TEOLOGIA EM FOCO

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

ENCONTRANDO O NOSSO PRÓXIMO




Lucas 10.25-37 “E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o, e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 26 E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês? 27 E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. 28 E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás. 29 Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo? 30 E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. 31 E, ocasionalmente descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo. 32 E de igual modo também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o, passou de largo. 33 Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; 34 E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; 35 E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar. 36 Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? 37 E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.

INTRODUÇÃO. Amar ao próximo inclui amar até mesmo aqueles que nos aborrecem, pois encontramos em Deus o maior exemplo de que tal amor é possível.

I. INTERPRETAÇÃO DA PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO

1. Uma parábola com diversas interpretações.

1.1. Ela tem sido alvo das mais diversas interpretações. Revelando objetivos que ela não tem. (Ex:) A caminhada humana ao sair do Éden (Jerusalém) e tomar o caminho do mundo (Jericó).

2. Pondo Jesus à prova ou “tentando-o”.

2.1. Era um doutor que queria pôr Jesus à prova (Lc 10.25)

2.2. A intenção por trás deste doutor:

- Colocar à prova o caráter de Cristo.

- Procurava colocar o Mestre em situação difícil.

- Quem sabe queria receber um elogio.

3. “Como lês?”

3.1. Jesus responde ao homem com outra pergunta (Lc 10.26).

- Sobre o conteúdo do mandamento.

- Jesus quer saber como o doutor lê, como o interpreta e de que forma olha para o mandamento.

- O homem não compreendendo limita-se a responder recitando o mandamento tal como está escrito (v.27).

- Jesus, então, o chama para a prática do mandamento (Lc 10.28).

4. Questão principal.

4.1. Não satisfeito, o doutor da Lei quer saber de Jesus "quem" seria o seu próximo (v.29).

4.2. É nesse contexto que a parábola é contada pelo Senhor Jesus (Lc 10.30-33).

- Jamais aquele doutor veria num samaritano um próximo seu (Jo 4.9; 8.48).

- Jesus mostra que aquele doutor da Lei também precisa ver o samaritano como próximo (comp. Mt 18.33).

II. COMPAIXÃO E CARIDADE SÃO INTRÍNSECAS À FÉ SALVADORA

1. Compaixão.

1.1. Jesus revela que o Bom Samaritano teve ‘compaixão’ (Lc 10.33).

1.2. A compaixão é um sentimento intenso que faz com que a pessoa ‘mova-se’ (Lv 10.33; Êx 2.6).

2. Cuidado.

2.1. A parábola revela o aspecto prático do amor, ‘o cuidado’ (Lc 10.34).

2.2. Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Lc 10.27; Lv 19.18).

- Esse amor não é retórico.

- Esse amor é na prática (Jo 3.16; 1ª Jo 3.16-18).

3. Caridade.

3.1. O samaritano decidi curar (Lc 10.34).

3.2. O samaritano decidi gastar para ajudar (Lc 10.35).

3.3. Essas atitudes revelam a caridade do samaritano.

- Toda caridade é uma doação de si mesmo (1ª Pe 2.21)

III. O NOSSO PRÓXIMO É QUALQUER PESSOA NECESSITADA

1. O “próximo”.

1.1. No caso da parábola,-o próximo do doutor da lei era quem ele odiava, o samaritano (Jo 4.9; 8.48).

- Era um exemplo doloroso.

1.2. Jesus pergunta qual foi o próximo daquele homem que sofria (Lc 10.36).

. O homem limitou-se a dizer foi o que eu sou de misericórdia (Lc 10.37).

- Ele não falou que foi o samaritano

1.3. Com essa história Jesus respondeu a pergunta do doutor da lei (Lc 10.25).

1.4. A hipocrisia humana já existia na época de Jesus, por isso haviam diversos embates com os doutores da lei (Mt 21.1-36).

2. Ajudar ao próximo não salva, mas é algo que deve ser feito por quem é salvo.

2.1. Nessa parábola Jesus não afirma que o samaritano é salvo por haver feito bem ao próximo.

2.2. Fazer obras de caridade não leva ninguém a salvação (Ef 2.8,9).

2.3. Os verdadeiros filhos de Deus fazem boas obras foram chamados para isso (Ef 2.10; Tg 2.14,17).

2.4. Jesus ensina ao mestre da lei que essa questão pode ser resolvida.

3. A medida do amor para com o necessitado.

3.1. A medida do amor ao próximo pode ser medida com base na necessidade do outro

3.2. Algumas barreiras que nos levam a não ajudar o nosso próximo.

- Diferenças de nacionalidade.

- Religiosidade.

- Grupo social.

3.3. Devemos ter ações concretas (Tg 2.14-16).

4. Sendo o próximo.

4.1. O doutor pergunta quem é o próximo (Lc 10.29).

- Nessa pergunta o doutor da lei não tinha interesse algum em ajudar.

4.2. Na resposta de Jesus é dito o contrário: de quem eu posso ser o próximo (Lc 10.36).

- Nessa resposta o doutor da lei tinha que pensar em ajudar alguém.

4.3. De quem eu posso ser o próximo?

CONCLUSÃO. Aqui aprendemos que o amor não aceita limites na definição de quem é o próximo. Enquanto todas as sociedades e seus segmentos sociais acabam levantando barreiras para separá-las das demais pessoas, os discípulos de Cristo devem olhar para os seres humanos com igualdade, pois o próprio Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34).