TEOLOGIA EM FOCO

terça-feira, 26 de maio de 2009

PEÇA O MELHOR PARA DEUS


“Duas coisas te peço, ó Senhor; não as negues a mim, antes que eu morra: afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa; não me dês nem a pobreza nem a riqueza, mas dá-me só o pão que é necessário, para que de farto eu não te negue, e diga: quem é o Senhor? Ou empobrecendo, não venha furtar, e profane o nome de Deus” (Pv. 30:8,9).

Estamos vivendo o tempo da “abundância de Deus”, alguém defende com ‘unhas e dentes’ na sua calorosa ‘pregação’, tudo depende da semente de fé. “Pegue o envelope, escreva seu pedido de oração, coloque uma boa semente – em dinheiro, é claro – e exorta (olhe o tamanho da semente que você vai semear)”... Um famoso evangelista recebe uma ‘tremenda revelação’ e lança um livro onde expõe a grande revelação de que Deus há de transferir riquezas e mais riquezas para a igreja neste tempo do fim – afirma: “o que os megaespertalhões ricos e bilionários tem acumulado será redistribuído por Deus para igreja”.

Na página onde consta os agradecimentos da obra lemos as impactantes palavras: “extraordinário livro [...] visão revolucionária e impactante [...] a leitura deste livro marcará sua vida e trará sobre você inúmeras bênçãos” (somente a leitura já será algo fora do natural. Imagine a prática!).Outro empolgado pregador diz que devemos determinar sobre nós, nossa família, amigos, e irmãos as bênçãos de Deus; um mais ousado diz: “libere sobre o teu irmão uma bênção... abençoe teu irmão... declare sobre a vida dele tempos de prosperidade, não te cales, creia, seja um profeta de Deus nesta hora” (hoje está tão fácil ser profeta – é só declarar, liberar uma palavra); mais outro, cheio de gáudio, anima uma platéia ávida por vitória: “peça o melhor para Deus... o melhor carro, a melhor casa... com garagem, uma, duas ou até mais. Deus te dará um, dois, ou mais carros... o melhor emprego, o melhor salário... o melhor desta terra é nosso... o tamanho da tua fé determina o tamanho da tua bênção”.

Bíblias São lançadas como verdadeiros manuais para enriquecer, objetivando dar-se bem na vida, ser bem sucedido. Assim, são inumeráveis os pedidos e determinações diante de Deus para que venha o melhor – desta terra – para nós. Li que bilhões de almas, implicam em assombrosas proporções financeiras, “custará bilhões de dólares alcançar bilhões de almas”. Impactante! Segundo o autor do livro, o trágico, é que há muitos chamados e poucos dólares para enviá-los. Impactante! Pelo que se vê, lamentavelmente, o Reino de Deus está sofrendo sérios prejuízos, e almas estão indo para eternidade sem Deus, unicamente por falta de dinheiro! Veja bem: não é por falta de pregação cristocêntrica, de oração intercessória, de consagração, de estar cheio do Espírito Santo, de culto onde o Espírito Santo esteja presente e fazendo o que Ele quiser, de unidade da Igreja, mas por falta de dinheiro! Porém, na história da Igreja desde o Novo Testamento não vemos isto.

O Evangelho foi propagado sem somas astronômicas de dinheiro; na maioria das vezes, literalmente, sem dinheiro. Uma leitura cuidadosa do Novo Testamento nos mostrará isso:

1. Paulo tinha o objetivo primordial de comunicar o Evangelho, e por vezes isso custou trabalhos sobre trabalhos (para auto-sustento), e com muita fadiga (física mesmo): “Certamente vos lembrais, irmãos, de nosso trabalho e fadiga; trabalhamos noite e dia para não sermos pesados a nenhum de vós, enquanto vos pregamos o Evangelho de Deus” (1ª Ts. 2:9);

2. Paulo tinha o mesmo ofício de Apolo, isto é, fabricantes de tendas (At. 18:3), se servia desse ofício para se sustentar;

3. Paulo, ao sair em propagação do Evangelho, foi suprido em suas necessidades por outros irmãos, diz ele: “Em tudo me guardarei de vos ser pesado, e ainda me guardarei” (2ª Co. 11:9; 12:16a).

Os testemunhos e biografias da história do cristianismo nos mostram a mesma coisa. É só dar uma voltinha por esse brasilzão.O versículo no início deste artigo mostra a sincera oração: primeiro um coração reto diante do Senhor: “afasta de mim a vaidade e a palavra mentirosa”, depois “dá-me só o pão que é necessário” – preste atenção às prioridades.

Hoje há uma inversão de prioridades, muitos querem ser abençoados, enriquecidos, livrados de vários problemas, porém não querem, de forma alguma, relacionamento com Aquele que é Poderoso para abençoar. Nos tempos de Jesus já havia isto (Jo 6:26,27; 51, 60). Quem nasce de novo, é nova criatura, tem uma perspectiva primeiramente espiritual, sumamente espiritual, suas prioridades são mudadas: das coisas da terra passa para as coisas do céu (Mt. 6:33; 6:19-21; Gl. 1:3; 4:1-6; Fp. 1:9-11; Cl. 1:9-10; 3:1-3; I Pe. 2:1-5; II Pe. 1:4-11). É preciso termos desejo de conhecermos, isto é, travarmos um relacionamento com o Deus, pois quando conhecermos com intimidade o Deus da bênção seremos gratos por qualquer situação, provação que Ele nos enviar, permitir; teremos certeza que Ele não deixa termos falta de coisa alguma (Mt. 6:25-34; Fp. 4:19). Estamos, muitas vezes, qual filho que sai de casa, mas não sente falta dos pais, sem, no entanto recusar as benesses financeiras recebidas todos os meses – os recursos são bem vindos, mas o relacionamento íntimo com os pais não faz falta.

Tenho presenciado, pensativo e muitas vezes sem entender, sobre a maioria das campanhas feitas nas igrejas: quase que na sua totalidade envolvem dinheiro ou benesses puramente pessoais, egocêntricas. Todo mundo precisa de dinheiro; todas as pessoas tem uma questão financeira a ser milagrosamente resolvida.

Ouvimos testemunhos de dinheiro aparecendo (milagrosamente) na conta bancária; coisas impossíveis de acontecer na área financeira ocorrem da noite para o dia; endividados se tornam livres e abastados num estalar de dedos; o carro que eu tanto sonhava, Deus (?) (milagrosamente) me deu; quando tomei a decisão e iniciei a novena (ou algo parecido – já que cada igreja determina a campanha pelo nome que quer), antes mesmo de terminar, Deus (?) me respondeu. Os casos são tantos. Os testemunhos os mais diversos. Acabei de ouvir um em que o ‘abençoado’ dizia: depois de vir para a igreja tal e fazer a campanha tal só viajo de avião, a minha empresa que estava falida, cresce assustadoramente, está de vento em popa, e conclui: Deus ‘tá rebentando’. Como dizia um diretor, chefe meu, tempo atrás: mas que tal! Eu não duvido que Deus tenha bênçãos de ordem material, financeira, econômica para dar aos seus filhos (I Cr. 4:10; Pv. 3:9-10; 10:22; II Co. 8:15; 9:8-10). Abraão foi um homem rico; Jó perdeu tudo e Deus lhe deu em dobro; José foi um homem bem sucedido no Egito, pois chegou a ser o segundo em poder no governo; Salomão foi rico e poderoso; conheço irmãos que Deus tem abençoado financeiramente e eles tem abençoado a igreja dessa forma também, além, é claro, dos frutos dignos de arrependimento (Mt. 3:8).

Mas uma boa olhada na Palavra de Deus nos mostrará que não foram (e não são) muitos os ricos, os milionários ou bilionários, nem os poderosos que Deus escolheu para a concretização da Sua obra, para o cumprimento do Seu eterno propósito (Dt. 7:7; I Co. 1:26-29; Mt. 4:18-22; Hb. 11: 1-40), certamente para que ninguém se gloriasse nas suas possibilidades. Conheço irmãos que foram verdadeiros desbravadores para anunciar o Evangelho e morreram financeiramente pobres, e muitos doentes.

Anunciavam o Evangelho a cavalo, outros andavam quilômetros muitas vezes a pé, no entanto nunca vi eles pregarem sobre riquezas e mais riquezas. Não teria Deus o melhor cavalo para lhes dar? Dessa forma não iriam a pé.Não sou contra ser abençoado, ou falar sobre riquezas e abundâncias e mesmo tê-las, o que não consigo entender e aceitar como normal e justo, é que na maior parte, a igreja está girando em torno das coisas daqui, como dizem, “o melhor desta terra é nosso”, então, peça o melhor para Deus – pouco se ouve testemunhos de conversões, batismo com Espírito Santo, uma mensagem que tocou profundamente e fez voltar-se mais sincero para Deus, desejoso de um relacionamento íntimo com Deus. Rotineiramente, os maiores cultos são intitulados da vitória, da restituição, da benção, das colheitas, da multiplicação. Dias destes escutava um programa evangélico e uma vinheta anunciava o grande culto intitulado ‘explosão de milagres’. Dificilmente num culto destes há uma exposição séria, senão profunda, da Palavra. Por quê? Não há tempo para isso. Porém a Palavra diz que os milagres confirmam a Palavra (Mc. 16:20), e não que milagres confirmam outros milagres, ou que os milagres confirmam o ministério de quem quer que seja.“Os apóstolos não agendavam os milagres. Não marcavam cultos de libertação e cura. Não havia previsibilidade antecipada. Não agiam como secretários do Espírito Santo, tentando controlar e manipular a sua agenda. Eles não faziam propaganda dos sinais. Não colocavam faixas anunciando a presença de homens poderosos. Não faziam exposição de seus dotes espirituais. As coisas aconteciam dentro da liberdade e da soberania do Espírito. Eles não desviavam os olhos do povo para a igreja, não trombeteavam suas próprias virtudes. Enfeixavam todos os holofotes sobre Jesus”[1].

Faz tempo que ouço mensagens e apelos triunfalistas, pregações de auto-ajuda, e fico pensando sobre o que realmente é o melhor de Deus para nós, ou o que Deus tem de melhor para nós.

1. Asafe: o melhor de Deus para ele era totalmente oposto a sua visão. Enquanto ele via e deseja a prosperidade do ímpio – e questionava com Deus, tanto na vida quanto na hora da morte, falava da tranquilidade do ímpio, o melhor de Deus para Asafe era que ele estive na dependência divina (Sl. 73:23), fosse guiado pelo conselho do Senhor (Sl. 73:24); desejasse Deus acima de tudo – Deus fosse para ele o mais desejado, o mais excelente (Sl. 73:25); que Deus fosse a sua fortaleza, seu refúgio e que se aproximasse mais desejo (com inteireza de coração) diante de Deus (Sl. 73:26,28);

2. Profeta Amós: o melhor de Deus estava em que ele falasse a Palavra do Senhor, conquanto sua condição fosse de pobreza material (Am. 7:14,15);3. Estevão, o diácono: o melhor de Deus consistia e não livrar-lhe do martírio, mas que ele suportasse as aflições e mesmo assim pregasse uma profunda e bibliocêntrica mensagem e deixasse um testemunho que impactou seus algozes (At; 7). Parece que nesse início Deus perdeu a oportunidade de provar ao mundo que a Igreja veio para conquistar os melhores espaços desta terra!

4. Apóstolo Paulo: a vontade do Senhor estava em ele padecer pelo nome de Cristo, como também consistia em que ele fosse revestido da maravilhosa graça, mas jamais que lhe fosse arrancado o espinho na carne (At. 9:16; II Co. 12:8-9). E isto lhe dava prazer (II Co. 12:10);

Leio sobre a história de Israel; a história do cristianismo desde o Novo testamento, e me pergunto: por que será que Deus deixou homens e mulheres de fé no Velho Testamento, e apóstolos e crentes do passado enfrentarem necessidades? Por que o Evangelho teve que ser propagado em meio a dificuldades extremas, onde até fome passaram os obreiros e crentes de então? Por que Paulo, o grande ícone do cristianismo, se privou de regalias, e até trabalhava com as próprias mãos para não ser pesado às igrejas? Por que o próprio Jesus, os Apóstolos e Paulo (que foi arrebatado ao terceiro céu), não tiveram a ‘grande revelação’ dos dias de hoje: Deus tem riquezas para você – determine, declare, profetize?

Jesus, após a Sua ressurreição, foi revestido de Todo Poder (isso fala de que para Ele não há limites), no entanto não O vemos falando aos Discípulos que Eles seriam prósperos materialmente, que não teriam doenças e que seriam tão influentes em sua mensagem que seriam cabeça e jamais cauda (Mt. 10:19; Lc. 12:11-12; At. 4:1-3, 13).Às vezes procuro imaginar um culto na Igreja em Jerusalém, ou em qualquer outro lugar nos tempos da Igreja primitiva e do primeiro século; ou ainda na China comunista de nossos dias; no Haiti; no Vietnã, nos lugares paupérrimos da África e em tantos outros no nosso Brasil; onde o pregador empolgado, começasse a dizer para que o povo declarasse, determinasse, profetizasse bênçãos e riquezas sobre a vida de quem quer que fosse – será que o povo entenderia alguma coisa? Eis a indagação: será que Deus não tem as mesmas riquezas para estes filhos, ou eles tinham ou tem, como popularmente se diz, muito ‘pecado para pagar’? Imagino o Apóstolo Paulo dizendo aos irmãos para lançarem uma grande semente (em dinheiro) para terem uma grande colheita. Não dê a menor moeda, dê a maior, que a tua bênção será maior. Porém quando abro a Bíblia, leio Paulo, que diz: “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade [...]” (1ª Co. 16:2 – grifo meu).

Os cristãos davam não porque eram constrangidos por uma promessa mirabolante, porque eram ‘impulsionados’ a acreditarem que teriam muito mais do que estavam dando, isto é, pensando nos benefícios, mas sim, davam porque isso partia do coração, eram intimamente tocados pelo Espírito Santo, então davam, e davam com alegria (2ª Co. 8:3,5,10,12; 9:6,7).

“Os Apóstolos [...] não faziam promessas ao povo de benesses terrenas e temporais, com vistas a atrair multidões. Eles não pregavam um evangelho fácil” [2]. Conforme 2ª Coríntios capítulos 8 e 9, os cristãos davam porque eles tinham gozo, eram ricos em generosidade (dar sem intenção de receber de volta), desejavam servir dessa forma; antes de abundar financeiramente, eles já tinham abundados em fé, ciência, zelo, amor e graça; davam espelhando-se em Cristo, Ele era o exemplo perfeito, queriam imitar o Mestre, queriam dar; tinham prontidão em dar, eram voluntários. Davam porque todo serviço, toda a ação de dar, redundava em glórias a Deus (2ª Co. 9:12-15).

Ao combater os avarentos, Paulo fala sobre a proporção de semear pouco e muito. Muitas vezes ouvimos pregadores dizerem: dê que o Senhor te dará cem vezes mais – e enfatiza: ‘tá’ na Bíblia! Acredito que se baseiam no texto em que Pedro certa vez argumentou com Jesus: “[...] nós tudo deixamos e te seguimos. Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filho, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já no presente, em casas, irmãos, mães, filhos e campos, com perseguições, e no mundo por vir a vida eterna” (Mc. 10:28-30).

Esse texto, de maneira alguma corrobora a máxima, em voga nos dias de hoje, de que dando certa quantia em dinheiro, o Senhor nos dará cem vezes mais da quantia ofertada. Se for, o que aconteceu com os discípulos que foram martirizados e todos morreram, literalmente, pobres?

Paulo, mesmo sendo cidadão romano não tinha mansão em Roma – alugou uma casa. Tomamos cuidado! A oferta não anula a soberania de Deus. Acredito e busco o melhor de Deus, porém vejo o melhor de Deus:

- Na Salvação que de graça foi oferecida (Jo. 3:16; Ef. 2:8,9);- Na vida de renúncia para ser submisso a Deus (Mt. 16:24; Tg. 4:10; 1ª Pe. 5:6);

- Na abundante vida proporcionada pelo Espírito Santo (Jo. 7:38,39; Ef. 5:18);- Na vitória diária sobre o pecado (Rm. 8:5-14; Gl. 5:16,24,25; Cl. 3:5-10);- No poder da Palavra em me tornar sábio (119:98-100);

- No poder de Deus em cumprir Seu propósito (Sl. 138:7,8);

- No poder das provações para me tornar maduro e completo (Tg. 1:2-4; Rm. 5:1-5; Fp. 4:10-13; 2ª Pe. 1:1-11);

- Na graça proporcionada para perder tudo, menos Cristo (Fp. 3:8,9,13,14);- Na busca constante pelas coisas lá de cima (Cl. 3:1-3; Fp. 3:20; 1ª Pe. 2:1-5);- Na prática de orações e súplicas (Ef. 6:18; 1ª Ts. 4:17).Acredito que Deus tem bênçãos imensuráveis para alcançar aos que o amam e o buscam, mas há prioridades inegociáveis na palavra de Deus (Mt. 6:33).

Vejamos esta oração de Paulo, pelos crentes de Éfeso (Ef. 3:14-20):

Primeiramente ele faz referência ao Filho e ao Pai:
1. Jesus Cristo é o Senhor (veja Rm. 10:9);
2. O Nome de Deus é poderoso; Agora ele ora por bênçãos espirituais:
3. Para que sejam “fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior” (veja II Co. 4:16);
4. Para que cristo habite pela fé; esteja constantemente presente nos corações (fé tem o sentido de renúncia, de coragem em servir a Jesus, de entrega total);
5. Para que estejais arraigados, fundados em amor (amor de Cristo);
6. Para que com perfeição conheçam a largura, comprimento, altura e profundidade e conheçam o amor de Cristo;
7. Que sejam cheios da plenitude de Deus. Isso é um longo processo dEle em nós (Cl. 1:6);
8. E encerra dizendo que Ele é poderoso para fazer muito além da nossa limitada capacidade, isto é, Ele é poderoso para nos levar a plenitude de Cristo (Rm. 15:29; Cl. 2:10; cf. Gl. 4:12-16).

Nada substituí o que é espiritual – a prioridade, para o cristão, é o que é do céu (Lc. 12:31). A minha preocupação é com a indelével evidência que se tem dado às coisas da terra: o melhor desta terra é nosso; você tem que pedir o melhor desta terra; o crente não adoece; você não nasceu para sofrer; um Deus rico – dono do mundo – não tem filhos pobres. Enquanto a ênfase está nas coisas da terra, a pregação se dirige à mente, aí sutilmente entra o positivismo, a determinação, o engravidar, o sonho com a visão do que eu quero, e outras coisas do tipo. Dessa forma o alvo, que é o coração não sente nada, não é atingido. O propósito do Senhor sempre foi atingir o coração do homem, as atitudes e frutos estão no coração: “Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração [...]” (At. 2:37; Dt. 6:5 Cf. Mt. 22:37-40; I Sm. 16:7; Sl. 7:9; 19:8; 57:7; 69:32; 139:23; Pv. 4:23; 20:9; Is. 35:4; Jr. 11:20; 24:7; Ml. 4:6; Mc. 7:21 Cf. At. 5:3; Hb. 3:8; 4:7, 12; 8:10; 10:16; Lc. 24:32).

Muitas vezes, pelo que ouço, parece que a nossa pátria é por aqui mesmo, o céu é uma miragem, uma figura de linguagem, uma utopia, pois pouco se tem falado e pregado sobre o céu. Pouco se tem dito sobre as delícias do céu, sobre as coisas do céu. Em razão disso o que é certo tem sido substituído, sem qualquer análise bíblica, pelo que dá certo. Estamos vendo uma irrefreável busca pelos mais variados meios para alcançar objetivos (ditos) espirituais, conquanto não nos preocupamos com estes meios, pois temos dado ênfase aos fins alcançados ou desejados.Que a oração de Paulo seja respondida, por Deus, sobre nós:

“Por causa disso me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome. Oro para que, segundo as riquezas da glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder pelo Seu Espírito no homem interior, para que Cristo habite pela fé nos vossos corações. E oro para que, estando arraigados e fundados em amor, possais perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef. 14-19).
Em Cristo.
Adriano Wink Fernandes
-----------------------------
[1] Pentencoste, o fogo que não se apaga. Hernandes Dias Lopes. Candeia
[2] Ibdem

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O QUE SIGNIFICA SER SANTO



“Sede santo, por que eu sou santo” (1ª Pe 1.16; Lv 11.44; Lv 19.1, 2). “Santos serão a seu Deus e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, o pão de seu Deus; portanto, serão santos” (Lv 20.6).

I. DEFINIÇÃO DO TERMO

[Santo no gr. hagios hb. Kadosh] quer dizer separado. É aquele que se separa do mal, e dedica-se ao serviço de Deus, é o ato de santificar; tornar sagrado, santo; separado do mundo e do pecado; dedicado exclusivamente para Deus; ter uma vida de santificação, ou seja, ter qualidades específicas que nos mantenham ou nos levem à separação das pessoas pecadoras que vivem longe da presença de Deus.

[Santo do Lat. Sanctitatem] Perfeição moral. Estado de quem se destaca pela natureza. Nas Sagradas Escrituras, a santidade tem dois sentidos mui distintos. 1. Separação do mal e do pecado. 2. É a dedicação completa ao serviço do Reino de Deus.

O substantivo hagiasmos, o mesmo que santificação é usado em alusão a total separação do homem para com Deus. 1ª Co 1.30, 2ª Ts 2.13, 1ª Pe 1.2, e ao curso de vida adequado aos que são separados. 1ª Ts 4.3, 4-7; Rm 6.19-22; 1ª Tm 2.15.

II. DEUS EXIGE SER SANTO

1. É um imperativo de Deus. “Sede santo, por que eu sou santo”.

Êxodo 19.5-6 “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel”.

Levítico 11.44 “Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis por nenhum enxame de criaturas que se arrastam sobre a terra’.

Levítico 11.45 Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo.

Levítico 20.6 “Santos serão a seu Deus e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, o pão de seu Deus; portanto, serão santos”.

Deuteronômio 7.6-9: “Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra. O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; Mas, porque o SENHOR vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito. Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos”.

2. Ser santo significa uma separação do pecado.

Levítico 20.24, 26: “Mas a vós outros vos tenho dito: em herança possuireis a sua terra, e eu vo-la darei para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o SENHOR, vosso Deus, que vos separei dos povos. 26. Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus”.

Isaías 52.11: “Retirar-vos, retirar-vos, saí de lá, não toqueis coisas imundas; saí do meio dela, purificai-vos, vós que levais os utensílios do Senhor”.

3. Santo significa um revestimento da plenitude de Cristo.

Ef 3.19 “Para que sejais cheios de toda a plenitude de Cristo”.

A mesma vida que foi separada do mundo e entregue ao Senhor.

4. Santidade sempre foi a prioridade de Deus para Seu povo.

“Se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos removais no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade” (Ef 4. 21-24).

Foi um quesito que Deus sempre exigiu de Seu povo, no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. Alguém acha que por estarmos vivendo num período de graça, Deus tem a obrigação de tolerar um amontoado de imundícias que vem tomando conta da Sua igreja, está muito equivocado. À vontade de Deus para Sua igreja é que haja uma separação das coisas e maneiras más (1ªTs 4.3).

A santificação envolve: a separação ao mundo e a sua completa dedicação ao serviço de Deus: “Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2ª Tm 2.21).

5. Separado para Deus.

Jo 17.19 Jesus diz: “E a favor deles eu em santificou a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”.

O cristão é chamado por Deus para viver uma vida irrepreensível, ou seja, correta perante o Senhor Deus, e separada do mundo.

“A fim de que seja o vosso coração confirmado em santidade, isento de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos” (1ª Ts 3.13).

6. É a vontade de Deus.

1ª Ts 4.3-5 “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; 4 que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, 5 não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus”.

III. SEPARADO DO PECADO

1. A definição do pecado.

Santo é a separação do pecado, portanto precisamos saber o que é pecado e o que não é pecado.

 Pecado no grego é hamartia - Falta de conformidade com a lei de Deus, em estado, disposição ou conduta.

Pecado significa “errar o alvo”, como um arqueiro que atira, mas erra, do mesmo modo, o pecador erra o alvo final da vida. É também “errar o caminho” como um viajante que sai do caminho certo.

O pecado é um mal moral; é violência, corrupção. Pecado é uma falta de integridade e de retidão, uma saída da vereda designada. É uma revolta ou uma recusa de sujeição à autoridade legítima, uma transgressão da lei divina. O pecado é uma fuga ímpia e culposa da lei; é também culpa, infidelidade, falsidade, engano, dívida, desordem, iniqüidade, queda, obstinação, desobediência, falta, derrota, impiedade, erro, etc. (Gn 6.11; Êx 20.1-17; Sl 1.1; 12.2; 24.4; 37.38; 41.6; 51.13; 58.3; Pv 1.22; 19:5, 9; Is 14.13,14; 53: 12; Ez 7:23; Mt 6:2; 7:26; Jo 8:44; Rm 1:18; 2ª Tm 2.16; Hb 2.1-3; 3.13; 1ª Jo 3.4).

2. Teologicamente o que é pecado:

1ª João 2.16 “Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede de Pai, mas procede do mundo”.

A. Concupiscência da carne- Nos apetites malignos da carne a concupiscência da carne.

Qualquer pecado da carne; desejo da carne: paixões carnais, imoralidades, glutonaria, bebedice, materialismo manifesto pelos prazeres extravagantes, pelos sentimentos, pelo endeusamento das gratificações mundanas e perversas (Gl 5.19-21)

B. Concupiscência dos olhos - No materialismo avarento e transitório a concupiscência dos olhos. Cobiça, avidez, ambição desenfreada por riquezas, desejo incontido por aquilo que vê, convicto que ficará plenamente satisfeito quando tiver o objeto da sua avareza, sendo isso um engano (Mt 5.27-28).

O que levou o rei Davi pecar no seu palácio? No livro de 2º Samuel a Bíblia relata o pecado de Davi dizendo: “E aconteceu, à hora da tarde, que Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista. E enviou Davi e perguntou por aquela mulher; e disseram: Porventura, não é esta Bate-Seba, filha de Eliã e mulher de Urias, o heteu? Então, enviou Davi mensageiros e a mandou trazer; e, entrando ela a ele, se deitou com ela (e já ela se tinha purificado da sua imundície); então, voltou ela para sua casa. E a mulher concebeu, e enviou, e fê-lo saber a Davi, e disse: Pesada estou”.(2º Sam 11.1-5).

O que levou Davi ao pecado foi: A concupiscência dos olhos, a ociosidade e a concupiscência da carne.

Davi era o rei de Israel, já era casado, mas quando olhou para a beleza da mulher, não se preocupou em saber como era sua vida se era casada ou não e sim em satisfazer o desejo de seus olhos e de sua carne; e fez com que ela viesse á sua presença e deitou com ela, e cometeu adultério.

O pecado de Adão e Eva; de Davi e do próprio Lúcifer e muitos outros que a Bíblia relata não são de usos e costumes, mas da concupiscência da carne, dos olhos e da soberba da vida.

C. Soberba da vida - No orgulho da vida sem Deus a soberba da vida. O pecado do espírito

Arrogância de viver, orgulho, jactância, insolência, presunção; o homem que pensa e fala muito de si mesmo e seus bens e benefícios, suas riquezas, seus feitos, sendo estes quase sempre falatórios e exageros seus; um petulante convencido e vaidoso (Ez 28.1-19).

O que levou Lúcifer a pecar contra Deus? O pecado se originou no querubim Lúcifer. A Bíblia diz que Lúcifer estava num paraíso numa terra coberta de pedras preciosas e, era o ser mais perfeito em sabedoria, mas entrou no seu coração à soberba, o orgulho de querer ser Deus. (Ez 28.119; Is 14.11-15), e foi lançado ao mundo dos mortos (Is 14.15).

O Orgulho: A essência do pecado.
 Sou mais importante: Achar que certas pessoas, ou tarefas estão abaixo da sua dignidade, ou pensar que você é o mais importante que os outros porque você tem uma posição de liderança.

 Quero ser servido: Aceitar uma honra especial como líder e ser servido pelos outros, ao invés de dedicar-se a servi-los.

 Sou melhor: Paulo exorta conta o “considerarmo-nos mais importante do que deveríamos” (Rm 12.3). O orgulho começa a nos dominar quando se consideramos mais importante do que devíamos.

 Deus odeia o orgulho porque ele é a essência do pecado. Satanás caiu por causa do orgulho. (Ez 28.17).

Mateus 23.12 “Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado”.

Teologicamente o pecado atingir as três dimensões humanas: corpo, alma e o espírito.

O homem é formado de três partes distintas em um só (tricotomia). O pecado segundo a Bíblia é a transgressão da lei moral que fere por vez a santidade de Deus.

A. O diabo é quem seduz ao pecado. È o agente da tentação.

“Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? 2. Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, 3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. 4 Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. 6.Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu” (Gn 3.1-6).

B. O pecado atingiu as três partes do ser humano. Corpo, alma e espírito.

* No Corpo: “... a concupiscência da carne...”. “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer...”.

* Na alma: “... a concupiscência dos olhos...”. “... agradável aos olhos...”.

* No espírito: “... e a soberba da vida...”. “... e árvore desejável para dar entendimento...”.

3. Jesus também foi tentado.

Jesus sendo Deus também foi tentado NO ESPÍRITO, ALMA, E CORPO, mas venceu o pecado e o tentador. Compare a tentação de Jesus: Lc 4.1-13 1ª Jo 2.16

A. Pedras em pães “Cobiça da carne”.

B. Reinos da terra “Concupiscência dos olhos”.

C. Pináculo do templo “Orgulho da vida”.

4. O homem é tentado pela cobiça.

Tiago 1.13-15; “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta”. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz ao pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.

5. O pecado separa o homem de Deus.

O pecado tira o homem do meio em que deve viver. O pecado converte luz em trevas, a alegria em tristeza, a vida em morte. O pecado é o maior e mais terrível inimigo do homem. Ele destrói as promessas, mata as esperanças, dá serpentes ao invés de peixes, pedra em lugar de pão, tormento em lugar de prazer. O pecado sempre destrói e nunca edifica; promete e jamais cumpre a promessa. Como dizem as Escrituras: “O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23)

O autor da epístola aos Hebreus exorta à vigilância sobre “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb 12.1). Existe o pecado deliberado (Tg 1.15) e o pecado por omissão (Tg 4.17).

6. Existem três armadilhas Principais de pecado para o crente.

As três áreas de queda de qualquer líder cristão são: o amor pelo sexo oposto (imoralidade sexual), o amor pelo dinheiro (o desejo de se tornar rico), e o amor por posições e proeminência (orgulho).

ERROS A RESPEITO DA SANTIFICAÇÃO

* O próprio Pedro enganou-se a respeito da santificação (At 10.10-15). O que não é santificação bíblica:

Exterioridade: (Mt 23.25-28). Usos, práticas e costumes. Este último, quando bom, deve ser o efeito da santificação, e não a causa (Ef 2.10). (Lições Bíblicas 3º trimestre de 2006 CPAD).

Grande parte dos pentecostais atribuem tradições legadas dos pais, usos e costumes como meio de santificação. Há ministros que ensinam sua igreja dizendo que pecar é transgredir as tradições e regras da igreja. Portanto o próprio Jesus combateu estes ensinos (Mt 15.1-8). Os costumes são hábitos criado pelo homem podendo ser mau ou bom dependendo como ele usa.

IV. PORQUE DEVEMOS SER SANTO

A. Porque já estava nos planos de Deus: Ef 1.4 Paulo diz: “... como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos, irrepreensíveis diante dele em caridade”

B. Porque é à vontade de Deus: 1ª Ts 4.3 Paulo diz: “Pois esta é à vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição. E que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra”.

C. Porque fomos chamados para ser santos: 1ª Co 1.2 Paulo diz: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santo, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso”.

V. PARA QUE SER SANTO

1. Para ver a Deus: Hb 12.14 “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá a Deus”.

Deus é santo e nos recomenda a sermos santo como Ele na verdade é santo. E sem esta santidade ninguém verá a Deus. A santificação é o ato de preparar-se para ver a Deus.

2. Para ser um vaso de honra, santificado e idôneo: 2ª Tm 2.21 Paulo diz: “Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílios para honra, santificados para toda boa obra”.

3. Para anunciar as virtudes de Cristo: 1ª Pe 2.9 diz: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

Nação Santa: Somos um povo que viveremos no mundo, mas separado do mundo, diferente em todos os aspectos; no viver, no vestir, no andar, no falar, no agir, etc.

Somos uma nação santa escolhida para anunciar o evangelho ao mundo. Anunciar as virtudes de Cristo para os pecadores.

VI. COMO PODEMOS OBTER A SANTIFICAÇÃO

1. Deus é quem santifica: 1ª Ts 5.23 “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensível para vinda de nosso Senhor Jesus Cristo”.

2. Observando a Palavra de Deus: Jo 17.17 Jesus diz: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Ef 5.26 Paulo diz: Para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra”. Jo 15.3 Jesus diz: “Vós já estais limpo pela palavra que vos tenho falado”.

A santificação só é possível mediante a obediência integra a Santa Palavra do Senhor.

3. Pela Palavra e a oração: 1ª Tm 4.5 “Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificado”.

A Palavra de Deus serve para nos orientar o caminho certo, nos purificar, lavar e santificar o nosso espírito, alma e corpo para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

A santificação não vem pelos sacrifícios, pela oração, jejum, mas unicamente pela Palavra.

4. Pelo sangue de Jesus: Hb 13.12 “Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta”.

5. Santificado pelo Espírito Santo: 1ª Pe 1.2 “Eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas”. 2ª Ts b “... porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito Santo”.

Somos eleitos, ou seja, escolhido por Deus para vivermos uma vida santifica no Espírito. Fomos lavados, santificados e justificados, em nome de Jesus Cristo e no Espírito Santo de Deus, 1ª Co 6.11. Pregando a Palavra de Deus, seremos agradáveis e santificados pelo Espírito Santo de Deus, (Rm 15.16).

Santidade é uma característica impar de uma nova criatura em Jesus, pois quando nascemos de novo, temos a viva esperança de um dia estarmos com Cristo, mas para vê-lo precisamos estar em constante santificação. A santificação é a essência da vida espiritual em Cristo, pois sem ela não podemos dar bons testemunhos, falar do amor de Deus ao pecador, e não faz sentido algum estarmos em uma igreja sem ela. Sem santidade não veremos a Deus e nem seremos abençoados. Esta é a razão em Pedro nos exorta a sermos santos (1ª Pe 1.16), por que Deus é santo nos pede a santidade, a separação do pecado.

Mas não foi assim que aprendestes com Cristo. Se de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo a verdade em Jesus. No sentido de que, quanto ao trato passado, vós despojais do velho homem, que corrompe segundo as concupiscências do engano.

VII. A SANTIFICAÇÃO REALIZADA NO ÂMBITO DIVINO

1. Através de Deus. “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo, e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1ªTs 5.23-24). A maior motivação para sermos santo é a esperança da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

“E não profanará a sua descendência entre o seu povo, porque eu sou o SENHOR, que o santifico” (Lv 20.15).

2. Através do Filho. “Na qual vontade tem sido santificada pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez”. (Hb 10.10).

3. Através do Espírito Santo. “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. A santificação é a ação do Espírito Santo na vida do crente, separando-o purificando-o para adorar e servir ao Senhor: Tito 3.3-7 “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. 4 Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, 5 não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, 6 que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, 7 a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna”. (1ªPe 1.2).

4. A fé em Deus: At 26.18 “Para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim”.

Está muito claro que o papel do Pai foi planejar o do Filho providenciar e o do amado Espírito Santo é de realizar.

VIII. O PADRÃO DA SANTIFICAÇÃO

A Bíblia sagrada nos apresenta uma série de termos, que vem denotar o padrão da santificação exigido por Deus, veremos alguns a seguir:

1. Irrepreensíveis em santidade. “A fim de que seja a vossa vocação confirmada em santidade, isenta de culpa, na presença de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos”. (1ª Ts 3.13).

2. Sinceros. “Para provardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o dia de Cristo”. (Fl 1.10).

3. Libertos do pecado. “E, uma vez libertos do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Rm 6.18).

4. Morto para o pecado. “De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?” (Rm 2.6).

IX. SANTIFICACAO REALIZADA NO AMBITO HUMANO

1. Através do sacrifício vicário de Cristo.

“Para lhes abrires os olhos e das trevas os converteres a luz e do poder de Satanás a Deus, a fim de que recebam a remissão dos pecados e sorte entre os santificados pela fé em mim”. (At 26. 18).

A. Pela fé vivemos. Rm 1.17

B. Pela fé andamos. 2ª Co 5.7

C. Pela fé somos firmados. 2ª Co 1.24

D. Pela fé combatemos. 1ª Tm 6.12

E. Pela fé somos vitoriosos. 1ª Jo 5.4

2. Através da Palavra de Deus.

“Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra”.(Ef. 5. 26).

A. A palavra do Senhor é pura. 1º Sm 3.1.

B. É lâmpada para nossos pés. Sl 119. 105.

C. É eterna. Mt 24.35.

D. É alimento indispensável para saúde espiritual do homem. Mt. 4.4.

E. É a espada do Espírito. Ef. 6.17.

F. É viva e eficaz. Hb 4.2.

3. Através da dedicação da própria vida.

“Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”. (Rm 12. 12).

A. Em oração (1ª Co 7.5).

B. E jejum (2ª Co 11.27).

C. Em consagração (Ex 29.9).

4. Através da disciplina divina. Hb. 12 1-12

A. Não deve desprezá-la (Jo 5.17).

B. Não deve ser rejeitada (Pv 3.11).

C. Nos torna sábios (Pv 29.15).

D. Somos disciplinados pelo Senhor. 1ª Co 11.32

E. Nos torna participantes da santidade do Senhor. Hb. 12.10

5. Através da aversão ao pecado.
“Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, porque a sua semente permanece nele, e não pode pecar, porque é nascido de Deus” (1ª Jo 3. 9).

A. Causa tristeza. Sl 38.18

B. Causa separação entre o homem e Deus. Is 59.1-2.

C. Causa escravidão. Jo 8.34

D. Causa morte. Rm 6.23

E. Causa endurecimento. Hb 3.13

CONCLUSÃO

Em muitas igrejas hoje, a santificação é chamada de fanatismo. Nessas igrejas falam de união, amor, fraternidade, louvor, mas não falam da separação do pecado. Notamos que as “virgens” da parábola de Mateus 25 pareciam todas iguais; a diferença só foi notada com a chegada do noivo.
Devo lembrar que, sem a santificação ninguém verá a Deus.

Pr. Elias Ribas
Igreja Evangélica Assembléia de Deus
E-mail: pr_eliasribas@yahoo.com.br

quinta-feira, 21 de maio de 2009

COMO O CRISTÃO DEVE SER

Introdução: O cristão deve ser o exemplos dos fiéis, uma luz para o mundo, manso para com todos, um soldado em Cristo, firmes na fé, testemunha fiel de Cristo, um cristão puro e uma nova criatura.

I. EXEMPLOS DOS FIÉIS

1ª Tm 4.12 “Ninguém despreze a tua mocidade. Mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no tato, na caridade, no espírito, na fé e na natureza”. 1ª Pe 2.12 diz: “O vosso procedimento entre os gentios seja correto, para que, naquilo em que falam mal de vós como de malfeitores, observando as nossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação”. Na carta de Tt 2.7 Paulo diz: “Em tudo te dá exemplo de boas obras. Na doutrina mostra integridade, reverência”. Fl 2.14-15 Paulo diz: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas. 15 Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo”.

II. UMA LUZ PARA O MUNDO

Mt 5.14 Jesus diz: “Vós sois a luz do mundo: não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte”. 1ª Jo 2.10-11 diz: “Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. 11 Mas aquele que aborrece seu irmão está em trevas, e anda em trevas e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos”.

III. MANSO PARA COM TODOS

2ª Tm 2.24 “E aos servos do Senhor não convém contender, mas sim ser manso para com todos, apto para ensinar sofredor”. Ef 4.2-3 “Com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando uns aos outros em amor. 3 “Procurando guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz”. Cl 3.12-14 “Revestindo-o, pois, como eleito de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão e longanimidade. Uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei-vos também. 14 E, sobre tudo isso, revestindo-vos de amor, que é o vínculo da perfeição”. Cl 4.6 “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder cada um”.

IV. UM SOLDADO DE CRISTO

1ª Tm 3.2 “Sofre, pois comigo as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo”.

V. FIRMES NA FÉ

1ª Co 16.13 “Vigiai, estai firmes na fé. Portai-vos varonilmente e fortalecei-vos”.
Hb 11.1 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que esperam, e a prova das coisas que não se vêem”.

VI. TESTEMUNHO FIEL

At 1.8 “Mas recebereis virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra”.

VII. DEVEMOS SER PUROS

Ef 4.25,29-31 “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com seu próximo, porque somos membros uns dos outros. 29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. 31 Toda a amargura, ira e cólera e gritaria e blasfêmia e toda malícia seja tirada de entre vós”. Cl 3.5 “Mortificai, pois os vossos membros que estão sobre a terra; a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e avareza, que é idolatria”. Tg 4.4 “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus”.

VIII. DEVEMOS SER UMA NOVA CRIATURA

Cl 3.8-10 “Mas agora vos despojai de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. 9 Não mintais uns para os outros, pois que já vos despistes do velho homem com seus feitos. 10 E vós vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou”. Ef 22.24 “Que quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano. 24 E vos revistais o novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. 2ª Co 5.17 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”.

Conclusão: O cristão é deferente no seu caráter e no seu modo de vida porque ele é santo. E sem esta santidade ele não poderá ver a Deus.

Pr. Elias Ribas
E-mail: pr_eliasribas@yahoo.com.br

COMO IDENTIFICAR UMA SEITA

Conheça as cinco características comuns e marcantes das seitas

Existem milhares de religiões neste mundo, e obviamente nem todas são certas. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que viriam falsos profetas usando Seu nome, e ensinando mentiras, para desviar as pessoas da verdade (Mt 24.24). O apóstolo Paulo também falou que existem pessoas de consciência cauterizada, que falam mentiras, e que são inspirados por espíritos enganadores (1ª Tm 4.1-2). Nós chamamos de seitas a essas religiões. Não estamos dizendo que todos os que pertencem a uma seita são desonestos ou mal intencionados. Existem muitas pessoas sinceras que caíram vítimas de falsos profetas. Para evitar que isto ocorra conosco, devemos ser capazes de distinguir os sinais característicos das seitas. Embora elas sejam muitas, possuem pelo menos cinco marcas em comum:

1. Elas têm outra fonte de autoridade além da Bíblia.
Enquanto que os cristãos admitem apenas a Bíblia como fonte de conhecimento verdadeiro de Deus, as seitas adotam outras fontes. Algumas forjaram seus próprios livros; outras aceitam revelações diretas da parte de Deus; outras aceitam a palavra de seus líderes como tendo autoridade divina. Outras falam ainda de novas revelações dadas por anjos, ou pelo próprio Jesus. E mesmo que ainda citem a Bíblia, ela tem autoridade inferior a estas revelações.

2. Elas acabam por diminuir a pessoa de Cristo.
Embora muitas seitas falem bem de Jesus Cristo, não o consideram como sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nem como sendo o único Salvador da humanidade. Reduzem-no a um homem bom, a um homem divinizado, a um espírito aperfeiçoado através de muitas encarnações, ou à mais uma manifestação diferente de Deus, igual a outros líderes religiosos como Buda ou Maomé. Freqüentemente, as seitas colocam outras pessoas no lugar de Cristo, a quem adoram e em quem confiam.

3. As seitas ensinam a salvação pelas obras.
Essa é uma característica universal de todas as seitas. Por acreditarem que o homem é intrinsecamente bom, pregam que ele pode acumular méritos e vir a merecer o perdão de Deus, através de suas boas obras praticadas neste mundo. Embora as seitas sejam muito diferentes em sua aparência externa, são iguais neste ponto. Algumas falam em fé, mas sempre entendem a fé como sendo um ato humano meritório. E nisto diferem radicalmente do ensino bíblico da salvação pela graça mediante a fé.

4. As seitas são exclusivistas quanto à salvação. Pregam que somente os membros do seu grupo religioso poderão se salvar. Enquanto que os cristãos reconhecem que a salvação é dada a qualquer um que arrependa-se dos seus pecados e creia em Jesus Cristo como Salvador (não importa a denominação religiosa), as seitas ensinam que não há salvação fora de sua comunidade.

5. As seitas se consideram o grupo fiel dos últimos tempos.
Elas ensinam que receberam algum tipo de ensino secreto que Deus havia guardado para os seus fiéis, perto do fim do mundo. É interessante que ao nos aproximarmos do fim do milênio, cresce o número de seitas afirmando que são o grupo fiel que Deus reservou para os últimos dias da humanidade.

Podemos e devemos ajudar as pessoas que caíram vítimas de alguma seita. Na carta de Tiago está escrito que devemos procurar ganhar aqueles que se desviaram da verdade (Tiago 5.19-20). Para isto, entretanto, é preciso que nós mesmos conheçamos profundamente nossa Bíblia bem como as doutrinas centrais do Cristianismo. Mais que isto, devemos ter uma vida de oração, em comunhão com Cristo, para recebermos dele poder e amor e moderação.

Pr. Elias Ribas
E-mail: pr_eliasribas@yahoo.com.br

quarta-feira, 20 de maio de 2009

TRÊS COISAS QUE O OBREIRO PRECISA FAZER BEM

O Senhor, na Sua obra, conta com pessoas que se dediquem dentro daquilo que o Senhor os chamou a fazer (Jo. 15:16; I Pe. 1:12). Todas as coisas para o Senhor devem ser feitas com dedicação, cuidado, respeito, amor (Jr. 48:10), e tudo isso muitas vezes regado com lágrimas e dores como que de parto (At. 20:19; Gl. 4:19).

Paulo sempre falou da necessidade do obreiro ter qualidades, ser preparado, experimentado, esforçado no desempenho do ministério (I Tm. 3:1-16; Tt. 1:5-16).

Escrevendo a Timóteo ele fala de três coisas que todo o obreiro deve fazer bem, e é sobre isto que estarei escrevendo nas linhas posteriores. Não é minha intenção valorizar uma mais do que a outra; todas são de extrema importância dentro do desempenho ministerial, por isso as escrevo na ordem como estão na bíblia. Para a realização de todas elas há necessidade de estar firmado em toda a Verdade. Devido às nossas faltas podemos até ser mais habilidosos em alguma coisa em relação a outra, mas aí vem a humildade (faço referência a esta virtude no final do tópico sobre governar bem) para reconhecermos e aceitarmos aqueles que o Senhor tem colocado ao nosso lado, e assim ser completo, para o bom desempenho de todo o serviço cristão.

“Os presbíteros que governam bem sejam estimados por digno de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e no ensino” – “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” – “Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre bem o teu ministério” (I Tm. 5:17; II Tm. 2:15; 4:5 – ECA – grifo meu).

GOVERNAR BEM: I Tm. 5:17
Governar (no grego proisthmi) em Timóteo é o mesmo que presidir em Romanos 12:8 1. Tem o sentido de estar à frente (de), liderar, dirigir. Pode se referir também a estar preocupado com, cuidar de, ajudar e ainda ocupar-se com, engajar-se em. Tem referência a liderança no lar (I Tm. 3:4s; 12) ou na igreja (I Ts. 5:12; I Tm. 5:17).

Com relação à obra de Deus, o trabalho do Senhor, o sentido ao mesmo tempo em que é amplo, também impõe responsabilidade sobre o que governa; exigindo capacidade e preparo que vem pela graça aliada ao esforço pessoal diante do Senhor. Veja que Paulo diz “Temos diferentes dons, segundo a graça que nos é dada” (Rm. 12:6). A capacidade de governar, presidir, está entre o que podemos chamar de ‘dons do serviço’, os outros são exortar, repartir, presidir, usar de misericórdia. A graça é ampla: pela graça somos salvos (Rm. 5:15,18; 11:6; Ef. 2:5,8,9; Tt. 2:11) e pela graça servimos (Lc. 2:52; Rm. 1:5; I Co. 15:10; Ef. 4:7; Hb. 12:28).

A responsabilidade de todo o obreiro na seara do Senhor é totalmente com as coisas do Senhor, por ordem do Senhor, para o Senhor. Governar bem tem amplo alcance, envolve administração, cuidado, mordomia cristã, despensa cristã (I Co. 4:1-2; Tt. 1:7; I Pe. 4:10).

Paulo, escrevendo a Timóteo refere-se aos presbíteros, isto é, os anciãos. A palavra presbítero já denota homem maduro, experiente, capaz. Porém Paulo faz menção daqueles que governam e acrescenta ainda com ênfase aos que trabalham na palavra e no ensino. Isto dá a entender que o presbítero – aquele que governa – deve estar intimamente ligado à Palavra e buscar em Deus a aptidão para o ensino, já que para isso deve haver uma dedicação pessoal (Rm. 12:7). É importante notar a importância da Palavra e do ensino no desempenho da liderança; os que assim procederem são merecedores de duplicada honra; só se chega ao objetivo de uma boa liderança eclesiástica se o obreiro estiver de acordo com a Palavra de Deus. Quando se distancia da Palavra corre-se grande perigo (I Sm. 13;13).

CRISTO GOVERNOU BEM
Olhando para os evangelhos e as cartas, temos em Cristo o exemplo perfeito a ser imitado, não há ninguém comparável a Ele. O escritor aos Hebreus diz que “Ele foi fiel ao que o constituiu [...]” (Hb. 3:1-3).

Cristo é o exemplo perfeito para todas as coisas concernentes a obra do Senhor (Jo. 15:5; I Co. 11:1; Ef. 5:1). Cristo teve o cuidado de fazer o que o Pai mandava (Jo. 5:19; 7:16; 8:28,29; 9:4; 14:31); deu importância à Palavra, ao discipulado, ao ensino (Jo. 4:41,42; 5:39; 6:60); tinha compaixão das multidões por causa das doenças físicas e também por causa do desgarro espiritual e procurava alimentá-las tanto espiritualmente quanto fisicamente (Mt. 9:27-29,36; 14:13-21; 15:29-39; Mc. 8:1-13; Jo. 6:1-15); era afetivo (Mt. 8:3; 19:13-15; Lc. 5:13); tinha intimidade com os doze (Mt. 13:10-11; Mc. 4:10-12; Jo. 6:67-68; 15:15); tinha cuidado com as finanças (Mt. 22:15-22).

Através do exposto acima vemos que Cristo governou bem, com sabedoria, com prudência. Ele esteve junto, liderou na direção do Espírito Santo, se preocupou, ajudou, empenhou-se; Ele jamais teve a despensa vazia (Mt. 7:29; 13:52), pois estava em constante comunhão com o Pai. Sem dúvida alguma, Ele é o exemplo perfeito a ser seguido!

OS APÓSTOLOS GOVERNARAM BEM
Os Apóstolos procuraram governar segundo o que tinham aprendido com o Mestre. Foram eles discipulados por Cristo, e desejaram seguir o exemplo de Cristo deixado em todas as circunstâncias (Jo. 13:15).

Eles tiveram o cuidado de conduzir a igreja dentro do verdadeiro ensino da Palavra, e quando surgiu problemas com relação às questões sociais tomaram uma atitude na direção do Espírito Santo, e dessa forma não deixaram perecer nem uma nem outra coisa (At. 6:1-7).

Paulo teve o cuidado de levar bem-estar para as igrejas. Era um homem preocupado com o bom andamento da obra de Deus em todos os sentidos. Procurou ele não somente dar instruções como também praticar o que ensinava. Defendia o apostolado em sentido amplo, isto é, não somente o dele, mas dos demais Apóstolos (verdadeiros) (I Co. 9:3-14); procurou se portar com as igrejas pobres de forma a não ser pesado a elas (At. 18:1-3; II Co. 11:8-9; 12:16-17; I Ts. 2:6,9) – nesse tempo em que as ambições materiais andam no coração de muitos ‘obreiros’, seria muito bom que esses ‘obreiros’ olhassem com acuricidade (cuidado) e temor para tais registros. Paulo teve muito cuidado com relação às finanças; quando recolhia ofertas, procurou não se envolver com dinheiro (I Co. 16:1-4), conquanto pedisse ajuda aos mais abastados para socorro dos mais pobres (II Co. 8:1 – 9:1-15). Paulo deu o exemplo também com relação ao ensino, a doutrina bíblica, ao ministério da Palavra (At. 20:18-21, 24-27; Rm. 1:8-12; Gl. 1:12; 5:16; Ef. 3:4; 14-21; I Tm. 3:2; II Tm. 4:1-2), na verdade, todas as suas cartas são cartas doutrinárias, umas endereçadas às igrejas, outras a obreiros, porém todas contendo instruções de fundamento doutrinário para edificação das igrejas e para aperfeiçoamento dos obreiros. Paulo tinha o cuidado de não ir além do que está escrito (I Co. 4:6); sabia colocar as experiências no devido lugar, jamais diminuindo a Palavra por causa de experiências (Gl. 1:8). Por isso a recomendação paulina de que “[...] sejam por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e no ensino” (I Tm. 5:17).

Tiago, em sua epístola, traz conselhos práticos e repreensões fortes com relação à vida cristã. Sendo o Evangelho um modo de vida (Gl. 5:25), mostra-nos que abraçando-o pela fé deve se ter a disposição de vivê-lo intensamente sob a graça divina (Cl. 3:1-2). O ato de governar muitas vezes é colocado em prova diante do modo prático de se viver o evangelho. É assim que Tiago procura trazer aos cristãos as devidas responsabilidades espirituais, levando-os, ainda que num estilo forte, a refletir sobre as várias facetas do viver prático em Cristo. O assunto que estou debatendo é o governar bem, e para se chegar a tal objetivo dentro do plano divino é necessário se tomar posições mais firmes dentro de várias necessidades enfrentadas. Não podemos esquecer que o objetivo de Cristo é conduzir-nos a estatura de varão perfeito (Ef. 4:13; Cl. 1:28), e isto muitas vezes nos leva contrastar a teoria cristã com a prática, eis porque Tiago faz alusão contrastando a humildade com a fragilidade das riquezas (Tg. 1:9,10); exorta com relação ao ser tentado e como o caminho do pecado é sutil e mortal, mas que tudo o que é prefeito vem do Pai das luzes (Tg. 1:13-18). Em Tiago temos o conselho perfeito e a exposição prática de que governar bem, em muitas vezes exige posição firme, porém centrada no objetivo bíblico do crescimento espiritual (Tg. 1:2-4), com uma preocupação sadia por parte de quem governa, para levar o rebanho a viver plenamente o evangelho de Cristo em santificação. O objetivo aqui não é uma análise do livro de Tiago, por isso o conselho de que se leia com atenção e oração para entender sob a ótica do Espírito Santo a profundidade teológica deste livro. Isto acrescentará e muito para todo aquele que deseja governar bem.

As epístolas de Pedro também trazem profundidade bíblica para o bom desempenho do trabalho do presbítero – é importante notar que Pedro se intitula como servo e Apóstolo (II Pe. 1:1) – veja bem: primeiro servo, depois Apóstolo – e realmente era. Pedro mostra como deve ser o bom procedimento cristão, faz forte referência sobre a vida familiar, não deixando de trazer o ensino teológico sobre a Pessoa de Jesus e o apascentamento do rebanho de Deus. A segunda carta ocupa-se inteiramente com o ensino teológico e teocêntrico com relação à vida cristã, aos falsos mestres e o Dia do Senhor. Aquele que governa bem tem a responsabilidade de despertar pensamentos puros na mente da igreja (II Pe. 3:1; cf. Fp. 4:8).

O Apóstolo João, presbítero (II Jo. 1; III Jo. 1), também fala sobre a amplitude do evangelho de Cristo. Ocupa-se ele a trazer para a igreja, a senhora eleita, ensinos práticos, e também profundamente teológico e teocêntrico para edificação espiritual. Fala de verdades profundas sobre o amor, o viver na luz, as questões doutrinárias (destes últimos dias) contrárias à bíblia – os anticristos e os falsos espíritos –, e por fim da necessidade e da alegria que produz o andar na Verdade, para quem faz como para quem ensina.

Por fim Judas traz em sua breve epístola, a necessidade, para aquele que governa, de que deve estar intimamente ligado com toda a Verdade doutrinária bíblica. Assim conduzirá a igreja pelo caminho da Verdade, livrando-a de cair nas garras dos falsos mestres e, através do ensino edificá-la sobre a santíssima fé em oração (v. 20).

Esse breve relato tem por objetivo vermos a importância que tem o preparo para o presbítero – o obreiro. Pois não temos somente seus escritos, mas também o exemplo de que governaram bem sobre o rebanho do Senhor. Só governa bem aquele que estiver alicerçado em toda a Verdade. O Senhor é poderoso para suprir as necessidades de cada um, pois cada pessoa tem suas individualidades, suas competências, dificuldades, virtudes e capacidades; o Senhor sabendo disso, dispõe a cada um a virtude chamada humildade para ver e ocupar aqueles que o Senhor colocou ao seu lado com diferentes dons (Rm. 12:6a) a fim de auxiliar-lhe, pois governar bem não significa governar sozinho (Ex. 18:1-27; Js. 2:1; Jz. 4:4,6,18-24; 6:11; 7:4-6; II Rs. 22:8-11; Ed. 7:25; At. 14:21-23; I Co. 4:17; 16:10; 12:27-29; Ef. 4:11; Cl. 4:7-9; I Tm. 1:3-4; II Tm. 2:2; Tt. 1:5). Podemos ver assim que governar bem glorifica o nome Deus e edifica a igreja; enquanto que governar sozinho denota domínio (controle completo, assenhorear-se, ser senhor), o que não cabe ao servo do Senhor, e não edifica o Corpo de Cristo (II Co. 1:24; I Pe. 5:2-3).

O servo do Senhor para governar bem deve buscar no Senhor visão ampla (I Rs. 3:9), conhecer-se a si mesmo (I Rs. 3:7) e, em Cristo, buscar as habilidades necessárias para governar bem, segundo o que o Senhor quer (Rm. 12:3,6a; I Co. 1:1:6-11; 4:1-2; II Co. 11:6; I Tm. 4:15; II Tm. 1:6-7; 2:1-7; Tt. 1:5; 2:1; 3:8; Tg. 1:5-6).

MANEJA BEM A PALAVRA DA VERDADE – II Tm. 2:15
A Palavra de Deus é a Verdade Suprema. É por ela que conhecemos como o mundo foi formado; sabemos a origem de todas as coisas criadas por Deus; a Palavra é um dos meios da revelação de Deus aos homens. A importância e o objetivo da Palavra são proferidos pelo próprio Deus aos instruir Moisés: “Disse mais o Senhor a Moisés: escreve estas palavras, pois conforme o teor destas palavras fiz aliança contigo e com Israel” (Ex. 34:27).

É pela Palavra que conhecemos a respeito da nossa queda e também do meio de redenção em Cristo; por ela somos instruídos no conhecimento de Jesus Cristo; e ouvindo-a somos despertados na fé para a salvação (Rm. 10:17). A Palavra de Deus é de profundeza imensurável (Rm. 11:33), revelada pelo Espírito Santo (I Co. 2:10).

Deus é sábio. Ele sempre escolheu homens para propagarem a Sua verdade ao mundo. Ele poderia ter escolhido os anjos, pois para isso atentavam (I Pe. 1:12), mas ele preferiu homens, a Sua escolha é soberana. Por mais que sejamos falhos, tenhamos pecado, somos profundamente limitados; para Ele isso não importa, ele nos escolheu, nos chamou para salvação e para o serviço, nomeando-nos para frutificarmos a favor do Seu reino.

ATENÇÃO! TOMEMOS CUIDADO
Neste tópico estarei falando sobre manejar bem a Palavra da verdade. Essa recomendação exortativa é aplicada diretamente a todo aquele que deseja ou está inserido como ministro do Evangelho (I Tm. 3:1-2).
Para exercermos qualquer profissão precisamos de empenho, dedicação, qualificação, interesse, crescimento, atualização; quanto mais para lidar com as coisas eternas! A exigência é muito maior – não importa se ignoramos isso – a verdade é que Deus quer que todo obreiro maneje bem o importantíssimo instrumento deixado, para dele fazer uso em todas as circunstâncias da batalha – a Palavra da Verdade.

Estamos vivendo uma época muito difícil no meio religioso mundial. A Palavra de Deus tem sido usada com tanta irresponsabilidade que por vezes ficamos estupefatos diante de tantas aberrações e inovações que estão forçosamente sendo justificadas como doutrina bíblica.

Hoje se toma em mãos a Palavra de Deus para escrever livros sobre as mais diversas áreas do conhecimento: é sobre liderança empresarial, psicologia, modelos de empreendimentos, como aumentar a receita capital de empresas, como determinar-se para se dar bem na vida, e por ai vai. São usos totalmente alheios e de nenhum compromisso com a Palavra da Verdade.

Pior do que isso, são as aberrações surgidas dentro do meio evangélico, temos visto doutrinas levantadas por ‘líderes espirituais’ e por ‘igrejas’ com base em experiências – “Devemos dar destaque primeiramente ao conteúdo, depois ao conteúdo e novamente ao conteúdo. Esse conteúdo precisa ter como base a revelação proposicional feita nas Escrituras, e toda a nossa liberdade sob a liderança do Espírito Santo deve estar enquadrada nos padrões delineados pela Bíblia. Precisamos ressaltar que a base de nossa fé não é nem a experiência nem os sentimentos, mas a verdade concedida por Deus, verbalizada, proposicional nas Escrituras, a qual acima de tudo, aprendemos com nossa mente, embora, é claro, o homem como um todo deva tê-la como fundamento”. (Schaeffer apud Deivinson Gomes Bignon – livro Voltando para a bíblia – 2002. Versão on-line), e estas sendo encaixadas a qualquer modo e de qualquer jeito dentro do contexto bíblico. Não se tem respeito a exegese e a hermenêutica bíblica, quanto mais a Verdade esposada nas Escrituras. Pois quem ignora essas duas ferramentas para a interpretação da bíblia, está deliberadamente aceitando todas as inovações e/ou inverdades que tem se fundamentado na Palavra de Deus, e ainda as propagando para o rebanho.

1. Com ‘base bíblica’ muitos estão invertendo os papéis, colocando Deus na obrigação de me dar tal ou tal coisa, me responder em até tantos dias (ou horas), para isso tem tomado mão do determinar – eu determino e Deus tem que fazer. A base para tal aberração é o uso errado do termo grego aiteõ, que dizem significar “exigir” ou “determinar”, mas na verdade significa atitude suplicante diante de Deus. O cristão deve ter diante de Deus uma atitude de humildade e dependência (Mt. 7:7,8; Jo. 14:13; 15:16; Dt. 10:12; Mq. 6:8). Em Filipenses 4:6 Paulo faz referência à súplica para levarmos diante de Deus nossas necessidades. Ele não escreveu para determinarmos alguma coisa com relação às ansiedades da vida. Davi e Pedro concordam com relação ao descansar no Senhor (Sl. 55:22; I Pe. 5:7), lançar sobre o Senhor as nossas ansiedades denota confiança, enquanto que determinar denota autoridade, porém o cristão não tem autoridade sobre Deus.

2. Veja o que disse o ‘pregador astro’ Benny Hinn: “Nunca, jamais, em tempo algum, vá ao Senhor e diga: ‘se for da tua vontade ...’ Não permita que essas palavras destruidoras da fé saiam de sua boca”. Pergunto: estaria Jesus errado? (Mt. 6:10; Lc. 22:42; Jo. 5:30; 6:38; Hb. 10:7), e os Apóstolos também? (At. 21:14; Rm. 12:2; II Co. 12:7-10; Ef. 5:17; 6:6; I Ts. 4:3; 5:18; Hb. 10:36; 13:21; Tg. 4:15; I Jo. 2:17).

3. Ainda com ‘base bíblica’ tem se cultuado a anjos. É anjo pra todo lado, é anjo forte e até tem surgido a troca de anjo, pois agora acharam o anjo fraco que deve ser trocado (barganhosamente) por um anjo mais forte. Tomamos cuidado! Os gnósticos adoravam aos anjos (Cl. 2:18); e há anjos caídos que se transformam em anjos de luz para enganar (II Co. 11:13,14). Muitas vezes sutilmente tem se dado mais ouvido às palavras de anjos do que à Palavra da Verdade (Jo. 12:28-30; Gl. 1:8; I Rs. 13:18).

4. A obra da cruz tem sido anulada. Não foi Cristo que venceu na cruz como diz a bíblia. Outro ‘astro dos púlpitos evangélicos’, Kenneth Copeland, declarou: “Satanás venceu Jesus na Cruz”. Mas o que dizer da Palavra da Verdade? (I Co. 1:18; Cl. 2:15; Hb. 2:14,15; Fp. 3:18).

5. A estratégia satânica, “sereis como Deus”, continua em alta – usando como base textos isolados (Sl. 82:6; II Pe. 2:4) tem se afirmado que o homem é um pequeno deus, veja o que disse outro ‘grande pregador’: “você não está olhando para Morris Cerullo – você está olhando para Deus, está olhando para Jesus”. Coincidência? (leia: Mt. 24:4-5; cf. Mt. 7:21-23).

Podemos perguntar: não são todos ‘grandes’ teólogos? Sim. Porém tenhamos cuidado com o evangelho em que a teologia é o centro, pois para o verdadeiro cristão o que vale é o evangelho cristocêntrico, isto é, Cristo como centro e não a teologia como centro, pois se a teologia não estiver de acordo com a Verdade, não é verdade (II Pe. 1:20-21). Exemplo? Teologia romanista; teologia adventista; teologia da torre de vigia (Testemunhas de Jeová); teologia da prosperidade; teologia espírita; etc.

O obreiro deve ter muito cuidado com isso: “Meus irmãos, não sejais muitos de vós mestres, sabendo que receberemos um juízo mais severo” (Tg. 3:1) – pense bem antes de se lançar afoitamente para manejar a Palavra perante a Igreja, a Noiva amada. O senhor tem muito zelo por Sua Noiva (Ef. 5:25-27).

Conforme exposto acima concluímos que quão grande é o desafio para manejar bem a Palavra da Verdade nos dias de hoje. As igrejas estão cheias de inovações e modismos, e são poucos (pouquíssimos) os pastores que tem se posicionado de forma bíblica contra estas coisas – é preferível deixar a coisa correr em nome das experiências. O povo quer, fazer o quê? Devido a isso elas vão entrando, tomando lugares privilegiados nos cultos e, pior ainda, no coração dos crentes. Insisto de que a responsabilidade é dos que estão à frente das igrejas, os que estão liderando, colocados por Deus (nem sempre) para cuidar do rebanho (At. 20:20,21,26,27; I Co. 2:6-8; II Co. 11:6; Gl. 1:10,11; Ef. 4:17-16; I Tm. 4:16; II Tm. 4:1-5). Se estes falham pouca esperança resta (II Cr. 15:3; Is. 28:7; Ez. 44:10-14; Mq. 3:11; Ml. 2:7-9; Mt. 13:52; Lc. 10:31). Contudo não podemos ignorar a solitária voz que clama no deserto (Ez. 44:15-16; Lc. 3:1-9) – a minha firmeza é que a Igreja pertence ao Senhor e Ele amorosamente cuida dela.

Infelizmente essas coisas têm distanciado os crentes da Bíblia. De uma forma sutil está acontecendo o que declaradamente a Igreja Católica Romana fez em tempos passados: proibir o povo de ler a bíblia. Exagerei? Veja bem: é conferido na Bíblia tudo o que é ouvido nos púlpitos? Quem questiona os ‘grandes homens’ de Deus, suas ‘revelações’ e inovações? Quem confronta com a Bíblia as pregações e acontecimentos de um culto? Deus deu à Igreja meios eficazes para julgar e discernir todas as coisas, o pastor Ciro aponta alguns 3: julgamento segundo a reta justiça; (Jo. 7:24); teste pela Palavra de Deus (At. 17:11; Hb. 5:12-14); sintonia do corpo com a Cabeça (Ef. 4:14,15; I Co. 2:16; I Jo. 2:20,27; Nm. 9:15-22); Dom de discernir os espíritos (I Co. 12:10,11; At. 13:6-11; 16:1-18); bom senso (I Co. 14:33; At. 9:10,11); nos caso de profecia, cumprimento da predição (Ez. 33:33; Dt. 18:21,22; Jr. 28:9), se bem que só o cumprimento não é suficiente para autenticá-la (Dt. 13:1,2; Jo. 14:23a); vida do pregador, profeta ou milagreiro (II Tm. 2:20,21; Gl. 5:22).

Aquele que maneja bem a Palavra da Verdade deve pensar seriamente, debruçado na Palavra, sobre estas coisas.

“PROCURA APRESENTAR-TE A DEUS APROVADO...”
Procura fala de diligência ministerial, zelo persistente. Deus nos escolhe de forma geral para frutificarmos (Jo. 15:16) e de forma específica para o desempenho ministerial (I Co. 12:4-7; Ef. 4:11; II Tm. 1:6), segundo a graça (Rm. 12:6a; I Co. 15:10). A diligência do obreiro com relação às coisas de Deus faz parte do preparo necessário para o desempenho ministerial.

Jesus sendo Deus-homem teve o cuidado de crescer na graça e no conhecimento (Lc. 2:52); Jesus venceu as sutis investidas do inimigo por que conhecia a Verdade (Mt. 4:1-11), debatia com os religiosos da época por que tinha conhecimento de toda a Verdade. Paulo também é exemplo (Gl. 1:11,12,18), o versículo 18 diz que Paulo subiu a Jerusalém para ver a Pedro. A estada de Paulo com Cefas foi um aprendizado sobre a nova fé. A palavra istorew significa aprender sobre; visitar para conhecer melhor, “visitar lugares ou pessoas” 4. Podemos ver nestes textos que Paulo teve e revelação do Evangelho, mas também procurou ter conhecimento sobre as coisas relacionadas às igrejas e a propagação do Evangelho.

Para Timóteo Paulo escreve: “persiste em Ler” (I Tm. 4:13). A palavra persiste, no original, está no tempo presente e aponta para uma ação contínua, implicando também “preparação particular previa” 5. Ler é uma atitude de diligência pessoal para apresentar-se diante de Deus aprovado e também aponta para o poder de expor corretamente. Muitos hoje têm baseado seu preparo em DVD’s de ‘grandes pregadores’ e dessa forma ensaiam pregações em frente das telas e na igreja aplicam seus ‘conhecimentos e habilidades’ em movimentos pentecostais, ou melhor, modismos ‘pentecostais’; estudos e esboços preparados por outros, etc. Não é essa diligência que Deus quer (Tt. 1:5,9; Tg. 1:5,6; II Pe. 1:3-9; I Jo. 1:1-4), mesmo que isto não é diligência, mas sim preguiça, o que denota relaxamento em fazer a obra. Não sou contra o uso de recursos que estão a nossa disposição, mas negligenciar a Palavra da Verdade é erro grave. O ministro deve ser amante em primeiro lugar da Palavra, tem o direito em valer-se de vários recursos existentes, porém analisando se todas as coisas estão conformes à luz da Palavra da Verdade. Paulo era amante dos livros, mas não negligenciou em momento algum os pergaminhos, provavelmente, neste caso, as Escrituras do Velho Testamento (II Tm. 4:13).

Moisés teve grande diligência em fazer as coisas referentes ao Tabernáculo conforme o modelo do Senhor (Ex. 25:9; 26:30; 31:11b). Para Josué o principal conselho era a diligência com a lei (Js. 1:7-8). Josias teve grande diligência com o livro de lei (II Re. 22:1-20 – 23:1-30). Artaxerxes reconhecia Esdras como “escriba da lei do Deus dos céus” e homem com sabedoria de Deus (Ed. 7:21,25; cf. Ne. 8-9).

O obreiro precisa ter diligência e zelo com relação à Palavra da Verdade, pois o Senhor é poderoso para dar entendimento, e sabedoria, e poder no Espírito para a propagação de toda a Verdade segundo toda a Verdade (I Co. 2:1-5; cf. Ex. 31:1-11).

“MANEJA BEM A PALAVRA DA VERDADE”
A procura diligente em apresentar-se aprovado levará, sem dúvida alguma, o obreiro a manejar bem a Palavra da Verdade. Para manejar bem é necessário muito estudo aliado a oração.

O ato de manejar está intimamente ligado ao uso correto da hermenêutica e exegese bíblica. Manejar, no original grego é orqomew e tem a idéia de “cortar uma linha reta, cortar uma estrada reta. A metáfora pode ter as seguintes realidades como base, fazer uma linha reta com o arado; construir uma estrada em linha reta, ou um pedreiro cortando uma pedra para colocá-la em seu lugar próprio, ou, ainda, o corte de um sacrifício ou alimento para uso da casa” 6.

É importante termos em mente (e no coração) que a Palavra de Deus não é um livro para ser usado ao bel prazer do obreiro, isto é, como ele quer. Não é um quebra cabeça de se ajuntar peças daqui ou dali para ver a figura que vai dar. A Palavra tem uma linha a ser seguida.

É necessária a busca, por parte do obreiro, pelo conhecimento de toda a Verdade. Graças a Deus, temos hoje, de fácil alcance, à disposição, vários recursos que no passado eram tão difíceis. Hoje não é difícil fazer um curso teológico, não é difícil estudar sobre as línguas originais e se não puder ter conhecimento profundo das mesmas, pelo menos se ter uma boa base para fazer uso quando as circunstâncias exigirem. Não é difícil estudar hermenêutica, ferramenta por demais importante para qualquer estudante da bíblia. São bastante amplas as facilidades hoje existentes para o estudo (contudo devemos ter o cuidado com quem estamos aprendendo e a origem de tal e tal escola e/ou ensino).

Estamos vivendo hoje o tempo das coisas rápidas, tudo é rápido hoje. Porém para o conhecimento, principalmente da Palavra, com o objetivo de manejar bem, não é tão rápido assim. Exige estudo, dedicação, comparação, pesquisa, humilhação, dependência, etc. No sentido mais profundo da palavra fazer, não é possível se fazer um obreiro da noite para o dia (I Tm. 3:6), mas infelizmente isto está acontecendo em grande demanda no meio evangélico. Só um exemplo: basta ir alguém pregar no exterior, que na volta, ele já se intitula como conferencista internacional; daí diz que saiu da roça, onde ninguém o conhecia, era o menor e Deus o colocou em tal posição – Quanta invencionice! Quanta bobagem! – É uma falsa humildade em nome de outros interesses. Amós saiu detrás dos bois, mas nunca deixou de falar toda a Verdade (Am. 7:10-17), e jamais arrogou para si direito algum sobre qualquer título de importância humana; pagou o preço por ser Profeta do Senhor.

1. Para manejar bem é preciso seguir a Cristo (Mt. 4:19): temos que ter o cuidado de estar aos pés de Cristo, isto é, ser humilde diante do Senhor, pois é Ele que exalta (Tg. 4:10; I Pe. 5:6). Os discípulos aprenderam ouvir ao Senhor, ver Seu exemplo, andar em seus passos, caminhar conforme Ele caminhava. Como poderemos fazer isso hoje? Examinado a Palavra (Jo. 8:39). É a Palavra que testifica de Cristo, é nela que encontramos todas as coisas a respeito dEle, examinando a Palavra estaremos seguindo a Cristo. Se a mensagem do obreiro não tiver Cristo como centro, é porque ele não está seguindo a Cristo. Fala sobre a Palavra de Cristo, mas não vive na prática o seguir a Cristo. A primeira pregação pentecostal teve a Palavra como centro, exaltou a Cristo (At. 2:14-36); a pregação de Estevam apontava para Cristo e a obra do Espírito Santo em Israel (At. 7:1-60); a mensagem de Paulo e dos demais Apóstolos era centrada na obra da cruz (I Co. 1:18; Gl. 1:3-5; 5:1; Ef. 1:3-10; Tm. 2:1, 8-13; Hb. 1:1-4; I Pe. 1:13; I Jo. 1:1-4).

2. Para manejar bem é preciso depender do Espírito Santo (Jo. 14:26; 16:13): hoje há muita coisa acontecendo e sendo atribuída como obra do Espírito Santo, no entanto não é. O Espírito Santo jamais a de ir contra a Palavra, contra as Escrituras. Jesus disse que “Ele não falará de si mesmo”, o Espírito Santo está em sintonia com a Trindade, pois Ele é a terceira Pessoa da Trindade. Pode ter certeza, Ele não faz coisas confusas, Ele não inventa, Ele não cria modismos – o Espírito Santo não faz ninguém rugir como leão, latir como cachorro, uivar como lobo, serpentear pelo chão, cair no ‘espírito’ (digo cair e não prostrar-se diante da glória do Senhor, em humilhação e adoração II Cr. 5:13-14; Ez. 1:28; Ap. 1:17); o Espírito Santo não traz nova unção, nova revelação, unção do leão, unção fresca. Se todas estas coisas podem ser atribuídas ao Espírito Santo, não poderemos negar (mesmo que com base na Palavra) que o movimento carismático no meio do catolicismo romano seja do Espírito Santo também, mesmo que estejam abraçados a idolatria. Pois falam em línguas estranhas, curam, profetizam; vi um dia num programa na televisão um padre profetizando cura para um caso específico que disse ter-lhe sido revelado naquele momento. Tomemos cuidado! (Mt. 7:21-23). Paulo falou aos coríntios lhes chamando de carnais, conquanto jactavam-se estar cheios do Espírito (I Co. 3:1).

Depender do Espírito Santo é fundamental para manejar bem. O obreiro que depende do Espírito Santo não fala de si mesmo, mas fala segundo a Verdade; não traz outro evangelho em nome de experiências próprias (Gl. 1:8), mas fala segundo o que está nas Escrituras. João refutando os ensinos heréticos de seu tempo, e extensivo a nós, disse que o Espírito ensina, Ele é a unção que está sobre todo o crente (I Jo. 2:20,27). Somente o Espírito Santo é capaz de penetrar as profundezas de Deus (I Co. 2:10); veja que Paulo teve revelação pelo Espírito Santo, porém nunca trouxe modismos e confusões. O obreiro que está em sintonia com o Espírito Santo faz as coisas conforme Ele quer, maneja bem a Palavra da Verdade porque está cheio do entendimento e sabedoria do Espírito Santo; Paulo jamais oraria para igreja ter o que ele mesmo ainda não tinha (Ef. 1:15-17; Cl. 1:9-14), por estas passagens vemos que Paulo era um homem cheio de entendimento, sabedoria e tinha a revelação dada pelo Espírito Santo.

3. Para manejar bem é preciso ter coragem (II Tm. 4:1-5): não é necessário falar muito sobre este item. Diante do que vimos acima acredito que quem segue a Cristo e depende do Espírito Santo certamente terá a coragem necessária para a propagação de toda a Verdade.

Estamos vivendo o tempo descrito como tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas não importa, a exortação dada pelo Espírito Santo é “prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda a longanimidade e ensino”. Não estou falando de uma coragem bruta, mas sim, no poder e autoridade do Espírito Santo. Paulo diz que por mais que seja um tempo assim, é necessário ser longânimo, sóbrio, sofredor. O obreiro sempre tem um preço a pagar, e parece que à medida que chega o fim dos tempos mais perto do fim mesmo, o preço aumenta.

Pregar a são doutrina nos tempos hodiernos parece ser coisa de outro mundo, pois estamos no tempo de ‘novas revelações ou divinas revelações’, que contrariam a Palavra da Verdade. Mas é o que deve ser pregado a tempo e fora de tempo, não importa se o obreiro seja tachado como fora de época ou esteja indo na contramão de ‘grandes homens de Deus’ (II Co. 11:5,13), o importante é estar dentro do plano de Deus e fazendo o que lhe agrada (Lc. 12:43; At. 20:24).

CUMPRE BEM O TEU MINISTÉRIO – II Tm. 4:5
Ministério aqui se refere obra a ser feita dentro do chamado do Senhor. Tudo o que escrevemos até aqui denotam a responsabilidade com relação ao ministério. Creio que se obreiro estiver em sintonia com a sã doutrina, empenhado em anunciar toda a Verdade já estará em caminho de cumprir bem o seu ministério. Ninguém conseguirá cumprir bem se começar a negligenciar nas coisas básicas da fé cristã, e para isso, precisamos atentar com acuricidade para toda a Palavra da Verdade.

Dando uma olhadinha no Velho Testamento temos a descrição de homens que cumpriram bem com suas responsabilidades diante de Deus. A Palavra de Deus diz que Moisés foi fiel em toda a sua casa (Hb. 3:2), isto é, Moisés teve o cuidado de conduzir o povo de Deus em toda a lei, pois foi por meio dela que Deus fez aliança (Ex. 34:27). Detendo-se um pouco no Pentateuco chegaremos a profundos conhecimentos e exemplos para o bom desempenho ministerial. Temos ali o início do sacerdócio; a profecia; a verdadeira instrução com relação a todas as coisas de Deus concernentes a Israel para aquele tempo, com relação ao serviço a Deus. Enfim, a riqueza é muito grande.

Josué foi também uma grande líder em Israel. Procurou ele servir a Deus com fidelidade e diligência, reconhecendo que Deus havia feito todas as coisas, sendo ele apenas servo no cumprimento do propósito divino (Js. 23:1-3).

Samuel foi um sacerdote de ilibada conduta, conduziu o povo com sabedoria e dentro do plano divino; procurou levar o povo a ter maturidade com relação às coisas espirituais (I Sm. 7:1-6), e no final de seu ministério teve o testemunho da própria nação “[...] em nada nos fraudaste, nos oprimiste, nem tomaste coisa alguma da mão de ninguém” (I Sm. 12:4). Foi um homem de profundeza de caráter e acima de tudo temia ao Senhor sobremaneira.

Poderíamos citar muitos outros do Velho Testamento, mas cabe também uma pesquisa pessoal a quem deseja conhecer a vida dos reis, profetas e sacerdotes. Como eles agiram, o que fizeram, como se apegaram ou rejeitaram ao Senhor – é algo valioso para estudo, empenhe-se e Deus te abençoará.

Todo obreiro tem um ministério a cumprir. Cabe a cada um descobrir diante do Senhor o que Ele quer que faça. Paulo disse que importava cumprir com alegria a carreira e o ministério recebido do Senhor (At. 20:24). Paulo foi o homem que levou mais longe o Evangelho, era o ministério dele. Envolvia viagens missionárias, abertura de igrejas, colocação de obreiros, no seu dizer, eleição de anciãos (At. 14:21-23). Assim chegou ele ao final e pôde dizer “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (II Tm. 4:7).

O cumprimento do ministério de Timóteo se deu em meio a fortes combates, e isto contra ‘mestres’ do conhecimento (II Tm. 4:3), mas não deveria ele recuar, pois tinha visto em seu pai (I Tm. 1:2; II Tm. 1:2) combate semelhante (Fp. 1:30; II Tm. 2:3), o que deveria servir-lhe de exemplo para cumprir bem seu ministério.

Para cumprir bem o ministério é necessário estar fortificado no Senhor; sofrer as aflições como bom soldado; não se embaraçar com coisas fora do ministério ou que venha denegrir o caráter ministerial; lutar com legitimidade (II Tm. 2:1-13); pregar a Palavra; admoestar; repreender; exortar; ter sobriedade (II Tm. 4:1-5); entre outras coisas esposadas nas Epístolas.

Pedro também procurou cumprir bem seu ministério, tendo integridade ministerial e deixando exemplo para ser lembrado e praticado após a sua partida (II Pe. 1:15); João igualmente tinha cuidado no cumprimento ministerial sempre apontando para Cristo (I Jo. 5:13). Além da história bíblica temos o testemunho da história o cristianismo sobre os Apóstolos, e por aí também vemos como eles se empenharam na diligência para cumprir bem o ministério.

Não se faz necessário escrever mais. Apenas finalizo dizendo que é impossível cumprir bem o ministério se o obreiro não der a devida atenção e proeminência à Palavra da Verdade na sua vida particular e no seu ministério diante da igreja.

Para finalizar vejamos o que Paulo disse a Timóteo: “Considera o que digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo” (II Tm. 2:7). Considerar, νόει no grego, tem como significado desenvolvermos em nós o ensino exposto na Palavra de Deus.

[1]. Não é o mesmo governar de I Co. 12:28, aqui é um dom sobrenatural. A palavra usada no grego é κυβερνήσεις (encontrada somente neste texto no NT) e tem o significado de administração, isto é, exige “provas de habilidade para manter uma posição de liderança na igreja” (RIENECKER e ROGERS, 1997. p. 318). Através deste dom o obreiro é capacitado a administrar com eficiência incomum as coisas de Deus. Segundo o Pr. Claudionor C. de Andrade, José do Egito possuía esse dom.

2. “Devemos dar destaque primeiramente ao conteúdo, depois ao conteúdo e novamente ao conteúdo. Esse conteúdo precisa ter como base a revelação proposicional feita nas Escrituras, e toda a nossa liberdade sob a liderança do Espírito Santo deve estar enquadrada nos padrões delineados pela Bíblia. Precisamos ressaltar que a base de nossa fé não é nem a experiência nem os sentimentos, mas a verdade concedida por Deus, verbalizada, proposicional nas Escrituras, a qual acima de tudo, aprendemos com nossa mente, embora, é claro, o homem como um todo deva tê-la como fundamento”. (Schaeffer apud Deivinson Gomes Bignon – livro Voltando para a bíblia – 2002. Versão on-line).

3. ZIBORDI, Ciro Sanches. Apostila para escolas bíblicas, seminários e palestras.
4. RIENECKER, Fritz; ROGERS, Cleon. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. 1997. Reimpressão. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova. São Paulo – SP.
5. .6. Idem

Blumenau, julho de 2008.
Em Cristo, o maior - Adriano Wink Fernandes