TEOLOGIA EM FOCO

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

JESUS, O HOLOCAUSTO PERFEITO


TEXTO ÁUREO

“Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.” (Hb 10.10)

VERDADE PRÁTICA
Os holocaustos da Antiga Aliança eram transitórios e imperfeitos, mas o sacrifício de Jesus Cristo é perfeito e eterno, porque Ele morreu e ressuscitou eficazmente por toda a humanidade.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Levítico 1.1-9: “E chamou o SENHOR a Moisés e falou com ele da tenda da congregação, dizendo: 2 Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecereis as vossas ofertas de gado, de vacas e de ovelhas. 3 Se a sua oferta for holocausto de gado, oferecerá macho sem mancha; ŕ porta da tenda da congregação a oferecerá, de sua própria vontade, perante o SENHOR. 4 E porá a sua mão sobre a cabeça do holocausto, para que seja aceito por ele, para a sua expiação. 5 Depois, degolará o bezerro perante o SENHOR; e os filhos de Arão, os sacerdotes, oferecerão o sangue e espargirão o sangue ŕ roda sobre o altar que está diante da porta da tenda da congregação. 6 Então, esfolará o holocausto e o partirá nos seus pedaços. 7 E os filhos de Arão, os sacerdotes, porão fogo sobre o altar, pondo em ordem a lenha sobre o fogo. 8 Também os filhos de Arão, os sacerdotes, porão em ordem os pedaços, a cabeça e o redenho, sobre a lenha que está no fogo em cima do altar. 9 Porém a sua fressura e as suas pernas lavar-se-ão com água; e o sacerdote tudo isto queimará sobre o altar; holocausto é, oferta queimada, de cheiro suave ao SENHOR.”

OBJETIVO GERAL
Conscientizar de que os holocaustos da Antiga Aliança eram transitórios e imperfeitos, mas o sacrifício de Jesus Cristo é perfeito e eterno.

INTRODUÇÃO
Apesar da glória e da simbologia do holocausto, os profetas não demoraram a revelar a transitoriedade desse ritual levítico. Eles sabiam que, embora a oferenda fosse eficiente como tipo de um sacrifício melhor e definitivo, não era eficaz, em si mesma, para redimir o pecador. Por isso, o holocausto tinha de ser oferecido, pela fé, com os olhos postos no Calvário.
Conforme veremos nesta lição, o Senhor Jesus Cristo, ao encarnar-se, tornou-se o holocausto perfeito, para resgatar-nos de nossos pecados, tornando-nos propícios ao Pai. Ele é o Holocausto dos holocaustos.
No Antigo Testamento, o sacrifício era a única maneira de aproximar-se de Deus e restaurar o relacionamento com Ele. Havia mais de um tipo de oferta ou sacrifício, e esta variedade tornava-os mais significativos porque cada um estava relacionado a uma situação especifica da vida. Os sacrifícios eram oferecidos em louvor, adoração e agradecimento, e também para perdão e comunhão. A primeira oferta que Deus descreve é o holocausto. A pessoa que cometia um pecado deveria trazer um animal sem defeito para o sacerdote. O animal inocente simbolizava a perfeição moral demandada pelo santo Deus bem como a natureza perfeita do real sacrifício futuro - Jesus Cristo.

I. O CONCEITO DE HOLOCAUSTO

1. Definindo o termo (Lv 1.3).
O termo hebraico traduzido por holocausto (olah) significa, literalmente, “aquilo que vai para cima” ou “aquilo que sobe” para Deus. É importante que você conheça e compreenda o significado desse termo. A palavra holocausto vem do grego holokauston, de hólos, completo + kaio, eu queimo. Portanto também se chamava oferta queimada, porque o olah era totalmente queimado no altar (com exceção do couro que ia para o sacerdote).
O holocausto era o sacrifício básico que expressava devoção e consagração ao Senhor. Quando nos entregamos ao Senhor, colocamos “tudo isso sobre o altar” (Lv 1.9) e não retemos nada. O equivalente do Novo Testamento encontra-se em Romanos 12.1, 2, em que o povo de Deus é desafiado a ser um sacrifício vivo, inteiramente consagrado ao Senhor.
O holocausto é um tema frequente e relevante no Antigo Testamento, por isso o livro de Levítico inicia com as instruções divina conferidas a Moisés a respeito dos sacrifícios que seriam oferecidos no Tabernáculo. Levítico mostra o tipo de sacrifício e a forma como deveria ser apresentado ao Senhor.
O Deus que tudo criou precisava do sangue de animais? Não! Tudo é d’Ele, contudo  os holocaustos apontavam para o plano perfeito da salvação que o Pai já havia preparado antes da fundação do mundo. Eles expunham a verdade de que Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, morreria em nosso lugar. Seu sacrifício foi perfeito, único e superior a todos os holocaustos já oferecidos. Que você aproveite cada tópico da lição para juntamente com seus alunos refletir a respeito do sacrifico perfeito de Cristo que foi realizado em nosso favor.

1.1. Três classes de ofertas (Lv 1).
Havia três classes de ofertas, dependendo do poder econômico do ofertante: novilho (v. 3; cf. v. 5) macho sem defeito, carneiro ou cabrito (v. 10-14), também macho e sem defeito, e aves (v. 14-17), podendo ser rolas ou pombinhos. Todos esses constituem animais pacíficos; nenhum animal feroz podia ser sacrificado no altar do Senhor.

1.2. Os deveres do ofertante (Lv 1).
Trazer a oferta à porta da tenda da congregação, próximo ao altar do holocausto (v. 3; também conhecido como altar de bronze); colocar a mão sobre a cabeça da vítima (v. 4); imolar o novilho (v. 5), carneiro ou cabrito (v. 11); tirar a pele (esfolar) do animal e cortá-lo em pedaços (v. 6,12); lavar as entranhas e as pernas com água (v. 9,13).

1.3. Os deveres do sacerdotes.
O sacerdote examinava o sacrifício para certificar-se de que não tinha qualquer defeito (Lv 22.20-24), pois devemos dar ao Senhor o que temos de melhor (Ml 1.6-14). Jesus Cristo foi um sacrifício “sem defeito e sem mácula” (1ª Pe 1.19), que se entregou em total consagração a Deus (Jo 10.17; Rm 5.19; Hb 10.10).

Aspergir o sangue do animal sacrificado ao redor sobre o altar (v. 5,11); colocar lenha e atear fogo sobre o altar (v. 7) e depois depositar em ordem os pedaços do animal sobre o fogo (v. 8,12).

O animal deveria ser completamente consumido no altar, exceto o couro (v. 13; 7:8); no caso das aves, o sacerdote deveria destroncar a cabeça, fazer o sangue correr na parede do altar, colocar o papo com suas penas para o lado oriental do altar, rasgar o corpo da ave (sem cortá-la em pedaços) e depois queimá-la sobre o altar.

a) Quando o sacrifício era de aves, o adorador colocava a mão sobre o animal a ser sacrificado (Lv 1.4), gesto que simbolizava a identificação do ofertante com o sacrifício. Era o sacerdote e não o ofertante quem matava a ave; seu sangue era escorrido nas laterais do altar, e seu corpo, queimado no fogo do altar (Lv 1. 15-17).

b) Nos sacrifícios que envolviam o derramamento de sangue, a imposição de mãos simbolicamente transferia o pecado e a culpa para o animal que morria no lugar do pecador. O corpo do novilho, cordeiro ou cabrito era desmembrado, e as partes eram lavadas. Então, tudo, exceto o couro, era colocado em ordem sobre a lenha e queimado no fogo. O couro era dado ao sacerdote (Lv 7.8).

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
OFERECER OFERTA (Lv 1.2).
O termo “oferta” (heb. corban) é cognato do verbo que significa “aproximar-se”. Portanto, o sacrifício era uma dádiva que o israelita fiel trazia a Deus, a fim de poder aproximar-se d’Ele e desfrutar da sua comunhão e bênção (Sl 73.28).

Cinco ofertas são descritas nos caps. 1-7: o holocausto (1.3-17), a oferta de manjares, isto é, de cereais (2.1-16), a oferta pacífica (3.1-17), a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa (5.14-6.7; 7.1-7).

2. Os adoradores apresentavam ofertas com a finalidade de expressarem gratidão e fé, de renovarem a comunhão, de aprofundarem a sua dedicação ao Senhor, ou de pedirem perdão. As ofertas eram realmente orações em forma de atos (Sl 116.17; Os 14.2; Hb 13.15).

3. Em muitos casos, a oferta envolvia um sacrifício, i.e., era ceifada a vida de um animal (9.8).

Essas ofertas ensinavam a Israel que:
3.1. O ser humano é basicamente pecaminoso, cujos pecados merecem a morte;

3.2. Sem derramamento de sangue não há perdão (17.11; Hb 9.22);

3.3. A expiação pelo pecado precisa ser feita mediante substituição (v. 4; 17.11);

3.4. Santidade de Deus deve regular e dirigir todas as  áreas da vida humana (cf. 10.3); e

3.5. Deus quer ser gracioso, perdoar e ter comunhão com homens e mulheres (Êx 34.6,7).

Para que a oferta fosse aceita por Deus, devia haver, da parte do ofertante, arrependimento genuíno, do profundo do coração e uma sincera resolução de viver uma vida de bondade e de retidão (23.27-29; Is 1.11-17; Mq 6.6-8).

II. O HOLOCAUSTO NA HISTÓRIA DE ISRAEL
A oferenda de holocaustos pode ser encontrada nos três principais períodos da história de Israel no Antigo Testamento: patriarcal, mosaico e nacional.
1. No período patriarcal.
O sacrifício dos patriarcas Noé e Abraão (Gn 8.20; 22.13) foi apresentado de acordo com a oferenda, ou seja, um holocausto, que Abel ofereceu ao Senhor. Por isso a oferenda pode ser considerada a mais antiga da história sagrada (Gn 4.4).

2. No período mosaico.
Após a saída dos filhos de Israel do Egito, o Senhor instruiu Moisés a sistematizar o culto divino, a fim de evitar impurezas e práticas pagãs. Quanto ao holocausto, por exemplo, apesar de já ser uma tradição na comunidade hebreia, teria de ser oferecido, a seguir, segundo critérios e normas bem definidos. Seria exigido, por exemplo, um altar apropriado para as ofertas queimadas (Êx 31.9). Como pode ser visto nas especificações da cerimônia nos capítulos de 1 a 6 de Levítico.

Portanto, tudo seria executado de conformidade com as regras estabelecidas por Deus. Caso contrário, os israelitas corriam o risco de se enveredar pelas idolatrias egípcias e cananeias.

3. No período nacional.
Após a conquista de Israel, os holocaustos continuaram a ser oferecidos ao Senhor por vários motivos. Josué celebrou uma importante vitória sobre os cananeus com ofertas queimadas e pacíficas (Js 8.31). Gideão, ao ser comissionado pelo Senhor para libertar Israel, adorou-o com igual oferenda (Jz 6.26). Quanto a Samuel, ofereceu ao Senhor o mesmo sacrifício, antecipando uma grande vitória sobre os filisteus (1º Sm 13.9,10). A reforma de Ezequias também foi marcada por holocaustos (2º Cr 29.7-35).

Após o retorno do exílio, os judeus, agradecidos a Deus pela restauração de seu culto, também apresentaram-lhe ofertas queimadas (Ed 8.35).

Ao aproximar-se do Senhor com uma oferta queimada, o crente hebreu mostrava, através desse rito, a sua disposição de entregar, não somente a vítima ao Senhor, como também a si mesmo. O Salmo 51 revela tal voluntariedade no Rei Davi.

Todos esses holocaustos prefiguravam a vinda de Jesus Cristo, o sacrifício vicário perfeito.

III. JESUS, O HOLOCAUSTO PELO PECADO

Os primeiros cristãos compreendiam a morte de Jesus como sacrifício pelo pecado, graças ao Antigo Testamento e ao pano de fundo do judaísmo contemporâneo.

1. O sacrifício da nova aliança.
A morte de Jesus representou o ponto culminante e final da aliança com Israel (Rm 10.4) e introduziu uma nova e melhor aliança. A velha aliança, que incluía o sistema sacrificial, fora feita com a intenção de limpar Israel de seu pecado de forma que pudessem demonstrar às nações o que representava viver em comunhão íntima com Deus. Contudo, ao longo de toda a história, o povo de Deus lutara para ficar em comunhão com o Senhor, mas, vez após vez, fora devastado pelo pecado e suas consequências.

O escritor de Hebreus compreendeu o significado profundo da morte de Jesus. Jesus — de forma distinta dos sacrifícios do Templo que foram oferecidos vez após vez, porque jamais deixavam o adorador limpo —, “uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26). Jesus era a realidade da expiação da qual todos os sacrifícios do Antigo Testamento não passavam de sombras e antecipações (“as figuras das coisas que estão no céu”, Hb 9.23). A morte sacrificial introduziu um novo relacionamento na aliança com Deus.

2. O sacrifício universal.
O sacrifício de Jesus, como parte da nova aliança, não era só para Israel, mas para o mundo todo. João Batista dissera, recordando a imagem do Dia da Expiação, que Jesus era “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Certamente, Ele fora crucificado como resultado direto do pecado daqueles que o rejeitaram; mas, em um sentido profundo, morrera com o peso de todo o pecado do mundo sobre seus ombros.

3. O sacrifício libertador e purificador.
Como Jesus explicou aos discípulos na última ceia, Ele estava indo para a morte para trazer o perdão dos pecados (Mt 26.28). Suportaria a agonia devastadora das consequências verdadeiras do pecado em seu próprio corpo, para que outros não tivessem de fazer isso. No momento em que morreu, o véu no Lugar Santíssimo no Templo foi rasgado em dois (Mt 27.50,51).

O caminho para a comunhão e nova vida com Deus — o caminho que estivera bloqueado pelo pecado — agora fora aberto para todos (Ef 2.18; Hb 10.19,20; 1ª Pe 3.18). Mas também, conforme retratado pelo Dia da Expiação, o poder purificador de Deus se estenderia para fora do Templo, alcançando o mundo todo. Por intermédio de Jesus, todos podem ser limpos e purificados, de forma que podem adorar a Deus com a vida que Ele sempre quis para nós (Hb 9.14).

A morte de Jesus como sacrifício pelo pecado permite que uma magnífica e graciosa troca aconteça: Ele leva nosso pecado para que possamos compartilhar de sua justiça (2ª Co 5.21; Rm 3.21-26).

4. Holocausto Levítico, uma tipologia de Cristo.
4.1. Cristo ofereceu-se como Cordeiro sem defeito.
4.2. Cristo fez expiação por nós.
4.3. A pessoa do ofertante era substituída pelo animal sacrificado, sendo esse um dos aspectos da expiação.
4.4. O sacrifício franqueava o acesso a Deus (Hb 9.11-14; 10.5-7).
4.5. As ofertas eram voluntárias, aceitáveis ao Senhor (Lv. 1.3-5).

CONCLUSÃO
Esta lição faz-nos refletir sobre o sacrifício perfeito de Jesus Cristo. Ele morreu eficazmente por mim e por você. Por essa razão, temos de viver uma vida de santidade e pureza. Somente assim, seremos vistos pelo Pai Celeste como fiéis testemunhas do Evangelho. Não podemos ignorar o sacrifício de Cristo. Se o fizermos, sobre nós recairá o justo e esperado juízo de Deus (Hb 10.26,27).

FONTE DE PESQUISA. 
Jesus, o Holocausto Perfeito, Lições Bíblicas 3° trimestre de 2018, Adultos – CPAD|


sábado, 18 de agosto de 2018

A FESTA DOS TABERNÁCULOS





Dentre as três grandes festas comandadas por Deus, a Festa dos Tabernáculos é a de maior significado profético para nós cristãos. É comemorado no décimo-quinto dia do mês de Tishri, duas semanas após Rosh Hashanah e, usualmente, cai final de Setembro ou princípio de Outubro.

I. SIGNIFICADO HISTÓRICO

“Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Aos quinze dias deste mês sétimo será a Festa dos Tabernáculos ao Senhor, por sete dias. Ao primeiro dia haverá santa convocação: nenhuma obra servil fareis. Sete dias oferecereis oferta queimada ao Senhor; no dia oitavo tereis santa convocação, e oferecereis ofertas queimadas ao Senhor; é reunião solene, nenhuma obra servil fareis. São esta as festas fixas do Senhor, que proclamareis para santas convocações, para oferecer ao Senhor oferta queimada, holocausto e oferta de manjares, sacrifícios e libações, cada qual em seu dia próprio; além dos sábados do Senhor, e das vossas dádivas, e de todos os vossos votos, e de todas as vossas ofertas voluntárias que dareis ao Senhor. Porém aos quinze dias do mês sétimo, quando tiverdes recolhido os produtos da terra, celebrareis a festa do Senhor por sete dias; ao primeiro dia, e também ao oitavo, haverá descanso solene. No primeiro dia tomareis para vós outros fruto de árvores formosas, ramos de palmeira, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e, por sete dias, vos alegrareis perante o Senhor, vosso Deus. Celebrareis esta como festa ao Senhor por sete dias cada ano; é estatuto perpétuo pelas vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis. Sete dias habitareis em tendas de ramos; todos os naturais em Israel habitarão em tendas; para que saibam que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito: Eu sou o Senhor vosso Deus”. (Levítico 23.33-43).

A festa dos Tabernáculos ou Festa da Colheita era originalmente uma festa agrícola, assim como a Páscoa e Pentecoste. Apesar disso Deus lhe atribui um significado histórico: a lembrança da peregrinação pelo deserto e o sustento pelo Senhor. A fragilidade das tendas que o povo construía era uma lembrança da fragilidade do povo quando peregrinava os 40 anos no deserto a caminho da Terra Prometida.

A palavra “tabernáculo” origina-se da palavra latina “tabernaculum” que significa “uma cabana, um abrigo temporário”. No original hebraico a palavra equivalente é Sucá, cujo plural é Sucot.

A Festa dos Tabernáculos durava uma semana e durante este período habitavam em tendas construídas com ramos.

1. É um tempo de regozijo e ação de graça.

Posteriormente, na história judaica, a Páscoa, Pentecoste e a Festa dos Tabernáculos são chamadas no calendário judaico de Festas de Peregrinos, porque nestas três festas era exigido que todo homem judeu fizesse uma peregrinação até o Templo de Jerusalém. Nestas ocasiões o povo trazia os primeiros frutos da colheita da estação ao Templo, onde uma parte era apresentada como oferta a Deus e o restante usado pelas famílias dos sacerdotes. Somente após essa obrigação ser cumprida era permitido usar a colheita da estação como alimento.
A ordenança de Deus para que o povo habitasse em tendas traz conotações de caráter moral, social, histórico e espiritual. Os rabinos falam da sucá como um símbolo de proteção divina. Em momentos de aflição pedimos ao Todo-Poderoso que nos “abrigue em sua tenda” (Salmo 27.5). A sucá é um chamado contra a vaidade e um apelo à humanidade. Mesmo o mais poderoso dos homens deve viver durante sete dias numa habitação primitiva e modesta, conscientizando-se da impermanência das posses materiais. Mais ainda, deve compartilhar essa moradia com todos os desprivilegiados a seu redor: “seus servos, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estiverem dentro dos seus portões”. (Deuteronômio 16.14).

Por ser pequena, sem compartimentos a sucá obriga seus moradores a se aproximarem, física e afetivamente, e talvez os inspire a se manterem mais unidos nos outros dias do ano.

De acordo com a Lei, a cobertura da sucá deve ser feita de tal forma que através dela se possam ver as estrelas. Resulta um teto pelo qual se infiltram a chuva e o vento, mas pelo qual também penetra a luz do sol. A sucá é o modelo de um verdadeiro lar: sem uma estrutura sofisticada, sem decoração luxuoso, mas cheia de calor, tradição e santidade. Um lar deve ter espiritualidade, deve ter uma vista para o céu.

A sucá é um abrigo temporário, improvisado, construído às pressas. E, no entanto, ela é um símbolo de permanência e continuidade. É tão frágil, tão precária, tão instável e, no entanto, sobreviveu a tantos impérios, tantas revoluções porque na verdade seu sustento é divino. É somente o Senhor quem nos pode sustentar!

A sucá é uma construção rústica cuja cobertura é feita de produtos da terra – fácil de se obter. Inclui ramos, arbustos, palha e mesmo ripas de madeira. Frutas, vegetais e outros alimentos não são usados.

O povo judeu tomou as palavras de Deus em Levítico 23 “habitareis” em seu sentindo literal. Eles interpretaram a palavra “habitar” como significando que se devia comer e dormir na sucá, e não apenas construí-la. Nenhuma bênção é recitada quando se constrói a sucá, pois a ordem fundamental é “habitar” na sucá e não meramente construí-la. Uma bênção é recitada imediatamente antes de comer e dormir na sucá.

O uso de quatro espécies de plantas é prescrito em Levítico 23.40: “…tomareis fruto de árvores formosas, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros de ribeira…”
A Bíblia não especifica com precisão quais as espécies de árvores e frutas devem ser usadas. As autoridades judaicas deduziram e a tradição consagrou que “a fruta de árvore formosa” significa a cidra (etrog); “ramos de palmeiras” seriam ramos da tamareira (lulav); “ramos de árvores frondosas” referindo-se ao mirto (hadassim); e “salgueiros de ribeira” ao familiar salgueiro (aravot). Essas quatro espécies formam o molho de sucot que seguramos e abençoamos em cada dia da semana durante a Festa dos Tabernáculos.

Diariamente, durante a semana de sucot (exceto no Shabat), pegamos na mão direita as três espécies de ramos, na mão esquerda a cidra, recitamos uma bênção, em seguida juntamos as mãos e agitamos o molho para todos os lados, para cima e para baixo – manifestando nossa alegria e indicando que a presença de Deus está em toda a parte.

2. A Festa dos Tabernáculos tinha dois aspectos distintos na época do Templo. Uma parte da festa era consagrada ao louvor e ações de graça. O toque das trombetas convocava o povo, que se postava nas ruas para assistir à marcha dos sacerdotes que iam ao tanque de Siloé, enchiam uma vasilha de prata de água e depois rumavam para o templo e a derramavam no altar. Era um cortejo glorioso de sacerdotes vestidos de branco, instrumentos musicais, corais. Os levitas se faziam acompanhar por músicos em instrumentos de corda, sopro e percussão durante a recitação dos Salmos 113 a 118 – (Hallei) especialmente as palavras messiânicas do Salmo 118, versos 25 e 26: “Ó Senhor, salva, Te pedimos! Ó Senhor, nós te pedimos, envia-nos a prosperidade. Bendito aquele que vem em nome do Senhor”.

Esse ritual de derramamento de água simbolizava ações de graça pela chuva que possibilitou a colheita do ano. Orações por mais chuva eram feitas para possibilitar a colheita da próxima estação.

3. Esse ritual simbolizava também a alegria espiritual e salvação.

A cada dia, durante o período da Festa, os sacerdotes rodeavam o grande altar de sacrifícios, uma vez, agitando suas palmeiras em todas as direções. Os ramos eram seguros juntos na mão direita, e a cidra, na mão esquerda.

No sétimo dia, chamado “Hoshana Rabbah” que significa “A grande Salvação”, os sacerdotes rodeavam o altar sete vezes, recitando o Salmo 118.

Durante os sete dias de sucot, o grande altar de sacrifício recebia um número de sacrifício maior do que em qualquer outra festa: 70 novilhos, 14 carneiros, 98 cordeiros e 7 bodes (Números 29.12-34).

Em relação aos 70 novilhos o Talmud ensina que “as setenta nações do mundo são representadas nas ofertas de expiação de Israel”.

Segundo ponto alto das comemorações eram os festejos. À noite, as multidões festejavam com banquetes e ainda cantavam e caminhavam pelas ruas portando tochas. Eram também colocadas tochas que iluminavam o átrio do Templo. Nesses momentos demonstravam sua gratidão a Deus desfrutando as boas coisas da vida e o prazer de gozarem a companhia uns dos outros.

Foi a essa festa que os irmãos de Jesus se referiram quando insistiram com Ele para que seguisse para Jerusalém (Jo 7.1-9). O Senhor rebateu suas palavras sarcásticas, mas depois, ocultamente, foi para Judéia. Durante a Festa, Ele deu ensinamentos e sofreu dura oposição por parte dos fariseus. Foi nessa ocasião que chamou os que tivessem sede para irem a ele e beber (Jo 7.37). Isso pode ter sido uma referência à água derramada no altar durante a Festa.

II. O SIGNIFICADO PROFÉTICO

A Festa dos Tabernáculos tem um significado profético.

O profeta Amós, antevendo a vinda do Messias, escreveu: “Naquele dia levantarei o tabernáculo caído de Davi, repararei as suas brechas, e, levantando-o das suas ruínas restaurá-lo-ei como fora nos dias da antiguidade”. (Amós 9.11).

O povo judeu ainda hoje aguarda a vinda do Messias. A preservação misteriosa de Israel pode ser para o cumprimento do propósito de Deus de Israel se tornar o “tabernáculo de Davi, seu Rei”.

Judeus e gentios podem ser incorporados à casa ou família de Deus e assim tornar-se Seu tabernáculo – Seu lugar de moradia com a aceitação do Messias. Devemos lembrar que Deus já havia feito provisão para a inclusão dos gentios crentes dentro da aliança mosaica “a mesma lei haja para o natural (israelita) e para o forasteiro (gentio) que peregrinar entre vós”. (Êxodo 12.49).

O profeta Zacarias predisse que na era messiânica: “Todos os que restarem de todas as nações que vieram contra Jerusalém, subirão de ano em ano, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, e para celebrar a Festa dos Tabernáculos”. (Zacarias 14.16-21).

O profeta Miquéias profetizou: “… uma nação não levantará contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra”. (Miquéias 4.3).

A Festa dos Tabernáculos fala da alegria do Messias tabernaculando em nosso meio. É época de regozijo, de plenitude.

Podemos ver também Jesus, nosso Messias, tipificado no ritual do derramamento da água. No evangelho de João, capítulo 7, temos um relato da Festa dos Tabernáculos que foi a última que Jesus participou.

Podemos imaginar a cena grandiosa: o grande cortejo de sacerdotes vestidos de branco, os levitas, os instrumentos, o derramamento da água no altar… e Jesus, em pé, nas sombras das grandes colunas do templo observando. Ele, o Eterno, o Filho de Deus, o Logos, a Palavra Viva que se fez carne, Aquele quem falou através da Lei dada no Monte Sinai para que se observasse a Festa dos Tabernáculos. Agora Ele estava ali, em pessoa, vendo a observância de uma ordenança Sua.

Assim que o cortejo passou com o clamor nos lábios do Salmo: “Ó Senhor, salva, Te pedimos…” Jesus se levanta e sua voz explode num grito carregado de misericórdia: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em Mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva”. (Jo 7.37-38).

Ali estava em pessoa Aquele de quem os profetas haviam falado. Ele era o cumprimento de todas as promessas. O Messias veio e tabernaculou entre nós (Jo 1.14).

“Ah! Todos vós os que tendes sede, vinde às águas; e vós os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e azeite. Porque gastais o dinheiro naquilo que não é pão: e o vosso suor naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom, e vos deleitareis com finos manjares. Inclinai os vossos ouvidos, e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis promessas a Davi”. (Isaías 55.1-3).

Através de Seu Espírito que seria derramado em vasos humanos Deus promete tirar de nós o coração de pedra e nos dar uma nova natureza.

“Porque derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção sobre os teus descendentes”. (Isa 44.3).

“O Senhor te guiará continuamente, fartará a tua alma até em lugares áridos, e fortificará os teus ossos; serás como um jardim regado, e como um manancial, cujas águas não faltam”. (Is 58.11).

“E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões. Até sobre vossos servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias. Mostrarei prodígios no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumo. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e temível dia do Senhor. E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no Monte Sião e em Jerusalém estarão os que forem salvos, assim como o Senhor prometeu, e entre os sobreviventes aqueles que o Senhor chamar”. (Joel 1.28-32).

RESUMO PROFÉTICO DA FESTA DE TABERNÁCULO

PARA OS CRENTES EM YESHUA, JESUS O MESSIAS:

“O verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). A palavra “habitou” no grego é “Skeneseii” e significa tabernaculou entre nós. Isto é, Jesus veio na sua 1ª. vinda para fazer morada no coração daquele que confessa e o recebe como Senhor e Salvador!

O centro da Festa de Tabernáculo é Jesus, o Messias. Chegará sua 2ª. vinda, quando se cumprirá integralmente o profeta Zacarias (cap. 14.16-21).

Todas as nações, todos os anos, subirão a Jerusalém para celebrarem a Festa de Tabernáculo com o dono da Festa, o Rei Jesus.

É interessante notar no texto de Jo 7.37-38, quando Jesus deixou para falar no último dia da festa, o sétimo dia, que era o ápice da comemoração, sobre a tremenda e gloriosa mensagem que Ele era a Fonte Eterna de água viva, na qual ninguém teria mais sede. O sétimo dia é também um sinal do milênio. Podemos imaginar com base na tradição judaica em se jogar água sobre o altar de sacrifício do Templo, simbolizando não só a purificação, mas também as preces para que houvesse abundância de chuvas no ano novo.

A Bíblia diz que Yeshua clamou, isto é, gritou em alta voz: “Se alguém tem sede venha a mim e beba”. Isto é, Ele é o verbo, a Palavra-viva. Paulo em Efésios 5.25 diz que a Igreja, que somos nós, precisamos ser sem rugas e defeito por meio da lavagem de água que é a Palavra de Deus, Jesus.

É lindo poder entender e receber estas revelações.

Yeshua prepara sua noiva pela “lavagem de água, pela Palavra”.

A Festa de Tabernáculo é, portanto, momento de grande alegria para o Corpo do Messias, Yeshua tabernaculando em nós; Yeshua vindo como Rei para os Judeus e as nações, Jesus reinando por 1000 (mil) anos com a sua Igreja.

Urge que a Igreja de Yeshua HaMashiach tome posse do Espírito da Palavra, do contexto da relação Israel x Igreja, do tempo de Deus que corre paralelo a ambos.

Urge que o Corpo do Messias se aproxime com profundo amor pelo conhecimento das Escrituras, como um livro escrito por judeus no contexto e nas tradições do povo judeu. Yeshua é judeu, viveu com um judeu zeloso com a lei e continuará sempre judeu. Ele é o mesmo, o Eterno, o de ontem, de hoje e o de sempre.

Hag Sucot Sameach!
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A SOBRIEDADE NA OBRA DE DEUS




Lv 10.8 “E falou o SENHOR a Arão, dizendo: 9 Vinho ou bebida forte tu e teus filhos contigo não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações, 10- para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo, 11- e para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes tem falado pela mão de Moisés.”

1ª Tm 3.1-3 “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. 2- Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; 3- não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento.”

Nesta lição veremos a trágica história de Nadabe e Abiú, filhos do sumo sacerdote Arão. Embora cientes de sua responsabilidade, eles não temeram entrar no lugar santo para oferecer fogo estranho ao Senhor. Por causa disso, Deus os fulminou ali mesmo, diante do altar do incenso.

O que os levou a agir de maneira tão irreverente e profana? Pelo contexto da narrativa sagrada, podemos concluir que ambos estavam embriagados (cf. Lv 10.8,9). Por isso, profanaram insolentemente a glória divina.

Guardemo-nos, pois, do álcool, das drogas e de outros vícios igualmente nocivos e destruidores. O ministro cristão tem de ser um exemplo de temperança, sobriedade e domínio próprio.

O nosso assunto de hoje e “o uso do Vinho” e a Bebida forte (Lv 10. 8-11; Pv 20.1). Em Levítico, essa é a única ocasião em que Deus fala diretamente a Arão, portanto deve tratar-se de uma ordem importante. Não era permitido aos judeus beber vinho ou bebida forte, mas foram advertidos da bebedice e do pecado que, com frequência, a acompanha (Pv 20.1; 23.20,29-31; Is 5.11; Hc 2.15). Os que servem ao Senhor têm de ser um exemplo para os outros e estar cheios do Espírito, não de vinho (Ef 5.18). Eles devem evidenciar a diferença entre o santo e o profano por meio dos ensinamentos e do exemplo (veja Ez 22.26; 42.20; 44.23; 48.14-15). O Novo Testamento segue essa mesma abordagem (Rm 14.14-23).

Nas Sagradas Escrituras, o vinho, juntamente com o pão e o azeite, é visto como bênção de Deus (Os 2.22). Aliás, o vinho era usado até mesmo como remédio (Lc 10.34). No entanto, o seu mau uso levou homens santos a cometerem escândalos, torpezas e até crimes, haja vista os casos de Noé, Ló e Davi.

I. DEFINIÇÃO DE SOBRIEDADE

1. Definição etimológica da palavra sobriedade. Segundo o dicionarista Antônio Houaiss (2001, p. 2594), sobriedade é: “qualidade, condição ou estado de quem é sóbrio; moderação no comer ou beber; estado ou condição de quem não se encontra intoxicado por bebida alcoólica; temperança; equilíbrio, prudência; seriedade; caráter sereno; recatado”.

2 Definição exegética da palavra sobriedade. As expressões gregas “nephalios, nephomen, nephalioi” referem-se à sobriedade e também são usadas para identificar uma vida abstêmia (pessoas que não ingerem bebidas alcoólicas), moderada e equilibrada (1ª Ts 5.6-8 ver ainda Rm 12.3; 1ª Tm 1.5; 2ª Tm 1.7). O termo “nepho” significa “ser livre da influência de agentes tóxicos”. O adjetivo “nephalios” foi usado por autores contemporâneos de Paulo como Filo e Josefo para denotar abstinência ao vinho. O termo no grego é “sophron” denotando: “equilíbrio, autodomínio, moderação, prudência” (VINE, 2002, p. 997).

II. O VINHO NA HISTÓRIA SAGRADA

1. O AT e o vinho fermentado. O vinho fermentado (alcoólico) no hebraico é chamado de “yayin”, palavra comum para vinho envelhecido e, portanto, intoxicante. O uso deste vinho sempre foi motivo para práticas ilícitas (Gn 9.20-29; 19.31-38). Por isso, o sacerdote deveria afastar-se da bebida alcoólica (Lv 10.9-11). O AT mostra oito casos de embriaguez com esta bebida que terminaram em desastre familiar: Noé (Gn 9.21); Ló (Gn 19.32-35); Nadabe e Abiú (Lv 10.1-11); Nabal (1ª Sm 25.36,37); Urias (2º Sm 11.13); Amnon (2º Sm 13.28); Belsazar (Dn 5.1-3); e Assuero (Et 1.1-10). Salomão descreve os efeitos físicos imediatos desta bebida como: brigas, ferimentos, ais e tristezas (Pv 23.29-35). Em outro lugar, se refere ao vinho como produzindo pobreza (Pv 21.17), violência (Pv 4.17), alvoroço (Pv 20.1), e falta de santidade (Dn 1.8). Isaías adiciona que ele engana a mente (Is 28.7), inflama uma pessoa, e conduz ao esquecimento de Deus (Is 5.11, 12), e ainda associa o vinho com a aceitação de suborno (Is 5.22,23). Amós combina-o com a profanação (Am 2.8) (STAMPS, 1995, p. 241).

2. O AT e o vinho não fermentado. Outra palavra é “tirosh”, com o significado de “vinho novo”, refere-se à bebida exclusivamente não-fermentada ou suco novo da uva (Dt 11.14; Pv 3.10; Ec 9.7; Jl 2.24). Esta palavra aparece cerca de 38 vezes no AT sempre referindo-se ao vinho não-fermentado, onde “tem benção nele” (Is 65.8). Nas Sagradas Escrituras, este tipo de vinho, com o pão e o azeite, é visto como bênção de Deus (Os 2.22). A Bíblia faz uma referência quanto ao uso deste vinho pelos sacerdotes (Is 25.6; 27.2). Em sua oferta de manjares ao Senhor, os israelitas faziam-lhe também a libação de um quarto de him de vinho (Êx 29.40; Lv 23.13; Nm 15.10). Vários textos que se referem a “tirosh” como o produto da vide (Mq 6.15; Is 65.8; Pv 3.10; Jl 2.24; Mq 6.15; Os 9.2). Só um texto sugere que “tirosh” pode produzir fermentação (Os 4.11)(STAMPS, 1995, p. 241).

3. A embriaguez de Noé. Após o Dilúvio, Noé voltou-se ao ofício de lavrador, e pôs-se a plantar uma vinha (Gn 9.20). E, após ter preparado o seu vinho, bebeu-o até embriagar-se. Já fora de si, desnudou-se, expondo-se vergonhosamente em sua tenda (Gn 9.20-29). A intemperança do patriarca trouxe-lhe sérios problemas familiares.

O álcool foi capaz de transtornar até mesmo um dos três homens mais piedosos da História Sagrada (Ez 14,14). É por isso que devemos precaver-nos quanto aos seus efeitos (Pv 20.1; 23.31).

4. A devassidão das filhas de Ló. Dizendo-se preocupadas com a descendência do pai, as filhas de Ló embebedaram-no em duas ocasiões (Gn 19.31,32). Em seguida, tiveram relações com o próprio pai, gerando dois povos iníquos (Gn 19.33-38). Quem se entrega ao vinho está sujeito a dissoluções como essa (Ef 5.18). Um servo de Cristo não pode cair nessa situação.

5. O vinho como instrumento de corrupção. Para encobrir o seu adultério com Bate-Seba, o rei Davi convocou Urias, que estava na frente de batalha, embriagou-o, e induziu-o a deitar-se com a esposa adúltera e já grávida (2º Sm 11.13). Se o seu plano houvesse dado certo, aquela criança ficaria na conta de Urias, o heteu.

A que ponto chega um homem fora da orientação do Espírito Santo. O rei de Israel usou o vinho para corromper um de seus heróis mais notáveis. Nossas atitudes devem sempre ser dirigidas pelo Espírito Santo.

III. O OBREIRO “NÃO DADO AO VINHO” (1ª Tm 3.3)

Esta expressão (gr. me paroinon, formada de me, que significa “não”, e parainon, palavra composta que significa literalmente “ao lado do vinho”, “perto de vinho” ou “com vinho”).

Em 1ª Timóteo 3.3, a Bíblia requer que nenhum pastor ou presbítero fique “sentado ao lado do vinho” ou “esteja com vinho”. Noutras palavras, não deve beber vinho embriagante, nem ser tentado ou atraído por ele, nem comer e beber com os ébrios (Mt 24.49).

1. A abstinência do vinho.

1.2. Pela liderança do Antigo Testamento. A abstinência total de vinho fermentado era a regra para reis, príncipes e juízes, no Antigo Testamento (Pv 31.4-7). Era, também, a regra para todos que buscavam o mais alto nível de consagração a Deus (Lv 10.8-11; Nm 6.1-5; Jz 13.4-7; 1º Sm 01.14,15; Jr 35.2-6; Pv 23.31).

1.3. No deserto, os israelitas não bebiam vinho (Dt 29.6). Não usavam vinho na Páscoa (Êx 12.8-10), pois o vinho fermentado contém fermento, e o fermento era proibido. Mais tarde, introduziram o vinho na cerimônia. Isso não foi ordenado por Deus.

Os sacerdotes não podiam beber quando estavam servindo no templo (Lv 10.8-10). Será que os cristãos de hoje, os sacerdotes do Novo Testamento (1ª Pe 2.5,9), deveriam ter um padrão tão baixo quando servimos ao Senhor todos os dias?

Encontramos no Antigo Testamento alguns caso de embriaguez e as consequências dela.

Vejamos esses exemplos de Embriaguez.

a. Noé – Gn 9.20,21

b. Ló – Gn 19.30-38

c. Nabal – 1Sm 25.36

d. Elá – 1Rs 16.8-10

e. Bem-Hadade – 1Rs 20.16-21

f. Efraim – Is 28.7

g. Belsazar – Dn 5

h. Nínive – Na 1.10

1.4. Os profetas do Antigo Testamento bradavam contra as bebidas fortes. Habacuque 2.15 amaldiçoa os que dão bebida para o companheiro. (veja Isaías 5.11-22).

1.5. Amós condena os judeus desocupados que bebem vinho em vasilhas porque os cálices são muito pequenos (6.3-6).

1.6. Pela liderança e os liderados do Novo Testamento. Aqueles que dirigem a igreja de Jesus Cristo certamente não devem adotar um padrão aquém do que vai aqui. Além disso, todos os crentes da igreja são chamados sacerdotes e reis (1ª Pe 2.9; Ap 1.6) e, como tais, devem viver à altura do mais alto padrão de Deus (Jo 2.3; Ef 5.18; 1ª Ts 5.6; Tt 2.2).

O pastor deve ensinar a abstinência total? O que a Bíblia ensina? Existem 626 versículos na Bíblia que falam contra a embriaguez e a ingestão de bebidas alcoólicas (Pv 29.1; 23.29-35; Is 5.11-14,22,23; 28.3,7; Os 3.1; 4.11; 7.5; Am 2.8; Ef 5.18; Gl 5.21; (Lv 10.8-11; Pv 31.4,5).

O Novo Testamento, ensina claramente que nosso corpo é o templo do Espírito Santo, e não deve ser contaminado (1ª Coríntios 6.12-20). O apóstolo Paulo também avisou que a pessoa não pode se expor ao perigo da tentação usando descuidadamente a liberdade; a evasão deliberada habitualmente é a melhor defesa (1ª Coríntios 10.1-12). Beber moderadamente apresenta para alguns a tentação de beber excessivamente; portanto, “aquele que pensa que está firme, cuidado que não caia”. O crente deve fugir da tentação. Além do mais, o exemplo de um crente que bebe pode ser tropeço para um irmão fraco. “E assim, pela consciência perecerá o irmão fraco, por quem Cristo morreu” (1ª Coríntios 8.11).

Os japoneses têm um provérbio: “Primeiro o homem toma um drinque; depois o drinque toma um drinque; a seguir, o drinque toma o homem”. Qual é o rumo certo a adotar? Recuse o primeiro drinque e continue recusando-o pelo resto da vida. O indivíduo começa bebendo socialmente, depois diariamente e, por fim, se toma um alcoólatra. Embora se esforce para abandonar o vício, a bebida o prende como se ele estivesse algemado.

Paulo aconselha: “Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão não tropece, ou que se escandalize, ou que se enfraqueça” (Rm 14.21). Mais vale a preservação de uma alma imortal do que todo o prazer que os homens possam desfrutar bebendo. Convém que os crentes se abstenham completamente do álcool.

1.8. A recomendação da abstinência total. “Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente (Pv 23.31)”.

Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho. Estas palavras não sugerem moderação, mas abstinência total de bebidas inebriantes. É impossível que alguém sofra as consequências da embriaguez e os tormentos do alcoolismo a não ser que beba.

2. Cheio do Espírito Santo. “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito (Ef 5.18)”.

Em Ef 5.18, escrevendo para um povo muito dado ao vinho e que venerava “Baco” (o “deus do vinho” para os gregos) ou “Dionísio” (o “deus do vinho” para os romanos), Paulo aconselha os crentes em Cristo, dizendo: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito”. O crente em Jesus Cristo substitui o vinho pelo gozo do Espírito (Gl 5.22). Em Ec 10.19, Salomão disse que “o vinho alegra a vida”. O crente, porém, substitui a alegria momentânea do vinho pela alegria permanente do Espírito Santo (At 13.52).

2.1. Não vos embriagueis com vinho. A declaração de Paulo no versículo 18, demonstra que a plenitude do Espírito Santo depende do modo como o crente corresponde à graça que lhe é dada para viver em santificação.

Isso quer dizer que a pessoa não pode estar "embriagada com vinho" e, ao mesmo tempo, “cheia do Espírito”. Paulo adverte todos os crentes a respeito das obras da carne; que os que cometem tais coisas "não herdarão o reino de Deus" (Gl 5.19-21; Ef 5.3-7). Além disso, "os que cometem tais coisas" (Gl 5.21) não terão a presença interior do Espírito Santo, nem a sua plenitude. Noutras palavras, não ter "o fruto do Espírito" (Gl 5.22,23) é perder a plenitude do Espírito (Ef 5.18; At 8.21).

2.2. Enchei-vos do Espírito. “Enchei-vos” (imperativo passivo presente) tem o significado, em grego, de “ser enchido repetidas vezes”. A vida espiritual do filho de Deus deve experimentar a renovação constante (Ef 3.14-19; 4.22-24; Rm 12.2), mediante enchimentos repetidos do Espírito Santo.

O cristão deve ser batizado no Espírito Santo após a conversão (ver At 1.5; 2.4), mas também deve renovar-se no Espírito repetidas vezes, para adoração a Deus, serviço e testemunho (At 4.31-33).

Experimentamos enchimentos repetidos do Espírito Santo quando mantemos uma fé viva em Jesus Cristo (Gl 3.5), estamos repletos da Palavra de Deus (Cl 3.16), oramos, damos graças e cantamos ao Senhor (1 Co 14.15; Ef 5.19,20), servimos ao próximo (Ef 5.21) e fazemos aquilo que o Espírito Santo quer (Rm 8.1-14; Gl 5.16; Ef 4.30; 1ª Ts 5.19).

Alguns resultados de ser cheio do Espírito Santo são:

A. Falar com alegria a Deus, em salmos, hinos e cânticos espirituais (Ef 5.19),

B. Dar graças (Ef 5.20).

C. Sujeitar-nos uns aos outros (Ef 5. 21).

Paulo adverte os cristãos de não fazerem nada que leve seus irmãos tropeçarem (Rm 14.19-21; 1ª Co 8.13). Paulo contrasta o encher-se do Espírito e o embriagar-se (Ef 5.18) e, em Gálatas 5.21, enumera a embriaguez como uma obra da carne.

Pedro ensina os cristãos a se “abster (em) das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma” (1ª Pe 2.11), e, já que a embriaguez é uma concupiscência da carne (Gl 5.21), a abstinência total é a melhor maneira de obedecer a essa admoestação. Como a pessoa começa a vida de embriaguez? Ao tomar o primeiro drinque.

3. Um Retrato da Embriaguez (Pv 23.29-35). Em Provérbios 23.29-35, o sábio pinta com traços inesquecíveis o retrato de um bêbado – imoral, insensível e irresponsável. Ao observarmos este retrato, algumas perguntas precisam ser feitas.

Se o uso de vinhos mais suaves, com baixo teor alcoólico, na época daquela cultura primitiva causou esse tipo de misérias, quem pode estimar as consequências trágicas do uso de bebidas destiladas com elevado teor alcoólico em uma sociedade que pulsa com as tensões de uma cultura complexa e que corre na velocidade da era do jato?

Se o sábio falou com tanta intensidade contra a embriaguez dos seus dias, qual seria a atitude dele com relação à sociedade dos dias de hoje que bebe tanto e produz milhões de alcoólatras?

Se o Escritor de Provérbios (23.29-35), considerava a embriaguez tão prejudicial na sua época de viagens e transporte não motorizados, o que ele diria sobre o álcool e sua responsabilidade na carnificina dos acidentes automobilísticos do nosso transporte moderno de alta velocidade?

4. Uso medicinal do vinho. Primeira a Timóteo 5.23 refere-se ao uso medicinal do vinho em uma época em que os médicos não tinham remédios modernos. Dizer que temos o direito de tomar álcool, porque é usado em alguns remédios, é tão razoável quanto dizer que podemos usar morfina, ou algum outro narcótico, porque o dentista ou o cirurgião a usa em seus pacientes.

O vinho indicado por Paulo a Timóteo era curativo, ou seja, para purificação e tratamento da água.

IV. JESUS E O MILAGRE DO VINHO

Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo, E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho (Jo 2.7-10).

1. O vinho de Jesus não era fermentado (Alcoólico). O que lemos em João 2.1-11, não dá a entender que o vinho que Cristo fez era embriagante. Era vinho novo, e vinho novo nunca embriaga. Não dá a entender que o Senhor fez álcool, o qual é produto de morte e de corrupção. Ele produziu um vinho novo, não contaminado por fermentação. Não fez uma bebida para alguém se embriagar, mas livrou a festa do desastre quando a supriu como um refresco sadio, puro e sem álcool.

1.1. O vinho como metáfora de Jesus. Em outro lugar, Jesus usou o vinho como metáfora para indicar coisas novas. Por exemplo, em Mateus 9.17 Jesus usou o vinho novo e os odres novos para falar de uma coisa nova que Ele estava fazendo.

2. O tipo de Vinho do Milagre de Jesus, o “Vinho Bom” (Jo 2.10). No relato do milagre do vinho, é mencionados dois tipos de vinho: o bom e o inferior. Notemos que o adjetivo grego traduzido “bom” (Jo 2. 10), é kalos, que significa “moralmente excelente ou apropriado”.

O vinho “bom” era o vinho mais doce, vinho este que podia ser bebido livremente e em grandes quantidades sem causar danos (Isto é, vinho cujo conteúdo de açúcar não fora destruído através da fermentação). Já o vinho "inferior" era aquele que fora diluído com muita água.

O escritor romano Plínio afirma expressamente que o "vinho bom", chamado sapa, não era fermentado. Sapa era suco de uva fervido até diminuir um terço do seu volume a fim de aumentar seu sabor doce.

III. MINISTROS CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO

Tendo em vista os exemplos lamentáveis e vergonhosos da História Sagrada, o Novo Testamento faz-nos severas advertências quanto ao uso do vinho.

1. Recomendações aos ministros. O candidato ao Santo Ministério, na Igreja Primitiva, não podia ser um homem escravizado pelo vinho (1ª Tm 3.3,8; Tt 1.7). Não se pode confiar o rebanho de Jesus Cristo a alguém dominado pela embriaguez. Quem governa tem de abster-se das bebidas alcoólicas (Pv 31.4).

2. Recomendações à Igreja. A recomendação quanto aos prejuízos decorrentes do vinho não se limita aos ministros do Evangelho. Ela diz respeito, também, a toda a Igreja. Portanto, que o verdadeiro cristão, afastando-se do vinho, busque a plenitude do Espírito Santo (Ef 5.18). A embriaguez não é um mero adorno cultural; é algo sério que tem ocasionado graves transtornos à Igreja de Cristo.

3. Ministros usados pelo Espírito Santo. No dia de Pentecostes, o Espírito Santo foi generosamente derramado sobre os discípulos (At 2.1-4). De início, eles foram tidos como bêbados (At 2.13). Mas, após o sermão de Pedro, todos vieram a conscientizar-se de que eles falavam e operavam no poder de Deus (At 2.40,41).

Na sequência de Atos, deparamo-nos com os apóstolos e discípulos proclamando o Evangelho sempre no poder do Espírito Santo (At 4.8,31; 7.55; 13.9,10).

Quanto ao uso do vinho, sigamos o exemplo dos recabitas. Voluntariamente, abstinham-se de qualquer bebida forte para que a aliança de seus ancestrais permanecesse firme (Jr 35.6-10). E, por causa de sua fidelidade, foram honrados pelo Senhor.

Portanto, fujamos das bebidas alcoólicas e de outros vícios igualmente graves, a fim de que possamos ministrar ao Senhor com todo zelo e cuidado. Deus não mudou. Lembremo-nos de Nadabe e Abiú. 

Lições Bíblicas do 3° trimestre de 2018 - CPAD |A sobriedade na obra de Deus  Classe: Adultos| Aula: 19 de Agosto.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

AS CIDADES DOS LEVITAS




Quarenta e oito cidades destinadas para os levitas, por Moisés e Josué (Nm 35.1-8; Js 21). A tribo de Levi não recebeu qualquer parte da terra de Canaã como herança (Nm 18.20-24; 26.62; Dt 10.9; 18.1,2; Js 18.7). Para compensá-los por isso, eles recebiam os dízimos dos israelitas para seu sustento (Nm 18.21), e quarenta e oito cidades lhes foram destinadas, da herança das outras tribos. Dessas cidades os sacerdotes receberam treze (Js 21.4) e seis eram cidades de refúgio, para as quais os homens que acidentalmente matassem alguém podiam ir em busca de proteção (Nm 35. 9-34; Dt 4.41-43).

As cidades dos levitas foram estabelecidas tomando-se quatro cidades de cada uma das doze tribos. O propósito aparente de assim dispersar os levitas por toda a terra era capacitá-los, como representantes oficiais da fé hebraica, a instruir o povo, em toda a terra, na lei e no culto a Yahweh. A descrição das medidas das cidades e das pastagens a elas ligadas, como em Números 35.4,5, é difícil de compreender e tem dado margem a inúmeras interpretações diferentes.

Os levitas não eram os únicos proprietários ou ocupantes dessas cidades.
Era-lhes simplesmente permitido viver nelas e usar os campos para pastagem do seu gado. Essas cidades não deixaram de pertencer às tribos onde estavam localizadas. Os levitas podiam vender suas casas, mas podiam remi-las a qualquer tempo e, se não fossem capazes disso, as casas automaticamente retomavam a eles no ano do Jubileu. Seus campos, porém, não podiam ser vendidos (Lv 25.32ss.).

Os levitas não moravam apenas nas suas cidades.
Parecem ter sido consideradas, pelo menos em alguns aspectos, como pertencentes às tribos onde residiam, mesmo que não fosse uma cidade levítica; daí a afirmação em Juízes 17.7: “Havia um moço em Belém de Judá, da tribo de Judá, que era levita, e se demorava ali”. Assim também Elcana, pai de Samuel, que indubitavelmente era levita, é chamado de efraimita (1º Sm 1.1). Os levitas nunca são considerados como uma décima terceira tribo.

Essas cidades foram destinadas aos levitas por antecipação, para ser ocupadas por eles somente até o ponto em que eles as requisitassem e os israelitas as possuíssem. Não parece que os levitas tenham chegado em todas elas, ou mesmo na maioria delas, por que algumas nem pertenciam a Israel até muito depois do tempo de Moisés e Josué. Primeiro livro de Crônicas 6.54-81 também dá uma lista de cidades levíticas, mas essa é menor que a lista de Josué, e há mudanças de nomes, talvez porque tenha havido uma mudança para uma nova cidade devido à inadequabilidade da anterior, ou porque algumas das mais antigas não mais estivessem em uso. As cidades levíticas, mencionadas na história judaica após o tempo de Josué, são Bete-Semes (1º Sm 6.13-15), Jatir (1º Sm 30.27) e Anatote (1º Rs 2.26; Jr. 1.1; 32).

Fonte: Enciclopédia da Bíblia © 2008 Editora Cultura Cristã. VOLUME TRÊS:  H—L

FOGO ESTRANHO OFERECIDO POR NADABE E ABIÚ



“Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um o seu incensário, e puseram nele fogo, e sobre este, incenso, e trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor, que não lhes ordenara. Então saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu; e morreram perante o Senhor” (Lv 10.1-2).

Deus havia estabelecido Arão como sacerdote e ele foi ungido. E todas as relações com culto era de responsabilidade de Arão que era o chefe, e seus filhos eram simplesmente ajudantes e não sacerdotes. Se os filhos se aventurassem a oferecer sacrifício estariam oferecendo fogo estranho, e foi exatamente o que Nadabe e Abiú, filhos de Arão fizeram. Acharam que podiam oferecer sacrifícios por si mesmo e ofereceram sem a ordem de Arão.

O significado do fogo estranho é servir sem uma ordem e sem obedecer à autoridade. Tinha visto seu pai oferecendo sacrifício e presumiram que podiam fazer a mesma coisa, porém estavam fora da vontade de Deus. Quando homem serve sob a autoridade de Deus, é aceito e ricamente abençoado.

O trabalho de Deus tem de ser coordenado sob autoridade. Deus colocou Nadabe e Abiú sob autoridade de Arão. No trabalho de Deus, Ele coloca alguns em autoridade e outros sob autoridade. Deus nos chamou para sermos sacerdotes segundo a ordem de Melquizedeque; portanto, temos de servir a Deus de acordo com a ordem da autoridade coordenada.

Nos trabalhos espirituais todos devem servir em coordenação. A coordenação é a regra que muitos não aprenderam. Hoje em dia muitos estão tentando servir a Deus sendo independentes, jamais se colocam sob autoridade; inconscientemente pecam contra a autoridade de Deus, isto é, estão em pecado de rebeldia, e esse pecado segundo 1º Sm 15.23 é comparado com o pecado de feitiçaria. Falar contra a autoridade representativa provoca a ira divina.

Pr. Elias Ribas