TEOLOGIA EM FOCO

domingo, 9 de outubro de 2016

OS MÉRITOS DE CRISTO E A GRAÇA DE DEUS NÃO SE EXCLUEM, NEM SE CONFLITAM

“Deve-se explicar também esta questão, pois certos homens perversamente sutis, os quais, embora confessem que alcançamos a salvação através de Cristo, entretanto não suportam ouvir a palavra mérito, a qual pensam obscurecer a graça de Deus. E por isso querem que Cristo seja apenas o instrumento ou ministro, não o autor da vida, ou Chefe e Príncipe, como é chamado por Pedro (At 3.15).

Admito, com efeito, que se alguém quiser acrescentar as boas obras para salvação, então não haverá lugar para mérito, porquanto não se achará no homem dignidade que possa ter mérito para com Deus.

Paulo deixa bem claro na epístola aos Romanos que a Salvação do homem não se dá por nenhum mérito humano, mas que ela é resultado do favor divino, um favor que o homem, por ter pecado, não merece receber. Este favor imerecido é a Graça de Deus. Como diz o apóstolo aos efésios, “...pela graça sois alvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 1.8).

No cristianismo genuíno, a salvação é pela graça somente. Se alguém lhe der um presente, você iria perguntar: “quanto custa”? “Ou insiste em pagar”? Eu creio que não, pois seria um insulto, você estaria recusando o presente. Todavia a salvação é um dom gratuito de Deus, por meio do sacrifício vicário de nosso Senhor Jesus Cristo. Qualquer pessoa que acrescentar alguma coisa na obra completa de Cristo, qualquer boa obra, sacramento, rituais, sábado, leis, tradições, seja lá o que for, você está rejeitando o presente, a dádiva de Deus. A vida eterna é um dom gratuito de Deus e você tem que aceitá-lo sem qualquer mérito de sua parte.

“Portanto, quando se trata do mérito de Cristo, não se estatui que nele próprio resida o princípio desse mérito; ao contrário, remontamos à ordenança de Deus, que é a causa primeira, porquanto de seu puro beneplácito Deus o estatuiu por Mediador, para que nos adquirisse a salvação. E assim é insipiente contrapor o mérito de Cristo à misericórdia de Deus. Ora, é regra comum que as coisas que são subalternas não se ponham em conflito com aquelas que lhe sejam subordinadas, e por isso nada impede que a justificação dos homens seja gratuita, provinda da mera misericórdia de Deus, e ao mesmo tempo intervenha o mérito de Cristo, que à misericórdia de Deus está subordinado. Mas, a nossas obras se contrapõe apropriadamente tanto o favor gratuito de Deus, quanto a obediência de Cristo, cada um em sua medida, porquanto Cristo não pôde merecer o que quer que seja, a não ser pelo beneplácito de Deus, mas porque fora a isto destinado: que por seu sacrifício aplacasse a ira de Deus e por nossa obediência expungisse nossas transgressões. Em síntese, uma vez que o mérito de Cristo depende tão somente da graça de Deus, a qual nos constituiu este modo de salvação, com toda propriedade se opõe a toda justiça humana, não menos que a graça de Deus, que é a causa donde procede (LUZ, 1984).

Felizmente, a lógica de Deus não é a nossa lógica. A justiça Dele não é baseada nos nossos méritos, mas nos méritos de Jesus Cristo.

No NT, o ensino é igualmente claro: não fomos nós que escolhemos a Deus, mas Deus que nos escolheu. Não havia nada em nós que motivasse Deus a nos salvar—pelo contrário, graça significa que recebemos favor NÃO merecido! Quem vive num universo centrado no homem e suas habilidades, não gosta desta doutrina. Mas quem vive num universo centrado em Deus, reconhece que tudo que temos é pela graça, não pelo mérito. É isso que nos distingue da Igreja Católica! Somos salvos pela graça, não pelas obras. Éramos mortos em nossos delitos e pecados—não doentes, mas mortos! Ef 1.4 diz que Deus nos escolheu antes da fundação do mundo! Tudo isso para que DEUS seja louvado! Somos troféus da graça dele!

Pr. Elias Ribas