TEOLOGIA EM FOCO: BATISMO COM FOGO

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

BATISMO COM FOGO

Julgamento pelo fogo.

Lucas 3.16 “João respondeu a todos: Eu os batizo com água. Mas virá alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo.” (NVI).

Salvo pelo Fogo.

1ª Coríntios 3.11-18 “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo. 12- E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha. 13- A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um. 14- Se a obra que alguém edificou nessa parte permanecer, esse receberá galardão. 15- Se a obra de alguém se queimar, sofrerá detrimento; mas o tal será salvo, todavia como pelo fogo. 16- Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? 17- Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo. 18- Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio.”

INTRODUÇÃO. Esse versículo, encontrado nos Evangelhos de Mateus 3.11, Marcos 1.8 e Lucas 3.16, causam uma grande polêmica no meio Evangélico. Alguns defendem que esse batismo é um simbolismo do fogo purificador, que queima o pecado e as impurezas que contaminam o cristão. Outros concluem que esse batismo se refira ao juízo de Deus sobre os ímpios e, consequentemente, não faz referência aos cristãos.

Não existe unanimidade na definição e por isso, apresento aqui o resultado de uma pesquisa que fiz. Ela não foca no batismo com o Espírito Santo, mas na relação que há entre o batismo com o Espírito Santo e o batismo com fogo.

Algumas pessoas pensam que o batismo com fogo é o mesmo que o batismo com o Espírito Santo, mas outras pessoas pensam que são dois batismos diferentes. De qualquer jeito, os dois estão ligados à obra de Jesus.

Porém, o fogo pode ter duas aplicações: 1. Fogo purificador; 2. Juízo e 3. Julgamento.

Segundo os comentaristas bíblicos, o fogo pode representar juízo e julgamento.

I. O QUE É BATISMO COM FOGO?

A palavra “FOGO”, aparece repetidas vezes no texto sagrado, e esta palavra tem significados variados na Bíblia. A primeira manifestação do fogo na Bíblia aconteceu no livro de Gênesis, quando Deus firma um pacto com Abraão e sela aquela aliança com uma tocha de fogo que passa sobre o altar do sacrifício que Abraão oferecia à Deus. O fogo aqui, significa confirmação, aprovação (Gn 15.7-17). Já o fogo que Deus fez cair sobre as cidades de Sodoma e Gomorra, significa juízo de Deus (Gn 19.24,25). Outra ocasião da manifestação do fogo, foi em sinal de resposta a oração de Elias e reprovação de Deus para a nação de Israel, que estava voltada para idolatria (1º Rs 18.36-39).

O fogo é apresentado, na Bíblia, em três situações específicas, em geral: Juízo, purificação e demonstração de poder.

Assim, a manifestação do fogo de Deus, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo, é recheado de símbolos e significados.

A expressão batismo com o Espírito Santo e com fogo nos casos de Mateus e Lucas só aparece no contexto da pregação de João Batista. O contexto dessa pregação é o anúncio do Reino dos Céus e a necessidade de arrependimento (mudança de mente) para ingresso nesse reino. O termo grego metanoia utilizado pelos evangelistas designa a renúncia ao pecado e uma volta à Deus.

Na pregação de João, além do arrependimento como antecipação dessa chegada do reino, eram necessários dois aspectos: o batismo com o Espírito Santo e o com o fogo. Marcos menciona apenas o batismo com o Espírito.

Outro ponto de vista, e que se encaixa melhor no contexto, é a de aquele que estava por vir batizaria os justos com o Espírito Santo e os ímpios com fogo. Ainda que na concepção dos judeus o Messias não seria o concessor do Espírito, Ladd afirmou que “não há razão para que se negue a João um elemento novo na questão”, até porque Deus estava iniciando um novo tempo e que de muitas maneiras estava sendo diferente da compreensão que o povo tinha na época. Mesmo porque, o derramamento do Espírito é amplamente prometido no Antigo Testamento (Is 44.3-5; 32.15; Ez 37.14) como o texto explorado na pregação de Pedro no dia de Pentecostes (Jl 2.28-32).

R. N. Champlin, em sua obra “O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo”, relaciona o texto de Lc 3.16 com o comentário de Mt 3.11, como segue: “...Há várias interpretações dessas palavras: 1. Alguns acham que aqui temos dois batismos, um do Espírito e outro de fogo, e que esse último fala de juízo, provavelmente até de inferno. Assim interpretaram Orígenes e outros pais da igreja..., alguns bons intérpretes reputam esse batismo de fogo como algo que se refere ao juízo.”

II. NSETE SÍMBOLOS E REPRESENTAÇÕES DO FOGO

1. Deus. Porque o nosso Deus é um fogo consumidor (Hb12.29).

2. Jesus. ... E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu, com os anjos do seu poder, como labaredas de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo (2ª Ts 1.7,8).

3. Espírito Santo. ... Ele vos batizará como o Espírito Santo e com fogo (Mt.3.11).

E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles (At 2.3).

4. Palavra de Deus. Não é a minha palavra como fogo, diz o SENHOR, e como um martelo que esmiúça a penha? (Jr 23.29).

E disseram um para o outro: Porventura, não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras? (Lc 24.32).

5. A presença de Deus. E, acabando Salomão de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu a casa. E os sacerdotes não podiam entrar na Casa do SENHOR, porque a glória do SENHOR tinha enchido a Casa do SENHOR (2º Cr 7.1,2).

6. Juízo de Deus. Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas que, havendo-se corrompido como aqueles e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno (Judas, vers.7).

7. Purificação. E farei passar essa terceira parte pelo fogo, e a purificarei, como se purifica a prata, e a provarei, como se prova o ouro; ela invocará o meu nome, e eu a ouvirei; direi: É meu povo; e ela dirá: O SENHOR é meu Deus (Zacarias, 13.9).

III. O FOGO SEGUNDO A INTERPRETAÇÃO DOS COMENTARISTAS BÍBLICOS

1. Fogo purificador. A Bíblia de Estudo Plenitude, de orientação pentecostal, no texto de Lc 3.16 remete para um comentário de Mt 3.11 como segue:

“O batismo de João é um tipo de experiência de salvação de ser batizado no Espírito. Como o batismo de João colocava o indivíduo dentro da água, o batismo de Jesus coloca o cristão no Espírito, identificando-o como totalmente ligado ao Senhor. O fogo purifica ou destrói. Portanto, a salvação em Jesus Cristo será purificadora para os verdadeiros judeus que o aceitarem como o Messias, e destruidora para aqueles que o rejeitarem.”

A Bíblia de Estudo Shedd analisa o texto assim: “... Fogo. O contexto (17) parece exigir o sentido de prova, de julgamento (Lc 12.39-53; 1ª Co 3.13).” Ainda a mesma Bíblia comenta Mt 3.11 assim: “Com o Espírito Santo e com fogo. Refere-se ao ministério espiritual de Cristo. Sua obra começou acompanhada pela energia sobrenatural do Espírito Santo, colhendo-se algum ‘trigo’ (os fiéis), e revelando-se quem seria ‘palha’ para julgamento. A doutrina do batismo no Espírito Santo não recebe luzes neste trecho, pois o assunto pertence à época posterior à ressurreição de Jesus (1ª Co 12.13)”.

 

1.1. Puficados em suas provações. “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (Jo 16.33).

Jesus disse essas palavras no cenáculo quando partilhava sua Última Ceia com Seus discípulos. Ele sabia que sua hora havia chegado e que logo sofreria pelos pecados do mundo. Ao antever o tempo em que não estaria mais ali, sabia que seus discípulos enfrentariam um problema após o outro.

Esse tema surge repetidamente em Seus discursos finais. Jesus falou aos discípulos que os deixaria (Jo 13.33, 36; 16.28). Disse-lhes que o mundo os odiaria tanto quanto odiou a Ele (Jo 15.18–19). Disse-lhes que as pessoas procurariam matá-los (Jo 16.2) e que eles chorariam e lamentariam em tristeza e angústia (Jo 16.20). Disse-lhes que eles o abandonariam e se espalhariam por todo lado (Jo 16.32). Finalmente, resumiu todas as suas tribulações na simples declaração: “Neste mundo vocês terão aflições”.

1.2. Purificação através da repreensão. O Senhor Deus usa a aflição para purificar o crente. O profeta Isaías 48.10 diz: “Eis que já te purifiquei, mas não como a prata; escolhi-te na fornalha da aflição.”

A melhor prata que sai da terra tem escórias nela. Ela precisa do fogo purificador. O melhor dos filhos de Deus tem a escória do pecado habitando em seu coração que precisa ser purgada. Foi o que fez Paulo dizer: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1ª Co 9.27).

Ele não queria ser como uma prata reprovada que não é refinada e que é descartada. Há também poluições pecaminosas do mundo que estão em nós (Tg 1.27). Precisamos ser purificados delas.

1.3. O fogo de Deus representa o julgamento. Salmos 66.10,11 “Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata. Tu nos puseste na rede; afligiste os nossos lombos.”

Cristo é tanto o refinador quanto o próprio fogo. Hebreus 12.29 “Porque o nosso Deus é um fogo consumidor.” A igreja será refinado por Ele e nEle. Você apenas se engana se achar que pode ser refinado de qualquer outra forma. O sangue de Jesus não só nos purifica da culpa, mas purifica nossas consciências (Hb 9.14). Mortificar os pecados (Gl 5.24) é possível para todos os que são de Cristo, através de Sua força.

Quando ouro é refinado no fogo, todas as impurezas são destruídas fica apenas o ouro puro. O fogo de Deus faz o mesmo em nossas vidas: destrói o pecado.

O fogo de Deus destrói quem o rejeita e vive no pecado. Mas, para quem ama Jesus, o fogo de Deus limpa. Da mesma maneira como não devemos brincar com o fogo, não devemos brincar com Deus. Deus “é fogo consumidor”, ele merece nosso respeito.

1.4. O fogo da ira e da purificação nos últimos dias. Zacarias 13.8-9 “Na terra toda, dois terços serão ceifados e morrerão; todavia a terça parte permanecerá diz o Senhor. Colocarei essa terça parte no fogo e a refinarei como prata e a purificarei como ouro. Ela invocará o meu nome, e eu lhe responderei. É o meu povo, direi; e ela dirá: 'O Senhor é o meu Deus.”

Dois terços da nação judaica deveriam perecer nas guerras romanas e um terço para sobreviver. Provavelmente do contexto (Zc 14.2-9), que nunca foi cumprido, a destruição dos dois terços (literalmente, “a proporção de dois”, ou “porção de dois”) e a salvação do remanescente, o terço, ainda é futuro e deve ser cumprido sob o Anticristo.

Purificarei. Para sua fundição, o ouro é exposto a um calor intenso, a fim de se separar as impurezas do metal puro.

“Colocarei essa terça parte no fogo e a refinarei....” de provação (Sl 66.10; Am 4.11; 1ª Co 3.15; 1ª Pe 1.6-7). Portanto, parece que a conversão dos judeus não é preceder, mas seguir, seu livramento externo pela interposição especial de Yaweh. Zacarias revela as consequências devastadoras que terão ocorrido quando o Senhor Deus se voltar para o rebanho espalhado. As ovelhas dispersas terão enfrentado um grande juízo do qual somente a terceira parte terá sobrevivido.

O remanescente será, porém, remido, purificado e restabelecido em um relacionamento de nova aliança com Deus.

“Purificarei como ouro.” Uma vez refinado, o metal precioso é analisado para que seu real valor seja estipulado. As expressões é meu povo e o SENHOR é meu Deus reafirmam o concerto de Deus com Seu povo escolhido (Lv 26.12) e falam de renovação da aliança, com que Israel seria espiritualmente restaurado (Ez 36.28; Os 2.23; Rm 11.26,27).

1.5. A aflição é uma prova da nossa fé. 1ª Pedro 1.7 “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.”

Prova da vossa fé. Para que a sua fé assim provada seja achada (aoristo; de uma vez por todas, como o resultado de ser provado no dia do julgamento) em louvor, isto é, o louvor a ser concedido pelo Juiz.

“...muito mais preciosa que o ouro que perece (mesmo sendo provado pelo fogo)”. Se o ouro, embora perecendo (1ª Pe 1.18), ainda é provado com fogo para remover a escória e testar sua genuinidade, quanto mais sua fé, que nunca perecerá, precisa passar por uma prova ardente para remover qualquer defeito, e para testar sua genuinidade e pleno valor.

2. Juízo. Lucas 3.16,17 “Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. 17- Ele tem a pá na sua mão; e limpará a sua eira, e ajuntará o trigo no seu celeiro, mas queimará a palha com fogo que nunca se apaga.”

Vamos fazer uma análise correta do texto citado por você, bem como de todo o contexto. Dessa forma conseguiremos esclarecer facilmente o significado dessa expressão usada por João Batista. O texto que você citou é este: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo” (Mateus 3.11).

João dizia às multidões que saíam para serem batizadas por ele: “Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima?” (Lc 3.7). A ideia transmitida por João aqui é de serpentes fugindo de um incêndio numa floresta.

E acrescenta: “O machado já está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo” (Lc 3.9). Indicando que a punição era iminente.

A Bíblia de Estudo Genebra comenta assim a questão do fogo em Lc 3.16: “O batismo com fogo aponta para o juízo (v. 9). A pá para limpar sua eira’ é outro símbolo para o juízo (v. 17)”.

Fica claro, já no início do capítulo, que a mensagem de João era direcionada a dois grupos de pessoas: Aquelas que realmente estavam arrependidas e queriam o perdão de Deus e aquelas que se auto justificavam por crerem que a obediência á Lei e por serem filhos de Abraão era garantia de Salvação: “Deem frutos que mostrem o arrependimento. E não comecem a dizer a si mesmos: ‘Abraão é nosso pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos a Abraão.” (Lc 3.8).

Mateus 3.12 “Em sua mão tem a pá, e limpará a sua eira, e recolherá no celeiro o seu trigo, e queimará a palha com fogo que nunca se apagará.

“A pá está na sua mão”. O autor tem em mente a pá eólica, muito comum naquele tempo, cujo processo separava o trigo da palha. Era uma ferramenta semelhante a um tridente, usado para levantar o trigo colhido para o ar na direção do vento. O vento soprava a palha mais leve permitindo que os grãos caíssem na eira, uma grande superfície plana.

Este é um símbolo do julgamento, da separação entre os bons e os maus.

Que existe a necessidade absoluta do crente ser batizado com o Espírito Santo é uma verdade inegável nas Escrituras Sagradas. Mas pensar que o batismo com o Espírito Santo é o mesmo batismo de fogo é não compreender o significado real do versículo.

2.1. O fogo como juízo. Sofonias 1.18 “Nem a sua prata nem o seu ouro poderão livrá-los no dia da ira do Senhor. No fogo do seu zelo o mundo inteiro será consumido, pois ele dará fim repentino a todos os que vivem na terra.”

O tratamento dado por Sofonias a esse tema forma dois ciclos que se movem do julgamento divino para a esperança de salvação.

* O primeiro siclo fala sobre o “dia do Senhor” (1.7), o tempo em que Deus devastaria os seus inimigos tanto dentro como fora de Judá (1.2-18) e traria grandes bênçãos ao remanescente fiel (3.16-17).

O dia estava próximo (1.7). Um dia em que a ira e a indignação do Senhor soberano de Israel seriam dirigidas contra os ímpios (1.15,18; 2.2-3).

Em seguida a esse anúncio de julgamento, o profeta conclama Judá e as nações a arrependerem-se e buscarem o Senhor (2.1-3).

O arrependimento era a única esperança de salvar-se do julgamento babilônio que se aproximava.

O segundo ciclo se inicia com o profeta acrescentando pormenores sobre o julgamento por vir (2.4-3.8). Ele esclarece que muitas outras nações seriam destruídas junto com Judá. Então, o profeta retorna ao tema da esperança de salvação (3.9-20).

Com alegria, ele anuncia que, após o julgamento, Deus purificaria o seu povo e restauraria a sorte de Jerusalém.

2.2. O fogo na vinda de Jesus. Malaquias 3.1-3 “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos. Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. E assentar-se-á como fundidor e purificador de prata; e purificará os filhos de Levi, e os refinará como ouro e como prata; então ao Senhor trarão oferta em justiça.”

O meu mensageiro (v. 1). Refere-se a João Batista (Is 40.3; Mc 1.2,3), que preparará o caminho para a chegada do Messias.

Mas quem pode suportar o dia da sua vinda? Os judeus que tinham transgredido a aliança, como também os pagãos, achariam o Dia do Senhor um dia de terrível juízo (Sf 1.17,18).

“Como o fogo do ourives.” Tudo o que não tinha valor seria consumido. A potassa dos lavandeiros. Uma segunda metáfora simbolizando a mesma verdade terrível. Lixívia ou potassa eram usadas na lavagem de roupas.

“Assentar-se-á, como purificador.” A vinda do Senhor é agora representada como a de um Fundidor, que executaria o processo do refinamento. Purificará os filhos de Levi. O sacerdócio mesmo seria o primeiro objeto das atividades do Refinador. Refinará, isto é, “'filtrará”. Aquilo que tinha valor sobreviveria ao processo da filtração.

“Justas ofertas.” No processo do refinamento, alguns sacerdotes apareceriam com os corações puros, de modo que o seu culto seria aceitável diante do Senhor; outros seriam peneirados como refugo.

Então me lembrei do que o Senhor tinha dito: ‘João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo” (At 11.15,16).

Além disso, podemos traçar um paralelo entre os versículos, para que a conclusão fique ainda mais clara e óbvia:

“... ele vos batizará com os Espírito Santo.”

IV. O JULGAMENTO PELO GOGO

Observe que o fogo é usado aqui com o sentido de julgamento. O fogo aplicado no ouro, prata e pedras preciosas causaria pouco dano. Mas na madeira, feno e palha causaria muito dano. A ideia é que o julgamento mostrará de verdade qual é a obra de cada um, se durável ou não, se edificada sobre fundamentos que agradam a Deus ou não.

1. O fundamento da construção (1ª Co 3.10-11). Paulo se comparou a um prudente construtor. Trabalhava como um experiente e habilidoso mestre de obras, distribuindo as tarefas a cada operário. Mas a obra que realizava tinha o fundamento certo. Só existe um fundamento sobre o qual se pode erigir o edifício espiritual – Jesus Cristo (1ª Pe 2.4-8). Cada obreiro, porém, é responsável quanto ao modo como realiza a obra.

2. A revelação da qualidade da obra (1ª Co 3.12-17). Paulo tem em mente a chegada daquele dia (1ª Co1.8), quando se tornará manifesta a verdadeira natureza das obras dos cristãos.

3. O rigor do teste. O teste se fará “pelo fogo”, o que dá a ideia de uma prova rigorosa. O valor das obras poderá ser comparado ao ouro, à prata e às pedras preciosas – materiais valiosos que, quando submetidos ao fogo, têm expurgadas as impurezas; ou à madeira, feno e palha – materiais que não resistem ao fogo (1ª Co 3.12-13).

4. O resultado final do teste será determinar se o obreiro receberá ou não galardão (1ª Co 3.14-15). “Sofrerá ele dano” (1ª Co 3.15) não significa perda da salvação. Isso se confirma com a expressão que segue: “mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo”. O crente, cuja obra será comparada a material que o fogo extingue, não receberá galardão, embora seja “salvo”. Para que os cristãos entendam a seriedade com que os obreiros devem construir, Paulo introduz uma pergunta que já inclui em si mesma a resposta (1ª Co 3.16). A igreja é santuário de Deus – Ele está pessoalmente presente, pelo Seu Espírito, em todos os membros da igreja, que juntos constituem o corpo de Cristo. Eis a razão pela qual se deve encarar a obra de Deus com muita responsabilidade.

A advertência contida no versículo 17 demonstra a gravidade da existência das divisões na igreja de Corinto. Por ser santuário de Deus, o homem que não age corretamente na sua relação com a igreja é culpado de grave pecado. O ofensor haverá de receber o castigo na proporção em que o comete, porque o “santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”.

5. Coríntios para hoje. Deus vai pedir conta daquilo que fizemos em Sua igreja. De que maneira essa verdade impacta você? Quão cuidadoso você tem sido com suas atitudes e serviço em relação à sua igreja local? Faça uma auto avaliação. Em seguida, ore pedindo o Senhor que o ajude a ser autêntico no exercício do serviço cristão.

CONCLUSÃO. O fogo, portanto, possui muitos significados na Bíblia. Pode ser a proteção para o povo de Deus, como um “muro de fogo” (Zc 2.5), e também o juízo de Deus sobre os rebeldes (Nm 16.35). Pode ser um instrumento de purificação, como com o ouro (Ml 3.2,3; Zc 13.9) ou a penetrante visão de Cristo, que possui olhos “como chama de fogo” (Ap 1.14). Também é símbolo da Palavra de Deus (Jr 23.29).

Em segundo lugar o fogo Consumidor é um fogo de julgamento.

OBS. Poder. o fogo é forte e emite luz e calor; por isso muitas vezes representa o grande poder de Deus, que deve ser respeitado (Hb 12.28-29).

Destruição. O fogo queima e pode causar muita devastação; da mesma forma, o julgamento divino é devastador (Is 66.15-16).

Purificação. O fogo era usado para refinar metais, queimando todas as impurezas e deixando apenas metal puro; o fogo de Deus purifica dos pecados (1ª Co 3.13-15).

Paulo ainda continua a considerar o problema das divisões em Corinto. Mas agora nos remete a uma reflexão sobre como o Senhor considerará as obras dos crentes, quando Ele regressar.

Pr. Elias Ribas

Assembleia de Deus

Blumenau -SC

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