TEOLOGIA EM FOCO

quinta-feira, 19 de julho de 2018

A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS



A parábola das dez virgens, é escatológica e coube ao evangelista Mateus, escrevê-la no capítulo 25, versículos de 1 a 13. Nesta parábola, nove palavras podem ser citadas, tendo a letra “P”, como chave.

1. Propósito das dez virgens. O propósito delas era encontrar-se com o noivo (v. 1). Este tem sido o propósito de muita gente, mas nem todos se preparam para este encontro.

2. Prudência das virgens. “Cinco dentre elas eram néscias, insensatas e imprudentes, porém as outras cinco eram prudentes e sensatas, e não se descuidaram” (v. 2).

3. Preguiça das virgens. As néscias tomaram as suas lâmpadas, mas não levaram azeite (v. 3). Há pessoas que querem um encontro com Deus, mas não se esforçam e nem se comprometem. Esperam que alguém faça algo por elas.

4. Preparo das virgens. “As prudentes, além das lâmpadas, prepararam e levaram azeite nas vasilhas” para que nada lhes faltasse na última hora (v. 4).

5. Paciência das virgens. Todas tiveram paciência, não alteraram seus planos e, mesmo “tardando o noivo, foram tomadas de sono e adormeceram” (v. 5). Com certeza, as prudentes como estavam preparadas, adormeceram tranquilas;

6. Praxe das néscias. Mas à meia-noite, inesperadamente, o noivo chegou e ouviu-se um grito: “Eis o noivo”!
* As prudentes se levantaram e prepararam as suas lâmpadas, mas as néscias disseram às prudentes: “Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando” (vs. 6-8).
* Esta é a praxe dos despreparados e negligentes. Não se aprontam e querem ser socorridos na última hora.

7. Precaução das prudentes. “Não, para que não nos falte a nós e a vós outras”! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o” (v. 9).  Busca tardia dos negligentes.

8. Preço da negligência das néscias. “Saindo elas para comprar, chegou o noivo e fechou-se a porta” (v. 10b). “Chegando mais tarde, clamaram:  Senhor, Senhor, abre-nos a porta! (v. 11); Ele respondeu: “Não vos conheço” (v. 12).

9. Prêmio das cinco virgens prudentes. “Estas entraram com o noivo para as bodas” (v. 10a). “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora” (v. 13).

terça-feira, 17 de julho de 2018

A CURA DO PARALÍTICO DE BETESDA



João 5.1-15: “Depois disso, havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. 2 Ora, em Jerusalém há, próximo à Porta das Ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres. 3 Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos, coxos e paralíticos, esperando o movimento das águas. 4 Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. 5 E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. 6 E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? 7 O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. 8 Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda. 9 Logo, aquele homem ficou são, e tomou a sua cama, e partiu. E aquele dia era sábado. 10 Então, os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar a cama. 11 Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama e anda. 12 Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma a tua cama e anda? 13 E o que fora curado não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão. 14 Depois, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior. 15 E aquele homem foi e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Certamente você está lecionando a pessoas que têm bem menos idade que o tempo em que o homem que fora curado por Jesus permanecera enfermo. O texto afirma que o paralítico estava naquela condição há 38 anos. Depreende-se, pela palavra de Jesus a ele quando o encontrou no Templo (v.14), que o homem ficara naquela situação devido a alguma atitude errada e pecaminosa do passado. Aproveite o tema transversal dessa lição e reflita com a classe acerca das consequências. Apesar de sabermos que o pecado traz como resultado desastroso a perdição eterna, não raras vezes ele também produz consequências imediatas e terrenais que são extremamente danosas. Algumas atitudes podem produzir consequências que nos acompanharão por toda a vida. Considerando o fato de que a falta de experiência e maturidade pode nos conduzir a agir de maneira intempestiva, medite também com a classe a respeito do valor de uma vida pautada na oração, reflexão e orientação do Espírito Santo de Deus.

INTRODUÇÃO
1. Seguindo sua trajetória ministerial, João informa que Jesus agora deixa a Galileia e “sobe” a Jerusalém (Jo 5.1).
2. O evangelista ainda diz que havia uma “festa entre os judeus”. Apesar de o texto não informar a qual festa específica se faz referência, o fato relevante a ser destacado é que o Mestre não se isolava, antes, como já foi dito, ficava entre as pessoas, pois seu objetivo era libertar as pessoas, daí a necessidade de estar em contato com elas (Mc 3.7-12).
3. Ele se retirava para períodos de oração e relacionamento particular com o Pai (Mc 1.35), mas sua prioridade era cumprir a missão que Deus o destinara (Jo 3.16,17; 9.4; 12.46,47).
4. Além de ir à festa em Jerusalém, Jesus também foi a um local na cidade onde se concentrava uma grande multidão (Jo 5.3). E é justamente neste lugar que se passou o assunto da lição de hoje.
5. O Mestre curou o paralítico, libertando-o igualmente das amarras religiosas da tradição dos judeus.

I. UM LOCAL DE SOFRIMENTO
1. A Porta das Ovelhas.
1.1. Muito provavelmente a primeira alusão à “Porta das Ovelhas” encontra-se no livro de Neemias, onde se lê “Porta do Gado” no texto da versão Corrigida e “Ovelhas” na versão Atualizada (Ne 3.1).
1.2. Na realidade, as doze portas da cidade de Jerusalém possuíam nomes que as identificavam (Ne 3.1,3,6,13-15,26,28,29,31).
1.3. O texto de Neemias informa que Eliasibe, sumo sacerdote, e seus irmãos, foram responsáveis quando da reedificação dos muros da cidade, por assentar e consagrar a Porta das Ovelhas. Estudiosos afirmam que essa Porta tinha esse nome por ser o principal acesso de passagem de ovelhas destinadas, por ocasião da Páscoa, ao sacrifício no Templo, daí o seu nome.

2. O Tanque de Betesda.
2.1. O quarto Evangelho informa que próximo a Porta das Ovelhas havia um tanque chamado Betesda que, em hebraico, significa “casa de misericórdia”.
2.2. Neste local havia cinco pavilhões onde se encontrava uma multidão de pessoas enfermas (vv. 2,3).
2.3. A multidão aguardava o movimento das águas do referido tanque por um anjo que, acreditava-se, descia em determinado tempo e o primeiro que submergisse ficava curado de qualquer enfermidade (v.4). É óbvio que o processo de exclusão era imenso, aumentando o sofrimento deste local, pois certamente chegavam a cada dia mais e mais pessoas doentes, tornando a situação absurdamente crítica.

Se no Tanque de Betesda, local de sofrimento, apenas o primeiro era agraciado, no Reino de Deus todos são abençoados pelo Senhor.

3. O paralítico.
A prova de que o sofrimento se prolongava neste local é o fato de Jesus ter, em meio à multidão de enfermos, se dirigido a um homem em particular e por um motivo específico — ele sofria há trinta e oito anos (vv.5,6). Certamente não havia apenas ele com necessidade, mas devido ao tempo de seu padecimento o Mestre o notou, destacando-o dentre a multidão.

Teria Jesus escolhido o paralítico do Tanque de Betesda como uma forma de incentivar os que sofrem a crer que a situação pode mudar a qualquer momento?

II. A CURA DO PARALÍTICO

1. A pergunta do Senhor.
Ao abordar o homem que padecia há trinta e oito anos, o Mestre o indagou acerca do seu interesse em ser curado (v.6). A pergunta pode parecer despropositada, mas revela o caráter didático não apenas da cura física, mas também psicológica, pois uma pessoa que padece há quase quatro décadas certamente “acostuma-se” ao sofrimento. Outro aspecto a ser destacado neste episódio é que conforme a própria Bíblia diz, a “esperança demorada enfraquece o coração” (Pv 13.12), e este homem provavelmente sentia-se, de forma justificável, desmotivado e deprimido.

2. A resposta do paralítico.
Alheio a quem era Jesus, a resposta do homem demonstra sua desesperança em relação à possibilidade de ele chegar ao Tanque ou de alguém ajudá-lo (v.7). Assim, a pergunta do Senhor não surpreende o homem, antes lhe oportuniza a possibilidade de exteriorizar seus sentimentos em relação ao seu estado. Na resposta é possível identificar que ele sente-se abandonado e, ao mesmo tempo, revela também o quanto o individualismo e o egoísmo imperavam naquele ambiente.

3. A cura.
Não obstante o homem estar alheio, naquele dia sua história seria radicalmente mudada, pois “Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda” (v.8). Isso sim lhe causou surpresa, pois o desconhecido, sem rodeios, interjeições ou qualquer cerimônia, simplesmente ordenou que o paralítico levantasse, tomasse a sua cama e andasse! Numa fração de segundos o homem ficou completamente curado. Trinta e oito anos de sofrimento findaram em um instante, sem intervenção angelical alguma e sem sequer aproximar-se da água.

III. A CONTROVÉRSIA POR CAUSA DO SÁBADO

1. O sábado como uma necessidade imprescindível e também um princípio.
Como todos os demais preceitos da Lei, o do sábado tinha um objetivo definido (Êx 20.8-11). O quarto mandamento do Decálogo visava preservar a saúde e a integridade da pessoa, coibindo a exploração e o abuso da força de trabalho tanto por parte do próprio indivíduo quanto por parte do patrão. Aliado a isso, Deus também consagrou esse dia como um período especial de adoração a Ele. Tomando o exemplo do próprio Criador, que realizou a obra da criação em seis dias e no sétimo “descansou” (Gn 2.2,3), o mandamento da guarda do sábado tinha o claro propósito de preservar a liberdade intrínseca do ser humano. A prova de que o sábado não era um “dia” específico e sim um princípio, pode ser vista em textos como de Levítico, por exemplo, quando Deus orientou aos israelitas que semeassem e colhessem durante seis anos, mas no sétimo, obrigatoriamente a terra deveria ter um “sábado de descanso” (25.2-5).

2. O sábado como uma forma de aprisionamento.
Lamentavelmente, assim como todas as demais coisas que o ser humano desajusta, com o sábado não foi diferente. De necessidade imprescindível e princípio de descanso, o sábado foi transformado em uma poderosa arma de opressão religiosa que intensificava ainda mais a aflição das pessoas que, além de sofrer com a carga de impostos que tinham de pagar ao império, ainda padeciam com o aprisionamento religioso (Mt 23.1-4,13-35). Não poucas vezes Jesus esteve às voltas com a questão do sábado (Mt 12.11,12; Mc 2.27,28; Lc 14.3-6; Jo 5.16,17; 7.21-24).

3. O milagre ignorado e a liberdade sob perigo.
O homem que padecera há trinta e oito anos obedecendo à ordem de Jesus levantou-se, tomou a sua cama e imediatamente partiu (v.9). Contudo, João observa que a cura deu-se num sábado. Tal observação se dá justamente para preparar os destinatários para a cena seguinte — o milagre completamente ignorado e a expressão fria da religiosidade representada pelos “judeus” que censuraram o homem por estar carregando sua cama em pleno sábado (v.10). A resposta do agora ex-paralítico revela implicitamente a autoridade de Jesus: “Aquele que me curou, ele próprio termos simples, o que o homem quis dizer foi que se o “desconhecido” teve poder para curá-lo, depois de trinta e oito anos de sofrimento, certamente possuía autoridade para liberá-lo para carregar sua cama no dia de sábado. Evidentemente que, devido ao uso que os líderes religiosos faziam do preceito do sábado, alguém que ousasse desafiá-lo deveria ser identificado e, consequentemente, punido, daí a curiosidade em saber quem havia dito a ele para tomar a sua cama e andar (v.12). Todavia, a espontaneidade e a forma célere com que se dera a cura, bem como a rápida saída de Jesus do local, não proporcionaram ao homem saber quem era o Mestre (v.13).

Pense!
O que leva as pessoas a ignorarem um milagre, que liberta alguém do sofrimento, em nome da observância de uma regra religiosa?

Ponto Importante
O modo como o preceito do quarto mandamento foi distorcido revela o quanto os homens podem perverter algo que foi criado para o seu próprio bem.


5.1 Todos os homens judeus eram solicitados a ir até Jerusalém para participar de três festas:
(1) a Festa da Páscoa e dos Pães Asmos,
(2) a Festa das Semanas (também chamada de Pentecostes), e
(3) a Festa dos Tabernáculos. Embora este dia santo em particular não seja especificado, a frase explica por que Jesus estava em Jerusalém.

5.2-4 Os leitores familiarizados com Jerusalém teriam conhecimento da Porta das Ovelhas (ela é mencionada em Neemias 12.39). Escavações recentes mostram que este local tinha dois tanques com cinco pórticos cobertos. Estes eram estruturas abertas com telhados que permitiam alguma proteção das intempéries. Uma multidão de enfermos ficava nos pórticos. As pessoas faziam peregrinações ao tanque de Betesda para receberem o benefício de cura das águas.

O versículo 4 não está incluído nos melhores manuscritos. Onde ele ocorre nos manuscritos posteriores, é frequentemente marcado de tal forma a mostrar que é uma adição. A passagem foi provavelmente inserida pelos escribas que acharam necessário fornecer uma explicação para o ajuntamento de pessoas deficientes e da agitação da água mencionada no versículo 7. A água se agitava e cria-se que um anjo a revolvia. A crença era de que a primeira pessoa que entrasse na água, depois que ela fosse agitada, seria curada.

5.10 Não há nada na lei de Deus que torne ilícito levar a cama no sábado. Mas o homem violou a aplicação legalista dos fariseus do mandamento de Deus para se honrar o sábado. A ordenança contra carregar algo no sábado era a última de trinta e nove regras na ‘tradição dos anciãos’ que estipulavam os tipos de trabalho que eram proibidos no sábado. Esta era apenas uma das centenas de regras que os líderes judeus haviam acrescentado à lei do Antigo Testamento” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal.
Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 514,515).

CONCLUSÃO.
João finaliza a narrativa da cura do paralítico do Tanque de Betesda falando de um encontro de Jesus com ele no Templo, quando então o Mestre disse-lhe: “Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior” (v.14). Tal recomendação demonstra que Jesus conhecia aquele homem de forma sobrenatural, pois não apenas sabia que o paralítico padecera trinta e oito anos com aquela enfermidade, mas também conhecia a causa que o deixara naquele estado. Assim, Jesus o adverte a não mais incorrer nas mesmas práticas anteriores para que não acabasse ficando em uma situação pior que a que o deixara acamado por trinta e oito anos! Aparentemente o homem nada responde ao Mestre, mas finalmente descobre quem era Jesus e vai até aos judeus anunciar (v.15).

1. Qual a razão de a Porta das Ovelhas ter esse nome?
Estudiosos afirmam que essa Porta tinha esse nome por ser o principal acesso de passagem de ovelhas destinadas, por ocasião da Páscoa, ao sacrifício no Templo, daí o seu nome.

2. Devido ao longo tempo em que esteve enfermo aquele homem precisava ser curado em duas áreas. Quais são elas?
Física e psicológica.

3. A resposta do homem quando Jesus o abordou revela o quê?
Revela o quanto o individualismo e o egoísmo imperavam naquele ambiente.

4. Qual era o propósito do quarto mandamento?
O quarto mandamento do Decálogo visava preservar a saúde e a integridade da pessoa, coibindo a exploração e o abuso da força de trabalho tanto por parte do próprio indivíduo quanto por parte do patrão.

5. O que a resposta do ex-paralítico aos judeus implicitamente revela?
A resposta do agora ex-paralítico revela implicitamente a autoridade de Jesus:
“Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama e anda” (v.11). Em termos simples, o que o homem quis dizer foi que se o “desconhecido” teve poder para curá-lo, depois de trinta e oito anos de sofrimento, certamente possuía autoridade para liberá-lo a carregar sua cama no dia de sábado.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A FUNÇÃO SOCIAL DOS SACERDOTES



A FUNÇÃO SOCIAL DOS SACERDOTES

TEXTO ÁUREO
“E [Jesus] ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas disse-lhe: Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho.” (Lc 5.14).

VERDADE PRÁTICA
As funções do sacerdote iam além da liturgia; sua principal obrigação era zelar pela santidade e pureza do povo de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Levítico 13.1-6: “Falou mais o SENHOR a Moisés e a Arão, dizendo: 2 O homem, quando na pele da sua carne houver inchação, ou pústula, ou empola branca, que estiver na pele de sua carne como praga de lepra, então, será levado a Arão, o sacerdote, ou a um de seus filhos, os sacerdotes. 3 E o sacerdote examinará a praga na pele da carne; se o pelo na praga se tornou branco, e a praga parecer mais profunda do que a pele da sua carne, praga da lepra é; o sacerdote, vendo-o, o declarará imundo. 4 Mas, se a empola na pele de sua carne for branca, e não parecer mais profunda do que a pele, e o pelo não se tornou branco, então, o sacerdote encerrará o que tem a praga por sete dias. 5 E, ao sétimo dia, o sacerdote o examinará; e eis que, se a praga, ao seu parecer, parou, e a praga na pele se não estendeu, então, o sacerdote o encerrará por outros sete dias. 6 E o sacerdote, ao sétimo dia, o examinará outra vez; e eis que, se a praga se recolheu, e a praga na pele se não estendeu, então, o sacerdote o declarará limpo: apostema é; e lavará as suas vestes e será limpo.”

OBJETIVO GERAL
Refletir a respeito das funções sociais do sacerdote.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
I. Apresentar as funções clínicas dos sacerdotes.
II. Explicar a função sanitarista do sacerdote.
III. Elencar as funções jurídicas do sacerdote.

INTRODUÇÃO. As funções dos sacerdotes.
A presente lição falará sobre o sacerdote, uma importante figura do AT; pontuaremos detalhadamente suas múltiplas tarefas; veremos que o sacerdote levítico é uma figura do ministério pastoral na função de liderança e das atribuições que lhe foram dadas por Deus.

1. Homens escolhidos e separados pelo Senhor para o serviço no Tabernáculo.

2. Ser sacerdote era ser honrado pelo Senhor mediante uma nobre missão, pois servir a Deus é um grande privilégio.

3. Mas além da honra e do privilégio, havia as responsabilidades e as muitas exigências.

4. O sacerdócio exigia sacrifícios, pois a função mais importante era conduzir o povo segundo a Lei, em santidade e justiça. Essa era uma tarefa das mais difíceis, pois por diversas vezes os hebreus apostataram da fé.

5. Contudo, os sacerdotes também exerciam outras funções, que exigia discernimento e muita sabedoria.

6. Ele tinha que ter consciência do que era puro e impuro, certo ou errado, santo e profano, pois deveriam ser o mais alto referencial da nação no que tange a Palavra de Deus, à instrução e à administração da justiça (Ml 2.4-7).

7. Na Nova Aliança, não é diferente, pois o Senhor continua a exigir de nós, sacerdotes Seus, que tenhamos um padrão de santidade e justiça.
No Sermão do Monte, o código de ética do Reino de Deus, Jesus nos adverte quanto a sermos “sal” e “luz” desse mundo (Mt 5.13,14).

I. QUEM ERA O SACERDOTE
1. Em português, “sacerdote” vem do latim sacer, “sagrado”, “consagrado” (CHAMPLIN, 2004, p. 13).

2. Eram os descendentes diretos de Arão que, normalmente, desempenhavam o ofício superior do sacerdócio.

3. Os sacerdotes eram ordenados a seu ofício e às suas funções mediante um elaborado ritual (Êx 29; Lv 8).

4. Era preciso ser homem sem defeito físico (Lv 21.16-21).

5. Devia casar-se com uma mulher de caráter exemplar (Lv 21.7).

6. Não devia contaminar-se com costumes pagãos nem tocar coisas imundas (Lv 21.1; 22.5).

7. Eles usavam vestimentas especiais, em sinal de seu ofício, e cada peça de seu vestuário ao que se presume, tinha significados simbólicos (Êx 29; Lv 8).

8. Eram sustentados mediante dízimos, primícias do campo, primogênito dos animais e porções de vários sacrifícios (Nm 18).

II. AS MÚLTIPLAS TAREFAS DO SACERDOTE LEVÍTICO
O sacerdote levítico tinha diversas funções. Vejamos algumas:

1. Função clínica em relação à lepra. Os procedimentos clínicos:

1.1. Se o sacerdote diagnostica prontamente que o caso é lepra, o indivíduo é de imediato declarado imundo (3).

1.2. Se o sacerdote tem dúvidas, ele ordena o isolamento do enfermo por sete dias (4).

1.3. Se a praga não se espalhou nos sete dias, ele determinava a manutenção do isolamento por mais sete dias (5).

1.4. Se a doença não se espalhou, o sacerdote o declarará limpo. O homem lavará as suas vestes e será limpo (6).

1.5. Se a mancha na pele se espalhar, o sacerdote o declarará leproso (7, 8).

1.6. Se houver na pele um tumor branco, e os pelos do lugar estiverem brancos também, e houver uma ferida aberta no lugar, então era um caso crônico de doença contagiosa (10,11).

1.7. Tornando a carne viva e mudando-se em branca, ou se a ferida se tornou branca, será declarado limpo (16,17).

2. O leproso era isolado (Lv 13.46).
Ele devia rasgar as roupas, cobrir o lábio superior (“bigode”), gritar “Imundo, imundo!” sempre que alguém se aproximasse dele e permanecer fora do acampamento até que morresse ou fosse curado.

Deus feriu o rei Azarias (Uzias) com lepra, e ele teve de habitar "numa casa separada", literalmente, uma "casa desocupada" isolada de todo o resto do povo (2º Rs 15.5). Foi lançado aos mortos!

3. A gravidade da lepra.
A verdadeira lepra (“hanseníase”) afeta a pele e as terminações nervosas. À medida que se espalha, produz nódulos e úlceras. Em seguida, o tecido se contrai e os membros ficam deformados. O que começa com uma ferida espalha-se e transforma todo o corpo numa massa de decomposição e de feiura.

2.1. Sintomas.
Os sinais e sintomas mais frequentes da hanseníase são:
- Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas, em qualquer parte do corpo, com perda ou alteração de sensibilidade térmica (ao calor e frio), tátil (ao tato) e à dor, que podem estar principalmente nas extremidades das mãos e dos pés, na face, nas orelhas, no tronco, nas nádegas e nas pernas.

- Área de pele seca e com falta de suor, com queda de pelos, especialmente nas sobrancelhas; sensação de formigamento.

- Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés; diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.

- Úlceras de pernas e pés; caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos; febre, edemas e dor nas juntas; entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz; ressecamento nos olhos.

2.2. Os israelitas não conheciam a cura para a lepra. Assim, se a vítima era curada, tratava-se de uma dádiva da graça e misericórdia de Deus. “Havia muitos leprosos em Israel nos dias do profeta Eliseu”, disse Jesus, “e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio” (Lc 4.27). “Ao Senhor pertence a salvação!” (Jn 2.9). Se não somos salvos pela graça de Deus, então não temos salvação, pois ninguém merece ser salvo.

3. Fluxos anormais e normais (Lv 15.1-15, ARC).
A palavra-chave do capítulo 15 de Levítico é “fluxo” e aparece vinte e três vezes. Significa, simplesmente, a eliminação de um líquido, quer seja da água na natureza ou de um fluido do corpo humano.

3.1. Fluxos masculinos anormais (vv. 1-15).
Podia ser qualquer coisa, desde diarreia até doenças venéreas, como gonorreia. Qualquer coisa que o homem acometido desse mal tocasse ou sobre a qual cuspisse seria imunda. Além do mais, aqueles que fossem contaminados ao tocar nele deviam lavar a si mesmos e suas roupas e eram considerados imundos até o pôr-do-sol. Os vasos de barro que tocasse deviam ser quebrados, e os de madeira, lavados. A possibilidade de infecção era levada extremamente a sério.

IV. FUNÇÕES E DEVERES DOS SACERDOTES
Função cerimonial. As várias responsabilidades do sacerdócio dividiam-se em duas categorias básicas:

1. Em relação ao culto.
1.1. Os sacerdotes deviam oficiar em sacrifícios e ofertas.

1.2. Examinavam todos os animais sacrificiais para verificar se eram saudáveis e sem defeitos (Lv 22.17-21).

1.3.Eles supervisionavam o cuidado do Tabernáculo e, mais tarde, do Templo (Nm 3.4).

1.4. Eles estabeleciam o valor de todas as mercadorias que eram dedicadas a Deus (Lv 27).

1.5. Eles anunciavam o início de todas as festas religiosas (Lv 25.9).

2. O serviço no templo.
2.1. Eles queimavam o incenso sobre o altar de ouro, no lugar santo, o que era mesmo um símbolo das funções sacerdotais.

2.2. Arrumavam os pães da proposição a cada sábado (Êx 27.21; 30.7,8; Lv 24.5-8).

2.3. Cuidavam das lâmpadas, acendendo-as a cada novo começo de noite

2.4. Aprontar o pão e as ofertas sacrificiais (Nm 3.5-9).

2.5. - Eles mantinham a chama sempre acesa no altar dos holocaustos (Lv 6.9,12).

2.6. Limpavam as cinzas desse altar (Lv 6.10,11).

2.7. Ofereciam sacrifícios matinais e vespertinos (Êx 29.38-44).

2.8. Abençoavam o povo após os sacrifícios diários (Lv 9.22; Nm 6.23-27).

2.9. Aspergiam o sangue e depositavam sobre o altar as várias porções da vítima sacrificial.

2.10. Sopravam as trombetas de prata e o chifre do jubileu, por ocasião de festividades especiais (Lv 25.9).

3. Em relação à santidade.
Eles deviam distinguir entre o santo e o profano (Lv 10.10).

4. Em relação ao ensino.
4.1. Tinham o dever de atuar como mestres da lei (Lv 10.10,11).

4.2. Os sacerdotes deviam ensinar o povo e lembrá-lo dos mandamentos do Senhor.

4.3. Usavam o Urim e Tumim para transmitir a resposta de Deus a questões expostas pelos líderes da nação (Nm 27.21).


5. Em relação às enfermidades.
5.1. Os sacerdotes deviam diagnosticar males que tornavam adoradores cerimonialmente impuros.

5.2. Oferecer ritual de purificação para aqueles que fossem recuperados.

6. Em relação à área militar
Acompanhavam o exército, para exortar a confiança em Deus (Dt 20.1-4).
O principal foco da vida sacerdotal era lidar com as enfermidades morais do povo e trazê-lo, mediante os sacrifícios determinados, a uma experiência de aceitação diante de Deus (Lv 1.3), por meio da expiação (Lv 1.4) e do perdão (Lv 4.31).

V. FUNÇÕES JURÍDICAS

1. Proteção a família.
Administravam o juramento que uma mulher deveria fazer quando acusada de adultério (Nm 5.15-31). A questão aqui não se tratava de adultério comprovado, pois leis concernentes a esta condição eram claras e prescreviam a pena de morte (Lv 20.10). Este regulamento relacionava-se com situações em que não se podia comprovar a infidelidade (Nm 5.13,29) ou em que a conduta da esposa despertava suspeitas (Nm 5.14). O sacerdote não poderia julgar precipitadamente, mas orientado por Deus procurar a solução para este problema (Nm 5.16).

2. Função penal. O sacerdote agia como juiz, uma consequência de suas respostas a questões legais (Êx 33.7-11). Agiam como juízes quanto às queixas do povo, tomando decisões válidas quanto aos casos apresentados (Dt 17.8-12; 19.17). Os sacerdotes eram reconhecidos como os principais servidores judiciais: “Então se achegarão os sacerdotes, filhos de Levi; pois o SENHOR teu Deus os escolheu para o servirem, e para abençoarem em nome do SENHOR; e pela sua palavra se decidirá toda a demanda e todo o ferimento” (Dt 21.5).

3. Função mediadora. O sacerdote tinha como função principal representar o homem diante de Deus, com dons e sacrifícios (Êx 28.38; 30.8; Hb 5.1; 8;3). Isto ele fazia continuamente por meio dos sacrifícios matinais e vespertinos (Êx 29.38-44), e no Dia da Expiação (Lv 16.1-34; Nm 29.7-11). Ele também representava Deus diante do povo, quando este queria consultar ao Senhor, deveriam ir ao sacerdote que usando Urim e Tumim lhes fazia saber a vontade divina (Nm 27.21; Dt 33.8). Esses objetos eram pequenos seixos, guardados no peitoral das vestes sumo sacerdotais de Israel. Um deles indicava “sim”, e o outro, “não”. Ao que se presume, o sumo sacerdote metia a mão no peitoral, e tirava uma das pedras. Isso determinava o “sim”, e outro, “não” a qualquer pergunta importante que se fizesse (Js 7.14; 14.2; 18.6; 1º Sm 14.42; 1º Cr 6.54; 1º Cr 35.7,8; 26.13) (CHAMPLIN, 2004, p. 271).

4. Função docente. A função original de um sacerdote era dar instruções por inspiração divina (Ne 8.1-8; Ez 44.23). Ele devia ensinar com a Lei: “A lei da verdade esteve na sua boca”; com a sua própria vida: “e a iniquidade não se achou nos seus lábios; andou comigo em paz e em retidão”; e, conduzir o povo no caminho do Senhor: “e da iniquidade converteu a muitos” (Ml 2.6). As pessoas deveriam buscar o conhecimento da Lei, pela boca do sacerdote “porque ele é o mensageiro do SENHOR dos Exércitos” (Ml 2.7). Em seus dias, o rei Josafá, restituiu aos sacerdotes e levitas a função docente de ensinar ao povo a Lei do Senhor (2º Cr 17.8-9).

III. O SACERDOTE LEVÍTICO UMA FIGURA DO MINISTÉRIO PASTORAL

No hebraico, “raah”, palavra que figura por setenta e sete vezes, tem o sentido de pastor (Gn 49.24; Êx 2.17,19; Nm 27.17; 1º Sm 17.40; Sl 23.1; Is 13.20; Jr 6.3; 23.4; 25.34-36; 31.10; Ez 34.2-10,12,23; Am 1.2; 3.1; Zc 10.2,3; 11.3,5,8,15,16; 13.7) (CHAMPLIN, 2004, p. 104). Muitas passagens, no AT, se referem aos líderes do povo de Deus como pastores que agem sob a supervisão de Deus (Nm 27.17; 1º Rs 22.17). No NT, o pastor é o responsável pela direção e pelo apascentamento do rebanho. Assim como o sacerdote é “o anjo do Senhor” (Ml 2.7) para Israel; o pastor é “o anjo da igreja” (Ap 2.1). Cabe ao pastor velar pelas ovelhas, como quem tem de dar conta delas (Hb 13.17).

1. A necessidade de um pastor para a igreja. Assim como era necessário na Antiga Aliança um sacerdote sobre o povo de Israel, o pastor é essencial ao propósito de Deus para sua igreja (At 20.28). O NT nos ensina que embora a igreja seja chamada de “sacerdócio real”, dentre o povo, Deus escolheu pessoas e lhes deu dons de liderança: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Ef 4.11). A igreja que deixar de ter pastores piedosos e fiéis não será pastoreada segundo a mente do Espírito (1ª Tm 3.1-7). Será uma igreja vulnerável às forças destrutivas de Satanás e do mundo (At 20.28-31). Haverá distorção da Palavra de Deus, e os padrões do evangelho serão abandonados (2ª Tm 1.13,14). Membros da igreja e seus familiares não serão doutrinados conforme o propósito de Deus (1ª Tm 4.6,14-16; 6.20,21). Muitos se desviarão da verdade e se voltarão às fábulas (2ª Tm 4.4). Se, por outro lado, os pastores forem piedosos, os crentes serão nutridos com as palavras da fé e da sã doutrina, e também disciplinados segundo o propósito da piedade (1ª Tm 4.6,7).

2. O pastor e as suas muitas atribuições. Sua missão é múltipla e polivalente. Um pastor de verdade tem que agir como ensinador (2ª Tm 4.2), conselheiro (2ª Co 8.10), pregador (1 Co 2.2), evangelizador (Mt 28.19), missionário (At 15.35), profeta (1ª Tm 4.1), juiz de causas complexas (At 15.1-31), fazer às vezes de psicólogo, conciliador (Fp 4.2; Fl 1.10-19), administrador eclesiástico dos bens espirituais e de recursos humanos sob seus cuidados, na igreja local (1ª Co 4.1; Tt 1.3; Tt 1.5); é administrador de bens materiais ou patrimoniais; gestor de finanças e recursos monetários, da igreja local (1ª Co 16.1-7; 2ª Co 9.1-14). Algumas outras atribuições do pastor são:

2.1. Cuidar da sã doutrina e refutar a heresia (Tt 1.9-11).

2.2. Ensinar a Palavra de Deus e exercer a direção da igreja local (1ª Ts 5.12; 1ª Tm 3.1-5).

2.3. Ser um exemplo da pureza e da sã doutrina (Tt 2.7,8).

3.4. Esforçar-se no sentido de que todos os crentes permaneçam na graça divina (Hb 12.15; 13.17; 1Pe 5.2). Sua tarefa é assim descrita em At 20.28-31: salvaguardar a verdade apostólica e o rebanho de Deus contra as falsas doutrinas e os falsos mestres que surgem dentro da igreja. Pastores são ministros que cuidam do rebanho, tendo como modelo Jesus, o Bom Pastor (Jo 10.11-16; 1ª Pe 2.25; 5.2-4).

3 Os pastores mestres. O ensino, acompanhado do evangelismo, faz parte da original Grande Comissão de Cristo à sua igreja (Mt 28.20). Tanto os apóstolos como os profetas eram mestres, e nenhum pastor pode ser um verdadeiro pastor se não for apto para ensinar (1ª Tm 3.2,11). É interessante destacar que a frase “pastores e mestres” em Efésios 4.11 no original grego não consta o artigo “e”, razão pela qual alguns supõem que isso salienta uma única “categoria” - pastores e mestres seriam aspectos da mesma função. Inferimos que o pastor também deve ser mestre, pois boa parte do seu trabalho é o ensino (CHAMPLIN, 2005, p. 601 – grifo nosso).

CONCLUSÃO
Deus separou a tribo de Levi para as tarefas no templo. E, dessa tribo separou a família de Arão para exercer o sacerdócio, função esta que tinha diversas atribuições e que prefigura o ministério pastoral no NT. Deus, por meio de Cristo, providenciou pastores a fim de liderar, instruir e edificar a Sua igreja aqui na terra.

FONTE DE PESQUISA

1. ANDRADE CLAUDIONOR CORREA DE. Trimestre/2018. Lição 4. CPAD
2. CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado – Gênesis a Números. HAGNOS.
3. ELISSEN, Stanley. Conheça melhor o Antigo Testamento. VIDA.
4. HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
5. HOWARD, R.E, et al. Comentário Bíblico Beacon. CPAD.
6. RENOVATO, Elinaldo. Dons espirituais e ministeriais: servindo a Deus e aos homens com o poder extraordinário. CPAD.
7. STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.


Pr. Elias Ribas

segunda-feira, 9 de julho de 2018

OS MINISTROS DO CULTO LEVÍTICO



Texto Base: Levítico 8.1-13:
E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: 2 Fala a Arão, e dize-lhe: Quando acenderes as lâmpadas, as sete lâmpadas iluminarão o espaço em frente do candelabro. 3 E Arão fez assim: Acendeu as lâmpadas do candelabro para iluminar o espaço em frente, como o SENHOR ordenara a Moisés. 4 E era esta a obra do candelabro, obra de ouro batido; desde o seu pé até às suas flores era ele de ouro batido; conforme ao modelo que o SENHOR mostrara a Moisés, assim ele fez o candelabro. 5 E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: 6 Toma os levitas do meio dos filhos de Israel e purifica-os; 7 E assim lhes farás, para os purificar: Esparge sobre eles a água da expiação; e sobre toda a sua carne farão passar a navalha, e lavarão as suas vestes, e se purificarão. 8 Então tomarão um novilho, com a sua oferta de alimentos de flor de farinha amassada com azeite; e tomarás tu outro novilho, para expiação do pecado. 9 E farás chegar os levitas perante a tenda da congregação e ajuntarás toda a congregação dos filhos de Israel. 10 Farás, pois, chegar os levitas perante o SENHOR; e os filhos de Israel porão as suas mãos sobre os levitas. 11 E Arão oferecerá os levitas por oferta movida, perante o SENHOR, pelos filhos de Israel; e serão para servirem no ministério do SENHOR. 12 E os levitas colocarão as suas mãos sobre a cabeça dos novilhos; então sacrifica tu, um para expiação do pecado, e o outro para holocausto ao SENHOR, para fazer expiação pelos levitas. 13 E porás os levitas perante Arão, e perante os seus filhos, e os oferecerá por oferta movida ao SENHOR.”

“Toma os levitas em lugar de todo primogênito entre os filhos de Israel e os animais dos levitas em lugar dos seus animais; porquanto os levitas serão meus. Eu sou o Senhor” (Nm 3.45).

INTRODUÇÃO
Nesta Aula, trataremos a respeito dos Ministros que conduziam a adoração e representavam o povo diante de Deus na Antiga Aliança. No Sinai, Deus escolheu e separou a tribo de Levi para que dela fossem vocacionados os sacerdotes e os levitas que ministrariam a adoração e o serviço no Tabernáculo. Ser escolhido para tal função era um privilégio, uma honra, mas também uma grande responsabilidade e abnegação, já que os descendentes de Levi não teriam herança como às demais tribos. O Senhor seria a herança deles e o sustento viria das outras tribos. Era preciso ter fé e viver dela. Por determinação de Deus, os sacerdotes deveriam ser descendentes de Arão, irmão de Moisés, e as suas esposas deveriam ser israelitas de sangue puro. Na Nova Aliança, graças ao sacrifico de Jesus Cristo, cada crente é um sacerdote santo, chamado para oferecer sacrifícios espirituais (1ª Pd 2.5). Atuamos como proclamadores do Evangelho e intercessores tanto pelos crentes quanto pelos que ainda não creem. À semelhança dos sacerdotes levitas, o chamamento divino exige separação, excelência e dedicação integral.

I. LEVI, A TRIBO SACERDOTAL
No momento da promulgação da lei, todo o povo israelita era formado de sacerdotes, uma vez que Moisés não só levantou doze monumentos, representando as doze tribos de Israel, como também convocou jovens de todas as tribos para oferecer sacrifícios (Êx cap.24). Tinha sido esta a proposta de Deus para Israel, ou seja, a de que eles se tornassem “reino sacerdotal e povo santo do Senhor” (Êx19.5,6). Mas, enquanto Moisés esteve ausente por quarenta dias e quarenta noites (Êx 24.18), o povo de Israel quebrou a lei, fazendo para si um bezerro de ouro, quebrando os dois primeiros mandamentos da lei. Ao retornar ao arraial, Moisés, indignado, quebrou as tábuas da lei. Depois, Moisés perguntou ao povo quem estava do lado do Senhor, e somente a tribo de Levi se manifestou (Êx 32.26); por esta razão, foi a tribo de Levi escolhida para exercer o sacerdócio entre os israelitas, porque, com a quebra da lei, Israel perdera a condição de ser “reino sacerdotal” (Dt 10.8).

1. Os levitas. Eram descendentes de Levi, filho de Jacó e Lia (Gn 29.34). Levi foi pai de três filhos: Gérson, Coate e Merari (Gn 46.8-11). No Egito, durante a sua estada, a família de Levi aumentou e passou a ser uma tribo, e as famílias dos três filhos se tornaram divisões tribais. Arão, Miriã e Moisés nasceram na divisão coatita da tribo (Êx 2.4; 6.16-20; 15.20). Quando o Tabernáculo foi removido, os coatitas levaram a mobília, os gersonitas, as cortinas e seus pertences, e os meratitas transportaram e instalaram o Tabernáculo propriamente dito (Nm 3.35-37; 4.29-33).
Por haverem sido resgatados da morte, por ocasião da primeira Páscoa (Êx 11.5; 12.12,13), os primogênitos das famílias hebraicas pertenciam a Deus, mas os levitas, por seu zelo espiritual, foram escolhidos por Deus como substitutos dos filhos mais velhos de cada família (Nm 3.12,45; 8.17-19). Conforme Números 3.41-45, os levitas agiram como substitutos dos primogênitos de toda casa de Israel.
Por serem separados para o serviço de Deus, não se esperava que fossem à guerra (Nm 1.3,49) ou plantassem seus próprios alimentos numa área tribal. Eles deviam espalhar-se por toda a Terra Prometida e viver entre o povo (Nm 35.1-8), e deviam ser sustentados com os dízimos do povo (Nm 18.21).
Os levitas, dados a Arão e a seus filhos, eram os ajudantes dos sacerdotes. Eles assistiam os sacerdotes em seus deveres e transportavam o tabernáculo e cuidavam dele (Nm 1.50,51; 8.19-22).

2. O zelo dos levitas. Uma das características dos descendentes de Levi, os levitas, era a sua devoção a Deus e a sua postura zelosa em relação aos padrões morais de Deus estabelecidos para o seu povo. Quando os hebreus adoraram o bezerro de ouro no sopé do Monte Sinai, foram os levitas que se uniram a Moisés contra a idolatria. Sua devoção a Deus se evidenciou publicamente nesse ato. Por causa de sua obediência e consagração a Deus, eles receberiam uma bênção (Êx 30.29). A bênção que receberam foi o fato de terem sido escolhidos como a tribo dedicada ao serviço de Deus (Nm 3.6-13). Nesta ocasião, Deus usou esses escolhidos para cumprir a tarefa sacerdotal de executar os julgamentos divinos (Êx 32.27,28). Os serviços do tabernáculo eram executados somente por eles (Nm 1.50-51). Eram bastante zelosos no exercício sacerdotal, chegando até mesmo resistir com firmeza ao rei Uzias quando este queria usurpar os serviços que apenas a eles eram permitidos executar (cf.2º Cr 26.16-18); Deus castigou este rei com lepra pela infringência cometida (2º Cr 26.19-21).

3. A vocação sacerdotal dos levitas. Tendo em vista o caráter santo e distintivo da tribo de Levi, aprouve a Deus separá-la para o sacerdócio (Nm 3.45). Deus instituiu Arão e seus filhos como os primeiros sacerdotes de Israel (Êx. cap.28). Depois disso, a única forma de se tornar sacerdote era nascendo na tribo e na família sacerdotal. Na Sua presciência, Ele já havia, no Monte Sinai, dito a Moisés que escolhera a Arão e a seus filhos para exercerem o ofício sacerdotal (Êx 28.1). Essa escolha divina foi confirmada mediante a unção, que seguiu um rito todo especial, determinado pelo próprio Deus (cf. Levítico cap. 8).
O sacerdote era um mediador que ensinava a lei, mas principalmente oficiava os cultos religiosos dos israelitas (Êx 28.43). Eles só podiam vir da tribo de Levi.  No entanto, o simples fato de alguém ser levita não fazia dele um sacerdote. Para atuar como sacerdote, era necessário o chamado de Deus - “Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão” (Hb 5.4).  Então, ser sacerdote era uma honra especial, e os que desempenhavam essa função eram diretamente chamados por Deus.
Os sacerdotes da ordem levítica eram consagrados ou separados por Deus para esse trabalho especial (Êx 28.1-4). Isso significa que eram santos, não devendo ser consideradas pessoas comuns. Os demais levitas, embora desempenhassem trabalhos importantes na vida religiosa de Israel, não eram sacerdotes.
Além disso, para que alguém fosse sacerdote, essa pessoa precisava não só ser da tribo de Levi, ser chamada por Deus para o trabalho e ser consagrada, mas tinha de estar isenta de deformidades físicas e de outras contaminações (Lv 21.16-21). Ainda que uma pessoa preenchesse alguns dos outros requisitos, se fosse cega, coxa ou de algum modo deformada, não podia atuar como sacerdote. Devia se casar com uma mulher de caráter exemplar. Não devia contaminar-se com costumes pagãos nem tocar em coisas imundas.
A santidade divina exige daqueles que se aproximam de Deus um estado habitual de pureza, incompatível com a vida comum dos homens. Então, vemos que os que eram sacerdotes no sistema do Antigo Testamento eram especiais, santos e sem deficiências. Isso apontava para o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, Jesus Cristo (Hb 6.20), que é perfeito e seu sacrifício por nós foi único, completo e aceito pelo Pai.
A instituição do sacerdócio levítico era mais um “remédio”, uma medida paliativa que se criava até a vinda do Messias, que redimiria a humanidade e que se tornaria o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5.10; Hb 6.20), instituindo, então, um verdadeiro “reino sacerdotal” (1ª Pd 2.9; Ap 1.5,6), que é a Sua Igreja.
Com a vinda de Cristo, porém, não há que se falar mais em necessidade de que parte do povo de Deus, a Igreja, seja constituída por “sacerdotes”, pois todo o povo de Deus é agora formado de sacerdotes, vez que o pecado foi tirado e há livre acesso à presença de Deus.
O sacerdócio levítico encerrou-se pouco antes da morte de Cristo na cruz do Calvário, quando o sumo sacerdote Anás, quebrando norma da lei (Lv 21.10), rasgou suas vestes durante o julgamento de Jesus pelo Sinédrio (Mt 26.65; Mc 14.63).
Logo em seguida, com Sua morte na cruz, Jesus instituiu o sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4; Hb 7.17,21), oferecendo-se pelo pecado da humanidade, sacrifício único e que efetuou eterna redenção (Hb 7.27; 9.12).
Na Igreja, portanto, a única forma de se tornar sacerdote é por meio do Novo Nascimento (Ap 1.5,6). É muita presunção querer ordenar sacerdotes por meios humanos. Na Nova Aliança, só há um mediador entre Deus e homem: Jesus Cristo, homem (1ªTm 2.05). Jesus é o nosso sublime e perfeito Sumo Sacerdote (Hb 7.26-27). Portanto, não mais necessitamos de intermediários humanos para nos achegarmos a Deus; não há mais a figura humana do sacerdote; é errado, portanto, chamar os pastores de sacerdotes, pois não existe mais a atividade de intermediação, como existia no Antigo Testamento; cada crente é um sacerdote - “vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (1ª Pd 2.5). Agora, qualquer um de nós pode adentrar ao trono da graça de Deus para suplicar, interceder, e oferecer culto e sacrifício de louvor ao Senhor.

II. O SUMO SACERDOTE
O sumo sacerdote era o principal representante do culto divino no Antigo Testamento (Êx 28.1). O povo de Deus somente poderia chegar à presença do Senhor através de pessoas especialmente designadas para isto. O sacerdócio veio como uma continuação da mediação que, iniciada por Moisés, deveria prosseguir até que viesse outro profeta como Moisés (Dt 18.15; At 7.37), que, então, estabelecesse uma nova ordem, um novo regime de sacerdócio.

1. Arão, da tribo de Levi, foi o primeiro sumo sacerdote. Arão foi o primeiro sumo sacerdote da história de Israel (Êx 28.1-3), cuja função era, primordialmente, a de interceder a Deus por todo o povo, notadamente no dia da expiação (Lv 16; 23.26-32).
Somente ele usava roupas especiais (Lv.16:2), interpretava o lançamento das sortes sagradas (Urim e Tumim – Êx 28.30; Lv 8.8) que eram mantidas em seu peitoral.
Somente ele entrava uma vez por ano no lugar santíssimo para expiar os pecados da nação israelita (Lv 16.29); no lugar santíssimo, depois de ter feito sacrifício antes por si mesmo, oferecia um sacrifício em nome de todo o povo, ocasião em que Deus aplacava a sua ira e diferia, por mais um ano, a punição pelos pecados cometidos.
Somente ele aspergia sangue sobre o propiciatório - como era chamada a tampa de ouro da arca do concerto -, que ficava dentro do lugar santíssimo, e este sangue trazia favor ao povo de Israel, pois, por causa deste sangue, o pecado do povo era coberto e Deus se mostrava favorável, não castigando o povo pelo pecado cometido.
Somente ele usava o peitoral com os nomes das doze tribos de Israel e atuava como mediador entre toda a nação e Deus.
Somente ele tinha o direito de consultar ao Senhor mediante Urim e Tumim, que ficava dentro do peitoral, os quais significavam “luzes e perfeições”. Segundo se crê, era duas pedrinhas, uma indicando resposta negativa e a outra, resposta positiva. Não se sabe como eram usadas, mas é provável que, em situações difíceis, fossem retiradas de algum lugar ou lançadas ao acaso, ao fazer-se uma consulta propondo uma alternativa: “farei isto ou aquilo?” E, segundo saísse Urim ou Tumim, interpretava-se a resposta, segundo a vontade de Deus (Nm 27.21; Ed 2.63; 1º Sm 14.36-42; 2º Sm 5.19).
Embora o sacerdote em alguns aspectos prefigure o cristão, o sumo sacerdote simbolizava Jesus Cristo (ver 1ª Pd 2.5,9; Hb 2.17; 4.14).
Restrições: Por ser tão honrosa e de muita responsabilidade, a função do sumo sacerdote era cercado de uma série de restrições, muito superiores a de qualquer outro israelita. Assim, por exemplo: não podia descobrir a sua cabeça; não podia rasgar os seus vestidos (Lv 21.10); não podia se chegar a qualquer cadáver, nem mesmo de seus pais (Lv 21.11); tinha que casar com mulher virgem, sendo-lhe vedado casar com mulher repudiada ou, mesmo, viúva (Lv 21.13,14).

2. Ungido para o ofício (Lv 8.10-12). Moisés tomou o azeite da unção, conforme estipulado em Êx 30.22-33, e derramou-o sobre a cabeça de Arão e ungiu-o, para santificá-lo (Lv 8.12). A unção de Arão simboliza a separação do sacerdote para Deus e a investidura com poder divino (charisma) necessário para o exercício do ministério santo. No Antigo Testamento, o profeta (1ª Rs 19.16), o rei (1º Sm 9.16; 10:1) e o sacerdote eram ungidos dessa maneira. Em hebraico, o verbo “ungir” (mashach) é o radical do qual se deriva a palavra Messias (“o ungido”). O Messias tinha de ser ungido não apenas com óleo, mas com o Espírito Santo (Is 11.2; 42.1; Lc 3.22).
O Senhor determinou que o sumo sacerdote Arão fosse ungido a fim de dignificá-lo como ministro extraordinário do culto divino (Êx 28.41; 29.1-7). A primeira etapa na consagração de Arão como sumo sacerdote foi lavá-lo com água diante da porta da tenda da congregação (Ex.29:4); em seguida, Arão vestiu as roupas descritas em Êxodo 28.5,6; em seguida, recebeu a unção com óleo (Êx 29.7) – “e tomarás o azeite da unção e o derramarás sobre a sua cabeça; assim, o ungirás”.
O azeite sobre a cabeça de Arão simbolizava a unção do Espírito Santo. Os dons e a influência divina são indispensáveis ao exercício do ministério. No Salmo 133.2 indica-se a abundância do óleo com o qual foi ungido Arão; é um belíssimo simbolismo do Espirito Santo derramado sem medida sobre o Senhor Jesus Cristo (Sl 45.6,7; Jo 3.34), nosso magnifico Sumo Sacerdote.
Moisés espargiu a santa unção sobre Arão e seus filhos. Assim é a presença e o poder do Espírito Santo para o "sacerdócio real" dos crentes a fim de que ministrem com poder e eficácia.
Assim como os sacerdotes do Antigo Testamento, os ministros de Cristo precisam ser ungidos com o Espirito Santo, afim de que o culto tenha a qualidade desejada pelo Senhor, sendo, assim, aceitável diante d’Ele. Além disso, a vida do ministro deve ser coerente com o culto ou serviço que prestam a Deus.

3. Cargo vitalício - Êx 28:43: “E estarão sobre Arão e sobre seus filhos, quando entrarem na tenda da congregação, ou quando chegarem ao altar para ministrar no santuário, para que não levem iniquidade e morram; isto será estatuto perpétuo para ele e para a sua semente depois dele”.
O sumo sacerdócio era um cargo vitalício, dado ao primogênito do vigente sumo sacerdote, com exceção dos casos de enfermidade ou mutilação previstos pela Lei (Nm 3.1-13; Lv 21.16-23), de modo que eles podiam transmitir a seus filhos as leis detalhadas relacionadas com o culto e com as numerosas regras às quais os sacerdotes viviam sujeitos a fim de manterem a pureza legal que lhes permitisse aproximar-se de Deus. Como os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, foram mortos por levarem fogo estranho diante de Deus, Eleazar sucedeu o sumo sacerdócio, e foi mantido em sua família (Nm 20.25,26).
Segundo Ralph Gower, em alguma época da história de Israel, o sumo sacerdócio foi assumido pela família de Itamar, o quarto filho de Arão, mas Salomão fez novamente retornar à família de Eleazar, colocando Zadoque na posição de sumo sacerdote. Essa posição foi mantida na família dele até que seu descendente veio a ser deposto por Antíoco Epifânio (rei da Síria) nos dias dos macabeus. Nesse período posterior, os sumos sacerdotes eram indicados pelo poder reinante (exemplo: Anás foi deposto pelos romanos e substituído por Caifás - cf. Lc 3.2; Jo 11.49-51; 18.13-24), mas quando eles se tornaram forte o bastante para resistir às autoridades, adotaram seu próprio estilo de soberania. Ao que tudo indica, havia um rodízio entre os principais membros da família de Arão (Lc 3.2).
Na Nova Aliança, não há mais linhagens de sumo sacerdotes, porque o nosso único e definitivo Sumo Sacerdote é Cristo, que através do seu sacrifício acabou com a necessidade de novas ofertas e sacrifícios (Hb 7.1-8). Todos os cristãos são sacerdotes diante de Deus (1ª Pd 2.5-9; Ap 1.5,6; 5.9-10). Portanto, todo o povo de Deus da Nova Aliança pode se apresentar diretamente a Deus para oferecer-lhe sua adoração (Hb 10.19-23; 13.15). Por isso, devemos ter uma vida exemplar, quer em atitudes quer em palavras.

III. DIREITOS E DEVERES
Eram direitos e deveres dos descendentes de Levi, principalmente os da casa de Arão: viver do altar, santificar-se ao Senhor e ser uma referência moral, ética e espiritual.

1. Viver do altar (Lv 7.35). Nem os levitas nem os sacerdotes receberam terra quando Josué repartiu Canaã porque o Senhor havia de ser sua parte e herança (Nm 18.20). Os levitas que cuidavam do tabernáculo e o transpor­tavam recebiam o dízimo das outras tribos. Por sua vez, davam seus dízimos aos sacerdotes (Nm 18.28). Além disso, os sacerdotes recebiam a carne de determinados sacrifícios, as primícias, parte consagrada dos votos e os primogênitos dos animais – “Esta é a porção de Arão e a porção de seus filhos, das ofertas queimadas do SENHOR, no dia em que os apresentou para administrar o sacerdócio ao SENHOR” (Lv 7.35).
Assim expressa o apóstolo Paulo ilustrando este princípio: “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? .... Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1ª Co 9.13-14). E o ministro deve ter a atitude do Salmista: “O Senhor é a porção da minha herança e do meu cálice; tu sustentas a minha sorte” (Sl 16.5).

2. Santificar-se ao Senhor. Em virtude de seu ofício, os sacerdotes deveriam erguer-se, em Israel, como referência de santidade e pureza. Eles eram a personificação de Israel e sempre era seu dever trazer à memória de seu povo a santidade de Deus. O sumo sacerdote, por exemplo, tinha de ostentar uma faixa de ouro, em seu turbante (mitra), no qual estava colocada uma lâmina de ouro puro com as palavras "Santidade ao Senhor", gravadas sobre ela (Êx 28.36). Os sacerdotes proclamavam que a santidade é a essência da natureza de Deus e indispensável a todo o verdadeiro culto prestado a Ele.
No culto divino, tudo o que eles empregavam tinham de ser consagrados ao serviço divino. Portanto, Arão e seus filhos tinham de estar devidamente limpos e ataviados e deviam ter expiado seus pecados antes de assumirem os deveres sacerdotais.

3. Tornar-se uma referência espiritual e moral. Por ser o mediador entre Deus e o povo de Israel, os sacerdotes tinham o dever de se apresentarem como uma referência espiritual e moral. Caso contrário, seriam punidos exemplarmente, como aconteceu com os filhos de Eli, Hofni e Finéias. Estes, em consequência de seu proceder, tornaram-se um péssimo exemplo para o povo de Israel. A Bíblia diz que o Senhor queria matá-los por se comportarem de forma imoral perante o povo de Israel (1º Sm 2.22-25). Eles endureceram o coração e pecaram abertamente e sem constrangimento. Eli os advertiu, mas a advertência de Eli não teve efeito moral sobre eles. Deus os entregou à sua própria sorte. Para eles, já se passara o dia da salvação, estando, pois, destinados por Deus à condenação e à morte, à semelhança daqueles referidos em Rm 1.21-32. Iam morrer como resultado da sua própria e insolente desobediência e da sua recusa de arrepender-se.
À época de Malaquias, também, os sacerdotes se comportavam muito mal diante de Deus e do povo de Israel; estavam totalmente corrompidos. Por isso, o Senhor os havia tornado desprezíveis e indignos diante de todo o povo. A irreverencia deles era tão pútrida que Deus pediu que eles não fizessem mais culto a Ele no templo de Deus, que fechassem as portas do Templo – “Quem há também entre vós que feche as portas e não acenda debalde o fogo do meu altar? Eu não tenho prazer em vós, diz o SENHOR dos Exércitos, nem aceitarei da vossa mão a oblação” (Ml 1.10). Por causa disso, Deus os advertiu de que sofreriam uma condenação terrível caso não se arrependessem e mudassem de atitude.
Na Nova Aliança, também, Deus exige que o seu povo ande em santidade e pureza diante d’Ele, como exorta o apóstolo Pedro: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1ª Pd 1.15).

CONCLUSÃO
O sacerdócio levítico era glorioso; seus membros eram considerados príncipes de Deus (Zc 3.8). Todavia, o sacerdote não era perfeito, e por causa disto devia estar sempre disposto a reconhecer seus pecados, abandoná-los e oferecer o sacrifício correspondente. Os sacerdotes eram apenas sombras do perfeito Sumo Sacerdote, o Senhor Jesus Cristo. Ele, como Sumo Sacerdote, foi designado e escolhido por Deus (Hb 5.5); Ele não tem pecado (Hb 7.26); o Seu sacerdócio é inalterável (Hb 7.23-24); o Seu oferecimento é perfeito e definitivo (Hb 9.25-28); Ele intercede continuamente (Hb 7.24-25); Ele é o único Mediador (1ª Tm 2.5); Ele já ofereceu o sacrifico definitivo. O que precisamos, então, é de uma apropriação pela fé dos méritos do Calvário, que nos limpam e nos colocam em condições de entrarmos no santuário de Deus.

Fonte. ANDRADE, Claudionor Correia de, Lições Bíblicas 3° Trimestre de 2018, CPAD, Rio de Janeiro, RJ.