TEOLOGIA EM FOCO

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A LEI DE CRISTO


“Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé
em Jesus Cristo, para todos e sobre todos os que crêem; porque não há distinção” (Rm 3.21-22).
Após ter mostrado a necessidade de ambos judeus e gentios para a justiça de Deus revelada no evangelho (1.16). Mas “agora” (o tempo da plenitude por causa da vinda de Cristo, v. 26), a justiça de Deus, isto é, a maneira de tornar-se justo que Deus designou. A justiça de Deus vem a realização histórica através de Cristo e Sua obra.

O Cristianismo não judaizou o mundo. O cristianismo teve origem no contexto judaico e deste recebeu uma rica herança teológica e ética. Haja vista o próprio Cristo. Nascido “conforme a Lei” (Gl 4.4), cresceu e viveu dentro da cultura judaica (Lc 2.40-43). Durante o seu ministério, reconheceu as Escrituras Hebraicas e a autoridade de Moisés (Mc 7.13; Lc 5.14). Todavia, não pregou costumes judaicos; Seus apóstolos não judaizaram o mundo. O apóstolo Paulo, discursando no Areópago, não deu uma aula sobre o tetragrama hebraico do Antigo Testamento [Yahweh]. Sua preocupação era pregar a principal mensagem do cristianismo: a ressurreição de Jesus (At 17.31).

O antigo concerto foi dado a Israel quando saia do Egito, junto ao monte Sinai (Êx 19.1-6; Hb 9.18-20). Os israelitas aceitaram as condições do antigo concerto, firmado entre Deus e Israel (Êx 24.1-8). Deus propôs o concerto ao Seu povo (Êx 19.3, 6) e Israel aceitou (Êx 24.3-8). O concerto de Deus não foi para todos os homens.

Como o povo de Israel não guardou o antigo concerto, apesar de ter prometido que guardaria, O Senhor Deus prometeu um novo concerto (Jr 31.31-34; Zc 11.10; Mt 27.3-10; Jr 3.16), o qual foi estabelecido por Cristo, como bem declara o escritor da carta aos hebreus:

“Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda. E, de fato, repreendendo-os, diz: Eis aí vêm dias, diz o Senhor, e firmarei nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os conduzir até fora da terra do Egito; pois eles não continuaram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor 13 Quando ele diz Nova, torna antiquada a primeira. Ora, aquilo que se torna antiquado e envelhecido está prestes a desaparecer” (Hb 8.6-9).

“Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico (pois nele baseado o povo recebeu a lei), que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão? Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente há também mudança de lei” (Hb 7.11-12).

Mudando o sacerdócio há mudança de lei. As leis do Velho Concerto foram escritas para a nação de Israel, mas o Novo Testamento para a Igreja de Cristo. Agora o crente em Jesus vive numa nova dimensão; na dimensão do Espírito, da fé e da graça.
Da mesma maneira como Moisés foi mediador da aliança Mosaica, assim Cristo é o mediador da nova aliança, Hb 8.6. Com a vinda de Cristo a aliança Mosaica terminou, com a declaração do apóstolo Paulo: em e Gl 3.19.

“Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).

“Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador. Ora, o mediador não é de um, mas Deus é um. É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei. Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem” (Gl 3.19-22).

No dia da instituição da Santa Ceia o Senhor Jesus Cristo apresentou a Nova Aliança “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue derramado em favor de vós”. Lc 22.20. Jesus havia dito “Isso é o meu sangue, o sangue da nova aliança derramado em favor de muitos para a remissão de pecados” Mt 26.28. A provisão desta aliança era o perdão dos pecados.

A Nova Aliança inclui a presença do “Testamento” que somente tem validade quando acontece a morte do testador, neste caso o testador é Cristo. (Gl 3.15 e Hb 9.16-17).

Esse período jurídico referia-se também a Velha Aliança, pois essa também foi introduzida, delicada e sancionada pelo derramamento de sangue, Hb 9.18-20. O derramamento de sangue significava a morte do testador e concedeu a natureza de dádiva à aliança. A aliança Mosaica era, pois transitória e de qualidade assistencial, não era, pois definitiva. Podemos entender isso pelo fato de animais serem sacrificados como tipos do cordeiro de Deus que posteriormente daria a sua vida.  Quando Jesus anunciou que o seu sangue daria, o sangue da Nova Aliança, entendemos que ele mesmo era o testador, ou seja, doador da Nova Aliança ou do Novo Testamento.

A palavra chave para esta dispensação é graça. O tempo de duração da dispensação da graça vai da crucificação de Cristo até a sua Segunda vinda, período esse que já abrange quase dois mil anos.

Com a morte de Cristo Deus consagrou um novo caminho de acesso a Sua pessoa. Esse acesso ao trono da graça e a abolição do caminho cerimonial foram simbolizados pelo rasgar do véu do templo no momento em que Jesus morreu.

A dispensação da graça, no entanto, só foi inaugurada no dia de pentecostes quando o Espírito foi derramado sobre os crentes reunidos no cenáculo. A experiência pentecostal do poder do Espírito Santo torna real na vida dos crentes, aquilo que Jesus proveu pela sua morte na cruz.

As profecias e as leis do Antigo Testamento são cumpridas em Jesus Cristo. Nosso Senhor Jesus Cristo cumpriu todas as profecias Messiânicas do Antigo Testamento.

A carta aos romanos revela mais claramente o que é graça. No capítulo 3, vemos que éramos pecadores e, por isso, carecíamos da glória de Deus. Por essa razão, Deus justificou-nos gratuitamente por meio da Sua graça e recebemos Sua vida. O pecado entrou no homem por meio da desobediência de Adão, e com o pecado entrou a morte.

Deus não criou o homem para que esse morresse, mas para ter a vida eterna. Entretanto, em Adão todos pecaram e “a morte passou a todos os homens” (Rm 5.12), impedindo o homem de desfrutar da glória e da graça de Deus. Por isso, Paulo diz que a morte reina (Rm 12.14). Estamos no tempo em que podemos desfrutar da graça e da verdade, o qual se estenderá até a entrada do reino milenar, mas até hoje a morte tem reinado. Somente quando saímos do domínio de Satanás, do domínio do pecado, da vida natural, e nos uniu em vida a Cristo é que escapamos do reinar da morte e passamos a reinar em vida.

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

I.         LEI DE CRISTO

A pergunta: qual o significado que a lei nós cristão, já respondida pela gloriosa promessa de Jeremias 31.31-34. Através de Cristo, com base no pleno perdão dos pecados através do Seu sangue vertido na cruz, a Lei passa das tábuas de pedra para dentro do coração, isto é, ela não é mais mera limitação exterior, mas renova a vontade interior.

“Estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações” (2º Co 3.14).

“Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus” (Rm 2.29).

Qualquer rito, sinal ou obra que fizemos, se não for resultado da operação da graça de Deus em nossa vida, não tem nenhuma validade.

“Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17).

Na Nova Aliança, a lei é anulada mediante o sacríficio de Jesus Cristo na cruz do calvário.

Assim como na consciência, Deus gravou sua lei no coração da humanidade.

“Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: na sua mente imprimirei as minhas leis, também sobre o seu coração as inscreverei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (Hb 8.10).

Esta nova aliança supera a antiga em tempo e qualidade. É extensiva aos gentios. Realiza profunda transformação interior, pois não atua de conformidade com a lei, mas com a Graça. Oferece perdão total, pois não se trata de uma cobertura passageira.

“Portanto, por um lado, se revoga a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), e, por outro lado, se introduz esperança superior, pela qual nos chegamos a Deus” (Hb 7.18).

Por essa razão o apóstolo Paulo diz:

“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.2).

O brado da reforma protestante de Sola Scriptura, Sola Gracia, Solo Cristus e Sola Fides foi um apelo dramático ao retorno ás Escrituras Sagradas como única regra de fé e prática.

A nossa fé está baseada na lei de Cristo, que representa a graça de Deus em favor do homem caído, garantindo a nossa salvação. As leis e as cerimônias do Antigo Testamento, não foram capazes de salvar ninguém, conforme o Concílio Apostólico em At 15.11: “Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram”.

Para afirmar aos gentios sobre a lei de Cristo, Paulo diz:

“Aos sem lei, como se eu mesmo fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei” (1ª Co 9.21).

Adaptar-se é imprescindível para a comunicação do evangelho. Ser diferente interiormente atrai o descrente (Rm 12.2), mas ser esquisito exteriormente o repele. O maior mandamento da lei de Cristo é o amor (2ª Co 5.14). Assim como o filho pródigo não foi obrigado pelo seu pai provar a sua mudança moral para ser aceito, pela graça, o pecador é aceito incondicionalmente, sua divida foi cancelada. A Palavra e o Espírito fazem a obra de regeneração no homem, pois quem convence do pecado e do juízo é o Espírito de Deus. Paulo também afirma que nossa divida para com a lei foi fixada na cruz (Cl 2.14; Ef 2.14-16). Enquanto o exército exige pessoas sadias, Jesus Cristo não aceita senão doentes que queiram se tratar.

É difícil imaginar que o filho pródigo, uma vez reconciliado com seu pai, desejaria voltar para o lamaçal. O poder para transformar o querer do pecador faz parte integral da graça que salva. É impossível explicar o poder da graça de Deus na vida do pecador sem empregar o vocábulo “milagre” ou transformação. É por isso que Paulo explica em sua carta em Tt 3.5-7 dizendo:

“Não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo. Para que, sendo justificados pela graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna”.


A lei de Cristo é uma referencia ao “novo mandamento” (Jo 13.34; 1ª Jo 4.21) de amar uns aos outros. Esta lei abrande todo o fruto do Espírito (Gl 5.22-23) e cumpre todo o dever do homem para com Deus e os homens (cf. Gl 5.14).Uma vez que Deus é amor, a lição mais importante que ele quer que você aprenda na terra é como amar. É quando amamos que somos mais parecidos com ele, de modo que o amor é o fundamento de todos os mandamentos que ele nos deu: Toda a lei pode ser resumida neste único mandamento: “Ame aos outros como você ama a si mesmo”.

“Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?  Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.36-39).

“Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço” (Jo 15.10).

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor” (1ª Co 13.13).

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.35).

“E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor” (2ª Jo 1.6).

Podemos concluir que o amor é o maior mandamento. Contudo devemos entender que Jesus deixou implícito no Seu evangelho muitas ordenanças. Um exemplo está em Mateus:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19-20).

II.      A LEI DA FÉ

Na Nova Aliança somos justificados pela fé em Cristo Jesus. A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam. Na carta aos Romanos, Paulo diz:

“Sendo, pois, justificado pela fé, temos paz com Deus por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus” (Rm 5.1-2). E nesta mesma carta Paulo faz a seguinte pergunta: “Por qual lei? Das obras? Não; mas pela lei da fé. Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei. É, porventura, Deus somente dos judeus? Não o é também dos gentios? Sim também dos gentios. Visto que Deus é um só, o qual justificará, por fé, o circunciso e, mediante a fé o incircunciso” (3.27-30).

O pecado é uma atitude negativa do homem, concretamente é uma forma de uma postura de hostilidade a Deus, à qual Deus reage com ira. Ira e julgamento expressam que Deus não quer que os homens o enfrentem, Ele que é seu criador e juiz. Ele não quer tal inimizade, mas sim a paz.

Portanto, os que têm sido justificados pela fé, estão em paz com Deus e, por meio de Jesus Cristo, são salvos da ira divina, porque Deus reconciliou os inimigos consigo por meio da morte de seu Filho. O que se reconcilia com Deus escapa da ira, porque Deus elimina a inimizade entre ele e o homem, mediante a ação pacificadora de Cristo.

A lei cancela a promessa de Deus, mas a fé em Jesus Cristo nos justifica perante Deus:

“Não foi por intermédio da lei que Abraão ou sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa” (Rm 4.13-14).

Quando Deus fez o concerto com o patriarca Abraão, a lei não estava em vigor, por esta razão Paulo explica que a promessa não foi mediante a lei, mas por intermédio da fé. É explicito que a lei anula a nossa fé, e cancela a promessa feita ao patriarca Abraão. Se não buscarmos a justificação pela fé em Jesus estaremos, com certeza, condenados.

O povo judaico venerava Abraão como grande patriarca da sua nação. Foi a sua obediência cheia de fé à voz do Senhor que fez com que o filho da promessa, Isaque, nascesse. A Isaque nasceu Jacó (cujo nome foi mudado para Israel – Gn 32.28). A ele nasceram doze filhos, cujos descendentes tornaram-se as doze tribos de Israel.

Por isso Paulo fez a pergunta: Como foi Abraão justificado? Não pelas obras (os seus próprios atos de retidão, mas crendo em Deus). Abraão confia totalmente no Deus da promessa, em vez de apoiar em suas próprias obras, pois sua idade avançada e a de sua mulher não permitem confiar em si mesmo. Ele se entrega nas mãos de Deus diante de uma situação que deixa claro como a criatura depende de Deus. Nessa situação de vida, ele crê em Deus, que “faz viver os mortos” (Rm 4.17), portanto, que dará o filho prometido a Abraão que é incapaz de gerar e a Sara que é incapaz de engravidar. Pelo fato de apoiar-se firmemente nessa fé (Rm 4.20), Abraão é justificado diante de Deus (Rm 4.3). Assim esperando tudo de Deus, é que o homem deve viver diante de Deus. O contrário a isso é pecado: é pecado alguém, sendo criativo, viver de si mesmo e a partir do mundo. Pecado é um projeto de vida e uma compreensão do mundo a margem de Deus. Isso é inimizade com Deus, porque rouba a honra de ser aquele que é para todos: o Deus que proporciona vida, uma vida bem sucedida.

III.   A LEI DO ESPÍRITO DE VIDA

“Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei” (Rm 3.31). A salvação em Cristo não significa que a lei perdeu o seu valor. Na realidade, a justificação pela fé confirma a lei, quanto ao seu propósito e função original. Mediante sua reconciliação com Deus e a obra regeneradora do Espírito Santo, o crente é capacitado a honrar e obedecer à lei moral de Deus (Rm 8.2-4).

“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, que me livrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pelo pecado Deus, envia o Seu Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne o pecado” (Rm 8.1-4).

No capítulo 7 da carta aos romanos, Paulo demonstrar que a vida sem a graça de Cristo é derrota, miséria e escravidão. Agora, em Romanos 8, Paulo nos diz que a vida espiritual, a liberdade da condenação, a vitória sobre o pecado e a comunhão com Deus nos vêm pela união com Cristo, mediante o Espírito Santo que nos habita (v. 9). Ao recebermos o Espírito e sermos por Ele dirigidos, somos libertos do poder do pecado e prosseguimos adiante para a glorificação final em Cristo. Essa é a vida cristã normal, segundo a plena provisão do Evangelho.

A lei do Espírito de vida, é o poder e a vida do Espírito Santo, reguladores e ativadores operando na vida do crente. O Espírito entra no crente e o liberta do poder do pecado (Rm 7.23). A lei do Espírito entra em plena operação, à medida que os que crêem se comprometem a obedecer ao Espírito Santo (vv. 4, 5, 13-14). Descobrem que um novo poder opera dentro deles; poder este que os capacita a vencer o pecado. A “lei do pecado e da morte”, neste versículo, é o poder dominante do pecado, que faz da pessoa uma escrava do pecado (Rm 7.14), reduzindo-a à miséria (Rm 7.24).

O Espírito Santo operando dentro do crente, capacita-o a viver uma vida de retidão que é considerada o cumprimento da lei moral de Deus. Sendo assim, a operação da graça e a guarda da lei moral de Deus não conflitam entre si (cf. 2.21; 3.31; 6.15; 7.12-14). Ambas revelam a presença da justiça e da santidade divina.

Na cruz do Calvário cristo cancelou todas as nossas transgressões:

“E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos; tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz” (Cl 2.13-14).

Cristo nos libertou da lei do pecado (Jo 8.32, 36), e nos libertou da lei Mosaica que era um escrito de dividas contra nós. Portanto estamos livres em Cristo Jesus para servi-lo e anunciar as boas novas de salvação.

A mudança da lei já estava no coração de Deus. O Senhor Deus promulgou a lei, ou seja, libertou-nos da lei mosaica e nos transportou para a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus. A salvação era impossível pela à lei mosaica, por isso Deus enviou Seu Filho Jesus para cumprir, abolir a Velha lei e formar a “lei do Espírito”.

Deste modo, “revoga-se a anterior ordenança, por causa de sua fraqueza e inutilidade (pois é notório que a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma), por esta razão se introduz esperança melhor, superior, pela qual chegamos a Deus” (Hb 7.17-18).

Na graça o verdadeiro cristão é guiado pela lei do Espírito. “... mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (Gl 5.18).

Na carta aos Hebreus o escritor diz: “E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor; porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei” (Hb 10.15-16).

As promessas da “Nova Aliança” com que Deus abençoaria Seu povo e preencheria as lacunas da Antiga Aliança. Havia necessidade de um transplante de coração. E o Senhor Deus já havia anunciado o Seu povo através dos profetas:

“Dar-lhe-ei um só coração, Espírito novo porei dentro deles; tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei coração de carne” (Ez 36.26). “Dar-lhe-ei coração novo e porei dentro de vós Espírito novo...” (Ez 11.19).

Porei dentro de vós o Meu Espírito: Havia a necessidade de um transplante de coração, em lugar do coração de pedra, Deus prometeu enxertar um de carne, sensível a voz divina. Havia a necessidade de um novo Espírito para mudar a inclinação pecaminosa, e escreveria Suas leis no íntimo e não nas tábuas de pedra. O Sinai seria substituído por uma experiência individual por meio de um encontro convertedor com Deus. Sob a Velha Aliança, a lei de Deus era externa, escrita em tábuas de pedra e em pergaminhos. Na Nova Aliança, a lei passaria a ser interna conforme o que Paulo escreve aos Coríntios

“O qual nos habilitou para sermos ministros de uma Nova Aliança, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata e o Espírito vivifica. E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, se revestiu da glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fitar a face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, ainda que desvanecente, como não será de maior glória o ministério do Espírito?” (2ª Co 3.6-8).

1.      A vida no Espírito.

Enquanto que aos Romanos, capítulo 7, Paulo descreve alguém procurando cumprir a lei de Deus no seu próprio esforço, levando esta pessoa a triste conclusão, do verso 25 Paulo diz: “Miserável homem que sou, quem me livrará do corpo desta morte?”, Romanos oito descreve o que o Espírito Santo pode fazer para nós.

2.      Vivendo na carne.

Sou carnal, tendo sido vendido debaixo do pecado Rm 7.14. Nada de bom habita em mim, isto é na minha carne Rm 7.18. Com a carne sirvo a lei do pecado Rm 7.25. Aqueles segundo a carne estão com a mente nas coisas da carne Rm 8.5a. A mente da carne é morte Rm 8.6. A mente da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeita à lei de Deus, nem pode estar (Rm 8.7). Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9).

3.      Vivendo no Espírito

A lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte, Rm 8.2. A lei de Deus era fraca pela carne Rm 8.3. Deus enviou Jesus e condenou o pecado na carne Rm 8.3. Em Cristo à ordenança da lei de Deus é cumprida em nós que andamos segundo o Espírito Rm 8.4. Aqueles segundo o Espírito estão com a mente segundo o Espírito Rm 8.5.

A mente do Espírito é vida e paz. Vocês não estão na (em) carne, mas no (em) Espírito sendo que o Espírito de Deus habita em vocês Rm 8.9. Somos devedores não para a carne, para viver segundo a carne Rm 8.12. Se você pelo Espírito levar a morte (mortificar) as práticas do corpo, você viverá, Rm 8.13.
Todos que são guiados pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus Rm 8.14. Você recebeu um Espírito de adoção pelo qual clama Aba, Pai Rm 8.15.

V.                 O PRINCÍPIO DA FÉ E A LEI

A lei estabelece a justificação pela fé, pois sem fé é impossível agradar a Deus. A fé estabelece a lei, pois em Cristo cumprimos a lei.

Paulo deixa bem claro que não podemos ter duas opções. Ou cremos nas Escrituras com relação à justificação pela fé, ou estamos em incredulidade, perdidos, sem nenhuma esperança.

“Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não encontrou. Por quê? Porque não a buscaram pela fé e sim como que das obras. Tropeçaram na pedra de tropeço” (Rm 9.31-32).

1.      O Caso Abraão.
Se alguém pudesse gloriar-se nas obras, para os judeus, esse alguém seria Abraão. (Rm 4.1). Mas Abraão não foi justificado pelas obras. Ele creu e isto lhe foi imputado como justiça. (Rm 4.3). Abraão recebeu a circuncisão como ordenança depois de ter sido considerado justo. O rito não lhe conferia justiça, dava testemunho dela. (Rm 4.11). A promessa dada a Abraão de ser o herdeiro do mundo (Gn 17.4) não foi feita pela lei, mas pela justiça da fé. Logo, se os herdeiros são os da lei, a fé é vã e a promessa é aniquilada (Rm 4.13-14).

A caminhada da fé de Abraão.
·    Creu no Deus verdadeiro (Rm 4.17).
·    Contra todas as evidências desfavoráveis, creu na promessa.
·    Quando tentado a retroceder, fortaleceu-se na fé, louvando a Deus. (Rm 4.20).

Conseqüências ou Privilégio da Justificação.
1        Temos paz com Deus. Rm 5.1. Contentamento, satisfação, tranqüilidade, reconciliação.
2        Acesso à graça justificadora de Deus. Rm 5.2a. A participação da graça de Deus.
3        Júbilo exultante da expectativa da glória de Deus. Rm 5.2b. Além de contemplar a glória de Deus, o cristão receberá um corpo glorificado no porvir. (Rm 8.17).
4        Júbilo nas tribulações presentes. (Rm 5.3-5a).
5        A tribulação produz perseverança, a perseverança experiência, a experiência produz esperança.
6        O amor de Deus é derramado em nossos corações. (Rm 5.5b).
7        Deus prova o seu amor para conosco. (Rm 5.6-8).
8        O evento da cruz é uma prova presente do infinito amor de Deus para conosco.
9        Salvação da ira futura. (Rm 5.9-10).
10    A exultação presente na pessoa de Deus. (Rm 5.11).

2.      Características de alguém que se coloca sob o domínio da lei ou sob o domínio da graça:

Debaixo da lei
Debaixo da graça
1.      Dependência da lei para viver.
1.     Dependência do Espírito  Gl 5.18
2.      Viver pelo esforço carnal.
2.     Vive pela fé. Gl 2.16-17.
3.      Gloria-se em si mesmo, Cristo morreu em vão Gl 2.21.
3.     Gloria-se na cruz de Cristo Gl 6.14.
4.      Escravidão e jugo Gl 5.11.
4.     Liberdade em Cristo Gl 2.4; 4.6.
5.      Tenta receber um dom de Deus.
5.     Recebe um dom mediante a fé por ter obedecido a lei. Gl 3.2-3.
6.      Espera na operação do Espírito Gl 3.5
6.     Espera na operação do Espírito mediante a fé  por ter-se obedecido a lei                                
7.      Fazer para receber Gl 5.4.
7.     Crer para receber.
8.      É caído da graça Gl 5.4.
8.     Tem o favor gracioso de Deus.
9.      Nada pode. Deus é obrigado a nos dar
9.     Tudo é santificado.
10.    O dom depende Dele.
10.   Deus nos dá livremente o seu favor imerecido por porque nos deve (Rm.4.4). O salário depende de nós.

Submeter-se à lei ou à graça é uma escolha nossa. “Dizei-me vós, os que quereis estar sob a lei...” (Gl 4.21).

A graça de Deus é o agente pelo qual ele receberá a justificação (Tt 3.7); a regeneração (Jo 3.3); a santidade (At 26.18); a segurança de Deus (1ª Pe 1.5). O homem só poderá receber a graça salvadora mediante a sua decisão a Cristo mediante a fé.

FONTE DE PESQUISA


1.      ANTÔNIO GILBERTO, lições bíblicas, 4º trimestre, 1992, CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
2.      ANTÔNIO GILBERTO, lições bíblicas, 1º trimestre, 1997, CPAD, Rio de janeiro, RJ.
3.      BÍBLIA EXPLICADA, S.E.McNair, 4ª Edição, CPAD, Rio de Janeiro RJ.
4.      BÍBLIA PENTECOSTAL, Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida, Edição 1995, CPAD, Rio de Janeiro RJ.
5.      BÍBLIA SHEDD, Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil – 2ª Edição, Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, SP.
6.      BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE, Traduzida por João Ferreira de Almeida. Revista e Corrigida, 1995, Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, SP.
7.      CLAUDIONOR CORRÊA DE ANDRADE, Dicionário Teológico, p. 286, 8ª Edição, Ed. CPAD, Rio de janeiro, RJ.
8.      CLAUDIONOR CORRÊA DE ANDRADE, Lições Bíblicas, 2ª trimestre de 2008, Ed. CPAD, Rio de janeiro, RJ.
9.      RAIMUNDO OLIVEIRA, Lições Bíblicas, 1º Trimestre de 1986, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
10.  JOHN LANDERS, Religiões mundiais, Juerp, Rio de Janeiro, 3ª Edição, 1994.
11.  JOHN STOTT, Romanos, 1ª Edição, 2000, Ed. ABU, SC.
12.  JÜRGEN BECKER, Apóstolo Paulo, Edição 2007, Editora Academia Cristã.


Pr. Elias Ribas
Igreja Evangélica Assembléia de Deus
Blumenau – SC
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