TEOLOGIA EM FOCO

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

CRISTO, SACERDOTE ETERNO E PERFEITO

Hebreus 7.1-3,11,12,24-27: 1 Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou; 2 a quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz; 3 sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. 11 De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei) que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? 12 Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei. 24 Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo. 25 Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles. 26 Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus, 27 que não necessitasse, como sumos sacerdotes, de oferecer a cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados, e depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.

São poucas, mas profundas as informações da Epístola sobre Melquisedeque, as quais fazem deste uma personagem enigmática, de difícil compreensão quanto à sua origem, desenvolvimento e consumação de sua obra. Cristo Jesus, ao contrário, sendo Deus, revelou-se de tal forma à humanidade, que dEle se pode conhecer o que Deus quis revelar, tornando-se nosso sacerdote eterno, perfeito e imaculado.

I. QUEM ERA MELQUISEDEQUE

A Bíblia não provê detalhes sobre a pessoa de Melquisedeque; daí haver muitas especulações a seu respeito.

1. Era rei de Salém. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho...”.
(Gn 14.18a; Hb 7.1); “e este era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Esta é a primeira referência bíblica a Melquisedeque. Ele aparece nas páginas do Antigo Testamento, quando foi ao encontro de Abraão, após este haver derrotado Quedorlaormer, rei de Elão, e seus aliados. Salém veio a ser Jerusalém após a ocupação da terra prometida por Deus a Abraão e seus descendentes (Gn 14.18;
Js 18.28; Jz 19.10). Rei de Salém quer dizer “rei de paz” (v. 2b).

2. Era sacerdote do Deus Altíssimo. “...e este era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18b; Hb 7.1). As funções de rei e sacerdote conferiam-lhe grande dignidade perante os que o conheciam. Estas duas funções são relembradas em Hb 7.1: “Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo...”.

3. Era de uma ordem sacerdotal diferente. Estudiosos da Bíblia supõem que Melquisedeque pertencia a uma dinastia de reis-sacerdotes, que tiveram conhecimento do Deus Altíssimo pela tradição oral inspirada, transmitida desde o princípio, quando a religião era única e monoteísta e que conservava a esperança do Redentor da raça humana, conforme Gn 3.15. Ele não pertencia à linhagem sacerdotal arônica, proveniente da tribo de Levi.

4. Recebeu dízimos de Abraão (Hb 7.2). Isto nos mostra que a instituição do dízimo remontava ao período bem anterior à Lei. Esse fato indica “quão grande” era Melquisedeque (v. 4). Ele abençoou Abraão, como detentor das promessas (v.v. 5,6).

5. Era rei de justiça (v. 2). Como um tipo de Cristo, Melquisedeque tinha as qualidades de um rei justo e fiel.

6. Sem genealogia (v. 3). O texto afirma ter sido Melquisedeque “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida...”. O que o sacro escritor quer dizer é que não ficou registrada sua ascendência e sua descendência, bem como os dados referentes a sua morte. Pelo contexto, entende-se que ele era um homem com características especiais diante de Deus.

II. A MUDANÇA DO SACERDÓCIO E DA LEI

1. O novo e perfeito sacerdócio (v. 11b). O sacerdócio levítico era imperfeito (v. 11a). Nele, os sacrifícios, as ofertas, o culto e a liturgia, eram apenas sombra do verdadeiro sacerdócio, que veio por Cristo. O sacerdócio de Cristo, não da ordem de Arão ou de Levi, mas “segundo a ordem de Melquisedeque”, trouxe a perfeição no relacionamento do homem com Deus.
O primeiro sacerdócio, com suas imperfeições, não era capaz de salvar, mas Cristo como Sumo Sacerdote, mediante o seu próprio sangue deu-nos acesso a Deus, garantindo-nos a salvação plena.

2. Mudança da lei (v. 12). “Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei”. Com Cristo, de fato, houve uma mudança não só do sacerdócio, mas também da lei. Antes, era a lei da justiça, a lei das obras. Com Cristo, veio a lei da graça, a lei do amor.

3. A lei era ineficaz. “O precedente mandamento”, ou seja, a antiga lei, foi “ab-rogado por causa de sua fraqueza e inutilidade” (v. 18). Ab-rogar quer dizer anular, cessar, perder o efeito, revogar. Foi o que aconteceu quando Cristo trouxe o evangelho, abrogando a antiga lei, a Antiga Aliança.

III. O SACERDÓCIO PERPÉTUO E PERFEITO DE CRISTO

1. Jesus trouxe salvação perfeita (v. 25). Os sacerdotes do antigo pacto pereceram (v. 23). O sacerdócio arônico foi constituído por centenas de sacerdotes, que se sucediam constantemente, visto que “pela morte foram impedidos de permanecer”. Os sacerdotes arônicos apenas intercediam pelos homens a Deus, mas não os salvavam. Jesus, nosso Sumo Sacerdote, não só “vive sempre para interceder” por nós, como nos assegurou uma perfeita salvação por seu intermédio (v. 25; Rm 8.34). Jesus garante salvação plena (Jo 5.24), sem depender de um suposto purgatório ou de uma hipotética reencarnação.

2. Jesus, sacerdote perfeito (v. 26). A Palavra de Deus indica aqui as qualificações de Cristo, que o diferenciam de qualquer sacerdote do antigo pacto. “Porque nos convinha tal sumo sacerdote”:

A. Santo. O sacerdote do Antigo Testamento teria que ser santo, separado, consagrado. Até suas vestes eram santas (Êx 28.2,4; 29.29). contudo, eram homens falhos, imperfeitos, sujeitos ao pecado. Jesus, nosso Sumo Sacerdote, era e é santo no sentido pleno da palavra.

B. Inocente. Porque nunca pecou, Jesus não tinha qualquer culpa. Ele desafiava seus adversários a acusá-lo (Jo 8.46).

C. Imaculado. O cordeiro, na antiga Lei, tinha que ser sem mancha (Lv 9.3; 23.12; Nm 6.14). Jesus, como o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), não tinha qualquer mancha moral ou espiritual.

D. Separado dos pecados. Jesus viveu entre os homens, comeu com eles, inclusive na casa de pessoa de baixa reputação, como Zaqueu, mas foi “separado dos pecadores”. Ele não se misturou, nem se deixou influenciar pelo comportamento dos homens maus.

E. Feito mais sublime do que os céus. Tal expressão fala da exaltação de Cristo, como dele está predito na Bíblia: “Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus” (Rm 14.11).

F. Ofereceu-se a si mesmo, uma só vez (v. 27). Os sumos sacerdotes do Antigo Testamento necessitavam de oferecer sacrifícios, muitas vezes, primeiro por eles próprios e, depois, pelo povo. Mas Jesus, por ser imaculado, sem pecado, não precisou fazer isso por si. Tão-somente ofereceu-se num sacrifício perfeito, uma vez, pelos pecadores.

Nesta lição verificamos que, em todos os aspectos o sacerdócio de cristo, proveniente da ordem de melquisedeque, é superior ao sacerdócio arônico. Com isto, devemos ser gratos a deus por fazermos parte de sua linhagem espiritual.

Pr. Elias Ribas