TEOLOGIA EM FOCO

terça-feira, 28 de agosto de 2012

A HIPOCRISIA DOS FARISEUS



I.       O FERMENTO DOS FARISEUS
 “Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia” (Lc 12.1b).

A palavra fermento [do gr. zume] significa de corrupção intelectual e moral inveterada, vista em sua tendência de infectar os outros. Aqui o fermento é aplicado aquilo que, mesmo em pequena quantidade, pela sua influência, impregna totalmente algo; seja num bom sentido, como na parábola em Mt 13.33; ou num mau sentido, de influência perniciosa, “um pouco de fermento leveda toda a massa”.

Os usos simbólicos da palavra “fermento”, na Bíblia, são geralmente negativos. O fermento freqüentemente representou o mal e o erro. Podemos traçar no Velho Testamento o desenvolvimento destes significados da palavra “fermento”. O uso do fermento era proibido durante a Páscoa, a festa em que os israelitas comemoravam a libertação da nação judaica da servidão egípcia (Êx 12.15). De fato, os israelitas não tinham permissão para incluir fermento nos sacrifícios feitos a Deus. Em Levítico, Deus disse: “Nenhuma oferta de manjares, que fizerdes ao Senhor, se fará com fermento; porque de nenhum fermento, e de mel nenhum queimareis por oferta ao Senhor” (Lv 2.11).

“E Jesus disse-lhes: Adverti e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus 11 Como não compreendeis que não vos falei a respeito de pães? E sim: acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. 12 Então, entenderam que não lhes dissera que se acautelassem do fermento de pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. (Mt 16.6,11-12).

Baseando-se nesta tradição de que o fermento representava alguma coisa má, impura e inaceitável por Deus, Jesus e Paulo se referiram às falsas doutrinas como fermento. Jesus advertiu contra o fermento o falso ensinamento dos fariseus e dos saduceus (Mt 16.12). Paulo disse que aqueles que tentavam persuadir os cristãos a voltarem à pratica da lei de Moisés espalhavam o fermento (Gl 5.4-9).

 O fermento também representava a influência corruptora da imoralidade. Paulo se referiu ao problema da imoralidade sexual entre os cristãos de corinto em termos duros e perguntou: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?” (1ª Co 5.6). Deixada sem correção, a ação do fermento da imoralidade pode se espalhar e corromper a congregação inteira.

Os fariseus eram formalistas, legalistas, ritualistas, nominalistas. Eles endeusavam as obras. Os fariseus eram, céticos, materialistas, humanistas. Não criam no miraculoso, no sobrenatural.

II.   O FERMENTO DA HIPOCRISIA


“Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam” (Mt 23.33).

O hipócrita é o homem que, no próprio nome da religião, quebra as leis de Deus. É o homem que diz que não pode ajudar seus pais porque tinha dedicado seus bens ao serviço de Deus (Mt 15.7; Mc 7.5); é o homem que se recusa a ajudar um enfermo no sábado, porque isto seria uma violação da lei do sábado, embora não deixe descuidar do bem-estar dos seus animais no sábado (Lc 13.15).

É o que pratica todos os gestos externos da religião enquanto no seu coração há orgulho e arrogância, amargura e ódio. É o tipo de homem que nunca deixa de ir para a igreja e que nunca deixa de condenar um pecador. O seu orgulho é do tipo que imita a humildade.

Os fariseus eram referência moral, ética e religiosa para o povo de Israel à época de Jesus. Aos olhos do povo os fariseus eram tidos por justos “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade” (Mateus 23.28).

Em nossos dias a palavra fariseu é utilizada de modo pejorativo, sinônimo de hipocrisia, mas à época de Cristo nomeava um grupo específico de seguidores do judaísmo.

O farisaísmo era uma das mais severas seitas do judaísmo e seus seguidores lideravam um movimento para trazer o povo a submeter-se à lei de Deus. Eles eram extremamente legalistas, formalistas e tradicionalistas (Mt 15.1-3).

O hupokrités é o homem que pela causa da religião afasta outras pessoas do caminho certo:

“Pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado” (1ª Tm 4.2-5).

Paulo se refere aos falsos mestres que estavam promovendo um estilo de vida rigoroso e acético (cf. Cl. 2.20 -23), proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos. Persuadem os outros a lhe darem ouvidos em vez de escutarem a Deus.

[....]. A proteção do crente contra tais enganos e ilusões consiste na lealdade total a Deus e à Sua Palavra. Por isso precisamos estar consciente de que homens de grandes dons e unção espirituais podem enganar-se e enganar os outros com sua mistura de verdade e falsidade [Comentário Bíblia Pentecostal. P. 1870 CPAD].

III. A HIPOCRISIA DE PEDRO

 Vejo que a hipocrisia é um doas maiores assassinos da graça divina; e isto está identificado na carta do apóstolo São Paulo aos Gálatas 2.11-14.

“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti -lhe face a face, porque se tornara repreensível. 12 Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar -se, temendo os da circuncisão. 13 E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. 14 Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?”

Nesse consenso mais uma vez foi colocada em dúvida por ocasião da visita de Pedro a Antioquia (Gl 2.11-21). Mas também, naquela ocasião, Paulo não cedeu um só milímetro da verdade do evangelho e agora, mais ainda, não tem intenção de diante dos judaizantes.

Também Israel, citado na aliança de Abraão, estava condicionado a lei. Contudo, contra argumenta Paulo, assim o Evangelho torna-se um não evangelho (1.6-9), porque desaparece o escândalo da cruz de Cristo, ou seja, Cristo morreu em vão (2.21; 5.11). Assim o Evangelho deixa de ser a graça (1.6; 2.21; 5.4). Por quê? Quem vê a lei como parte integrante da aliança, de tal modo que a eleição da parte gratuita da parte de Deus encontra sua correspondência subseqüente no cumprimento humano da lei, concede à lei um lugar que, segundo Paulo, não lhe corresponde. Essa unidade entre aliança e lei como caminho de salvação para alcançar a vida concede às “obras da lei” uma importância que, conforme a visão do Apóstolo ela não pode ter. Quem assim procede quer ser “justificado pala lei” (2.21; 5.4); pretende apoiar-se em seus êxitos com a lei, e não está disposto a atribuir somente a Cristo a glória da redenção (Gl 6.13s). Não lhe basta “ser “justificado em Cristo” (2.17). Ele não confia unicamente na graça da cruz, mas atribui ao cumprimento da lei parte de sua redenção.

Porque Deus levantou Paulo como apóstolo? Porque o discípulo Pedro, aquele que havia aprendido com mestre Jesus, estava colocando em jogo a pregação do Evangelho.

“E chegando Pedro a Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível” (v. 11).

Porque Paulo repreendeu a Pedro? Ele nos conta: “Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios: mas, depois que chegaram se foi retirando e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão” (v. 12).

Cefas (que quer dizer Pedro), que tinha experimentado a liberdade que há em Cristo depois da visão em At 10.10-35, começou a comer com os gentios em Antioquia. Quando vieram os judaizantes de Jerusalém, Pedro, hipocritamente deixou de seguir o princípio dado pelo próprio Deus. Será que podemos aceitar este apóstolo mais do que qualquer outro como infalível? Sendo que afirmam alguns que Pedro foi o primeiro papa e era infalível. Se Pedro era infalível, segundo o ensino de alguns, porque Paulo diz no verso 11 que “se tornara repreensível”.

Paulo resistiu na face um apóstolo que foi escolhido por Jesus. Qualquer líder espiritual que se torna culpado de erro e da hipocrisia deve ser confrontado e repreendido pelos colegas de ministério (cf. 1ª Tm 5.19-21). Isso, sem favoritismo; até mesmo uma pessoa de destaque como o apóstolo Pedro, que foi grandemente usado por Deus, necessitou de repreensão corretiva. As Escrituras indicam que Pedro reconheceu a sua falta e aceitou a repreensão de Paulo, de modo humilde e arrependido. Posteriormente, ele refere-se a Paulo “nosso amado irmão Paulo” (2ª Pe 3.15).

Dificilmente um falso líder aceitaria uma correção como Pedro aceitou. Uma repreensão de ministro para ministro não é uma ofensa dentro do presbitério! Errar é humano, falhar todos falham, mas devemos reconhecer o erro. Ou será que você iria ficar bravo e chutar o balde e ofender seu irmão? Mas Pedro, como um servo de Deus, arrependeu-se e aceitou a repreensão do amigo Paulo.
O Evangelho que Paulo pregava era algo novo tanto para os gentios como para os judeus. A indignação de Paulo não era preocupação com sua posição, ou seu status de apóstolo de Cristo. A preocupação como ele declara duas vezes em Gálatas 2, era a “Verdade do Evangelho”. Em outras palavras, estava em jogo não somente a salvação dos gálatas, mas também o futuro do próprio cristianismo. O que Paulo não queria era um Evangelho misturado.

Paulo viu através da duplicidade e expôs a hipocrisia em Pedro. Com efeito, ele repreendeu: Pedro você foi hipócrita diante dos judeus e depois diante dos gentios. Você está falando de liberdade, mas não vive essa liberdade. Sai de cima do muro Pedro, deixe de ser legalista, e viva a verdade do evangelho. Os outros judeus também dissimularam com ele, de maneira que até barnabé se deixou levar sua dissimulação.

“E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procedia corretamente segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, porque obrigas os gentios a viverem como judeus” (Gl 2.13-14).

Porque Paulo disse palavras tão fortes? Porque as pessoas costumam seguir os líderes. As ovelhas seguem os seus pastores, mesmo que eles estejam errados. Se você disser que é pecado comer sem lavar as mãos eles vão acreditar e obedecer. O líder é o espelho da igreja. Se você for um fariseu legalista os seus seguidores também irão ser, a menos que alguém lhe exponha a verdade.

Antes de começar a pensar que jamais cometerá o crime da hipocrisia, que você está acima dessa tentação, lembre-se do que Paulo expôs em sua carta aos Gálatas. Um líder espiritual tão forte e estável quanto Pedro caiu nela. E com muitos outros, “o próprio Barnabé”.

O legalismo é sutil, é insidioso. Descobri que ele representa especialmente uma tentação para aqueles cujo temperamento tende a agradar as pessoas, o que nos leva de volta à maravilhosa passagem em Gálatas 1.10 que nos liberta: “Porque persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.

O verdadeiro ministro é aquele que defende o Evangelho de Cristo, pois Deus não nos deu um espírito de temor, mas de fortaleza, por isso devemos batalhar pelo Evangelho. A Bíblia diz que Jesus veio purificar para si um povo zeloso e de boas obras.

Zeloso: que tem cuidado da doutrina – que segue o evangelho sem mistura (farisaísmo, dogmatismo, legalismo, filosofias etc.).

Boas obras: Que tem fruto do Espírito (Gl 5.22-23), evangelismo, assíduo no trabalho de Deus no tocante aos cuidados dos órfãos e viúvas. Estas boas obras nos diferenciam do mundo e não um fanatismo obscuro.

Precisamos urgentemente rever os ensinos da igreja primitiva: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At 2.42-47).

A igreja primitiva praticava a verdadeira doutrina, eram homens de oração, tinham comunhão uns com os outros, no partir do pão, no amor, no perdão, unidade, temor a Deus e a verdadeira adoração.

A igreja primitiva estava fundamentada na doutrina dos apóstolos. Eles não priorizavam os costume e culturas da época. Deus não está preocupado se nos saudamos com ósculo santo ou não, mas precisamos da oração e do estudo correto da Palavra de Deus que nos faz crescer em Cristo.

IV.  COMO DEUS VÊ A PRÁTICA DA HIPOCRISIA

A hipocrisia que se revela na justiça apenas externa e não interna. Jesus usou uma linguagem que deixa bem claro que a hipocrisia é abominável aos olhos de Deus, não importando a forma em que ela se manifeste.

“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno?” (Mt 23.27-28, 33).

O Novo Testamento menciona a palavra fermento como símbolo de crescimento mal, pois a maledicência dos fariseus está associada a grupos sectários e sofistas.

V. HIPOCRISIA QUE É FRUTO DE UMA MENTE CAUTERIZADA

“Nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. (2ª Co 4.4).

O diabo o deus deste século, tem segado milhares e milhares de pessoas para que não resplandeça a luz do evangelho.

O apóstolo Paulo ainda diz:

“Pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, (1ª Tm 4.2).
Eles falam em nome de Cristo, mas pregam um evangelho anátema (Gl 1.8), cheio de mentira, engano e falsidade.

Os hipócritas serão condenados por Deus.  “... pela hipocrisia de homens que falam mentiras” (v.2). E quem é o pai da mentira? É o diabo (Jo 8.44). Portanto os mentirosos serão lançados no lago de fogo (Ap 21.8).

“E castigá-lo-á, lançando-lhe a sorte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes” (Mt 24.51).
Aqui há uma advertência. De todos os pecados, a “hipocrisia” é aquela no qual é mais fácil cair; e entre todos os pecados, é o mais rigorosamente condenado.

O hipócrita é um lobo disfarçado de ovelha.
  
No evangelho segundo Mateus Jesus nos adverti dizendo: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15).

Lobos fantasiados de ovelhas: Os hipócritas aparentam uma coisa, mas na verdade é outra (At 20.29-30). Fingem ser cristãos, mas servem ao diabo; fingem-se de santos, mas são enganadores. Estão na igreja, mas não fazem parte da igreja de Cristo. Suas intenções são malignas.

A hipocrisia estabelece um perfil de autoridade rígido e ao mesmo tempo irresponsável. Está foi a síndrome dos fariseus que se traduziu num terrível perfeccionismo religioso onde a incoerência moral era compensada por todo um aparato externo de santidade e cerimonialista.


Pr. Elias Ribas
Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Blumenau - SC

FONTE DE PESQUISA

1.      ALMEIDA Ferreira. Bíblia Pentecostal. Revista e Corrigida. Edição 1995. Editora CAPD - Rio de Janeiro – RJ.
2.      BARCLAY WILLIAM. Palavra Chave do Novo Testamento, Editora. Vida Nova.
3.      GONDIM RICARDO. O fermento dos fariseus. http://www.ricardogondim.com.br/Artigos/artigos.info.asp?tp=65&sg=0&id=1844 – acesso dia 09/09/2009.
4.      ORTIZ JUAN CARLOS. O discípulo. 6ª edição, 1980, Editora Betânia. Venda Nova MG.
5.      RENOVATO ELINALDO. Lições bíblicas 2º trimestre 2007. Pg. 7.