TEOLOGIA EM FOCO

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

OFERTAS PACÍFICAS


Levítico 3.1-5:E se a sua oferta for sacrifício pacífico; se a oferecer de gado, macho ou fêmea, a oferecerá sem defeito diante do SENHOR. 2 E porá a sua mão sobre a cabeça da sua oferta, e a degolará diante da porta da tenda da congregação; e os filhos de Arão, os sacerdotes, espargirão o sangue sobre o altar em redor. 3 Depois oferecerá, do sacrifício pacífico, a oferta queimada ao SENHOR; a gordura que cobre a fressura, e toda a gordura que está sobre a fressura, 4 E ambos os rins, e a gordura que está sobre eles, e junto aos lombos, e o redenho que está sobre o fígado com os rins, tirará. 5 E os filhos de Arão queimarão isso sobre o altar, em cima do holocausto, que estará sobre a lenha que está no fogo; oferta queimada é de cheiro suave ao SENHOR.

INTRODUÇÃO. Oferta pacifica, que representava a comunhão com Deus. Era o único sacrifício voluntario. A oferta pacífica fala da paz com Deus, consumada, do homem reconciliado, e da salvação realizada Por isso, a oferta, em vez de subir a Deus como holocausto, ou ser dada ao sacerdote como oferta de manjares, fornece, em figura, uma refeição em que Deus, o sacerdote e o ofertante se encontram.

I. OFERTAS PACÍFICAS
Pacífico. Heb. shelem, da raiz traduzida “paz”, “saúde” e “inteiro”. Falavam de inteira dedicação, da parte do ofertante, e da paz com Deus a quem as oferecem. A palavra também significa saúde e prosperidade, alguma coisa inteira e íntegra (2º Cr 16.9).

A palavra sacrifício no hebraico zebah sheleimim poderia ser traduzido para “o sacrifício da unidade ou inteireza”. Inteireza dá ideia de um relacionamento íntimo ou comunhão entre Deus e o homem; ESTAR PERTO DE DEUS.

Zebah, significa algo que foi morto, ou abatido, ou seja, sacrifício de uma vítima morta.
Sheleimim, é um derivado da raiz slm que significa ser completo, ser cheio, ou estar em harmonia.
As ofertas pacíficas eram de três espécies:
1. Ofertas de gratidão;
2. Ofertas por um voto. Para enfatizar uma oração solene – como um voto.
3. Ofertas voluntárias. Quando essa oração era respondida. Combinavam a fé́ e as obras, a oração e a fé.

Dessas, a oferta de gratidão ou de louvor era a que mais se destacava. Oferecia-se em ocasiões de regozijo, de gratidão por algum livramento especial, ou bênção recebida. Era oferecida de um coração cheio de louvor a Deus e transbordante de alegria.
  
Ofertas de Paz, ofertas de gratidão, ofertas de boa vontade, ofertas de fraternidade, ofertas de reconciliação.

II. O SACRIFÍCIO PACÍFICO ERA UMA OFERTA DE COMUNHÃO
A palavra hebraica traduzida por “oferta pacifica” vem de raiz de uma palavra que significa “completar, suprir o que está faltando, pagar uma recompensa”. Denota um estado em que os mal-entendidos foram esclarecidos e os erros, corrigidos, e em que prevalecem os bons sentimentos. As ofertas pacíficas eram suadas em qualquer ocasião que apelasse à gratidão e regozijo, e também para fazer um voto. Eram ofertas de cheiro suave, como holocausto de manjares. Eram uma expressão, da parte do ofertante, de sua paz com Deus e gratidão a Ele por Suas muitas bênçãos.

Toda a cerimonia constituía uma espécie de serviço de comunhão, em que o sacerdote e o povo participavam, com o Senhor, da Sua mesa; uma ocasião de regozijo, em que todos se uniam em gratidão e louvor a Deus, por Sua misericórdia.

III. OFERTA VOLUNTÁRIA
É o único sacrifício voluntario. O ofertante traz o animal (macho ou fêmea – sem defeito e sem mácula).
1. Cerimonial: era praticamente o mesmo do holocausto.
1.1 Apresentação da vítima ao SENHOR (v.1).
1.2 Imposição das mãos sobre a cabeça da vítima (v.2).
1.3 Imolação da vítima (v.2). Faz o sacrifício, ou seja, o abate diante da porta da tenda da congregação.

Visto que é necessário o derramamento de sangue para o sacrifício.
1.4 aspersão do sangue pelo sacerdote (v.2). Sua aspersão nos lados do altar simplesmente aponta para a sacralidade do sangue (vida), como pertencente unicamente ao Senhor.

IV. O SACRIFÍCIO ERA DIVIDIDO EM TRÊS PARTES
1. Uma parte para o sacerdote. 2. Outra para o ofertante. 3. Outra parte para o Senhor, para consagração.

No ritual esta oferta era quase idêntica à oferta de holocausto onde tudo era queimada ao Senhor (cap. 1). Nas outras três, o sacerdote tirava uma parte para si e seus filhos. Na oferta pacífica o adorador reunia-se ao sacerdote na refeição sacrificial daquilo que restava. Nas outras ofertas – manjares, pecado e sacrilégio – só o sacerdote participava da refeição sacrificial (conf. 7.11-38).

“Mas a carne do sacrifício de ação de graças da sua oferta pacífica se comerá no dia do seu oferecimento; nada se deixará dela até à manhã.” (Lv 7.15).

A oferta pacifica era um voto ou um a oferta voluntária, também podia ser comida no dia seguinte. “E, se o sacrifício da sua oferta for voto, ou oferta voluntária, no dia em que oferecer o seu sacrifício se comerá; e o que dele ficar também se comerá no dia seguinte.” Vers. 16).

Era manifestamente impossível a um homem consumir sua oferta, caso esta fosse um novilho ou um bode, ou um cordeiro, em um dia só́. Era-lhe portanto permitido, e mesmo ordenado pedir a outros que compartilhassem da refeição.

“Nas tuas portas não poderás comer… nenhum dos teus votos, que houveres votado, nem as tuas ofertas voluntárias, nem a oferta alçada da tua mão; mas o comeras perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher o Senhor teu Deus, tu, e teu filho, e a tua filha, e o teu servo, e a tua serva, e o levita que está dentro das tuas portas: perante o Senhor teu Deus te alegraras em tudo em que puseres a tua mão. Guarda-te, que não desampares ao levita todos os teus dias na terra”. (Dt 12.17-19).

Este era um traço que distinguia a oferta pacifica. Devia ser comida no mesmo dia, e ser compartilhada; devia ser comida “perante o Senhor”, e “te alegrarás”. Era uma refeição de regozijo, em comum, e a esse respeito diferia de todas as outras ofertas.

1. Para o Senhor. A parte de Deus era queimada sobre o altar (Lv 3.14-17).
As melhores partes eram queimadas ao SENHOR.

A gordura, os rins e o fígado. Vs. 4-5: E ambos os rins, e a gordura que está sobre eles, e junto aos lombos, e o redenho que está sobre o fígado com os rins, tirará. 5 E os filhos de Arão queimarão isso sobre o altar, em cima do holocausto, que estará sobre a lenha que está no fogo; oferta queimada é de cheiro suave ao SENHOR.

A gordura, os rins e fígado estão intimamente ligados. Estes três elementos estão intimamente ligado.

1.1. O fígado é responsável pelo metabolismo do corpo. Responsável pelos nutrientes.
Responsável pela filtragem do sangue.
Ele tira as toxinas do sangue e manda para os rins.

1.2. Os rins filtram o sangue e manda para fora.
A Bíblia fala muito de coração, mas no original é o rim.

1.3. A gordura. O fígado, também é responsável pela gordura. Ela armazena a gordura do corpo.
A gordura é a energia do corpo, por isso ela é importante.
Estes elementos são queimados ao Senhor, e isto sobe como cheiro suave a Ele.

2. Para os sacerdotes. Deus tem um alto padrão para os filhos dos sacerdotes (1 Sm 3.4). 

3. Para o ofertante. Era uma confraternização; o restante do animal era comido pelos sacerdotes que se achavam em turno, pelo ofertante e pelas pessoas por este convidadas (as envolvidas na reconciliação), nas dependências do templo.

Toda família se reunia no átrio para festejar a paz que havia sido realizada entre Deus e o homem, e entre o homem e o seu próximo. A marca distintiva da oferta de paz, era a comida em comum, na qual prevaleciam o gozo e a alegria.

Como antes foi declarado, a oferta pacifica era uma oferta de comunhão em que tomavam parte Deus, o sacerdote e a pessoa. Era uma refeição em comum, tomada no recinto do templo, em que predominavam a alegria e o contentamento, e os sacerdotes e o povo entretinham conversa. Não era uma ocasião em que se efetuava a paz, antes uma festa de regozijo pela posse da mesma. Era geralmente precedida de uma oferta pelo pecado ou uma oferta queimada. Fizera-se expiação, espargira-se o sangue, o perdão havia sido concedido e assegurada a justificação. Para isto celebrar, o ofertante convidava seus parentes chegados e seus servos, bem como os levitas, para comerem com ele.

“Nas tuas portas não poderás comer”, era o mandamento, mas só́ “no lugar que escolher o Senhor teu Deus” (Dt 12.17-18). E assim se reunia toda a família dentro das portas do templo para celebrar de maneira festiva a paz que se estabelecera entre Deus e o homem, e entre o homem e homem.

3.1. Ações de graça. É reconhecer Jesus; confessar Jesus; Confiar e amar o Senhor.
As gorduras, somente eram queimadas, e as carnes eram consumidas pelos sacerdotes e pelo povo, numa ceia de aliança solene, à qual os pobres eram convidados (Dt 12.18), que prenunciava a paz que seria trazida aos homens pela obra de Cristo (Cl 1.20), e comemorada na Ceia do Senhor (1ª Co 10.16).

V. CRISTO E A OFERTA DE PAZ
1. Jesus é nos trouxe a paz. Colocando-se entre Deus e os homens, Jesus Cristo nos trouxe a paz. Esta oferta encerra o significado da reconciliação.
Jo 16.33 Jesus diz: “Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”.
Jo 14.27 Jesus diz: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o á dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.
A verdadeira paz, só encontramos em Jesus. A partida de Jesus para o Pai não marca a derrota, mas a vitória. O Espírito Santo continuará comunicando a paz e a segurança de Cristo em nossas vidas, pois Ele é a terceira pessoas da trindade, é o pacificador e o Consolador de Pai para as nossas vidas.
A pessoa e a obra redentora de Cristo neste mundo significa uma maior glorificação nos céus, e paz divina para os habitantes da terra.
Jamais iremos encontrar paz se não entregarmos a nossa vida a Jesus Cristo. Sem Jesus não existe paz.
Paulo aos Rm 5.1 diz: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.

At 10.36: “Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos”.

Evangelho quer dizer: “Boas Novas de Salvação”.

Sem o conhecimento deste evangelho não encontraremos a paz de Cristo.

Cl 1.20 “E havendo feito a Paz pelo seu sangue da cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus”.

Ef 2.13-15: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós que antes estáveis longes, foste aproximado pelo sangue de Cristo. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si um novo homem, fazendo a paz”.

Através do sangue de Cristo derramado na cruz do Calvário, somos redimidos de todas as nossas transgressões e culpas. Somente quando aceitamos o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário, encontraremos o perdão de Deus e através do perdão receberemos a paz.

O homem só estará livre da culpa e condenação e encontrará perdão e paz no seu interior, quando aceitar e crer no sacrifício de Jesus na cruz para remissão dos pecados.

“Sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”. Rom. 5:1. “Ele é a nossa paz”. Efe 2:14. O Israel de outrora era convidado a celebrar sua paz com Deus, o perdão de seus pecados, e o ser-lhes restituído o favor divino. Esta celebração incluía filho e filha, servo e serva, bem como o levita. Todos se sentavam à mesa do Senhor e se regozijavam juntos “na esperança da glória de Deus”. Da mesma maneira nos devemos gloriar em “Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação”. (Rm 5.2 e 11).

VI. A OFERTA PACÍFICA NA VIDA DIÁRIA
De que modo apresentaremos, hoje, nossos sacrifícios pacíficos ao Senhor? Há três maneiras: consagrando-nos a nós mesmos; perseverando nos sacrifícios de louvores e adorando a Deus em todo o tempo.

1. Consagração incondicional.
O melhor sacrifício que um crente pode oferecer ao Senhor é apresentar a si mesmo a Deus (Rm 12.1). Neste momento, nossa oferenda é, além de pacífica, amorosa e plena de serviços. A partir desse momento, começamos a experimentar as excelências da vontade de Deus. Paulo considerava-se uma libação oferecida ao Senhor Jesus (2ª Tm 4.6).

2. Sacrifícios de louvores.
Fazemos um sacrifício de louvor quando cumprimos plenamente a vontade de Deus (Hb 13.15). Mas, para que a cumpramos, é imprescindível apresentarmo-nos diante de Deus com um espírito quebrantado e ansioso por Ele (Sl 51.17). Portanto, quando cumprimos a vontade divina, apesar das circunstâncias adversas que nos cercam, oferecemos-lhe o mais excelente sacrifício de louvor.

3. Adoração contínua.

Paulo e Silas, quando presos, cantavam e adoravam a Deus, ofertando-lhe um sacrifício que, além de pacífico, era profundamente redentor (At 16.25-31). Por isso, o apóstolo recomenda-nos a louvar continuamente a Deus (Ef 5.19; Cl 2.16).

CONCLUSÃO. Nestes dias trabalhosos e difíceis, somos instados pelo Espírito Santo a apresentar a Deus sacrifícios pacíficos: gratidão, louvor e amor provado. E, como já vimos, a oferta de maior relevância é o nosso próprio ser. Apresentemo-nos, pois, continuamente diante do Senhor com ofertas voluntárias, para que a nossa vida seja um sacrifício pacífico ao Deus Único e Verdadeiro (Rm 12.1).
O cristão sincero e agradecido ao Eterno deve trazer ofertas de sacrifício, de ações de graça e repartir. Com o nosso:
1. Sacerdote.
2. Nosso família.
3. Nossos irmãos.
4. E o melhor oferecemos ao Senhor.
Sacrifico. A palavra hebraica para sacrifício é קָרְבָּן korban, que significa aproximar-se. Portanto, o propósito do sacrifício é ganhar intimidade com o Senhor, oferecendo um presente.
É similar a palavra utilizada para telescópio (algo que nos aproxima de algo que vemos de longe) – מקרבת makrevet.
Rm 12.1:Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”
Hb 13.15:Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.”
Pr. Elias Ribas