TEOLOGIA EM FOCO

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O QUE REALMENTE É VAIDADE


 Em primeiro lugar vamos ver o que significa vaidade na nossa língua portuguesa: Vaidade, segundo o dicionário Aurélio, é a qualidade daquilo que é vão (fútil, insignificante, que só existe na fantasia, falso, ilusório e inútil), pode ser também um desejo imoderado de atrair a admiração; presunção.

A vaidade é definida, entre outras coisas, como o excessivo desejo por merecer a admiração dos outros (Aurélio). Os dicionários dizem ainda que o vaidoso é presunçoso (convencido), orgulho excessivo, arrogância e fútil (sem seriedade).

A vaidade consiste em uma estima exagerada de si mesmo, uma afirmação esnobe da própria identidade. Para alguns, a vaidade é mais utilizada hoje para estética, visual e aparência da própria pessoa.

Jesus sempre nos deu uma grande dica sobre como tratar a vaidade: “Aquele que quiser ser o maior, que seja o menor”. Isso em tese deveria servir de orientação e alerta para nos guiar a por um caminho sem percalços, quando o assunto é vaidade.

“Precisamos estudar a palavra “vaidade” no original hebraico e grego, compararmos as várias vezes em que ela é usada na Escritura e qual o verdadeiro sentido que esse vocábulo possuía nos tempos antigos.

Vaidade no hebraico advém de duas palavras. Habel, shav, que significa vazio e oco. Seu uso no Antigo Testamento estava relacionado ao abandono do único Deus verdadeiro e à busca de ídolos que não podiam satisfazer às necessidade de Israel pelo simples fato de não existirem. A adoração a ídolos, então, tornou-se sinônimo de vaidade, pois era como se o povo israelita estivesse buscando ajuda no vazio.

“Rejeitaram os estatutos e a aliança que fizera com seus pais, como as suas advertências com que protestaram contra eles; seguiram os ídolos e se tornaram vãos...” (2ª Rs 17.15).

No grego, vaidade é representada pelo substantivo mataiotes e também significa vazio. Não há qualquer relação entre vaidade e o uso de joia  roupas ou ornamentos. Seu significado, em primeiro lugar, refere-se ao mundo criado que, no pecado e sem preencher o propósito inicial para qual foi criado, tornou-se vazio.

“Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou” (Rm 8.20).

Vaidade no gr. mataiotes é também usado por Paulo para expor a forma de pensar e o estilo de vida dos gentios que não agradam a Deus:

“Isto, portanto, digo e no Senhor testifico, que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos” (Ef 4.17).

Vaidade no gr. mataiotes, também podia denotar as palavras impressionantes, mas vazia, de falsos mestres que muito falam, mas não possuem conteúdo nenhum:

“Porquanto, proferindo palavras jactanciosas de vaidade, engodam com paixões carnais, por suas libertinagens, aqueles que estavam prestes a fugir dos que andam no erro”(2ª Pe 2.18).

[....] As igrejas evangélicas brasileiras têm grande dificuldade de compreender o termo “vaidade” que, no linguajar dos crentes, carrega toda conotação pejorativa. Gostar de vestir-se com esmero, adornar-se com qualquer jóia ou cuidar do cabelo, tingindo ou penteando-o de uma forma estética, é considerado pecado na maioria das igrejas pentecostais. O texto apresentado como base bíblica para tal conclusão é o Salmo 24.3-4. 
“Quem subirá ao monte do Senhor, ou que estará no seu santo lugar? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente”.
“... que não entrega a sua alma à vaidade...” Vaidade no hebraico awv - shav significa: falsidade; vazio de fala, mentira; inutilidade.

A Bíblia também a palavra vaidade quando refere-se ao sopro (vida), a enfermidade, algo vazio.

“Desde aos meus dias o comprimento de alguns palmos; à tua presença o prazo da minha vida é nada. Na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade” (Sl 39.5).

Salomão também usa a palavra vaidade nesse sentido de algo vazio, oco. “Vaidade de vaidade! Diz o pregador; vaidade de vaidade! Tudo é vaidade” (Ec 1.2).

Observe que na lógica do apóstolo Paulo, vaidade é colocar esperança naquilo que é vão, passageiro, perecível. Ele então fala em ver sua vida à luz da eternidade. Neste mundo tudo é passageiro e ninguém leva nada daqui. Por isto Salomão diz: “tudo é vaidade”. A vida só deixa de ser vaidade quando entregamos a nossa vida a Deus e o servimos de todo coração. Tudo que o homem faz sem dedicar a Deus ou não um alvo que é Cristo é vaidade, ou seja, vazio [GONDIM - É proibido – P. 67-70].

I.       VAIDADE EXTERIOR E INTERIOR

As normas de conduta do cristianismo neotestamentário parecem mais interessadas no interior do que no exterior dos homens. A palavra “vaidade” não é um termo que descreve uma pessoa cuidadosa vestida ou de adornos no corpo; pelo contrário, esse vocábulo valoriza-se ao modo de viver de tudo o que Deus criou é bom e agradável.

“Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1.15).

Paulo vivia sob o postulado de que as coisas importantes são aquelas que não vêem, pois tudo o que os nossos olhos contemplam um dia passará. Sendo assim, para o apóstolo o que é finito deveria ser considerado vaidade: “Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem são temporais, e as que se não se vêem” (2ª Co 4.8).

1.      Faz-nos juízes da lei.

Fazendo uma avaliação sobre alguns costumes do ser humano constatamos de que tudo que é bom, é considerado errado, ou pecado. Notamos que as pessoas julgam as outras e não olham pra dentro de si. Avaliam um comportamento e julgam-no achando que este está errado, mas fazem isso, sem base nenhuma. Se alguém não gosta e não quer tal costume, então fala mal e cria uma regra como se fosse uma doutrina bíblica. Muitas vezes, quando estamos julgando nossos irmãos por causa da sua postura exterior, podemos estar julgando mal e condenando a si mesma (Rm 2.1-3). O ser humano não tem condições de conhecer o coração das pessoas. Uma pessoa pode aparentar santa, mas seu coração pode estar longe de Deus. Você pode julgar e desqualificar uma pessoa pelo seu porte e aparência exterior, mas são plenamente aceitas por Deus.

“Quando Jesus entrou na casa de Simão, o fariseu (Lc 7.36-38), uma mulher aproximou-se por detrás do Senhor, chorando, regando-lhe os pés com suas lágrimas, enxugando-os com seus cabelos e ungindo-os com unguento  Ao ver isso, o fariseu logo julgou a pobre mulher pela sua aparência exterior (é os que os fariseus fazem), e pela sua reputação (que também é um juízo meramente exterior); como se não bastasse, disse consigo mesmo: “Se este fora profeta, bem saberia quem é essa mulher que tocou, porque é pecadora”. Jesus então confrontou o fariseu Simão, afirmando que este, mesmo tendo toda aparência religiosa, estava seco por dentro (sepulcro caiado). Aquela mulher, todavia, ainda que possuidora de uma baixa reputação era rica interiormente. A aplicação prática daquele evento foi tremendo: “perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele há quem pouco se perdoa, pouco ama” (v. 7).
É um exercício inútil julgar uma pessoa pela sua maneira de vestir, porquanto o profeta Jeremias nos afirma que “Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e desesperadamente corrupto, quem conhecerá?” (Jr 17.9).

Julgar sobre quais vestimentas são ou não “vaidosas” leva-nos a um nível de legalismo sufocante e criminoso. O líder deve se preocupar com as vestes sensuais e que venham desonrar a quem usa, mas julgar alguém e dizer que é mundano pelas vestes, caímos da graça do Senhor. “Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do seu irmão, ou julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; ora se julgas a lei, não és observador da lei, mas Juiz. Um só é Legislador e juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem é, que julga ao próximo?” (Tg 4.11-12; Cl 2.16, 18).

Estipular que um tipo de ornamento no corpo das mulheres é vaidade, mas um ministro com prendedor de gravata, ou um dente de ouro não pode ser vaidade? Ou um quadro que colocamos para enfeitar una casa, os lustres que usamos para decorar as luzes que iluminam nossas casas, uma banheira de hidromassagem, uma torneira coberta de ouro no banheiro não seria também uma espécie de vaidade? Uma camionete dublada e importada também não seria vaidade. Não seria o uso da gravata uma vaidade? A gravata surgiu em culturas de clima frio como uma espécie de cachecol que esquentava o pescoço. Entretanto, ao ser estilizada e aperfeiçoada a ponto de perder sua função inicial, foi lançada na moda masculina e tornou-se mero adorno no pescoço dos homens. Principalmente dos políticos autoridades e dos pastores. No Brasil, a gravata não possui utilidade nenhuma se não adornar. Se é vaidade uma mulher usar brinco, também é vaidade o homem usar uma gravata.

Se vaidade fosse pecado, porque os templos evangélicos são tão bonitos, porque os pastores só vão de terno e gravata, as pessoas que frequentam sempre estão com a melhor roupa? Se for assim, são todos pecadores.

Quando os pastores vão há uma reunião convencional, procuram se apresentar da melhor forma possível. Usam os melhores ternos, camisas e gravatas prendedores de gravata de ouro e bons sapatos. Tudo isso é bom e agradável. Mas, nas suas igrejas eles agem diferentes principalmente com as mulheres. Usam um jugo de proibições colocando um cabresto e ainda chamam de Jezabel e as tratam muitas vezes como se fossem umas pobres jumentas. Esquecem dos ensinos bíblicos que a mulher é uma adjutora e ambos tornam uma só carne. Não seria uma descriminação? Também podemos chamar de hipocrisia?

Para muitos pastores, ver uma mulher adornada é símbolo de mundanismo, mas um homem de gravata de seda e um prendedor de ouro não são! Não estamos sendo incoerentes? Não estamos usando dois pesos e duas medidas? Dizer que uma mulher que usa joia é vaidosa, mas comprar uma camionete do ano e cheio de frisos niquelados e de cores berrantes não é vaidade? Teríamos de arbitrar sobre os enfeites que deveríamos fazer parte dos nossos óculos, quais cores seriam permitidas nas nossas roupas, ou seja, estaríamos presos a um sistema de fiscalização de nossa conduta. Seriamos, em ultima análise, roubados da liberdade em Cristo. Qualquer julgamento temerário que fizermos podemos estar julgando mal. É o que muitos fazem nas igrejas.

Deus não vê como nós vemos e não condena a nossa cultura, mas condena sim o pecado e o pecador não arrependido. Se tivermos condições de nos vestir bem e nos adornarmos, para louvor de sua glória, estamos sendo abençoados por Ele e isto não é vaidade porque é para Ele. [RICARDO GONDIM. É proibido. P. 71-78].

Conceito popular de vaidade é declarado na Bíblia pela expressão composta de vanglória:

“Nada façais por partidarismo, ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmos” (Fp 2.3). “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.26).

Assim, aprendemos que vaidade é objetivamente descrita como sentido de vazio, inutilidade e falta de consistência. Todas as vezes que buscarmos nossa identidade no que for irreal, estamos sendo vaidosos (adoração de outros deuses, falsa adoração dos fariseus, egocentrismo do homem, ao exagero e desmedido desejo da carne e dos olhos). Quando a Bíblia fala de vaidade não está se referindo a roupa, adornos ou bens materiais. Se pensarmos assim estamos correndo em direção ao vento, que não sabe de onde vem e para onde vai.

A vaidade no contexto pseudocrístão é muito crucial, porém na verdade não destingimos a vaidade no sentido de pecado. Por exemplo:
·        Apreciar aplauso.
·        Apreciar elogios demasiados.
·        Gostam de ser elogiados e sentem-se orgulhosos.
·        Se for cantor ou pregador gostam de ver o povo vibrar enquanto o faz, porém não se sentem bem quando seu colega é apreciado.

2.      Usar leis e proibições de roupas e adornos é inútil e pode levar a um conceito de salvação pelas obras.

Nos dias do apóstolo Paulo, a igreja de Gálatas foi a que sofreu pelo legalismo. E ainda hoje muitas igrejas estão sofrendo. A igreja da galáxia estava impregnada de fariseus convertidos, as heresias deles eram sutis, pois Paulo precisou escrever uma das suas mais duras cartas. Eles ensinavam que além da cruz era necessário a circuncisão. Paulo, veemente, contradiz essa heresia asseverando que se, alguma coisa for acrescentada à cruz, será anulado todo o poder que dela procede (Gl 4.9-10).

Somos criados para as boas obras, e não pelas boas obras. E é por meio da fé em Cristo. Paulo, em 2ª Co 5.17, declara que nos tornamos novas criaturas. Portanto, devemos abandonar as práticas más e nos voltarmos para a prática do bem, pois estamos em Cristo Jesus. As boas obras devem ser apenas a manifestação externa do amor que temos com Deus.

3.      Gerar confusão é na verdade mundanismo.
Usar a questão de usos e costumes e dizer que as pessoas que usam adornos e roupas da moda amam o mundo significa confundir a real acepção que a Bíblia atribui ao vocábulo “mundo”.

“Não ameis o mundo nem as cousas que há no mundo. Se alguém amar o mundo o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1ª Jo 2.15-17).

A palavra mundo que João refere-se não se trata do mundo natural (físico), pois o mundo criado por Deus é muito bom. Embora caído e sofrendo os efeitos da queda, (Rm 8.20-22). O mundo é descrito na Bíblia como a sociedade incrédula e rebelde, sob a orientação do diabo que se opõe ao Reino de Deus. Paulo chega a dizer que este mundo manifesta-se através dos sistemas de pensamento que rejeitam a verdade (2ª Co 10.4-5). O mundo é todo o sistema humano e egocêntrico que se desenvolve na cultura e que leva o homem ao exagero e desmedido desejo da carne, dos olhos e a soberba da vida (1ª Jo 2.16). É o adoecimento de toda a produção humana e a manifestação do desejo doentio de poder e pelo dinheiro.

De acordo com 1ª João 2.15, a falta de amor para com Deus abre espaço para que se desenvolva amor pelo mundo, que deixa o crente especialmente vulneráveis a áreas de ataque do inimigo. Se caminhar com fé e firmeza na Palavra, não sentirá inseguro, conseguirá evitar as armadilhas do pecado sexual, da cobiça, e do orgulho. Estas três áreas de pecados acontecem quando há insegurança, falta de fé e confiança no Senhor.

Em lª Ts 2.5 e em 2ª Pe 2.3 descreve o pecado do homem que usa sua posição para vantagem própria; para aproveitar-se das pessoas a quem deve servir, ele vê seus irmãos como criaturas a serem explodidas e não como filhos de Deus que devem ser servidos.

Estes pecados entristecem e afastam o Espírito Santo do ser humano. Onde há concupiscência e soberba no coração, não há lugar para o amor do Pai. O homem terá de escolher um ou outro. A mensagem de João é: se alguém ama o mundo, o amor do pai não está nele (Jo 2.15).

Quando Jesus esteve neste mundo ensinou os Seus discípulos acerca do amor dizendo: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.37-39).

De que forma devo amar a mim mesmo? Todos têm um amor próprio. Este sentimento de valorização nos foi dado por Deus. Quando nos vestimos bem e quando cuidamos bem do nosso corpo. Sabemos que ninguém gosta de estar perto de uma pessoa com roupas sujas, fedorenta, que não escovou os dentes pela manhã ou que não cuida bem da higiene de seus pés. Nos trajamos bem, porque entendemos que nossa cultura aquela indumentária será mais bem aceita. Quando vamos a uma festa de casamento nos enfeitamos porque consideramos que aquela data requer que estejamos o mais bonito possível. E aqueles que pintam o cabelo o fazem para se auto-valorizarem. Se isso é vaidade, ela é aceita e estimulada por Deus. Não há qualquer relação desta busca com aquele sentimento pernicioso de querer apoiar nossa existência no que é vazio.

Se para alguns vesti-se bem é vaidade é adotar uma visão muito reduzida daquilo que o vocábulo representa em toda a Escritura. É confundir o certo com o errado.

Para Jesus vaidade também é sinônimo do que é vão. Ele considerava vaidade a piedade dos fariseus: “E em vão (com vaidade) me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. E, tendo convocado a multidão, lhes disse: – Ouvi e entendei: Não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai pela boca, isto, sim contamina o homem”. (Mt 15.9-11).

“Os fariseus julgam as pessoas pelo aparente, por seus usos e costumes, pela roupa que usa, cor ou tamanho do cabelo, pelas palavras, atitudes, etc.... é bem verdade que muitas vezes o nosso exterior reflete o nosso interior, mas precisamos entender que acima de toda aparência Deus julga o coração! Ele está olhando para a real motivação do coração. Por isso muitos têm sido rejeitados, por sua aparência, pois certos religiosos acham que adorador precisa ter “cara” (formato) de crente, quando na verdade o cristão não tem que ter “cara”, tem que ter vida e vida de Deus! Crentes não tem que “parecer”, tem que “ser”!

Isso é claramente manifesto na Escritura. O Senhor explicou ao profeta Ezequiel com as palavras do povo de Israel não expressamente o que havia em seu coração: “Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro” (Ez 33.31).

O Senhor também manifestou o mesmo princípio por intermédio do profeta Isaias: “O Senhor disse: Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu” (Is 29.13).

Outro dia ouvi uma frase aparentemente medíocre, mas que na verdade expressa o que muitos “cristãos” tem sido: “por fora bela viola, mas por dentro pão bolorento”, ou seja, por fora há boa aparência, parece que tudo está bem, mas na verdade por dentro não há vida, mas podridão, pecado, presunção e orgulho. O ser humano está mais preocupado com o aparente, com a sua imagem e reputação sempre mostrando uma atitude hipócrita e orgulhosa diante das pessoas, e acabam julgando os outros por aquilo que eles mesmos são. “A vida de pecado dos ímpios se vê no olhar orgulhoso e no coração arrogante” (Pv 21.4).

A Bíblia diz que Deus não despreza o coração quebrantado (Sl 51.17), mas também diz que Ele resiste, se opõe, frustra e derrota o coração soberbo (1ª Pe 5.5b). A primeira coisa que Deus mais aborrece está no livro de provérbios 6.16-17: “Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima sua alma abomina: OLHOS ALTIVOS (orgulho) .....”. Mas quem é o orgulhoso? É o soberbo, o insolente, arrogante, desdenhoso, presunçoso, presumido e auto-suficiente. Deus não recebe adoração de um coração orgulhoso!

Mas o que vai realmente impressioná-lo é quando Ele encontra em nós um coração quebrantado! Basta Ele ver este coração e logo se aproxima de nós (Is 57.5; 66.2). Ter um coração quebrantado significa ter um coração arrependido, um coração humilde, submisso e dependente do Senhor. No mesmo capítulo que lemos de 1º Pedro e no mesmo versículo 5b, diz que “Deus resiste aos soberbos, mas aos humildes concede graça”. Quando houver coração quebrantado haverá favor do Senhor, graça e benção!

Para sermos pessoas quebrantadas a mudança externa não será a mais importante, mas sim a interna, a que vem de dentro, que vem do coração e esta é a verdadeira circuncisão. O que Deus precisa moldar e trabalhar é o que está dentro da cada um de nós, nossa vida, nossos pensamentos, nossas motivações, nosso coração! Ele sempre trata conosco na raiz do problema e não no externo, no aparente.

Ser quebrantado e humilde não significa ter um semblante triste, melancólico, abatido; nunca sorrir e só chorar. O quebrantamento não é um sentimento, mas é uma decisão; não é uma experiência única, mas é um processo, um contínuo modo de viver. O quebrantamento é a destruição da nossa vontade, a fim de que a vida e o Espírito do Senhor operem em nós e através de nós.

Lembre-se, não há nada que podemos esconder de Deus, Ele sonda e conhece o nosso coração (Sl 139). Que o Senhor nos de a cada dia um coração humilde e quebrantado, totalmente submisso a Sua Vontade!

Como sabemos que estamos adorando de todo o nosso coração? A Bíblia nos diz como determinar a medida desta adoração: “Pois, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6.21). Seu tesouro reflete-se pelo que ocupa sua mente, sua vontade e suas emoções. Se você quer saber onde está seu coração, examine sua mente, sua vontade e suas emoções enquanto adora.

Tudo o que sou e tudo o que falo e penso brotam do meu coração. O que sai da minha boca reflete como é meu coração.

“O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45).

Não gostamos de admitir, mas o que dizemos é o que somos por dentro. O fato é que o que dizemos sempre revelará o que há em nosso coração.

“Assim como a água reflete o rosto da gente, o coração mostra o que a pessoa é” (Pv 27.19 – NTLH).

Se de sua boca saem palavras que não glorificam a Deus nem edificam as pessoas que o cercam, então há algo errado com seu coração. Entre na presença de Deus e peça que Ele lhe revele qual é o problema e o purifique. Permita que o Espírito Santo o transforme à imagem de Deus. Quando você entrega o seu coração a Deus, permite que Sua Palavra comece a agir em sua vida:

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4.12).

Imagine a eficácia da Palavra de Deus que é viva e mais poderosa e afiada do que a espada. Sua Palavra não apenas divide alma e espírito e juntas e medulas, mas julga os pensamentos e as intenções do coração. Atravessa o natural e atinge diretamente o espírito.

Depois que Deus operar em seu coração com Sua Palavra, o Espírito Santo virá e começará a obra de transformar seu coração e torná-lo semelhante ao d”Ele. Ele intercederá por nós e ministrará às áreas que causam as impurezas que mancham nosso coração.

“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos” (Rm 8.26-27).

Nossos momentos de adoração são como um espelho no qual podemos ver o reflexo do nosso coração. Uma vez que vemos o que Deus vê, podemos permitir que Seu Espírito opere e renove as coisas que não refletem seu caráter em nós”. [BEZERRA. Disponível: http://www.louvorprofetico.com.br/site/2008/smb/Detalhes.aspx?IdCategoria=1&IdMateria=21

Pr. Elias Ribas

29 comentários:

  1. MUito esclarecedor o texto. Que Deus continue te abençoando pastor. És um homem iluminado por Deus. A paz.

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  2. Muito bom, sou um cara orgulhoso e vaidoso, mas sei que com a graça do pai celestial eu me curarei milagrosamente e não mais ferirei as pessoas e a min com esses pecados tão chatos e fúteis!

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  3. Muito bom o texto,de fácil compreenção,Deus te abençõe ricamente.

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  4. descobri que se vestir bem não é vaidade e sim capricho quidado com o corpo
    é muito esclarecedor esse artigo parabéns ao irmão que Deus usou para dar esse
    esclarecimento tão precioso,valeu a pena tirar um tempo para observar o testo
    maravilhoso mesmo!!!

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  5. Edison 08 de setembro de 20138 de setembro de 2013 10:35

    apendi que se vestir bem é capricho e não vaidade,que bom quando estamos em
    duvida ter esse tipo de artigo disponivel a todos os que querem saber mais e,
    não sabem como é esclarecedor parabéns pastor Elias pelo trabalho!!!

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  6. Muito boa essa reflexão, fui muito abençoada

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  7. Excelente reflexão!!!!!

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  8. TA AI GOSTEIIII MUITO AGORA JÁ NAO FICO MAIS COM TANTAS DUVIDAS QUE DEUS CONTINUI ABENÇOANDO VC PASTOR.

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  9. A Paz do Senhor irmão, gostaria que me esclarecesse uma dúvida, levando em consideração sua citações acima, o que a palavra de Deus quer dizer com: "E outra vez vereis a diferença entre o que serve a Deus e o que não serve" Ml 3:18 ? O profeta Isaias também disse: "E sete mulheres naquele dia lançarão mão de um homem, dizendo: Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos do que é nosso; tão-somente queremos ser chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio." Is 4:1. Sabemos que quando a palavra de Deus cita mulheres muitas vezes esta se referindo a igrejas, o verso é muito forte, dizendo que tão somente querem o nome de cristãos ! Hoje em dia é difícil distinguir um crente, de um católico, espírita, etc, não digo isso somente nas vestes, mas pelo procedimento. Servir a Deus virou sinônimo de apenas frequentar uma igreja e ajudá-la financeiramente. É difícil ver mudança, é difícil identificar crente ou mundano! Concordo que a igreja precisava abrir sua mente, pois muitas proibem uma hidratação no cabelo, um bom perfume, etc. Porém ser cuidadoso zelar por aquilo que Deus nos deu é diferente de ser vaidoso (nem sempre o dicionário traz o real significado do que a palavra de Deus quer dizer, um exemplo: o dicionario traduz a palavra crente como todo aquele que cre em algo, quando Jesus mandou Tomé ser crente Jo 20:27 ele quis dizer ser fiel ao Deus verdadeiro, não havia povos que serviam a baal ? Nem por isso a palavra de Deus nos dá o direito de entitulá-los crentes, mas o dicionário sim!)
    Então temos que análisa-la, da maneira que ela é, pois muitas vezes nos deixamos levar pelo que o mundo ensina. Deus criou o que é belo, ele sabe muito bem o que é ser uma mulher ou homem de Deus bonito ! Não a sociedade, afundada no erro e em coisas fúteis!!!

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Pâmela a diferença não está no figurino na roupa, mas de ser um discípulo de Cristo e ter fruto na sua vida, ser justo e fiel ao Eterno. Jesus não quer ver apenas folhas em nossas vidas, mas o genuíno fruto que faz a diferença!

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    3. pamela paz do Senhor, tbm concordo com o que você mencionou porem a uma coisas na palavra do Senhor q caracteriza muitas coisas sobre tudo isto e se resume tambem, pois vc tbm mencionou, q e a diferencia daquele que serve a Deus, pois aquele que não serve a Deus sabemos pois o que ganha alma não e só a palavra de Deus mais tambem o que mais ganha almas e o testemunho, e muitos obsevam, e veem quem serve a Deus e quem não serve porem como esta dificil caracterizar quem e cristão fiel, pois não a diferença como diz a palavra os maus costume corrompem os boes costumes, sabemos q toda a palavra de Deus tem sua revelação porem muitos não buscam isto d Deus e porem ficam mais sobre a letra!

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    4. Irmã Pâmela a diferença que a Bíblia faz em Malaquias refere-se ao justo e ao injusto e não aos usos e costumes.
      Leia os estudos dos links abaixo e deixe seus cometários ok!

      USOS E COSTUMES:
      http://pastoreliasribas.blogspot.com.br/2012/02/usos-e-costumes.html

      COMO FORAM IMPLATADOS OS USOS E COSTUMES NA IGREJA ASSEMBLÉIA DE DEUS:
      http://pastoreliasribas.blogspot.com.br/2013/04/como-foram-implantados-os-usos-e.html

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  10. veja bem pastor as vezes são muito genérico em nosso em tendenmento sobre a palavra vaidade, esta na carar que tudo aquilo quequer esta acima DEUS.

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  11. Que texto bonito...muito esclarecedor.
    Que Deus abençoe a vida do pastor.

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  12. Oi, pastor. Me chamo Mayara Brena, e venho lhe dizer que seu texto foi muito edificante para minha vida! E, se possível, gostaria que você falasse sobre MÚSICAS SECULARES/MUNDANAS. Quero saber se vc considera pecado ou não. A paz

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  13. Marcia T.Miranda Braun21 de janeiro de 2014 14:58

    Obrigada, Pastor.

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  14. pastor gostaria de propor uma parceria se assim aceitar temos uma radio evangelica e gostariamos de sabe se aceitaria coloca o play da nossa radio pra seus leitores quanto entra ouvir a nossa radio e colocaremos o link do seu blog na nosso site assim como os outros parceiros desde ja agradeço e fica na paz http://marcosgospel.com/

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  15. ótima explicação obrigada. poderia me ajudar esclarecer um pouco mais dentro do texto de Eclesiastes 1.

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  16. Muito esclarecedora essa explicação pastor , vale apena buscar o verdadeiro sentido dessa pequena palavra (vaidade) que tem confundido a muitos . . . Deus te abençoe . . .

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  17. Realmente está de acordo com o contexto bíblico. Se a bíblia é autoridade máxima da fé, então devemos ficar na mesma.

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  18. Obrigado pelo texto é muito palpável (prático). O trecho abaixo mostrou-me indiretamente como corrigir um defeito que me acompanha há algum tempo.
    "Tudo que o homem faz sem dedicar a Deus ou não um alvo que é Cristo é vaidade, ou seja, vazio [GONDIM - É proibido – P. 67-70]".

    Qualquer ação tem de ser direcionada para Deus; no trabalho, no trânsito, na vida familiar, ... Quando fizer algo para alguém basta imaginar que esse alguém é Deus. Esse algo será bem feito.

    Abraços

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  19. Texto de grande envergadura espiritual.Que DEUS possa usá-lo grandemente na face da terra.

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  20. Muito bom o texto.
    Segundo ele se arrumar,vestir bem não é vaidade:algo vazio,vão,porém temos que tomar muito cuidado com o que lemos e como nós interpretamos isso,pois vaidade não é se vestir bem,porém,se nós nos maquiamos,nos enchemos de jóias para nos exibir,e chamar atenção já seria presunção ou seja,estariamos apresentando algo que não somos,sendo falso.(vaidoso)

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  21. Ótimo texto. DEUS abençoe a todos

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