TEOLOGIA EM FOCO

domingo, 24 de abril de 2016

A DOUTRINA DO PECADO


I.  A DEFINIÇÃO DO PECADO

Pecado do hebraico hattah; do grego harmartia e do latim peccatum. O pecado é um mal moral; é violência, corrupção. Errar ou desviar-se do caminho de retidão e honra, fazer ou andar no erro. Pecado significa “errar o alvo”, como um arqueiro que atira, mas erra, do mesmo modo, o pecador erra o alvo final da vida. É também “errar o caminho” como um viajante que sai do caminho certo. Pecado é uma falta de integridade e retidão, uma saída da vereda designada. É uma revolta ou uma recusa de sujeição à autoridade legítima, uma transgressão da lei divina. O pecado é uma fuga ímpia e culposa da lei de Deus; é também culpa, infidelidade, falsidade, engano, dívida, desordem, iniquidade, queda, obstinação, desobediência, falta, derrota, impiedade, erro, morte; pecado, uma ofensa, uma violação da lei divina em pensamento ou em ação etc. (Gn 6.11; Êx 20.1-17; Sl 1.1; 12.2; 24.4; 37.38; 41.6; 51.13; 58.3; Pv 1.22; 19.5, 9; Is 14.13,14; 53.12; Ez 7.23; Mt 6.2; 7.26; Jo 8.44; Rm 1.18; 2ª Tm 2.16; Hb 2.1-3; 3.13; 1ª Jo 3.4).

O pecado nos separa de Deus. O pecado nos tira do meio em que devemos viver. O pecado converte luz em trevas, a alegria em tristeza, o céu e no inferno, a vida: em morte. Pecado é violar a lei moral de Deus. O pecado é o maior e o mais terrível inimigo da alma humana. Ele destrói as promessas, mata as esperanças, dá-nos serpentes em vez de peixes, pedra em lugar de pão, tormento em lugar de prazer. O pecado sempre destrói e nunca edifica; promete, mas nunca cumpre a promessa. Como dizem as Escrituras: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). O autor da epístola aos Hebreus nos exorta a estarmos sempre vigilantes sobre “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb 12.1). Existe o pecado por comissão (Tg 1.15) e o pecado por omissão (Tg 4.17).

II. O PECADO ORIGINOU-SE NO MUNDO ANGÉLICO

Para se conhecer a origem do pecado, devemos retomar a queda do homem descrita em Gn 3; e olhar atentamente algo que aconteceu no mundo dos anjos. O Senhor Deus criou um número enorme de anjos e todos estes eram bons (Gn 1.31). Porém, Lúcifer e legiões deles rebelaram contra Deus, pelo que caíram em condenação. A época exata dessa queda não é indicada na Bíblia, mas em Jo 8.44, o Senhor Jesus fala do diabo como assassino desde o princípio. O apóstolo João, na sua primeira epístola diz que “o diabo peca desde o princípio” (1ª Jo 3.8). Muito pouco se diz sobre o pecado que ocasionou a queda dos anjos. Mas, quando da exortação de Paulo a Timóteo, a que nenhum neófito fosse designado bispo, “para que não se ensoberbeça e caia na condenação do diabo” (1ª Tm 3.6-AEC).

Atualmente há milhões de pessoas que ousam negar a existência do Diabo. A bíblia porém ensina que ele é real; é um ser pessoal e maligno (Ap 12.10; 1ª Pe 5.8; Is 27.1; Ap 20.2; 2ª Co 4.4).

Podemos concluir com toda convicção, que foi o pecado do orgulho (soberba), de desejar ser como Deus em poder e autoridade (Is 14.12-15).

III.   O HOMEM FOI CRIADO UM SER SANTO

O homem foi criado com um caráter moral e foi lhe dado a capacidade de se tornar santo ou ímpio. O homem foi criado um ser livre e racional. Ele era justo e não injusto, santo, mas não pecador. Ele tinha simplesmente a capacidade de continuar santo ou desobedecer a ordem divina e tornar um pecador. Sendo dotado com razão e livre arbítrio, seu caráter dependia do uso que ele faria daqueles dotes. Se agir certo, ele era justo, mas se agir errado se tornaria injusto. O homem, quando foi criado era certamente inocente de erro. A Bíblia diz em Eclesiastes 7.29: “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias”.

Deus criou o homem “reto” (yaschar), que quer dizer: moralmente bom, e possuindo a capacidade de escolher e seguir o que é justo e reto.

Adão era um ser reto e possui vida espiritual reta, isto é, era nascido do alto. Deus soprou o fôlego de vida nele que envolveu com vida espiritual. A Bíblia diz que no dia em que ele pecou morreu espiritualmente (Gn 2.15-17). Ao desobedecer a Deus deixou de desfrutar de união espiritual com Deus. E para que ele morresse espiritualmente, era necessário que possuísse vida espiritual, que seu espírito fosse ligado a Deus.

Durante o período indeterminado no qual Adão viveu antes da queda, ele cumpriu a vontade de Deus. Por isso ele estava envolvido espiritualmente com Deus (Gn 2.15). Adão recebia conselho e direção de Deus (Gn 3.8). Mas uma proibição foi imposta a ele: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Na realidade isto foi numa proporção extremamente inferior a todas as graciosas instruções que vieram de Deus.

Os resultados seriam: ou o favor continuo de Deus, por motivo da sua obediência; ou a imposição da penalidade da morte por motivo de sua desobediência.

Adão estava no começo do caminho, e não possuía os privilégios mais altos que Deus tinha para ele. Eles nunca haviam confrontado uma situação ética onde estava clara a necessidade de escolher entre o bem e o mal. Ele ainda não estava acima da possibilidade de escolher entre o bem e o mal. Foi lhe dado um teste exterior e visível que podia determinar se estava disposto a obedecer a Deus em tudo. Ele podia crescer em santidade, maturidade e ter o gozo dessa vida.

A penalidade infligida a ele se transgredisse o mandamento positivo de Deus mostra que ele podia experimentar a morte física, espiritual e eterna – separação da sua fonte de vida, Deus, e a resultante miséria e tristeza. Mas por outro lado, Adão só podia desfrutar da vida espiritual com Deus, se continuasse na obediência a Sua palavra.

IV.   A NATUREZA DO PECADO

1.      O pecado separa o homem de Deus.
O pecado tira o homem do meio em que deve viver. O pecado converte luz em trevas, a alegria em tristeza, a vida em morte. O pecado é o maior e mais terrível inimigo do homem. Ele destrói as promessas, mata as esperanças, dá serpentes ao invés de peixes, pedra em lugar de pão, tormento em lugar de prazer. O pecado sempre destrói e nunca edifica; promete e jamais cumpre a promessa. Como dizem as Escrituras: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).

O autor da epístola aos Hebreus exorta à vigilância sobre “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb 12.1). Existe o pecado deliberado (Tg 1.15) e o pecado por omissão (Tg 4.17).

Infelizmente existem seitas que induzem a prática da imoralidade dizendo que: “a prostituição purifica a alma e o espírito”. Pecar significa transgredir, ferir a lei moral imposta por Deus, ferir a santidade do Criador.

2.      Satanás é quem seduz o homem a pecar.

Satanás é quem seduz o homem ao pecado. Ele é o agente da tentação (Gn 3.1-6). Teologicamente o pecado pode atingir estas três dimensões humanas: corpo, alma e o espírito. Adão ao pecar corrompeu as três partes do homem.

A experiência somente confirma o testemunho das Escrituras: “Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” (1ª João 2.16).

1. Nos apetites malignos da carne - a concupiscência da carne.
2. No materialismo avarento e transitório - a concupiscência dos olhos.
3. No orgulho da vida sem Deus - a soberba da vida.

Concupiscência da carne: Qualquer pecado da carne; desejo da carne: paixões carnais, imoralidades, glutonaria, bebedice, materialismo manifesto pelos prazeres extravagantes, pelos sentimentos, pelo endeusamento das gratificações mundanas e perversas (Gl 5.19-21).

Concupiscência dos olhos: Cobiça, avidez, ambição desenfreada por riquezas, desejo incontido por aquilo que vê, convicto que ficará plenamente satisfeito quando tiver o objeto da sua avareza, sendo isso um engano.

Soberba da vida: Arrogância de viver, orgulho, jactância, insolência, presunção; o homem que pensa e fala muito de si mesmo e seus bens e benefícios, suas riquezas, seus feitos, sendo estes quase sempre falatórios e exageros seus; um petulante convencido e vaidoso.

Analisamos o texto de Gênesis 3.6, veremos os danos que o pecado causou no ser humano.
“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu”.

1. No Corpo: “... a concupiscência da carne...”. “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer...”.
2. Na alma: “... a concupiscência dos olhos...”. “... agradável aos olhos...”.
3. No espírito: “... e a soberba da vida...”. “... e árvore desejável para dar entendimento...”.

O Filho de Deus quando estava nesta Terra também foi tentado foi tentado pelo diabo. Tentando no ESPÍRITO, ALMA, E CORPO, mas venceu o pecado e o tentador. Compare a tentação de Jesus:

Lc 4.1-13                                                                     1ª Jo 2.16
Pedras em pães                                                           “Cobiça da carne”.
 Reinos da terra                                                           “Concupiscência dos olhos”.
Pináculo do templo                                                     “Orgulho da vida”.

A causa da alta média de fracassos dentre os líderes cristãos é que estes pensam ser imunes ao pecado. Todo líder sábio que não exercitar o autocontrole poderá cair numa armadilha. Estes são, sem dúvida, alguns dos pecados que tão de perto envolvem os ministros do Senhor (Hb 12.1).

De acordo com 1ª João 2.15, a falta de amor para com Deus abre espaço para que se desenvolva amor pelo mundo, que deixa o crente especialmente vulneráveis a áreas de ataque do inimigo. Se caminhar com fé e firmeza na Palavra, não sentirá inseguro, conseguirá evitar as armadilhas do pecado sexual, da cobiça, e do orgulho. Estas três áreas de pecados acontecem quando há insegurança, falta de fé e confiança no Senhor.

3.      O homem é tentado pela cobiça.

“Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. “Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz ao pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1.13-15).

Na queda do homem Satanás usou a sedução. A sedução é sempre querida e determinada por um inimigo que deseja o mal. Eva declara ter seduzida pela sombria serpente (Gn 3.13; 1ª Tm 2.14). Nesse sentido, a sedução possui a intenção de desviar alguém da obediência devida a Deus (Dt 13.6; Ef 5.6).

Influenciado por ela, o homem pode enganar-se a si mesmo (Jr 17.9) e deixar seduzir põe seu próprio coração, pelo amor ao dinheiro, pela cobiça, pelo orgulho e por outros males grosseiros (Mt 13.22; Hb 3.13; Tg 1.26; 1ª Jo 1.8). A sedução deve ser relacionada com a cobiça, por ocasião do tropeço, com o escândalo: destino de tudo isso é a “queda”; o “mal” daquele que assim avisa.

As três áreas de queda de qualquer cristão são: o amor pelo sexo oposto (imoralidade sexual), o amor pelo dinheiro (o desejo de se tornar rico), e o amor por posições e proeminência (orgulho).

A. Amor pelo dinheiro.

No grego clássico Pleonexia Pleonexia, significa “uma ganância arrogante”, e o espírito que procura tirar proveito do seu próximo. O verbo correspondente, pleonektein, significa “defraudar” ou “burlar”, é um pecado que o N.T., condena sem poupá-lo, repetidas vezes. A palavra ocorre em Mc 7.22; Lc 12.15; Rm 1.29; 2ª Co 9.5; Ef 4.19; 5.3; Cl 3.5; lª Ts 2.5; 2ª Pe 2.3, 14. A “tradução regular da ARC é” “Avareza”. Uma vez, em Ef 4.19, a ARC a traduz por “avidez”. A ARA mantém “avareza” na maioria das passagens, mas traduz por “avidez” em Ef 4.19, “cobiça” em Ef 5.3, e “intuito ganancioso” em lª Ts 2.5. Tem “cobiça” em Lc 12.15, mas sua tradução regular é “concupiscência”, que usa em sete das passagens. Uma vez, em lª Ts 2.5, usa “egoísmo”. A BV traduz Mc 7.22: “desejo de possuir o que pertence aos outros”.

Políbío, o historiador grego, tem um uso sugestivo da palavra. Pleonexia está ligada com conduta “totalmente desavergonhada”, com “ambição que se excede”, com “violência”, com “injustiça”, com “cupidez” pela qual o homem nos seus melhores momentos sentirá tristeza, com a “capacidade” de um oficial desonesto que está resoluto no sentido de despojar o distrito sobre o qual tem autoridade.

Os moralistas latinos o definem como amor sceleratus habendi, “o maldito amor de possuir”. Teodoreto, o comentarista primitivo, descreve-a assim: “sempre visando obter mais, procurando apanhar as coisas que não são apropriadas ao homem possui”. Cícero definiu avaritia, que é o equivalente latino, como injuriosa appetitio alienorum, “o desejo ilícito pelas coisas que pertencem aos outros”.

Em Lc 12.15 é o pecado do homem que avalia a vida em termos materiais, que pensa que o valor da vida acha-se no número de coisas que o homem possui, o homem cujo único desejo é obter e que nunca sequer pensa em dar.


Em Cl 3.5 é identificada com a idolatria. Pleonexia é a adoração aos objetos em lugar de Deus. Uma moeda é um objeto pequeno, mas se for colocada diante do olho cobrirá a vastidão do sol. Quando um homem tem pleonexia no seu coração, ele perde Deus de vista num desejo louco de obter.
Os moralistas latinos o definem como amor sceleratus habendi, “o maldito amor de possuir”. Teodoreto, o comentarista primitivo, descreve-a assim: “sempre visando obter mais, procurando apanhar as coisas que não são apropriadas ao homem possui”. Cícero definiu avaritia, que é o equivalente latino, como injuriosa appetitio alienorum, “o desejo ilícito pelas coisas que pertencem aos outros”.

Em Lc 12.15 é o pecado do homem que avalia a vida em termos materiais, que pensa que o valor da vida acha-se no número de coisas que o homem possui, o homem cujo único desejo é obter e que nunca sequer pensa em dar.

Em Cl 3.5 é identificada com a idolatria. Pleonexia é a adoração aos objetos em lugar de Deus. Uma moeda é um objeto pequeno, mas se for colocada diante do olho cobrirá a vastidão do sol. Quando um homem tem pleonexia no seu coração, ele perde Deus de vista num desejo louco de obter.

B. O amor por posições e proeminência.


Em lª Ts 2.5 e em 2ª Pe 2.3 descreve o pecado do homem que usa sua posição por vantagem própria, para aproveitar-se das pessoas a quem deve servir, o homem que vê seus vizinhos como criaturas a serem explodidas e não como filhos de Deus que devem ser servidos.

Pleonexia é o pecado do homem que deu livre vazão ao desejo de ter o que não deve, que pensa que seus desejos, apetites e concupiscências sãos as coisas mais importantes do mundo, que vê outras pessoas como objetos a serem explorados, e que não tem outro deus senão ele próprio e os seus desejos.

            Estes pecados entristecem e afastam o Espírito Santo do ser humano. Onde há concupiscência e soberba no coração, não há lugar para o amor do Pai. O homem terá de escolher um ou outro. A mensagem de João é: se alguém ama o mundo, o amor do pai não está nele (Jo 2.15).

C. O Orgulho: A essência do pecado.
Sintomas do orgulho. Os sutis sintomas do orgulho são bem fáceis de perceber, eis alguns exemplos:

 Sou mais importante: Achar que certas pessoas, ou tarefas estão abaixo da sua dignidade, ou pensar que você é o mais importante que os outros porque você tem uma posição de liderança.

Quero ser servido: Aceitar uma honra especial como líder e ser servido pelos outros, ao invés de dedicar-se a servi-los.

 Sou melhor: Paulo exorta conta o “considerarmo-nos mais importante do que deveríamos” (Rm 12.3). O orgulho começa a nos dominar quando se consideramos mais importante do que devíamos.
Deus odeia o orgulho porque ele é a essência do pecado. Satanás caiu por causa do orgulho (Ez 28.17).
  • D. O pecado sexual.
“Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.27-28).

Adulterar para o judeu, observando-se a letra de Êx 20.14, seria deitar com a mulher do próximo. Mas no tempo da graça, é isto e ainda mais. Se apenas tiver um pensamento impuro é adultério, embora não se pratique o ato (Mc 7.22; Rm 1.29; Ef 4.19; 5.3; 2ª Pe 2.14).

 Aqui está à própria essência da palavra. A essência não é o pecado sexual. A essência é o desejo de ter aquilo que é proibido, o desejo de tomar aquilo que não se deve tomar, o não refrear os apetites e desejos contrários às leis de Deus e dos homens.

E. O que levou o rei Davi pecar no seu palácio?
No livro de 2º Samuel a Bíblia relata o pecado de Davi dizendo: “E aconteceu, à hora da tarde, que Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista. E enviou Davi e perguntou por aquela mulher; e disseram: Porventura, não é esta Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu? Então, enviou Davi mensageiros e a mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela (e já ela se tinha purificado da sua imundície); então, voltou ela para sua casa. E a mulher concebeu, e enviou, e fê-lo saber a Davi, e disse: Pesada estou”. (2º Sam 11.1-5).

O que levou Davi ao pecado foi: A concupiscência dos olhos, a ociosidade e a concupiscência da carne. Davi era o rei de Israel, era casado, mas quando olhou para a beleza da mulher, não se preocupou em saber como era sua vida se era casada ou não e sim em satisfazer o desejo de seus olhos e de sua carne; e fez com que ela viesse á sua presença e deitou-se com ela, e cometeu adultério.

O pecado de Adão e Eva; de Davi e do próprio Lúcifer e muitos outros que a Bíblia relata, são pecados da concupiscência da carne, dos olhos e da soberba da vida.

4. O pecado é um tipo específico de mal.

Nos dias atuais fala-se muito do mal, e relativamente lemos e ouvimos muito pouco a respeito do pecado; esta é uma verdade enganosa. Apesar de todo o pecado ser um mal, nem tudo o que consideramos mal é pecado. Não se deve confundir o pecado com o mal físico que produz prejuízos e calamidades. Existem muitas coisas neste mundo que os homens consideram um mal e que não é pecado. Os ciclones, furacões, as enchentes, os terremotos, as nevasca, secas, etc., são males, mas nenhum deles é pecado. Da mesma maneira, dizemos de animais selvagens, lunáticos perigosos, crianças malvadas, sem querer dizer que são pecadores (Jo 9.1-3). Nossa definição limita o pecado à criatura racional. Como o homem é uma criatura racional, ele sabe que quando faz o que não deveria fazer, ou é o que não deveria ser, é culpado de pecado. O pecado não é uma calamidade que sobreveio inesperadamente ao homem, que envenenou sua vida e arruinou sua felicidade; mas é uma direção que o homem decidiu seguir deliberadamente e que leva consigo miséria inacreditável. Essencialmente, o pecado, não é uma coisa como uma fraqueza, um defeito ou uma imperfeição pela qual não podemos ser responsabilizados, mas é uma verdadeira oposição a Deus. É uma verdadeira transgressão da lei de Deus, constituindo culpa. O pecado é o resultado de uma escolha livre, porém má, do homem. Este ensino é claramente exposto nas Sagradas Escrituras (Gn 3.1-24; Is 48.1-8; Rm 1.16-32).

Nós nos tornamos culpados quando pecamos conscientemente, quando sabemos que certo ato é pecado e ainda assim o praticamos. A Bíblia afirma categoricamente que todos os homens optam pelo pecado (Is 53.6), quando todos decidem fazer o mesmo que Adão fez (Mt 7.13-14). Todos nós, logo que atingimos a idade do discernimento, pecamos voluntariamente. Em outras palavras, nós endossamos o pecado de Adão, pecando. Tornamos-nos voluntariamente transgressores da lei, e conseqüentemente nos achamos sob condenação. Ninguém é condenado pelo pecado de Adão. Isso não seria justo, e Deus não pode ser acusado de injustiça. Ser tentado não é pecado, mas quando cedemos à tentação é que nos tornamos transgressores voluntariamente, e nos colocamos sob condenação. Nós mesmos somos responsáveis pelos nossos pecados e não podemos culpar a ninguém mais. Alguns chegam ao ponto de dizer que nós somos pecadores porque pecamos, mas eu acho que nós pecamos porque cedemos ao pecado.

5. O pecado sempre é dirigido contra Deus.

Não se pode ter uma correta concepção do pecado sem vê-lo em relação com a vontade e a pessoa de Deus. Compreendendo assim, o pecado pode ser interpretado como “falta de conformidade com os preceitos de Deus”. Esta é, sem dúvida, uma correta definição formal do pecado. A grande e central exigência da lei é o amor a Deus. E se, a santidade consiste em amar a Deus, o mal moral, isto é, o pecado consiste no oposto. Pecado é a separação de Deus, a oposição a Deus, o ódio a Deus, e isto se manifesta em constante transgressão da lei de Deus, em pensamentos, palavras e atos. A Bíblia vê o pecado em relação a Deus e sua lei (Rm 1.32; 2.12-14; Tg 2.9; 1ª Jo 3.1).

6. O pecado e essencialmente egoísmo.

A Bíblia Sagrada ensina que a essência da santidade é amar a Deus; o oposto se consiste em que a essência do pecado é amar ao próprio ego. Adão primeiro se inclinou para seu próprio ego, ao invés de obedecer a Deus. O que queremos dizer, é um amor próprio exagerado, que coloca os interesses próprios acima dos interesses de Deus. O egoísmo é a essência do pecado, isto é evidenciado pelo fato de que todas as formas de pecado podem ser traçadas até o egoísmo, que é sua fonte. Assim, os apetites naturais do homem, sua sensualidade, ambições e paixões egoístas brotam de seu ego. O Senhor Jesus ensinou o verdadeiro altruísmo: “Não procuro a minha própria vontade, e, sim, a daquele que me enviou” (Jo 5.30-ARA). Paulo disse que Cristo “morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2ª Co 5.15-ARC). A Bíblia ensina que nos últimos dias os homens seriam “egoístas” (2ª Tm 3.2-ARA). Quando o egoísmo é considerado como uma preferência indevida de nossos interesses aos interesses de Deus, temos no egoísmo à essência do pecado.

Esse juízo teológico implica uma experiência e uma compreensão prévia geral de diversos aspectos do pecado. No capítulo primeiro aos romanos, Paulo pressupõe a desordem humana como experiência antropológica fundamental. O discurso paulino supõe, pois, como óbvio, que todos conhecem a diferença entre o que deve ser e o que é. Paulo esclarece esse ponto, acrescentando dois fenômenos especial impressionantes: apresenta a consciência como o lugar onde se detectam as falhas da conduta humana; onde a acusação subseqüente a falta (“eu não devia”) e a reação de defesa (“não posso ser acusado disso…”) (Rm 2.15). Ao lado dessa experiência interna, ele coloca a experiência interpessoal, segundo a qual o homem usa imagens hostis para si, exaltando a si mesmo e rebaixando os demais. Isso ocorre, por exemplo, quando se mede o outro a partir de uma forma, que recusa aplicar a si mesmo (Rm 2.17-24).

Pr. Elias Ribas