, separadas, inacessíveis a qualquer israelita, que, assim, trazia apenas a flor de farinha (Ex 30:22-38).

- O Espírito Santo provém de Deus, é mandado tanto pelo Pai quanto pelo Filho (Lc 24.49; Jo 14.16; 20.22; At 14; 1ª Co 2.12), sendo certo que a oração somente se torna eficaz a partir do instante em que entramos em comunhão com o Senhor, por força da obra salvífica de Cristo, que nos traz assim este “fôlego de vida” espiritual.

IV. A OFERTA PACÍFICA, O SACRIFÍCIO PELO PECADO E O DIA DA EXPIAÇÃO (Lv 3.1,2; 7.1,2)

1. O que era a oferta pacífica?
- Era um sacrifício em que o ofertante imolava o animal, tirando porções especiais e separando-as do sangue e da gordura do animal. Em seguida, o sacerdote espargia o sangue do animal imolado ao redor do altar, em sinal da propiciação pela vida do pecador. Depois, os miúdos do animal eram queimados no fogo do altar e, assim, tanto o sacerdote quanto o ofertante, e sua família, comiam a carne nobre do animal imolado (Lv 2.8,13,16,17). Essa oferta significava, literalmente, “um presente oferecido a Deus”, e denotava a comunhão e a felicidade do ofertante com o Pai.

- A oferta pacífica era um sacrifício oferecido sempre que alguém buscava a bênção de Deus ou celebrava as bênçãos recebidas. O sacrifício era oferecido:
1. Para enfatizar uma oração solene – como um voto.
2. Quando essa oração era respondida.
3. Ou, simplesmente pela gratidão – 7.16.

- A melhor parte do sacrifício – a gordura e os dois rins, vs. 3 e 4 - deveriam ser entregues totalmente a Deus para serem queimadas.

- Devido às suas características, muitos sacrifícios pacíficos eram oferecidos durante as festas anuais de Israel – Êx 23.14-17, festa dos pães ázimos, a festa da sega e a festa da colheita.

- Conforme Lv 17.3, todo animal abatido para alimento deveria, primeiro, ser oferecido como sacrifício, de modo que pelo menos no período em que o povo vagou pelo deserto (Dt 12.15-16), para prescrições na Terra Prometida, todas as refeições que continham carne eram antecedidas de uma “oferta pacífica”.

- Deus mesmo não comia de fato dos sacrifícios oferecidos (Sl 50.12-14). A descrição metafórica do sacrifício como manjar – vs. 11 – indicava que Deus se agradava do sacrifício da mesma maneira como os seres humanos desfrutam o alimento. Além disso, sugere a intimidade entre Deus e o seu povo por meio da imagem da comunhão à mesa.

2. A simbologia da oferta pacífica.
- A oferta pacífica aponta para a nossa reconciliação com o Pai. A Palavra de Deus mostra que o nosso Senhor proveu a paz entre o homem e o Criador: “porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra como as que estão nos céus” (Cl 1.19,20). Isso demonstra que o Senhor foi a oferta pacífica para reconciliar-nos com o Pai, tornando-se assim, a nossa Paz (Is 9.6).

3. O que era a oferta pelo pecado?
- Havia, também, prescrição sobre os sacrifícios decorrentes da prática de pecado e transgressão por parte de várias pessoas, desde um israelita comum até um príncipe e de um sacerdote.

- Vamos observar as quatro classes de pessoas que cometem pecados que estão relacionadas aqui em Levítico.

- Diferentemente das outras oferendas, as ofertas pelo pecado e pela culpa eram obrigatórias. Elas identificavam a natureza pecaminosa do homem; alguém que necessitava apresentar a Deus algo por seus pecados. O sacrifício pelo pecado deveria ser oferecido fora do arraial, isto é, fora dos limites do acampamento. Uma clara referência a morte de Jesus, que foi crucificado fora dos limites de Jerusalém.

- O animal teria de ser imolado fora do acampamento hebreu. A Bíblia mostra que Nosso Senhor Jesus foi morto fora de Jerusalém, fazendo-se pecado por nós (1ª Pe 2.24).

- Isso nos faz lembrar as palavras do escritor aos Hebreus, que nos diz que para nos santificar através de Seu sangue, Ele entregou sua vida “fora da porta” (Hebreus 13.13).

- Dessa forma, devemos nos achegar a Cristo por meio de um arrependimento sincero e cheio de fé. Nada do legalismo judaica, ou da religiosidade estéril de nossos dias.

- A cruz de Cristo é o altar espiritual para onde devemos nos dirigir, é onde os remidos se reúnem e oferecem sacrifícios espirituais vivos e agradáveis ao Senhor (Hebreus 13.15).

1. Oferta pelo pecado do sacerdote – Lv 4.1-12.
- Assim, havia, por exemplo, regra sobre o sacrifício de holocausto que se fazia por conta do pecado involuntário de um sacerdote (Lv 4.1-12). Quando um sacerdote pecasse, gerando escândalo para o povo, deveria oferecer pelo seu pecado um novilho sem mancha ao Senhor por expiação do pecado, trazendo o novilho à porta da tenda da congregação, pondo a sua mão sobre a cabeça do novilho e degolando o novilho perante o Senhor, ou seja, exatamente como a oferta de holocausto de gado, a mostrar que o sacerdote, embora fosse sacerdote, era igual a qualquer outro israelita e, até mais do que qualquer outro israelita, tinha o dever de apresentar um novilho, enquanto os demais israelitas poderiam apresentar outros animais consoante a sua própria condição social.

- Isto nos ensina que aqueles que causam escândalo ao povo, por terem pecado estando à frente do povo de Deus, em posição de proeminência, devem publicamente pedir perdão pelos seus pecados, ou seja, quem está em posição de proeminência sempre causam escândalo quando pecam, quando cometem alguma transgressão, de forma que todos devem pedir perdão à igreja local quando caírem em pecado, seja qual for o pecado cometido, algo que, lamentavelmente, tem sido esquecido em muitos lugares, o que contribui para o descrédito da obra de Deus.

- O apóstolo Paulo, ao ensinar a Timóteo como deveria exercer o ministério pastoral, não se esqueceu desta peculiaridade, mandando que a repreensão aos presbíteros, ou seja, aos ministros que estavam a apascentar o povo de Deus, deveria ser pública para gerar temor, ou seja, para que todos compreendam a seriedade e a necessidade de se observar a Palavra de Deus para chegarmos aos céus (1ª Tm 5.20).

- Mas este sacrifício tinha uma peculiaridade: o sacerdote deveria molhar o seu dedo no sangue e daquele sangue deveria espargir sete vezes perante o Senhor, diante do véu do santuário, pondo também daquele sangue sobre as pontas do altar de incenso perante o Senhor, que estava na tenda da congregação e todo o restante do sangue derramaria à base do altar de cobre.

- Tal peculiaridade mostra, claramente, que, em se tratando de alguém que tem posição de proeminência no meio do povo de Deus, é mister que haja também a purificação do próprio exercício do ministério, representado aqui pelo fato de se ter de espargir o sangue no véu do tabernáculo, lembrando que o sacerdote tinha o direito de entrar no lugar santo, o que era vedado aos demais israelitas. Tendo ele pecado, não poderia lá entrar se o sangue do animal ofertado, que cobria o seu pecado, não fosse espargido no véu do tabernáculo, como que a cobrir o próprio pecador quando ele novamente adentrasse no lugar santo, como também este sangue fosse posto no altar de incenso, onde o referido sacerdote iria queimar o incenso ao Senhor.

- Os demais israelitas não participavam da atividade no lugar santo e, por isso, o sangue derramado para a cobertura de seus pecados ficava tão somente no altar de cobre. Já com relação aos sacerdotes, era preciso que também se estendesse a purificação até os lugares onde ele exerceria o seu ministério.

- Isto nos mostra que, embora todos sejamos sacerdotes na dispensação da graça, é inegável que aqueles que estão à testa do povo devem ter, no tratamento do pecado, um rigor maior. Faz-se necessário não só que publicamente confesse a transgressão e obtenha o perdão da comunidade, como também que sejam tomadas efetivas medidas para que seu ministério seja purificado.

- Tal disposição da lei mosaica, inclusive, também mostra, com clareza, que é, sim, extensivo ao exercício do ministério o perdão dos pecados, pois há aqueles que, equivocadamente, entendem que o ministro, tendo pecado e causado escândalo, pode, sim, obter o perdão, mas nunca mais poderá exercer o ministério. O sangue do animal, no culto levítico, também cobria o exercício do ofício sacerdotal e, portanto, não há como poder afirmar que o sangue de Cristo, que tira e não apenas cobre o pecado, não seja eficaz para restaurar o ministério de alguém que tenha pecado e causado escândalo.

- No mais, o sacrifício pelos erros do sacerdote seguia os ditames dos demais sacrifícios, inclusive com a queima total do animal, com exceção do couro, da carne com a sua cabeça, as pernas e entranhas e o esterco, que deveriam ser levados fora do arraial, para um lugar limpo, onde se lança a cinza, e queimado com fogo sobre a lenha, onde se lança a cinza.

2. Toda a comunidade – Lv 4.13-21.
- Este pecado é aquele que toda nação comete. É o pecado coletivo. Essa transgressão leva toda a nação a ruína, a miséria, desgraça e pobreza. Quando uma nação se volta para Deus e confessa seus pecados, o Senhor estende suas mãos para abençoar.

3. Um líder – Lv 4.22-26.
- Os reis e governantes também pecam contra Deus e quando são conscientizados devem se prostrar diante de Deus confessando seus pecados. Um exemplo bíblico é o pecado de Davi, quando cometeu adultério com Bate Seba. Na ocasião o profeta Natã o conscientizou do seu erro e o levou a confessar seus erros perante Deus.

4. Qualquer pessoa – Lv 4.27-35.
- Uma pessoa comum da sociedade. Vemos com isso que, para Deus não tem classe social. Pecado é sempre pecado e todos estão sujeitos a cometê-los.

- Para todas essas pessoas se livrarem do pecado era necessário cumprirem todo ritual explicado na lei, só assim poderiam, através da morte de um animal, ter o seu pecado perdoado.

4. O grande dia da expiação.
- Levítico 16 narra o mais importante dia para o povo judeu: o dia da Expiação. O dia em que todo judeu devia observar um jejum e não fazer qualquer trabalho. Esse dia é ainda hoje observado por eles como Yom Kippur, o “Dia do Perdão”.

- O dia da Expiação era a data em que o Sumo Sacerdote apresentava um novilho por si mesmo e por sua família (Lv 16.6) e um bode pelo povo (Lv 16.710) no Santo dos Santos, aspergindo o sangue das vítimas sobre o propiciatório (Lv 16.11-19). O rito representava a mais importante oferta pelo pecado de toda a nação.

- Esse rito aponta para o nosso grande dia da Expiação, no Calvário, quando Jesus Cristo, nosso Senhor, exclamou na cruz: “Está consumado” (Jo 19.30).

CONCLUSÃO.
Nesta lição, vimos o quanto era complexo o sistema de apresentação de ofertas para diversos pecados, e o dia anual de expiação, em que o Sumo Sacerdote apresentava a oferta pela nação inteira. Mas a Palavra de Deus mostra-nos que o sacrifício único de Cristo, no Calvário, foi suficiente para apagar os nossos pecados (2ª Co 5.21; 1ª Pe 3.18).

FONTE DE PESQUISA
1. ANDRADE Claudionor de. Lições Bíblica. Lição 13 do trimestre sobre “Adoração, Santidade e Serviço”. CPAD.
2. Bíblia de Estudo Palavras-Chave. Dicionário do Antigo Testamento.
3. SABORES do Sul. Entenda as diferenças entre fermento químico e biológico. Disponível em: https://revistasaboresdosul.com.br/entenda-asdiferencas-entre-fermento-quimico-e-biologico/ Acesso em 17 maio 2018

Pr. Elias Ribas