TEOLOGIA EM FOCO

quinta-feira, 7 de maio de 2015

OS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL TESTEMUNHA DO APOCALIPSE


I. OS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL TESTEMUNHA  Ap 7.

João vê quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra...” (Ap 7.1), que simboliza os quatro pontos cadeias, isto é, o mundo inteiro. “Estavam retendo os ventos da ira do todo Poderoso, até que fossem assinalados os servos de Deus que encontravam em toda a terra”.

E o número dos assinalados era CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL, de todas as tribos de Israel. Estes cento e quarenta e quatro mil, são os remanescentes que serão salvos em Israel (Is 10.22; 17.6; Rm 9.27).

Os cento e quarenta e quatro mil são descritos como servos de Deus, provenientes das tribos dos filhos de Israel. Deus irá marcá-los nas suas testas para indicar que pertencem ao Senhor. Serão selados, iluminados e protegidos pelo Espírito Santo desde os céus, são guardados sob os cuidados de Deus em lugar especialmente preparado.

Nos primeiros três anos e meio o Anticristo fará uma aliança com Israel. Todavia os cento e quarenta e quatro mil ouvirão e aceitarão a pregação das duas testemunhas que ensinarão o povo israelita que o tal cristo não é o verdadeiro e sim um o falso messias o “Anticristo”.

Talvez sejam os primeiros convertidos pela pregação das duas Testemunhas. Eles substituirão a Igreja na obra de testemunhar, Deus nunca ficou sem testemunho, nem mesmo durante a apostasia de Israel (1º Rs 19.18-19; Rm 11.5). Os novos crentes, dentre os filhos de Israel, serão capacitados pelo Espírito Santo para pregar o evangelho durante os negros dias da tribulação. O testemunho dos cento e quarenta e quatro mil salvos durante a Grande Tribulação resultará numa grande multidão de salvos dentre todas as nações (Ap 7.9, 13, 14).

No evangelho de São Mateus 24.14, Jesus diz: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim. Para aqueles crentes que subiram com o Senhor o fim chegou, mas para aqueles que ficaram que conheciam a Jesus, e para aqueles que continuaram a nascer, porque a vida depois do arrebatamento continuará normal, sabemos que não será fácil ser crente na terra, e, contudo enfrentando a ditadura do Anticristo.

Eu acredito que os cento e quarenta e quatro mil e outros mais que surgirão, serão estes que conseguirão dar cabo da grande evangelização mundial, porque na Grande Tribulação aqueles que não aceitarem a marca da besta (Anticristo) e não negarem a Jesus entregarão suas vidas para serem salvas: “Então, ouvi o número dos que foram selados, que era cento e quarenta e quatro mil...” (Ap 7.4).

Conhecemos o selo também da atual dispensação, pois conforme Efésios 1.13, todos que renasceram em Cristo Jesus foram selados com o Espírito Santo. O mesmo vale também para os 144.000, apesar da aparente onipotência da besta que controla todo o mundo sua adoração através do falso profeta, mandando matar todos que não adoram a imagem da besta. Mas eles não serão dizimados. Em virtude de estarem selados com o Espírito Santo, eles resistiram vitoriosamente á fúria da besta e serão arrebatados para o céu:

“São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro” (Ap 14.4).

A expressão na Bíblia, que diz que não se contaminarão com mulheres, é apenas uma expressão no sentido espiritual. Os 144.00 permanecerão puros, recusando-se a se conformar com o sistema mundial ímpio do Anticristo e do falso profeta. Isso quer dizer que eles não se contaminarão com o mundo (mulher aqui significa o sincretismo de religiões falsas).

II. OS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL TESTEMUNHA - Ap 14

“Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai. Ouvi uma voz do céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão; também a voz que ouvi era como de harpistas quando tangem a sua harpa. Entoavam novo cântico diante do trono, diante dos quatro seres viventes e dos anciãos. E ninguém pôde aprender o cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra” (Ap 14.1-3).

Sem duvida trata-se novamente dos cento e quarenta e quatro mil selados dentre as doze tribos de Israel, que vimos no capítulo sete. Assim os que pertencem a Deus e os que são do diabo se distinguem abertamente.

O Cordeiro é figura de Cristo, “o Cordeiro de Deus” (Jo 1.36). O monte Sião não se trata da Jerusalém terrena e o drama que o restante da nação de Israel irá passar na batalha do Armagedom no final da Grande Tribulação. O Monte Sião, onde o Cordeiro está em pé, e com Ele os cento e quarenta e quatro mil, certamente é o Monte Sião celestial, conforme escreveu o autor da carta aos judeus cristãos: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia” (Hb 12.22).

Além do mais, não podemos esquecer de que este é o período da segunda metade da Grande Tribulação, quando o mundo está sendo assolado com a presença do Anticristo. Ele também está assentado no santuário em Jerusalém, ostentando-se como se fosse o próprio Deus.

A descrição do Cordeiro e dos cento e quarenta e quatro mil selados de Israel nada mais e do que o inverso celestial daquilo que vimos no capítulo 13. As duas bestas e seu comportamento era terreno; o Cordeiro e os cento e quarenta e quatro mil são celestiais. Apresenta-se o contraste entre o cruel e grosseiro monstro que é o Anticristo e o Cordeiro de Deus imaculado na Sião celestial. Os portadores a marca da besta (666), seus seguidores e adoradores, são confrontados com a assembléia dos discípulos do Cordeiro, aqueles que têm escrito nas frontes o nome do Cordeiro e o nome do Seu Pai.

Os cento e quarenta e quatro mil não refere-se aqui á Igreja, a Noiva. Os anciões referidos no verso 3, são distintos dos cento e quarenta e quatro mil, e incluem e representam a Igreja.

Os cento e quarenta e quatro mil são as primícias de Israel que vão reconciliar e reconhecerão que Jesus é o verdadeiro Messias (Jr 31.32-33; Ez 11.19-20; 36.27-28; Os 2.16-23). No meu entendimento os cento e quarenta e quatro mil serão arrebatados em meio a Grande Tribulação conforme já vimos: “A mulher, porém, fugiu para o deserto, onde lhe havia Deus preparado lugar para que nele a sustentem durante mil duzentos e sessenta dias” (Ap 12.6).

Observe que no capítulo 7, João vê os 144.00 na terra, mas no capítulo 14 João os vê no céu com o Cordeiro. No céu são agora reveladas as características dos cento e quarenta quatro mil. O que eles eram na terra, manifesta-se agora na sua glória. Suas características são ao mesmo tempo as características de todos os selados com o Espírito Santo. O que somos aqui interiormente será então manifestado na glória.

Em Apocalipse 7.3, somente é dito que os 144.00 selados são “servos de Deus”. Mas com o Cordeiro na glória, na Sião celestial, mostra-se o grau da sua semelhança com Ele.

O selo que é o Espírito Santo torna visível o nome do Pai. O selo com o nome sagrado sobre sua fronte revela:

1. Que em meio ao furor do Anticristo, eles foram fiéis testemunhas. Eles perseveraram na fé. Isto em contraste com os muitos milhões que têm o nome da besta gravado em sua fronte ou na sua mão direita.

2. Que mantiveram a pureza absoluta, pois está dito deles: “São estes os que não se macularam com mulheres, porque são castos. São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá. São os que foram redimidos dentre os homens, primícias para Deus e para o Cordeiro; e não se achou mentira na sua boca; não têm mácula” (Ap 14.4-5). Certamente não se trata no caso de celibato, mas de pureza. A decadência dos costumes morais atualmente se alastra cada vez mais, será tão completa durante a Grande Tribulação, que será difícil permanecer imaculado. Mas em virtude de estarem selados, os 144.000 permanecerão imaculados.

3. E são verdadeiros: “...e não se achou mentira na sua boca” (v. 4). Quão infinitamente importante é que não haja mentira em nós, já somente porque o Senhor só nos ouve quando o invocamos com o coração verdadeiro. Quem age com engano em todas as áreas quer seja política ou religiosa no caso de falsos ensinos corrupção afasta-se cada vez mais da Sião celestial, sendo cada vez mais preso ao pai da mentira.

Durante a Grande Tribulação os 144.000 experimentarão muitas coisas: eles creram, foram selados e também serão arrebatados para o Cordeiro. Estas puras e verdadeiras primícias de Israel, apesar de terem a mentalidade de noiva, não farão parte da Igreja-Noiva. Pois esta já está ataviada e preparada para as bodas do Cordeiro. Estes serão os convidados para as “Bodas do Cordeiro” (Ap 19.7).

Os 144.000 não se encontram sobre tronos, mas diante do trono, do mesmo modo como a multidão inumerável dentre todos os povos e línguas (Ap 7.9). Lá os selados de Israel entoam um “novo cântico” (v. 3). Apesar de não serem ligados ao trono como os quatro seres viventes (Ap 4.6-9), nem estarem sentados sobre tronos e com coroas nas cabeças como os vinte quatro anciões (a Igreja; conf. Ap 4.4, 10 e 11), eles têm um motivo extraordinário e especial para louvar ao Criador. Nem os quatro seres viventes, nem os vinte e quatro anciões têm este motivo. Pois ninguém cumpriu tal tarefa como eles: a pregação do evangelho para seu povo diante da face da besta e do Anticristo. Em virtude de estarem selados, eles venceram na provação extrema da genuinidade da sua fé em Jesus Cristo. Não é de admirar que esse maravilhoso cântico é procedido por um indescritível prelúdio: “Ouvi uma voz do céu como voz de muitas águas, como voz de grande trovão” (vv.2).

Estas primícias de Israel mostram-nos também uma ordem completamente nova: todo o Israel, que será salvo mais tarde (Rm 11.26). Do mesmo modo como os vinte quatro anciões representam toda Igreja de Jesus, os cento e quarenta quatro mil representam as primícias da nação de Israel, embora eles sejam os rabiscos da colheita. Eles são as testemunhas especiais do Pai e do Filho nos escuros dias da angústia de Jacó, na humilhação e na miséria de seu povo. Junto a Cristo, em seus atos especiais para a salvação final da nação escolhida, eles têm a posição mais elevada. Justamente por isso eles também são selados de maneira especial nos dias especialmente difíceis. Esse é o galardão pela sua fidelidade ao Senhor na presença do mentiroso desde o princípio. Por isto está escrito sobre eles a honrosa referência: “São eles os seguidores do Cordeiro por onde quer que vá” (v. 4).

Os russelitas, também conhecidos por testemunhas de Jeová, querem afirmar que os cento e quarenta e quatro mil são o número dos que hão de ser salvos, dentre todas as nações e através de todos os tempos, e os únicos redimidos. Mas, aqui, cai por terra este ensino herético, porque são os anciãos que representam a Igreja, e estes cento e quarenta e quatro mil são assinalados do capítulo 7, onde inclui todo o remanescente de Israel salvo pela vinda do Libertador (Rm 11.26). Amem!


Pr. Elias Ribas

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