TEOLOGIA EM FOCO

quarta-feira, 18 de junho de 2014

ESCATOLOGIA BÍBLICA

DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS

 Ao contrário do que muita gente pensa, a Doutrina das Últimas Coisas não constitui um emaranhado de enigmas ou um quebra-cabeças. Ele é um conjunto de verdades cristalinas e bem estabelecidas a respeito do que Deus está para fazer nestes últimos dias.

 I.  O QUE É A DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS

Afirmou o apóstolo Paulo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1ª Co 15.19). Mas como esperamos em Cristo também na outra vida, não podemos ignorar o plano de Deus para o final dos tempos? Daí a necessidade e a urgência de compreender a “Doutrina das Últimas Coisas”.

1.       Definição do termo.

Doutrina das últimas coisas é o estudo dos eventos que estão para acontecer segundo as Escrituras. Estes eventos fazem parte do plano divino e eterno através dos séculos, conforme Ef 3.11 e Is 46.11.

A doutrina das últimas coisas, por conseguinte, são as verdades da Bíblia Sagrada referente aos últimos dias da história da humanidade. Em Teologia Sistemática recebe o nome de Escatologia, em grego significa literalmente, “Estudo das últimas Coisas”.

Escatologia – O termo escatologia deriva-se de dois vocábulos gregos:
“Eskatos” = último.
“Logia” = estudo ou tratado – significa estudo das últimas coisas, doutrinas futuras.

Jesus ensinou muito sobre este assunto nos Seus Evangelhos, e para o profeta João quando revelou o Apocalipse, temos também referências nos livros dos profetas.

A escatologia é o ponto alto do estudo teológico. A teologia só pode ser completa quando apresenta uma doutrina escatológica com uma interpretação fiel e harmônica.

Na escatologia vemos Deus revelando aos homens algo sobre os tempos e estações que estabeleceram pelo Seu próprio poder (At 1.7). Para os salvos, estão reservadas maravilhosas e surpreendentes coisas dentro de um futuro breve. Para os pecadores, que não se arrependerem, o futuro será dramático, triste e lamentável.

2.      No Antigo Testamento.
A escatologia do Antigo Testamento tem como pilares os seguintes pontos:
A. A salvação e a restauração completa do remanescente fiel do povo judeu (Ez 36.17-38; Sf 3.13).
B. O aparecimento glorioso e visível do Messias, que levará Israel à conversão nacional (Zc 12.10).
C. O Dia do Senhor e o julgamento (Is 12.2; 13.9; Ob 1.15).
D. O estabelecimento do Reino de Deus na terra (Is 11.1-16).
E. A ressurreição e o Juízo final (Dn 12.2).
F. O aparecimento do novo céu e da nova terra (Is 65.17).

3.      No Novo Testamento.
A escatologia do Novo Testamento trata, basicamente, dos seguintes assuntos:
A. O arrebatamento da Igreja (1ª Ts 4.13-17).
B. O aparecimento do Anticristo (2ª Ts 2.1-12).
C. A grande tribulação (Mt 24.15-28).
D. O reino milenar de Cristo (Ap 20.1-6).
E. O julgamento final (Ap 20.11-15).
F. A inauguração do perfeito estado eterno, tendo a Nova Jerusalém Celeste (Ap 21.1-27).

II.  O OBJETIVO DA DOUTRINA DAS ÚLTIMAS COISAS

A Doutrina das últimas coisas tem o seguinte objetivo:
1.      Mostrar o que está prestes a acontecer (Ap 22.6).
2.      Preparar o crente para encontrar-se com Deus (1ª Jo 3.3).
3.      Tranquilizar o povo de Deus para os últimos acontecimentos (Jo 14.1-2).
4.      Alertar a todos que o Noivo está chegando (Ap 22.17-20).


A fim de estudarmos com proveito a doutrina das últimas coisas, observemos alguns procedimentos importantíssimos.
1.        Reconhecer primeiro a Bíblia.
2.        Orar com profunda reverência.
3.        Evitar especulações e vãs sutilezas da falsa hermenêutica.
4.        Esperar com alegria a manifestação do Senhor da glória.


1.       Falta de afinidade com o Espírito Santo.
Isso traz confusão espiritual (1ª Co 2.10-14).
2.       Falsa aplicação do texto bíblico nos seus variados aspectos.
A. Quanto ao povo (Mt 24.14). Judeu, gentio e igreja.
B. Quanto ao tempo (Mt 24.3). Escatológico.
C. Quanto ao lugar (At 2.17-20; Mt 24.29). Só Israel.
D. Quanto ao sentido do texto (Ez 37). Com o povo de Israel.
E. Quanto à mensagem do Texto (Jo 3.5).
F. Quanto à procedência da mensagem existem três fontes: de Deus, do homem e do Diabo.

A Bíblia diz “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2ª Tm 2.15).

Manejar: é o mesmo que aplicar corretamente o texto bíblico quanto aos elementos acima. É um dever de todo o obreiro do Senhor “saber manejar a Palavra da verdade”.

Não podemos , de forma alguma, ser omissos ou corromper a sã doutrina.

3. Conhecimento bíblico desordenado:

Há crentes portadores de um admirável conhecimento bíblico, porém, de forma solta e desordenada, sem examinar a hermenêutica bíblica.

4.  Conhecimento que é apenas especulação do raciocínio humano (1ª Co 2.14).

Neste tipo de conhecimento que muitos crentes têm não há qualquer intenção de consagração ao Senhor, e muito menos humildade e obediência a Sua vontade. 

A DIVISÃO DA HUMANIDADE

 Como se há de entender a Igreja a respeito do Novo Testamento e o Antigo Testamento? Como se poderá entender a natureza e Missão da Igreja entre as nações gentílicas se não estudarmos o que é a verdadeira Igreja e o que é o mundo, segundo a Bíblia?

Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gentios, nem a igreja de Deus” (1ª Co 10.32).

Para estudarmos escatologia é necessário aprendermos a divisão da humanidade em três grupos, conforme o texto acima:

A.  Os Judeus: São os descendentes de Abrão, Isaque e Jacó, Is 51.2; Jo 8.39. Também são chamados de hebreus, israelitas, filhos de Israel e naturalmente de Israel.

B.  Os Gentios: São todos  aqueles que não são Judeus.
C.  A Igreja de Cristo: São todos os judeus e gentios convertidos a Cristo.

I. CONTRASTE ENTRE ISRAEL E A IGREJA
1)     Escolha de Deus.
A.   Deus escolheu Israel para a sua glória na terra (Gn 15.7; Êx 32.13; Js 11.23).
B.   Deus escolheu a Igreja para Sua glória no céu (Ef 2.4-7).

2.   Escolha.
A.  Israel foi escolhida através do chamado de Abrão (Gn 12.1-3).
B.  A Igreja foi escolhida antes da fundação do mundo (Ef 1.4).

3. Propósito de Deus.
A.    Fazer de Israel uma nação diferente de todas (Gn 12.2; 46.3).
B.     Fazer da Igreja um corpo diferente de todos (Ef 1.15-23; 2ª Co 11.2).

II.  O CHAMADO
·   Deus chamou uma pessoa para dela formar uma nação (Is 51.2).
·   A Igreja chamada entre muitas para se tornar um só corpo (Ef 2.11-26).

1.       Encontro com Cristo.
A.    Os Judeus serão chamados de volta à sua pátria (Jr 33.7-9).
B.     A Igreja será chamada aos céus (1ª Ts 4.13-15).
2.      Relação com Cristo.

A.    Cristo será Rei de Israel (Zc 14-17).
B.     Cristo é a cabeça do corpo, e Noivo da Igreja (Ef 1.22; 4.15).

3.      Herança.
A.    A herança de Israel é a terra (Gn 12.7).
B.     A herança da Igreja é o céu (Ef 1.3).

O propósito de Deus com Israel é um e com a Igreja é outro, totalmente diferente.


Com esta pequena introdução às formas de interpretação das Escrituras Sagradas, seguidas de alguns exemplos para demonstrar a forma utilizada para interpretar este estudo, guiado e inspirado pelo Espírito Santo, empenhemos ao máximo para esclarecer de forma fidedigna este assunto.

Pr. Elias Ribas