TEOLOGIA EM FOCO

quarta-feira, 2 de abril de 2025

A VIDA ABUNDANTE EM CRISTO - ROMANOS 8

 


Romanos 8.1-30 

INTRODUÇÃO. Neste contexto Paulo nos ensina algumas questões acerca da nova vida com Cristo.

O capítulo 8, Paulo mostra que a vida cristã é abundante no Espírito, como bênção da justificação pela fé. Este é o ministério do Espírito, que vamos estudar hoje. 

I. OS QUE ESTÃO EM CRISTO JESUS 

1. Nenhuma condenação há para o Cristão fiel. V. 1 “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”. 

2. Estou livre do pecado e da morte. V. 2 “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte”. 

Jo 1.29 “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. 

Ef 2.8 “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” 

·                    Não é pelas obras.

·                    Não é pelas tradições humanas.

·                    Não é pelas filosofias.

·                    Não é pela religiosidade. 

Mas a lei do Espírito a lei de Cristo nos livrou da lei da morte e do pecado. 

3. Impossível a lei nos libertar. V. 3 “Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado’. 

Jo 3.16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” 

4. A liberdade do Espírito. V. 4 “Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” 

A liberdade em Cristo que gozamos advém do fato de não estarmos debaixo da lei, mas da graça (Rm 6.14). Uma vez debaixo da graça, “não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”. É no capítulo 8 que a operação do Espírito Santo na vida do cristão é manifesta com mais clareza. 

II. A INCLINAÇÃO DA CARNE E A INCLINAÇÃO DO ESPÍRITO 

1. Carnais e espirituais. Vs. 5,6 “Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. 6 Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.”

O apóstolo fala de dois grupos de pessoas os carnais e os espirituais. Cabe a cada crente fazer uma análise introspectiva para verificar se suas inclinações são carnais ou espirituais.

O homem é aquilo que imagina a sua alma (Pv 23.7). E Jesus afirmou que o homem fala daquilo que o seu coração estiver cheio (Lc 6.45).

O pensamento do homem norteia o seu comportamento. Se a mente é carnal, seu comportamento é carnal, resultando em morte; se a mente é espiritual, seu comportamento é espiritual, resultando em vida e paz. 

2. Inclinação da carne. Vs. 7-8 “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. 8 Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.” 

Isso significa ter mente carnal, vida controlada pela carne. Tal pessoa não está sob o domínio do Espírito. Quem assim vive, não pode agradar a Deus (v.8). Só conseguiremos agradar a Deus fazendo-lhe a vontade. Mas só o conseguiremos se estivermos sob a direção do Espírito Santo. 

3. Inclinação do Espírito. Os que são justificados pela fé em Cristo, nasceram de novo, e, portanto, são regenerados. São filhos de Deus. Eles ocupam-se inteiramente das coisas de Deus. Procuram conhecer cada vez mais a Cristo, inteirar-se da Palavra de Deus, dedicar-se à evangelização, à oração, ao jejum, ao louvor. Sua expectativa é a vinda de Jesus! 

4. Agora o cristão vive no Espírito e o Espírito habita em nós. Vs. 8-9 “Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus. 

1 Co 6.18-20 “Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito. 18- Fugi da fornicação. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que fornica peca contra o seu próprio corpo. 19- Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? 20- Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.” 

III. O ESPÍRITO SANTO MORA EM NÓS 

1. Mudança de homem religioso para homem espiritual.  Interessante é observar o contraste entre os capítulos 7 e 8 de Romanos. No capítulo 7, o apóstolo afirma por duas vezes: “o pecado habita em mim” (Rm 7.17,20). No capítulo 8, é o Espírito Santo quem habita em nós (v. 9).

Agora, somos devedores ao Espírito, que nos deu vida, e não à carne, que resulta em morte (vv.12,13). 

2. O Espírito de Deus. V. 9 “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se, de fato, o Espírito de Deus habita em vós. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. 

O Espírito Santo é chamado “Espírito de Cristo” (At 16.7; Fp 1.19). São referências à deidade absoluta de Jesus (Jo 1.1; 9.5; Tt 2.13). Veja que o Espírito Santo, ou “Espírito de Cristo”, habita em nós (v. 9). No versículo seguinte, lemos que Cristo habita em nós (v. 10), e o v.11 diz que somos moradas da Trindade. 

3. O cristão está morto na carne. V. 10 “Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida, por causa da justiça”. 

Gl 5.17-18 “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. 17 Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis. 18 Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.” 

4. O Espírito é vivifica nosso corpo. V. 11 “Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita”. 

Gl 2.5-7 “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos). 6 E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus.” 

5. Os desejos da carne nos levam para a morte. O caminhar do cristão. Vs. 12-13 “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne. 13 Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente, vivereis”. 

Jo 6.63 “O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida.” 

IV. FILHOS E HERDEIROS DE DEUS 

1. Somos guiados pelo Espírito Santo. V. 14 “Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. 

2. Recebemos o Espírito de adoção. V. 15 “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai”. 

3. Somos filhos de Deus. V. 16 “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. 

4. Somos herdeiros de Cristo. V. 17 “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo....”. 

5. Seremos glorificados com Ele. V. 17b “....se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.” 

V. A ESPERANÇA DA GLÓRIA FUTURA 

1. Os sofrimentos presentes e a glória futura. Vs. 18-21. Os sofrimentos presentes e a glória futura. 18 Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada. 19 Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. 20 Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou. 21 Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” 

Jo 1.12 “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome.” 

Paulo fala sobre o problema do sofrimento e da dor. Ele faz um contraste com o sofrimento do mundo presente com a glória futura que um dia Deus irá revelar pela qual nós participamos. Primeiro vem o sofrimento e depois vem a glória. Os sofrimentos que passamos aqui, comparado com a glória futura, eles são irrelevantes. Nós sabemos que Deus sempre está conosco em nossos desertos Is 43.2 “Quando passares pelas águas, estarei contigo, e, quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” 

2. A criação geme as dores de um parto. V. 22 “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” 

A Criação não pecou, mas sofre por causa dos nossos pecados. Quando Adão pecou, toda a criação ficou sujeita à maldição. O pecado afetou a tudo o que Deus criou, por isso “a terra e as obras que nela há se queimarão. (2ª Pe 3.10). A terra e todo o universo um dia se desfarão. 

A criação geme pela corrupção do homem, e Igreja sofre pelas perseguições, mas um dia aguardamos a volta de Jesus para restaurar todas as coisas. 

3. Os três gemidos de Romanos 8. 

1. Os gemidos do Espírito Santo intercedendo por nós. Gemidos inexprimíveis: suspiros que não podem ser expressos pela linguagem e pelo intelecto humano.

2. Os gemidos da criação.

3. Os gemidos dos próprios cristãos aguardando a manifestação final e pública da adoção em Cristo (vs. 22-23). 

4. A esperança da salvação. V. 24 “Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera”? 

Hb 11.1 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” 

Lm 3.21-24 “Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. 22 As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; 23 Novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade. 24 A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele.” 

Sl 40.1 “Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.” 

VI. O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO 

1. O Espirito intercede por nós. V. 26 “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”. 

O Espírito ora por nós quando somos incapazes orar. Ele ora em nosso favor porque conhece a perfeita vontade do Pai para nós. Então, quando você trouxer seus pedidos a Deus, creia que Ele sempre fará o que é melhor. 

2. Sonda nossos corações. Vs. 27 “E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos”. 

3. Ele nos predestinou. V. 29 “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. 

3. Nos justificou. V. 30 “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. 

Pr. Elias Ribas Dr. em Teologia

Assembleia de Deus

Blumenau-SC

terça-feira, 1 de abril de 2025

A MENINA SEM NOME

 

2º Rs 5.1-5 “E Naamã, capitão do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu SENHOR, e de muito respeito; porque por ele o SENHOR dera livramento aos sírios; e era este homem herói valoroso, porém leproso. 2 E saíram tropas da Síria, da terra de Israel, e levaram presa uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã. 3 E disse esta à sua senhora: Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra. 4 Então foi Naamã e notificou ao seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina que é da terra de Israel. 5 Então disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi, e tomou na sua mão dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas.” 

I. QUEM ERA NAAMà

1. General do exército as Síria.

2. Grande homem.

3. Muito respeitado.

4. Eram um homem estimado.

5. Porém era leproso. 

Em Israel a lepra era uma doença considerada imunda, mas na Síria não. 

II. A SERVA DE NAAMà

1. Uma menina de fé. V. 2 “E saíram tropas da Síria e da terra de Israel levaram presa uma menina, que ficou ao serviço da mulher de Naamã.” 

Naamã tinha uma escrava israelita, segundo a Lei ela não podia tocar na roupa de Naamã, por que era considerada imunda. 

2. A menina era temente a Deus. Ela sabia que em Israel tinha um homem de Deus.

V. 3 “E disse esta à sua senhora: Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra.” 

3. Uma menina escrava. Foi sequestrada da sua terra.

Lavando a roupa de um imundo.

Ela sabia que em Israel tinha um homem de Deus. 

4. Uma menina sem amargura. Era escrava, mas tinha amor pelo seu senhor. 

3. Uma menina de compaixão. 

4. Uma menina missionária. 

5. Uma menina doadora. V. 5 “Então, disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi e tomou na sua mão dez talentos de prata, e seis mil siclos de ouro, e dez mudas de vestes.” 

O que ela doou? Uma informação de grande valor.

Uma informação que vale 300 ks de ouro.

6. mil ciclo de prata.

6 mudas de roupa de festas. 

III. A BUSCA DE NAAMA PELA CURA 

Vs. 6-8 E levou a carta ao rei de Israel, dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua lepra. 7 E sucedeu que, lendo o rei de Israel a carta, rasgou as suas vestes, e disse: Sou eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim um homem, para que eu o cure da sua lepra? Pelo que deveras notai, peço-vos, e vede que busca ocasião contra mim. 8 Sucedeu, porém, que, ouvindo Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel.” 

IV. NAAMÃ ENCONTRA ELEISEU 

1. O profeta mandou mergulhar sete vezes no Jordão. V. 10 “Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado.” 

2. Naamã fica indignado. Vs. 11-14 “Porém, Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso. 12 Não são porventura Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação. 13 Então chegaram-se a ele os seus servos, e lhe falaram, e disseram: Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado. 14 Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado.” 

2. Naamã foi humilhado diante de seus servos. Teve que tirar sua roupa. Os seus servos virão sua lepra. 

V. NAAMÃ CONHECE O VERDADEIRO DEUS 

Vs. 15-19 “Então, voltou ao homem de Deus, ele e toda a sua comitiva, e veio, e pôs-se diante dele, e disse: Eis que tenho conhecido que em toda a terra não há Deus, senão em Israel; agora, pois, te peço que tomes uma bênção do teu servo. 16 Porém ele disse: Vive o Senhor, em cuja presença estou, que a não tomarei. E instou com ele para que a tomasse, mas ele recusou. 17 E disse Naamã: Seja assim; contudo, dê-se a este teu servo uma carga de terra de um jugo de mulas; porque nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses, senão ao Senhor. 18 Nisso, perdoe o Senhor a teu servo. Quando meu senhor entra na casa de Rimom, para ali adorar, e ele se encosta na minha mão, e eu também me tenha de encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisso, perdoe o Senhor a teu servo. 19 E ele lhe disse: Vai em paz. E foi-se dele a uma pequena distância.” 

CONCLUSÃO:

O testemunho de uma menina mudou a vida de um grande general.

Todos o povo da Síria reconhece que em Israel existe um Deus verdadeiro. 

Pr. Elias Ribas Dr. em Teologia

Assembleia de Deus

Blumenau - SC

quinta-feira, 20 de março de 2025

A LEI DE MOISÉS E A LEI DE CRISTO

 

Lucas 10.27 “Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo”. 

Romanos 12.8-14 “Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria. O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem. 10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. 1Não sejais vagarosos no cuidado; sede fervorosos no espírito, servindo ao Senhor; 12 alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração; 13 comunicai com os santos nas suas necessidades, segui a hospitalidade; 14 abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis. 

INTRODUÇÃO. Nestes dois mandamentos resume toda a lei (Rm 13.9). Como era impossível o coração pecaminoso atingir o padrão, Cristo cumpriu-a por nós, a dupla lei do amor (1ª Jo 4.7-19). 

O cristão precisa entender a lição que trata a respeito do amor, pois o objetivo é que venhamos compreender a singularidade e a importância desse aspecto do fruto do Espírito. 

Podemos agrupar os nove aspectos do fruto do Espírito Santo da seguinte maneira: 

1. Os atributos que tratam do nosso relacionamento com Deus: amor, paz e alegria. 

2. Os que tratam do nosso relacionamento com o próximo: longanimidade, benignidade e bondade. 

3. Os que tratam do nosso relacionamento com nós mesmos: fidelidade, mansidão e domínio próprio. Porém, nesta lição, veremos o aspecto do amor. A maior marca de uma igreja não é sua teologia, seu templo, tradições, mas sim o seu amor para com o Senhor Jesus e para com o próximo. 

I. A FUNÇÃO DA LEI 

A lei era composta por 613 mandamentos divididos em: Sociais, religiosos e morais. 

O decálogo é o esboço e a linha mestra da lei de Moisés. 

1. A lei veio revelar o pecado. Rm 7.7 “Que diremos então? A lei é pecado? De maneira nenhuma! De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a lei não dissesse: Não cobiçarás”. 

2. Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei.

Gl 3.10-12 “Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição, (claro se eu sou gentio e há uma verdade para eu viver, há um evangelho, há uma revelação, e eu vivo debaixo das obras da lei, eu estou debaixo de maldição), porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las. Ora, a lei não é da fé, mas o homem que fazer estas coisas por ele viverá.” 

3. Escritura encerrou tudo sob o pecado. Gl 3.21-22 “É porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente da lei. Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem.” 

4. A lei estava enferma. Rm 8.3 “Portanto o que fora impossível à lei, visto que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado.” 

5. A função da lei foi patológica (descobri a causa da doença): revelar o pecado do homem. Mas ela não pode curar. 

Gl 3.22-26 “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. 23 Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. 24 De maneira que a lei nos serviu de tutor, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. 25 Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de tutor. 26 Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.” 

Gl 2.16 “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.” 

Rm 3.19-20 “Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. 20 Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.” 

II. JESUS CUMPRIU A LEI 

1. O que significa cumprir a lei. Mt 5.17-18 “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim destruir, mas cumprir. 18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido.” 

Jesus disse que veio cumprir a lei e os profetas (Mt 5.17). O que significa isso? O verbo grego para “cumprir” é pleroo e significa “cumprir, completar, encher”. O Antigo Testamento contém instrução e doutrina sobre Deus, o mundo e a salvação, mas sua revelação é parcial. A manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação (Hb 1.1,2). 

2. Cumprimento das profecias. Hb 1.1-2 “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho. 2 A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.” 

Jesus iniciou o seu ministério terreno dizendo: “o tempo está cumprido” (Mc 1.14,15). Diversas vezes encontramos no Novo Testamento, a declaração como: “Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura” (Jo 19.36), ou fraseologia similar, principalmente no Evangelho de Mateus (Mt 1.22; 2.17,19; 4.14) dentre outras citações. As profecias se cumpriram em Cristo. 

3. Preceitos cerimoniais. Lc 24.46-48 “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos. 47 E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. 48 E destas coisas sois vós testemunhas.” 

O Senhor Jesus cumpriu o sistema cerimonial da lei na sua morte (Mt 27.50,51; Lc 24.46). As instituições de Israel com suas festas, os sábados, os holocaustos e os diversos tipos de sacrifícios da lei de Moisés eram tipos e figuras que se cumpriram em Cristo (Hb 5.4,5; 1ª Co 5.7). Assim, as cerimônias cessaram, mas o significado foi confirmado (Cl 2.17).

4. A lei era a sombras das coisas vindouras. Cl 2.16-17 “Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados. 17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” 

5. A lei durou até que viesse de Jesus Cristo. Gl 3.19-20 “Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador. Ora, o mediador não é de um, mas Deus é um. 

6. Cristo é mediador de um Novo Testamento. Hb 9.15-17 “E por isso é mediador de um Novo Testamento, para que, intervindo a morte para a remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro Testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna. Porque onde há testamento necessário é que intervenha a morte do testador. Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?” 

Hb 10.1 “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam.” 

7. O fim da lei é Cristo. Rm 10.4 “Porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.” 

8. Embora a lei fosse boa, trouxe a morte. Rm 7.12-13 “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. 13 Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno.” 

9. A lei não justificou ninguém. Gl 3.11-12 “E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé. Ora a lei não é fé, mas o homem que fizer estas coisas por elas viverá”. 

10. Os que voltam para lei estão desviados. 1ª Tm 1.6-7 “Desviando-se alguns, se entregam às vãs contendas. Querendo ser doutores da lei e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam.” 

11. Os que vivem na lei estão desligados de Cristo. Gl 5.4 “De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei; da graça decaístes.”

III. A LEI DE CRISTO 

1ª Co 9.20-21 “Procedi para os judeus, como judeu, a fim de ganhar os judeus; para os que vivem sob o regime da lei, como se eu mesmo assim vivesse, para ganhar os que vivem debaixo da lei, embora não esteja eu debaixo da lei. Aos sem lei, como se eu mesmo o fosse, não estando sem lei para com Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que vivem fora do regime da lei.” 

1. Quem ama a Deus ama o próximo e cumpre a lei.

1.1. Jesus resumiu toda a Lei em dois mandamentos. Mateus 22.37-40 Respondeu Jesus: Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento. 38- Este é o primeiro e maior mandamento. 39- E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo. 40- estes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” 

1.2. A de lei Cristo é o amor. Gl 5.14 “Toda a lei se resume num só mandamento: Ame o seu próximo como a si mesmo”.  

1.3. O amor é uma dívida impagável. Rm 13.8 “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama seu próximo tem cumprido a lei.” 

O que Paulo quer dizer em cada passagem é que tanto o amor quanto a lei estão relacionados com a justiça. Elas não estão em conflito a este respeito”. 

Jo 15.10 “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; assim como também eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e no seu amor permaneço.” 

1ª Co 13.13 “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.” 

Jo 13.35 “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” 

2ª Jo 1.6 “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor.” 

1ª Jo 4.8-9 “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9 Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele.” 

Quem não ama, não conhece a Deus, ou seja, não tem um verdadeiro conhecimento de Deus; não tem apenas pontos de vista d’Ele, nem sentimentos certos em relação a Ele. A razão para isso está implícita no que é afirmado imediatamente, que “Deus é amor” e, é claro, se eles não têm amor reinando em seus corações, eles não podem fingir ser como ele. 

2. Os mandamentos de Deus não são pesados. 1ª Jo 5.2-3 “Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus, quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos.3 Porque este é o amor de Deus: Que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados.” 

CONCLUSÃO:

A lei do Velho Testamento não revelou o amor de Deus para as nações.  A lei foi dada para os Hebreus e ela apenas apontava o pecado. Mas Ele enviou o Seu Filho cumprir a Lei e revelar o Seu amor para a humanidade. Pela Lei Ele se tornou maldito, para que nós nos tornasse bendito. 

Jo 3.16 “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. 17- Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. 18- Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus. 

Ef 3.17-19 “Para que Cristo habite em seus corações mediante a fé; e oro para que vocês, arraigados e alicerçados em amor, 18 possam, juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,19 e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios de toda a plenitude de Deus.” 

Não há amor maior que o amor de Deus por nós, Ele quer que conheçamos em essência todas as medidas desse amor: largura, comprimento, altura e profundidade. O apóstolo Paulo ainda diz que esse amor excede, isto é, ultrapassa nosso conhecimento. 

Pr. Elia Ribas

sábado, 15 de março de 2025

A IMPIEDADE DECORRENTE DOS FALSOS ENSINOS

 


2ª Pedro 2.9-19 “Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos e reservar os injustos para o Dia de Juízo, para serem castigados, 10- mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de imundícia e desprezam as dominações. Atrevidos, obstinados, não receiam blasfemar das autoridades; 11- enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. 12- Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção,  13- recebendo o galardão da injustiça; pois que tais homens têm prazer nos deleites cotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco; 14- tendo os olhos cheios de adultério e não cessando de pecar, engodando as almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos de maldição; 15- os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça. 16- Mas teve a repreensão da sua transgressão; o mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta. 17- Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva; 18- porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne e com dissoluções aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, 19- prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo. 

INTRODUÇÃO

Após falar sobre os falsos mestres e sobre o juízo que viria sobre eles, Pedro prossegue descrevendo o perfil daqueles que estão destinados ao juízo divino. Embora o apóstolo ainda tenha em mente os impostores da fé, a sua denúncia descreve de maneira enérgica o retrato do homem ímpio e sua apostasia. Como veremos, a rejeição a Deus e aos princípios éticos contidos em sua Palavra conduz o homem para um estilo de vida degradante e altamente nocivo para ele e para toda a sociedade. 

I. OS ÍMPIOS E SUAS DEPRAVAÇÕES 

1. Andam em concupiscência. Primeiramente, o homem ímpio é dominado por seus desejos carnais. Ao dizer que eles andam em concupiscências de imundícia (ARC), ou segundo imundas paixões (ARA), Pedro deixa transparecer que não se trata de uma falha moral isolada, mas uma prática contínua e deliberada. Nesta condição, a pessoa se entrega a uma vida sexual desregrada, apresentando o seu corpo como instrumento de iniquidade (Rm 6.13). As duras palavras proferidas por Pedro e por Judas evidenciam que naquele contexto, os falsos mestres estavam incentivando a promiscuidade e as práticas sexuais pervertidas, dizendo se tratar de rituais sagrados. Ainda hoje esse tipo de comportamento é defendido por vários tipos de filosofias, porém, com roupagens modernas. A ideologia de gênero, por exemplo, tenta a todo custo desconstruir o padrão natural da sexualidade dada por Deus. Até mesmo em alguns círculos ditos cristãos surgem defensores de uma vida sexual que contraria o padrão da santidade sexual segundo as Escrituras, a ponto de reconhecerem a homossexualidade. Todavia o cristão defende que, à luz da Bíblia, o homossexualismo é algo imoral e pecaminoso (Rm 1.26-32), razão pela qual não podemos chamar o mal de bem (Is 5.20; 1ª Co 6.10,11). 

2. Menosprezam as autoridades. Enquanto os crentes são ensinados a serem obedientes e respeitosos com os ocupantes do poder governamental, familiar ou eclesiástico, os ímpios são insubordinados e rebeldes, agindo com desprezo às dominações. É possível que Pedro esteja se referindo, no verso 12, ao desprezo dos ímpios aos líderes da igreja ou até mesmo aos poderes angelicais do mundo espiritual. Em todo o caso, essa atitude expressa uma insubmissão típica de uma rebelião moral do homem em face das autoridades estabelecidas por Deus. 

3. São atrevidos e difamadores. O apóstolo prossegue dizendo que eles são atrevidos, obstinados e não receiam blasfemar das autoridades. O homem ímpio, dominado pelo pecado, é petulante, prepotente e orgulhoso. Acredita ser melhor que os outros, e quer em tudo levar vantagem, esse tipo de comportamento nada tem de cristão. Além disso, gosta de falar mal não somente das autoridades superiores, como diz o texto, mas de tudo e de todos. Aqueles que imaginam que a fofoca e os boatos são vícios morais de menor gravidade devem atentar para as várias recomendações bíblicas sobre a maledicência e o domínio da língua (2ª Tm 2.16,17; Cl 3.8). 

II. COMPORTAMENTOS DECORRENTES DOS FALSOS ENSINOS 

1. Irracionalidade animal. Pedro compara os ímpios a animais irracionais (v. 12). O homem não é obra do acaso, resultado da evolução das espécies. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 2.16). Todavia, aquele que se torna escravo de seus instintos naturais, em total desprezo à consciência moral e à voz do Espírito de Deus, assemelha-se a uma fera que vive pelos impulsos animalescos. Não é sem razão que o homem sem Deus aceita de bom grado e sem questionar a teoria evolucionista. Afinal, ela fornece uma justificativa para aqueles que querem viver sem nenhum tipo de julgamento moral. Se Deus não existe, tudo é moralmente permitido. Por causa disso, a destruição deles é inevitável, pois receberão o galardão da injustiça. 

2. Hedonismo. Tamanha era a devassidão que os homens se entregavam à luxúria carnal em pleno dia (v. 13 – ARA). Escravo do pecado, o homem busca prazer no sexo, nas bebidas, nas drogas e nas baladas. Pedro diz que eles têm “olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo coração exercitado na avareza”. Em resumo, o hedonista está sempre cobiçando, e o seu apetite pelo pecado nunca é satisfeito. Isso é típico do hedonismo, uma forma de vida que busca o prazer a todo custo. Para o hedonista, as coisas mais importantes na vida são a conquista do prazer e a fuga ao sofrimento. 

3. Apostasia e sincretismo religioso. Como exemplo do desvio do caminho da verdade, Pedro traz à memória o profeta Balaão, o controverso mensageiro do Antigo Testamento (Nm 22-26). Apesar de ter aparentemente resistido à proposta de Balaque, de amaldiçoar Israel, seu coração ambicionava a recompensa prometida pelo rei moabita. Atribui-se a ele o fato de os israelitas terem sido seduzidos a adorar Baal e levados a se prostituírem com as mulheres pagãs (Nm 25; Jd 11; Ap 2.14). Tornou-se, assim, um péssimo exemplo de apostasia e sincretismo religioso, que tenta misturar a fé cristã com outras religiões. A tentativa de conciliar diferentes dogmas religiosos é uma marca da presente era, sob o falso argumento de que as várias religiões do mundo são nada mais que aspectos diferentes de uma mesma divindade. Esse argumento tem tirado muitos cristãos do caminho da verdade. 

III. O PERIGO DA APOSTASIA 

1. A possibilidade da queda. Agora, o autor sagrado adverte sobre o perigo de se abandonar a verdade. A partir da leitura do verso 20 aprendemos que aquele que conheceu ao Senhor Jesus Cristo pode perder a salvação, caso seja vencido pela contaminação do mundo. A salvação somente é garantida àquele que se mantém fiel ao Senhor. Por isso, não há qualquer base bíblica para afirmação que diz “uma vez salvo, salvo para sempre”. O apóstolo ensina que o estado final daquele que conheceu a verdade e a abandonou será pior que antes. 

2. O perigo da apostasia. Ao dizer que “melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo- -o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado”, o apóstolo não está incentivando algum tipo de ignorância. A sua intenção é advertir para os perigos da apostasia. Este termo, proveniente do grego apostásis, significa o abandono consciente e premeditado da fé que nos foi revelada por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo (1ª Tm 4.1). É preciso esclarecer que a apostasia da qual Pedro está a tratar não se confunde com o desvio da fé, passível de retorno aos braços do Pai por meio do genuíno arrependimento (2ª Co 12.21; Rm 11.21-23; Tg 5.19). Existem dois tipos de apostasia: a teológica e a moral. A primeira ocorre quando a pessoa nega e se afasta completamente da verdade de Deus. Na segunda, quando revela comportamentos contrários à santidade requerida em sua Palavra (Hb 6.4; 1ª Pe 1.15,16). Os falsos ensinamentos podem conduzir a esses dois tipos de apostasia, pois nega o Senhor e conduz a uma vida ímpia e imoral. Por outro lado, a graça e o ensino da Lei do Senhor nos ensina a renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas, vivendo neste presente século sóbria, justa e piamente” (Tt 2.11,12). 

SUBSÍDIO 1 

“A Apostasia Pessoal (Hb 3.12)

A apostasia (gr. apostasia) aparece duas vezes no NT como substantivo (At 21.21; 2ª Ts 2.3) e, aqui em Hb 3.12, como verbo (gr. aphistemi, traduzido por ‘apartar’). O termo grego é definido como ‘decair, deserção, rebelião, abandono, retirada ou afastar-se daquilo a que antes se estava ligado’.

 

1. Significado de apostasia. Apostatar significa cortar o relacionamento salvífico com Cristo, ou apartar-se da união vital com Ele e da verdadeira fé n’Ele. Sendo assim, a apostasia individual é possível somente para quem já experimentou a salvação, a regeneração e a renovação pelo Espírito Santo (Lc 8.13; Hb 6.4,5); não é simples negação das doutrinas do NT pelos inconversos dentro da igreja visível. A apostasia pode envolver dois aspectos distintos, embora relacionados entre si:

(a) a apostasia teológica, isto é, a rejeição de todos os ensinos originais de Cristo e dos apóstolos ou alguns deles (1ª Tm 4.1; 2ª Tm 4.3);

(b) a apostasia moral, ou seja, aquele que era crente deixa de permanecer em Cristo e volta a ser escravo do pecado e da imoralidade (Is 29.13; Mt 23.25-28; Rm 6.15-23; 8.6-13). 

2. Advertência bíblica. A Bíblia adverte fortemente quanto à possibilidade da apostasia, visando tanto nos alertar do perigo fatal de abandonar nossa união com Cristo, como para nos motivara perseverar na fé e na obediência” (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1903).

SUBSÍDIO 2 

“Pedro menciona aqueles que ‘depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, foram outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: ‘O cão voltou ao seu próprio vômito; a porca lavada, ao espojadouro de lama’ (2ª Pe 2.20-22). João diz que a vida eterna não é possessão do crente, independentemente de ele ter a Cristo (1ª Jo 5.11,12). O Pai ‘deu também ao Filho ter a vida eterna em si mesmo’ no mesmo sentido em que o Pai tem vida por seu próprio direito e natureza (Jo 5.26). A nós não foi concedido esse direito. A vida eterna é a vida de Cristo em nós, e nós a possuímos somente à medida em que estamos em ‘Cristo’. Os calvinistas, dizendo que essas advertências são essencialmente hipotéticas para os crentes verdadeiros, empregam várias ilustrações. Erickson refere-se a pais que temem que seus filhos saiam correndo para a rua e sejam atropelados por um automóvel. Eles têm duas opções: construir um muro alto que impossibilite a saída de dentro do quintal; ou podem advertir a criança contra o perigo de sair correndo para a rua” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996) .

CONCLUSÃO

O estudo da presente lição nos mostrou quão perigosos são os ensinos dos falsos mestres, pois conduzem a comportamentos que prejudicam o indivíduo e toda a sociedade, por meio de uma mentalidade ímpia e completamente contrária ao propósito de Deus para o ser humano. 

Comentarista: Valmir Nascimento.
A impiedade decorrente dos falsos ensinos Lições bíblicas CPAD. 3º Trimestre de 2019.