TEOLOGIA EM FOCO

segunda-feira, 30 de julho de 2018

AS CINCO OFERTAS LEVÍTICAS - RETRATOS DE CRISTO




INTRODUÇÃO.
A Bíblia apresenta todos nós como pecadores, vivendo num estado de morte espiritual e destinados à morte física e eterna. Vivemos na morte porque estamos separados da comunhão com Deus e incapazes de restaurar sozinhos essa comunhão que dá vida (Rm 5.12; 8). A sentença de morte pesa sobre nós por causa da nossa identificação com a queda de Adão (Romanos 5:14), nossa rebelião contra Deus (Cl 1.21,22), e nosso pecado constante (Gn 6.5; 8:21; Rm 3.10).

Mas ninguém precisa continuar nessa situação. Ao mesmo tempo em que contou a Adão e Eva as terríveis consequências que seu pecado traria sobre eles, Deus revelou Seu plano para salvá-los (Gn 3.15). Ele tomaria sobre Si o castigo do pecado de cada indivíduo e renovaria a comunhão rompida. O plano foi completado quando Jesus Cristo, Deus encarnado, se ofereceu por nós (Hb 9 e 10).

Desde os primeiros capítulos de Gênesis, o Antigo Testamento prevê esta oferta perfeita. Depois de Adão e Eva terem pecado, Deus fez o primeiro sacrifício. Ele usou peles de animais para cobrir a nudez de Adão e Eva. Seu ato mostrou também simbolicamente a cobertura dos pecados deles (Gn 3.21). A partir deste ponto, as pessoas parecem ter compreendido que Deus requereria um sacrifício de sangue para cobrir pecados e começaram a levar ofertas. Gênesis 4.3-5 registra o sacrifício de um cordeiro por Abel. Noé ofereceu animais para mostrar sua gratidão depois do dilúvio (Gn 8.20). Abraão, Isaque e Jacó construíram altares e sacrificaram a Deus onde quer que acampassem (Gn 12.8; 26.25; 35.1-7).

Séculos mais tarde, quando Deus deu a Moisés instruções detalhadas para a adoração de Israel, Ele instituiu um sistema de ofertas sacrificiais, que são apresentadas no Livro de Levítico. Deus deu ao povo esses sacrifícios para prepara-lo para o supremo sacrifício que o Messias faria, a fim de pagar de uma vez por todas pelo pecado. Cada sacrifício salienta a necessidade de todos e a provisão misericordiosa de Deus. Cada um é cheio de simbolismo.

I. O HOLOCAUSTO (Levítico 1.3-7).

Para o Holocausto, era exigido um animal doméstico, macho sem defeito (em lugar de um animal selvagem que custaria pouco ao ofertante). Geralmente seria usado um touro, carneiro ou bode, mas os adoradores pobres podiam ofertar pombos rolinhas (Compare Lc 2.22-24; 2ª Co 8.9). Cada ofertante se identificava com a sua oferta: ela deveria substituí-lo (Lv 1.4). O animal inteiro deveria ser consumido pelo fogo para representar a tremenda santidade de Deus ao lidar com o pecado. Essa oferta tipifica claramente a oferta voluntária de Cristo como o Cordeiro de Deus, em total obediência ao Pai. Ele sofreu o castigo pelo nosso pecado. A oferta também simbolizava a apresentação voluntária do adorador a Deus. Somente quando nos identificamos com Cristo, nossa oferta (Ef 5.2; Hb 10.10), podemos ser purificados do pecado e nos tornamos sacrifícios vivos para Deus (Rm 12.1,2).

II. A OFERTA DE MANJARES [OU CEREAIS] (Levítico 2.1-16).

A Oferta de Manjares era preparada e apresentada a Deus como uma refeição. Uma parte de cada oferta pertencia aos sacerdotes. A oferta mostrava a gratidão dos adoradores a Deus por supri-los de alimento para sustentar a sua vida física. Ao fazer a oferta, eles estavam oferecendo simbolicamente a Deus o dom de sua vida. Mas, a oferta tinha um significado ainda mais profundo. Ela falava da provisão divina por meio de Cristo para a nossa vida espiritual. Colossenses 3.4 nos diz que Cristo e a nossa vida. Certos ingredientes da oferta representavam uma faceta de sua provisão para nós. A Flor de Farinha representava sua perfeição; o incenso aromático, a fragrância da Sua vida. A ausência de fermento, citado na Escritura como símbolo de pecado (Mt16.6,12), mostrava que Ele estava totalmente livre da corrupção. O sal falava de Seu poder para preservar e purificar.

III. O SACRIFÍCIO PACÍFICO (Levítico 3.1-17).

A oferta pacífica era uma oferta de comunhão. Nesta oferta voluntária de um animal, o sangue era importante. O adorador oferecia um bode ou cordeiro macho ou fêmea. Era a única oferta da qual o ofertante podia comer. Enquanto compartilhava a refeição com o sacerdote e às vezes com outros adoradores, era como se Deus fosse o anfitrião da mesma, comungando com todos os presentes. A oferta pacífica representa a comunhão entre Deus e o homem tornada possível por meio do Senhor Jesus. Ela aponta para Aquele que “é a nossa paz” (Ef 2.14), e que “fez a paz pelo sangue da sua cruz” (Cl 1.20).

IV. OS SACRIFÍCIOS PELOS PECADOS POR IGNORÂNCIA (Levítico 4.1-5.13).

A oferta pelo pecado, algumas vezes chamada de oferta pela culpa, era obrigatória. Tinha como objetivo a expiação de pecados quando a restituição fosse impossível. Só podia ser feita quando o ofertante não tivesse pecado deliberadamente, mas por ignorância ou negligência. A classe do ofensor determinava o tamanho (valor) da oferta. Sacrifícios maiores eram requeridos pelo pecado do sacerdote (v. 3) ou de toda a congregação (v. 13), visto que tais pecados afetavam um círculo mais amplo do que aquele do príncipe (v. 22) ou do povo comum (v. 27). Quando era feita uma oferta pelo pecado, o sangue era aspergido no tabernáculo na frente do véu, colocado nos chifres do altar e derramado na sua base para representar a ocultação do pecado. Esta oferta prefigurava nosso perdão por meio do sangue de Cristo (Hb 9.12-14; 1ª Jo 1.9). A parte maior da oferta era queimada fora do arraial, lembrando-se de que o Senhor Jesus sofreu por nós fora da porta (Hebreus 13:12) quando Se tornou a suprema oferta pelo pecado (2ª Co 5.21).

O SACRIFÍCIO PELOS PECADOS OCULTOS (Levítico 5.14-6.7).

Essa oferta de animais ou aves era apresentada pelos pecados, quer intencionais ou não, pelos quais o ofensor podia fazer restituição caso necessário. O pecador tinha primeiro que reconhecer o seu erro. Depois, quando levava a oferta, devia apresentar ao sacerdote o pagamento total do seu débito para com o ofendido, com acréscimo de um quinto. Uma vez feito o pagamento, a dívida ficava quitada e o ofertante recebia pleno perdão. Cristo e a nossa oferta pelo pecado (Is 53.10). Ele não só aceitou o castigo pelo pecado, como também nos deu a Sua justiça (2ª Co 5.21).

CONCLUSÃO.

Por que não são mais feitos sacrifícios?
Com a oferta do Cordeiro perfeito de Deus, o sistema sacrificial terminou; o próprio Deus abriu o Caminho para o perdão e a restauração da comunhão. Agora, por causa do sacrifício de Cristo, podemos desfrutar de acesso direto ao Pai (Jo 10.27-30; 14.6, 15; 17.3, 21-23). Não há mais necessidade de um sacerdote para representar-nos diante de Deus (1ª Tm 2.5). Em nome de Jesus Cristo, o grande Sumo Sacerdote, podemos nos aproximar do trono de Deus para receber perdão de pecados, assim como ajuda e orientação para todos os problemas da vida (Hb 4.14-16; 1ª Jo 2.1,2).