TEOLOGIA EM FOCO

quarta-feira, 18 de julho de 2012

COMO IDENTIFICAR UM FARISEU


I.        SÃO FRACOS NA FÉ


Os cristãos em Roma tinham dificuldades de distinguir o certo do errado, então Paulo os escreve dizendo:

“Acolhei ao servo que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. 2 Um crê que tudo pode comer, mas o débil come legumes. 3 Quem come não despreze o que come; e o que não come não julgue o que come, porque Deus acolheu. 4 Quem és tu que julgas o servo alheio? 5 Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. 6 Que distingue entre dia e dia para o Senhor o faz; e quem come para o Senhor come porque a Deus, porque dá graça a Deus; e quem não come e dá graças a Deus. 10 Tu, porém, porque julgas teu irmão? Pois todos compareceremos perante o tribunal de Deus. 15 Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal. Por causa da tua comida, não faças perecer aquele a favor de quem Cristo morreu” (Rm 14.1-6, 10, 15, 20).

Uma das características marcantes do ensino de Paulo é que ele sempre relaciona doutrina e dever, fé e conduta. No texto decorrente ele não apresenta aos seus leitores uma ética pessoal ou individual, mas estabelecer uma nova comunidade que Cristo estabeleceu com Sua morte e ressurreição.

Paulo acreditava que estes irmãos poderiam ser ascetas, irmão que teriam vindo do paganismo. Tal ascetismo poderia explicar a razão por que os fracos se abstinham da carne. Outra possibilidade é que os fracos seriam os legalistas, irmãos judeus (essênios), convertidos ao cristianismo.

Certos crentes de Roma estavam divididos entre si, no tocante a uma questão importante: alguns estavam resolvidos a comer somente legumes, ao passo que outros comiam, além de legumes, todos os demais alimentos, inclusive carne. Em função disto, Paulo dirige-se a ambos com palavras sábias e precisas a respeito de um assunto que os dividia – a ingestão de certos alimentos tidos como imundos. Paulo declara que o ato de comer, em si, não é problema moral, mas a nossa atitude pessoal sobre o que se come, pode levar ao injusto julgamento de uns com os outros.

[...] Segundo o professor Dunn, as tensões em Roma aconteciam “entre aqueles que se consideravam parte de um movimento essencialmente judaico – e conseqüentemente, viam-se obrigados a observar os costumes característicos e distintivos a um judeu – e aqueles que compartilhavam a compreensão de Paulo sobre um evangelho que transcendia a particularidade judaica”. Outra marca era observância do sábado. Assim o comer alimentos impuros e o violar o sábado encontrava-se no mesmo nível como as duas grandes marcas que denotavam a deslealdade com à aliança. Portanto conclui James Dunn, caracterizar Romanos 14-15 como “uma discução de ‘coisas não-essenciais’.... é perder a centralidade e a natureza crucial da questão da auto-compreensão do cristianismo primitivo” [STOTT. P 432].

Um ponto interessante a ser destacado, no texto em estudo, é a diferença entre vários tipos de crentes na igreja em Roma. Isto significa que há, entre os filhos de Deus, diferentes níveis de conhecimento e de fé. Há os crentes meninos, os maduros, os carnais, os espirituais, os fracos, os fortes etc (Ef 4.14; 1ª Co 3.11; 1ª Co 8.11).

A igreja de Roma enfrentava um conflito entre os cristãos fracos e os fortes (1ª Co 8.7). Os fortes são os que conhecem a Palavra de Deus; os fracos ainda não alcançaram o verdadeiro entendimento das coisas espirituais.

Um crê que pode comer de tudo, pois a liberdade que Cristo lhe proporciona libertou-o de escrúpulos desnecessário com relação á comida; já outro, cuja fé é fraca, come apenas legumes. Isso acontece com certeza, não por ele ser vegetariano por princípios ou questões de saúde, mas porque o único jeito de provar ou garantir que ele nunca come carne impura segundo os ensinamentos que recebera da lei.

Como é que esses cristãos devem considerar um ao outro? Aquele que come de tudo (forte) não deve desprezar o que não come (que, em face de seus escrúpulos, é fraco), e aquele que não come de tudo (o fraco) não deve condenar aquele que come (que é forte em virtude de sua libertação).

Um dos problemas nas igrejas de hoje é: “os crentes fortes não suportam os fracos porque estão errados, e os fracos não suportam os fortes por que acham estar certos”.
É importante esclarecer que a “fraqueza” que Paulo refere não é uma franqueza de vontade de caráter, mas de fé; “débil na fé”, em outra tradução diz “fracos na fé”. Paulo procura mostrar que na igreja existem crentes fortes e crentes fracos.

São crentes vulneráveis, sensíveis, cheio de indecisões e escrúpulos. O que farta ao fraco não é força de vontade, mas liberdade de consciência.

A expressão “fraco na fé”, segundo Paulo, “atesta a falta ou incapacidade de compreender o princípio fundamental da fé e da justificação”, ou seja, a imaturidade. Os fracos na fé consideravam a observância e as abstenções de alimentos e boas obras, seriam necessárias para a salvação. Mas na carta aos Gálatas (1.8-9) Paulo emite um anátema solene contra qualquer um que ouse distorcer dessa forma o evangelho da graça.

Alguns achavam que comer carne era pecado, outros não. No tocante ao que comemos não irá afetar a nossa salvação. Paulo procura mostrar aos romanos que existem irmãos que são débeis na fé, porque ainda não receberam um alimento sólido.

Os reformadores do século XVI chamaram essas coisas de adiaphora, “questões de indiferença”, quer se tratasse de costumes e cerimônias, crenças secundárias que não faziam parte do evangelho ou do credo cristão.

A santidade não é algo visível, mas depende em primeiro lugar da conduta e mudança interior. Não se pode avaliar um irmão pela comida ou pelo vestuário.

[...] Não temos, hoje em dia, a mesma necessidade de discernimento. Não devemos exaltar as coisas não essenciais, essencialmente questões de costumes e rituais, ao nível do essencial, fazendo delas testes de ortodoxia e condição para a comunhão. Tampouco podemos subestimar questões teológicas ou morais fundamentais como se elas não importassem ou fossem apenas culturais. Paulo fazia distinção clara entre essas coisas; e nós deveríamos fazer o mesmo [STOTT. P 433].

Quando o homem aceita a Cristo, sente imediatamente a necessidade de crescer no conhecimento da fé que abraçou e de desenvolver-se na salvação conforme nos ordena a Bíblia (Hb 5.11-14). Muitos infelizmente negligenciam a busca pelo crescimento espiritual. E a falta de conhecimento suscita uma infinidade de barreiras que acabam por comprometer o seu crescimento espiritual. O problema crucial é quando estas pessoas conseguem um lugar de destaque na igreja.

O cristão deve agir de acordo com sua própria consciência, que deve estar alinhada com a Palavra e iluminada pelo Espírito Santo.

Paulo não está tentando dissimular ou disfarçar aquilo que esses irmão e irmãs são. Eles são fracos na fé, imaturos, incultos e até equivocados. Mas nem por isso devemos ignorá-los, mas ensiná-los com um alimento sólido para que tenham um amadurecimento na fé. Implica o calor e a bondade que marcam o verdadeiro amor. Aquele que recebe alimentação sólida irá crescer e abandonar as tradições seculares.

“Não, porém, para discutir opiniões”. Convém refletirmos o princípio da aceitação sem discutir assuntos controvertidos. No original “diakriseis” pode significar discussões, debates, discórdia ou julgamento; já “dialogismoi” pode referir-se a opiniões, escrúpulos ou conflitos íntimos e ansiosos da consciência.

Paulo chega a deixar transparecer certo sarcasmo quando justapões: “Não destrua o reino de Deus por causa da comida: “Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura. O Reino de Deus não é comida e nem bebida, mas justiça, paz, e alegria no Espírito Santo. Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo” (Rm 14.14, 17, 20).

Para Paulo, nada (que não seja colocado na Palavra como pecado) é imundo em si mesmo (cf Mc 7.14-23; Tt 1.15).

A discussão na igreja de Roma nos dias de Paulo era entre os irmãos que ainda estavam apegados na lei de Moisés. Todavia, nos dias de hoje ainda existem igrejas que se apegam as tradições judaicas como doutrina. São “líderes espirituais” que seu estilo ascético de conduzir a igreja demonstra a falta de humildade e, uma falsa sabedoria que por sua vez provoca discórdias no meio da igreja, destruindo assim o reino de Deus.

Paulo diz que a fé vem pela pregação da Palavra ( Rm 10.17) e sem fé é impossível agradar a Deus. A Palavra acrescenta a nossa fé. É por isto que Paulo escreve aos romanos dizendo: “A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova” (Rm 14.22).

Tudo que você comer, beber ou vestir, vem de Deus e devemos fazer com ações de graça e para engrandecer Sua glória: “Portanto, quer, comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a Glória de Deus” (1ª Co 10.31).

O que o apóstolo desejava, em outras palavras, é que os cristãos romanos não julgassem uns aos outros por causa dessas coisas, mas se aceitassem mutuamente conforme Cristo ensinara. Cristo nos aceita do modo que somos. Paulo ensina que judeus e gentios devem amar uns aos outros, como também Cristo nos amou (Rm 15.7).

Somos imperfeitos. Se desejarmos, de fato, crescer e alcançar a perfeição exigida pela Palavra de Deus devemos acrescentar diariamente á nossa fé a virtude, e á virtude o conhecimento (2ª Pe 1.5).

Ora, se ainda não chegamos á estatura de varões perfeitos, como poderemos julgar nossos irmãos por causa de coisas insignificantes como acontecia os crentes romanos?

Somos membros de uma família. Como filhos de Deus, devemos cuidar uns dos outros e nos amarmos com amor que nos concede o Pai (1ª Jo 3.1). A Bíblia nos ensina que somos um só corpo: o corpo de Cristo (1ª Co 12.27) que está sendo edificado (Ef 4.12-15). Portanto acima de nossos direitos e desejos está o bem comum, o cuidado dos outros e o crescimento da Igreja do Senhor.

II.     FALSOS ENSINOS COM RESPEITO AOS ALIMENTOS



“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que tem cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado. Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1ª Tm 4.1-6).

O verdadeiro cristão dá ênfase às doutrinas de Deus e não as coisas secundárias, com respeito alimentação e vestiário, pois muitas vezes traz mais divisão do que edificação.

“Não vos deixe envolver por doutrinas várias e estranhas, porquanto o que vale é estar o coração confirmado com graça e não com alimentos, pois nunca tiveram proveito os que com isto se preocuparam” (Hb 13.9).

Na carta de Tito, porém ele diz: “Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes, o seu entendimento e consciência estão contaminados” (Tt 1.10-15).

O cristão idôneo sabe que tudo foi Deus quem o criou. Sendo Deus o Criador, tudo é puro e perfeito desde que comemos com moderação.

“Porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada. Propondo estas coisas aos irmãos, será bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade” (1ª Tm 4.4-7. RC).

Realmente os grupos não eram homogêneos; havia certa sobreposição. Somos todos irmãos, e não juízes. Isto não significa, porém, que não podemos julgar as questões surgidas entre nós. Este julgamento, no entanto, tem de ser conduzido conforme o recomendado por: “Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça” (Jo 7.24). Aliás, escreve o apóstolo aos Coríntios que os santos hão de julgar os anjos (1ª Co 6.3). Mas que todo julgamento neste mundo deve ser segundo a reta justiça.

“Todos compareceremos perante o tribunal de Deus (Rm 14.10). Portanto, já que Deus é o Juiz e nós estamos entre os julgados, deixemos de julgar uns aos outros, pois assim evitaremos extrema insensatez de tentar usurpar a prerrogativa de Deus e antecipar o dia do juízo.

O objetivo maior de todo o crente deve ser o crescimento do Reino de Deus e a edificação da Igreja. Tudo o que o cristão vier a ser, ou a fazer, deve objetivar o desenvolvimento do corpo de Cristo, nunca para o seu prejuízo. Toda sua conduta deve ser guiada pelo amor aos demais irmãos.

III.  FALSOS IRMÃOS

“E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão” (Gl 2.4; outra ref. 2ª Co 11.26).

Paulo chama os tais pregadores de falsos irmãos, pois estavam se intrometendo no meio da igreja para tirar a liberdade daqueles que tinham recebido a Cristo segundo a verdade, para uma vida de servidão humana, isto é, colocar um jugo severo sobre os seus seguidores.

Eram falsos, porque estavam dissolvendo o evangelho da graça num outro evangelho (Gl 1.6). Um evangelho de mistura com as crenças e ritos judaicos.

“Espreitar a nossa liberdade” significa: espionar, observar, indagar, espiar. Paulo aqui refere--se aos fariseus que estavam observando e espionando a vida dos outros, por exemplo: o que você come e o que você veste. Esquece que Jesus mandou primeiro tirar a trave do seu olho e deixar o argueiro do irmão (Mt 7.3). Existem certos crentes que estão sempre espionando os outros para acusarem.

IV.  SÃO INSENSATOS


“Ò insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes á verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado? 2. Só queria saber isto de vós: Recebeste o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 3. Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabais agora pela carne? 4. Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão. 5. Aquele, pois, que vos dá o Espírito e que opera maravilhas entre vós o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? 10. Todos aqueles, pois que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque escrito está: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gl 3.1-5, 10).

Para os judaizantes convertidos em Roma, Paulo os chamou de fracos na fé, mas os judaizantes da Galáxia ele chama de falsos irmãos e insensatos (loucos).

O apóstolo Paulo ficou perplexo com a rapidez com que os crentes gálatas haviam se desviado da fé. Eram filhos da fé de Paulo, foram evangelizados e doutrinados pelo apóstolo. Tão depressa se desviaram para seguir a estranhos, e o pior, um evangelho contraditório.

Paulo começa a defesa de seu evangelho relembrando aos gálatas de que sua vida cristã, que teve início com Cristo crucificado e foi certificada pelo Espírito Santo, estava completamente separada da lei. Eles seriam tolos de abandonar o caminho de Deus e tentar alcançar a perfeição por seus próprios esforços.

A Bíblia Viva contém a seguinte leitura deste versículo: “Gálatas insensatos! Quem foi o feiticeiro que os sugestionou e pôs em vocês esse encantamento ruinoso? Em outras palavras: “Vocês enlouqueceram? Quem roubou a sua mente”? Paulo estava fora de si. Quem havia hipnotizado os gálatas antes completamente despertos?

“Quem vos fascinou” (v.1). O verbo no original para “fascinar” é baskaino, e só aparece em todo Novo Testamento nesta passagem. Na literatura grega clássica da época tem o sentido de “enfeitiçar”. Os gálatas receberam o Espírito Santo quando creram na mensagem que Paulo pregou, e não pelas obras da lei. Era uma experiência extraordinária do poder transformador de Deus na vida deles. Como agora podiam trocar essa experiência verdadeira cristã por um evangelho espúrio e contrário ao que o apóstolo pregou? Estava agora estupefato com a insensatez (loucura) dos gálatas. Não podia crer que essa gente pudesse ser iludida, como se fosse mentira (Jo 8.44).

Os fariseus são como feiticeiros do mal, desviando os olhos de suas vítimas da cruz para a lei. Entretanto, os gálatas não têm desculpa, pois Paulo lhes deixou bem claro o significado da cruz. Os judeus consideravam Abraão como seu pai e fonte de suas bênçãos espirituais. Eles acreditavam que a simples ascendência física de Abraão os tornava justos. Paulo mostra que Abraão agradou a Deus pela fé e não por realizar obras da lei, uma vez que a lei não existia na época de Abraão. Ele também insiste que os verdadeiros filhos de Abraão, e herdeiros da bênção prometida, são aqueles que vivem pelo princípio da fé. Paulo apresenta as alternativas da fé (v. 11), e da lei (v. 12) como formas de justificação. Entretanto, ao invés de justificar, a lei mal diz (v. 10), pois faz exigências que ninguém pode cumprir.

O legalismo está fundamentado no uso inadequado da lei. Quando abraçamos o legalismo, abrimos a porta para a feitiçaria entrar nas nossas vidas. O legalismo libera uma feitiçaria, um fascínio demoníaco que se manifesta através da manipulação, da dominação e da intimidação, que roubam nossa sensibilidade e bom senso em relação ao Evangelho.

Ao invés de desenvolver uma comunhão entre os irmãos, o legalismo faz com que os líderes ajam com extrema severidade e sem misericórdia. Na igreja a pessoa legalista se irrita por questões insignificantes e amorais, fazendo com que a igreja se distraia do seu real propósito, e assim por diante.

Qual é o fruto do legalismo? Morte. Por isso, produzir fruto é uma questão de relacionamento e não esforço. Na verdade, o farisaísmo destrói o relacionamento e a unidade do corpo.

“Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus ou, antes, sendo conhecidos de Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós que haja eu trabalhado em vão para convosco” (Gl 4.8-11).

Paulo adverte aos cristãos da Galácia que estavam deixando o evangelho retornando os rudimentos pobres e fracos da lei. Ele declara que: voltar ao legalismo não seria melhor que voltar para a adoração pagã? Deus condena os pagãos como também condenou os fariseus seguidores da lei.

Nenhum crente é salvo por mérito ou porque praticou alguma boa obra ou porque observou algum principio da lei, ou porque segue as tradições humanas de seus líderes. Todos os crentes em Jesus foram justificados, isto é, aceito por Deus, mediante a fé em Jesus (Tt 3.5).

Paulo os chama de “insensatos”, mas no Versículo 10 de “malditos”. Paulo passa a mostrar à luz das Escrituras Sagradas, usadas pelos judaizantes, a maldição dos legalistas. Maldição é o contrário de benção. Todos aqueles, pois que são das obras da lei no verso dez, mostra que a maldição não se restringe apenas aos judaizantes. O Espírito Santo está mostrando que esta maldição é extensiva a todos os que procuram se justificar pelas obras da lei, ou aqueles que usam as tradições obrigatórias e primárias as Escrituras.

“E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora a lei não é fé, mas o homem que fizer estas coisas por elas viverá” (Gl 3.11-12).

O apóstolo apresenta outra realidade que os gálatas deviam conhecer e com ela podiam repudiar os judaizantes. As duas passagens do Antigo Testamento; “O justo viverá da fé” (Hb 2.4), e “o homem que fizer estas coisas por elas viverá” (Lv 18.5), no vv. 11 e 12, mostram a superioridade do evangelho.

Se não tivéssemos a posição firme do apóstolo Paulo, colocando a lei no seu devido lugar e explicando a superioridade do evangelho, o cristianismo, além de não ser religião distinta do judaísmo, não poderia ensinar a verdade da justificação dos pecados pela graça.

V.     SUBMETEM O POVO AOS SEUS COSTUMES

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou pelos dias de festas, ou lua nova, ou sábado” (Cl 2.16).

[...] As duas primeiras palavras provavelmente se referem às regras judaicas sobre alimentação do Antigo Testamento, que os colossenses eram pressionados a observar como necessidade para a salvação pelos falsos mestres. E, ainda hoje, existem ministros que se intrometem na alimentação dos irmãos outros usam o sábado, usos e costumes como meio de salvação. São ministros débeis na fé, por falta de maturidade, instrução e conhecimento da Palavra de Deus.

Os falsos mestres, a quem o apóstolo se refere, estavam envolvidos com o legalismo judaico: circuncisão (Cl 2.11), preceitos dietéticos e guardas de dias (Cl 2.16). Há também várias referencias ao gnosticismo (Cl 2.18-23).

O verbo grego paralogizomai, que quer dizer “enganar, seduzir com raciocínios capciosos”, descreve com precisão a perícia dos falsos mestres na exposição de suas heresias. O nosso cuidado deve ser continuo para não nos tornarmos presas desses doutores do engano.

A guarda de dias de festas sagradas, ao lado dos sacrifícios requeridos na lei mosaica foram, com justiça, observados antes da vinda de Cristo. Eram parte do culto e dos sacrifícios na Antiga Aliança, como “sombra das coisas celestiais” (Cl 2.17; Hb 8.5), ou “uma alegoria para o tempo presente” (Hb 9.9), ou ainda “a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas (Hb 10.1), isto é, realidade prefigurada por eles, temo-la em Cristo. Tendo a Cristo, temos tudo o que carecemos. O cristão não precisa, pois, ficar preso a tais ordenanças, que eram sombra, ou tipos de Cristo, o antítipo, ou a realidade trazida à história. A vida do crente em Cristo é liberta de qualquer calendário escravizante, inclusive da guarda dos sábados, que era um concerto especial de Jeová com seu povo (Êx 31.13; Dt 5.12; Ez 20.12). Os cristãos guardam o domingo apenas como dia de descanso semanal. Nesse dia, o primeiro da semana, O Senhor Jesus (que é também o “Senhor do sábado”, Lc 6.5) ressuscitou (Mc 16.1-8). Os cristão primitivos conheciam esse dia como “o dia do Senhor” (Ap 1.10). A própria palavra “domingo” significa “dia do Senhor” [RENOVATO. Lições bíblicas – 3º Trimestre 2004].

1. Cristo é o árbitro do nosso coração. Paulo ao escrever sua carta aos romanos diz que somos justificados mediante a fé e temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5.1). Quando você é salvo lavado no sangue e justificado, passa a estar em paz com Deus. A paz de Deus provém de caminhar em obediência à vontade de Deus, pois Ele é o nosso arbitro: “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sedes agradecidos” (Cl 3.15). “E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fl 4.7).

É o Espírito Santo que é o nosso árbitro, pois é Ele quem fala em nossos corações. Nem Jesus como homem julgou a humanidade, mas disse: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo. Quem me rejeita e não recebe as minhas palavras tem quem o julgue; a própria palavra que tenho proferido, essa o julgará no último dia” (Jo 12.47-48).

2. . Palavra é o Seu Árbitro: Guardar é a palavra chave e significa: “Agir como árbitro”. A paz de Deus que excede todo entendimento agirá como árbitro.

A finalidade do árbitro é a de declarar as condições do jogo. Assim sendo, a paz de Deus deve agir como árbitro para dizer-nos se estamos certos ou errados. Quando a paz de Deus o deixa, é hora de parar e examinar a situação. Sabemos que é parte da promessa de Deus de guiar-nos continuamente, Ele nos dá a orientação para manter-nos na direção certa em nossa caminhada Cristã. Falamos de termos uma convicção interior do que Deus quer que façamos; da necessidade desta convicção estar em linha com as Escrituras; da confirmação profética para dar-nos direção; sabedoria dos conselhos de pessoas devotadas a Deus; de circunstâncias confirmadoras; do árbitro da paz de Deus; e finalmente, da provisão de Deus.

3. Intrometem-se, julgam e policiam a vida dos outros. “Portanto, por que é que você, que só come verduras e legumes, condena o seu irmão? E, você, que come de tudo, por que despreza o seu irmão? Pois todos nós estaremos diante de Deus para sermos julgados por ele” (Rm 13.10 – NTLH).

Não temos o direito de julgar os outros e condená-los, por um código humano. Todo o julgamento compete ao Senhor. Por isso Paulo diz: “Cada um dará conta de si mesmo” (Rm 14.12, 13), ou seja, iremos um dia comparecer diante do Tribunal de Deus. Deus constitui ministros para pregar o Evangelho, e não para serem “donos” do Evangelho. O verdadeiro ministro é um servo da Igreja de Cristo e não o dono da Igreja.

A religião farisaica dos tempos de Jesus usava o critério do julgamento humano, e Jesus é claro ao dizer para os fariseus:

“Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também. Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?” (Mt 7.1, 4).

“Não julgueis”. A palavra utilizada no original grego é Krino, e o significado, juiz. No texto original, a forma usada indica que Seus ouvintes precisavam parar de julgar. Para nos darmos bem com os outros, precisamos parar de julgar. (v. 1a).

Os escribas e os fariseus seguiam Jesus por onde quer que Ele fosse na tentativa de achar alguma falha para acusá-Lo (Lucas 6.1–7). Por esta razão Jesus traz este assunto sobre o julgamento.

Sendo assim, no Sermão do Monte, Jesus fez muitas referências a eles, direta e indiretamente. Em Mateus 5.20, Ele disse: “… se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus”. Jesus ensina a Seus discípulos, que a justiça dos fariseus estava baseada em religiosidade e não em atos de fé e de amor. Na última parte do capítulo 5, Cristo contrastou o Seu ensino com as tradições relativas à lei; essas tradições foram perpetuadas pelos fariseus. Na primeira parte do capítulo 6, Jesus falou de hipócritas que tocavam trombetas quando davam esmolas, que oravam em praças públicas com repetições intermináveis, que queriam que todos soubessem quando jejuavam. Qualquer um teria identificado os fariseus nessas descrições de Jesus.

[...] Os escribas e fariseus eram culpados do tipo de julgamento que Jesus estava denunciando. Eles condenavam grandes segmentos da sociedade: os cobradores de impostos (Lucas 18.9–14), os samaritanos e os gentios. Além disso, eles se consideravam superiores a todos os demais. Olhavam com desprezo para os outros e tinham pouca compaixão dos outros. Se quisermos nos dar bem com os outros, nossa justiça terá de exceder a dos escribas e fariseus”. [Disponível: David Roperhttp://www.biblecourses.com/po_lessons/PO_200703_04.pdf – acesso dia 29/08/2009].

A palavra grega krinete, aqui traduzida como “julgar”, pode conter, tanto no grego como no português, uma extensa escala de significados, desde discernimento até condenação. O contexto aponta claramente para este último sentido. Nem o exercício de uma judiciosa discriminação (exigida claramente por Mateus 7.6, 15-20), nem a existência de tribunais de justiça está sendo proibidos. É um espírito condenatório sem misericórdia que Jesus rejeita. Isto é corroborado pelo material paralelo em Lucas, onde a advertência contra o julgar os outros é precedida pela positiva: “Sede misericordiosos, como também misericordioso é vosso Pai” (6.36). Nesta admoestação, Jesus volta ao tema do amor fraternal, que atingiu o clímax em Mateus 5.43-48. No relato de Lucas do Sermão, os dois trechos são imediatamente juntados (6.27-38). O ponto de nosso Senhor é que pessoas tão necessitadas de misericórdia não têm nenhum direito para ser tão sem misericórdia com os outros. Esta advertência é apenas a face oposta de sua promessa anterior, que aqueles que mostram misericórdia receberão misericórdia (Mt 5.7) e aqueles que perdoam serão perdoados (Mt 6.12). Aqueles que condenam outros sem compaixão ou intento redentor podem esperar o mesmo tratamento nas mãos de Deus. Quem ousa julgar aos outros, sofrerá a conseqüência dessa usurpação de poder, pois também virá a ser julgado pela mesma medida - e achado em falta.

Cristo não está abolindo a necessidade do exercício do discernimento e de fazermos avaliação dos pecados dos outros. O crente é ordenado a identificar aqueles que são falsos na Igreja (Mt 7.15) e avaliar o caráter de certas pessoas.

Não é proibido o uso de critérios sãos. O que não devemos é nos sentir “donos” da Igreja de Cristo e julgá-la pelos nossos costumes e regras. O cristão quando julga seu irmão está condenando a si mesmo. Quem somos nós seres humanos para julgar e condenar um irmão a nosso bel-prazer? A Palavra nos ensina que não devemos nem levar um irmão a juízo quanto mais julgar com critério rígido.

Nosso próprio acurado entendimento da justiça do reino não deverá produzir em nós um espírito de julgamento áspero e reprovador contra aqueles que estão tendo uma luta em servir a Cristo. Os homens precisam ser ajudados a ver a natureza da verdadeira justiça, mas não por um descuidado e convencido hipócrita que está mais preocupado com os pecados alheios do que com os próprios. Se o sermão for aplicado primeiro em casa, facilmente encontraremos a compaixão e a humildade para tratar dos pecados alheios (7.1-5).

O reino de Deus não é propagado por um cego fanatismo mais do que pelo exercício de uma árida crítica. O filho do reino está em busca daqueles cuja atitude torna-os maduros para receber as boas novas da redenção, e não de homens e mulheres cujo orgulho impossibilita-os de ouvir e entender (7.6).
E finalmente, o reino não é obtido por esforços heróicos e meritórias realizações, mas simplesmente por pedi-lo com seriedade. O reino é uma dádiva do amor de Deus (7.7-12).

4. Julgamento egoísta. “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?” (Mateus 7.3-5).

[...] Porque o tipo de julgamento em discussão é sem amor e egoísta, ele é freqüentemente acompanhado de hipocrisia. Por esta razão, Jesus pinta o quadro patético e humorístico de um homem tentando extrair um grão de areia do olho de outro, enquanto uma trave está saliente no seu. Espiritualmente falando, há uma grande quantidade destes cegos oculistas que estão muito preocupados em ver as faltas dos outros e estão esquecidos da enormidade das próprias. Afortunadamente, uma séria atenção com nossos próprios erros têm o efeito de nos equipar com humildade suficiente para tratar paciente e habilmente com os pecados alheios (Gl 6.1-3; Tt 3.2-3).

O ensinamento de Jesus contém muita repreensão (por exemplo, Mateus 23 e o texto presente), entretanto, nunca áspera ou severa. Como o próprio Senhor observou, “Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). E esta é a chave. Não é a reprovação amorosa e que resgata que o Senhor rejeita aqui, mas os ataques sem amor que servem somente para alimentar o ego do “juiz”.

O evangelho da graça não pode ser pregado sem convencer os homens do pecado (Jo 16.8) e chamá-los a mudar o coração (Lu 24.47; At 2.38; 3.19; 17.30). Mesmo as almas do povo redimido de Deus não podem ser protegidas sem se admoestar os insubmissos (1ª Ts 5.14) e procurar converter “o pecador do seu caminho errado” (Tg 5.19-20). Mas tal correção é oferecida com amor que redime, não como o veículo do orgulho e da ira. A justiça do reino adverte, mas não ataca. Os cidadãos do reino de Deus, lutando com seus pecados e assediados por fraquezas, necessitam de um irmão e não de um “juiz”. Em todos os nossos tratos com outros, precisamos lembrar que não somos agentes do julgamento do Senhor, mas de sua salvação. A vingança pertence ao Senhor. Nossa tarefa é buscar e salvar o perdido.
[Dennis Allan. Não Julgueis para não ser julgado. http://www.estudosdabiblia.net/e2_4.htm - acesso dia 29/08/2009].

5. Condena a si mesmo. “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condena Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego; glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego. Porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2.1-11).

No capítulo dois de Romanos, Paulo confronta os moralistas judiciais, que condenam a si mesmo naquilo em que julgam. Estão sempre apontando um dedo para alguém.

O que são os juízes moralistas? Qualquer pessoa que filtre a graça de Deus através de sua opinião pessoal, ou que dilua a misericórdia de Deus em seu próprio preconceito, como o irmão do filho pródigo que não quis comparecer à festa (Lc 15.11-32), ou o trabalhador de dez horas frustrado porque apenas uma hora ganhou o mesmo salário (Mt 20.1-16). É o sensor obcecado em julgar a vida de seu irmão, e esquecido dos seus próprios erros.

Paulo vê, conseqüentemente, o judaísmo e o paganismo como uma só coisa. Sem a graça e a misericórdia de Deus estão todos perdidos.

Paulo explica nestes versículos, uma estranha fraqueza humana: a tendência que temos de criticar todo mundo, à exceção de nós mesmo.

Quem julga já está condenando a si próprio. Além do mais, Paulo argumenta, agindo dessa forma nós nos expomos ao juízo de Deus e acabamos ficando sem desculpa nem saída. Como podemos julgar se não somos Deus para conhecer o interior de alguém? Somente Deus tem o critério certo de julgar as pessoas. O homem não é aceito por Deus por guardar a lei exteriormente, mas pela renovação interior e a santificação, através do Espírito Santo.

Se você “acha que pode julgar os outros” (Rm 2.1), Paulo tem um duro lembrete a você. Não lhe cabe a função de segurar o martelo. “E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas” (v. 2).

“É indesculpável, imperdoável aquele que julga o seu irmão” (v. 1). Está condenando a si mesmo (v. 1). “E praticas as próprias coisas que condenas” (v. 1). Receberá maior Juízo (v.2-3). Despreza o fruto do amor (v.4). Tem um coração duro, e mau (v. 6). É faccioso e desobediente à Verdade (v. 8) São injustos (v. 8). Fazem acepção de pessoas (v. 11).

È importante ficar alerta em relação às pessoas que vivem enfatizando as falhas dos demais, porque estas falhas que eles denunciam são exatamente os problemas que eles mesmos estão lutando em suas vidas! Quando julgamos temerariamente aos outros, na verdade, revelamos o nosso próprio coração.

Enganamo-nos a nós mesmos quando, por orgulho e vaidade, julgamo-nos superiores ou mais capazes do que os demais. Em tudo que presenciamos colocamos defeitos e cremos que poderíamos fazer muito melhor. Mostramos contrariedade quando somos preteridos e não entendemos o porquê de outros serem escolhidos quando nós seríamos as pessoas indicadas para aquela função. Só conseguimos enxergar as nossas qualidades e os defeitos dos que estão ao nosso redor.

[...] Julgamos e condenamos outras pessoas (o que como seres humanos, não temos o mínimo direito de fazer), especialmente quando deixamos de condenar a nós mesmo. É isso que se chama de hipocrisia de duas medidas: um alto padrão para os outros e um comodamente baixo para nós [STOTT. P. 91].

Assim como queremos que Deus não nos condene, também não podemos condenar o irmão por qualquer coisa que ele tenha feito, por pior que tenha sido, a Deus cabe o julgamento, “porque Deus não faz distinção de pessoas” (Rm 2.11).

Deus conhece o coração do homem e sempre julga conforme sua justiça e amor. Ele não julga como nós julgamos ou entendemos. O nosso julgamento precisa ser transformado em acolhimento, amor, alegria e justiça. Nossos pensamentos não são os pensamentos do Senhor. Não queiramos olhar para Deus com parâmetros humanos.

Por causa do nosso julgamento, muitas vezes, estamos nos afastando de Deus e as pessoas de nós e de Deus. Porque se vermos uma pessoa diferente se aproximando e entrando na Igreja, temos logo um juízo temerário e a condenamos, atribuímos muitas vezes coisas que aquela pessoa nem é – como, por exemplo, prostituta, ladrão etc, sem realmente ter conhecimento de sua vida ou passado.

Julgamos que somos mais competentes do que Deus para escolher pessoas para determinadas funções. Não aceitamos o fato do Senhor ter Seus propósitos. Ele não olha para o que podemos fazer e sim para o que pode fazer através de nós. E, para qualquer serviço espiritual, mais vale a obediência e a humildade de aceitar a vontade de Deus do que a prepotência de alguém achar que pode fazer qualquer coisa segundo sua própria vontade. Não somos nada e nada podemos fazer se a graça do Senhor não estiver sobre nós.

Pr. Elias Ribas
Igreja Ev. Assembléia de Deus
Blumenau - SC