TEOLOGIA EM FOCO

sexta-feira, 21 de julho de 2017

ONDE VOCÊ PASSARÁ A ETERNIDADE



Morrem no mundo 120 milhões de pessoas por ano; 10 milhões por mês; 334 mil por dia; 13.916 por hora e 232 por minuto.

Quantos amigos, de infância, colegas de escola, parentes, vizinhos, conhecidos já morreram. Agora pense em você; um dia terá que morrer. Quer você queira ou não um dia a morte chegara na tua porta. A Bíblia diz: “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hb 9.27).

Ninguém escapará da lei da morte. Você tem um corpo que é terreno e uma alma que é imortal. Com a morte, corpo irá para a sepultura e no pó será desfeito: “Tu és pó e ao pó voltarás” (Gn 3.19). Porém a alma, irá para ETERNIDADE, porque a alma é imortal (Eclesiastes 12.7).

No evangelho segundo João, o mestre Jesus diz: “Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.29).

Jesus está falando de duas ressurreições distintas (Ap 20.4,5), uma para a vida eterna e outra para a condenação eterna.

Os que fizeram o bem. A ressurreição da vida vai acontecer na volta de Jesus Cristo, os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, e depois nós os que estiverem vivos isso dar-se-á no arrebatamento da Igreja (1ª Ts 4.16-17).

O maior bem que todos podem fazer é crer em Jesus, naquele que Deus enviou para salvar-nos (Jo 6.28,29). Todas as outras boas ações começam a partir dessa atitude. Tudo de bom que fazemos sem essa fé não significa nada para Deus, e o resultado será a ressurreição da condenação.

Os que fizeram o mal. Esta é a chamada segunda ressurreição, a parte da ressurreição que trata de incrédulos:

E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras” (Apocalipse 20.5,11-13).

Na parábola do rico e do Lazaro, Jesus ensinou que na eternidade, apenas há dois lugares: um de sofrimento e outro de gozo e paz com Deus. Ambos são eternos, definidos e incomunicáveis. Depois da morte não há possibilidade de alguém salvar sua alma. Na vida após a morte não existe meios de você passar do inferno para o céu ou vice-versa. Também ninguém poderá voltar a esta vida.

Deus ama o homem, mas não ama o pecado. Ao vir a Cristo ele é aceito como a volta do filho pródigo. Independentemente do que tenha feito.

Você nesta terra, está vivendo a sua vida, tomando as suas decisões, tentando descobrir a melhor coisa a fazer e como fazer, como viver, como sobreviver e esta vida terrena é uma luta, uma batalha da vida. Mas pode ficar mais fácil se você simplesmente se conectar espiritualmente a Deus.

Pois, embora a sua vida continue e você envelheça e depois morra, o seus espírito nunca envelhece. Dentro de você habita um espírito eterno que nunca morre. O seu verdadeiro eu, aquele que agora habita no seu corpo, vai viver para sempre.

Não é pelas coisas físicas, as coisas materiais deste mundo, que você deve lutar, porque um dia vai ter que deixá-las para trás.

Quando chegar o dia de deixar para trás o seu corpo, a única coisa que vai contar é a força do seu espírito.

Para que hoje vençamos e possamos experimentar a vida eterna, a qual Deus tem preparado para aqueles que o amam, devemos reter a Palavra da Verdade, que é poderosa para salvar as nossas almas (Tg 1.21).

Sabemos que Jesus é o Verbo, a Palavra, a ressurreição e a vida e que aquele que crer nele, ainda que morra viverá (Jo 11.25, 26), pois Ele disse: “Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte, eternamente” (Jo 8.51), por isso é preciso que hoje venhamos nos alimentar d’Ele (Dt 8.3; Jo 6.27,44, 48, 51-59). Para que participemos da vida eterna com Deus, precisamos guardar a Palavra no coração para não pecarmos contra Ele e aceitar por fé aquilo que Deus tem nos prometido (Hb 4.2), crendo nela mais do que em nós mesmos, mais do que nas circunstâncias adversas, ou nas provas, ou nas tribulações, sabendo que aquele que sofreu na carne deixou o pecado (1ª Pe 4.1).

O nosso encontro com Deus só ocorrerá quando a soma de tudo aquilo que vimos ter Jesus feito por nós se torna hoje, no tempo presente, uma realidade posicional, ou seja, vivermos como arrependidos do pecado que nos levou a sermos reconciliados com o Santo e Eterno Criador, que por sua vez nos adotou, crendo no ato da substituição feita pelo Senhor Jesus Cristo em amor e por isso, vivendo como regenerados e justificados de maneira que a nossa separação gradativa do pecado nos fará levar os nossos membros do corpo a uma disposição agradável em relação a Deus e o pecado, de forma que estaremos santificados, essa atitude feita por nossa decisão nos levará a dor da separação daquilo que a nossa carne ama e o mundo nos oferece, fazendo desta forma que experimentemos dia a dia a glorificação que me levará em fim a participar da ressurreição que conduzirá definitivamente para a vida eterna.

Jo 5.24: “Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida”.

I.         A MORTE SELA O DESTINO DE TUA ALMA

1.      Os dois caminhos.
Quando chegar à porta no final do túnel, no final da sua vida, você terá dois destinos, ou dois caminhos. Vida eterna com Deus ou vida eterna sem Deus. Talvez você ainda não saiba o destino da sua alma. Somente a Bíblia que a bússola da nossa vida pode nos orientar o caminho correto.

Ao criar o homem Deus dotou de livre arbítrio. O destino da tua alma após a morte dependerá da tua escolha. A Bíblia diz que há um caminho de vida e o caminho da morte: “E a este povo dirás: Assim diz o Senhor: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte” (Jr 21.8). A diferença entre os dois é muito grande. Nosso Senhor adverte com solenes palavras: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mt 7.13-14).

São apenas dois caminhos “vida” ou “morte”. Um vai para o céu e outro para a condenação eterna. Cabe a cada um fazer a sua escolha. Portanto Deus não tem prazer na condenação do homem, por isso Ele enviou Seu Filho Unigênito para a nossa salvação: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Deus havia proposto uma escolha para humanidade: o caminho da obediência que conduz a vida eterna ou o caminho da desobediência que conduz a morte. Deus destinou o homem à imortalidade, mas, pela inveja do diabo, o pecado e a morte entraram no mundo. Porém, em Cristo, o homem obteve salvação, regeneração, para uma vida de santidade. Antes mesmo de especificar a porta estreita Ele nos dá um alerta quando diz “que devemos entrar nela”. Se notarmos as palavras seguintes são sobre a porta larga, então esta é uma breve introdução que o Senhor faz sobre a mesma mostrando que antes de qualquer atitude, ou independente do que falaria a seguir devemos entrar na porta estreita.

O caminho estreito é de renúncia dos prazeres do mundo, é abdicar da nossa vontade em prol da vontade de Deus, mudar o estilo de vida. A cruz representa a morte do velho eu e a condição de renascimento, nela morremos e ressuscitamos com Cristo em nova vida. Portanto, enquanto o homem está nesta vida, deve fazer sua opção por Cristo (o caminho do céu), ou pelo pecado (o caminho da destruição). Entretanto, o caminho da vida ainda está aberto! E o Senhor continua a dizer: “...este é o caminho, andai nele...” (Is 30.21).

II.      O CAMINHO DA MORTE

Jesus diz que o caminho largo é espaçoso, de forma fácil, ou seja, é o caminho que conduz aos deleites da vida, aonde estão aqueles que não se preocupam em caminhar na vontade de Deus, quantos não estão entrando nessa porta, o próprio Jesus nos diz que: “muitos entram por ela”, e mesmo assim não percebem. O caminho atrativo e pecaminoso, que como um Leão com fome tem tragado diversas pessoas. O grande sábio Salomão já nos diz algo relacionado: “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte” (Pv 14.12).

1. As três faces do mundo.
“Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1ª Jo 2:16).

O que a Bíblia chama de mundo é o sistema governado por valores não cristãos, onde prevalecem os interesses e prazeres humanos, não a vontade de Deus. É o campo onde Satanás é o árbitro. Ao mesmo tempo, é o nosso campo de batalha.

O pecado atua de três formas na vida do homem: “a cobiça da carne, a dos olhos e a soberba da vida” são três facetas do mundo que nos afastam da presença de Deus.

Podemos concluir com o verso 17: “Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência (cobiça), mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1ª Jo 2.17). O mundo não vai nos satisfazer por completo, passará e nos deixará condenados. Agradando a Deus estaremos satisfeitos, realizados, e permaneceremos na eternidade com Ele.

2.      Neste mundo existem apenas dois grupos de pessoas.

“Os que são segundo a carne inclinam para as coisas da carne: mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito” (Rm 8.5).

O apóstolo Paulo fala de dois grupos de pessoas os carnais e os espirituais. Cabe a cada um fazer uma análise introspectiva para verificar se suas inclinações são carnais ou espirituais. O pensamento do homem norteia o seu comportamento. Se a mente é carnal, seu comportamento é carnal, resultando em morte; se a mente é espiritual, seu comportamento é espiritual, resultando em vida e paz.

O apóstolo Paulo diz que uma luta em nosso interior quando prescreve dizendo: “Porque a carne milita contra o espírito, e o espírito contra a carne, estes se opõem um contra o outro” (Gálatas 15.17).

A palavra carne no original grego é sarx e tem vários significados na Bíblia, principalmente nas epístolas. Pode significar fraqueza física (Gl 4.13), o corpo, o ser humano (Rm 1.3), o pecado (Gl 5.24), os desejos pecaminosos (Rm 8.8) Aqui significa o conjunto de impulsos pecaminosos que dominam o homem natural.

Espírito... contra a carne. O conflito espiritual interiormente no crente envolve a totalidade da sua pessoa. Este conflito resulta ou numa completa submissão às más inclinações da “carne”, o que significa voltar ao domínio do pecado; ou numa plena submissão à vontade do Espírito Santo, continuando o crente sob o senhorio de Cristo (v. 16; Rm 8.4-14). O campo de batalha está no próprio cristão, e o conflito continuará por toda a vida terrena, visto que o crente por fim reinará com Cristo (Rm 7.7-25; 2 Tm 2.12; Ap 12.11; Ef 6.11).

O Senhor Deus ensina o homem a andar segundo os parâmetros de Sua Palavra e toda a Bíblia Ele adverte o homem a andar segundo Espírito e não segundo carne. Por isso Paulo diz: “Andai em Espírito e não cumprireis concupiscência da carne” (Gl 5.16).

2.1. Inclinação da carne. Isso significa ter a mente carnal, vida controlada pela carne. Tal pessoa não está sob o domínio do Espírito. Quem assim vive não pode agradar a Deus. Só podemos agradar a Deus fazendo Sua vontade. Mas só o conseguimos se estivermos sob a direção do Espírito Santo.

O homem que anda segundo a carne, torna-se inimigo de Deus e desobediente à Sua Palavra:
“Porque os que estão segundo a carne, inclinam-se para as coisas da carne, mas os que estão segundo o espírito, para as coisas do espírito. Porque a inclinação da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Porque a inclinação da carne é inimizade contra Deus”, pois não é sujeita á lei de Deus, nem, em verdade, pode ser. Porquanto, os que estão na carne, não podem agradar a Deus” (Rm 8.5-8).

Nestes últimos tempos podemos ver a maldade crescente e o pecado levando a humanidade para as depravações jamais vistas: prostituições, drogas, bebedices, adultérios, suicídios, assaltos, roubos, jovens grávidas, estupros, imoralidades corrupção etc. Quantas mortes e assassinatos acontecem todos dias?

2.1. Quais são os frutos da carne. “As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, ciúmes, iras pelejas, dissensões, facções (divisões), invejas, bebedices, orgias, e coisa semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.19-21).

Andar segundo o caminho das paixões carnais leva o homem a condenação eterna: “Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis” (Rm 8.13). É por isso que Jesus diz que o caminho é largo e espaçoso, mas conduz a perdição.

2.2. Inclinação do Espírito. Os que são justificados pela fé em Cristo, nasceram de novo, e, portanto, são regenerados. São filhos de Deus. Eles ocupam-se inteiramente das coisas de Deus.

Deus não tem prazer na morte e condenação do pecador, mas que todos venham ao arrependimento, por isso Ele enviou Seu Filho Jesus, não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele (Jo 3.17).

III.   O CAMINHO DA VIDA

1. O que devo fazer para entrar no caminho estreito? Ir a uma igreja? Seguir as tradições da minha igreja? Não! O único meio de salvação é Jesus. Há um ditado popular que diz: “Todos os caminhos nos levam a Deus”. Porém não é verdade somente Jesus é o caminho para a vida. E ainda o Senhor afirma dizendo que “Ninguém vem ao Pai se não por mim”.

Jesus vai concluir sua fala sobre os caminhos indo mais a fundo no caminho estreito; no verso 13, Ele nos fala um pouco, mas no vers. 14 ele explica abrangendo-o:
E porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 6.14).

2. Jesus é o caminho. “Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6).

3. Precisamos crer. “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não no filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (Jo 3.36).

4. Precisamos obedecer Sua Palavra: Dizia, pois, Jesus aos judeus que nele creram: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos” (Jo 8.31).

5. Examinar as Escrituras.Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim” (Jo 5.39).

Diz Charles Spurgeon: “As Escrituras revelam Jesus. "São elas mesmas que testificam de mim". Nenhum motivo mais poderoso pode ser apresentado aos leitores da Bíblia, além deste: aquele que encontra a Jesus encontra a vida eterna, o céu e todas as demais coisas. Existe grande alegria estocada para aquele que examina a Bíblia e encontra nela o seu Salvador”.

Por isto o evangelista João diz: “A vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4). Ele é o tronco da videira, do qual os crentes são as varas que, pelo tronco, participam da raiz e da seiva (Jo 15.6; Rm 11.17; Cl 3.3-4).

O caminho estreito é o caminho que nos conduz a salvação. Para ser salvo, importa somente ir a Jesus, aceitando-o como seu salvador (Jo 1.12-13; Cl 2.6), e recebendo a Sua Palavra como parte d’Ele mesmo (1ª Ts 1.6).

6. Somente Jesus pode te salvar. A salvação é uma obra exclusiva de Jesus onde nada é feito pelos nossos méritos. Quando o pecador abre o seu coração e recebe a Jesus como seu único e suficiente salvador é que chega a uma maravilhosa união com Ele, e, por meio dessa união, entra na rica experiência da salvação.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).

Deus oferece gratuitamente ao homem, ao duvidar que Jesus tudo já fez para salvá-lo, sem nada exigir senão a fé no Seu sacrifício realizado na cruz.

7. Você também precisa fazer alguma coisa. Você precisa:

7.1. Abrir o seu coração e receber Jesus na tua vida.
“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Ap 3.20). Assim o homem se identifica com Jesus e com Sua Palavra e, as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo (2ª Ts 5.17). Essa aceitação de Jesus independente de um amplo conhecimento das doutrinas da Bíblia.

Aquele que, no coração, crer que Jesus é o filho de Deus e o aceitar, experimenta logo o contato com Cristo Vivo, e é, salvo e identificado com a nova vida.

7.2. Crer em Jesus de todo seu coração. Não olhe para o que você é, nem para a sua condição de fraqueza diante de Deus, nem para teu pecado que tortura o seu coração. Creia somente em Jesus.

“Filipe respondeu ao eunuco: “É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” (At 8.37). “Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At 16.31).

Aí onde você está, e como está, pode abrir o seu coração e receber a Cristo como salvador da tua alma imortal. Se você for a Cristo, não será rejeitado, pois Ele próprio afirmou dizendo:

“Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37). O amor de Jesus é imensurável. Se você for a Ele agora Cristo o receberá, como o pai da parábola do filho pródigo. Não olhe para teu passado, pra teus fracassos, mas olhe somente para Cristo. Ele lhe dará força, paz e você terá uma viva comunhão com Deus.

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado (1ª João 1.7).

E quando você partir desta vida, irá para junto de Cristo nos céus, pelos méritos de Cristo, para a glória eterna. É na presença de Deus que você deve viver eternamente.

7.1. Confessar que Jesus é o Senhor.
“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação” (Rm 10.9-10).

A boca fala do que o coração está crendo, está cheio. Eu creio que o que está no meu coração, que foi posto por Deus, é absolutamente verdade. Sempre que falamos em aceitar a Jesus como Único Senhor e Salvador, acabamos por nos remeter a este texto, por explicitar o que precisa ser feito. O que Cristo fez para que fossemos salvos foi algo público (publicamente nos comprou, pagou o valor do resgate por nós), e nossa confissão precisa ser pública. E nosso objetivo é falar acerca desta confissão pública de fé. Assim, aquele que crê no coração confessa que aceitou a Cristo como seu Único e Suficiente Salvador. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16).

A Bíblia diz que Jesus veio para os judeus e não o receberão (João 1.12). Ele veio para entregar Sua vida como sacrifício pelo mundo e por isso Ele é:

O único Salvador. “É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11).
O único nome nos céus e na terra. “E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (Atos 4.12).
O único Mediador entre Deus e o homem. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1ª Tm 2.5).

Jesus é o único Advogado perante o Supremo Juiz. “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1ª Jo 2.1).

Portanto, há apenas dois caminho, largo que conduz a condenação eterna sem Deus e o caminho estreito que conduz para vida eterna com Deus.

A Vida Eterna é o estado final daqueles que creem em Jesus como único meio de salvação. A vida eterna é não uma vida sem fim, uma vida em toda a sua plenitude, sem nenhuma das imperfeições e dos distúrbios da presente vida (Rm 2.7). Os justos são destinados à vida eterna na presença de Deus.

As Sagradas Escrituras descrevem o estado final dos ímpios como de sofrimento eterno, que vai além da imaginação humana. Após a morte a alma dos ímpios voam para o inferno aguardando o Juízo Final e após este julgamento as almas dos ímpios serão lançadas em lugar chamado de “lago de fogo”. No juízo do grande trono branco, as almas no inferno serão unidas aos seus corpos, que serão ressuscitados dos túmulos. Cristo pronunciará a sentença final do julgamento sobre os mortos ímpios, eles serão lançados no lago de fogo, a morada eterna dos perdidos (Ap 20.10-15).

O lago de fogo será para todos os pecadores o lugar final de separação de Deus. Para este lugar será removido para sempre a morte e o Hades. O universo será purificado da presença de todo o mal e a justiça prevalecerá na terra e no céu, que serão renovados.

Muitos ainda não sabem o que é eternidade. Eternidade será um tempo sem relógio, ou seja, uma condenação sem fim a onde a alma e o espírito dos pecadores serão lançados no Lago de Fogo para o sofrimento sem fim, eterno sem volta.

Porém, você tem o livre arbítrio para escolher um dos dois, porque não é possível andar com os pés em duas canoas (Mt 6.24). A vida eterna ou condenação eterna. Lembramo que o Bíblia diz no livro de Hebreus: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hb 9.27-28).

O homem morre uma só vez, ou seja, a morte física é o fim da existência pessoal nesta terra, mas depois disso o juízo, o julgamento do grande dia. No momento da morte de cada homem o estado final determina seu destino pela sua escolha nesta vida.

Cristo morreu uma vez para tirar os pecados e a punição de muitos (aqueles que creram n’Ele), aparecerá segunda vez sem pecado - não como ele fazia antes, tendo sobre si os pecados de muitos, mas para conceder a salvação aos que esperam!

Onde você passará a eternidade?

Pr. Elias Ribas

sábado, 6 de maio de 2017

A ONISCIÊNCIA DIVINA


Geralmente, quando um homem deixa o pecado e volta-se para Deus, está totalmente alheio aos esforços que Deus fez para levá-lo a fazer tal decisão. Muito antes do homem pensar em Deus, ele já estava no pensamento de Deus. Antes do convertido clamar a Deus, Deus o tinha buscado e atraído pelo Espírito Santo.

I.         A PRESCIÊNCIA DE DEUS

“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou” (Rm 8.28-30).

Deus sentiu, de antemão, o futuro amor das almas pecadoras por Ele e lhes deu a oportunidade de terem um novo nome pela Lei do Novo Testamento, pois sabia que guardariam sua lei, não rejeitariam seu convite e viveriam conforme sua vontade, o que seriam mostrados como dignos de serem honrados. Note-se que não é uma escolha fatalista de Deus, antecipando quem vai ou não ao céu.
A presciência é o aspecto da onisciência relacionada com o fato de Deus conhecer todas as coisas relacionadas com o futuro. A palavra do Novo Testamento traduzida por “presciência” (ou conhecer de antemão) é “prognosis”, da qual deriva a palavra “prognóstico” em português. Significa “saber antes” (pro = antes; “gnosis” = saber ou conhecer).

Vamos analisar algumas palavras citadas pelo apóstolo Paulo no texto acima:

1. Conheceu do grego “proginosko”. Significa sentiu, como a atração entre o homem e a mulher judaicos.
2. Imagem do grego “eikon”. Ser como, em excelência moral e mente santa.
3. Chamou do grego “kaleo”. Convidou, como um Pai convida um filho.
4. Justificou do grego “dikaioo”. Pronunciou alguém justo, pela observância às leis divinas, usado para aquele cujo o modo de pensar, sentir e agir é inteiramente conforme a vontade de Deus, e quem por esta razão não necessita de retificação no coração (vida).

Glorificou do grego “doxazo”. Honrar, estimar, manifestar sua dignidade como condição gloriosa de bem-aventurança dos cristãos em face da sua condição de verdadeiros adoradores e convertidos a Deus.

A presciência de Deus não afeta as decisões do homem, nem seu livre-arbítrio. As ações de um homem não são permitidas ou impedidas simplesmente porque são conhecidas de antemão, por Deus.

A presciência divina envolve o conhecimento da parte de Deus de que a raça humana cairia no pecado e que precisaria de um salvador. Logo, Deus planejou a redenção em Cristo muito tempo antes do mundo ter sido criado. A presciência é uma garantia da certeza de que os planos e propósitos de Deus para a Igreja nunca serão frustrados.

II.      A ELEIÇÃO

A eleição é uma das palavras mais comum da Bíblia, mas tem sido de certa forma mal interpretada pelos crentes. A eleição não significa que Deus escolhe alguns para serem salvos e outros para serem condenados, sem a participação das pessoas nessa escolha.

A Palavra “eleição” significa escolha. Esta palavra foi usada no Antigo Testamento para descrever a escolha que Deus fez de alguns indivíduos, de algumas famílias e da nação de Israel privilégios especiais ou propósitos divinos.

É empregada para descrever a escolha que Deus fez de Cristo para a tarefa de consumar a salvação, mas também Sua escolha dos que estão “em Cristo” para a salvação.

No que diz respeito à salvação, a eleição é a escolha de Deus, dos homens para a salvação e privilégios, baseada na escolha inicial d’Ele, feita por eles.

“Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor” (Ef 1.4).

“...escolheu n’Ele...”. Este versículo mostra claramente que nosso “mérito” por sermos escolhidos não é baseado em nós mesmo, mas, sim, no “mérito” de estarmos “em Cristo”. Assim como estamos em Cristo, assim também somos dignos de sermos escolhidos por Deus. Paulo explica que fomos eleitos antes da fundação do mundo (presciência de Deus) de conhecer de antemão os que receberia Jesus em seus corações.

Significa que todos da raça de Adão, que são ou serão salvos, foram escolhidos por Deus desde a eternidade para a salvação eterna mediante a santificação do coração pela fé em Cristo. Em outras palavras, eles são os escolhidos para a salvação por meio da santificação. A salvação é o fim - a santificação é o meio. Tanto o fim quanto o meio são eleitos, designados, escolhidos; o meio tão realmente quanto o fim e em benefício do fim.

“Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas” (1ª Pe 1.2).

Este versículo explica que a eleição do crente é baseada na presciência de Deus. Ou seja, a escolha feita pelo homem foi prevista por Deus. Baseado no Seu conhecimento da decisão que o crente tomaria, Deus o elegeu, até mesmo antes de terem sido lançados os alicerces da terra.

O soberano Deus deu a todos os homens o livre-arbítrio. O fato de que Deus sabe de antemão as decisões de cada homem, não significa que Ele imponha a tomada delas. Deus não força ninguém a fazer uma decisão pró ou contra o reino dos céus (Ap 3.20). Ele apenas prescreve através de Sua Palavra o certo e o errado e cabe a cada tomar sua decisão.

Além disto, a Bíblia ensina que a eleição tem origem na fidelidade do homem em permanecer em Cristo. É, portanto, um privilégio que pode ser perdido. O apóstolo Pedro admoestou os irmãos a tornarem sua eleição mais segura a fim de não caírem.

“Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum” (1ª Pe 1.10).

Este versículo certamente ensina que a eleição é tanto responsabilidade do homem, como divina. Certamente Deus sabe quem permanecerá fiel até o fim da sua vida.

A Bíblia diz que Cristo foi eleito por Deus (1ª Pe 2.4). O crente, por sua vez, é tornado aceitável a Deus por Jesus Cristo (1ª Pe 2.5). A eleição de Cristo nos garantiu, assim, a nossa própria eleição quando nos tornamos membros do Seu “corpo”.

A eleição, portanto, é ao mesmo tempo coletiva como individual. A Igreja é eleita e cada pessoa, como parte daquele corpo, também é individualmente eleita.

“Aos santos e fiéis irmãos em Cristo que se encontram em Colossos...” (Cl 1.2) 12 “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados...” (Cl 3.12).

III.   PREDESTINAÇÃO

A predestinação é uma das doutrinas mais consoladoras da Bíblia quando é devidamente entendida. Sua essência jaz nos fato de que Deus tem plano geral e original para o mundo, e que Seus propósitos nunca serão abalados.

A palavra predestinação do grego proorizo, quer dizer: predeterminar, decidir de antemão, o decreto de Deus desde a eternidade; preordenar, designou antes, nomeou.

Mediante o planejamento predeterminado por Deus (predestinação) a salvação é oferecida a todos (At 4.27-28) e é possível para todos os que o buscam (At 17.26-27). Por causa desta provisão, nenhum homem em qualquer tempo poderá acusar Deus de não lhe ter dado uma oportunidade para crer (Rm 1.20).

Deus não somente planeja uma maneira do povo conhecer a salvação, como também tem um plano para ajudar os salvos a progredirem na sua vida espiritual.

“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29).

Este plano, no entanto, depende da disposição do crente de corresponder em obediência (Jr 15.19). Esta provisão para glorificar a Deus é ilimitada para o crente que corresponder aos apelos do Espírito Santo.

“Mas, como está escrito: Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1ª Co 2.9).

O crente é predestinado a salvação por ter aceitado a Cristo em seu coração. “Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” (Ef 1.5).

“Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo” (Ef 1.11-12).

Deus chamou a todos:
• Todos pecaram (Rm 3.9-12).
• A justiça e salvação é para todos (Rm 3.22-23).
• A graça foi para todos (Rm 5.18).
• Condição para todos serem filhos (Rm 8.14; Jo 3.16).
• Deus entregou Jesus por todos nós (Rm 8.32; Jo 6.39).
• Jesus morreu por todos (Hb 2.9).
• Deus é rico para com todos os que o invocam (Rm 10.12).
• Misericórdia é para todos (Rm 11.32).
• Santos são todos os que invocam a Jesus (1ª Co 1.2).
• Todos mortos em Adão e todos vivificados em Cristo (1ª Co 15.22).
• Jesus morreu por todos, mas todos os querem? (2ª Co 5.15).
• Deus quer que todos se salvem pelo único mediador (1ª Tm 2.3-6) e se arrependam (2ª Pe 3.9).

IV.   LIVRE-ARBÍTRIO

Livre Arbítrio significa a faculdade ou poder dos agentes morais em escolher, decidir entre objetos de escolha sem força ou por necessidade.

Adão e Eva escolheram desobedecer a Deus e comer da árvore do bem e do mal (Gn 3.11); Homem pode fazer o bem ou o mal (Gn 4.7); Os homens escolhem se querem servir ou não, a Deus (Js 24.15); Os homens podem escolher entre a porta estreita e a larga (Mt 7.13).

Segundo John Wesley embora o homem tivesse perdido todo o seu livre arbítrio natural em virtude da degeneração da raça pelo pecado, o ser humano, pela misericórdia de Deus, teve em si restaurada, até certo ponto, a capacidade de escolha. É o que poderíamos chamar de LIVRE ARBÍTRIO PELA GRAÇA. A Graça preventiva de Deus, na linguagem de Wesley, atuando sobre o coração do ser humano, recupera lhe a possibilidade de responder positiva ou negativamente, aos apelos que o próprio Deus lhe faz.


A presciência e a eleição não são inconsistentes com o livre arbítrio. Os eleitos foram escolhidos para a vida eterna, sob a condição de que Deus o previu no perfeito exercício da liberdade deles, de modo que eles pudessem ser induzidos ao arrependimento e a abraçar o Evangelho.

Pr. Elias Ribas

terça-feira, 4 de abril de 2017

A DOUTRINA DA ADOÇÃO

I.         INTRODUÇÃO

“Entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.3-6).

Todos aqueles que aceitam a Cristo como seu Salvador são elevados, de uma posição abaixo dos anjos, para serem herdeiros dos céus. Tudo isso é possível por causa da provisão da “reconciliação” que Cristo efetuou, ao consumar a obra da salvação. Embora o homem estivesse alienado de Deus, sem esperança da vida eterna, mediante a provisão de Cristo, este homem passa de “inimigo de Deus”, “a filho de Deus”.

“Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida” (Rm 5.10).

O homem no pecado encontrava-se separado, inimigos de Deus. Mas pelo Seu imensurável amor somos reconciliados através da fé no sacrifício de Jesus.

Reconciliados, vem da palavra grega Katallassein que quer dizer mudar ou trocar. Veio a ter a ideia no N.T. de mudar de inimizade para amizade. Nossa relação mudou através da morte de Cristo. Passamos de inimigos para filhos amados (cf. 2ª Co 5.18-20).

II.      O SIGNIFICADO DA PALAVRA ADOÇÃO

A palavra traduzida como “adoção” é uma palavra grega, huithesia, que significa estar em lugar de filho. Ela não se refere absolutamente a um órfão ou adulto benevolente que talvez queiram “adotar” um órfão.

O vocábulo, do Novo Testamento, descreve o fato de Deus receber como filho alguém que, legal e espiritualmente, não goza do direito de tê-lo como Pai. A partir deste momento, passa esse alguém a desfrutar de todos os privilégios que Deus, desde a mais remota eternidade, preparou aqueles que aceitam a Cristo como único e suficiente salvador.

III.   O PROCESSO DA ADOÇÃO

Ao empregar a expressão “adoção” (Ef 2.5; Rm 8.14-17 e Gl 4.5-7), Paulo tinha em mente o que conhecia do processo legal de adoção, que era muito comum na Roma antiga. Naqueles dias, uma família de posses, podia resgatar uma criança da escravidão e integrá-la noutra família. Numa cerimônia, o pai adotante comparecia diante de um juiz e de uma testemunha, mantendo o preço da criança numa das mãos, e a própria criança na outra. Dizia à criança: “você quer ser meu filho”? Se a criança respondesse afirmativamente, o homem diria as testemunhas: “declaro esta criança meu filho (a), de acordo com a Lei Romana. Ela foi comprada com este dinheiro”. Daquele momento em diante, a criança tornava-se membro legitimo da nova família, tomava o nome do pai da família e tornava-se herdeiro do patrimônio daquela família.

Os atos do pai adotivo nos lembram duas expressões do grande amor de Deus para com o mundo. Primeiramente, Deus enviou Seu Filho como preço de resgate espiritual do homem (Jo 3.16), o qual, por amor, deu Sua vida pela humanidade: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13).

Em segundo lugar, Deus ama tanto aqueles que resolvem segui-lo, que se designou chamá-los de Seus filhos. Paulo maravilha-se que aqueles que outrora eram “filhos da ira” não somente ressuscitou para uma nova vida, mas também foram exaltados, sentando-se nos lugares celestiais juntamente com Cristo. João expressa a esta mesma expressão de amor, ao explicar como Deus condescendeu em relação ao homem, chamando os que creem em Jesus de Seus filhos (Ef 2.3-6).

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo” (1ª Jo 3.1).

Mesmo assim, apesar do esforço divino e do preço da redenção envolvidos, ninguém pode ser divinamente adotado enquanto não aceitar pessoalmente este privilégio, decidindo entregar sua vida a Cristo. Daí, a Bíblia afirma que somente os que “recebem” adoção pela fé, são filhos de Deus.

Você quer ser meu filho”? “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome” (Jo 1.12).

“Para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.5).
Dentre toda a humanidade, somente aquele que recebe a Jesus no seu coração desfruta deste relacionamento exclusivo com Deus. Uma vez que Deus é o Criador de todos os seres vivos, em certo sentido todos os seres são obras de Sua mão (At 17.26-28), mas nem todo são filhos! Mediante aceitação do sacrifício de Jesus o crente pode se chamar filho de Deus (Rm 8.14-15). Paulo ensina claramente que ninguém pode tornar-se filho de Deus, a não ser pela fé em Cristo, para a salvação. “Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26).

Ninguém é filho por causa de vínculo de família ou de nacionalidade. Deus falou da nação de Israel como sendo filho num sentido geral (Dt 14.1-2; Os 11.1), mas Paulo ensina claramente que ninguém pode tornar-se filho de Deus, a não ser pela fé em Cristo Jesus para a salvação.

IV.   COMO POSSO ME TORNAR UM FILHO DE DEUS

Examinando a Bíblia Sagrada, nos deparamos com uma surpresa triste, mas real. Nem todos são filhos de Deus! Existe uma clara diferença entre criatura e filho de Deus.

Um exemplo objetivo é: O oleiro que forma o vaso, porém o vaso não é filho do oleiro, e sim sua criatura, isto é, algo criado pelo oleiro. Assim também acontece com Deus, o grande Oleiro (Isa 64.8), que formou o homem do barro, porém como criatura.

Tudo o que Deus criou é criatura. Aí vem outra pergunta que nem todos sabem responder; se eu sou criatura, como posso me tornar filho de Deus? A resposta é simples:

“Mas a todos (aqueles) que O (Jesus Cristo) receberam, a estes (aqueles que receberam a Jesus) deu-lhes o poder de se tornarem (isto é não eram, mas se tornaram) filhos de Deus” (João 1.12).
Esta passagem diferencia aqueles que se tornaram filhos de Deus daqueles que ainda não se tornaram filhos de Deus. Você precisa receber a Jesus como único e suficiente salvador no seu coração (Ap 3.20). Você precisa nascer de novo (Jo 3.3). Você precisa crer. “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16). Crer e ser batizado. “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus” (Jo 3.18). Crer é ter fé: “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam”. (Hb 11.6).

V.      FILHO E SUAS DISTINÇÕES

Pois já sabemos que aqueles que recebem Jesus no seu coração são filhos de Deus. Mas esta posição é inteiramente diferente da de Cristo, que é o Filho de Deus. O crente desfruta de relacionamento com a Trindade, mas não é parte dela. Cristo é, e sempre foi Filho de Deus pela natureza do seu próprio ser. Por causa do seu grande e transcendente amor é que Ele consente em nos chamar seus irmãos.

Jesus é Deus, Eterno, Onisciente, Onipresente, Onipotente, Criador, mas nós somos suas criaturas e filhos de Deus somente pela fé.

VI.   AS BÊNÇÃOS DE SER FILHO DE DEUS

“Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1ª Jo 3.2).

Um dos benefícios de ser filho de Deus é a certeza de um dia ser como Ele é, ou seja, possuir um corpo espiritual e não mais um corpo material.

Outro privilégio de ser filho de Deus é a certeza de uma comunhão estreita e amorosa com o Pai celestial.

“Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15).

A Bíblia ensina o crente a temer a Deus, mas numa atitude de respeito e reverência, e não de angustia e de medo. O Espírito de Cristo libertou o crente do medo “servil” de ser castigado ou rejeitado por causa do mínimo erro que pudesse desagradar a seu Senhor. Os crentes devem saber que são filhos e não meros escravos.

A frase “Aba, Pai”, Paulo explica o relacionamento de intimidade e confiança entre o Pai Celestial e os crentes. “Aba” é uma palavra aramaica que significa, simplesmente “pai”, com a conotação afetiva da parte do filho expressando a confiança e intimidade que só ele tem como filho.

VII. NOSSA HERANÇA ATUAL

Certas riquezas espirituais o crente desfrutada nesta vida; outras somente no porvir. Paulo explica dizendo que já receberá as “primícias do Espírito”, enquanto esperava a plena “herança” da sua adoção.

“E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.23).

É a manifestação inegável de nossa posição como filhos de Deus na concretização da esperança ao receber o corpo glorificado na vida eterna.

Na parábola do filho pródigo, o pai disse ao filho mais velho que mesmo antes dele receber a herança completa, tinha pleno direito a tudo quanto pertencia ao seu pai.

“Então, lhe respondeu o pai: Meu filho, tu sempre estás comigo; tudo o que é meu é teu” (Lc 15.31).

Desta forma, os filhos espirituais participam de uma porção da sua imensa herança espiritual agora mesmo. Desfrutam da abundância de bênçãos espirituais, do poder do Espírito Santo e uma coparticipação da natureza divina.

VIII.       O FILHO DEVE SER FIEL AO PAI

O fato do crente ter sido honrado e colocado na posição de filho de Deus, deve motivá-lo a viver em retidão. O filho deve sempre lembrar-se da dignidade que seu novo título e posição que recebera, lembrando que ele representa o Pai aqui neste mundo.

“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.16).

“Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.15).

Os crentes, como filhos de Deus, devem estar sempre seguros da sua linhagem real e das responsabilidades que temos diante do Pai e de permanecer separados do mundo e do pecado. Nenhum bom filho deve associar-se com aqueles que vivem em rebelião contra seu Pai e Rei.

“Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2ª Co 6.17-18).

IX.   SOMOS ORIENTADOS PELO ESPÍRITO DE DEUS

Quando aceitamos a Cristo como salvador, temos o privilégio de receber o Seu Espírito como nosso guia e orientador de nossas vidas. Ele testifica dentro de nós que somos filhos de Deus.

“Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8. 14, 16).

O Espírito Santo guia e dá testemunho, mas não força, e nem coage. Como filho de Deus, o crente deve submeter-se ao Espírito para ser guiado, e ter o seu testemunho interior.

X.      O FILHO TEM ACESSO AO PAI

Como filho de Deus temos esta promessa: Acesso constante à presença de Deus. “Porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito” (Ef 2.18).

Por causa da promessa de acesso continuo a Deus e a certeza do seu cuidado para com Seus filhos, o crente pode levar todas as suas necessidades espirituais, sociais e físicas ao Pai Celestial, sabendo com certeza que será ouvido e atendido.

Aquele que rejeita a Jesus como salvador não podem desfrutar deste privilégio com o Pai. Por isso muitos em vez de pedir ao Pai em nome do Filho, estão pedindo ao a outros mediadores (Paulo, João, Pedro, Maria, etc.). Se recebemos a Jesus como único Senhor da nossa vida, então somos filhos do Pai Celeste que nos ouve no céu e nos ajuda através do Seu Espírito Santo.

“Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lhe pedirem?” (Lc 11.11-13).

Devemos lembrar-nos também que Deus, como bom pai, não dará ao filho tudo quanto ele deseja, mas, que dará tudo quanto é necessário e bom para ele. Podemos ter a certeza de que a resposta de Deus às nossas orações sempre terão em mente tanto nossas necessidades presentes, quanto nossos interesses internos.

XI.   FILHOS DE DEUS E IRMÃO DE CRISTO

Uma das frases mais singular da Bíblia acha-se em Hebreus, quando Cristo nos chama de irmãos. “Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos” (Hb 2.11).

Ser chamado de “filhos de Deus” é em si muito difícil entender, mas ser chamado de irmãos de Cristo, é quase além do nosso entendimento. Além de Cristo dar sua vida para nos resgatar ainda nos chama de irmão. Isso é um fato maravilhoso e glorioso. Isso podemos chamar de amor “ágape”, amor divino.

“Assim, já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus” (Ef 2.19).

Cristo trouxe não só um homem ao seu pai mas, sim, “muitos filhos” (Hb 2.10). Todos aqueles que foram adotados na família divina formam agora um grupo especial de pessoas, que devem ficar separados do mundo e perto uns dos outros.
“.... porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos” (Mt 23.8b).

XII. PERTENCEMOS A UMA NOVA FAMÍLIA

Aqueles que fazem parte da “família de Deus” são unidos pelo amor de Deus, tendo comunhão uns com os outros. Na realidade, é exatamente este amor que comprova a realidade da nossa adoção como filhos de Deus.

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35).

Este amor é demonstrado pela solicitude profunda e amorosa entre os irmãos e o desejo de uma estreita comunhão com a família da fé.

“Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas principalmente aos da família da fé” (Gl 6.10).

XIII.       O FILHO TORNA-SE HERDEIRO DO CÉU

Mediante a adoção divina, não somente o crente torna-se filho de Deus como passa fazer parte da herança divina. O crente torna-se herdeiro de todas as riquezas do universo.

“Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (Rm 8.17).

Aqueles que têm Cristo no seu coração, desfrutam de muitos privilégios: É filho; é herdeiro; é coerdeiro com Cristo. Em contraste com as heranças terrestres que são entregues ao herdeiro quando pai morre, o crente recebe sua plena herança quando ele morre (ou for arrebatado). A Bíblia oferece muitas descrições das riquezas que aguardam o crente além desta vida.

“Para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros, que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo” (1ª Pe 1.4-5).

Ao aceitarmos a Cristo também passamos a ser coerdeiro de Suas riquezas. Paradoxalmente, todas as riquezas celestiais tornam-se nossas por Ele se fez pobre para que fossemos ricos nas regiões celestiais.

“Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2ª Co 8.9).

XIV.      A HERANÇA CONDICIONAL

O crente como filho de Deus, embora adotivo, torna-se participante da herança divina enquanto ele permanecer fiel na casa do Pai. Mas até um filho, por sua própria escolha pode abandonar seu pai e seu lar e perder o que tem.

Podemos citar dois exemplos bíblicos: O primeiro exemplo é do Filho Pródigo que trocou a comunhão com seu pai pelos prazeres efêmeros do mundo. Felizmente, arrependeu-se, e não perdeu toda sua herança. O segundo exemplo é de Esaú que não foi tão feliz assim. Tendo desvalorizado sua herança espiritual, vendeu-a em troca de um momento de satisfação física (Hb 12.16). Mais tarde reconheceu o valor da primogenitura perdida, e implorou para tê-la de volta, mas foi tudo em vão. A oportunidade para arrepender-se já se fora (Hb 12.17), e assim será com todos aqueles que rejeitam sua herança espiritual, para depois descobrirem que a morte selou sua decisão para toda a eternidade (Hb 9.27).

No livro do apocalipse Cristo advertiu a João que a herança é somente para os que vencem o mundo até ao fim, pela sua fé.


“O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho” (Ap 21.70).

Pr. Elias Ribas