TEOLOGIA EM FOCO

sábado, 10 de agosto de 2013

A MORTE E RESSURREIÇÃO DE LÁZARO - JOÃO CAPÍTULO 11.


Jesus soube primeiramente que Lázaro estava enfermo (Jo 11.3), mas passados alguns dias Jesus revelou aos discípulos que ele havia morrido. “Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu” (Jo 11.14). Jesus foi o primeiro a saber da morte de Lázaro, confirmada depois por Marta, Maria, e pelos judeus ali presentes (Jo 11. 21, 32, 37).

Feitas essas considerações, passemos ao caso de Lázaro. Vejamos o relato bíblico, segundo o escritor João.

Quando Jesus chegou, já fazia quatro dias que Lázaro havia sido enterrado:

“Chegando Jesus, encontrou Lázaro já sepultado, havia quatro dias. Ora, Betânia estava cerca de quinze estádios perto de Jerusalém. Muitos dentre os judeus tinham vindo ter com Marta e Maria, para as consolar a respeito de seu irmão. Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao seu encontro; Maria, porém, ficou sentada em casa. Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão. Mas também sei que, mesmo agora, tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá. Declarou-lhe Jesus: Teu irmão há de ressurgir. Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? Sim, Senhor, respondeu ela, eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo. Tendo dito isto, retirou-se e chamou Maria, sua irmã, e lhe disse em particular: O Mestre chegou e te chama” (Jo 11.17-28).

Nesta passagem percebemos que Marta tinha fé de que Jesus era o Filho de Deus o Messias, porém ela não imaginava que Ele teria poder para ressuscitar seu irmão morto á quatro dias na sepultura.
Diante do túmulo de Lazaro, Jesus declarou á Marta irmã de Lázaro dizendo: “Teu irmão há de ressurgir. Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia. Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11.23-25).

Dois pontos devem ser analisados no dialogo de Jesus com Marta: Primeiro, a declaração de Marta de que o irmão dela haveria de ressuscitar, segundo Marta falou da ressurreição do último dia e Jesus não rebateu sua afirmação, pois estava de acordo com o Seu ensino (João 5.28.29).

Allan Kardec trabalhou em cima de probabilidades ao afirmar que Lázaro fora enterrado vivo. Aliás, foi inadequado o uso do termo “enterrado”, que significa sob a terra. Pela descrição bíblica, o corpo foi colocado numa abertura na rocha (Jo 11.38), a exemplo do sepultamento de Jesus.

Os homens daquela época até poderiam se enganar, mas Jesus tinha certeza de que Lázaro estava morto. O relato bíblico contraria as conclusões de Allan Kardec. Vejam:

1.      “Então disse Jesus claramente: Lázaro está morto” (Jo 11.14).
Perdão pela redundância, mas se Jesus disse que Lázaro estava morto é porque Lázaro estava de fato morto. Quem além de Jesus poderia dar um diagnóstico preciso? Seria o caso de quase dois mil anos depois o Espiritismo apresentar versão diferente?

2.      Jesus disse a Marta: “Teu irmão há de ressuscitar” (v.23).
Ressuscitar significa voltar a viver. Kardec sabia disso ao dizer, como acima, “porém, houve na realidade cura, e não ressurreição, na acepção da palavra”. Jesus estava falando exatamente de ressurreição.

Quando Jesus afirma “Teu irmão há de ressurgir”, só uma pessoa que sabe o que está fazendo usa esse tom e Jesus ainda se mostra convicto ao afirmar: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto? (Jo 11.25-26).

“Nunca morrerá....” Ele não se refere a morte físcia, e sim a espiritual – a morte espiritual é e a separação eterna de Deus, após o juízo final (Ap 20.11-14).

Se fosse apenas uma letargia, por que Jesus enfatizou que a irmã de Lázaro “veria a glória de Deus”? (v. 40). Para curar um homem de letargia precisaria invocar a glória de Deus? Essa declaração, todavia, indicava que Marta estava prestes a presenciar um grande milagre. Além disso, a Bíblia registra que “o defunto saiu” do sepulcro (v. 44). Segundo o Dicionário Aurélio, defunto quer dizer “pessoa que morreu; morto”.
Agora ouçam o seguinte. Para o kardecismo, Jesus foi:

a. Um espírito muitíssimo evoluído que atingiu o mais elevado grau de perfeição.
b. “Um iniciador da mais pura, da mais sublime moral evangélico-cristã, que há de renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos...”.
c. Um homem que veio ensinar a JUSTIÇA de Deus.
d. Um homem que veio ensinar TODAS AS VERDADES, porque “no Cristianismo se encontram todas as verdades”.
e. Jesus foi “A Segunda Revelação de Deus”; a Primeira, Moisés; a Terceira e última, o Espiritismo (O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, Introdução e cap.I).

Diante de tantas qualidades morais e espirituais atribuídas pelo Espiritismo a Jesus, não há como admitir que Ele tenha proferido alguma palavra mentirosa. Se mentiu em alguma coisa; se não levou a sério o Seu ensino; se ensinou alguma coisa errada, então nunca foi um “Bom Espírito”, um Espírito puro. Se não confiarmos na “Segunda Revelação de Deus”, como confiaríamos na “Terceira Revelação”, o Espiritismo?

Daí porque o Espiritismo deveria observar com muito cuidado as palavras de Jesus, tudo o que Ele disse, todas as verdades contidas no Seu Evangelho. Daí porque devemos também, nós evangélicos, em nossa conversa com os espíritas, fazê-los lembrar dessas premissas, do entusiasmo com que Kardec falou de Jesus e da imperiosa necessidade de levar em consideração tudo o que Ele falou.

Ora, quando o Espiritismo afirma que Lázaro não morreu, mas que sofrera uma síncope, e, por ignorância da época, fora enfaixado e colocado vivo no sepulcro, faz uma afirmação inconsequente.

Vejam mais o que escreveu o codificador da doutrina espírita sobre o assunto:

“A reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus, sob o nome ressurreição... Criam eles que um homem que vivera podia reviver, sem saberem precisamente de que maneira o fato poderia dar-se. Designavam pelo termo ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente, chama de reencarnação. Com efeito, a ressurreição dá ideia de voltar à vida o corpo que já está morto, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo quando os elementos desse corpo já se acham desde muito tempo dispersos e absorvidos. A reencarnação é a volta da alma ou Espírito à vida corpórea, mas em outro corpo especialmente formado para ele e que nada tem de comum com o antigo. A palavra ressurreição podia assim aplicar-se a Lázaro...” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap IV, item 4).

Concordo com Allan Kardec quando diz que a ressurreição dá ideia da recomposição corpo-espírito (“voltar à vida o corpo que está morto”).

A palavra de Jesus é incontestável. Ele declarou que Lázaro estava morto. Depois, já cheirando mal o cadáver, Ele o fez reviver. Logo, Lázaro ressuscitou. Jesus, o Filho de Deus, passou por cima da Ciência. A mesma coisa aconteceu quando caminhou sobre as águas, transformou água em vinho, multiplicou pães, fez reviver o filho da viúva de Naim e a filha de Jairo, curou paralíticos, cegos, leprosos.

O Espiritismo não pode admitir a ressurreição de Lázaro pelos seguintes motivos:
1. Admiti-la implicaria em aceitar também a ressurreição corporal de Jesus.
2. Em acatar as demais ressurreições bíblicas.
3. E em admitir a possibilidade de uma ressurreição coletiva na Segunda vinda de Jesus (1ª Ts 4.16-17). As evidências dessas ressurreições e a promessa de uma ressurreição coletiva na volta de Jesus colocam em xeque-mate a crença reencarnacionista, coluna vertebral do kardecismo. Na reencarnação o espírito volta em outros corpos; na ressurreição, o espírito retorna ao corpo original.

A ressurreição de Lázaro é o que há de mais claro na Bíblia, e tem uma história: Lázaro ficou enfermo; faleceu; foi colocado no jazigo, onde passou quatro dias; sua irmã Marta disse que o corpo estava em estado de decomposição, pois “já cheirava mal”. Além disso, temos o atestado de óbito ditas Jesus, que declarou com todas as letras: LÁZARO ESTÁ MORTO (Jo 11.14). A Bíblia diz que essa afirmação de Jesus foi de forma clara.

O inconsistente argumento segundo o qual Lázaro sofrera de um ataque epilético não pode prevalecer. Se válido tal raciocínio, deveríamos considerar que os judeus não faziam a menor diferença entre um corpo vivo e um corpo morto. Teríamos de negar as seguintes ressurreições e admitir que essas pessoas estavam vivas, e que, nos casos a seguir, Jesus, Elias, Eliseu, Pedro e Paulo ressuscitaram quem não havia morrido:


O filho da viúva de Serepta, ressuscitado pelo profeta Elias (1º Rs 17.19-22); o filho da sunamita, ressuscitado pelo profeta Eliseu (2º Rs 4.32-35); a filha de Jairo, por Jesus (Mc 5.21-23, 35-41); o filho da viúva de Naim, por Jesus (Lc 7.11-17); a discípula chamada Tabita, por Pedro (At 9.36-43); uma ressurreição coletiva logo após a morte de Jesus (Mt 27.52); a ressurreição do jovem Êutico, pelo apóstolo Paulo (At 20.9).

Pr. Elias Ribas
pr_eliasribas@yahoo.com.br