TEOLOGIA EM FOCO

domingo, 9 de setembro de 2012

A NORMOSE DA RELIGIÃO


Segundo Pierre Weil, a normose pode ser definida como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos e pensar ou agir, que são aprovados por  consenso ou pela maioria em uma determinada sociedade e que provocam sofrimento,  doença e morte.

Sempre houve uma grande preocupação em se separar as variadas formas de comportamento humano. Uma destas é aquela que divide os comportamentos em “normais” e patológicos.

Normais seriam todos aqueles que se enquadrariam dentro da norma, ou seja, aquele seguido e demonstrado pela maioria, considerado natural. Na categoria de patológicos, estariam justamente, aqueles comportamentos, ou aqueles indivíduos que se comportariam fora das normas.

Há na maioria dos nossos contemporâneos uma crença bastante enraizada. Segundo esta, tudo o que a maioria das pessoas pensa, sente, acredita ou faz, deve ser considerado como normal e, por conseguinte servir de guia para o comportamento de todo mundo e mesmo de roteiro para a educação.

Está se descobrindo que muitas normas sociais atuais ou passadas que levam ao sofrimento moral ou físico ou mesmo de indivíduos, de grupos, de coletividades inteiras ou mesmo de espécies vivas.

A normose impõe a sociedade, uma cultura do sucesso, sendo que o fracasso e o ostracismo são uns dos maiores medos do normótico, que busca por segurança em estados temporários e ilusórios, nos objetos exteriores, em conquistas e sucessos efêmeros não sabendo que a verdadeira segurança é uma condição subjetiva, resultado de uma experiência transpessoal, que se revelará de forma espontânea e natural no momento do despertar da verdadeira consciência.

O desastre é eminente para o normótico que faz depender a sua segurança das parafernálias externas e não da paz da vida interna, a qual não depende das circunstâncias da vida externa. O normótico vive fazendo investimentos e seguros para sua vida, mas não investe na espiritualidade, sendo esperto por alguns momentos, mas um tolo a longo prazo, pois leva muito tempo para ele constatar que o acúmulo de riquezas, prestígio e poder é apenas uma troca, e não o fim, da sua falta de segurança. Em sua busca insana pela segurança financeira, o normótico perde sua saúde para depois pagar de bom gosto tudo o que conquistou para ter novamente sua saúde física, mental e emocional. Na tentativa de conquistar a “pseudo-segurança” para a sua vida, o normótico esquece vivê-la e como resultado vive num desespero silencioso, precisando às vezes chegar ao topo da escada do sucesso, para amargamente descobrir que a mesma estava encostada na parede errada. É justamente neste desespero silencioso que uma fração de sanidade pode romper as paredes da normose e levá-lo ao questionamento do tipo: Espelho, espelho meu, será que algum dia eu já vivi?

É a doença de normalidade, que cria em nós muitas vezes uma cumplicidade com fatos que, a princípio e por princípios aprendidos, não concordamos. A normose faz as pessoas acreditarem que o fim justifica os meios, sejam eles quais forem chegando-se muitas vezes a adotarem comportamentos que antes julgavam patológicos. A normose ignora a sensibilidade e o respeito ao outro.

É ela que faz tantos indivíduos preterirem o ser, pelo Ter. É justamente o aumento de pessoas acometidas pela normose, que nos faz tantas vezes sentirmos medo, indignação e preocupação no que diz respeito aos caminhos que têm tomado o nosso mundo! O doente da normalidade é egoísta e extremamente perigoso para o bem da humanidade. Fique atento e se por acaso perceber o aparecimento de alguns destes sintomas em você, elimine-os logo no início, pois, segundo Leloup, é uma doença cumulativa, fica cada vez mais resistente e difícil de ser curada!
[PIERRE WEIL, JEAN YVES LELOUP E ROBERTO CREMA. Trechos do livro: Normose – a patologia da normalidade, Pag. 153/164, Editora Verus- disponível: http://www.cuidardoser.com.br/normose-ou-anomalias-da-normalidade.htm - acesso dia 29/10/2009].

Existe uma normose comum à maioria das religiões que consiste em acreditar na sua própria superioridade sobre as demais o que leva a conflitos e mesmo a guerra. Outra normose religiosa que sustenta os fanatismos é a que consiste em se ater ao pé da letra dos textos sagrados esquecendo o espírito e a época em que forma redigidos assim como os seus aspectos de mensagens simbólicas.

A normose religiosa não é uma doença moderna. Ela foi combatida por Cristo e pelos apóstolos e ainda hoje está epidemia tem se alastrado em nossas igrejas. São pessoas normóticas que agridem o seu semelhante pelas tradições e regras humanas impostas obrigatoriamente pela religião.

[....] Cristo sabia perfeitamente que a complexa legislação farisaica (preceitos humanos) tornava o relacionamento com Deus extremamente laborioso e, paradoxalmente, inútil. De fato, não passava de uma muleta religiosa (e duvido que alguém possa chegar ao céu escorado numa muleta!). Conseqüentemente, os fariseus, graças as suas imposições, distanciavam as pessoas da genuína prática de uma vida interior com Deus [SANTOS ISMAEL . A caminho da Maturidade. Pg. 31].

A Bíblia ordena aos crentes a se acautelarem desses falsos dirigentes religiosos (Mt 7.15; 24.11); a considerá-los incrédulos e malditos (cf. Gl 1.9) e não dar apoio ao seu ministério e a não ter comunhão com eles (2ª Jo 9.11).

Cristão que, em nome do amor, da tolerância ou da união, não procedem nesses casos como Jesus, quanto aos que corrompem os ensinos de Cristo e das Escrituras (7.15; 2ª Jo 9; Gl 6.7), participam das más ações dos falsos profetas e mestres (2ª Jo 10.11), isto prova que são pessoas normóticas.



Pr. Elias Ribas
Igreja Assembléia de Deus
Blumenau - SC.


FONTE DE PESQUISA

1. ISMAEL DOS SANTOS. O Caminho Da Maturidade. CPAD, Ed. CPAD, Rio de Janeiro, RJ.
2. PIERRE WEIL, JEAN YVES LELOUP E ROBERTO CREMA. Trechos do livro: Normose – a patologia da normalidade, Pag. 153/164, Editora Verus- disponível: http://www.cuidardoser.com.br/normose-ou-anomalias-da-normalidade.htm - acesso dia 29/10/2009.