TEOLOGIA EM FOCO

terça-feira, 8 de novembro de 2011

USO DO VÉU E CABELOS SEGUNDO 1ª CORÍNTIOS 11


Umas das regras da hermenêutica para se fazer uma interpretação bíblica correta é estudar o contexto histórico, o período, a cultura e os costumes de quem escreveu, etc. Porém, quem não teve esse privilegio não sabe definir como foi escrita, ou por que foi escrita, a quem foi endereçada e comete o erro grosseiro de defender o uso do véu e o cabelo comprido para as mulheres como doutrina bíblica.
Algumas igrejas estão mais para o Islamismo, cheia de leis e morte, bem diferente da Igreja de Jesus Cristo, livre e operante. Por isso vamos estudar este tema analisando o sentido do véu e o cabelo para mulheres.

Porque as mulheres judaicas usavam o véu? E as Helênicas não usavam? E porque era proibido as mulheres contemporâneas do Apóstolo Paulo de terem os cabelos rapados?

Transliteração.
PROS KORINTHIOYS A PASA DE GYNE PROSEYCHOMENE HE PROPHETEYSA AKATAKALYPTO TE KEPHALE KATAISCHYNEI TEN KEPHALEN AYTENS;

Tradução literal.
“Toda mulher orando ou profetizando descoberta com a cabeça desonra a cabeça dela” (1ª Co1.5).
Neste trecho o vocábulo mais discutido é sobre a questão do uso do véu; o que o apóstolo Paulo quis nos ensinar? Seria este um ensino de valores eternos ou circunstanciais? E qual a utilização do uso do véu hoje?

Primeiro: À luz do contexto. O escritor fala sobre uma hierarquia na criação (1ª Co 11.3), ordem na criação (1ª Co 11.7-9).
“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo” (1ª Co 11.3).
Paulo está se referindo à “cabeça” no sentido natural. Para a mulher, cabeça descoberta significa: Estar sem a cobertura da autoridade do homem ou de Cristo.
Para nós o ensino prático é que o texto fala de submissão da esposa ao seu esposo e que isto sim é honroso diante de Deus. O texto em questão, dirige-se as mulheres casadas e não a todas as mulheres da igreja, sim pois, “o marido é a cabeça da esposa”, Paulo não está tratando aqui das mulheres solteiras.

Segundo: Discorrendo no contexto cultural, observamos que, a cidade de Corinto era estrategicamente estabelecida; foi uma autêntica metrópole, abrigando judeus, gregos e romanos. Portanto, havia uma miscigenação de raças e de culturas. A Carta do apóstolo Paulo foi primeiramente endereçada aos irmãos da cidade de Corinto, na Grécia. Corinto é até hoje uma cidade portuária muito importante, pois recebe embarcações de todas as nações através do Mar Mediterrâneo. Corinto foi uma autêntica metrópole, abrigando gente de todas as culturas antigas. A cidade oferecia aos viajantes, mais divertimento e opções culturais que outros portos. Lá ficava o único anfiteatro (uma construção romana) da Grécia com capacidade para mais de 20.000 pessoas. Naqueles dias, havia um culto a uma deusa chamada Afrodite, que era tida como a deusa da fertilidade. E nesses cultos havia a presença de prostitutas culturais, que tinham relações sexuais durante a cerimônia. A maioria delas tinha a cabeça raspada. O seu templo abrigava mais de 1000 prostitutas. A cidade tornou-se símbolo da promiscuidade e decadência moral. Este culto passou ser uma tradição da cidade e infelizmente existe até hoje na Grécia. A cultura judaica era diferente dos costumes de Coríntios. As mulheres gregas vestiam-se de modo diferente das judias. Os judeus jamais comeriam uma comida vendida em mercado, principalmente sacrificada a ídolos. Um judeu de modo algum permitiria que as mulheres falassem nas sinagogas, mas na cultura helênica, contanto que cobrisse a cabeça, as mulheres receberiam permissão para orar, pregar (profetizar) e exercer alguns ministérios. A cultura hebraica se chocava com a cultura de Coríntios.

Muitas judias que normalmente não cobrem a cabeça, o fazem durante a oração. “O site judaísmo 101”, menciona que, nas culturas orientais, cobrir a cabeça é um sinal de respeito e se isso for feitio durante a oração, mostra-se respeito por Deus.

Na tradição judaica ao cobrir o cabelo, a mulher casada faz uma declaração: “Não estou disponível, não estou aberta ao público. Até o meu cabelo, a parte mais óbvia e visível de mim, não é para os seus olhos.”

Por volta do ano 50 Paulo morou nesta cidade por um período de 18 meses (At 18.11), onde ensinou o evangelho, e mesmo debaixo de perseguição deixou ali uma igreja implantada. Depois que partiu, Paulo escreveu uma carta, hoje perdida (1ª Co 5.9). Talvez em resposta a essa carta, os crentes lhe redigiram algumas perguntas inquietantes. A contestação de Paulo sobre os problemas de divisão (1.11), a imoralidade entre os irmãos (cap. 5; 6.9-20) e as perguntas concernentes a casamento, alimentos, adoração e ressurreição, provocaram a composição de primeira Coríntios.

Terceiro: O uso do véu. Para os judeus era um costume antigo, que representava a decência das mulheres (cf Gn 24.36). Submissão das mulheres.

Quarto: No caso de Corinto, temos um costume das prostitutas (sacerdotisas do templo de Afrodite) terem a cabeças rapada, e também as mulheres gregas que não se prostituíam tinham o cabelo comprido, porém não usavam o véu. Então concluímos; numa cultura a não utilização do véu poderia ser motivo para o divórcio, também poderia ser uma forma de lamento, ter a cabeça rapada, ou indicar uma mulher culpada de adultério, seria também norma rapar a cabeça.
As sacerdotisas do templo de Afrodite raspavam a cabeça e conforme um costume local, elas teriam que se entregar a algum desconhecido sexualmente, uma vez por ano (havia em Corinto mil prostitutas – sacerdotisas de Afrodite).

Quinto: Enfatizamos, que Paulo não ensinava nesta passagem bíblica, princípios morais eternos, e assim circunstanciais, ou seja, cultural. O ensino era que, por uma questão de coerência, aqueles que quisessem manter a tradição do uso do véu hebraico deveriam também preservar o uso dos cabelos compridos presentes na cultura helênica.

O véu não é símbolo do cabelo, as mulheres judias tinham por costume usar véu sobre a cabeça, então houve uma certa dúvida com as mulheres que se convertiam, se elas eram obrigadas a usarem o véu, então Paulo escreveu que as igrejas de Cristo, não tinham este costume, pois o cabelo foi dado em lugar de véu, como sinal de honra sobre a própria cabeça.

Se analisarmos profundamente este capítulo, Paulo apenas deseja manter o costume judaico da utilização do véu (v. 5) numa cultura que já o substituíra pelo uso dos cabelos. Ele sugere que, por uma questão de coerência, aqueles que quisessem manter a tradição do uso do véu hebraico deveriam também preservar o uso do cabelo comprido presente na cultura helênica.

O véu era uma tradição judaica.

“De fato eu vos louvo porque em tudo lembrais de mim, e retendes as tradições assim como vos entreguei” (1ª Co 11.2).

As mulheres da igreja de Coríntios viviam em meio a duas tradições distintas: “...retendes as tradições assim como vos entreguei”. [Tradição do original grego paradosis - paradosis] que significa transmissão preceito, particularmente a lei tradicional dos judeus – ordenança, tradição [dicionário Strong, P. 2339].

Paulo, por ser judeu, propunha a manutenção do costume hebraico; logo, a questão do uso do véu ou cabelos compridos era apenas penitente aquele contexto cultural. A mulher usava o véu por submissão e, da mesma forma, ela deve usar o cabelo comprido por submissão. Mas, no Japão o fato de uma mulher cortar ou não o cabelo não contém nenhum valor ético e moral, mas andar à frente do esposo sim, pois sua cultura ensina assim.

Quinto: Enfatizamos, que Paulo não ensinava nesta passagem bíblica, princípios morais eternos, e assim circunstanciais, ou seja, cultural. O ensino era que, por uma questão de coerência, aqueles que quisessem manter a tradição do uso do véu hebraico deveriam também preservar o uso dos cabelos compridos presentes na cultura helênica.

Segundo o escritor Ricardo Gondim “Isto porque, da mesma forma que uma mulher sem o véu era considerada prostituta pelos judeus, uma mulher com a cabeça rapada era tida como meretriz pelos gregos”.

A decência nesta questão não seria o comprimento do cabelo, nem tão pouco o uso do véu. E sim a decência com que a mulher se apresentava na igreja e na sociedade.

É possível, encontrar ainda hoje, em pleno século XXI, seguimentos religiosos diversos que respaldando-se na sua cultura, cosmovisão religiosa ou na interpretação de trechos bíblicos sem considerar o seu contexto, criam normas, regulamentos para legitimar nos seus seguidores mecanismos de controle. Doravante, é preciso pois, respeitar os costumes de cada seguimento religioso, ou seja, aqueles que proíbem por exemplo: o corte de cabelo para as mulheres, ou o uso de calças compridas, sem contudo condicionar ou até mesmo atrelar a salvação de uma alma a observância irrestrita aos mesmos. Pois, conforme o conceito paulino “não vem das obras para que ninguém se glorie”.

Segundo a Hermenêutica Bíblica, devemos interpretar o texto dentro dos contextos: Histórico, geográfico, sintático, gramatical, lexicológico, teológico e doutrinal. Portanto, a lei geral diz: “Que um texto fora do seu contexto, servi de pretexto”.

Não há qualquer restrição bíblica, hoje quanto ao corte de cabelo ou a proibição do uso de calças compridas para mulheres. Deve-se respeitar o contexto religioso e cultural que o seguidor(a) estão inseridos. Entretanto, salientando sobretudo que, nenhuma tradição, norma cultural está acima das Escrituras sagradas.

Naqueles dias os homens jamais cobriam a cabeça para orar a Deus; somente as mulheres. Séculos depois, esse costume judaico mudou. Quando um homem entrava na sinagoga recebia o talith, um xale de quatro pontas para ser posto sobre sua cabeça. Os romanos, antes do aparecimento do talith judaico, já costumavam entrar em seus templos com a cabeça coberta. Os gregos, todavia, tradicionalmente oravam e adoravam com a cabeça descoberta. Traduzindo essa argumentação grega, Paulo argumenta que o homem deve orar assim porque ele é a imagem de Deus na terra e esta imagem não pode ser encapuzada.

“Portanto, se a mulher não usa véu, nesse caso, que rape o cabelo. Mas, se lhe é vergonhoso o tosquiar-se ou rapar-se, cumpre-lhe usar véu” (v. 6).

Neste versículo apóstolo Paulo propõe duas alternativas: ou “coberta”, ou “sem cabelo” (rapada), mas não admite que esteja sem cabelo. Paulo faz uma analogia para mostrar que uma mulher sem o véu simboliza, na cultura judaica, o mesmo que a mulher com a cabeça rapada simboliza na sociedade grega. Prostituta ou infiel. O motivo maior que levou Paulo a escrever este assunto para a igreja de Corinto, foi para proteger as irmãs helenitas que tinham cabelos curtos de serem confundidas com as prostitutas culturais. Isto porque, da mesma forma que uma mulher sem o cabelo era considerada prostituta pelos judeus, uma mulher com a cabeça rapada era tida como meretriz pelos gregos. Só não faziam uso do véu aquelas que se encontrasse em período de luto ou as que fossem esposas infiéis. Desta última, o véu lhes era tirado e o cabelo lhes era rapado, afim de que exibissem o seu opróbrio (vergonha). É este o único motivo de Paulo pedir que as irmãs usassem o véu. Pois não há motivo para o uso do véu se o próprio cabelo foi dado no lugar do véu. Além disso, o apóstolo não menciona o uso do véu em nenhuma outra igreja em que passou. Será que ele esqueceu desse mandamento? Não, pois era somente em Corinto que havia necessidade do uso do véu para separar as irmãs das mulheres prostitutas da cidade.

O uso do véu ou do cabelo em 1ª Coríntios não se refere à doutrina da salvação, e sim objeto de uso e costume tradicionais na época dos gregos e palestinos. Jesus Cristo não quer aparência e sim humildade, amor, dedicação para com seu santo Evangelho. Cobrir a cabeça é uma prova de humildade? Eu creio que não. Humildade é esvaziar-se si mesmo.

Seria um absurdo imensurável, líderes, exigirem que seus membros adotem essa prática, já que as mulheres não estão inseridas na cultura dos judeus, tampouco na da Grécia Antiga. É impossível tomar compatíveis, hoje, os costumes da igreja do primeiro século. Jamais conseguíramos aproximar dos usos e costumes daquela época. A tentativa é absurda, e as interpretações dadas por aqueles que seguem à risca estes preceitos (tradições) são desonestos ou baseados na falta de conhecimento próprio, além disso, serão reprovados por Deus, aqueles que usam a tradição do véu e do cabelo como meio de salvação.

O que se entende por cobertura? Tapar, esconder, ilizar, guardar etc. As igrejas que ensinam o uso do véu para as mulheres não obedecem ao costume judaico num todo. As mulheres judias cobriam toda a cabeça, e não só parte do cabelo. A cabeça é formada por toda a parte superior do corpo, então o que deveria acontecer era o mesmo que ocorre com as mulheres islâmicas, que realmente cobrem toda a cabeça. Da forma feita em algumas igrejas, não conseguem seguir nem mesmo o que mais defendem.

Em certas igrejas Cristãs as irmãs usam um véu de nylon que é totalmente transparente, não tapa nada, nem mesmo o cabelo, quanto mais a cabeça, tornando assim inútil e contrário ao próprio texto de 1ª Coríntios.

O apóstolo Paulo é bem objetivo: ele manda a mulher cobrir a cabeça toda. Em nenhum lugar nas Escrituras Sagradas, encontramos mandamento obrigando a mulher a cobrir a cabeça. Eles negam o texto Bíblico, impondo uma “doutrina” totalmente errada a suas fiéis.

Para as mulheres judias cobrir a cabeça era um costume, uma tradição e uma obrigação, como também o é entre árabes e por todos os países controlados pelo islamismo nos dias de hoje. Lá as mulheres trazem a cabeça coberta como ato de subordinação ao marido e aos pais. São proibidas de mostrarem seus rostos a estranhos, podendo ficar sem a cobertura dentro de suas casas, mas quando chegar alguém estranho são obrigadas a irem recebê-los com a cabeça coberta, não podendo mostrar nem seus rostos. Elas realmente cobrem a cabeça. A partir da adolescência elas já não podem falar mais com os homens, exceto os parentes mais próximos. São impedidas de trabalhar e estudar, só saem às ruas por motivo justificado, assim mesmo acompanhadas de um parente e cobertas da cabeça aos pés.

Mas para que a igreja que tem o costume de usar o véu, as mulheres não cobrem por completo, portanto, não obedecem (1 ª Co 11.5-6). E se elas cobrissem a cabeça não seria um verdadeiro escândalo para nós que somos latinos e não árabes?

A primeira igreja a usar o véu transparente foi à igreja Católica no ano de 1854, pela ordem católica das irmãs de Maria, quando feito o coronário de Maria como “mãe de Deus”. Esse véu foi criado para fazer distinção entre as irmãs de Maria e as demais ordens da igreja Católica. Portanto é um objeto idólatra, nada tendo a ver com a doutrina apostólica.

O véu, portanto, que algumas igrejas Cristãs herdaram não tem absolutamente nenhuma ligação com as Sagradas Escrituras.

“E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois o cabelo lhe foi dado em lugar de véu” (1ª Co 11.15).

Para aquelas que tinham os cabelos crescidos, não havia razão para pôr o véu sobre a cabeça. Aqui Paulo fez diferença entre a igreja de Coríntios e as demais igrejas, mostrando perfeitamente que o uso do véu não era doutrina e sim uso de costume, para as outras o cabelo foi dado em lugar do véu. O tema principal deste bloco escriturário é exatamente a posição da mulher em relação ao homem e, consequentemente, como ela deve apresentar-se diante de Deus.

O véu era sinal de poderio do marido sobre a esposa: compare 1ª Co 11.10 com Gn 24.65. Era assim que acontecia entre os judeus no contexto cultural do Velho Testamento. Quando Rebeca recebeu Isaque como esposo, ao saber que era ele que se aproximava dela, cobriu-se com o véu. Sinal de que aceitava o poderio do marido sobre ela (Gn 24.65). Dizemos nesta passagem que esse “sinal de poderio” não significa uma posição inferior da mulher, pois Paulo procura mostrar nos versos 11 e 12, que a mulher e o homem são interdependentes, chegando a admitir que, assim como a ela provém do homem, ele também provém da mulher (no sentido de nascer de uma mulher).

O símbolo do véu, na mulher e não no homem, era um costume judaico e de alguns povos antigos. Paulo estava reforçando esse ensino para que a mulher cristã não causasse escândalo aos pagãos. Nos dias de hoje, não temos este costume entre nós. O problema é humano e não divino. Para trazer o costume judaico para a mulher cristã de hoje, teremos que fazer a mesma coisa para os homens. Antes de tudo, eles não poderiam usar calças, nem gravata, nem bigode, porque são costumes modernos. Eles teriam que andar de vestidos grandes e largos e, como era honroso diante de Deus, teriam que ter barbas longas (2º Sm 10.1-5; 1ª Cr 19.1-5; Sl 133).

Pelo que se nota, em nenhum lugar Paulo proíbe cortar um pouco do cabelo ou tê-lo mais curto ou mais comprido. O que ele ensina é: ou tem cabelo ou rapa a cabeça por completo. Mas, não fala de cortar um pouco do cabelo. Afinal, a cobertura poderia ser mais curta ou mais comprida. Se não fosse assim, seria difícil para as mulheres africanas serem puras, no uso do cabelo como véu, cujo cabelo é geralmente, muito curto, e lá tanto as mulheres como os homens têm o cabelo curto.

“Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu” (v. 15).

A palavra “véu” no verso 6, quando trata da mulher em ato de culto diante de Deus, não é a mesma aqui no verso 15, que algumas traduções vertem por “mantilha”. Aqui, quando fala de cabelo comprido, não refere-se ao véu para o ato de orar ou profetizar no culto. Portanto, trata-se apenas de uma questão de “honra” ou “glória”, contrastando com a situação do homem, para quem é desonroso ter cabelos compridos (v. 14). Paulo cita o cabelo como exemplo e declara que o comprimento do cabelo do homem e da mulher deve ser tal, que haja uma distinção entre eles. O cabelo da mulher deve ser, no entanto, mais longo e o cabelo do homem curto. Nos tempos de Paulo, o cabelo longo masculino era vergonhoso entre os homens e repudiados pelos judeus, bem como pelo povo de Corinto no século I. Usar este contexto e obrigar as irmãs usar véu ou proibi-las de cortar um pouco de seus cabelos para cultuar a Deus, é tornar-se um legalista, fariseu e radical. É forçar a Bíblia dizer o que ela não diz.

Qual seria o tamanho de cabelo ideal para caracterizar a submissão de uma mulher? Muitas têm os cabelos que se arrastam pelos pés, mas não têm respeito e submissão pelo seu marido. E qual é o ensino de Paulo para as mulheres: “As mulheres, sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor” (Ef 5.22).

Os versículos escritos pelo apóstolo Paulo à igreja de Corinto, tratando sobre os cabelos de homens e mulheres, são largamente ensinadas por algumas igrejas para consubstanciar (concretizar) seus ensinos que proíbe as mulheres de sequer aparar as pontas dos cabelos. A postura de Paulo neste capítulo é tão enfática e clara, pois ele fala da natureza do homem e da mulher. Portanto, quando ele fala de natureza em Romanos capítulo primeiro verso 26, refere-se à mudança de sexo (homossexualismo e lesbianismo) e não a cabelo. “Ou não ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar cabelo comprido? E que, se tratando da mulher, é para ela uma glória? Pois o cabelo foi dado em lugar do véu (ou como o de véu)” (vvs. 14-15).

Se o cabelo foi dado em lugar do véu, porque então se usar o véu? É porque havia na igreja de Corinto irmãs que não tinham o cabelo longo e somente para estas havia a necessidade do uso do véu para não serem confundidas com as prostitutas culturais.

A questão dos cabelos crescidos para as mulheres e curtos para os homens é meramente cultural. Para que o homem e a mulher não viessem a perverter a natureza do sexo. O princípio básico apresentado aqui é de que homens e mulheres devem honrar a dignidade do seu próprio sexo e não tentar adotar aparência ou papel do outro.

Finalmente, todo o véu foi tirado do cristianismo. Quando Jesus morreu na cruz o véu que separava o Santo dos Santos e impedia as pessoas de olharem para aquilo que representava a presença de Deus, rasgou-se de alto a baixo, acabando com aquela barreira. Agora a presença de Deus está aberta a todos, indistintamente. Por outro lado, falando aos mesmos cristãos de Corinto, Paulo comenta que Moisés, quando veio do monte Sinai, seu rosto brilhava e tiveram que cobri-lo com um véu. Paulo fala da lei, mas quando se converte o véu é tirado.

“Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração deles. Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é tirado. Ora, o Senhor é Espírito; e, onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade”. (2ª Co 3.15-18). “Mas, todos nós, com cara descoberta, refletindo como espelho a glória do Senhor” (2ª Co 3.7-18).

Onde está o Espírito do Senhor, isto é, a Nova Aliança, há liberdade: a liberdade oferecida pelo Senhor não é legalista, oprimente, que sufoca, entristece e mata através de suas “doutrinas”. Se ele fala: “Todos nós com cara descoberta”, fala da mulher também.

Se o diabo não consegue fazer algumas igrejas a usarem o véu, ele ensina que a salvação é pelo cabelo e as mulheres ficam proibidas de sequer emparelhar seus cabelos.

Com base neste versículo, algumas igrejas que ensinam que o texto “cara descoberta” refere-se à barba ou bigode, proibindo os homens de usá-los. Entretanto, o contexto não fala de barba e nem de bigode, mas refere-se ao véu.

“Nós com o rosto descoberto ou desvendado” (sem o véu), refletimos a glória de Deus. Portanto, não há necessidade do uso do véu para as mulheres. “Quando, porém, algum deles se converte ao Senhor, o véu lhe é tirado”.

Também não se trata de barba e nem de bigode para homens como algumas seitas interpretam.
Por causa de todo este radicalismo, há muitos descontentes com as doutrinas humanas, com líderes, com os cultos e principalmente com a visão de que são os únicos que serão salvos. Criou-se um fanatismo que leva o medo e terror a todos os que se opõem aos dogmas impostos.

Todo o líder deve ser coerente e sabe que não devemos acrescentar nada nas Escrituras Sagradas, pois ela é clara quando diz: “se alguém fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro. E se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da arvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro” (Ap 22.19-20).

Os membros da igreja do véu têm medo de ir as outras igrejas, são proibidos de participar ou mesmo assistir cultos em qualquer outra igreja. E se infringir essa regra, são ameaçados de ir para o banco dos pecadores, onde serão envergonhados e desprezados.

Hoje, a mulher deve portar-se decentemente, dentro dos melhores padrões da nossa cultura. O sinal do poderio do homem sobre a mulher não está nos cabelos, mas no coração e na sua vida de respeito. E não há mais véu de separação entre nós e a presença de Deus. Portanto, temos que nos aproximar de Deus com “rosto descoberto” (sem o véu), vida limpa e pura diante de Deus, tanto homens como mulheres. Ensinar as mulheres de hoje a viver como as do tempo de Paulo, ou de cinquenta anos atrás, é falta de cultura, e o mais ridículo é ensinar que faz parte da salvação.

Infelizmente as irmãs indefesas são as que mais sofrem. Em muitas igrejas elas andam como trogloditas, cabeludas e desajeitadas. Mas, para os homens é diferente andam com seus bons ternos, cabelos pintados, perfumes importados, etc. Para muitos as mulheres não têm valor, pois são mulheres e o lugar delas é na cozinha e pronto. Mas muitos não sabem que no coração deles está a cobiça, avareza, orgulho e o poder.

Precisamos defender a dignidade da mulher e ensinar que elas têm muito valor para o Senhor e para Sua obra. O que seria da igreja se não existisse as mulheres de oração?

Nas igrejas quem mais sofre são as mulheres, porque as lideranças evangélicas são masculinas e a maiorias das proibições visa as mulheres. Revoltadas, mas sem poder para contestar, elas sofrem humilhações públicas. Nos púlpitos, os pregadores vociferam acusando-as de vaidosas e de Jezabel. Em muitas ocasiões esses pastores, trajando um terno caríssimo e ostentando uma bela gravata de seda importada (quase sempre presa por um grampo de ouro), exigem simplicidade no trajar das mulheres. As pobres irmãs, enojadas com tanta hipocrisia, anseiam por liberdade espiritual. Se Jesus entrasse hoje em uma dessas igrejas, iria chamá-los de hipócritas, raça de víboras e assassinos.

Tanto o homem como a mulher deve estar dentro da vontade de Deus, vestindo descentemente, com modéstia, com aparência e devida conduta. Vestir-se de modo correto e descente é um princípio bíblico de validez permanente.

O verso 13 também deve ser analisado: “Julgai entre vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu”.

Quem era para julgar? Eram somente os irmãos de Coríntios, pois a eles foi endereçada a carta, e nas outras não havia o problema que existia em Corinto.

O véu que certas mulheres usam, ou a proibição de emparelhar os cabelos por algumas igrejas, é meramente um fardo colocado pela liderança destas igrejas e que não traz nenhum benefício ou edificação em Deus, senão confusão e discórdia (1ª Tm 6.3-5). O ponto mais perigoso de tudo isso, são certos “líderes espirituais” que estão colocando a salvação das mulheres pelo véu ou pelos cabelos a ponto de proibirem as mulheres de sequer emparelhar, pintar ou cuidar de seu cabelo e até mesmo proíbem as mulheres de fazerem depilação dizendo que estão mudando a natureza que Deus deixou. Um ministro que usa este tipo de ensino cai no mesmo erro dos judaizantes que defendiam a circuncisão, mas deixavam de lado o mais importante: manifestar a glória de Deus e testemunhar do amor de Deus (Jo 3.16).

O apóstolo Paulo nos escreve ainda que: “ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tivesse amor, nada disso me seria aproveitará” (1ª Co 13.3). Só o amor é o fundamental da perfeição. Infelizmente algumas igrejas se firmam em dogmas, tradições ou formalismos, como doutrina. Podemos alcançar a salvação por meio da nossa fé, pela graça de Jesus Cristo, servindo-o de todo o coração com sã consciência. Devemos ser fiéis a Ele por convicção e amor, não servindo de manequins, desfilando nas igrejas. Seria hipocrisia, não levando em conta o mais importante que é a nossa fé que salva e nos dá vitória sobre todas as coisas do mundo.

Será que Deus está contente com o jugo que colocam sobre as mulheres de usar o véu ou sequer emparelhar o cabelo? Eu creio que não. O verdadeiro ministro deve ensinar sua igreja dentro do bom senso sem comprometer a salvação pela graça para não caírem no pecado dos fariseus (Mt 15.1-3).

“Contudo se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus” (v. 16).

O problema é que certos irmãos usam textos que se referem a usos e costumes, que dominamos Didaquê, e os aplicam como se fossem doutrinas importantes como a salvação, a ressurreição, perdão etc, que a chamamos de Kerigmatica.

Aqueles que querem ser contenciosos, que gostam de criar problemas usando regras e leis no tocante a usos e costumes, usando como doutrina, Paulo é explícito: “não temos tal costume, nem as igrejas de Deus”.

Devemos tomar uma posição digna para defender o evangelho de Cristo e dizer o que Paulo falou para Timóteo: “E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram confusão” (2ª Tm 2.23).

Será que eu preciso dizer mais alguma coisa? O uso do véu era um problema localizado somente em Corinto. Nem Jesus e nem um outro apóstolo abordou este assunto, por quê? Porque era uso e costume e não havia este problema entre o povo judeu, senão apenas na igreja em Corinto.
Quando Paulo emprega a expressão: “por causa dos anjos” em 1ª Co 11.10, ele está querendo dizer: se a mulher tem poderio do marido e não demonstra pelo símbolo do véu ou do cabelo no culto, ela está mentindo diante da congregação, e os anjos estão vendo isto e eles não gostam de mentira (Ec 5.6).

Ainda mais, certos ensinos de Paulo eram muito particulares e não constituíam mandamento do Senhor. Em 1ª Co 7.6, ele ensina algo por permissão e não por mandamento; em 7.12, ele declara: “Digo eu, não o Senhor”, em 7.25, ele diz: não tenho mandamento do Senhor, ele dá o seu “parecer”, em 1ª Tm 2.12, ele diz: “não permito, porém, que a mulher ensine...”. Eram ensinamentos pessoais de Paulo, naturalmente baseados em situações meramente culturais, e não constituíam ensinamentos permanentes para o povo de Deus. Usar o parecer de Paulo como doutrina em nossa cultura atual estaríamos caindo da graça e seremos taxados de radicais.

Mas, para alguns o cabelo comprido da mulher é sinal de santidade. Fazem de um costume uma doutrina. Sim é claro que é doutrina, mas doutrina de homens e não de Deus (Mt 15.8-9).

Certa vez uma mãe dirigiu-se ao gabinete pastoral da igreja para confessar o pecado de prostituição que sua filha cometera e após relata o assunto ao pastor ela disse: “Pastor, eu ainda fico feliz com minha filha pelo menos ela não cortou o cabelo”. E o pobre “pastor” em vez de ensinar a verdade para a irmãzinha fez o mesmo relato para igreja no culto.

Como se o pecado de prostituição não fosse tão grave como emparelhar os cabelos. Isto é uma hipocrisia, uma falsa religiosidade, colocar o cabelo acima da lei moral.

A prostituição é um ato imoral e reprovável por Deus, pois ficarão de fora do reino de Deus (Gl 5.19-21). A Bíblia não diz que as irmãs que cortam o cabelo ficarão fora do reino de Deus, mas diz que, aqueles que acrescentam ou tiram algo das Escrituras, receberão sua recompensa (Ap 22.18-19).

A Bíblia é a Palavra de Deus, e não deve ser menosprezada, retalhada ou profanada nas mãos dos homens. Deus está insatisfeito com este tipo de líder que sobe no púlpito para pregar cabelo de mulher como meio de salvação. Mas, onde está a falha deste tipo de líder? A falha está na falta de preparação ministerial, esta, de forma substancial estendida a uma grande parte de obreiros.

Deus não nos avalia pela roupa que usamos, mas pelos atributos morais divinos. Se nossas vestes foram lavadas no precioso sangue de Jesus e se nossas obras foram aprovadas por Ele, não precisamos de dogmas e preceitos humanos para chegar até Ele.

Você acha que Deus está contente com estes santarrões assassinos que levam centenas de almas para o mundo pensando que estão agradando a Deus? De modo nenhum!

Gostaria de todo o meu coração que certos líderes acordassem para a Verdade do Evangelho em sua totalidade e alcançassem o fundamento da graça e da fé. É justo dizer que há entre eles muitos fiéis a Cristo, precisamos de alimento na Palavra, e beber do Manancial de Águas Vivas.

Sempre que se faz uma abordagem radical da Bíblia gera-se erro doutrinário. Uma falha desse tipo deve ser combatida porque é doutrina de homens (Mt 15.1-3, 7-9).

É verdade que errar na compreensão dos textos bíblicos é uma possibilidade a que todos estamos sujeitos; porém, quem tem compromisso com a verdade não pode tolerar inexatidão.

Todo o cristão deve aceitar sua falibilidade, porquanto ninguém é perfeito. Nossos processos de aprendizagem e compreensão da verdade têm sido maculados pela queda original. Ninguém deve espantar-se porque há diversas interpretações sobre os ensinos da Bíblia. Cada pessoa filtra o que lê através de sua cultura, preconceitos e ensinos que lhe foram passados por outras pessoas. Não sendo Deus autor de confusão (1ª Co 14.33), sabemos que a falha por não compreender corretamente o texto, não é d’Ele ou da Bíblia, a falha é nossa; simplesmente usamos nossas lentes da tradição e de nosso preconceito. Usamos os usos e costumes como santidade. Lemos a Bíblia e interpretamos como queremos, mas não como o autor sagrado, e o próprio Espírito Santo gostaria que lêssemos.


Quem lê a Bíblia pode encontrar milhares de aplicações para um determinado texto, mas deve achar apenas uma interpretação. Deus não concede a ninguém o direito de torcer o significado da Escritura. Essa ciência de compreensão e interpretação corretamente o texto chama-se hermenêutica. Quando se violam as regras de hermenêutica, dependendo da gravidade da infração, geram-se erros ou heresias. Pela falta de fidelidade à Hermenêutica, muitos textos da Bíblia são lidos e comumente distorcidos para se moldarem à doutrina de uma denominação. Às vezes violam-se regras básicas e, quando fica óbvio demais a ponto de não ser possível o uso da Bíblia para autenticar doutrinas humanas, advogam-se que esta advêm da tradição da igreja. E como é difícil tirar uma tradição ou um ensino errado. Por quê? Porque falta humildade e respeito com a Palavra de Deus. Porque aprendi assim e vou ficar assim. Porque os pais da igreja (denominação) nos ensinaram assim. Porque a nossa igreja tem “doutrina” - tradição e devemos obedecer ao líder. Esquecemos da era das trevas em que a igreja intitulou os papas como representante de Deus.

Pr. Elias Ribas

sábado, 8 de outubro de 2011

O MAU USO DA AUTORIDADE CONFERIDA

Saul foi ungido como rei do povo de Israel (1º Sm 10.1). Não obstante as perseguições, Davi o respeitou como autoridade (1º Sm 24.6). Davi reconhecia a unção de Deus sobre Saul (1º Sm 24.10). O rei Saul, fazendo mau uso da sua autoridade , perseguia a Davi e aos seus homens, sem se importar com as conseqüências de sua atitude (1º Sm 18.18 e 1º Sm 19.10). A autoridade delegada ao rei Saul foi tornada sem efeito no momento em que ele fazendo mau uso, no tocante às devidas limitações com relação à autoridade do profeta ao tentar tomar o lugar deste (1º Sm 15.26).

I. O REINADO DE ADONI-BEZEDEQUE

“Adoni-Bezeque, porém, fugiu; mas o perseguiram e, prendendo-o, lhe cortaram os polegares das mãos e dos pés. Então, disse Adoni-Bezeque: Setenta reis, a quem haviam sido cortados os polegares das mãos e dos pés, apanhavam migalhas debaixo da minha mesa; assim como eu fiz, assim Deus me pagou. E o levaram a Jerusalém, e morreu ali” (Jz 1.6-7).

A palavra Adoni é “Senhor” e Bezeque significa “disseminação” ou “massificaçao”, podendo ser interpretada como uma distorção sutil e ao mesmo tempo grotesca do crescimento. Quando um líder, em nome do crescimento, idolatra um método de crescimento em detrimento dos princípios e da mensagem do Evangelho, ocorre-se o risco de engessar as pessoas dentro de um sistema ministerial rígido que boicota a singularidade, a diversidade e a convicção vocacional das pessoas, gerando um confinamento espiritual em massa.

No contexto de Adoni-Bezedeque, o crescimento pode ser definido como uma “robotização” da membresia, que acontece como conseqüência da disseminação do espírito de controle e idolatria de uma liderança, transformando uma visão em uma “viseira.”. Cada pessoa no corpo de Cristo precisa ter a liberdade de se expressar na sua legítima identidade através da diversidade de dons, ministérios e diversidades de operações, sabendo que o Espírito é o mesmo, o Senhor é o mesmo e também é o mesmo Deus que opera em todos (1º Co 12.4-6).

1. A mutilação do polegar.





“... setenta reis, que tiveram seus polegares cortados....”

Pessoas que fora, induzidas a se anular. Desta forma, nunca poderão ameaçar a autoridade do líder ou comprometer com o “sucesso” dele. Foram impiedosamente decepadas na sua identidade pelo espírito de egocentrismo e controle reinante.

Abriram mão de quem elas são em Deus e se subordinaram a realizar uma outra pessoa sem também se sentirem realizadas. São chamados de filhos, mas não são tratados como filhos. Se viciaram numa mentalidade de escravos. Este padrão abusivo de liderança que opera pelo engano, produz frustração e esterelidade.

No oficio sacerdotal, os polegares tem um significado relevante. São os pontos de contato da redenção (sangue) e da unção (óleo). A mutilação do polegar estabelece as conseqüências espirituais deste perfil controlador de autoridade.

O dedo polegar da mão e o principal ícone da identidade. Todo líder controlador é traumatizador. O controle na liderança impede que as pessoas desenvolvam a sua identidade e convicções.

O relacionamento será marcado por situações de stress, choques traumáticos de personalidade e retaliações impiedosas aos que discordam de uma virgula sequer. Os resultados são destruidores e a área atingida acaba sendo a identidade da pessoa.

Sem o polegar dos pés, estes reis não podiam perseguir seus inimigos e muito menos fugir deles. Estavam literalmente imobilizados no campo da batalha. O dedo polegar é o dedo mais forte do pé, as pessoas passam a cambalear na vida. A capacidade de andar nos caminhos de Deus seguindo outros líderes que são autênticos seguidores de Cristo é mutilada. Esta mutilação produz ferida e marcas que alimentam uma rebelião crônica que desajusta as pessoas em relação a discernir e andar nas pegadas abertas pelo Filho de Deus.

Um rei, sem o polegar das mãos, estaria simplesmente incapacitado para entesar o arco e segurar sua espada. Sem a firmeza necessária para golpear com suas armas, estes reis estavam neutralizados. O polegar é o dedo mais forte da mão que nos possibilita agarrar as promessas de Deus, manejando a Palavra do Espírito, combatendo o bom combate da fé. O polegar superior é, também, um símbolo de firmeza e perseverança ministerial.

A mutilação do polegar se traduz espiritualmente numa debilidade ministerial crônica que pode aleijar o destino desta futura geração de líderes. Castrados na identidade e subtraídos da destreza de manejar a Palavra de Deus com integridade, revelação e coerência, muitos ministros tem perdido a mensagem pregando um evangelho cada vez mais humanista e inimigo da cruz de Cristo.

2. Os cães de Adono-Benezer.

“Então, ele, respondendo, disse: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, contudo, replicou: Sim, Senhor, porém os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (Mt 15.26-27).

Gostaria de traduzir, resumidamente, o terrível legado dos cananeus que foi de maneira interessante e muito sabiá confrontado por Jesus no famoso episódio da mulher siro-finícia (cananéia). Os cananeus eram descendentes de Canaã, filho de Cão, o qual descobriu a nudez de seu pai Noé quando este estava bêbado. Sendo desonrado pelo seu filho Cão, Noé amaldiçoa o filho deste, que era Canaã. Ou seja, o mesmo desprezo que Noé sentiu em relação ao seu filho Cão, Cão também sentiria em relação ao seu próprio filho Canaã. Portanto, a essência da maldição dos cananeus é uma disjunção geracional do princípio da autoridade.

Este estigma de desonra e desprezo passou a seguir as sucessivas gerações de Canaã. O famoso ditado hebraico advertindo sobre não lançar pérolas aos cães e aos porcos estava contextualizando com a constante insubmissão e dureza dos povos cananeus em relação ao governo do Deus de Israel.

Sob esta ótica, podemos ter uma perspectiva melhor acerca de Adoni-Bezeque que foi um dos mais terríveis reis da terra de Canaã, que por fim foi tratado da mesma forma como tratou aqueles reis que viviam debaixo da sua mesa. Ele mesmo disse: “.... assim como eu fiz, assim Deus me pagou” (Jz 1.6-7).

Inspirado pela forma como Israel julgou Adoni-Bezeque, Jesus, estranhamente, tratou a mulher cananéia, confrontando este mesmo principado maligno que agia entre os cananeus, promovendo um relacionamento com o principado de autoridade do tipo “dono e cachorro”. Era exatamente desta maneira arrogante e controladora, que o famoso rei cananeu Adoni-Bezeque tratava aqueles setenta reis.

Isto pode parecer um pouco forte, mas reflete a verdade sobre a forma como alguns líderes relacionam-se com seus discípulos.

O sintoma da infiltração deste espírito pode ser discernido quando o sucesso do líder baseia-se no rebaixamento dos libertados. Na verdade alguns Adoni-Bezedeque cortam os dedos de seus liderados interpretando uma ameaça. A insegurança e o ciúme privam o líder de formar um outro líder que o supere, comprometendo gravemente a nova safra de líderes e o futuro da igreja.

3. Pessoas rebaixadas na sua suficiência e autonomia.
“... apanhavam migalhas...”.

São pessoas que, também, nunca poderão estar espiritualmente á altura do seu líder. Jamais estarão à mesa em pé de igualdade sendo respeitadas na sua maturidade ou expostos à grandes oportunidades. São privados e até impedidos de aprender de outras fontes. Sempre terão que viver das migalhas.

4. Pessoas rebaixadas na sua dignidade.
“... debaixo da minha mesa...”.

A mesa do líder, ou seja, seu sucesso medíocre e egocêntrico é o teto que nunca poderá ser ultrapassado pelos discípulos.

Uma atitude franca de superioridade serve para que se intimidem e permaneçam numa postura ministerial de dependência e inferioridade. Sendo tratados com inferioridade, são inspirados a desenvolver o mesmo espírito mutilador de liderança.

5. Identificando o espírito de Adoni-Bezeque.


Na verdade, Adonai-Bezeque e uma tipologia de um espírito de liderança tirano e controlador. Toda pessoa controladora é essencialmente insegura e usa a posição de liderança para compensar suas feridas e frustrações. Inspirados nestes textos podemos alistar algumas características deste perfil maligno de autoridade:

É o líder que quer todos aos seus pés como cachorrinhos e anões. Ele não investe na liderança das pessoas. Ele prende as pessoas a ele limitando e até mesmo cortando o polegar, ou seja, o potencial delas. Ele não compartilha o que ele tem recebido com as pessoas. Na verdade, as pessoas passam a viver das migalhas que caem da sua mesa. Sua motivação não é abençoar, mas estar por cima.

É o líder que se coloca com “rei” e não como servo. Sua motivação é apenas ser servido. Frequentemente usa a posição e o título que possuí como arma para se impor.

É o líder que faz seus discípulos súditos e não amigos. Exige dos discípulos uma submissão doentia e possessiva que desrespeita a individualidade, agride a liberdade e abate a auto-estima.

É importante pensar nestes setentas reis mutilados em contraste com os setentas discípulos que Jesus enviou para o campo. Adonai-Bezeque é um principado que se levanta para mutilar a vida ministerial da emergente geração de líderes. Entra a miséria espiritual. Estes reis vivem de migalhas. Pessoas mutiladas na identidade, perdem o equilíbrio, a firmeza e o espírito empreendedor.

Ao invés de serem liderados para o seu destino em Deus, ficam debaixo da mesa, postados numa situação espiritual de subjugamento. Tudo isto, muitas vezes em nome da “submissão”, que servem de pretexto para a imposição deste principado.

6. Audição mutilada.


No contexto eclesiástico existe uma certa tendência do líder assumir a posição do Espírito Santo na vida das pessoas. Esta tem sido uma terrível herança imposta pela igreja Católica Romana onde “a voz do Papa é a voz de Deus”, visto que este é tido como infalível.

O aspecto que desejo enfatizar é que este tipo de conduta no discipulado conspira contra a responsabilidade pessoal e vital de conhecer a Deus e aprender dEle. Na ditadura evangélica, atônica na propagação do Evangelho não é buscar o conselho de Deus, mas se fundamenta na opinião irredutível do líder. É quando a voz do pastor está acima da voz de Deus. Neste caso cria-se na cadeia de comando uma ligação espiritual entre almas baseadas na superioridade do líder e não na dependência divina.

Isto é muito sutil e pode acontecer com líderes bem intencionados, porem mal orientados. Quando o líder sonega ao discípulo o direito e o dever de discernir pessoalmente a voz de Deus, a liberdade em Cristo é abafada por espírito de controle. O aspecto mais relevante do espírito de Jezabel é que ele não apenas odeia o ministério profético, mas odeia, na verdade, a voz de Deus.

Este tipo de distorção castra a audição espiritual da Igreja, produzindo surdez na vida dos discípulos. Uma deficiência na audição tem como efeito colateral uma deficiência na fala, inibindo a fé, emudecendo o ministério profético, decepando a criatividade e as novas iniciativas do ministério apostólico.
Desta forma, multiplicamos uma igreja formada por surdos-mudos, sujeita a todo tipo de corrupção, onde a voz de Deus não é ouvida e nem proferida. “Não havendo profecia (Palavra profética) o povo se corrompe” (Pr 29.18).

Nesta brecha entra um espírito de religiosidade sacramentando ritos e práticas que aparentam espiritualidade, mas que na verdade renegam a intimidade com Deus. Sem a voz de Deus inspirando e dirigindo a vida devocional de cada pessoa, celebra-se o funeral da Igreja.

II. O ESQUEMA JEZABEL

“Fez Acabe, filho de Onri, o que era mau perante o SENHOR, mais do que todos os que foram antes dele. Como se fora coisa de somenos andar ele nos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou por mulher a Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios; e foi, e serviu a Baal, e o adorou. Levantou um altar a Baal, na casa de Baal que edificara em Samaria” (1º Rs 16.30-32).

A história de Jesabel na Bíblia começa quando um rei de Israel chamado Acabe, num ato de jugo desigual a desposa. Jezabel era filha de Etbaal, rei de Sidom, uma nação considerada inimiga de Israel. Jezabel não só era adoradora de Baal, como também tornou-se a maior responsável pela expansão do seu culto na sua geração.

Acabe era um líder espiritual volúvel e de caráter fraco. Influenciado por sua esposa, começou também a adorar a Baal, levando a nação à idolatria. De posse de uma posição estratégica (esposa do rei), procurando manter-se no controle, Jezabel investe contra a única coisa que poderia ameaçá-la: a voz de Deus. Assim sendo, começou a perseguir os verdadeiros profetas. Muitos foram literalmente mortos e mais de sete mil refugiam-se.

Assim como Adoni Bezeque se levanta contra o ministério apostólico, Jezabel ataca o ministério profético. Quando as pessoas não têm mais liberdade de ouvir a voz de Deus é sinal que Jezabel está por perto.

1. Discernindo o perfil de Jezabel.

“Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a cada um segundo as vossas obras” (Ap 2.20-23).

Como vemos, o próprio Jesus confrontou este espírito que residia na igreja em Taitira. No V. T., Jezabel era literalmente uma mulher, de carne e sangue, mas no N. T., primeiramente ela é revelada nosso Evangelhos através dos Herodias, um título imperial que demonstra seu poder de imposição e intimidação e depois no livro de Apocalipse ela aparece como um espírito infiltrado na igreja, usando técnica que iam desde o misticismo (falsas profecias até a imoralidade).

O objetivo é seduzir impiedosamente líderes e leigos a ficar a disposição de seus interesse. Lógico que ela não vai revelar isto claramente, antes vai ensinar que eles estão fazendo a “vontade de Deus” para as pessoas através de seus ensinos sedutores e suas profecias controladoras. Sua principal estratégia de manipulação é a religiosidade.

Ela defende ferozmente seu pequeno reino e fomenta uma dependência extremada nos seus seguidores. Uma das principais características de Jezabel é que quando ela é confrontada desenvolve um ódio destruidor da pessoa que a confrontou.

Suas reuniões são, na verdade, encontros de manipulação e “feitiçaria religiosa”, mas naturalmente, Jezabel vai disfarçando a verdadeira natureza destas reuniões, e disseminado seus ensinos.

Pr Elias Ribas
pr.eliasribas2013@gmail.com.

FONTE DE PESQUISA:
1. CÉSAR CASTELLANOS DOMINGUEZ, Liderança de Sucesso, 4ª edição, 2005, Editora Palavra da Fé.
2. JOSÉ GONÇALVES. Davi e sua Equipe de Liderados. Lições Bíblicas – 4º Trimestre de 2009. Editora CPED. Rio de Janeiro RJ.
3. WORLD MAP. O Cajado do Pastor. (SeçãoA3 - pgs. 98-118; Seção C7 -pg 63-65).

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

OS QUESITOS DE UMA VERDADEIRA IGREJA

 “Com muitas outras palavras de seu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. 41 Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. 42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. 43 Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. 44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. 45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, á medida que alguém tinha necessidade. 46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração. 47 Louvando a Deus e contando com simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentavam-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.40-47).

Os apóstolos já haviam passado pela escola do Mestre Jesus, porém lhes faltavam à presença do Espírito Santo. Mas, após dia o pentecoste a Igreja estava revestida de autoridade e capacitada para evangelizar o mundo.

Na primeira pregação do apóstolo Pedro quase três mil almas se renderam a Cristo, pois o Espírito Santo atuava de modo pleno na Igreja.

No contexto acima encontramos alguns quesito deixado pela Igreja Primitiva para ser seguido

A Igreja primitiva estava firmada na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão, nas orações, em cada crente havia temor, praticavam a obra social, perseveravam unidos e no templo louvavam ao Senhor.

I. FIRMEZA NA DOUTRINA 

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos...”. Doutrina no grego didaxh didache que significa: ensino, aquilo que é ensinado, ensino a respeito de algo, o ato de ensinar, instrução, fazer uso do discurso como meio de ensinar. O ensino é uma doutrina.

A Bíblia fala sobre três tipos de doutrina.

1. Doutrina de Deus. São ensinamentos de Deus. Elas são imutáveis.
As doutrinas de Deus possuem 3 divisões que são:

A. Doutrina da Salvação: Arrependimento, conversão, novo nascimento, santificação, etc.

B. Doutrina da fé. Teontologia, Trindade, Espírito Santo, Cristo, vida após a morte, etc.

C. Doutrina das últimas coisas. Arrebatamento, ressurreição, tribunal de Cristo, etc.

2. Doutrina dos homens. 

São ensinamentos e tradições de homens.
• São ensinos de homem e não de Deus. E as tradições mudam de tempo em tempo (Mt 15.1-9).

• Muitos fundamentam suas doutrinas no legalismo; em leis do Velho Testamento. Por exemplo, guardar o sábado para se salvar, outros em dogmas e tradições; (doutrina criada pelos homens). Os tais pensam em estar agradando a Deus, mas não. Em Mt 15.1-3 Jesus diz que eles invalidavam os mandamento de Deus pelas suas tradições.


3.  Doutrina de demônios.

 São ensinos inspirados por demônios, e contrariam a Palavra de Deus. Ex: Negam a inspiração divina sobre os autores da Bíblia; negam a divindade de Jesus; negam a vida eterna. Etc.
“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1ª Tm 4.1).

OBS. Sem Palavra (ensino), o crente é imaturo e muitas vezes se torna herético (falso).

II. TINHAM COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS v. 42 “... e na comunhão...”.
A palavra grega que descreve esse fenômeno é "koinonia", 

1. Comunhão. [do grego koinwnia – koinonia; do latim comunicare, comunicar].
É um intimo relacionamento entre duas pessoas.geralmente traduzida por "comunhão".Mas também pode ser traduzida como: "fraternidade", "participação", "contribuição" e "partilha".
Isso quer dizer que há alguma coisa maravilhosa e sobrenatural que as pessoas da igreja de Cristo experimentam.
É o laço que temos no qual amamos uns aos outros.

2. Comunhão com Deus.
Relacionamento que o crente passa a manter com Deus mediante o sacrifício de Jesus Cristo no Calvário.

3. Comunhão entre os santos. [do latim comunio sanctorum]. É o vínculo espiritual e social estabelecido pelo Espírito Santo entre os que recebem a Cristo como seu Único e Suficiente Salvador. Tendo como base o amor, esse vínculo faz com que os crentes sintam-se ligados num só corpo, do qual Cristo é a cabeça (Ef 4.1-16).

Segundo o dicionário estrongs comunhão é: fraternidade, associação, comunidade, comunhão, participação conjunta, relação, intimidade; oferta dada por todos, coleta, contribuição, que demonstra compromisso e prova de comunhão.

Comunhão é: 1. Uma só alma. 2. um só amor. 3. As magoas são perdoadas. 4. Os muros de separação são derrubados.

Não haverá comunhão se não tivermos prazer pelas verdades da Palavra de Deus.

III. UNIDADE NO CORPO “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum” (v. 44).
Não existe unidade sem comunhão ou vice versa.

Unidade [do gr. enothz henotes] - unanimidade, consentimento mutuo.

Um só corpo (a Igreja); Uma só cabeça (Cristo).

Apesar de a igreja primitiva ser formada de judeus, gregos e bárbaros e de suas diferença culturais e étnicas tinham unidade.

Cada membro, neste corpo, tem uma função específica, (Ef 4.11), mas trabalham pelo bem comum.

“E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, 12 com vistas (propósito) ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, 13 Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, 14 para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. 15 Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, 16 de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Ef 4.11-16).

“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!” (Sl 133.1).

IV. PRATICAVAM O PERDÃO

Sem perdão não pode existir unidade e comunhão, por esta razão, aqui eu acrescento a doutrina do perdão.

Perdão no Hebraico tem três significados:

Cafer - Quer dizer cobrir, isto é, não vejo mais.
Salak - Tirei daquele lugar para bem longe.
Nasa - Lançar longe, não vejo mais, lancei no mar de esquecimento.
Perdão [do latim] quer dizer remissão de pena é o mesmo que pedir desculpa.
Perdoar: Conceder perdão, absolver de culpa ou dívida, desculpar.
Perdão é o resultado do amor de Deus derramados em nossas vidas.

1. A origem do perdão.  “Contigo, porém, está o perdão, para que te temam” (Sl 130.4).

a. É divina. Deus tem o perdão.

b. Fomos perdoados por Deus em Cristo.

c. Se confessamos arrependidos, Deus nos perdoa. Mediante a justiça divina ninguém seria impune, todos estaríamos condenados, mas mediante a confissão e arrependimento somos perdoados.

No livro do profeta Isaías 1.18, está escrito:  “... ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão brancos como a lã”.

A escarlata e o vermelho representam a nossa vida de pecado, mas o próprio Deus se oferece a nós revestir da brancura da santidade, através do Seu perdão.

2. Cristo nos perdoou. “Contudo, Jesus dizia: Pai perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).

a. Não considerou o nosso pecado.

b. Ele perdoou a todos sem olhar a quem. Certa vez os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério e disseram para Ele que a mulher que fosse apanhada em adultério seria apedrejada e tu mestre o que dizes? Ele porém respondeu: atire a primeira pedra àquele que nunca pecou.

c. Ele ainda é o mesmo para perdoar.

3. Devemos perdoar.
Efésio 4.32 Paulo escreve dizendo: “Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou”.

a) È parte da oração do Pai nosso.
b) Fomos perdoados, devemos perdoar.
c) Se perdoamos, salvamos, a nós mesmos.

4. Quem não perdoa não pode ser perdoado.
Na oração modelo do Pai nosso Jesus diz: Porque, se perdoardes aos homens as sua ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; Se, porém não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará ás vossas ofensas.

A salvação e as bênçãos de Deus para nossa vida, depende do nosso perdão aos nossos irmãos. Sem o genuíno perdão, não podemos ter intimidade com Deus e nem ver sua face.

V. PERSEVERAVAM NA ORAÇÃO v. 42 “... e nas orações...”.

A oração é um dialogo (do gr. di-logo), conversa entre duas pessoas.

A oração traz intimidade com Deus.

A Igreja primitiva deixou-nos o exemplo da oração.

A oração é o incenso que oferecemos ao Senhor (Lc 1.9; Ap 5.8).

Muitos hoje estão vivendo uma vida de sequidão porque não oram mais. Não há milagres, mudanças, porque há falta de oração. (2ª Cr 7.14).

A oração traz:
1. Cura: Tiago 5.14-15 “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”.

2. Santificação: 1 Timóteo 4.5 “Porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado”.

3. É uma ordenança: Colossenses 4.2 “Perseverai na oração, vigiando com ações de graças”.

4. devemos orar sem cessar: Efésios 6.18 “Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”.
Ef 6.18 “Com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”.

VI. TEMOR – v. 43 “Em cada alma havia temor...”.

Temor é o princípio da sabedoria.
1. Respeito, por Deus e pelos outros. É honrar a Deus como criador.
2. É responsabilidade com a obra de Deus.
3. Temor é sentir nojo pelo pecado.
4. Há exemplos de pessoas que perderam o temor e brincaram com Deus.
a. Sansão brincou com Deus e perdeu a plenitude do Espírito.
b. Saul desobedeceu a Deus o Espírito se retirou dele.
5. E ainda hoje há muitos que estão brincado com Deus. Tomando a ceia em pecado.
Sl 128.1: “Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos!”

VII. A IGREJA PRIMITIVA PRATICAVA A OBRA SOCIAL “Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, á medida que alguém tinha necessidade” (v. 45).

Ajudavam-se mutuamente e ficava juntas o tempo todo.

No N.T. a Bíblia não manda Jejuar, mas a prática da assistência social é uma teologia do Velho e do Novo Testamente. Muitos crentes jejuam para receberem benção, mas quando alcançam esquecem dos necessitados.

A obra social é maior que o jejum.
O profeta Isaías escreve sobre o verdadeiro jejum bíblico (Is 58.1-10).

Tiago 1.27 “A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”.

Visitar no grego episkeptomai – significa: 1. cuidar ou preocupar-se, inspecionar, examinar com os olhos a fim de ver como ele está; visitar; ir ver alguém; o pobre e aflito; o doente; tomar em consideração a fim de ajudar ou beneficiar; ser responsável por, ter cuidado de, prover para: de Deus; procurar por (olhar em torno), selecionar (alguém para escolher, empregar, etc.)

VII. AMOR A CASA DE DEUS (v. 46). “Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa....”.

Unânimes: [do grego omoyumadon homothumadon] que significa: com uma mente, de comum acordo, com uma paixão.

Singular palavra grega. Usada 10 de suas 12 ocorrências no livro de Atos. Ajuda-nos a entender a singularidade da comunidade cristã. Homothumadon é um composto de duas palavras que significam “impedir” e “em uníssono”. A imagem é quase musical; um conjunto de notas é tocado e, mesmo que diferentes, as notas harmonizam em grau e tom. Como os instrumentos de uma grande orquestra sob a direção de um maestro, assim o Santo Espírito harmoniza as vidas dos membros da igreja de Cristo.

• Davi diz no seu Salmo: “Me alegrei quando me disseram vamos à casa do Senhor” (Sl 122.1).
• Davi tinha prazer, a igreja primitiva tinha prazer e sabiam que na casa do Senhor eram abençoados e Deus lhes respondia.

• Quando o crente perde o prazer de vir à casa de Deus tem algo errado.
• Na casa de Deus Ana orou e Deus lhe abençoou.
• Josafá buscou socorro e Deus lhe socorreu.
• Tem compromisso com Deus e Sua obra.
• Não existe comunhão se deixarmos a casa do Senhor por qualquer coisa.

VIII. ADORAÇÃO - TINHAM O VERDADEIRO LOUVOR – v. 47 Louvando a Deus e contando com simpatia de todo o povo...

Louvor [do grego aineo], significa: elogiar, honrar, engrandecer.

Louvar é expressar o amor de Deus em nossas vidas. É agradecer e engrandecer aquele que merece toda honra e louvor. Não estamos aqui para agradar uns aos outros, mas para adorar ao Senhor Criador do universo na beleza da Sua santidade.

O louvor nos aproxima de Deus, nos enche da plenitude do Espírito e um crente cheio da plenitude os demônios se sujeitam.
Louvar com instrumentos, com cânticos, com salmos, com palmas com coreografia etc.

Quando Saul se encontrava perturbado pediu a seus servos que trouxessem alguém para tocar um instrumento:
 “Disse Saul aos seus servos: Buscai-me, pois, um homem que saiba tocar bem e trazei-mo” (Sm 16.17).

IX. UMA IGREJA SIMPLES “...e contando com simpatia de todo o povo...” [Simpatia no grego  aphelotes] significa simplicidade, singeleza.

Simples como uma pomba.

Sua igreja cultiva a verdadeira comunhão? Pratica o perdão? Persevera no ensino? Na oração? Na assistência social? Amamos a casa de Deus? Louvamos a Deus de coração?

É hora de voltarmos ao cenáculo e reviver os tempos de refrigério e avivamento. Nestes últimos tempos podemos considerar uma igreja verdadeira se possuirmos esses quesitos.

Não existe comunhão se não perseverarmos na doutrina que Jesus e Seus discípulos ensinaram. Não existe comunhão sem perdão, sem amor, sem oração, sem temor e sem louvor. Não existe comunhão se não tivermos freqüentando assiduamente os cultos de oração e ensinos da Palavra de Deus. Não existe comunhão se não tivermos uma verdadeira adoração. Adoração de lábios não movemos o coração de Deus (Mt 15.8).

Pr Elias Ribas


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A MISSÃO DE UM LÍDER

“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 5 Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2ª Tm 4.1-5).

• Conjuro: (no gr. diamarturomai). Testificar, atestar, afirmar solenemente, dar testemunho solene para alguém, confirmar algo pelo testemunho, testificar, fazê-lo crível.

• Prega: (no gr. kerusso), ser um arauto, oficiar como um arauto, proclamar como um arauto, e uma autoridade que deve ser escutada e obedecida, publicar, proclamar abertamente: algo que foi feito, usado da proclamação pública do evangelho e assuntos que pertencem a ele, realizados por João Batista, por Jesus, pelos apóstolos, e outros mestres cristãos.

• Insta: (no gr. ephistemi), parar-se ao lado de, estar presente, colocar-se sobre alguém, colocar-se acima. O ministério cristão sempre se conserva em estado de prontidão para pregar em cada ocasião que se oferece.

• Corrige: (no gr. elegcho), de afinidade incerta, sentenciar, refutar, confutar, por meio de evidências condenatórias, trazer a luz, expor, corrigir pela Palavra , admoestar , mostrar para alguém sua falta.

• Exorta: (no gr. Parakaleõ) que quer dizer: Consolar, encorajar, assistir, animar, conforme o paracleto.

Os três verbos da exortação:
1. Corrige: Apela para a razão.
2. Repreende: Apela para a consciência.
3. Exorta: Apela para a vontade.

• Sã (no gr. hugiaino), Estar são, estar bem, estar com boa saúde, de cristãos cujas opiniões estão livres de qualquer contaminação de erro.

• Doutrina: (no gr. didache ) quer dizer ensino verdadeiro, o ato de ensinar. Paulo refere-se à doutrina de Deus, imutável e que permanece eternamente. O curso óbvio dos últimos dias da Igreja consiste em advertências constantes para o crente estar alerta para os desvios doutrinários, conhecidos sobre o nome genérico de apostasia.

• Fábulas: (no gr. muthos), discurso, palavra, dito, narrativa, estória, ficção, fábula, invenção, falsidade, criação humana.

• Se recusarão a verdade: Verdade (no gr. aletheia). Dois pontos importantes da verdade que são: que é verdade em qualquer assunto em consideração, verdadeiramente, e acordo com a verdade, que é verdade em coisas relativas a Deus e aos deveres do ser humano, verdade moral e religiosa, a verdadeira noção de Deus que é revelada a razão humana sem sua intervenção sobrenatural, a verdade tal como ensinada na religião cristã, com respeito a Deus e a execução de seus propósitos através de Cristo, e com respeito aos deveres do homem, opondo-se igualmente as superstições dos gentios e as invenções dos judeus, e as opiniões e preceitos de falsos mestres até mesmo entre cristãos. Verdade como excelência pessoal, sinceridade de mente, livre de paixão, pretensão, simulação, falsidade, engano.Uma ação deliberada, que se torna inevitável na medida em que as pessoas se deixam atrair pelas doutrinas falsas. Quer seja de homens ou de demônios.

• Sóbrio: Significa “lucidez moral, santa”, “vigilância”. Contrastando com “adormecido”, “embriagado” “incessível”. Deixam se levar por fabulas, mitos tradições e negam a eficácia das doutrinas de Deus.
O cristão deve ser sóbrios, vigilantes, refutando e combatendo os falsos ensinos; firmando a vossa fé na sã doutrina. Jesus venceu o tentador com a Palavra “pois está escrito”. A melhor arma nesta batalha espiritual é a Santa Escritura.

Pr. Elias Ribas

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A DEFESA DE UM MINISTÉRIO


1ª Ts 2.1-8. “Porque vós mesmos, irmãos, bem sabeis que a nossa entrada (estada) para convosco não foi vã. 2 Mas, havendo primeiro padecido e sido agravados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate. 3 Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundícia, nem com fraudulência, 4 mas como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova nosso coração. 5 Porque, como bem sabeis, nunca usamos de palavras lisonjeiras, nem houve um pretexto de avareza; Deus é testemunha. 6 E não buscamos glória dos homens, nem de vós nem de outros, ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados; 7 Antes fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos. 8 Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de boa vontade quiséramos comunicar-vos, não somente o evangelho de Deus, mas ainda a nossa própria alma; porquanto nos éreis muito queridos”.

I. INTRODUÇÃO

Paulo, ao pregar a mensagem sobre seu encontro com Jesus ressuscitado, está mentindo ou falando a verdade. Paulo afrima que a razão para acreditar nele é que ele não tem nada a ganhar com a pregação desta mensagem. Na verdade, ele estava disposto a continuar pregando apesar de ele ter sido espancado na Phillipi (cf. Atos 16.22), encontrou a oposição lá em Tessalônica, não estava ganhando financeiramente, e não ganhando nenhum prestígio. Na verdade, ele afirma estar pregando a mensagem para agradar a Deus e por causa de seu amor pela Tessalonicenses. Estas são razões para acreditar que Paulo foi sincero e dizer a verdade que ele tinha visto e recebido a sua mensagem de Jesus ressuscitado.

Paulo defende-se, agora, dos ataques do Diabo através dos falsos ensinadores que se haviam intrometido no meio da Igreja em Tessalônica, contra ele e seus companheiros de missão. É provável que alguns irmãos, alcançados pelo evangelho, tenham acreditado nas insinuações malévolas contra os servos de Deus.

II. PAULO ESTÁ DEFENDENDO O MINISTÉRIO

1. Uma entrada abençoada (2.1).
Paulo tinha convicção de que o trabalho desenvolvido na capital da Macedônia fora realizado com amor e zelo.

“A nossa entrada não foi vã” (Vã, no gr. kenov – kenos), vazio, vão, destituído de verdade, que nada contém, de homens, de mãos vazias, de esforços, diligências, ações, que resultam em nada, vão, infrutífero, sem efeito, sem propósito, vazia, oca sem fundamento. (Em outra versão, diz: “Não foi infrutífera”. Um ministério que dá fruto contribui para o reino de Deus. E Jesus nos chamou para darmos frutos) (Jo 15.16).

2. Ousadia e determinação na pregação.
Ousado, no gr. parrhesiazomai, usar a liberdade de falar, falar com franqueza. Com sinceridade, falar livremente, tornar-se confiante, ter ousadia, mostrar segurança, assumir um comportamento corajoso.

Tribulações no gr. Propascho: sofrimentos, tribulações, aflições. As tribulações que o apóstolo experimentou, em Filipos (At 16.19-40), quando foi humilhado, espancado e preso, juntamente com Silas, em lugar de causar medo e temor, na jornada missionária, provocaram um efeito positivo em seu favor na busca das almas perdidas.

Paulo, não tinha meras opiniões para se promover. Ele proclamou com profunda convicção a mensagem que o seu Senhor lhe tinha entregue, e isto em face de uma oposição tremenda. Se os incrédulos de uma cidade o perseguiam, ele ia para outra. Não é que ele fosse ousado por natureza. Existe uma dezena de passagens das Escrituras que nos diz o contrário. Antes, como ele mesmo testifica, quando tornamo-nos ousados em nosso Deus. E assim ele exorta os outros crentes: “fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef.6:10).

3. Pregar a Verdade bíblica é um combate.
Combate, no gr. agon, uma batalha, luta. Os sofrimentos de Paulo e seus companheiros: “tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate”.

Porque temos o diabo como nosso adversário; Porque temos os falsos apóstolos semeando o joio no meio do trigo. (O joio se parece com o trigo; e quem não conhece e não tem discernimento espiritual, pensa que tudo é trigo).

III. NÃO AGRADANDO A HOMENS (v. 6)

“E não buscamos glória dos homens, nem de vós nem de outros, ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados”.

A obra de Cristo tem enfraquecido, nestes últimos tempos. E as causas disso são várias:

A grande maioria dos obreiros labuta para defender seus cargos, seus interesses, suas tradições. Os ministros foram chamados para uma vocação santa e digna, mas para ministrar as Verdades da Santa Palavra de Deus e defender a Noiva de Cristo contra os ataques do diabo e de seus ministros. Todavia, isto não é priorizado se as mensagens são apenas bajulações de comodismo, deixando de lado a pregação genuína do Evangelho.

Na falta de entendimento do sentido do evangelho, por outro lado, cria-se uma Igreja imatura que dificilmente experimentará um crescimento normal não sendo capaz de transmitir o evangelho de forma que faça sentido ao restante do grupo. Um dos grandes desafios que temos perante nós hoje é aprender com o nosso passado e pregar um evangelho que faça sentido na sociedade.

A falta de critério sadio e benéfico no corpo de Cristo tem trazido sérios prejuízos á igreja, pois estão deixando de lado a Palavra de Deus para seguir suas regras, conceitos pessoais e denominacionais.

Grande parte do clero religioso está sofrendo porque seus líderes não tomam uma posição com respeito às verdades bíblicas. Faltam-lhes coragem, hombridade, temor com as coisas santas do Criador. Agem como se a obra de Deus fosse algo sem importância. Mas não sabem que serão condenados pelo pecado de timidez e da mentira (Ap 21.8).

Tomamos o exemplo de Paulo, que não temia os inimigos da cruz de Cristo que se infiltravam no meio cristão:

1. Pregando sem engano. Paulo disse que sua exortação (no gr. didako – ensino), não foi com “engano”, “imundícia” ou “fraudulência”.

2. Com Engano (no gr. planao). Desencaminhar da verdade, conduzir ao erro, enganar; ser induzido ao erro; desviar-se ou afastar-se da verdade; ensino herético; fazer algo ou alguém se desviar, desviar do caminho reto; perder-se, vagar, perambular; ser conduzido ao erro e pecado. Ser desviado do caminho de virtude, perder-se.

3. Imundícia, Impureza (no gr. akatharsia). Impureza, no sentido moral: impureza proveniente de desejos sexuais, luxúria, vida devassa, de motivos impuro.

4. Fraudulências: (No gr. dolos). De um verbo primário arcaico, dello (provavelmente significando “atrair com engano, astúcia, fraude, malícia”). Era comum na época em que a carta de Paulo aos Tessalonicenses foi escrita, por haver certo tipo de pregadores itinerantes chamados sofistas.

Ef 6.6 -7 “Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus; 7. servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens”.
Muitos trabalham só quando o chefe está olhando, ou seja, para agradar apenas o chefe e não o dono da obra. O trabalho do Senhor deve ter seriedade, honestidade e acima de tudo, amor pelas almas.

IV. A PREGAÇÃO DE PAULO É SEM SOFISMA

1. O sofisma é um tipo de apostasia.

Vivemos em tempo de apostasia. Apostasia tem aumentado assustadoramente e é um dos grandes sinais da vinda de Jesus.

Existem tem tipos de apostasia:
A. Uma pessoa após apostatar da fé, ou seja , deixar a fé, desviar-se da igreja.
B. Um crente após ter provado da graça, deixa a fé e por fim blasfema contra as coisas sagradas. O autor aos Hebreus escreveu dizendo que impossível à salvação a esta classe de apostata. (Hb 6.4-6; Hb 10.25-30; 2ª Pe 2.20-22).
C. Desviar da doutrina genuína da Palavra de Deus. O apostata desta natureza é aborrecido por Deus. Vede, o justo viverá pela fé, segundo Hb 10.38 e se recuar, Deus não tem prazer nele.

Frequentemente membros da igreja estão se afastando da igreja por coisa banais, outros por coisas insignificantes por exemplo: Tradições impostas pelos homens como meio de salvação.
No original gr. Sofisma, argumentação falsa com aparência de verdade. O sofisma é enganoso e prejudicial por causa do uso indevido que faz da lógica. Esta, como se sabe, leva o pensamento a estar de acordo consigo e não de conformidade com a realidade das coisas (Dicionário Teológico Claudionor Correa de Andrade).

Atividade que resulta em frutos para si. Agradam aos homens, eram bajuladores e avarentos, amavam a si mesmo.

Pregavam com má-fé, “argumentos falsos”, engano, logro, ou tapeação. É preciso ter cuidado com os “lobos” vestidos de “ovelhas”, que andam a enganar os crentes incautos, sob a capa de “muito espiritual”. Acham-se mais santos que os outros.

“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores” (Mt 7.15).

2. Os sofistas anulam a graça de Cristo.
“Porque pela graça (pelo favor imerecido) sois salvos, mediante a fé (confiança); e isto não vem de vós, é dom de Deus (é presente de Deus); não de obras (não de trabalhos e de ação), para que ninguém se glorie...” (Ef 2.8-9).

Nossos méritos são obras. Se a salvação fosse adquirida por elas (tradições, dogmas e certos costumes humanistas), o ensinamento acima estaria incorreto. Nós próprios, nesse caso, teríamos capacidade para se salvar. E se tradições nos purificassem para chegar à presença de Deus, não seria Cristo quem nos purifica. Não haveria necessidade d’Ele ter vindo ao mundo e morrido por nós. As tradições seriam nosso salvador.
Os imaturos ensinam que somos salvos pelos nossos méritos. E este tipo de heresia contraria a ortodoxia Bíblica.

Não somos salvos por nossos próprios esforços nem pelas obras (Ef 2.8-9), as boas obras foram preparadas para nós de antemão (Ef 2.10) .

V. NÃO BUSCANDO A GLÓRIA DOS HOMENS (2.6)

Ele não lisonjeava os homens “para ganhar votos” ou para se tornar popular entre eles. Também não exibia nenhuma fachada para cobrir um espírito cobiçoso. Tão-pouco procurava a glória, embora como Apóstolo de Cristo pudesse ter-lhes sido pesado, impondo toda a sua autoridade, exigindo isto e aquilo e esperando receber atenção especial. Mas “ser importante” não era uma das características de Paulo.

1. O perigo da lisonja.
Paulo disse que ele e seus companheiros não buscavam a glória dos homens, nem deles próprios, nem de outros (2.6).

• Não era do seu feitio moral buscar o louvor dos homens, nem sua glória. Ele mesmo disse aos Coríntios que tudo o que fizessem o fizessem para glória de Deus (1ª Co 10.31).

• Há pessoas que são movidas a elogios, ou mesmo por lisonjas, que é sinônimo de bajulação. Isso é perigoso para o ministério pastoral e para qualquer servo de Deus.

• Há quem busque a glória para si (“por que eu sou mais santo, jejuo três vezes por semana, oro mais que vocês, porque Deus fala muito comigo, porque Deus só revela pra mim, porque eu oro e as pessoas são curadas”, etc).

• Se, de um lado, o lisonjeiro se compraz em “agradar” a quem deseja enganar (e há pessoas que são movidas a lisonjas, e buscam “a glória”, isto é, o louvor, o elogio dos homens), por outro lado o bajulador, na verdade, busca seus interesses egoístas.

• Este tipo de pregador não fala em pequenos auditórios, só se sentem bem diante de platéias numerosas, para ouvir os aplausos, e até os “glórias a mim”.

2. Louvam a si mesmos.
“Praticam, porém, todas suas obras com fim de serem vistos pelos homens; pois alargam seus filactérios e alongam as suas franjas. Amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas” (Mt 23.5-7).

3. Não sendo pesado aos irmãos.
“... Ainda que podíamos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados”. Paulo defendeu a si e aos outros missionários (2.6). Mesmo Paulo tendo direito, como apóstolo, não se aproveitou da circunstância para extorqui e explorar os irmãos. O apóstolo jamais foi rico. Sempre viveu sem ambições materiais. Era homem humilde e resignado (Fl 4.12). Em lugar de buscar a glória dos homens, em termos de contribuição financeira, ele afirmou que “o meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fl 4.19). 1ª Tm 6.6-8 “Mas é grande ganho a piedade com contentamento. 7 Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele. 8 Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (RC).

VI. COMO AMA QUE CRIA SEUS FILHOS

“Antes, fomos brandos entre vós, como a ama que cria seus filhos” (2.7). Quando se tratava da Palavra de Deus ele conseguia, pela graça de Deus, ser tão ousado quanto um leão, mas ao tratar estes novos convertidos ele era suave como um cordeiro. Ele foi ao mesmo tempo pai e mãe para eles.

Na visão de Paulo, o ministro deve ter o comportamento de uma ama que age como uma mãe. Existe a ama-de-leite, que cria os filhos dos alheios, alimentado-os com o próprio seio. Paulo extrapola o conceito de uma ama, que cuida dos filhos de outros, e tem em mente a ama que cuida de seus próprios filhos. Aos filhos é comparada a Igreja.

Esta palavra “ama” (Gr., trophos), ocorre apenas uma vez nas Escrituras, então a pergunta surge se o Apóstolo está a referir-se à ama e aos filhos que estão a seu cuidado, ou a uma mãe que está a amamentar e a seus filhos. Acreditamos que a última hipótese é o verdadeiro sentido por duas razões: 1) A palavra trophos significa aquela que nutre. 2) A palavra “seus” no grego é claramente “seus próprios”.

Mas a quem pertencem os filhos? A Igreja só tem um Pai que é Deus. Os ministros recebem autoridade para pregar a Palavra de modo correto, mas não para serem donos dela e fazerem como lhe apraz!

A afeição de pastor.
Paulo chama a igreja tessalônica de “muito queridos”. Ele e seus companheiros eram tão afeiçoados para os irmãos. Essa deve ser uma característica do obreiro que tem de fato amor pelas almas que se convertem a Cristo.

Como uma mãe não apenas concede todo tipo de bênção a seus filhos, mas até está disposta a dar a sua própria vida por eles, Paulo também não apenas comunicou alegremente o Evangelho aos Tessalonicenses, como ainda estava disposto a dar sua vida por eles, “porquanto”, diz ele, “nos éreis muito queridos” (v.8). Ou como ele escreve no começo do versículo, “sendo-vos tão afeiçoados”.

O ministério de Paulo foi aprovado por Deus. Em Tessalônica, mesmo tendo passado menos de um mês, deixou uma igreja bem doutrinada através do ensino e da exortação sadia, O adversário levantou falsos obreiros para desviar a igreja, porém estes não tiveram êxito, pois a Palavra da Verdade suplantou os argumentos da mentira e da calúnia”.

Pr. Elias Ribas
Assembleia de Deus
Blumenau - SC